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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

EUA e União Europeia juntos para derrubar a democracia na Ucrânia

8/2/2014, [*] Moon of Alabama  
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Victoria Nuland pronunciando sua mais célebre frase...
O barulho em torno da declaração da secretária-assistente de Estado Nuland, dos EUA, para a qual “Foda-se a União Europeia”, está, de certo modo, ajudando a mascarar a questão real.

Um telefonema feito por linha não encriptada, entre Nuland e o embaixador dos EUA em Kiev foi, ao que parece, gravado pelos serviços de segurança da Ucrânia. Enquanto o Departamento de Estado tentava (como já é rotina nesses dias) culpar os russos, o tuíto de um funcionário russo lembrava que a gravação só apareceu mais de 24 horas depois de outra fonte ter distribuído, pelo Twitter, o link correspondente. O funcionário russo, portanto, não era a fonte original.

O telefonema gravado revela várias questões:

1. Os EUA estão, inegavelmente, tentando derrubar um governo democraticamente eleito e o presidente da Ucrânia; e querem pôr lá, no governo, um dos fantoches da “oposição”, como preposto dos norte-americanos. A própria Nuland diz (vídeo, em 7’26 a seguir) que os EUA, desde os anos 1990s, “investiram” mais de $5 bilhões para a tal “democratização” da Ucrânia. É altamente provável que os EUA, como o governo ucraniano tem dito, esteja pagando muitos dos “manifestantes” em Kiev.


2. Alguns países da União Europeia (Alemanha, Polônia e países do Báltico) também querem derrubar o governo da Ucrânia; esses (especialmente Merkel) também querem um fantoche, lá, como o boxeador Klitschko, no posto de manda-chuva. Mas os demais países da União Europeia não querem ter de pagar para comprar um novo governo para a Ucrânia, em troca de saquear país já muito pobre; esses países da União Europeia que também querem um golpe têm pouco a oferecer; e não têm meios para ameaçar a Ucrânia com sanções nem com qualquer outro tipo de chantagem.

O “Foda-se a União Europeia” é coisa, só de diferença de estilo. Os EUA querem, primeiro, impor sanções contra governo legal e contra o povo ucraniano, para, depois, instalar lá um fantoche dos EUA; e os países da União Europeia querem fantoche diferente; e querem golpe menos barulhento e escandaloso.

O barulhão no proscênio também está ajudando a esconder outra questão importante que se desenrola nas coxias. Os protestos na Ucrânia estão sendo liderados por movimentos e grupos de extrema direita, que não se deterão ante nenhum tipo de brutalidade e podem levar até à guerra civil:

Grupo ucraniano do Pravy Sector (Setor de Direita). Notem a semelhança do símbolo
estampado nas bandeiras com a Cruz Nazista (Gamada)
“A organização física dos protestos, a construção de barricadas em torno das praças, grande parte do acampamento já construído e o policiamento, e as furiosas batalhas contra a polícia são, quase integralmente, ação da extrema direita. Em algumas cidades menores do interior da Ucrânia, os “protestos” locais e a tomada de prédios públicos parecem ser trabalho, exclusivamente, do Pravy Sektor.
...

Aqui em Kiev, alguns membros do exército de mascarados com capacetes dizem que apoiam o principal partido de direita dos nacionalistas ucranianos, o Partido Svoboda (Liberdade), que recebeu apenas 10% dos votos nas eleições parlamentares de 2012, e cujo líder Oleh Tyahnybok, é conhecido por insultar judeus.

Mas o pessoal que forma os grupos maiores e mais agressivos, que em geral recusam-se a falar com jornalistas, são membros do Pravy Sektor, grupo guarda-chuva no qual se reúnem fascistas, nacionalistas, torcidas organizadas de times de futebol e gangues de extremistas de direita – alguns com história de militância em grupos neonazistas –, considerado em geral como à direita do Partido Svoboda e que opera como gangue extremamente fechada, cheia de segredos. Até agora, o Pravy Sektor ainda não se apresentou como partido político.

Membros do "Pravy Sector" agridem adversários políticos com bastões de beisebol
Quer dizer, então, que os EUA e a União Europeia parecem acreditar que conseguirão manter sob controle essas forças? Ou as estão pagando? Mas... Exatamente como os terroristas na Síria, os fascistas na Ucrânia logo estarão mandando no jogo, tão logo a pressão pelos EUA e a União Europeia contra o governo legal dê àqueles grupos fascistas qualquer pequena chance de assaltar diretamente o poder. Eles já ameaçaram, até, com iniciar uma guerra civil.

Encurralando o presidente eleito da Ucrânia e empurrando-o na direção de renunciar, os EUA e a União Europeia estão visivelmente – por razões que só interessam a EUA e União Europeia – criando o perigo de lançar a Ucrânia numa guerra interna que EUA e União Europeia não conseguirão controlar.

O barulho que a imprensa-empresa está fazendo sobre o “Foda-se a União Europeia” está ajudando a encobrir esses outros aspectos desses planos enlouquecidos.




[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça  Hauspostille  (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir:


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Washington Desestabiliza a Ucrânia

6/2/2014, [*] Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Barack Obama, um maníaco?
Os maníacos por controlar o mundo, em Washington, pensam que só é democrático o que Washington decida e imponha contra outros países soberanos. Nenhum outro país da Terra será jamais capaz de tomar uma, sequer uma, decisão democrática.

O mundo assiste há eras a essa arrogância dos EUA, com Washington derrubando um governo democrático após outro e impondo em cada país um fantoche norte-americano. É o que Washington fez no Irã em 1953, quando a CIA, como a própria agência já admite e Ervand Abrahamian demonstra em seu livro The Coup [O Golpe] (The New Press, 2013) derrubou o governo eleito de Mossadeq; e como Washington fez também mais recentemente, quando derrubou o governo eleito de Honduras, e como fez inúmeras outras vezes em todos esses golpes.

Atualmente, Washington trabalha em tempo integral e faz horas extras para derrubar o governo da Síria, do Irã (outra vez!) e da Ucrânia. 

Washington também já pôs em sua alça de mira a democracia da Venezuela, da Bolívia, do Equador e do Brasil; e, nos seus sonhos mais enlouquecidos, Washington sonha com derrubar também governos de Rússia e China.

Dia 22/1/2014, Bouthaina Shaaban conselheira de Comunicações do governo sírio, perguntou a Wolf Blitzer, propagandista alugado a Washington e ao lobby israelense, em plena televisão norte-americana, por que o governo dos EUA, falando pela boca do secretário de Estado John Kerry, imagina que teria o direito de decidir quem deve governar a Síria, em lugar do povo sírio. [Pesquisas mostram que os índices de aprovação do presidente al-Assad são superiores aos de todos os governantes ocidentais]. Nem o viscoso-escorregadio Blitzer foi suficientemente viscoso-escorradio para responder “porque nós somos o povo excepcional, indispensável”. Mas é o que Washington pensa. Entrevista a seguir (em inglês):


Não demorará, e Washington retomará o trabalho de desestabilizar o governo do Irã, um hábito, suponho. Mas, no presente momento, Washington está dedicada a desestabilizar a Ucrânia.

A Ucrânia tem um governo democraticamente eleito, mas Washington não gosta dele, porque não foi escolhido por Washington. A Ucrânia ou a parte ocidental do país está cheia de ONGs mantidas por Washington cujo objetivo é entregar a Ucrânia às garras da União Europeia, para que os bancos da União Europeia e dos EUA possam saquear o país como saquearam, por exemplo, a Letônia; e para simultaneamente enfraquecer a Rússia, roubando parte da Rússia tradicional e convertendo-a em área reservada para bases militares de EUA-OTAN contra a Rússia.

Vladimir Putin , atleta
Talvez Putin, atleta, esteja distraído pelos Jogos Olímpicos na Rússia. É isso, ou é uma espécie de charada que ainda não deciframos, mas... Por que a Rússia não pôs em alerta máximo os seus mísseis nucleares e ocupou com soldados o oeste da Ucrânia, para impedir que todo o dinheiro da Ucrânia seja roubado por Washington? Em todos os países há cidadãos que trocariam por dinheiro o próprio país; e o oeste da Ucrânia pulula de traidores desse tipo. [No Brasil temos os MILICANALHAS e os demotucanos! redecastorphoto]

Como temos visto há décadas, árabes e muçulmanos são capazes de vender o próprio povo em troca do dinheiro ocidental. Os ucranianos ocidentais também estão interessados no mesmo negócio. As ONGs financiadas por Washington existem para entregar a Ucrânia às garras de Washington; ali os ucranianos converter-se-ão em servos dos EUA, e essa parte essencial da Rússia será transformada em palco para exibição da violência militar dos EUA.

De todos os “protestos” violentos aos quais o mundo tem assistido, os “protestos” na Ucrânia são os mais completamente orquestrados.

Dia 6/2, o blog Zero Hedge, um dos sites inteligentes e bem informados da Internet, postou uma gravação “vazada” em que fala a desprezível Victoria Nuland, uma das secretárias-assistentes de Estado do governo Obama. Nuland e Geoffrey Pyatt, enviado dos EUA à Ucrânia, discutem sobre quem Washington coroará próximo chefe de governo da Ucrânia. 

Victoria Nuland: F*da-se a União Europeia
Nuland está furiosa, porque a União Europeia não se uniu a Washington no plano para impor sanções ao governo ucraniano para completar a tomada da Ucrânia por Washington. Nuland fala como se fosse Deus, como se tivesse direito divino para escolher quem governa a Ucrânia – que ela já está escolhendo.

A União Europeia, por corrompida que já esteja pelo dinheiro de Washington, mesmo assim ainda consegue entender que ter enriquecido com o dinheiro de Washington não lhe garante qualquer proteção contra os mísseis nucleares russos. A resposta de Nuland à União Europeia que hesita em arriscar a própria existência em benefício da hegemonia dos EUA é:

“Foda-se a União Europeia”.

São os votos de Washington aos seus aliados mais cativos e a todos os povos do mundo.



[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica.

Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

Gravação de Nuland (“F*da-se a União Europeia”) é autêntica.

6/2/2014, [*]  Tyler Durden, Zero Hedge
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

“É golpe sujo dos russos, que gravam conversas alheias”
(Porta-voz do Departamento de Estado, em 6/2/2014)

Se alguém ainda tinha alguma esperança de que o telefonema “Foda-se a União Europeia” (entre a vice-secretária Nuland dos EUA e o embaixador Pyatt dos EUA na Ucrânia) fosse forjado, esqueça. É perfeitamente autêntico.


Em resposta a perguntas de jornalistas, a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki confirmou que é autêntica:

“Eu não disse que é falsa”.

Na sequência, na velha moda de sempre pôr a culpa em outros, 0 mundo ouviu que a culpa de tudo seria, isso sim, dos russos; e que a divulgação do telefonema interceptado seria “mais um golpe sujo dos russos”. Sem pausa, Psaki acrescentou que há momentos “em qualquer relação diplomática” em que há discordância. E afinal, meteu, de vez, os pés pelas mãos. Disse ela:

“Muito preocupante que uma conversação privada tenha sido gravada...”

Será que a porta-voz consultou a Agência de Segurança Nacional dos EUA sobre a preocupabilidade de gravar conversas privadas?!

E tem mais: só num mundo no qual só a Agência de Segurança Nacional dos EUA teria o direito de gravar todas as conversas privadas do planeta, compreende-se que o Departamento de Estado considere perfeitamente seguro discutir seus planos para derrubar mais um governo democrático no mundo, por uma linha de telefone que, ao que parece, não era protegida. A CIA, pelo menos, só usa linhas encriptadas. 

Por fim, por mais que, talvez, possa ter havido algum jogo russo bem sujo, muito mais suja está hoje, em todo mundo, a reputação dos EUA, que há muito tempo já não têm fama de jogarem lá muito limpo.

[*] Tyler Durden é o nome de um personagem do romance e do filme Fight Club (Clube da Luta) e pseudônimo coletivo dos redatores de notícia “que contribuem” para o site e agregador de conteúdos Zero Hedge, especializado em relatórios sobre Economia, Wall Street e Setor Financeiro.