Mostrando postagens com marcador Eleições 2015. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eleições 2015. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Aos cidadãos alemães: O que jamais lhes contaram sobre a Grécia

13/1/2015, [*] Alexis Tsipras, “Carta Aberta aos cidadãos alemães” (in Handelsblatt) 
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu




A maioria de vocês, prezados leitores de Handesblatt [1], já terá formado um preconceito sobre o que lerá aqui, antes começar a ler. Peço que não se deixem levar por preconceitos. Preconceitos jamais foram bom guia, sobretudo em períodos nos quais uma grave crise econômica reforça estereótipos e alimenta visões enviesadas, nacionalismos, até a violência.

Em 2010, o estado grego deixou de conseguir pagar suas dívidas. Infelizmente, funcionários europeus decidiram fingir que aquele problema poderia ser superado pelo maior empréstimo da história, feito sob condições de austeridade fiscal imposta que, com precisão matemática, fez encolher a renda nacional – único recurso existente para pagar qualquer empréstimo, novos ou velhos. O que era problema de insolvência foi tratado como se fosse caso de iliquidez.

Em outras palavras, a Europa adotou táticas típica de banqueiros de mais baixa reputação, que se recusam a reconhecer maus empréstimos, e preferem empurrar novos empréstimos à entidade insolvente, para fingir que o empréstimo original fora prudente, adiando a falência para algum ponto no futuro. Não se exigia mais que simples bom senso para ver que a tática do “emprestar mais e fingir” levaria meu país a estado lamentável, trágico. Que, em vez de estabilizar a Grécia, a Europa estava criando as circunstâncias para uma crise que se retroalimenta e já ameaça as fundações da própria União Europeia.

Meu partido e eu pessoalmente discordamos firmemente do empréstimo feito em maio de 2010, não porque vocês, contribuintes alemães, não nos deram dinheiro suficiente, mas porque nos deram dinheiro demais, muito mais do que deveriam ter dado, e nosso governo aceitou empréstimo muito, muito maior do que aquele ao qual teria direito. Dinheiro que, em qualquer caso, nem ajudou o povo grego (porque foi lançado no buraco negro de uma dívida impagável) nem impedir que a dívida grega continuasse a inflar como balão, à custa dos contribuintes gregos e alemães.

Antes que se passasse um ano, de 2011 em diante, já começou a acontecer tudo que nós prevíramos que aconteceria. A combinação de gigantescos novos empréstimos e o violento corte de gastos do governo, que deprimiram todas as rendas, não só falharam no projeto de conter a dívida , mas, também castigou mais furiosamente os mais pobres, fazendo dos que até então viviam vida modesta, em mendigos e pedintes, negando-lhes, além de tudo mais que lhe negavam, até a mais mínima dignidade humana. O colapso levou milhares de empresas à bancarrota, e aprofundou o poder de oligopólio das grandes empresas sobreviventes. Os preços caíram, mas mais lentamente que os salários, empurrando para baixo a demanda por bens e serviços e esmagando a renda nominal, ao mesmo tempo em que as dívidas continuavam a crescer sem parar.


Nesse cenário, o déficit de esperança aumentou aceleradamente sem qualquer controle. E antes que alguém se apercebesse do que viria, o “ovo da serpente” madurou e eclodiu: dali nasceram os neonazistas que patrulham nossa vizinhança, espalhando sua mensagem de ódio.

Apesar do fracasso evidente da lógica do “emprestar mais e fingir”, ela continua em ação, ativa até o dia de hoje. O segundo “resgate” da Grécia encenado na primavera de 2012, acrescentou mais outro gigantesco empréstimo sobre os debilitados ombros dos contribuintes gregos, “rasparam” o fundo da caixa de nossas reservas para a seguridade social e financiaram a mais cruel e violenta nova cleptocracia.

Comentadores respeitados tem falado de uma recente estabilização na Grécia, até de sinais de crescimento. Infelizmente a “recuperação grega” [orig. Greek-covery] não passa de miragem, que temos de afastar o mais rapidamente possível de nossa frente. O recente modesto crescimento do PIB real, de cerca de 0,7%, assinala não o fim da recessão (como alguns chegaram a dizer), mas, em vez disso, a continuação da recessão. Considerem o seguinte: as mesma fontes oficiais informam, para o mesmo trimestre, taxa de inflação de -1,80%, i.e. deflação. Implica que o crescimento de 0,7% no PIB real é “efeito” de um crescimento negativo no PIB nominal! Em outras palavras: aconteceu, apenas, que os preços caíram mais depressa que a renda nacional nominal. Nada, absolutamente, que autorize a proclamar o fim de seis anos de recessão!

Permitam argumentar que essa infeliz tentativa de recrutar uma nova versão de “estatísticas gregas”, no esforço para declarar superada a crise grega que permanece aqui, é insulto a todos os europeus que merecem conhecer, no mínimo, a verdade sobre a Grécia e sobre a Europa.

Serei franco: a dívida grega é atualmente insustentável e não será jamais paga, sobretudo enquanto a Grécia continuar submetida à ininterrupta tortura da simulação de afogamento fiscal.

A insistência nessas políticas de beco-sem-saída, e a negação obsessiva da mais elementar aritmética, custam muito caro ao contribuinte alemão, e, simultaneamente, condenam a Alemanha, outrora orgulhosa nação europeia, à indignidade permanente. Ainda pior que isso: a continuarem as coisas como estão, ainda antes que os alemães virem-se contra os gregos, e os gregos contra os alemães, o ideal europeu sofre perdas catastróficas.

Coligação Syriza (em grego)
A Alemanha, e em especial os valentes trabalhadores alemães, nada têm a temer de uma vitória eleitoral da [coligação] SYRIZA. O outro lado, sim, deve tremer de medo.

Nossa tarefa não é confrontar parceiros. Não é pedir empréstimos ainda maiores ou, e é praticamente a mesma coisa, o direito de dever ainda mais. Nosso objetivo é, em vez disso tudo, estabilizar a Grécia, equilibrar orçamentos e, claro, pôr fim ao arrocho que desespera os contribuintes gregos mais pobres, no contexto de um acordo de empréstimo que é simplesmente irrealizável e inaceitável. Estamos comprometidos com pôr fim à lógica do “emprestar mais e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas com vistas a vantagens mútuas para todos os europeus.

Compreendemos que, por trás da “demanda” alemã de que nosso governo cumpra “obrigações contratuais” está o medo de que, se vocês, alemães, deixarem aos gregos um mínimo espaço para respirar, os gregos voltarão a fazer o que sempre fizeram antes. É ansiedade que se compreende muito bem.

Mas permitam-me lembrar que os gregos “de antes” não eram a coligação SYRIZA. Não fomos nós quem incubamos a cleptocracia que, hoje, finge que deseja “reformas” (mas só na medida em que as tais “reformas” não afetem os velhos privilégios deles e só deles.

Estamos prontos e ansiosos para introduzir grandes reformas, motivo pelo qual buscamos hoje [Esta Carta Aberta foi publicada ANTES das eleições gregas de 25/1/2015 e já vencidas pela coligação SYRIZA (NTs)] um mandato e a representação do povo grego, em colaboração, é claro, com nossos parceiros europeus.

Nossa missão é fazer operar um “New Deal europeu”, graças ao qual nosso povo consiga voltar a respirar, criar e viver em dignidade.
Dia 25 de janeirode 2015 nasce na Grécia uma grande nova oportunidade para a Europa. Uma oportunidade que a Europa não pode expor-se ao risco de perder.

Nota dos tradutores
[1] Handelsblatt é jornal comercial alemão que também é editado em inglês. É um ramo do EJO (European Journalism Observatory) cuja Edição Global também é editada em português de Portugal.

[*] Alexis Tsipras: em grego Αλέξης Τσίπρας (nasceu em 28/7/1974 − Atenas); é o atual Primeiro-Ministro grego desde 26/1/2015; é presidente do partido Synaspismos (SYN) e líder da Coligação SYRIZA. Tsipras é formado Engenheiro Civil com pós-graduação em agrimensura e planejamento. Trabalhou como engenheiro civil no setor de construções e é autor de vários estudos e projetos sobre temas da cidade de Atenas.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Paul Craig Roberts: A democracia ocidental morreu?

29/1/2014, [*] Paul Craig Roberts − Institute for Political Economy
Traduzido por Mberublue


Povo comemora vitória do Syriza (25/1/2015)
Descobriremos a resposta para a pergunta colocada no título quando soubermos o resultado da contenda entre o novo governo grego, formado pelo partido político Syriza e o Banco Central Europeu que se alinha aos interesses da União Europeia e dos Estados Unidos contra a Grécia.

Os espartanos, cujas capas vermelhas e proezas na guerra enchiam de medo os invasores da terra grega e de seus oponentes de outras cidades-estados, não existem mais. Mesmo a própria Atenas não passa de uma ruína histórica. Os gregos quando confrontados foram capazes, apesar de contar com apenas 300 espartanos aos quais se somaram alguns milhares de coríntios, tebanos e outros guerreiros, de deter um exército persa de cem mil homens nas Termópilas, e que no final derrotaram a frota persa na Batalha de Salamina e o exército persa na Batalha de Plateia só existem nos livros de História.

Os gregos históricos se tornaram um povo legendário. Nem mesmo os romanos conseguiram conquistar a Pérsia, mas um punhado de gregos conseguiu deter a tentativa persa de conquistar a Grécia.

Mas, apesar de sua história gloriosa, os gregos não conseguiram deter um punhado de bancos da Alemanha e da Holanda que invadiram a Grécia. Caso ainda existisse aquela Grécia gloriosa e destemida da historia, os bancos privados da União Europeia estariam tremendo de medo, pois o povo grego está sendo explorado impiedosamente por estes bancos e pela União Europeia, que representam atualmente para a Grécia uma ameaça muito maior do que a Pérsia jamais representou.

A Grécia, espoliada de sua independência pela adesão à União Europeia e pela aceitação do Euro como moeda única, perdeu sua soberania. Não pode financiar a si mesma, pois perdeu o controle sobre o próprio dinheiro. A Grécia tem que contar com bancos privados de outros países. No século XXI os bancos privados europeus não podem contemplar a possibilidade de perder dinheiro simplesmente porque são incompetentes e concederam empréstimos sobre empréstimos aos países membros da União Europeia. Por incrível que pareça, a falha evidente desse procedimento não é creditada aos bancos e sim aos governos mutuários e sua população.

Gold Sacks
Há relatos esclarecendo que os banqueiros norte americanos da empresa Goldman Sachs, também chamada ocasionalmente de “Gold Sacks” (“ouro em sacas” – NT) escondeu o real volume do débito grego, para que os bancos estendessem ainda mais os empréstimos para a Grécia, colocando dessa maneira o país e o povo grego prontos para serem saqueados.

Os banqueiros trapaceiros podem sempre argumentar, mais uma vez desonestamente, que o povo grego se aproveitou dos recursos obtidos através dos empréstimos e, portanto, agora têm que pagar esses empréstimos através do corte das pensões de seus idosos, do desemprego, da redução dos salários e através da venda dos bens nacionais gregos.

Esta é a verdadeira face da austeridade imposta ao povo grego pela União Européia e dos credores da Grécia.

A Grécia se encontra em estado de prostração. Os gregos atualmente estão na realidade cometendo suicídio, por que não podem prover a si mesmos, nas atuais condições de baixa em que vivem e que foram criadas para eles pela União Europeia e pelos bancos privados, sem nenhuma outra razão a não ser a negativa dos bancos, que não devem amortizar (write down – condição econômica em que acontece a depreciação monetária de determinado ativo, porque ele se encontraria supervalorizado em relação ao seu real valor de mercado – NT) os empréstimos.

Então, um dos resultados da “democracia” grega é o suicídio. Com suficiente democracia, poderemos controlar a população mundial e deter a destruição do capital natural. Tudo o que temos que fazer é permitir que os banqueiros saqueiem à vontade o mundo inteiro.

O que o Syriza pode fazer?

Na realidade muito pouco, sem os espartanos.


As intenções do partido e de seus líderes são honestas e merecem o nosso respeito. O Syriza é um partido popular e é exatamente isso o que o marca para a destruição. Jamais se permitirá que a voz do povo afete as políticas do mundo ocidental. As pessoas que eles governam não poderiam ser menos importantes para os poderosos grupos de interesses dos ricos que dominam o mundo ocidental.

Mal o Syriza havia se instalado no gabinete quando a Bloomberg, uma agência de notícias de negócios, comunicou ao novo Primeiro Ministro grego, Alexis Tsipras, que o Syriza tinha que dançar conforme a música dos credores 

Tsipras declarou que o novo governo grego não pretende impor um “choque catastrófico” aos seus credores, mas apenas conseguir melhorar as condições irracionais impostas à Grécia, na intenção de poder dar satisfações aos bancos privados que são seus credores e ao mesmo tempo evitar a instabilidade social, política e econômica da Grécia.

Em oposição a estas declarações bem razoáveis, a Bloomberg relatou que o novo gabinete grego teria comunistas que são favoráveis a uma maior aproximação com a Rússia. Na clara intenção de lembrar ao novo gabinete dos dominados gregos quem é o dono do chicote que desce sobre suas costas e sobre o mercado financeiro grego, as ações e títulos gregos sofreram um ataque do qual resultou uma baixa violenta.

O aviso de Wall Street e da União Europeia foi claro: você será destruído se nos desafiar.

A punição do novo governo grego foi imediata. Segundo a Bloomberg:

(...) as ações e títulos gregos tiveram queda por três dias consecutivos, depois que os novos ministros afirmarem que devem cessar com a venda de alguns bens do Estado Grego e aumentar o salário mínimo. Os rendimentos de títulos com vencimento em três anos subiu de 2,99% para 16,69%. O referencial Índice Geral de Atenas decresceu 9,2%, atingindo o menor nível desde o ano de 2012, levado para baixo por um colapso no valor dos bancos.

Entenderá Tsipras que as instituições financeiras gregas continuarão a ser punidas enquanto estiverem por trás de seu governo? A Bloomberg colocou tudo em pratos limpos:

(...) a Alemanha advertiu a nação mediterrânea contra o abandono de acordos de ajuda previamente assinados, depois de analistas afirmarem que a Grécia parecia estar em rota de colisão com seus pares europeus, o que fatalmente levaria a um futuro abandono da zona do euro.

Alexis Tsipras comemora vitória eleitoral (25/1/2015)
As declarações dos ministros recém nomeados “sugerem que em futuro breve deverão acontecer confrontação e negociações tensas”, escreveu em nota a seus clientes Vangelis Karanikas, presidente da Títulos Euroxx, baseada em Atenas.

O que é a “rota de colisão” (aqui, parece ter havido um erro de digitação no original, pois anteriormente o autor grafara “collision course” [rota de colisão] e neste parágrafo “collusion course” - NT) do Syriza? O novo governo quer apenas tornar menos onerosos os acordos feitos pelos governos anteriores que venderam o povo grego. O novo governo quer apenas para de doar os bens gregos a preço vil para os clientes de seus credores e aumentar o salário mínimo para que o povo grego possa ter pão e água o bastante para sobreviver.

No entanto, para os bancos privados que são credores da Grécia, para a Alemanha de Merkel que está por trás dos bancos, para Washington que pouco se importa com o que quer que venha a acontecer com os gregos, para as elites gregas que se veem como “parte da Europa”, o Syriza é apenas um obstáculo a ser removido.

Assim, os títulos e ações gregos são atacados, ameaças que podem influenciar e causar medo em parte da população grega saturada de propaganda no sentido de que ou a Grécia faz parte da União Europeia ou será ignorada pela história são lançadas diuturnamente.

Uma conclusão a ser tirada disso tudo é que o povo grego parece muito com o povo americano em sua despreocupação. O partido Syriza obteve apenas 37% dos votos. São mais votos que os obtidos por qualquer outro partido grego, mas não o suficiente para demonstrar para a União Europeia e para os Estados Unidos que o povo grego está ombro a ombro com seu governo.

Em vez disso, mostra que o novo partido teve que formar um governo em coligando-se com outro partido, o qual poderia cair fora do governo a qualquer tempo em troca, talvez, de um pouco de dinheiro. Mostra também que o partido Syriza pode ser demonizado no ocidente e apresentado ao povo grego como uma ameaça para a Grécia.

O novo partido está ciente de sua fraqueza. O novo Primeiro Ministro afirma não querer confronto, mas que também não pode continuar com a leniência exibida por governos anteriores. É necessário que se alcance uma acomodação razoável de parte a parte.

Syriza - passeata da VITÓRIA (25/1/2015)
Acontece que é pouco provável que haja uma acomodação razoável, pelo simples motivo de que tal acomodação não faz parte dos desejos de Washington, da União Europeia e dos credores da Grécia.

Qual o propósito da criação da “crise financeira da Grécia”? É deixar estabelecido para todos os países membros que não mais existe soberania entre eles e que os bancos que emprestam dinheiro para os tais estados não soberanos não são responsáveis por quaisquer perdas relativamente a esses empréstimos. A responsabilidade é da população dos países endividados. Para garantir que os bancos não tenham perdas, a população é obrigada a aceitar a diminuição de seus padrões e abdicar de sua qualidade de vida.

Assim é a “Nova Democracia”. Nada mais que o ressurgimento da ordem feudal. Alguns aristocratas absurdamente ricos e todo o resto da população como servos obrigados a sustentar a nova ordem vigente. A pilhagem que teve início na Grécia continua agora na Ucrânia. Quem será a próxima vítima?

Terá o partido Syriza condições para levantar o povo grego contra seus saqueadores, levando-se em consideração de que obteve apenas 37% dos votos?

Conseguirá a Grécia obter forças para escapar de uma situação semelhante à Idade das Trevas na Europa, quando as populações foram longa e barbaramente espoliadas por piratas saqueadores?

Talvez, se a Grécia se realinhar com a Rússia e ao grupo de países BRICS em busca de amparo financeiro.


[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal,  Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Grécia: O caminho suave ou a trilha dura? O que “Syriza” deve escolher?

26/1/2015, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Assim, pois, Syriza venceu as eleições na Grécia. Formou um novo governo em coalizão com o partido Grécia Independente, partido pequeno, de direita. Antes da eleição, Syriza anunciou um programa pelo qual a Grécia permanece no euro, mas renegocia condições para empréstimos. Espero que tenha sido golpe eleitoral.

Yves Smith expõe as dificuldades desse caminho suave de Syriza:

Yves Smith
O xis desse problema, como o vemos, é que ao mesmo tempo em que, sim parece posição muito séria e sólida, pode não ser tão pragmática quanto parece. A Grécia parece ter mais chances de obter concessões se for menos razoável, uma vez que os alemães e mesmo os ainda mais implacáveis finlandeses estão convencidos de que os países da periferia não passam de pedintes imorais que merecem comer poeira se não podem pagar ou não pagarem as próprias dívidas. A Grécia dificilmente será capaz de desmontar a percepção, no Norte, de que o Norte joga com as melhores cartas e pode obrigar a Grécia a render-se só com algumas mínimas concessões.

A melhor chance da Grécia é se houver um aumento na popularidade de outros partidos antiausteridade e anti-Eurozona no resto da Europa. E mais provavelmente angariarão apoio no resto da Eurozona se assumirem posições fortes, do que se assumirem posições de cautela, muito estudadas. E mesmo nesse caso, pode não bastar que resolvam os problemas muito profundos que enfrentam. Não se trata simplesmente de estarem enfrentando um desafio muito difícil frente à Troika, mas de que, ainda que consigam grande parte do que querem, suas políticas não parecem suficientes para gerar suficiente demanda para arrancar a Grécia do buraco em que está.


Eleições 2015
Eleições 2012

%
votos
%
votos
KKE
5.47 %
337,947
4.50%
277,204
SYRIZA
36,34%
2.244.687
26.89%
1,655,086
ND
27,81%
1.717.831
29.66%
1,825,637
Amanhecer Dourado
6,28%
388.197
6.92%
425,990
Potami
6,05%
373.618
-
-
Gregos Independentes
4,75%
293.211
7.51%
462,466
PASOK
4,68%
289.302
12.28%
755,868

Como Ian Welsh, entendo que a Grécia deva escolher a trilha dura, pelo menos durante as negociações e, se as negociações falharem, devem pôr firmemente o pé no chão duro:

Ian Welsh
A dívida grega está em tal nível que é efetivamente impagável e foi tornada muito, muito pior, por todos os “pacotes de ajuda” e “resgates” que recebeu dos “parceiros” europeus (o que equivale a dizer que deveriam ter requerido falência há muitos anos).

Quanto ao euro, a Grécia não pode imprimir euros. E a Grécia precisará imprimir dinheiro.

Temo que Syriza fale sério sobre negociar a dívida. Não há essencialmente chance alguma de a Troika (OK, na verdade: a Alemanha) venha a dar aos gregos termos aceitáveis ou acordo por escrito. Negociações, só o mínimo necessário para demonstrar que nenhum bom acordo é possível. Enquanto qualquer negociação estiver em andamento, os gregos devem estar preparando a saída da UE [orig. Grexit] e repatriando todos os recursos que puderem ser repatriados.

Alexis Tsipras, vitorioso nas eleições gregas
A Grécia converter-se-á em mais um estado-pária do mundo “ocidental” e Ian, corretamente, em minha opinião, avalia que essa é uma posição na qual não estará sozinha e que pode ser usada a favor da Grécia:

A imprensa-empresa não se cansa de mostrar a situação como voto antiausteridade, e é. Mas votar antiausteridade, para um país como a Grécia, que não se pode alimentar ele mesmo, que não tem petróleo, que não tem muitas indústrias é uma coisa: não ser “austero” é outra. Se os gregos querem voltar a viver vida decente, terão de enfrentar algumas das mais poderosas nações do planeta e lutar por, pelo menos, um empate.

Há muitas nações no mesmo barco que a Grécia: Rússia, Irã, Venezuela, Argentina. A Grécia precisa construir as necessárias alianças com esses países e precisa alinhar-se com o bloco chinês.

Esses passos exigem um passo psicológico que os gregos talvez não estejam dispostos a dar: reconhecer que seus interessem não são os interesses da Europa; compreender que os europeus desejam ver os gregos cada dia mais pobres, sem teto e mortos. Os gregos que vivem no passado e ainda pensam que União Europeia é assunto pró-prosperidade para todos no continente europeu têm de aprender a ler de outro modo o mundo.

Syriza tem de escolher o caminho mais radical. Se não o fizer, muito provavelmente fracassará e, nesse caso, o caminho estará aberto para que a direita mais linha dura tome o poder e inicie guerras para afastar a atenção dos eleitores da economia em rota de falência total.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Barou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Ganó Syriza en Grecia

25/1/2015, Pagina 12
Ilustrações: redecastorphoto
Enviado por Ana Lía Pujato


Alexis Tsipras
El primer ministro Antonis Samaras reconoció la derrota de su partido y la victoria de la coalición de izquierda liderada por Alexis Tsipras. Escrutados más del 50 por ciento de los votos, Syriza obtiene un 35,9% y está cerca de conseguir los 151 legisladores necesarios para tener mayoría absoluta.

Samaras expresó que:

(...) el pueblo griego habló y aseguró que él lo respetará. Dejo un país, que está saliendo de la crisis y es miembro de la Unión Europea y de la zona euro. Por el bien de este país, espero que el próximo gobierno mantenga estos logros, subrayó ante la prensa.

El primer ministro también llamó y felicitó al líder del partido Syriza, Alexis Tsipras.

Tras el conteo de más del 53% de los votos, Syriza logra el 35,9%, mientras que el conservador partido de gobierno, Nueva Democracia, queda en segundo lugar, con 28,3% de los apoyos. Los resultados parciales permitirían que la fuerza de Alexis Tsipras se quede con entre 148 y 151 bancas en el Parlamento, de 300 escaños. Para lograr la mayoría absoluta necesita 151 asientos.

En tanto, la formación neonazi Amanecer Dorado obtuvo el 6,3%, mientras que el partido centrista proeuropeo To Potami (El Río) logró el 5,9%. El partido socialista Pasok, que también está en el gobierno, obtuvo el 4,8% y los comunistas consiguieron entrar al Parlamento, al lograr el 5,6%. El Movimiento Socialistas y Demócratas (Kidiso), del ex primer ministro Giorgos Papandreou, que se escindió del Pasok, solo habría recibido entre el 2,4% de los votos, por lo que no superaría la barrera del tres por ciento necesaria para tener representación parlamentaria.

Syriza vitorioso - povo comemora
En total, 9,8 millones de griegos estaban llamados a las urnas.

Hoy, el pueblo griego decide si continúa con la dura política de austeridad o si el país inicia una nueva etapa para que las personas puedan vivir con dignidad, dijo Tsipras tras emitir su voto en Atenas.

Debido a la enorme afluencia de medios, el líder de Syriza tuvo problemas para acceder a las urnas. Decenas de reporteros y camarógrafos bloquearon durante varios minutos la entrada al local del barrio de Kypseli donde el político tenía que votar.

Mi paciencia es infinita, llevo cinco años esperando este momento, declaraba un Tsipras relajado.

Durante la campaña, el líder de Syriza prometió aumentar el salario mínimo, abolir determinados impuestos para los más pobres y negociar una disminución de la deuda externa de Grecia, que suma 300.000 millones de euros y representa 175% del PIB.

El líder de la izquierda dijo además que no se considera atado a las exigencias de la troika de acreedores − Unión Europea (UE), Banco Central Europeo (BCE) y Fondo Monetario Internacional (FMI) − que a cambio de una ayuda financiera impuso un drástico plan de austeridad económica.