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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Jeremy Hammond: Websites oficiais invadidos - Brasil, Turquia, Síria, Porto Rico, Colômbia, Nigéria, Irã, Eslovênia, Grécia e Paquistão

“Os EUA usaram Sabu e, por extensão, me usaram, para fazer ilegalmente o que não podiam fazer legalmente”

16/11/2013, Dell Cameron, The DailyDot
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também:
12/11/2013, redecastorphoto em: Os revolucionários que vivem entre nós

Jeremy Hammond por Molly Crabapple

Jeremy Hammond, hackativista de 28 anos, foi sentenciado a 10 anos de prisão, na 6ª-feira, por participação no hacking da empresa privada de inteligência Stratfor. Mas a extensão da pena imposta a ele acabou por encobrir a acusação que ele fez contra o FBI durante a audiência de sentença.

Conforme documento distribuído por pastebin, postado por importante pesquisador de segurança, Hammond foi convencido por um informante do FBI a empreender ações de hacking contra vários governos estrangeiros. Foi o que ele tentou dizer, na declaração que leu na audiência de sentença, na 6ª-feira.

O documento ainda não está integralmente confirmado, mas testemunhas presentes na sala de audiência dizem que quando Hammond estava lendo sua declaração à Corte, a juíza Loretta Preska o interrompeu. As testemunhas dizem que a juíza Preska o interrompeu no meio da frase, depois que ele já citara três países – Turquia, Irã e Brasil. A juíza disse: “Sr. Hammond, acabamos de falar sobre omitir os países. Gostaria que o senhor não citasse países”.

Loretta Preska
Imediatamente depois de anunciada a sentença de Hammond, Sparrow Media e outros blogs publicaram o texto de sua declaração – mantendo as omissões que a juíza ordenara, por temor de que qualquer ação diferente dessa pudesse prejudicar Hammond.

Uma hora depois de anunciada a sentença, Jacob Appelbaum, conhecido pesquisador de segurança de computadores e associado a WiliLeaks distribuiu um documento por pastebin, que se supõe que seja uma versão não censurada da declaração de Hammond ao tribunal.

Ver tuítes em:
Jacob Appelbaum
Conforme o documento de pastebin, o FBI, servindo-se de um informante, entregou chaves a Hammond que lhe permitiram invadir sistemas de computadores de governos estrangeiros. Hammond, sem saber que recebera do FBI aquelas chaves, baixou todos os dados que obteve para um servidor controlado pelo FBI. Os agentes federais repetiram o mesmo processo várias vezes, tomando como alvo vários diferentes países.

Antes que a juíza o mandasse calar, tudo leva a crer que Hammond tentava revelar essa informação e os nomes dos países atacados, na presença da imprensa.

Hammond disse ao tribunal:

Essas intrusões, as quais foram todas sugeridas por Sabu quando já cooperava com o FBI, afetaram milhares de nomes de domínio; na grande maioria eram páginas oficiais de governos estrangeiros.

Adiante, se soube que Sabu, conhecido hacker cujo verdadeiro nome é Hector Xavier Monsegur, era informante do FBI.

Sabu também forneceu a Hammond listas de alvos vulneráveis a “zero day exploits” usadas para invadir sistemas, inclusive uma poderosa vulnerabilidade de raiz que afeta o conhecido e popular programa Plesk – lê-se no documento que Appelbaum publicou por pastebin. A pedido de Sabu, aquelas páginas foram invadidas, e os e-mails e bancos de dados descarregados no servidor FBI que Sabu usava, e foram-lhe fornecidas informações de senhas e a localização das “root backdoors”.

Desenhos de Molly Crabapple feitos na corte durante o julgamento 
(Clique na imagem para visualizar e ler os "balões")
O documento diz que mais de 2.000 domínios foram atacados entre janeiro e fevereiro de 2012 por instruções do FBI. Brasil, Turquia, Síria, Porto Rico, Colômbia, Nigéria, Irã, Eslovênia, Grécia e Paquistão são nomeados ali como países alvos de ataques, e o documento diz que houve ainda outros países. (...)

“Tudo isso aconteceu sob controle e supervisão do FBI” – diz o documento, que acrescenta que essas declarações são comprovadas em documentos que a defesa de Hammond apresentou ao tribunal durante o processo. A extensão total dos “abusos” cometidos pelo FBI, diz o documento, talvez jamais seja revelada, porque muitas das provas exibidas durante o julgamento foram protegidas por uma ordem de sigilo, da juíza.

O documento de pastebin conclui solicitando que todas as provas exibidas durante o julgamento de Hammond sejam tornadas públicas.

Runa Sandvik
repórter
Acredito que esses documentos comprovarão que as ações do governo dos EUA vão muito além de caçar hackers e impedir crimes “de computador”.

À repórter que lhe perguntou, pelo Twitter, sobre a autenticidade do documento publicado por pastebin, Appelbaum respondeu:

Foi vazado por gente que sabe. É verdadeiro. 

Ver tuíte em:
Embora a autenticidade do documento distribuído por pastebin não tenha sido confirmada e deva ser tratado com extrema cautela, Hammond já fez, antes, declarações semelhantes sobre Sabu e o FBI.

O que poucos sabem é que Sabu também foi usado por gente que o controlava, para conseguir invadir alvos que o governo selecionava – inclusive inúmeras páginas oficiais de governos estrangeirosHammond escreveu em agosto em FreeJeremy.net. O que os EUA não conseguiam fazer legalmente, usaram Sabu e, por extensão, eu e outros acusados agora no mesmo processo, para fazer ilegalmente.





domingo, 17 de novembro de 2013

Declaração de Jeremy Hammond ao Tribunal de New York em 16/11/2013

16/11/2013, Jeremy Hammond, OEN – OpEdNews
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Jeremy Hammond

Declaração ao Tribunal, New York, EUA, 16/11/2013

Bom dia. Obrigado por essa oportunidade. Meu nome é Jeremy Hammond e estou aqui para ser sentenciado por atividades de hacking que executei durante meu envolvimento com os Anonymous. Estou preso no Centro Correcional de Manhattan há 20 meses, e tive muito tempo para pensar sobre como explicaria minhas ações.

Antes de começar, quero usar parte desse tempo para reconhecer e agradecer o trabalho das pessoas que me apoiaram. Quero agradecer a todos os advogados que trabalharam no meu caso: Elizabeth Fink, Susan Kellman, Sarah Kunstler, Emily Kunstler, Margaret Kunstler e Grainne O'Neill. Agradeço também a National Lawyers Guild, à Comissão de Defesa e Rede de Apoio Jeremy Hammond, aos Free Anons, à Rede de Solidariedade com os Anonymous, ao Grupo Anarquista Black Cross e a todos os demais que ajudaram com uma carta de apoio, escrevendo para mim, assistindo às audiências do Tribunal e divulgando minha causa e meu caso.

Agradeço também aos meus irmãos e irmãs trancafiados em prisões e aos que estão fora das prisões, ainda lutando contra o poder.

Os atos de desobediência civil e ação direta pelos quais estou sendo hoje sentenciado alinham-se todos pelos princípios de comunalidade e igualdade que guiaram minha vida.

Invadi os computadores de dúzias de empresas gigantes e instituições do Estado, entendendo muito claramente que o que fazia era contra a lei, e que minhas ações podiam jogar-me diretamente numa prisão federal. Mas senti que tinha a obrigação de usar minhas habilidades e competências para expor e denunciar a injustiça – e para trazer à luz a verdade.

Poderia ter alcançado os mesmos objetivos por meios legais? Tentei de tudo, de abaixo-assinados e campanhas eleitorais a manifestações pacíficas, e descobri que os que estão no poder não querem que a verdade seja exposta. Quando dizemos a verdade ao poder, somos ignorados, no melhor dos casos; ou brutalmente reprimidos, no pior. Estamos em luta contra uma estrutura de poder que não respeita nem os seus próprios mecanismos de fiscalização e equilíbrio, imaginem se respeitam os direitos dos seus próprios cidadãos ou a comunidade internacional.

Minha iniciação política aconteceu quando George W. Bush roubou uma eleição presidencial em 2000 e, na sequência tirou vantagem das ondas de racismo e patriotismo depois do 11/9, para lançar guerras imperialistas, não provocadas, contra o Iraque e o Afeganistão. Saí às ruas para protestar, acreditando, ingenuamente, que nossas vozes seriam ouvidas em Washington e que conseguiríamos parar a guerra. Em vez disso, fomos rotulados como traidores, espancados e presos.

Fui preso por numerosos atos de desobediência civil nas ruas de Chicago, mas só em 2005 comecei a usar minhas habilidades com computadores para quebrar a lei, em ação de protesto político. Fui preso pelo FBI por invadir os computadores de um grupo de direita, pró-guerra, chamado “Protest Warrior” – organização que vendia camisetas racistas em sua página Internet e agredia grupos antiguerra. Fui acusado, nos termos da Lei de Fraudes e Abusos por Computadores, e o “dano visado” no meu caso foi arbitrariamente calculado, multiplicando por US$500, os 5.000 cartões de crédito com os quais operava a base de dados de “Protest Warrior”, o que resultou num total de $2,5 milhões.

Minha sentença foi calculada a partir desse “dano”, embora nenhum cartão de crédito tenha sido usado ou algum dado tenha sido divulgado – por mim ou por qualquer outra pessoa. Fui condenado a dois anos de cadeia.

Na prisão, vi com meus próprios olhos a feia realidade de como o sistema de justiça criminal destrói a vida de milhões de pessoas mantidas em prisões fechadas. A experiência reforçou minha oposição contra as formas repressivas de poder e a favor de agir na defesa daquilo em que cada um acredite.

Quando fui solto, estava ansioso para retomar meu envolvimento nas lutas por mudanças sociais. Não queria voltar à prisão. Então, me dediquei ao trabalho de organizar comunidades, trabalho de superfície. Mas, com o tempo, frustrei-me com as limitações das manifestações pacíficas, que me parecem reformistas e inefetivas. O governo Obama continuou as guerras no Iraque e no Afeganistão, aumentou o uso de drones e não fechou a prisão da Baía de Guantánamo.

Por essa época, eu acompanhava o trabalho de grupos como WikiLeaks e Anonymous. Era inspirador e estimulante ver as ideias do hack-ativismo afinal dando resultados. Fiquei particularmente motivado pela ação heroica de Chelsea Manning, que revelou ao mundo as atrocidades cometidas pelos militares norte-americanos no Iraque e no Afeganistão. Ela assumiu enorme risco pessoal para vazar essa informação – porque acredita que a opinião pública tem o direito de saber, e por esperar que suas revelações seriam passo positivo para pôr fim àqueles abusos. Fica-se com o coração apertado, só de ouvir contar sobre o tratamento cruel que ela recebeu numa prisão militar.

Refleti profunda e longamente sobre escolher outra vez esse caminho. Tive de perguntar a mim mesmo: se Chelsea Manning mergulhou no pesadelo abismal da prisão, porque lutava pela verdade, como poderia eu, de boa consciência, fazer menos que ela, já que eu era capaz? Concluí que o melhor modo de demonstrar solidariedade era dar continuidade ao trabalho de expor fatos e enfrentar a corrupção.

Aproximei-me dos Anonymous, porque acredito em ação direta, descentralizada e anônima. Naquele momento, os Anonymous estavam envolvidos em operações de apoio aos levantes da Primavera Árabe, contra a censura, e em defesa de WikiLeaks. Eu tinha muito a oferecer como contribuição, incluindo competências técnicas, e podia articular melhor ideias e objetivos. Foram tempos entusiasmantes – o nascimento de um movimento digital de resistência, quando os conceitos e as competências do hack-ativismo estavam ganhando forma.

Interessava-me especialmente o trabalho dos hackers de LulzSec, que estavam quebrando alguns alvos importantes e iam-se tornando cada vez mais políticos. Por essa época, falei pela primeira vez com Sabu, que era muito aberto sobre as ações de hacking que ele dizia ter cometido, e estimulava os hackers a unir-se para atacar sistemas de computadores de grandes unidades do governo e de megaempresas, sob a bandeira do movimento “Anti Security”. Mas logo no início do meu envolvimento, os outros hackers de Lulzsec foram presos; restei eu, para quebrar sistemas e escrever press releases.

Hector Xavier Monsegur,
o traidor Sabu
Adiante, eu descobriria que Sabu foi o primeiro a ser preso, e que, durante todo o tempo em que eu falava com ele, ele já era informante do FBI.

Os Anonymous também se envolveram nos estágios iniciais de Occupy Wall Street. Participei regularmente nas ruas, como militante de Occupy Chicago, e entusiasmei-me ao ver um movimento mundial de massa contra as injustiças do capitalismo e do racismo. Ao final de uns poucos meses, as “Occupations” chegaram ao fim, destruídas por ataques da Polícia e prisões em massa de manifestantes, arrancados de suas próprias praças públicas.

A repressão contra os Anonymous e o Movimento Occupy deu o tom da ação dos Antisec nos meses seguintes – a maior parte de nossas ações de hacking contra alvos da Polícia foram retaliações contra as prisões de nossos camaradas.

Eu, pessoalmente, tomei por alvo os sistemas policiais, por causa do racismo e da desigualdade com que se aplica a lei criminal. Tomei por alvo as indústrias e distribuidores de equipamentos militares e policiais, que lucram com a fabricação e a venda das armas que os EUA usam para impor seus interesses políticos e econômicos por todo o mundo, e para reprimir cidadãos norte-americanos aqui mesmo. Tomei por alvo empresas privadas de segurança da informação, porque trabalham secretamente para proteger interesses do governo e de empresas privadas, à custa de atacarem direitos civis individuais, minando e desacreditando ativistas, jornalistas e outros que trabalham para conhecer e divulgar a verdade; e porque vivem de disseminar a desinformação.

Nunca tinha ouvido falar de Stratfor, até que Sabu falou sobre eles. Sabu estava encorajando pessoas a invadir sistemas, e ajudando a facilitar e dar organização estratégica aos ataques. Chegou a fornecer-me pontos vulneráveis dos alvos, passados a ele por outros hackers. Por isso, foi grande surpresa quando soube que, durante todo o tempo, Sabu trabalhava com o FBI.

Dia 4/12/2011, Sabu foi contatado por outro hacker que já havia invadido a base de dados dos cartões de crédito de Stratfor. Sabu, então, sob o olhar atento dos agentes do governo que o estavam manipulando, levou o hack para o movimento Antisec, convidando aquele hacker para nossa sala privada de bate-papo, onde ele forneceu os links para baixar toda a base de dados dos cartões de crédito, além dos pontos iniciais de vulnerabilidade para acessar os sistemas de Stratfor.

Passei algum tempo pesquisando Stratfor e revisando a informação que nos fora fornecida, e decidi que suas atividades e a base de clientes tornavam a empresa alvo bem merecido. Achei curioso que os ricos e poderosos clientes da base de dados de Stratfor só usassem seus cartões de crédito para doar para organizações humanitárias, mas meu principal papel no ataque era obter as pastas dos e-mails privados de Stratfor, onde, tipicamente, estão os segredos mais sujos.

Demorei mais de uma semana para conseguir mais acesso aos sistemas internos de Stratfor, mas acabei entrando no servidor principal. Era tanta coisa, que precisamos de vários servidores nossos para transferir os e-mails. Sabu, que estava envolvido em todos os passos da operação, ofereceu um servidor – que ele recebera do FBI e era monitorado pelo FBI. Nas semanas seguintes, os e-mails foram transferidos, os cartões de crédito usados para doações, e os sistemas de Stratfor foram desconfigurados e destruídos.

Por que o FBI nos apresentou o hacker que descobrira a vulnerabilidade inicial e por que o FBI permitiu que ele continuasse o que havia começado são coisas que, para mim, continuam a ser mistério total.

Resultado da ação de hacking contra os sistemas de Stratfor, conhecem-se hoje alguns dos perigos de haver uma indústria privada de inteligência sem qualquer tipo de regulação. Revelou-se através de Wikileaks e do trabalho de outros jornalistas pelo mundo, que Stratfor mantinha uma rede de informantes pelo mundo, informantes que a empresa usava para todos os tipos de atividade ilegal de vigilância, sempre a serviço de grandes empresas multinacionais.

Depois de Stratfor, continuei a quebrar outros sistemas-alvos, usando uma poderosa “zero day exploit” que me permitia acesso de administrador a sistemas que rodavam a popular plataforma Plesk de hospedagem de rede. Várias vezes, Sabu me pediu que lhe desse acesso a essa exploração. Recusei sempre. Sem ter seu próprio acesso independente, Sabu continuou a me fornecer listas de alvos vulneráveis. Invadi inúmeras páginas que ele me sugeriu, descarreguei as contas de e-mails e bancos de dados roubados no servidor FBI de Sabu; e passei a ele senhas e backdoors que permitiram que Sabu (e, portanto, também o FBI que controlava Sabu) controlassem aqueles alvos.

Essas intrusões, as quais foram todas sugeridas por Sabu quando já cooperava com o FBI, afetaram milhares de nomes de domínio; na grande maioria eram páginas oficiais de governos estrangeiros, dentre os quais XXXXXXX, XXXXXXXX, XXXX, XXXXXX, XXXXX, XXXXXXXX, XXXXXXX e XXXXXX XXXXXXX. [1]

Num caso, Sabu e eu demos informação de acesso a hackers que trabalharam para desconfigurar e destruir muitas páginas oficiais de governo em XXXXXX.

Não sei como outras informações que lhes forneci podem ter sido usadas, mas penso que a coleta e o uso desses dados, pelo FBI e, portanto, pelo governo dos EUA, têm de ser investigados.

O governo hoje está celebrando minha condenação e minha prisão, na esperança de que fechará a porta e encerrará a história para sempre. Eu assumi plena responsabilidade pelos meus atos, quando me declarei culpado. Quando o governo dos EUA será forçado a responder pelos seus crimes?

Os EUA inflam a ameaça que os hackers representariam, para justificar os negócios multibilionários do complexo industrial da cibersegurança, mas, ao mesmo tempo, o próprio governo é também responsável pela mesma conduta que ele mesmo processa e condena, e diz que trabalha para prevenir. A hipocrisia da “lei e da ordem” e as injustiças causadas pelo capitalismo não podem ser “curadas” por reformas institucionais; só podem ser corrigidas por desobediência civil e ação direta. Sim, eu violei a lei. Mas acredito que às vezes as leis têm de ser violadas, para criar espaço para a mudança.

Frederick Douglas
!818-1895
Nas palavras imortais de Frederick Douglas,

O poder não dá nada que não lhe seja exigido. Nunca deu e nunca dará. Descubra a quê algum povo submeteu-se em silêncio, e você terá a exata medida da injustiça e dos malfeitos impostos àquele povo, e a injustiça e os malfeitos continuarão, até que o povo se levante contra eles, seja com palavras, seja com armas, ou com ambos. Os limites de cada tirano podem ser medidos pela capacidade de tolerar dos que eles oprimem.

Não estou dizendo que não me arrependo de nada. Percebo que divulguei informação pessoal de gente inocente, que nada tinha a ver com as operações das instituições que tomei como alvos. Peço desculpas pela divulgação de dados que tenha ofendido pessoas e eram irrelevantes para meus objetivos. Acredito no direito individual à privacidade – contra a vigilância do Estado e contra agentes como eu; e vejo bem a ironia de eu ter-me envolvido em ataques contra esses direitos.

Meu compromisso é trabalhar para fazer desse mundo um lugar melhor para todos nós. Ainda acredito na importância do hack-ativismo como forma de desobediência civil, mas é hora, para mim, de mudar para outros modos de buscar a mudança. O tempo de cadeia pesa muito sobre minha família, meus amigos e a comunidade. Sei que precisam de mim em casa. Reconheço que, há sete anos, já estive à frente de um juiz federal, enfrentando acusações semelhantes, mas isso não diminui a sinceridade do que digo aqui hoje.

Custou-me muito escrever isso, para explicar minhas ações, sabendo que o que fiz – sinceramente – pode custar-me ainda mais anos de vida na cadeia. Sei que posso ser condenado a dez anos, mas espero que não seja, porque acredito que há muito trabalho a ser feito.

Mantenham-se fortes e continuem a lutar.




Nota dos tradutores
[1] Ontem (15/11/2013), Jeremy Hammond distribuiu documento por Pastebin, intitulado Targets supplied by FBI to Jeremy Hammond [Alvos fornecidos pelo FBI a Jeremy Hammond] em que todos esses nomes aqui censurados aparecem listados. No documento de pastebin, fica muito claro que Hammond não tem dúvidas de que as invasões “orientadas” por Sabu estavam sendo, de fato, orientadas pelo FBI, para alvos que interessavam ao FBI, inclusive a empresa Strafor.



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Robert Fisk: Julgamento de Mursi, Egito – “Quando um tribunal encarna as divisões de uma nação”

4/11/2013, [*] Robert Fisk, The Independent, UK
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Apoiadores de Mursi em frente ao Tribunal Militar do Cairo em 3/11/2013

Todos sabíamos o que o presidente Mohamed Mursi diria ontem (3/11/2013), quando pela primeira vez enfrentou os juízes. E ele gritou: “Sou o presidente da República”.

A Corte pôs-se a uivar, dickensiana, e jornalistas egípcios – que jamais deixam de participar das próprias histórias – berravam contra Mursi e os seis co-acusados, repetidas vezes: “Executem todos! Executem todos!” em coro, e os policiais, alguns à paisana, outros uniformizados, uns fumando cigarro após cigarro, outros usando coletes à prova de bala, nada fizeram para pôr fim àquele circo monstruoso.

Talvez os policiais concordassem com seus próprios jornalistas, mas, a certa altura, os advogados de defesa da Fraternidade Muçulmana lutavam sobre os bancos da corte com jornalistas e policiais egípcios, enquanto Mursi e seus ex-camaradas – que se viam ali pela primeira vez, desde o golpe militar em julho – a tudo assistiam placidamente, de dentro da jaula com barras de ferro.

Seria fácil zombar desse tribunal-carnaval, os guardas judiciários pedindo silêncio à multidão de jornalistas e advogados, que parassem de se esmurrar e berrar, enquanto o ex-presidente do Egito – porque é o que ele é – lá ficava, num terno de trabalho, barbas grisalhas, vez ou outra abraçando um ou outro dos prisioneiros enjaulados, todos por trás das barras de ferro negro, num canto da sala de julgamento de paredes revestidas de madeira. Mas era só parte da tragédia egípcia pós-revolucionária, um presidente eleito julgado por crime de incitamento ao assassinato, acusação que – se for suficientemente provada ante o tribunal – pode custar-lhe a vida.

Ninguém acredita que chegue a tanto. Os jornalistas não estariam exigindo a cabeça do réu se supusessem que possa ser, mesmo, condenado à morte. Exatamente como o próprio Mursi não se teria declarado presidente do Egito se realmente acreditasse que seja.

Mas disso, desnecessário dizer, é do que trata essa audiência absolutamente sem precedentes – na mesma academia de polícia na qual Hosni Mubarak, o ditador que precedeu Mursi no governo do Egito, foi julgado: de se o Egito pós-revolucionário pode vir a ser democracia funcional, de se governos árabes podem representar as próprias nações inteiras – de se suas administrações podem ser “inclusivas” - como os ocidentais arrogantes os mandam ser – ou se o povo que lutou tão bravamente pela própria dignidade e liberdade tem, mesmo, de bater palmas em desiludido uníssono, ante mais um general.

Os augúrios, ontem, não foram bons. Os policiais do lado de fora estavam ótimos, comportamento exemplar. Apertavam mãos, sorriam muito, tomavam nossos passaportes e nossos celulares, nos devolviam cartões plásticos com números de identificação, nos levavam, em ônibus, até o Tribunal, respeitosamente reviravam pastas, livros, bolsas e sacolas. Só quando se chegava ao prédio do tribunal é que se via o que nos esperava: mais policiais. Centenas, ocupando todas as cadeiras das primeiras filas, das laterais, os assentos junto aos corredores de passagem e mais três dúzias deles apertados numa outra jaula de barras de ferro adjacente à do acusado, para o caso de Mohamed Mursi abrir asas de anjo e tentar voar dali.

Com roupa branca de prisioneiro, Mohamed El-Beltagy
Ninguém vira Mursi desde o golpe – ninguém; nunca mais fora visto em público – mas parecia em boa forma, talvez um pouco mais gordo, conversando animadamente com os colegas, vestidos em uniformes brancos de prisioneiros. Seu correligionário, Mohamed El-Beltagy, lá estava e via-se também Essam el-Arian, líder da Fraternidade, o qual, acho que foi ele – a aglomeração na sala tornava difícil identificar as pessoas – gritou que nenhuma corte criminal poderia julgá-lo, que a aquela audiência era “ilegal, injusta, ilícita, inconstitucional”. Seis dos prisioneiros permaneciam na academia de polícia desde a madrugada – Mursi chegou às 7h20 – e el-Arian repetia que haviam sido “torturados” e impedidos de ver seus advogados desde que foram presos.

Os próprios advogados reclamaram que não lhes deram tempo para preparar a defesa. Perguntaram por que policiais à paisana apareciam por trás do juiz com câmeras e por que tantos policiais só faziam fotografar os advogados que trabalhavam na defesa de Mursi e dos demais prisioneiros. O juiz Ahmed Sabri Youssef optou por não explicar quem seriam aquelas estranhas criaturas. Num dado momento, Mursi e seus colegas ergueram a mão fazendo o sinal de quatro dedos, da “Rabaa”, símbolo da Fraternidade na oposição, e exibiram retratos desenhados de um jornalista pró-Fraternidade que foi morto na Praça Tahrir. Foram vaiados por jornalistas egípcios e por alguns dos policiais. Em Nuremberg não teve disso.

O juiz leu o nome de Mohamed Mohamed Mursi – o nome do meio mostra que seu pai também se chamava Mohamed – e, claro, todos assistíamos àquele estranho julgamento, por causa dele. Ahmed Abdul-Ati, outro dos acusados, disse a repórteres, falando de dentro da jaula, que desde julho Mursi não falara com nenhum de seus advogados – motivo pelo qual o juiz Youssef saiu com espalhafato da sala, pela primeira vez, logo aos dez minutos. Via-se Mursi em ativa conversa com seus ex-colegas, provavelmente a primeira verdadeira reunião do banido Partido Liberdade e Justiça, desde o golpe. Mursi beijou as duas bochechas de um dos prisioneiros.

Quando interrompeu o juiz Youssef, a voz era forte e confiante. “Sou o Presidente da República”, declarou. “O golpe é um crime. Essa corte é responsável por esse crime. Tudo que está acontecendo aqui visa a dar cobertura ao golpe. É uma tragédia que o grande judiciário do Egito tenha de dar cobertura ao golpe”. E quando a plateia respondeu com berros – ainda se ouvia a voz de Mursi dizendo que “não se deixem enganar. Isso aqui só serve aos interesses do inimigo externo...”

Chegada de Mursi para o 1o. dia de julgamento
Mursi disse outras coisas, difíceis de entender, porque sua voz era frequentemente encoberta por gritos. Disse que respeitava os membros da corte, mas que a corte não tinha direito constitucional de julgar um chefe de Estado. “Sou o presidente do Estado, e estou detido contra minha vontade”. Essa é a razão pela qual insistia que ainda é o presidente; porque, se não fosse, então a corte teria perfeito direito de julgá-lo.

Que Mursi lutou, lutou. Quando subiram o volume do microfone do juiz, para encobrir as palavras de Mursi, ainda se ouvia a voz dele: “Deem-me algo (um microfone) para que eu possa falar a vocês”. “Agora, não!”, o juiz respondeu sem pausa.

Se alguma corte pode expor as divisões de uma nação, aquela expôs. Mursi pode até ter razão para opor-se à realização daquela audiência, mas, infelizmente, muita gente acredita piamente que não poderia jamais ter sido eleito, que jamais agiu como presidente e que foi deposto quando já estava em desgraça, em julho passado, porque planejava um golpe próprio, só dele.

Do lado de fora da academia de polícia, uma vasta cidade de policiais onde antes havia o deserto em torno de Maadi, a tropa de choque carregava as armas com granadas de gás, à frente de centenas de manifestantes apoiadores de Mursi. Uma gangue de militantes armados – apoiadores da junta militar – começou a perseguir homens que corriam para todos os lados, no estacionamento. Julgamento adiado, como se diz. Até dia 8 de janeiro. Feitas as contas, foi dia dos mais desgraçados.

__________________

[*] Robert Fisk é filho de um ex-soldado britânico da Primeira Guerra Mundial, Robert Fisk estudou jornalismo na Inglaterra e Irlanda. Trabahou como correspondente internacional na Irlanda - cobrindo os acontecimentos no Ulster - e Portugal. Em 1976, foi convidado por seu editor no The Times para substituir o correspondente do jornal no Oriente Médio. Fisk trabalhou para The Times até 1988, quando se mudou para The Independent - após uma discussão com seus editores sobre modificações feitas em seus artigos, sem seu consentimento.
Fisk cobriu a guerra civil do Líbano, iniciada em 1975; a invasão soviética do Afeganistão, em 1979; a guerra Irã-Iraque (1980-1988), a invasão israelense do Líbano, em 1982), a guerra civil na Argélia, as guerras dos Balcãs e a Primeira (1990-1991) e a Segunda Guerra do Golfo Pérsico, iniciada em 2003. Fisk notabiliza-se também pela cobertura ao conflito israelo-palestino. Ele é um defensor da causa palestina e do diálogo entre os países árabes, o Irã e Israel.
Considerado como um dos maiores especialistas nos conflitos do Oriente Médio, Fisk contribuiu para divulgar internacionalmente os massacres na guerra civil argelina e nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano; os assassinatos promovidos por Saddam Hussein, as represálias israelenses durante a Intifada palestina e as atividades ilegais do governo dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque. Fisk também entrevistou Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda (em 1993, no Sudão, em 1996 e em 1997, no Afeganistão). 
Robert Fisk é o correspondente estrangeiro britânico mais premiado. Recebeu o Prêmio Correspondente Internacional Britânico do Ano sete vezes (as últimas em 1995 e 1996). Também ganhou o Prêmio à Imprensa da Anistia Internacional no Reino Unido em 1998 e 2000.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Pepe Escobar: “A queda da Casa de Bo”

23/8/2013, [*] Pepe Escobar, The Roving Eye - Asia Times Online
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Não tenho esporas para picar os flancos do meu projeto,
só a galopante ambição que salta por cima da sela
e tomba do outro [lado]... (entra Lady Macbeth)
Macbeth – William Sheakespeare


HONG KONG. A China faz Macbeth. Com pitada de Hollywood. O primeiro dia de julgamento de Bo Xilai, [1] o princeling que caiu em desgraça, pode não ser “o julgamento do século” – mas foi o maior show legal desde o julgamento da Camarilha dos Quatro, em 1980/1981.

O roteiro é meticulosamente preestabelecido. Mas ninguém perdeu dinheiro se apostou em Bo, “O homem que seria Presidente”, para injetar drama extra naquele teatro que, sem ele, não passaria de encenação política marcada até os suspiros. Bo não cairia sem luta.

Quem sabe agigantar-se ante a tragédia, sabe – saído da mais total invisibilidade (não era visto há um ano e meio). Só no primeiro dia do julgamento, Bo negou ter recebido US$3,4 milhões em propinas; rejeitou as acusações por abuso de poder; insistiu que, durante o tempo em que permaneceu preso, foi constantemente pressionado pela Comissão Central de Inspeção Disciplinar, que tentava “influenciar” suas declarações; descartou como “ridículo” o testemunho de sua esposa, Gu Kailai, já condenada; disse que o depoimento da testemunha da acusação, o magnata Xu Ming, também caído em desgraça, foi “a performance mais feia, de um homem que vendeu a própria alma”; e bateu boca com o juiz.

Na essência, Bo disse que “armaram para mim”. [2]

Tribunal onde Bo Xilai está em julgamento
(Clique na imagem para aumentar)

De assistir sem piscar – que teria sido televisão fantástica, se Pequim tivesse permitido livre cobertura ao vivo. Arriscado demais. Em vez disso, a corte tuíta ao vivo pela conta Sina Weibo, microblog chinês, e pelas contas Weibo e Twitter de Xinhua. Assim se criaram cenas fabulosas, como uma âncora da TV Phoenix em Hong Kong, que freneticamente examinava as mensagens no celular e as lia, em sequência, ao vivo.

A agora já notória primeira foto de Bo dentro da Corte Intermediária Jinan, na capital da província litorânea de Shandong, primeira foto desde que foi preso ano passado, foi partilhada online 26 mil vezes na primeira meia hora. Na sequência, a transcrição do primeiro dia de julgamento distribuída pela Corte, recebeu 24,9 milhões de visitas durante a noite, num popular agregador de noticiário chinês.

Todo mundo sabe que o Partido Comunista Chinês (PCC) controla totalmente os tribunais e nada deixa ao acaso. Todo mundo sabe que o veredito já está predefinido. O jornal People’ s Daily já decidiu inclusive que as provas dos crimes de Bo são irrefutáveis. [3] Restam, por toda a China, as apostas (furiosas) em torno da sentença.

Foto do caderno da frenética apresentadora da TV chinesa

Para o jornal Ming Pao de Hong Kong, serão 13 anos. Já Cai Yongwei, do jornal Lianhe Zaobao, escolheu ângulo mais sumarento: Bo tem um acordo com Pequim, que inclui o modo como está sendo julgado e o próprio conteúdo da sentença.

Faz sentido que toda a cena tenha sido examinada e aprovada por nada menos que o Politburo – como estímulo e reforço para a muito propagandeada campanha do presidente Xi Jinping contra a corrupção oficial. Mas o fato de que Bo foi liberado para fazer algum tipo de autodefesa absolutamente não implica mais transparência, nem judiciário independente na China.

Segundo o jornal Xinhua, só 19 jornalistas foram admitidos na sala de julgamento (nenhum estrangeiro). No que tenha a ver com “transparência”, Xinhua distribuiu uma breve declaração, de poucas centenas de palavras. O microcontrole simbólico de tudo é mais que obsessivo. É possível que Bo tenha sido autorizado a vestir camisa branca e calças pretas (em vez do macacão laranja): sinal de respeito. Mas Bo, que mede 1,86m, apareceu pequeno entre dois guardas gigantes.

Bo Xilai no banco dos réus cercado por 2 guardas enormes
Trata-se – e foi assim desde o início – exclusivamente de política linha dura, de apostas pesadíssimas. Pequim não pode entrar na nova era de beliscar o modelo econômico chinês – via chengzhenhua [urbanização da população] – sem fechar de cima abaixo a fissura representada pelo criador do modelo Chongqing: retórica maoísta, megaprojetos e ataque pesado contra o crime organizado (embora alguns nódulos tenham sido deixados em paz).

Sob essa perspectiva, Pu Zhiqiang, advogado de direitos humanos, não vê qualquer diferença real entre o julgamento da Camarilha do Um, de Bo, e da Camarilha dos Quatro.

Compare-se com o que diz o professor de Direito, Chen Youxi, para quem esse é um verdadeiro julgamento, não um show. [4] Insiste também em que, em vez de ser acusado por “abuso de poder”, Bo deveria ter sido formalmente acusado de ter encoberto o assassinato, por sua mulher, de um suspeito empresário britânico, Neil Heywood.

O show – controlado até os mínimos detalhes – tem de continuar. Todos os sinais apontam para uma conclusão (com condenação) antes do Terceiro Pleno do 18º Congresso do Comitê Central do PCC [5] (que deve acontecer em outubro),e que cristalizará o próximo passo econômico da China. Vítima de “armação” ou não, O Homem que Seria Presidente não aparecerá na fotografia.


Notas dos tradutores
Original da epígrafe: I have no spur / To prick the sides of my intent, but only /Vaulting ambition, which o’erleaps itself / And falls on the other [side], “Macbeth”, Shakespeare, ato 1, cena 7 (epígrafe em tradução de trabalho, para ajudar a ler).
[1] 28/7/2013, redecastorphoto, em: Pepe Escobar, “China: o fator Bo”, Asia Times Online
[2] Orig. “I was framed”.
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Notas do autor
[4] 23/8/2013, blog de Chan Sai em: Os julgadores esperam o arrependimento do acusado [em chinês].
[5] 19/6/2013, CaixinOnline em: Plans for another important Third Plenum

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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (“The Roving Eye”) no Asia Times Online; é também analista e correspondente das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu, no blog redecastorphoto.
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