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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Não e não! Nunca, D. Hildegard! Dirceu vive!


O Brasil riremos por último, de vocês todos, até dos “cães de guerra” (by Shakespeare), do STF-2012!

Ainda sob o impacto da cena detestável montada pela jornalista Hildegard Angel [1], não se sabe se por ingenuidade, mas prova de que não se podem misturar jornalismo e política, nos sentimos na obrigação de lembrar algumas coisas.

Há zilhões de zilhões de coisas que se têm de lembrar. Não conseguiremos lembrar muitas, nem há tempo. Mas lembraremos aqui, pelo menos, uma:

-- o contexto narrativo, discursivo em que, na peça de Shakespeare, acontece o discurso que a jornalista Hildegard Angel desossou e subutilizou.

Evidentemente, o discurso do “vim enterrar Cesar, não vim elogiar Cesar” não é toda a conversa. Se fosse, nem Shakespeare seria Shakespeare! [risos, risos]

Antes daquele discurso, Marco Antonio chegara ao Senado, momentos depois do assassinato de Cesar, resultado de complô de cuja armação Marco Antônio tinha conhecimento. Em vários sentidos, Marco Antônio é cúmplice dos assassinos; num mínimo por não ter impedido o assassinato; noutro mínimo, por ser amigo de césares. Sempre fora amigo daquele Cesar e sabia o quanto Cesar não acreditara nos muitos sinais prévios de que o complô estava em marcha. (Daí, aliás, a surpresa de Cesar, já convertida em dito popular: “Até tu, Brutus?!”). Exatamente por Marco Antônio ser notório amigo de Cesar, a multidão o recebe mal, supondo que ele viesse “elogiar o ditador”, uma das falas que se ouvem “da massa” fascistizada, antes de a massa ser conduzida/persuadida pelo discurso de Marco Antônio a começar a desconfiar mais dos senadores que de Cesar. Por isso, para explicar a que veio e ganhar alguma confiança da massa, Marco Antônio abre seu discurso com uma justificativa:

“vim enterrar, não elogiar”.

Mas, antes disso, na cena anterior, chegado ao Senado, Marco Antônio conversara com os senadores assassinos. Todos ali se conhecem muito bem. Marco Antonio pede licença aos senadores assassinos para falar à assembleia, fazer uma espécie de “encomendação” do morto. Os senadores lhe dizem que sim, que pode falar, mas que tenha cuidado com o que vai dizer. Que nada diga contra os assassinos. Que meça as palavras. Mas que, sim, tem autorização para falar à assembleia. De lado, entre eles, os senadores comentam que será bom, mesmo, que fale, como “prova” de que o Senado (para a jornalista Hildegard Angel, o STF) seria “isento”.

Então, os senadores assassinos saem para a praça (não sem antes examinarem as túnicas: que não aparecessem eles, lá, ainda respingados de sangue!). Marco Antônio fica a sós com o morto. E ali, então, sim, antes de ir à praça, ele fala, de fato, pelo morto.

Essa fala é muito mais politicamente significativa, do que o discurso posterior, à multidão.

De fato, nem se pode entender corretamente o discurso à multidão, senão no contexto narrativo da peça.

Marco Antônio sabe que aquele assassinato põe Roma sob grave risco. Não se trata, absolutamente não, de pedir que algum Senado/STF “faça justiça”.

Trata-se, isso sim, no discurso de Marco Antônio do “vim enterrar (etc.)”, de ele conseguir-fazer-ver – conseguir mostrar! – à multidão, um Senado/STF que, das duas, uma ou ambas: (a) ou o Senado/STF se deixou conversar pela baboseira moralista, justiceira, vingancista, metida a “ética” do Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadão) udenista e eternamente golpista no Brasil há mais de 60 anos; ou trata-se de Marco Antônio conseguir mostrar à assembleia (b) que o próprio Senado romano/STF é, ele mesmo, uma desgraçante fonte desdemocratizatória de mal “legalizado”.

Porque, se Marco Antônio não conseguir mostra (a) ou (b) acima, ou (a) e (b), e o povo for mantido engambelado, duas desgraças acontecerão:

(c) O Senado/STF desmoraliza-se, de vez; além de assassino, terá também fracassado no servicinho, reles, sujinho, mas ainda importante, de manter a aparência de grandeza de Roma (ou de manter ativa a reles democracia que há no Brasil; que é reles, mas que, pelo menos, arremedo de democracia e reles, que seja, ainda tem de manter algum ar de democracia, porque, se não mantiver, nem a luta pela real redemocratização do Brasil conseguirá avançar). E, segundo,

(d), se o Senado/STF desmoralizar-se de vez, Roma se torna ingovernável. E se acaba. E babaus pré-redemocratização engatinhante, hoje em curso no Brasil.

Exatamente porque Marco Antônio sabe de tudo isso é que ele sabe que tem o dever político (não algum “dever de amigo”! Que besteira é essa, D. Hildegard?! Numa hora dessas?! Faça-me o favor!) de falar à Assembleia: para impedir que a multidão deseducada, desdemocratizada, manipulada-conduzida-enlouquecida-fascistizada pelo gesto assassino dos senadores/STF, decida julgar, ela mesma, todos os crimes de todos os senadores e degolá-los na praça, operação na qual o primeiro degolado seria, só pra começar, o império romano. Ou, no caso, Brasília inteira, o STF e toda a frágil, reles, fragilíssima quase-democracia brasileira.

O discurso de Marco Antônio, portanto, não é discurso para “falar a favor” do morto, ou falar “como amigo” do morto, nem, muito menos, ocasião para “explicar o morto”. Marco Antônio sabe que nenhum morto jamais será despido, pela morte ou pelo amor dos amigos, da própria história e papel político – nem por sentença de algum STF! É o contrário disso! A assembleia tem de despertar para a consciência do próprio poder: cabe a ela democratizar o senado romano e o STF-2012 em Brasília. Trata-se disso.

Mais uma: o discurso de Marco Antônio não é, de modo algum, “emotivo” ou “emocional” – o que o xororô da jornalista Hildegard Angel é e só é. É, outra vez, o contrário disso, e mais um traço que a jornalista Hildegard Angel não soube ler em Shakespeare.

O discurso de Marco Antônio é discurso milimetricamente construído como peça pensadíssima de oratória política com objetivo claro: Marco Antônio fala, exclusivamente, para fazer reverter a loucura da multidão que, naquele momento, quer mais sangue. Evidentemente, nem Marco Antônio nem Shakespeare cometem a temeridade tola de supor que seria possível persuadir senadores assassinos/STF, assim, só no gogó!

Como se os senadores assassinos/STF não soubessem da longa, potente, bela história política do ministro José Dirceu!

Como se estivessem fazendo o que estão fazendo porque não soubessem da importância histórica e das capacidades do ministro José Dirceu!

Como se não soubessem que o ministro José Dirceu é o ÚNICO sobrevivente da resistência à ditadura que sobreviveu, até hoje, como está -- e felizmente para o Brasil -- ainda próximo, aliado, ombro a ombro, do poder brasileiro democrático.

O ministro José Dirceu está sendo julgado PRECISAMENTE porque aqueles ministros do STF são manifestação de todas as forças mais reacionárias que jamais houve no Brasil, apenas que, hoje, mais “civilizadas”. As mesmas forças, em estado mais “bruto”, mataram Getúlio. Mas o Brasil avançou muito! Hoje, aquelas mesmas forças reacionárias já não têm poder para matar o ministro José Dirceu, o presidente Lula, a presidenta Dilma e os votos da maioria dos brasileiros que são avalistas da democracia brasileira, hoje, mais poderosos, os nossos votos, do que jamais foram, em 500 anos. Então aqueles ministros, que vestem a toga como se usassem cetro e coroa -- ou o pelourinho e o tronco! -- lá ficam, consumindo tardes e tardes e tardes infindáveis naquela patética “leitura de votos”... Como se a extensão dos votos lidos, as pilhas de páginas engordadas com detalhes de inquérito policial, com raras linhas de consideração ao que determina a lei, bastasse para acrescentar conteúdo democratizatório aos tais “votos”!

E desde quando, por falar nisso, o fato de algum daqueles ratos do PP terem recebido dinheiro no dia de uma ou outra votação prova(ria) que houve compra de votos?! Desde quaaaaaaaaaando, ministro Joaquim Barbosa?! No mesmo dia em que recebeu dinheiro, um daqueles ratos do PP teve um filho. Está(ria) provado que recebeu dinheiro para ter um filho?! Não fosse tão doentio ridículo, seria de rolar de rir.

Aqueles ministros conhecem todas as capacidades do ministro José Dirceu!

Nenhum “mensalão” (que nunca existiu) poderia algum dia ter sido mais corrompedor que o movimento pelo qual o governo de FHC comprou a própria reeleição. Nenhum “mensalão” (que nunca existiu) foi algum dia mais corrompedor que as operações pelas quais todo o dinheiro das privatizações foi “desaparecido” -- e jamais buscado!

A Privataria Tucana aí está, um catatau de provas suuuuuuuuper probatórias e já reunidas e publicadas, mas ainda à espera da atenção do ministro Joaquim Barbosa... Mas o STF, agora, tem de fazer o diabo, pra tentar enterrar Dirceu vivo! É a lei. Como repete a jornalista Hildegard Angel. E a jornalista Hildegard Angel é jornalista honrada.

O que Marco Antônio e Shakespeare sabem e fazem por aquele discurso é coisa muito diferente disso. Os dois sabem que têm de tentar persuadir a multidão e impedir que a loucura assassina que vem “de cima” se alastre, sem controle possível, para “baixo”. E basta saber disso, para ver que a jornalista Hildegard Angel cometeu uma temeridade (no mínimo), naquela “paráfrase” arrogante.

O que nos interessa lembrar é que, antes do discurso do “não vim elogiar, vim enterrar” famosésimo, há, em Shakespeare, do mesmo Marco Antônio, sozinho com o corpo de Cesar assassinado, dentro do Senado, o também muito conhecido, embora menos citado por jornalistas e outros re-citadores de repetição – e não por acaso!

É conhecido como o “discurso contra os cães da guerra”. E esse, sim, é Shakespeare a ser recordado aos ministros do STF e ao Brasil em geral, hoje.

Aqui vai esse outro discurso, em tradução de trabalho, que fazemos agora, na correria.

É nossa contribuição para tentar impor alguma racionalidade ao chilique jornalístico-espetaculoso da jornalista Hildegard Angel.

Julio Cesar, Shakespeare, ato 3, cena 1 (em português, mas a tradução é HORRENDA). Fiquem, pelo menos prá começar, com a nossa tradução, abaixo. Todas as correções são bem-vindas.)

BRUTO — Marco Antônio, aqui tens o corpo. No discurso fúnebre, não deves lançar nenhuma censura sobre nós. Dize de César todo o bem que quiserdes, explicando que nós te demos permissão para falar. A não ser isso, ficareis excluído das cerimônias fúnebres. E ainda: tu falarás da mesma tribuna em que eu falar, depois de mim.

ANTÔNIO — É o que desejo. Está bem.

BRUTO — Prepara, então, o corpo e vem conosco.
(Saem todos, com exceção de Antônio.)

ANTÔNIO, ao cadáver — Meu amigo, pedaço de terra a verter sangue, perdoa que me mostre humilde e brando com estes carniceiros! Fizeram de ti a ruína do mais nobre homem que jamais viveu na corrente do tempo. Ai, ai da mão que fez correr tão precioso sangue! Mas aqui vaticino, ante tuas feridas. Falo pelas bocas mudas, que me pedem língua, voz e fala:

Sobre os teus assassinos e sobre os homens que se calaram, a maldição desabará. Lutas internas sem fim. A mais terrível das guerras civis encherá cada canto dessa Roma. O sangue e a destruição de tal maneira ficarão familiares, vulgares, que até as mães acabarão por sorrir à vista dos filhos massacrados pela guerra. A honra será asfixiada, pelo hábito do crime. O espírito do César assassinado – porque nenhum complô assassina o espírito de um homem que se alimentou do melhor que havia no povo – clamará seu quinhão. E voltará, rubro ainda do inferno, para gritar em tom de mando contra a injustiça: “Luta sem quartel!” Este assassinato horrível empesteará Roma de cadáveres que reclamarão honra e sepultura. E assim se soltarão os cães da guerra.

Então, entra um criado, que ajudará Marco Antônio a preparar o corpo para ser levado a cerimônia, à frente do Senado, onde Marco Antônio fará o discurso do “vim enterrar” etc. etc., que a jornalista Hildegard Angel meteu-se a parafrasear. Mas cujo argumento ela inverte!

Muito estranhamente, a jornalista Hildegard Angel pré-mata. Quer dizer: ela primeiro mata e enterra, preventivamente, um homem vivo! Para, então, por-se a elogiá-lo, em perfeita segurança. Digamos que é movimento tolo. Digamos que não passou disso.

Felizmente, o nosso ministro José Dirceu está e segue vivíssimo, graças a deus, para o bem do Brasil. E nem de longe corre algum risco de ser morto por sentença do STF.

O Brasil é infinitamente complexo. Dessa complexidade, vem nossa força. A força que nos trouxe até 2012, e que nos levará adiante.

O ministro Joaquim Barbosa não fará história. Nós e o ministro José Dirceu, sim, fizemos, fazemos e faremos a história do Brasil.

Fato é que nem Shakespeare, em toda a sua glória, daria conta da tragicomédia que o STF-2012, que aprende leis, justiça e democracia nos jornais do Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadão), está escrevendo em Brasília!

Pois que se lixem! Pois inventem lá o que queiram! Façam lá o que lhes dê na telha! Vocês são patéticos! O Brasil é mais! O Brasil riremos por último, de vocês todos.

Também riremos muito desse patético “jornalismo” que desgraça o Brasil, até quando é bem intencionado!

Dirceu vive! No pasarán! Venceremos! Só a luta ensina! Viva o Brasil!

São Paulo, 18/9/2012
Coletivo Vila Vudu de Tradutores/redecastorphoto



Notas da redecastorphoto e do pessoal da Vila Vudu

[1] Pode ser visto, como referência, a seguir, mas não se recomenda: é HOR-RÍ-VEL.


[2 Marco Antônio by Shakespeare, como nós e Shakespeare, conhecemos bem os riscos de, naquelas/atuais circunstâncias, deixar falar também o coração, risco aliás idêntico a deixar falar só o coração. Às tantas, Marco Antônio diz: “Permitam-me que me cale, porque meu coração desceu ao túmulo com Cesar. Peço tempo para reencontrá-lo”, fala que é perfeita formação, em discurso, da consciência política clara de que política se faz também com o coração; que se pode fazer até sem coração; mas que nunca, nunca, em nenhum caso, se pode fazer só com o coração (Lênin vive!). Isso a jornalista Hildegard Angel também não soube ler em Shakespeare.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dilma Rousseff, nossa futura “it lady”?

DILMA ROUSSEFF foi escolhida pela Forbes uma das 100 mulheres mais influentes do mundo, na 95ª posição. Agora, só faltam as urnas do Brasil confirmarem isso, com as mulheres brasileiras ajudando a eleger a nossa primeira Presidenta... 

DIZ A LENDA, no entanto, que mulher não gosta de mulher. No que eu não acredito. Isso foi coisa do passado, quando as mulheres oprimidas pelos preconceitos só se permitiam rivalizar, em todos os aspectos, com outra mulher, jamais se sentindo à altura de comp etirem ou de se ombrearem com o homem... 

HOJE, A mulher brasileira já alcançou o maturidade e a auto-estima necessárias para confiar no taco de outra mulher sem rejeitá-la...

PARA A indústria da moda brasileira, a eleição de Dilma poderá ser um grande gol. A mulher tradicionalmente forma opinião na moda. No Brasil, a única mulher no poder que foi um estímulo para a moda foi a primeira-dama Maria Tereza Goulart, mulher de Jango, que só se vestia com Denner, sempre chiquérrima. Ele determinava tudo, das meias aos sapatos, das luvas aos chapeus, às joias e aos penteados... 

SE TIVERMOS uma presidenta bem assessorada no item bem vestir, nossa indústria de moda só terá a ganhar... 

A EQUIPE de Dilma havia escolhido Alexandre Herchcovitch para assessorá-la na moda, mas parece que não deu certo. Sabem por quê? Porque hoje quem deve fazer esse trabalho não é um único estilista, é uma instituição de moda imparcial, sem vínculos políticos, nem comprometimentos comerciais. Se Dilma quiser uma sugestão, é só me procurar que eu dou...

O ESTILO da candidata petista tem sido muito comentado ultimamente, assim como o da verde Marina Silva. Afinal, as duas foram as primeiras mulheres brasileiras com chances reais de chegarem a uma Presidência da República... 

A MUDANÇA de estilo de Dilma tem chamado bastante atenção. Antes criticada pelo “desleixo” em relação à aparência, ela hoje já é comentada pela elegância clássica. Não há como negar que seu estilo deu uma guinada. Mas ainda há, sim, alguns detalhes a serem observados e corrigidos. Façamos uma análise...

MARGARET THATCHER, quando começou a ganhar grande visibilidade política, assim que foi eleita primeira-ministra britânica, contratou uma consultoria de moda para a aconselhar sobre seu look (na época, uma novidade), que logo ficou mais elegante e suavizado, favorecendo-a... 

FOI UM trabalho tão bem orientado que Margaret chegou, algumas vezes, a entrar para a lista das Mais Bem Vestidas do Mundo, na eleição famosa de Eleanor Lambert que hoje é con duzida pela Vanity Fair...

O NOVO corte de cabelo de Dilma, que lhe caiu super bem, foi idealizado por seu beauty stylist Celso Kamura, inspirado no da chiquérrimaCarolina Herrera... 

FALTA PORÉM à Dilma complementar o look dos cabelos curtos à la Herrera com um estilo de vestir semelhante ao da venezuelana, que, por sinal, combina perfeitamente com o perfil da brasileira... 

A ESTILISTA CH é adepta de camisas sociais brancas, brincos e colares de pérola, saias pretas e terninhos bem cortados. Tudo muito discreto, elegante, ideal para senhoras. Ideal para Dilma...

OUTRA INSPIRAÇÃO para o novo estilo Dilma seria o conselho que o estilista Oleg Cassini, que vestia Jackie Kennedy, deu à então primeira-dama norte-americana, a qual, assim como a candidata brasileira, não possuía pescoço longo: o ideal seria que usasse sempre decotes canoa ou decotes mais afastados do pescoço, para alongar a silhueta e prolongar o pescoço, suavizando a imagem como um todo...

O TAILLEUR deve ser usado e abusado por Dilma, sim, mas sempre com algum complemento que dê um toque mais feminino ao look, como brincos, colares de pérola ou broches, o que, aliás, a candidata tem usado constantemente. O uso do foulard, por cima dos ombros, também traria a Dilma um ar de extrema finesse e elegância. Sapatilhas de ponta bicolor, estilo Chanel, lhe cairiam super bem...Nada de crocs, hein, Dilma!...

ALGO MUITO importante e pouco observado é a postura corporal da candidata. Rousseff precisa de uma orientação em relação a isso. Não existe mulher elegante sem uma boa postura. A roupa pode ser maravilhosa, mas, se a mulher não tiver a preocupação de saber conduzi-la, a roupa não fará nada por ela. Nem ela pela roupa... 

ALIÁS, vou tocar aqui num tabu fashion: Michele Obama. A mulher de Barack até pode fazer muito pela moda de seu país, vestindo-se superfashion, mas poderia se apresentar muito melhor se não andasse com os ombros curvos pra frente. Isso desequilibra toda sua silhueta, fazendo o estômago avançar, o que não favorece NINGUÉM!... 

MICHELE COSTUMA também caminhar com os joelhos ligeiramente dobrados, o que não compõe bem a figura, com as pernas afastadas. Muito mais do que a própria Dilma, que às vezes se descuida na postura dos ombros, a sra. Obama precisa urgentemente de uma orientação de corpo...

ENFIM, PARA estar perfeita como imagem de formadora de opinião na moda, Dilma precisa unir o estilo chic e despojado de Carolina Herrera à elegância da roupa profissional de Margaret Thatcher. Some-se a isso um toque do atrevimento fashion de Coco Chanel, uma boa orientação de expressão corporal, uma pitada do visual de Jacqueline Kennedy e ...voilá!... 

A CANDIDATA estará ainda mais preparada e segura para governar o Brasil, se eleita for, com muito estilo e competência, servindo também de estandarte de nossa indústria de moda, das que mais geram empregos no país...


Na galeria de fotos abaixo, o trabalho de consultoria de moda prestado pelo blog  à Dilma, e com muito prazer. Prazer ainda maior se ela considerar nossas observações...
O estilo "casual chic" de Carolina Herrera, de quem Dilma Rousseff já tomou emprestado o corte de cabelo, cairia ótimo na candidata do PT. Confiram acima...
Vejam como a camisa social branca, um dos clássicos preferidos por Carolina Herrera, veste bem em Dilma Rousseff. Ela deveria explorar esse look ao máximo, é nosso conselho... 
O look austero-transgressor de Coco Chanel, com fios longos de pérolas alongando a silhueta, também é bom conselho à candidata do PT
A filosofia do "menos é mais", que fez tanto bem à Jacqueline Kennedy, também o faria a Dilma. Os três looks acima são  exemplos para serem copiados por ela, mas em seu caso sempre com mangas...
Perfeito para Jackie, perfeito para Dilma: decote um pouco afastado da volta do pescoço, alongando-o, e três voltas de pérolas para suavizar...
Margaret Thatcher, que também já figurou entre as 100+ da Forbes, foi das primeiras personalidades femininas da política internacional a recorrerem a uma consultoria de imagem para encontrar seu look ideal. Vejam a montagem que fizemos...
Confiram como os complementos certos, broche e pérolas, feminilizam o “look profissional” do tailleur de Margaret Thatcher. Boa dica para Dilma...

Artigo tirado de Blog da Hildegard Angel Endereço para o artigo

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Radical Chique – Hildegard Angel

CartaCapital n˚ 613


Pelo blog e pelo twitter, a colunista social Hildegard Angel combate a predileção da mídia por Serra e denuncia os preconceitos contra Lula e Dilma.

Por Cynara Menezes para CartaCapital


Enquanto seu irmão Stuart era preso e morto pela ditadura, em 1971, a jovem Hildegard Angel iniciava trajetória oposta, no colunismo social do jornal O Globo, onde trabalharia, entre idas e vindas, por quase 40 anos. Em 1976, quando a mãe dos dois, a estilista Zuzu, foi assassinada pelo regime em um “acidente” de carro, Hildegard já era uma jornalista conhecida e atriz de tevê. Não deixa de ser interessante que, aos 60, recém-saída do extinto Jornal do Brasil (agora só on-line), assuma uma postura de franco-atiradora.


Suas armas são um blog e o twitter. Seus alvos: a mídia e a preferência pelo candidato José Serra, do PSDB. No mês passado, ela declarou voto em Dilma Rousseff, do PT. Na entrevista concedida a CartaCapital em sua cobertura de frente para o mar em Copacabana, Hildegard Angel, criadora do termo “emergente” para definir os novos ricos cariocas, diz que Lula sofre preconceito por ser um deles, na política. “Já o Serra é o valoroso self-made-man”, ironiza.


CC: Por que a senhora decidiu apoiar Dilma Rousseff?

H: Ela estava sendo tão massacrada que achei ser o momento de me posicionar. Era um bombardeio de e-mails, de sobrenomes coroadíssimos, atacando a Dilma. Começaram denegrindo pelo físico, que ela era feia, horrorosa, megera, medonha. Aí ela ficou bonita e não puderam mais falar. Então começaram a atacar a parte moral, que ela é assassina, terrorista, ladra. Isso é um reflexo da impunidade. Enquanto não colocarmos nos devidos lugares os que foram responsáveis pelas atrocidades da ditadura, eles vão se sentir no direito de forjar uma realidade inexistente, de denegrir nossos mártires, nossos heróis.


CC: Antes desta eleição, a senhora já tinha se posicionado politicamente?

H: Não. Em nível nacional é a primeira vez. E acho que meu depoimento e o almoço que a Lily Marinho (viúva de Roberto Marinho) promoveu romperam o círculo “demonizante” erguido em torno da Dilma. Ali se fez uma fissura. A classe alta pensante e os ricos mais liberais se permitiram uma abertura.


CC: Lily Marinho apoia Dilma?

H: A Lily passou a apoiar Dilma depois que a conheceu. Quando ela fez o almoço pra Dilma, estava agindo como a mulher do Roberto Marinho, que está acima do bem e do mal e que pode se dar ao luxo de receber quem bem entende. Mas a Dilma conquistou a Lily. Antes do almoço, podia até haver a ideia de receber também os outros candidatos. Depois, não havia mais.


CC: Houve reação dos filhos de Roberto Marinho pela madrasta ter recebido a candidata do PT?

H: A Lily tem uma relação tão harmoniosa, tão respeitosa com eles, que acho que jamais teriam qualquer tipo de reação. O jornal e toda a organização têm sido muito duros com a Dilma. A única matéria positiva sobre ela, até hoje em O Globo, da primeira até a última palavra, foi a do almoço com a Lily.


CC: Há quatro anos o ex-governador de São Paulo Claudio Lembo criticou a “elite branca”. A senhora acha que ele falava só da paulistana ou da carioca também?

H: Da elite brasileira como um todo. É uma elite preconceituosa, que tem seus valores, seus princípios, e acha muito difícil abrir mão de suas convicções.


CC: Que tipo de rico tem preconceito com o Lula?

H: O rico do passado, da herança, do aluguel, muito apegado a tradições, a sobrenome. É, na maioria, uma elite não produtiva. Porque a elite produtiva, o homem que emprega, que gera progresso, desenvolvimento, não deixa de aplaudir o Lula. Mas, às vezes, a mulher deste homem não aplaude... Diplomatas aposentados também têm preconceito com Lula. O Itamaraty sempre foi o filé mignon do serviço público brasileiro, pela cultura, pela erudição, pelo savoir faire. E a política externa atual vai na contramão disso tudo. Esse é um segmento social que rejeita o Lula, o dos punhos de renda.


CC: Nos círculos que frequenta, ainda há gente que faz piada com a origem humilde de Lula?

H: O vaivém dos e-mails de gente da classe A contra o Lula é de uma variedade enorme... Por exemplo, as festas caipiras do Lula incomodaram muito. Já a Zuzu Angel sempre viu uma beleza extraordinária na caipirice, tanto que foi a primeira a usar as rendas do Norte, a misturar com organza, a usar as chitas, hoje tão na moda. Minha mãe tinha uma frase: a moda brasileira só será internacional se for legítima. Por isso foi a primeira a ter penetração no exterior. De certa forma, o Lula, com as festas caipiras dele, fez o que a Zuzu fez em 1960 com a moda caipira dela.


CC: Serra também tem origem humilde. Por que não existe esse preconceito contra ele?

H: Porque o perfil do Lula se encaixa mais no do emergente. O do Serra é o do valoroso self-made man... O Serra, para ser o homem que é, teve de dominar os códigos da elite, pelo estudo, pela convivência com pessoas intelectualmente superiores. Já o Lula foi abrindo caminho na base da cotovelada. E, de certa maneira, se manteve fiel à sua raça. Não se transformou com a ascensão, não se desligou, guardou seu ranço de pobreza, a memória do sofrimento. Isso o tornou mais sensível.


CC: E por outro lado o faz ser malvisto?

H: Sim, porque nunca será um igual, nem faz questão. A dona Marisa Letícia nunca abriu seus salões. Durante o governo FHC, fui inúmeras vezes convidada para recepções no Itamaraty e, em governos anteriores, até no Palácio da Alvorada. No governo Lula, só fui convidada uma vez, para o Itamaraty. Black-tie nunca existiu. Isso cria uma limitação de trânsito social. Não há uma interação para esta sociedade se inserir dentro de uma linguagem que não seja de gabinete junto à família Lula.


CC: Ainda tem muito preconceito de classe no Brasil?

H: Cada vez menos, mas tem. O que Lula sofre é preconceito de classe, mas está sendo superado por ele mesmo. Essa possível vitória da Dilma mostra que não é só o povão, não só aqueles que melhoraram de situação. Tem muito rico pensando diferente, saindo do casulo, desse gueto de pensamento.


CC: O interessante é que o dinheiro também tem de ser bem-nascido. De padaria, de marmita, não é dinheiro “bom”?

H: O dinheiro do comércio sempre foi visto no Brasil como um dinheiro sem base cultural, de origem ruim. Já o dinheiro da indústria, da área financeira, era “digno”. Agora, com a falta generalizada de dinheiro no meio dos que eram muito ricos, estas pessoas com dinheiro de origem menos nobre conseguiram uma posição de respeitabilidade no ambiente social.


CC: Os emergentes são mais respeitados?

H: São mais aceitos, embora o verdadeiro emergente não esteja mais preocupado com isso. O verdadeiro emergente não tem aquelas veleidades do nouveau riche de antigamente. O nouveau riche de ontem queria entrar para o soçaite, queria que seus filhos estudassem com os filhos do soçaite, tinham aquela visão encantada de alta sociedade. O emergente de hoje tem mais noção do seu poder, não é tão submisso. Com o empobrecimento do rico tradicional, o rico do dinheiro novo se achou numa posição de não precisar fazer tanto a corte a essas pessoas.


CC: O dinheiro de Eike Batista, por exemplo, é “nobre”?

H: Culturalmente falando, sim. Ele é filho de Eliezer Batista, que tinha grande status no País há muitas décadas. O que acontece é que o Eike sabe muito bem o que quer. Gosta de esporte, de mulher bonita, dos filhos e do trabalho dele. Sua vida é um retrato disso. Tem um carro espetacular de corrida na sala, tem casa decorada com troféus das suas lanchas. Ele poderia ter um Picasso, mas não é aquele rico tradicional. Nós temos no País essa classe da riqueza envergonhada, que não tem muito como explicar o seu dinheiro, da riqueza escondida, que não pode ser fotografada... E o Eike, como tudo dele, acredito, seja declarado lá no imposto, pode expor seu dinheiro. Ele é o rico da riqueza assumida.


CC: O jornalista Mauricio Stycer estudou a coluna de Cesar Giobbi no Estadão em 2002, quando Lula se candidatou pela primeira vez, e concluiu que o colunista fez campanha disfarçada para Serra. Isso é comum?

H: Ah, a Miriam Leitão também faz... É comum o colunista ter afinidade com o veículo e ter uma linha de raciocínio que vai ao encontro da dele e ao meio em que convive. O Giobbi é uma pessoa estimadíssima na alta sociedade paulistana, não é visto nem como jornalista, é visto como “da turma”. A Mônica Bergamo (Folha de São Paulo) não é vista como uma “da turma”. O Giobbi é um do time, então raciocina de acordo com seu time.


CC: Dos colunistas sociais clássicos, como Ibrahim Sued, tinha algum que era mais de esquerda?

H: O Zózimo (Barroso do Amaral) era visto à esquerda, mas era muito discreto, eu nunca o vi se posicionar ostensivamente na contramão do seu grupo social. Isso não existe. Havia na época uma coisa charmosa, atraente, um esquerdismo light, fazia parte do put together da elegância.


CC: Manifestar-se politicamente agora a recoloca mais no caminho do Stuart e da Zuzu?

H: Sinto-me um pouco refém da coragem da minha família, é como se tivesse retomado meu curso. Como se cumprisse uma trajetória que estava ali me esperando, neste momento que as pessoas se acomodaram, que estão submetidas a seus empregos, todas colocadas na grande imprensa, com uma posição monocórdia, um pensamento único.


CC: Pretende se tornar uma guerrilheira on-line?

H: Eu seria muito pretensiosa e desrespeitosa se de alguma maneira usasse essa qualificação de guerrilheira. Guerrilheiro foi meu irmão. Eu não fui. Estou tirando o atraso, só isso.

O depoimento de Hildegar Angel está aqui:



http://www.youtube.com/watch?v=AAu72jYxXMc&feature=related

enviado por Jotamorim

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Humoristas de passeata

Uma passeata, para ser eficiente, tem que ser legítima

Por Hildegard Angel,- Em sua coluna no JB Online

EM BOA hora, os humoristas saíram em passeata na Praia de Ipanema para protestar contra a impossibilidade de se fazer piadas políticas em época de eleição. A política, como sabemos, é o filé mignon do humor de qualidade... MAS ESSE protesto oportuno se descaracteriza e fica comprometido quando dá a entender que a censura se deve ao governo.

Não é verdade...

A LEI das Eleições, 9.504, data de 1997 e, na minirreforma, ganhou penduricalhos que a "turbinaram", com substitutivos e emendas no que diz respeito ao humor, cujos autores têm nome: são os deputados, do PCdoB, Flavio Dino, candidato a governador do Maranhão, e Manuela D'Ávila...


PARA ESSA minirreforma ser aprovada no Plenário da Câmara, os deputados votaram. O TSE apenas cumpre o que está escrito... ENTÃO, NÃO É Lula, não é Dilma, não é o ministro Lewandowski nem é o Franklyn Martins (conforme menção leviana de um dos humoristas desfilantes).

São os nossos congressistas!...

E ISSO os humoristas da passeata não disseram, não dizem, muito pelo contrário, querem deixar no ar a ideia de que o governo brasileiro cerceia a atividade do humor...

ESSA ATITUDE dúbia, manipuladora, só tira a legitimidade de uma causa que é boa, reduzindo-a a mero instrumento de campanha da oposição...

SE NO Brasil de hoje houvesse censura ao humor, nós não teríamos visto, como vimos, no CQC da última segunda-feira, um humorista dizer que o Eike Batista "faturou" a dona Marisa Lula da Silva, nem o humorista ao lado acrescentar que "dona Marisa vai fazer uma coleira com o nome Eike escrito"...


ELES SE referiam à atitude descontraída, perfeitamente natural, de ambos, durante um leilão beneficente que o programa acabara de exibir...

FOSSE UMA ditadura com censura, como a que já tivemos, na mesma hora os estúdios da Band seriam invadidos por um batalhão militar, Marcelo Tas e seus humoristas seriam presos, colocados no pau de arara, teriam a pele esfolada, a unha arrancada, o olho furado e, se dessem sorte, seriam devolvidos depois pra casa com uma coleira de pregos no pescoço...

MAS O mais provável é que virassem "comida pra peixe", como se fazia na época.

E eu não estou fantasiando. Vi e vivi este filme nos anos 70 no Brasil...

POR ISSO, senhores humoristas, façam seus protestos, sim, mas com legitimidade, pra não serem rotulados de humoristas "festivos", como se usava dizer naquela época negra...

OUTRA COISA que está muito na moda dizer, na linha dessa "campanha do medo", é que há censura em nossa imprensa...

NUNCA ANTES neste país se espinafrou tanto (pra não usar outra palavra) um presidente, sua família, seus ministros e aliados como nesta era Lula. E com total liberdade...

JAMAIS OUVI, por exemplo, em época anterior, num programa de TV, um comentário tão constrangedor como esse do CQC em relação a uma primeira-dama. E não me venham aqui criticá-la, porque ela se dá ao respeito, sim!...

NOS ANOS FHC, jamais a imprensa tocou no assunto do filho criança do presidente com uma jornalista, morando ambos num conveniente endereço bem longe, em Barcelona, na Espanha...

ESSE SILÊNCIO da imprensa não era apenas uma delicadeza com a primeira-dama. Era também o receio de possíveis retaliações comerciais, judiciais, Lei dos Danos Morais etc e tal. Medo que, curiosamente, este atual governo não inspira a jornalista algum. Agora, me digam: onde está a tão proclamada "censura"?