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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

HOSNI MUBARAK – ACABOU

Laerte Braga


Mubarak era um dos comandantes da força aérea egípcia na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Os radares do Egito eram fixos e voltados para Israel. Os comandantes, entre eles Mubarak, não foram capazes de perceber a manobra dos militares de Israel. Como os radares não cobriam 360 graus, os aviões israelenses contornaram-nos e destruíram toda a aviação egípcia em terra.

Nos planos do então presidente Gamal Abdel Nasser um ataque aéreo a Israel equilibraria a guerra e permitiria às forças de seu país e da Jordânia ocuparem parte do território inimigo e principalmente toda a cidade de Jerusalém.

Deu tudo errado. Em seis dias as tropas de Israel sob o comando do nazi/sionista Moshe Dayan tomaram inclusive o canal de Suez.

Nasser foi um dos principais líderes do que se conhecia como países do Terceiro Mundo e desenvolvia intensa colaboração política e econômica com a antiga União Soviética. A monumental represa de Assuan foi construída com financiamento e participação direta de técnicos soviéticos.

Tentou de todas as formas unir os governos do Oriente Médio e chegou a criar a REPÚBLICA ÁRABE UNIDA (Egito e Síria) para enfrentar o que pressentiu desde o primeiro momento. O expansionismo israelense.

Foi Nasser que à frente de um movimento militar – era coronel – derrubou a monarquia no país.

Mubarak virou vice-presidente de Anwar El Sadat, sucessor de Nasser (o presidente morreu no exercício do governo). Sadat foi o responsável pela retomada do canal de Suez na guerra do Yom Kyppur e, na euforia da primeira vitória seus generais cometeram erros primários permitindo ao comandante israelense Ariel Sharon cercar as forças egípcias e alcançar um acordo de paz. Se a guerra prosseguisse teriam perdido Suez outra vez.

A entrada em cena dos EUA se deu após Sadat negociar a devolução do Sinai ao Egito e aceitar um acordo de paz com Israel. O presidente rompeu os acordos com a União Soviética, expulsou os técnicos daquela nação e começa aí a história do Egito como aliado dos EUA. 


Naquele momento o Egito se obrigava, em troca da devolução do Sinai, a fornecer petróleo a Israel a preços abaixo dos preços de mercado, mesmo não sendo potência petrolífera (reservas de 18 bilhões de barris). Fornece até hoje. 


Num outro momento, no final da década de 50, franceses e ingleses tentaram se contrapor à nacionalização do Canal de Suez e sem o apoio dos EUA (de olho na perspectiva de negócios futuros que acabaram se materializando) saíram do Egito. Naquele momento ingleses e franceses começaram a perceber que não eram mais um império e dependiam, como dependem visceralmente dos EUA (no caso da França, a ascensão de De Gaulle após a queda de René Coty e a fuga do primeiro-ministro de extrema direita George Bidault para o Brasil, a guerra da Argélia, esse país permaneceu durante o período em que foi governado pelo general – Charles Andre Joseph Marie De Gaulle – longe da OTAN – ORGANIZAÇÃO DO TRATADO ATLÂNTICO NORTE).

Sadat foi assassinado por um militar muçulmano durante um desfile em comemoração à recuperação de Suez e do Sinai. O general Anwar El Sadat, logo após o acordo mediado pelos EUA visitou Israel duas vezes e encontrou-se com o primeiro-ministro Menaguem Begin (Einstein e todas as pessoas bem informadas o consideravam terrorista, foi responsável pela explosão de um hotel antes da criação de Israel matando centenas de pessoas).

A vitória na verdade, era outra baita derrota e Hosni Mubarak, o então vice-presidente, em 1971, assume o governo.

A perspectiva de eleições livres e gerais no Egito assustava aos norte-americanos, a Israel e aos donos do poder no pós-Nasser. Em eleições regionais os partidos islâmicos haviam ganho com larga maioria. Por isso Mubarak os tornou proscritos.

O regime de Hosni Mubarak é de barbárie pura e absoluta. De subserviência total aos interesses norte-americanos e colaboração estreita com Israel, inclusive contra palestinos (muitos foram expulsos de campos de refugiados no país, como na Jordânia, outro aliado de Israel).

O descontentamento popular vem de longa data. A revolta na Tunísia serviu para acender o rastilho da indignação dos egípcios contra um governo totalitário, corrupto e que transformou o país numa colônia de interesses dos EUA e de Israel.

Os serviços secretos egípcios trabalham em estreita colaboração com a MOSSAD – organização terrorista que Israel chama de serviço de inteligência –.

Mubarak acabou. Só fica no poder se os militares promoverem um massacre para que isso se torne possível.

O que acontece neste momento no Cairo é uma tentativa de ceder os anéis e salvar os dedos, tudo mediado e dirigido pelos EUA e por Israel, no receio de perder o mais importante aliado na região. Isso poderia significa a curto prazo mudanças na Jordânia (já existem protestos no país), na Arábia Saudita, outros aliados norte-americanos.

O de buscar um governo que pareça restabelecer a democracia, só pareça, mas mantenha intactos os laços com o governo terrorista de Israel.

O grande vencedor dessa encrenca toda é o Irã. A revolução islâmica se sustenta em eleições livres, diretas e ampla participação popular nas questões de governo, a despeito do noticiário contrário da mídia podre e venal do Ocidente.

O longo período de aliança com os EUA transformou o Egito em potência militar quase equivalente a Israel (só não dispõe de armas nucleares como o estado sionista). A idéia de um governo popular que ponha fim à subserviência em relação aos EUA aterroriza Washington. E deixa Tel Aviv de orelhas em pé, temerosos, ambos, que uma espécie de efeito dominó mude a correlação de forças no Oriente Médio.

Não importa que isso não aconteça agora, cedo ou tarde acontecerá.

A luta contra Mubarak diz respeito a todos os povos muçulmanos e do Oriente Médio. O ditador acabou. Milhões de egípcios estão nas ruas exigindo o fim do regime opressivo e colonizado.

E um detalhe sintomático que os EUA estão procurando alternativas confiáveis para suceder Mubarak. A REDE GLOBO, no Brasil, até as 18 horas de segunda-feira e em seus noticiários (no caso do Egito o que for autorizado pelo Departamento de Estado), referia-se a Mubarak como “presidente”. A partir daquele horário virou ditador. É outro sintoma. Foi jogado às feras.

Qualquer que seja a solução que encontrem EUA e Israel sabem que a revolta árabe, do povo muçulmano irá prosseguir. Até que haja uma solução digna para as questões que dizem respeito aos países e povos da região e principalmente para os palestinos. Saqueados, torturados, violados em seus direitos pelo estado terrorista de Israel, parte do conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

O maior e mais perigoso conglomerado de violência e barbárie em todo o mundo.

Tony Blair apareceu para falar sobre o assunto e buscar a paz? Claro, é o boy da Casa Branca que afirmou ser indispensável a guerra contra o Iraque para destruir armas químicas e biológicas que não existiam (ele mesmo admitiu isso há meses atrás).

Hosni Mubarak acabou. Não tem mais serventia para seus patrões. Se ficar vai ser por conta da barbárie, o mais lógico, no entanto, é que vá viver num paraíso qualquer cercado de um harém, como acontece com o regime brutal da Arábia Saudita.

Comandante militar de fancaria, medalha por tortura, assassinato a sangue frio, traição, tal e qual qualquer militar em qualquer ditadura, inclusive a que nos escravizou no Brasil de 1964 a 1984. Não foi capaz de perceber a fragilidade do sistema de radares de sua força e nem levantou vôo.  

Massacrou seu povo por trinta anos.        

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tony Blair deve ser processado

por John Pilger

Tony Blair. Tony Blair deve ser processado, não perdoado como o seu mentor Peter Mandelson. Ambos produziram memórias auto-justificadoras pelas quais lhes foram pagas fortunas. A de Blair aparecerá no próximo mês e ele ganhou com ela £4,6 milhões [€5,2 milhões]. Agora considere a Lei das Receitas de Crime (Proceeds of Crime Act) britânica. Blair concebeu e executou uma guerra de agressão não provocada contra um país indefeso, o que em 1946 os juízes de Nuremberg descreveram como o "supremo crime de guerra". Isto provocou, de acordo com estudos acadêmicos, as mortes de mais de um milhão de pessoas, um número que excede a estimativa das mortes no genocídio de Ruanda elaborada pela Fordham University.

Além disso, quatro milhões de iraquianos foram forçados a fugir dos seus lares e a maioria das crianças caiu na desnutrição e no trauma. As taxas de cancer perto das cidades de Faluja, Najaf e Bassorá (esta última "libertada" pelos britânicos) revelam-se agora mais elevadas do que aquelas em Hiroshima. "Forças do Reino Unido utilizaram cerca de 1,9 toneladas métricas de munições de urânio empobrecido na guerra do Iraque em 2003", disse em 22 de Julho o secretário da Defesa Liam Fox no parlamento. Um conjunto de armas "anti-pessoais" tóxicas, tais como bombas de estilhaçamento, foi empregado pelas forças britânicas e americanas.

Tal carnificina foi justificada com mentiras que foram reiteradamente denunciadas. Em 29 de Janeiro de 2003 Blair disse ao parlamento: "Sabemos de ligações entre a al-Qaida e o Iraque...". No mês passado, o antigo chefe do serviço de inteligência, MI5, Eliza Manningham-Buller, declarou no inquérito Chilcot: "Não há inteligência crível a sugerir aquela conexão ... [foi a invasão] que deu a Osama bin Laden a sua jihad no Iraque". Perguntada em que medida a invasão exacerbou a ameaça de terrorismo para a Grã-Bretanha, ela respondeu: "Substancialmente". As bombas em Londres a 7 de Julho de 2005 foram uma consequência direta das ações de Blair".

Documentos divulgados pelo Supremo Tribunal mostram que Blair permitiu que cidadãos britânicos fossem sequestrados e torturados. O então secretário do Exterior, Jack Straw, decidiu em Janeiro de 2002 que Guantanamo era o "melhor meio" para assegurar que cidadãos do Reino Unidos fossem "mantidos em segurança".

Ao invés de remorso, Blair tem demonstrado uma cobiça voraz e secreta. Desde a sua demissão como primeiro-ministro em 2007, ele acumulou uma quantia estimada em £20 milhões [€ 22,7 milhões], grande parte dela em resultado dos seus laços com a administração Bush. O Comité Consultivo sobre Nomeações de Negócios da Casa dos Comuns, o qual verifica empregos assumidos por antigos ministros, foi pressionado a não tornar pública a "consulta" de Blair sobre acordos com a família real do Kuwait e a gigante petrolífera sul coreana UI Energy Corporation. Ele obtém £2 milhões [€2,27 milhões] por ano a "aconselhar" o banco de investimento americano J. P. Morgan e somas não reveladas de companhias de serviços financeiros. Ele ganha milhões com discursos, incluindo confirmadamente £200 mil [€227 mil] por um feito na China.

No seu papel não pago, mas rico de despesas como "enviado de paz" do Ocidente no Médio Oriente, Blair é, com efeito, um porta-voz de Israel, o qual lhe concedeu um "prémio da paz" de US$ 1 milhão [€ 700 mil]. Por outras palavras, a sua riqueza cresceu rapidamente desde que lançou, com George W. Bush, o banho de sangue no Iraque.

Os seus colaboradores são numerosos. Em Março de 2003 o Gabinete ficou sabendo bastante acerca da conspiração para atacar o Iraque. Jack Straw, posteriormente nomeado "secretário da justiça", suprimiu as minutas relevantes do Gabinete em desafio a uma ordem do Comissário da Informação para divulgá-las. A maior parte daqueles que agora a concorrerem à liderança do Partido Trabalhista apoiaram o crime impressionante de Blair, levantando-se todos em conjunto para saudar a sua aparição final nos Comuns. Quando era secretário do Exterior, David Miliband procurou encobrir a cumplicidade britânica na tortura e promoveu o Irã como a "ameaça" seguinte.

Jornalistas que antes bajulavam Blair como "místico" e amplificaram seus ditos arrogantes agora pretendem-se seus críticos desde o princípio. Quanto à burla da mídia em relação ao público, só David Rose do Observer, para honra sua, pediu desculpas. As revelações do Wikileaks, divulgadas com o objetivo moral da verdade com justiça, têm sido estimulantes para um público alimentado à força para a cumplicidade, o jornalismo de lobby. Prolixos historiadores célebres como Niall Ferguson, que se regozijou com o rejuvenescimento de Blair do imperialismo "iluminado", permanecem silenciosos sobre a "evasão moral", como escreveu Pankaj Mishra, "daqueles pagos para interpretar inteligentemente o mundo contemporâneo".

Será lavagem cerebral pensar que Blair será agarrado pelo colarinho? Assim como o governo Cameron entende a "ameaça" de uma lei que torna a Grã-Bretanha uma paragem arriscada para criminosos de guerra israelenses, um risco semelhante aguarda Blair num certo número de países e jurisdições, pelo menos de ser detido e interrogado. Ele agora é o Kissinger da Grã-Bretanha, que há muito tem de planear as suas viagens para fora dos Estados Unidos com os cuidados de um fugitivo.

Dois eventos recentes dão mais peso a isto. Em 15 de Junho, o Tribunal Penal Internacional tomou a decisão memorável de acrescentar a agressão à sua lista de crimes de guerra a serem processados. Esta é definida como um "crime cometido por um líder político ou militar o qual pelo seu carácter, gravidade e escala constitui uma violação manifesta da Carta [das Nações Unidas]". Juristas internacionais descrevem isto como um "salto gigantesco". A Grã-Bretanha é signatária do estatuto de Roma que criou o tribunal e está obrigada a cumprir as suas decisões.

Em 21 de Julho, o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, nos Comuns, declarou ilegal a invasão do Iraque. Apesar da "clarificação" posterior de que estava a falar pessoalmente, ele fez "uma declaração em que o tribunal internacional estaria interessado", disse Philippe Sands, professor de direito internacional no University College London.

Tony Blair veio das classes médias-altas britânicas as quais, tendo-se regozijado na sua untuosa ascendência, pode agora refletir sobre os princípios de certo e errado que exigem dos seus próprios filhos. O sofrimento das crianças do Iraque permanecerá como um espectro a assombrar a Grã-Bretanha enquanto Blair permanecer livre para lucrar.


05/Agosto/2010

O original encontra-se em:
Tony Blair must be prosecuted

Este artigo encontra-se em:
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