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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Adeus Saramago

O escritor e Prémio Nobel da Literatura em 1998, José Saramago, morreu esta sexta-feira aos 87 anos em Lanzarote.

“Filho e neto de camponeses, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro de 1922, se bem que o registo oficial mencione como data de nascimento o dia 18”, assim começa a sua biografia inscrita no site da Fundação que tem o seu nome. Os pais do futuro Prémio Nobel emigraram para Lisboa antes que ele fizesse dois anos.

Fez estudos secundários (liceais e técnicos) que, por dificuldades económicas, não pôde prosseguir. Publicou o seu primeiro livro, um romance, “Terra do Pecado”, em 1947. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na revista Seara Nova. Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do jornal Diário de Lisboa, onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante cerca de um ano, o suplemento cultural daquele vespertino.

Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do jornal Diário de Notícias. A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor. Em Fevereiro de 1993 decidiu repartir o seu tempo entre a sua residência habitual em Lisboa e a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha).

Três décadas depois de publicado Terra do Pecado, Saramago regressou ao mundo da prosa ficcional com “Manual de Pintura e Caligrafia”. Publicaria depois “Levantado do Chão” (1980), no qual retrata a vida de privações da população pobre do Alentejo.

Dois anos depois surgiu “Memorial do Convento”, livro que conquistou definitivamente a atenção de leitores e críticos.

De 1980 a 1991, o autor publicou mais quatro romances “O Ano da Morte de Ricardo Reis” (1984), “A Jangada de Pedra” (1986), “História do Cerco de Lisboa” (1989), e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991).

Nos anos seguintes, publicou mais seis romances: “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995); “Todos os Nomes” (1997); “A Caverna” (2001); “O Homem Duplicado” (2002); “Ensaio Sobre a Lucidez” (2004); e “As Intermitências da Morte” (2005).

Os últimos romances publicados foram “A Viagem do Elefante”, 2008, “Caim”, 2009

Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Era casado com Pilar del Río.

Em 1990, estreou no Teatro Alla Scalla de Milão a ópera Blimunda, com libreto do músico italiano Azio Corghi, baseado no romance “Memorial do Convento”.

A polémica com a Igreja Católica e o veto do PSD

Saramago encontrou sempre fortes críticas e oposição na Igreja Católica, ainda que o escritor tenha sempre agido usufruindo, como referia, dos seus direitos de liberdade religiosa e de liberdade de expressão. A relação de tensão com a Igreja Católica agravou-se devido à origem portuguesa de Saramago, país onde o catolicismo ainda é muito forte e discuti-lo ainda é um tabu.

Devido à sua origem portuguesa e toda a influência cultural exercida pelo catolicismo em tal contexto, Saramago sentiu a necessidade de abordar a Bíblia no seu trabalho de escritor, uma vez que este texto faz parte do seu património cultural, ao contrário, por exemplo, do Alcorão, que Saramago entendeu não ser sua tarefa abordá-lo.

Saramago interpreta a Bíblia como um "manual de maus costumes", referindo-se a ela como "um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana". Disse mesmo que para uma pessoa comum a decifrar, esta precisaria de ter "um teólogo ao lado".

O lançamento do livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", em 1991, foi bastante polémico. O longo processo de recepção da obra, do ponto de vista político-religioso, culminou com a sua saída definitiva de Portugal, para Espanha.

Em 1991, Sousa Lara, o Sub-Secretário de Estado adjunto social-democrata da Cultura, vetou o livro do escritor, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, de uma lista de romances portugueses candidatos ao Prémio Literário Europeu. Saramago entendeu o acto como “censório”. Na altura, devido a estes acontecimentos desproporcionados, Saramago chegou até mesmo a propor dois novos direitos à Declaração Universal dos Direitos Humanos: o direito à dissidência e à heresia.

O lançamento de “Caim” em 2009, mesmo em pleno século XXI, despertou polémicas antigas e agravou consideravelmente a sua (não)relação com a Igreja Católica. O eurodeputado do PSD Mário David, por exemplo, falando em nome pessoal e assumindo-se católico não-praticante, disse ter vergonha de ser compatriota do escritor, escrevendo isso no seu blogue e repetindo depois nos meios de comunicação, que “Saramago devia renunciar à nacionalidade portuguesa” - tudo a propósito de “Caim” (apesar de tais declarações, o escritor esclareceu que jamais pensou em abandonar a cidadania portuguesa).

A actividade política

A militância no Partido Comunista Português, iniciada em 1969, é uma marca significativa da actuação política de José Saramago, com desempenho particularmente visível e crítico no período de 1974-1975. No entanto, muito antes da adesão ao PCP, o escritor manifestara já oposição à ditadura de Salazar, tendo sofrido represálias do regime fascista.

Nos anos de 1948-49, Saramago associa-se à candidatura do general Norton de Matos a Presidente da República, em oposição ao candidato do regime, o também general Óscar Carmona. O corajoso acto custou-lhe o emprego na Caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica.

Já depois da Revolução de Abril e aquando do golpe militar do 25 de Novembro, derradeiro no processo de contra-revolução que ia crescendo, José Saramago foi afastado do jornal Diário de Notícias, e sentiu-se ostracizado, inclusivamente pelo PCP, conforme disse em entrevista ao Público (2006): “Claro que o meu partido não teve a gentileza de me convidar para ir para a redacção de O Diário, como fez a todos os que saíram do Diário de Notícias. Na altura não gostei nada. Hoje continuo a não gostar, mas agradeço”.

Ao ficar desempregado novamente após o 25 de Novembro, decide não procurar outro trabalho e dedicar-se exclusivamente à escrita e à tradução.

Os seus únicos rendimentos provinham das traduções, tendo intensifiado esta actividade a partir deste ano, vertendo para português, entre 1976 e 1979, cerca de vinte e sete obras, muitas delas de carácter político: Frémontier, Jivkov, Moskovichov, Pramov, Grisnoni, Poulantzas, Bayer, Hegel, Romain, etc.

No final da década de 80, antes do XII Congresso do PCP, entre outros escritores e intelectuais como Urbano Tavares Rodrigues, Baptista-Bastos ou Mário de Carvalho, Saramago subscreveu o documento que ficou conhecido como “Terceira Via”, no qual se alertava para a necessidade de mudanças. O documento foi subscrito por um grupo heterogéneo, alguns reclamavam por mais democracia interna e abertura, outros por transformações ideológicas estruturantes.

Durante o ano de 1990, José Saramago foi presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), quando Jorge Sampaio foi presidente da Câmara de Lisboa, numa coligação entre PCP e PS. O mandato durou pouco mais do que um mês, tendo-se demitido em Março daquele ano.

João Marques Lopes, escreve em “José Saramago- Biografia” (2010), que após a experiência na AML, o escritor “conservar-se-ia como um militante que deixa utilizar o seu enorme prestígio simbólico como capital político do PCP em acções pontuais”. Acrescenta ainda, “sempre se manifestou (…) contra qualquer fragmentação do PCP”. “Portanto, em toda a sua trajectória de militante do PCP transpareceu a marca da unidade e da diferença, da continuidade e da mudança, da aversão aos trânsfugas de direita e da indisponibilidade para os fenómenos de recomposição anti-capitalista à esquerda dos antigos partidos comunistas”.

Em 2003, Saramago fez declarações (num artigo no El País) desaprovando inequivocamente o fuzilamento de três dissidentes cubanos, que o levaram a assumir uma postura mais distanciada em relação ao regime castrista - “Cuba não ganhou nenhuma heróica batalha ao fuzilar estes três homens, perdeu sim a minha confiança, destruiu as minhas esperanças(...)”.

Também era conhecido o seu apoio solidário à causa Palestiniana e repúdio explícito pela acção política-militar de Israel.

Bloco recorda José Saramago

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, lembrou José Saramago como “um escritor sempre insubmisso” no estilo e nas causas, “um homem das letras que, através dessa ferramenta, serviu combates pela justiça e pela decência”.

Manifestando o voto de pesar pelo falecimento de Saramago, Pureza comentou assim o percurso do escritor: “Levantado do chão, José Saramago combateu a cegueira, a cegueira social, que é o terreno da injustiça em Portugal”.


“POPULISTA EXTREMISTA”

Laerte Braga

Arnold Toynbee entendeu, num determinado momento da guerra fria, que um confronto entre as duas grandes superpotências militares – EUA e URSS – seria inevitável. Para o historiador não havia sentido em todo aquele arsenal se não fosse a perspectiva real de guerra.

A partir daí, acreditou ele, que o mundo a renascer após o que chamou de “hecatombe nuclear”, teria um caráter puritano severo, regido por ditaduras tribais – os grupos sobreviventes.

Os EUA engoliram a URSS. O caráter puritano severo é uma realidade na hipocrisia do capitalismo e as ditaduras não são tribais. Escoram-se no poder militar dos EUA e no que chamam de “nova ordem política e econômica”. A globalização, que não passa de “globalitarização”, máxima precisa do geógrafo brasileiro Milton Santos.

Há dias uma afiliada da REDE GLOBO mostrou o padre Fábio Melo, sucesso de vendagem em CDs religiosos, parabenizando os tantos anos de atividades da tal afiliada. Garoto propaganda no melhor estilo Renovação Carismática. A tentativa da Igreja Católica de reverter o avanço das seitas e igrejas neopentecostais, aproveitando e usando os mesmos métodos de “bispos” padrão Edir Macedo.

O jornal oficial do Vaticano L’OSSERVATORE ROMANO rotulou o escritor português José Saramago de “populista extremista”. É a típica linguagem que latifundiários, por exemplo, usam quando se fala de reforma agrária. Ou banqueiros, quando se critica o sistema financeiro internacional.

Um grupo de jogadores da seleção do Brasil fez chegar há cerca de duas semanas ao técnico Dunga que não estava mais suportando a pressão de jogadores e integrantes da Comissão Técnica evangélicos, para que aceitassem “Jesus em seus corações” e vestissem a camisa de “eu amo Jesus”.

Ganhariam a salvação e naquele momento um por fora para veicular a crença. Do jeito que as empresas de material esportivo pagam a atletas para que usem produtos de suas marcas.

Uma das idiossincrasias vaticanas em relação a Saramago está numa afirmação contida no livro do escritor português O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO. Ele, Cristo, teria perdido e com Maria Madalena a sua virgindade.

Sionistas enxergavam em Saramago um anti-semita.

A forma candente da crítica feita pelo jornal oficial da Igreja Católica a Saramago não é comum. De um modo geral o Vaticano trata mortes de críticos do catolicismo com notas frias, sem maiores considerações, notas assépticas.

O furor da crítica só faz acentuar o caráter fascista do papado de Bento XVI. É diferente do de João Paulo II. O papa anterior usava luvas para não sujar as mãos de sangue na tortura inquisitória perpetrada, por exemplo, contra o brasileiro Leonardo Boff. Ratzinger deixa a mostra seu coração suástico.

Não existe na história da humanidade ditadura mais cruel, perversa e duradoura que a da Igreja Católica. A forma como são sufocados os que se opõem, por dentro, a essa barbárie religiosa, não difere da usada por ditadores clássicos se podemos definir Pinochet assim, ou qualquer outro. Trujillo assistia à missa todos os domingos.

Os militares golpistas que derrubaram o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, o fizeram com as bênçãos do cardeal hondurenho e entraram no Palácio Presidencial carregando um imenso crucifixo. Como antes, em 2002, o cardeal venezuelano estava ao lado de Pedro Carmona e seu golpe macarrônico contra Chávez.

O avanço das seitas e igrejas neopentecostais em todo o mundo – se voltam agora para tentar chegar aos países islâmicos – tem a bênção dos senhores do mundo em Washington e Wall Street, embora boa parte das lideranças prefira ficar em Miami, caso do brasileiro Edir Macedo.

Os papados de João XXIII e de Paulo VI foram desmontados por seus sucessores (não estou levando em conta João Paulo I, vítima da burocracia fascista do Vaticano nas pressões “outra” Igreja, durou apenas um mês).

Na prática, a nova ordem econômica ou a globalização, como chamam, é a nova ordem religiosa. O neoliberalismo. Como cruzados são os que na estupidez da barbárie, da tortura, de todas as formas de violência possíveis tentam “evangelizar” povos “pagãos”, na esteira do novo deus, o Mercado.

O que tudo regula, se auto regula inclusive.

No Brasil ganhou uma nova adepta, a senadora Marina da Silva. Fez tratamento para engolir e digerir sapos sem maiores danos ao seu estômago. Consciência já era.

“Evangelizam” no Iraque, no Afeganistão, em Honduras, na Colômbia, no Paquistão, tentam estender suas garras a outros cantos.

A Igreja Católica é como a Europa hoje. Um negócio assim de pedestais de ouro, erguido em barões, viscondes, condes, marqueses, duques, príncipes, reis e rainhas.

Fellini dimensionou isso com fulminante precisão em ROMA DE FELLINI. Nos vários modelitos capazes de encantar sua eminência e no brilho fascista de Pio XII. O tamanho do gênio, a capacidade da percepção do próximo capítulo nessa grotesca história de Marcelo Rossi salvando almas e vendendo CDs.

Se há luz, necessariamente tem que haver sombra. Os técnicos não entenderam assim. A luz de uma vela carregada por Roberto Benigno enquanto subia uma escada do lado de fora de um celeiro era insuficiente para gerar sombra. O gênio de Fellini quis a sombra e a sombra gerou todos os debates sobre esse lado sombrio da luz.

“Vocês são apenas técnicos, gênio aqui sou eu”. “Quero mar de papel crépon”.

Saramago, ao contrário do que dizem os porta-vozes da Igreja não hostilizou a convicção católica. Esse é um problema individual de cada um. E tampouco negou erros e crimes supostamente praticados por governantes da antiga União Soviética.

Ao contrário. Aceitou as evidências, as narrativas e os fatos apresentados, apenas reafirmou sua convicção. Um católico não tem culpa por Bento XVI. O caráter perverso do papa não pode ser estendido ao fiel. Nem o banditismo de Edir Macedo àquele que crê piamente que o dízimo constrói casa na vida eterna.

E nem a obra de José Saramago pode ser vista apenas sob esse ângulo. Não era um escritor que fazia do anti-catolicismo a razão de ser de sua obra. É pretensão demais cingi-la a isso. Apenas detectou um dos cânceres. Entendeu o mundo como um todo capitalista a subjugar seres humanos e transformá-los em objeto de uma engrenagem bárbara, “neomedieval” como dizia, mas recheada de tecnologia.

Transcende à dimensão anã do catolicismo de Bento XVI. Projeta-se na compreensão que vivemos o dilema extremo do ser humano.

Ou somos objeto dessa nova ordem, ou nos rebelamos e construímos outra ordem possível e desejável.

Daqui a mil anos, se alguma coisa e alguém ainda existir, com certeza, Saramago será lembrado. Bento XVI vai constar apenas daqueles almanaques em que se lista quem foi papa, ou a ordem dos papas desde a fundação da Igreja.

“Populista extremista”. Não pesquisei, mas se alguém o fizer vai encontrar a raiz dessa expressão em algum momento de Hitler. Com certeza.

sábado, 19 de junho de 2010

O BLOCO DO PAU DE ARARA E DO CHOQUE ELÉTRICO

Laerte Braga


Ronnie Lee Gardner passou vinte e cinco anos na prisão estadual de Utah, EUA, aguardando sua execução. Foi condenado à morte por homicídio. Todos os apelos feitos para a comutação da pena em prisão perpétua foram negados.

Ronnie foi fuzilado por um batalhão de cinco atiradores e segundo a imprensa de seu país escolheu, ele próprio, a forma de execução. Sobre os crimes cometidos por Ronnie não havia dúvidas, nem mesmo entre os que defendiam a comutação da pena de morte em prisão perpétua. Sobre a barbárie de vinte e cinco anos esperando para ser executado, com certeza é culpa do Irã.

Utah é um estado onde os mórmons predominam e onde a legislação permite a bigamia em respeito aos costumes e tradições desses religiosos.

Um fórum de empresários europeus e norte-americanos revelou que são gastos cerca de 40 a 50 milhões de dólares anualmente para reforçar a posição dos partidos de oposição na Venezuela e tentar derrubar o presidente Chávez. Chamam a isso de democracia.

A grande preocupação de boa parte dos telespectadores em muito dos países do mundo e que acompanham a Copa da África pela telinha, além do “cala a boca Galvão”, específico do Brasil, é o grito do vizinho. Para alguns é inadmissível que o vizinho perceba o gol primeiro. A diferença entre a imagem e o som de uma casa para outra.

Por que o meu vizinho grita gol primeiro suscitou explicações técnicas para evitar corrida a consultórios de psiquiatras e psicanalistas, dramas existenciais mais profundos e capazes de gerar tragédias em algumas partes do mundo.

Perguntaram a José Saramago por qual motivo continuava sendo comunista diante dos “crimes” de Stalin. Saramago respondeu de forma simples. “Por convicção ou alguém deixa de ser católico por conta dos crimes da Inquisição?”

A turma do pau de arara e do choque elétrico no Brasil está desatinada a julgar pela torrente de mails e comunicados de “guerra” despejados para todos os lados na tentativa de “alertar” brasileiros contra os “riscos” de uma vitória de Dilma Roussef.

Investem agora contra o senador José Sarney e a aliança do PT com o partido do ex-presidente no Maranhão. Não explicam que Sarney foi presidente da ARENA – partido da ditadura militar – era homem de confiança dos generais ditadores e foi presidente do Senado a primeira vez indicado pelo governo ditatorial. Será que nunca souberam que Sarney já nasceu pústula?

Essas viúvas da ditadura estão em agonia na expectativa que o Superman chegue e salve o Brasil. Em 1964 veio disfarçado de general Vernon Walters e falando português fluente, com o qual cooptou, enquadrou e comandou os golpistas.

Não hesitam em fuzilar velhos aliados como Sarney, ou qualquer outro, acreditando que aquele negócio de colocar espantalhos na plantação para afastar assombrações vá dar resultados.

Por não se enxergarem não se percebem, eles próprios, os espantalhos.

Que Sarney, Hélio Costa, esse tipo de gente não acrescenta coisa alguma a nada, ninguém tem dúvida e nem o centro do assunto passa por aí.

É que a candidatura do paulista José Arruda Serra despenca para todos os lados e a versão do século XXI de Jânio Quadros, já renunciou pelo menos duas vezes, sendo contido pelos amigos mais próximos, preocupados, inclusive, com risco de atitudes tresloucadas.

O mais importante de tudo isso é que o Homer Simpson entenda que, por incrível que pareça, não é culpa da GLOBO se o vizinho grita gol primeiro, mas desse negócio de velocidade do som, da imagem, naturalmente agentes iranianos interessados em promover a desestabilização do Ocidente cristão e democrático, justo na hora do gol.

É a copa da tecnologia. Mais vale um choque de joelho contra joelho, ou uma cabeça contra outra, que a bola dentro do gol, estufando as redes como dizem alguns locutores, pelo menos diziam.

Aí, nesse meio de caminho descobrem uma coisa interessante. Quer gritar gol primeiro que seu vizinho, ou ao mesmo tempo? Compre um radinho de pilha daqueles antigos. Dê um chega pra lá na frustração. O velho aparelhinho resolve o problema e evita depressões, dramas existenciais, angústias, situações que, ao fim, podem desestabilizar o ser humano, ou assim dito, levar casamentos de roldão, sem falar em perigo real e imediato de incendiar a casa do vizinho por conta do privilégio.

Os técnicos chamam a isso, esse descompasso, de “delay”, algo como atraso. O tempo que o sinal da transmissão percorre para que os dados subam e desçam do espaço a Terra. No sinal analógico o tal “delay” demora um quarto de segundo para chegar ao satélite e outro quarto de segundo para voltar, portanto, dois quartos de segundo, que vem a ser meio segundo, numa viagem de ida e volta até as telinhas, o que pode resultar num atraso ainda maior.

Rádio de pilha resolve. Que nem pílula do doutor Ross.

Para evitar confusões maiores e cabeças fundidas, os principais jornais, revistas e redes de tevê estão explicando o “fenômeno”, antes que governos do mundo inteiro sejam obrigados a comprar vacinas para evitar uma pandemia de “delay”.

Já o futebol.

Surpreenda o seu vizinho, grite gol primeiro com sua arma secreta, um radinho de pilha.

E não se assuste com assombrações fardadas cheirando a mofo e cheias de parafernálias eletrônicas tipo máquina de choques, paus de arara, caminhões da FOLHA DE SÃO PAULO para desova de cadáveres, empresários financiando tortura e pagando cinco mil euros por um programa no esquema FIESP/DASLU, isso faz parte do projeto tucano de “nós podemos mais”.

São movidos a viagra. Saem das catacumbas de Wall Street e aterrissam na pirâmide de FHC. O ex-presidente, assim como os malucos antigos sofriam de mania de Napoleão, sofre de mania de Ramsés.

E o jornalista Élio Gaspari hem? Depois de passar dois anos com bolsa de estudos em Harvard, onde estuda a filha de Arruda Serra com dinheiro da AMBEV e mamatas nos governos tucanos, o jornalista, falo dele, virou mentiroso. Inventou um codi nome para a candidata Dilma Roussef, atribuiu-lhe assassinatos que não cometeu e agora o tal codi nome existe, é uma pessoa real, Dulce Maia, está viva ao contrário do que fez presumir Gaspari, que fosse uma ficção e quer provar isso.

Será que a GLOBO noticia?

O que é isso meu caro, minha cara. Mentira é a bandeira dessa gente.

Cala a boca Bonner!