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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Por que o Brasil se atrasa


Texto escrito e enviado por *Adriano Benayon - 16.07.2012

1. A desindustrialização do Brasil não tem sido explicada adequadamente, sequer pelos economistas menos vinculados à ideologia das corporações transnacionais.

2. Em entrevista à BBC (13.07.2012), Gabriel Palma, professor da Universidade de Cambridge, Inglaterra, lembrou que, em 1980, a produção industrial no Brasil superava a do conjunto formado por China, Índia, Coreia do Sul, Malásia e Tailândia e que, em 2010, já não representava senão 10% do total produzido nesses países.

3. O economista Leonardo Guimarães Neto, publicou artigo no portal do Centro Celso Furtado, Ano 6 - Edição 8, Recife, 13.04.2012, intitulado A retomada da indústria brasileira: o recado de Antônio Barros de Castro”.

4. Nele aprecia o pacote estímulos, de R$ 60 bilhões, à indústria brasileira (sic), incluindo: desoneração fiscal, ampliação e barateamento do crédito; redução de até 30% do imposto sobre produtos industrializados para o setor automobilístico; redirecionamento de compras governamentais para bens produzidos internamente; redução de impostos na tecnologia da informação.

5. Deixa de denunciar mais esse absurdo presente à predadora indústria automobilística estrangeira, que não cessa de descapitalizar o País, enviando ao exterior os ganhos oligopolistas arrancados dos consumidores nacionais.

6. Omite também que, sob a presente estrutura industrial, dominada pelas transnacionais, os investimentos e subsídios aos centros de pesquisa tecnológica significam desperdício de recursos públicos, porquanto, não havendo empresas nacionais viáveis no mercado, só ínfima fração do resultado das pesquisas resultará em inovação tecnológica.

7. Observa Guimarães, que, embora bem recebido, o pacote foi considerado insuficiente por sindicatos patronais e de trabalhadores. Esses reclamam:

  • (I) desvalorização cambial,
  • (II) redução dos juros e dos spreads bancários e
  • (III) redução do preço de insumos fundamentais para a atividade industrial, como a energia elétrica.
8. Segundo Guimarães, a perda de competitividade da indústria nacional [sic] não se deve só ao custo Brasil: enorme carga tributária; juros e spreads bancários altos; elevados preços da energia elétrica; enormes déficits de infra-estrutura de transporte e logística.

9. A perda estaria associada à reduzida capacidade de inovação da grande maioria dos segmentos produtivos da indústria nacional (sic), em contexto de acelerado avanço tecnológico nos países competidores, tais como a China.
10. Precisamos, porém, ir mais fundo. Entender por que essa capacidade é reduzida. Daí, inseri três vezes o advérbio latino “sic”, após “indústria brasileira ou nacional, porque a questão básica, intocada nas discussões correntes; é a desnacionalização, o fato de a produção realizada no Brasil não ser nacional, mas subordinada às matrizes das transnacionais estrangeiras que a controlam.

11. É ridículo falar em inovação tecnológica com a indústria desnacionalizada e com os seus centros das decisões sobre produção e mercados, situados no exterior.

12. Se não há inovação tecnológica no Brasil é porque as transnacionais se apropriaram de tecnologias no exterior, amortizaram-nas com as vendas em outros mercados e as utilizam aqui a custo real zero, tal como acontece com as máquinas e equipamentos importados a preços superfaturados.

13. Por que, então, tais indústrias não são competitivas, se seus custos reais de produção são extremamente baixos, ademais de as transnacionais receberem colossais subsídios prodigalizados pelos governos federal, estaduais e municipais?

14. Porque o valor contábil das despesas das subsidiárias no Brasil é levado às alturas, através dos preços que estas pagam às matrizes nas importações dos bens de produção (inclusive o da tecnologia, jamais transferida): os bens de capital e os insumos, tudo é superfaturado, além de serviços sobrefaturados e até fictícios.

15. Em suma, as políticas de favorecimento às transnacionais, inauguradas em 1954, e intensificadas desde então, fazem que os brasileiros paguem para se tornarem pobres. Os fabulosos lucros reais obtidos pelas transnacionais são transferidos ao exterior, não apenas como tal, mas também através desses superfaturamentos e do subfaturamento de exportações.

16. Estando a economia concentrada por empresas transnacionais e bancos, na maioria desnacionalizados, e os “nacionais” associados aos estrangeiros e com eles ideologicamente alinhados, é esse sistema imperial que elege os “governantes” nos poderes do Estado brasileiro, pois as eleições dependem dos dinheiros para as campanhas e do acesso às redes de TV comerciais, vinculadas aos mesmos interesses.

17. Em tais condições, tornam-se inócuos os votos piedosos dos economistas, quando recomendam reformular a infra-estrutura de transportes e logística, baixar os juros até o patamar internacional (o que viabilizaria reduzir a carga tributária), desvalorizar a taxa cambial etc..

18. Mantendo-se a atual estrutura de poder, essas medidas seriam irrealizáveis, além de que, para funcionarem, acarretariam a necessidade do controle de capitais e da estatização dos principais bancos, ou seja, políticas ainda menos toleráveis para os aproveitadores dessa estrutura.

19. Assim, o governo que empreendesse tais políticas, seria desestabilizado e derrubado antes de promover a indispensável a passagem do controle da indústria para capitais nacionais, privados e públicos.

20. Se a indústria não for realmente nacional, jamais terá chance de ser competitiva. O mesmo se aplica à infra-estrutura econômica (energia, transportes e comunicações) e à social (saúde, educação e cultura). Há que desmercadorizar os serviços públicos e eliminar as agências “reguladoras”, devolvendo o poder delas ao Estado.

21. Também importante para o Estado é recuperar funções perdidas com o modelo do “consenso de Washington” é a total reformulação da administração pública, generalizando-se os concursos públicos, a formação de técnicos e administradores, e instituindo a aferição de desempenho, com possibilidade de demissão, seleção de quadros desde a escola primária, etc..

22. Voltando a Guimarães: “Segundo Antônio Barros de Castro ...não se trata hoje de superar um hiato em relação a concorrentes que evoluíam lentamente em termos tecnológicos e de produtividade. Para ele, esta premissa não existe mais, e os concorrentes do Brasil, notadamente a China, ainda estão alcançando novos patamares de produtividade e aumentando o esforço tecnológico para acelerar sua eficiência”. China teria superado a fase de “made in China” para outra de “created in China”.

23. Ora, como assinalei no artigo Tecnologia, Desenvolvimento e Ilusões, publicado em maio, é incrível que até os economistas que não se restringem a discutir política macroeconômica, conclamem para a necessidade de inovação tecnológica sem reconhecerem a impossibilidade dela num país cujos mercados estão sob controle praticamente total de empresas transnacionais. 

24. Em artigo próximo tentarei resumir a avassaladora ocupação da economia brasileira, a qual prossegue em tal velocidade, que a empresa nacional é, cada vez mais, espécie em extinção.

25. De novo, Guimarães: Castro acredita que o Brasil, de início, deve ganhar tempo até induzir as grandes transformações, garantindo superávits no balanço de pagamento por 10 ou 15 anos com petróleo e matérias primas agrícolas, além da expansão do mercado interno “colocando areia para limitar a ocupação do mercado interno por importações ...”.

26. Isso seria, na realidade, perder tempo. E o Brasil já se atrasou demasiado nos últimos 58 anos! Proteção para a indústria, na atual estrutura, só favorece as transnacionais e eleva os incalculáveis prejuízos que vêm causando ao País.

27. De resto, enquanto se dilapidam os recursos naturais através das exportações primárias, as receitas são usadas para pagar por serviços superfaturados e fictícios, às matrizes das transnacionais, e para importar bens de alto valor agregado e insumos grandemente superfaturados. Nem se fica sabendo o que valem as matérias-primas exportadas, nem o balanço de pagamentos se equilibra sem endividamento.

28. Isso implica fomentar a estrutura econômica atrasada, como a da Venezuela, por mais de um século, antes de Chávez: exportar quantidades fabulosas de petróleo e ficar com a estrutura econômica mais primitiva da América do Sul, para gáudio do império anglo-americano.

29. Com governos acomodados às imposições do império, até por carecerem de consciência nacional, as transnacionais estão ocupando até os espaços recomendados por Barros de Castro e seguidores, como a agroindústria do etanol e a química baseada na energia vegetal. Note-se que nem falam dos óleos vegetais, como o dendê, capaz de produzir mais óleo – melhor que o de petróleo - do que a Arábia Saudita.


*Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento”

domingo, 27 de junho de 2010

O submarino verde-amarelo ( El submarino verdeamarillo)

Brasil espera que la construcción de su primer submarino nuclear produzca una ola de conocimientos tecnológicos que catapulte a empresas y apoye su base energética.

Vie, 06/18/2010 - 11:59

Para los marinos brasileños fue como un regalo navideño cuando el 23 de diciembre de 2008 el presidente Lula da Silva puso la firma para adquirir cinco submarinos franceses por más de US$ 8.300 millones. Con la compra, el país duplicaba su flota actual de sumergibles, pero representaba mucho más. El paquete incluía nada menos que el cuerpo para un submarino de propulsión nuclear, el sueño de toda flota, pero disfrutado sólo por un quinteto: Estados Unidos, Inglaterra, Francia, Rusia y China. Justamente los miembros permanentes del Consejo de Seguridad de la ONU, un asiento al que Brasil también aspira.

Las cinco superpotencias tienen sus submarinos equipados con armamento nuclear, pero aún con armas convencionales es un instrumento fenomenal. Por un lado, la potencia del reactor nuclear le permite alcanzar velocidades seis veces superior a la de uno convencional. Por otro, como el reactor no es a combustión, no necesita oxigeno. Eso se traduce en una autonomía casi ilimitada, dependiendo sólo del tamaño de sus almacenes y la resistencia psicológica de la tripulación. Es más, puede mantener la velocidad máxima todo el tiempo que necesite, incluso a gran profundidad.

“Un submarino nuclear significa estar en todos los lugares al mismo tiempo”, se entusiasmaba el comandante de la marina brasileña Julio Soares de Moura Neto.

Pero el plan de los almirantes brasileños es más ambicioso. Según el cronograma, el submarino nuclear estará listo hacia 2021, pero sólo será el primero de una línea de producción. Cada siete años se botará uno nuevo hasta alcanzar una flota de, al menos, cinco unidades, la necesidad mínima establecida por el plan de defensa de ese país para patrullar las aguas profundas que rodean sus más de 7.000 kilómetros de costa.

Como arma, una flota de submarinos nucleares parece algo exagerado para el vecindario sudamericano. No es tanto el poder de fuego donde tienen puestos sus ojos los brasileños, sino en el terreno tecnológico local, donde el submarino tendrá sus resultados más inmediatos y concretos. De acuerdo al cronograma, para 2014 los brasileños esperan obtener una tecnología propia de generación termonuclear. Además, algunos expertos de ese país auguran que el submarino nuclear podrá abastecer de energía a localidades costeras remotas de ese país, ampliando aún más su uso civil.

Según el acuerdo franco-brasileño la naviera francesa DCNS proveerá el diseño del casco y la tecnología de fabricación, la empresa gala de defensa Thales aportará los sistemas de navegación y armas, mientras que el sistema de propulsión será provisto por los propios brasileños. Con una inversión de US$ 250 millones en el Centro Experimental de Aramar, en el estado de São Paulo, los brasileños esperan terminar el Laborario Experimental de Generación Nucleoeléctrica (Labegne), el prototipo que probará y homologará toda la tecnología brasileña en generación nuclear.

Si pasan el cometido, Brasil será el primer país latinoamericano en tener lista su propia tecnología de generación nuclear, ya sea para motorizar un submarino, como para apoyar el plan energético del país.

Argentina, pese a haber estado más avanzado en los años 80 y haber recibido a partir de 2007 un apoyo inédito a su proyecto Carem, un reactor de cuarta generación modular capaz de crear entre 300 megawatts hasta 700 megawatts (MW) de potencia, recién se encuentra entrando a la fase de ingeniería de detalle y el reclutamiento de unos 1.500 profesionales para llevarla a cabo. Incluso la norteña provincia de Formosa ya suscribió una carta de intención para instalar un generador nuclear en su territorio, pero la construcción aún no ha comenzado.

El Labegne es un reactor de agua presurizada (PWR, por pressurized water reactor) de 48 MW, que es la potencia que se requiere para los submarinos proyectados. Según el coordinador del programa nuclear de Eletronuclear, el operador de las centrales nucleares brasileñas, el Labegne puede convertirse en la base para desarrollar en las próximas décadas centrales de baja y mediana potencia. Los técnicos argentinos de la Comisión Nacional de Energía Nuclear (CNEA) calculan que este tipo de reactor puede servir para desarrollar las centrales de 1.000 MW que Brasil planea desarrollar para independizar su matriz energética de los períodos de lluvias y sequías.

Justamente la primera central PWR comercial, la estadounidense Shippingport, data de mediados de los años 50 y fue diseñada a partir de los conocimientos del prototipo Mark I de reactores para submarinos. Hoy es la tecnología más difundida en el mercado internacional. Al 30 de diciembre de 2008, 264 de los 438 que funcionan en el mundo se basan en esta tecnología, incluyendo las centrales nucleares brasileñas Angra I y II.

¿Cuál es su característica? Funcionan con uranio levemente enriquecido y utilizan agua común presurizada para mantener la temperatura del reactor sin que entre en ebullición. El mismo hidrógeno del agua contiene los neutrones disparados por la reacción. Entre las ventajas, los analistas mencionan la estabilidad, la economía del material crítico para la fisión y el agua común que, por lejos, es mucho más barata que el agua pesada. Pero a la hora de las contras, este tipo de reactores exige un delicado desarrollo de materiales para soportar la presión y corrosión; y no pueden recambiar el combustible mientras está en operaciones, debiendo hacer paradas que atentan contra la eficiencia de la central.

Por otra parte, como el agua absorbe más neutrones que el agua pesada, los PWR demandan uranio enriquecido. Los cálculos de la marina son que para el navío necesitarán un combustible enriquecido a menos de 20%, pero esa parte sería la que Brasil tiene más resuelta. Desde 1982 domina el enriquecimiento de uranio mediante centrifugado y para fines de 2010 estará haciendo las primeras pruebas de Usexa, la planta que producirá uranio enriquecido a escala industrial, y que alimentará a las centrales Angra. Pondrá sus ultra centrifugadoras en línea cuando requiera un mayor enriquecimiento para alimentar los submarinos, o en paralelo para las plantas de generación eléctrica.

Transferencia de conocimientos
El desarrollo nuclear brasileño dejará otros beneficios menos tangibles. La construcción de la planta nuclear Atucha, en Argentina, por ejemplo, dejó varias cosas. “Nosotros ya lo vivimos con Atucha”, dice Miguel Shlump, de la CNEA. “Como efecto de estas construcciones nos quedan el desarrollo de metales, electrónica, electricidad, sistemas de calidad altamente exigentes e incluso trabajadores altamente calificados como soldadores de precisión”.

Por lo pronto, muchas firmas brasileñas participan activamente en el proyecto del reactor nuclear para el submarino. Nuclebras Equipamentos Pesados S.A. (Nuclep) construyó el recipiente del reactor Lebegne, Dedini S.A fabricó la turbina y el grupo Garcia Jaraguá participa en la construcción del presurizador y condensador.

Además, los contratos con Francia incluyen transferencia tecnológica, la formación de equipos brasileños en Francia y la radicación de franceses en Brasil. El Ministerio de Defensa brasileño calcula que 21 sectores industriales se verán directamente vinculados al proyecto y otros 19, de manera indirecta, generándose más de 11.500 puestos de trabajo sólo para el proyecto de los submarinos nucleares.

Y sin duda el que se llevará la mejor parte será el gigante de la infraestructura e ingeniería Odebrecht. Este grupo brasileño participará con 50% de las acciones en una sociedad con fines específicos junto a la naviera francesa DCNS, que tiene 49%, y la Marina de Brasil, que tiene 1%, para construir y operar el astillero encargado del Programa Submarino (Prosub) hasta que se hayan completado los cuatro sumergibles convencionales y el nuclear hasta 2022. Para dimensionarlo: el astillero estará localizado en la isla de Madeira, en las instalaciones de Compañía Docas de Rio de Janeiro, ocupando una superficie de 900.000 m2 con capacidad para construir dos submarinos simultáneamente y atender otros 10 al mismo tiempo.

Como si esto fuera poco, el Ministerio de Defensa baraja varios proyectos además del Prosub como para que la industria local esté más que expectante. Acordó, también con Francia, la adquisición de 50 helicópteros EC 725, y ya fue hecha una inversión de US$ 400 millones para fabricarlos localmente. Al cierre de esta edición estaba en pleno proceso de licitación de 36 aviones cazas de última generación, considerando no sólo precios, sino también las ofertas de transferencia tecnológica de las aeronaves.

Asi mismo, en el escritorio del ministro de Defensa, Nelson Jobim, hay carpetas con proyectos de buques patrulleros, aviones robotizados, carros de combate y sistemas de control satelital. Todo un paquete que supera holgadamente los US$ 50.000 millones.

“Nosotros estimamos que [las empresas brasileñas] pueden captar 40% de cada proyecto”, dice con entusiasmo Jairo Candido, presidente del conglomerado industrial Grupo Imbra y director de Comdefesa, la comisión de la industria de defensa de la poderosa Federación de Industrias del Estado de São Paulo (FIESP). “Pero los verdaderos negocios dependen del mercado, cuando se pueden colocar en terceros países”, aclara.

La transferencia de tecnologías y conocimientos puede dar paso a la creación de empresas líderes en el mundo. Y el ejecutivo apunta al caso de Embraer, que, al fabricar los aviones de entrenamiento de la italiana Aermacci, aprendió las tecnologías de la construcción de jets. Hoy Embraer es una las compañías que más jets civiles venden en todo el mundo.

Retirado da revista mexicana "America Economia"