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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Lições para a Ucrânia: como a Alemanha foi dividida

10/12/2014, [*] Yuriy Rubtsov, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Nota da redecastorphoto: Muita gente compara a situação da Europa atual com os anos anteriores à IIª Guerra Mundial. Correção importante: agora estamos assistindo ao fomento, pelo Ocidente (EUA e União Europeia), de mais um regime nazista representado pela Junta−de−Kiev na Ucrânia. Isso nos faz lembrar a segunda metade dos anos 1930’s quando aconteceu a mesma coisa com a Alemanha, transformada num estado nazista e com os EUA, hoje com a eliminação dos Direitos Civis de seu próprio povo, transformados num estado fascista.

Desfile do Pravy Sektor (partido NAZISTA apoiado pelos EUA e coordenado pelo Depto de Estado via Victoria "Fu** EU" Nuland) em Lviv, Ucrânia

“Naturalmente” – perguntou – “sabe do que se trata, Rieux?” [...] “Pois eu sei”. (...) “vi alguns casos em Paris há uns vinte anos. Simplesmente, naquela época, não houve a coragem para lhe dar um nome. A opinião pública é sagrada: nada de pânico. Sobretudo, nada de pânico. E depois, como dizia um colega: É impossível, toda a gente sabe que ela desapareceu do Ocidente”.


A peste NAZISTA volta a atuar na Europa, propagada e apoiada pelos EUA na Ucrânia. O braço tatuado não mente.

Como a Alemanha foi dividida em 1946
(clique na imagem para aumentar)
Países ocidentais explicaram o apoio que davam ao regime pós-golpe em Kiev, com alegações de que tentavam impedir que a Rússia destruísse a Ucrânia como estado único, uno, unificado. Contudo, é mais evidente a cada dia que, de fato, Washington, Bruxelas, Bonn e agora também Varsóvia, estão preparando o palco para desmembrar a Ucrânia.

Não há muito tempo, o presidente do parlamento polonês, Radek Sikorski, pôs em circulação uma história muito duvidosa sobre conversa que teria havido em 2008 entre o ex-primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk e Vladimir Putin, na qual Putin teria proposto a Tusk que analisasse a possibilidade de dividir a Ucrânia. Em seguida, Tusk começou a tomar distância cautelosamente dessa perturbadora “informação”, e Sikorski desmentiu tudo, dizendo que Tusk compreendera mal o que ouvira. A manobra serviu para que os poloneses aferissem o tipo de futuro que políticos europeus insiders anteviam para a Ucrânia.

Será muito útil para os patriotas ucranianos terem em mente que o Ocidente tem acumulada vastíssima experiência de esquartejar um estado depois da IIª Guerra Mundial – e estado que era muito mais poderoso e bem estabelecido, embora estivesse em situação de derrota militar. Falo, é claro, da Alemanha.

Dado que a Alemanha tem sido vista aos trinados, como líder de torcida a favor da posição dos EUA na questão ucraniana, há de ser instrutivo para todos examinar as experiências de Berlim naquele período. É possível que o que a Alemanha está fazendo, no planejamento da partição da Ucrânia, seja hoje uma espécie de vingança, embora em menor escala, pela derrota de que os russos aplicaram aos alemães em 1945?

Quando a questão do futuro da Alemanha nazista foi pela primeira vez trazida à mesa de negociações na Conferência de Teerã, em novembro-dezembro de 1943, Joseph Stálin, que liderava a delegação soviética, defendeu que, depois da derrota dos nazistas, a integridade do estado alemão teria de ser preservada.

Quando os líderes da URSS, dos EUA e da Grã-Bretanha discutiam sobre o mapa da Alemanha pós-guerra na Conferência de Yalta em fevereiro de 1945, todos [os Aliados] reconheceram a necessidade de “desarmamento, desmilitarização e desmembramento completos da Alemanha, como requisito fundamental para a paz e a segurança futuras”. Mas ainda meses depois, em julho-agosto de 1945, na Conferência de Potsdam, o esquartejamento do território alemão ainda não era conclusão decidida. Os aliados concordaram sobre um sistema de ocupação quadripartite para a Alemanha, com o objetivo de desmilitarização e democratização; também ficou decidido que “durante o período de ocupação, a Alemanha seria tratada como uma só unidade econômica”. Ficou planejado que durante a ocupação, as forças armadas da URSS, dos EUA, da Grã-Bretanha e da França exerceriam autoridade suprema, cada uma, sobre sua respectiva zona de ocupação. E em questões que afetassem toda a Alemanha, teriam de trabalhar juntos, como membros do Conselho de Controle.

Consideremos esse último ponto: havia um Conselho de Controle – corpo unificado, de supervisão, formado pelas potências Aliadas – e se seus membros trabalhavam juntos, poderiam facilmente ter mantido a integridade política, econômica e territorial da Alemanha pós-guerra. A autoridade do Conselho de Controle era essencialmente ilimitada – dentro do país ocupado, o Conselho promulgava leis, ordens, comandos e outros instrumentos legais que comandavam o trabalho das autoridades administrativas nas zonas ocupadas pelos Aliados e regulavam a vida pública.

Churchill (E), Roosevelt (C) e Stalin (Yalta, fev. 1945)
Mas tudo isso só seria possível se cada um e todos os Aliados demonstrassem verdadeira boa-vontade e partilhassem a mesma visão sobre o futuro daquele país que sofrera derrota militar, mas ainda conservava esperanças de um futuro promissor. O mecanismo de tomada de decisões negociado em Potsdam, que exigia apoio unânime dos quatro representantes de potências ocupantes, visava a ajudar a construir, precisamente, esse acordo de todos.

Várias das decisões chaves do Conselho de Controle que determinariam a trajetória do desenvolvimento da Alemanha do pós-guerra já estavam tomadas e ao final de 1945. Por exemplo, já se haviam aprovado leis para assegurar a des-nazificação e a democratização do processo legal e da administração da justiça; e as antigas leis nazistas já haviam sido abolidas. Já havia legislação vigente também para, dentre outras coisas, desmilitarizar a Alemanha e punir os indivíduos que tivessem cometidos crimes de guerra ou crimes contra a paz e a humanidade. Embora tenha havido lutas, essas decisões haviam sido negociadas com sucesso, o que autorizava que se tivesse alguma fé no futuro desse sistema de administração compartilhada para a Alemanha; até que o trabalho do Conselho de Controle e outras agências administrativas, legais e econômicas começaram a parecer que fugiam de qualquer controle.

Exemplos de acordos regidos pelo senso-comum – e já nem se fala de consenso total de opiniões – começaram a tornar-se cada vez mais raros, quando se chegou às grandes questões de como prover condições decentes de vida para o povo alemão.

Um membro do Conselho de Controle da URSS, chefe da administração militar dos soviéticos, Marechal Georgy Zhukov recordou:

Georgy Zhukov
O pessoal administrativo de EUA e Grã-Bretanha, como se estivessem combinados, passaram de repente a não concordar com coisa alguma; discordavam de tudo (...). Foi-se tornando cada vez mais difícil encontrar fórmulas para acertar disputas, especialmente quando se discutiam questões realmente cruciais. Por exemplo: providências para erradicar o potencial militar e econômico encastelado como “militarismo” alemão; desarmar as unidades militares alemãs; e erradicar firme e fundamente todas as modalidades de fascismo das organizações nazistas nas zonas sob ocupação dos EUA e da Inglaterra.

Georgy Zhukov pôs o dedo precisamente na questão principal: a União Soviética e os Aliados Ocidentais tinham posições diametralmente opostas. Mais que qualquer outro país, a União Soviética – nação que conhecera cara a cara, de primeira mão, o poder de destruição do IIIº Reich – buscava permanentemente, como parte do trabalho de administrar a zona sob sua responsabilidade, alterar os ambientes locais, com vistas a prevenir que o militarismo ou o nazismo renascessem, ao mesmo tempo em que ia construindo o ambiente democrático adequado, mediante transformações democráticas e pró-democracia, para que o povo alemão encontrasse meios para construir estado pacífico e economicamente estável. Os países ocidentais tinham outros objetivos, completamente diferentes.

Para começar, os Aliados contavam com que o fracasso militar tivesse posto fim, para sempre, ao futuro da Alemanha como concorrente econômico. Segundo, desde o início os EUA viam a Alemanha como mercado gigante, maduro para ser explorado pelo grande capital alemão.

Em suas memórias, o marechal Zhukov observa um detalhe: cinco milhões de toneladas de aço fundido seriam suficientes para sanar todas as necessidades da Alemanha pós-guerra, mas os Aliados insistiam em que seriam necessárias dez toneladas, o dobro. Com dificuldades e depois de dias de negociações, concordaram em diminuir suas exigências para 8-9 milhões.

Mas a questão, para eles nada tinha a ver com necessidades do povo alemão: queriam era preservar todo o potencial militar e econômico das regiões ocidentais da Alemanha – escreve Zhukov.

Essa política dos Aliados assume sobretons de raro cinismo, se se considera que, diferente do que se via na parte ocidental do país – sob administração dos Aliados – onde praticamente todas as construções em aço haviam sido poupadas, no leste – área sob administração dos soviéticos – tudo estava em ruínas.

Attlee (E), Truman(C) e Stalin (Potsdam, jul. 1945)
Os mesmos objetivos – a saber, contribuir para expandir o potencial econômico e militar/econômico da parte ocidental da Alemanha – observaram-se nos esforços dos ex-parceiros da URSS para manterem longe de qualquer livro ou registro oficial as instalações industriais não necessárias, conforme os acordos de Potsdam, para manter as necessidades dos alemães no nível negociado pelos aliados; sem registro, aquelas instalações puderam ser destruídas ou confiscadas como reparação. Em 1947, mais de 450 instalações militares estavam sendo mantidas fora de qualquer registro oficial nas zonas sob administração dos britânicos e dos norte-americanos.

Já de olho numa futura confrontação com a URSS, as potências ocidentais viam o inimigo recém derrotado como força política e militar de contingência, a ser preservada. Os aliados ocidentais com certeza já contavam com a possibilidade de usar pessoal e equipamento de grandes unidades Wehrmacht, para promover seus objetivos.

Fato absolutamente comprovado e historicamente demonstrado é que foi o ocidente – não a União Soviética – que concebeu, promoveu e consumou o racha do território alemão.

Em setembro de 1946 havia gabinetes administrativos anglo-norte-americanos já instalados, que agiam independentemente na gestão da economia, do suprimento de comida e agricultura, transportes, finanças e comunicações. Ao final daquele ano, os Aliados ocidentais moveram-se, primeiro, para fundir as duas zonas ocupadas por EUA e Grã-Bretanha na Bizona; na sequência, anexaram a zona francesa, formando a Trizona. Foi criado um Conselho Econômico para essa economia unificada, como o Banco Deutscher Lander [lit. “das terras alemãs”], o qual em junho de 1948 começou a emitir o marco alemão que então circulou nas zonas ocidentais. Em abril de 1949, quando foram abolidas as leis do Conselho de Controle Aliado que haviam banido os setores industriais e declarado o fim do desmonte da produção militar.

Emissões do Deutscher Lander Bank em 1948-49
A crise de 1948 em Berlim, que rapidamente aprofundou o confronto entre os ex-aliados, desenvolveu-se sob a forma de uma Guerra Fria, que foi o golpe mortal contra qualquer esperança de preservar-se um estado alemão unificado. Em maio de 1949 foi anunciado o estabelecimento da República Federal da Alemanha.

Assim se vê que, sem dúvida, as potências ocidentais têm, sim, rica experiência em dividir uma entidade estatal e criar outra com os cacos resultantes. E, pergunta interessante: estará Kiev realmente cega à possibilidade de o ocidente ter planos de usar os recursos ucranianos para construir outros estados? Ou, quem sabe, está só fingindo que não vê esses planos?
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[*] Yuriy Rubtsov nasceu em 21/2/1957 em Kaliningrado, região de Moscou. Em 1980, graduou-se na Escola de Engenharia Naval Superior da FE Dzerzhinsky. De 1980 a 1996 serviu em unidades da Marinha. Desde 1987, ele serviu como oficial da Frota do Norte nos destróiers “Almirante Nakhimov” e “Almirante Isachenkov”. Nos anos de serviço no Norte começou a estudar Heráldica e História do Ártico. De 1991 a 1996 foi presidente da Sociedade Heráldica de Severomorsk e membro da Comissão de Heráldica da Frota do Norte, cargo que ocupou até o fim do serviço militar. Em 1993 graduou-se no curso de Formação em Serviço Público já sob o Governo da Federação da Rússia, hoje Academia Norte-Oeste da Administração Pública. Desde 1996, ele atuou na TV e na Rádio do Ministério Central de Defesa da Federação Russa (Moscou). Em 2004 foi transferido para a reserva no posto de Capitão (equivalente a tenente-coronel no Brasil). Foi premiado com 14 medalhas da URSS e da Rússia, entre eles: Comenda de Cooperação Militar, a “Distinguished Service” em 2º e 3º graus, e a medalha “Almirante Kuznetsov”. Atualmente é Vice-Presidente da Empresa “TSENKI” − Roscosmos e engenheiro-chefe do estúdio de televisão dessa empresa. Neste último local de trabalho foi premiado com a medalha Agência Espacial Federal por promoção e divulgação de atividades espaciais russas .Continua a se envolver com Heráldica apenas como amador. 

domingo, 11 de maio de 2014

O Banderastão ucraniano – tão feio quanto ridículo

10/5/2014, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido por mberublue


The Saker
Todos vimos as imagens oriundas de Mariupol hoje. Não é preciso postá-las aqui. Gente simples tentando deter uma gangue de bandidos pesadamente armados que se veem como uma espécie de “força especial”, cuja especialidade parece ser atacar civis desarmados ou muito mal armados.

Não seria correto comparar esses bandidos ucranianos com a SS, como alguns fizeram. Apesar de todos os seus erros a Waffen-SS lutava bem. Não apenas contra civis indefesos, como em combate real. Mas essas “unidades especiais” de Kiev ainda não conseguiram subjugar nem Slaviansk ou Kramatorsk! Claro, havia uma parada em Slaviansk em comemoração ao Dia da Vitória, onde Pavel Gubarev, o “governador eleito pelo povo” da região de Donetsk, usou da palavra em comício oficial. A mesma coisa em Kramatorsk, onde também aconteceu uma celebração do Dia da Vitória.

Pavel Gubarev, discursa em Slaviansk no Dia da Vitória (9/5/2014)
Incrível, n'é?

Segundo a contagem oficial de Kiev, estamos já na segunda fase da segunda “operação antiterrorista”; e as forças “especiais” ainda não capturaram sequer uma cidade, uma, que fosse!

Agora, há Mariupol. O que se passou ali foi quase tão repugnante quanto o massacre em Odessa.

A grande diferença é que em Odessa pelo menos a Junta não usou “forças especiais” uniformizadas, mas torcedores holligans e bandidos neonazistas especialmente deslocados de Kiev. Em Mariupol, forças “oficiais” uniformizadas atiraram contra civis. Com que objetivo, afinal? Quantos “terroristas” *armados* foram capturados ou mortos em Mariupol?

Em Slaviansk, um atirador disparou e conseguiu atingir no peito um garoto de 12 anos. Deve ser motivo de orgulho para os loucos em Kiev. A imprensa local está informando que o SBU (Serviço de Segurança Ucraniano [NT]) deve mandar reforços para Slaviansk. Ridículo.

Além disso, fiquem sabendo que o primeiro batalhão de soldados ucranianos convocados teve que ser mandado de volta para casa, depois de apenas 45 dias de “operações”. Pior ainda: todos os que, de alguma forma, participaram das “operações de combate” contra o povo do Donbass têm garantido o status oficial de “veteranos de guerra” com todos os privilégios inerentes à honraria.

Realmente, 
Glória à Ucrânia! 
Aos heróis, Glória! 
(slogan dos Ukie neonazistas).

Todo o tempo, essa miniguerra civil oscila entre a farsa e a aberração. Ontem vi um vídeo de Yulia Timoshenko, no qual ela avisava Putin de que o glorioso povo da Ucrânia derrubará o governo russo. Não, não estou brincando. Como o Ukie favorito de Nuland – “Yats” – que apareceu em algum ponto da “linha de frente” perto de Slaviansk para “encorajar as tropas”.

Mas meu favorito é um sujeito chamado Oleg Liashko, extravagante “pedo-cum-homo-sexual” (agora casado com uma mulher russa), e que se exibe metido num antigo uniforme de combate, negro, e aparece para interrogar “terroristas” capturados, como produtores de TV, ou mais recentemente, um “ex-ministro da Defesa” da República de Donetsk. Em seguida, os vídeos são enviados para YouTube, em aparente preparação para as próximas eleições presidenciais (suponho que reforçando as credenciais de Liashko como machão).

Oleg Liashko, de boné, interroga civil capturado como "terrorista"
(8/5/2014)
Oleg Liashko em "treinamento de combate"
Liashko não passa de mais uma figura particularmente curiosa, dessa galeria de doidos. Os interessados podem conhecer outros tipos de inacreditáveis nacionalistas ucranianos, como a notória Irina Farion (ex-comunista, agora convertida em nacionalista), ou Valentin Nalivaichenko, provavelmente o agente da CIA de mais alto escalão, na atual Junta.

Muitas vezes me refiro ao regime em Kiev como um “show de horrores”. Não o faço para ofender: apenas constato. O pessoal que tomou o poder em Kiev é quase completamente louco, e tudo o que fizeram até agora só confirma isso.

Começo a suspeitar de que não conseguirão impedir que aconteça o referendo marcado para amanhã, domingo. Francamente, tinha – e ainda tenho – sérias dúvidas sobre a habilidade das forças pró-Rússia no Donbass para organizar referendos em tão curto tempo, e em plena guerra, que não é menos cruenta por ser pequena. Mas se examino os loucos em Kiev e seu “balanço”, não vejo como conseguirão impedir o referendo, cada vez mais próximo (mas, sim: meu currículo de eventos previstos com sucesso na Ucrânia é horrível).

Primeiro, jamais me passou pela cabeça que a Criméia pudesse ser incorporada à Rússia. Aconteceu. Depois, duvidei da capacidade do pessoal do Donbass para enfrentar o regime de Kiev. Pois enfrentaram, pode-se dizer. Não de forma total, nem tão eficaz. Mas suficientemente efetiva para deter toda a máquina repressiva da junta neonazista, deixando-a paralisada. Francamente, não consigo creditar esse sucesso à Rússia ou Putin. Eles fizeram muito menos para destruir a Ucrânia como um Estado unitário do que fazem os loucos instalados em Kiev, que estão neste mesmo momento assustando e enfurecendo mais e mais o povo em Odessa e Mariupol. 

As coisas começam a degringolar a partir de agora, pelo menos para a Junta.

Em primeiro lugar, a Rússia anunciou que a menos que a Ucrânia faça o pagamento antecipado pelo gás a ser entregue em junho, a Rússia fechará a torneira. O prazo está correndo.

Segundo, embora eu esteja disposto a admitir que não faço a menor ideia de qual será o resultado do referendo, a menos que a maioria vote contra (coisa difícil de imaginar), não consigo ver como a Junta imagina conseguir submeter cidades enormes, como Donetsk ou Carcóvia, se, até agora, sequer logrou conquistar Slaviansk ou Kramatorsk, cidades muito menores.

Sim, sei do que dizem supostas pesquisas, mas não as considero: as “pesquisas” contradizem tudo que ouço de fontes locais. Mas... Se a maioria do povo do Donbass votar que prefere um Banderastão unitário dirigido por Junta de aberrações, para mim está ótimo. Seja como for, não vejo nenhuma razão para confiar nesta pesquisa. Nenhuma.

Se partirmos do princípio de que: 

A) o referendo acontecerá; e
B) que a maioria do povo do Donbass votará por uma declaração de independência (hipótese bem razoável), não vejo o que os Ukies possam fazer.

Terceiro, a crise econômica começará para valer em junho e não amainará em um futuro previsível. Se o Donbass pode sobreviver com a ajuda do dinheiro russo, o resto do Banderastão desabará no abismo econômico, no próximo verão. O que, pelo amor de Deus, podem os malucos de Kiev fazer para recuperar o controle da situação?

Quarto, se a crise atingir a Ucrânia tão duramente quanto prediz a maioria dos especialistas, dará muito combustível aos descontentes em cidades como Odessa, que em um mundo normal, deveria ser bastante próspera. O mesmo vale para Nikolaev ou Mariupol. Mesmo Kiev, costumava ser uma cidade próspera e bonita.

(Como não puderam ser traduzidas algumas postagens anteriores do Saker, acrescentamos a seguir 3 vídeos curtos dessas  postagens não traduzidas; são auto-explicativos e os acontecimentos se deram em Mariupol [Nrc])




Seria necessário um gênio, assessorado por staff governamental brilhante, com o apoio e confiança da grande maioria do povo, para arrostar o desastre multidimensional que está prestes a acontecer. Em vez disso, a Ucrânia é atualmente governada por gangue de malucos sórdidos e ignorantes. Não há modo de fazer funcionar. O Banderastão implodirá. Restará aos neonazistas, antes de tudo desabar, voltarem-se uns contra os outros, num desesperado, derradeiro acesso de fúria.

Nada há que EUA e União Europeia possam fazer para prevenir tais acontecimentos, exceto uma providência: sentar à mesa de negociações e conversar seriamente com a Rússia, conscientes de que estão em posição muito frágil para negociar e que a Rússia detém todas as cartas boas, inclusive uma crucial: o tempo.

Se EUA e União Europeia fecharem acordo realmente sério com a Rússia, talvez ainda se salve alguma coisa da “Ucrânia” – que será forçosamente bem menor do que hoje; que terá de eliminar os nazistas; e terá de ser, no mínimo, realmente neutra.

Infelizmente, a única solução pragmática seria muito humilhante para os palhaços pomposos dos EUA e da União Europeia. Para os EUA, seria humilhação ainda pior que o fracasso total de sua política para a Síria. Com poucas exceções, quase todos os políticos dos EUA/EU aplicaram toda a própria autoridade, o peso da própria influência, no apoio à parada de loucos em Kiev. Agora, têm de admitir que “o imperador está nu!”.

Como na fábula original:

O rei tremeu, desconfiado de que eles tinham razão. Mas o desfile tem que continuar”, pensou ele. Então andou ainda mais orgulhosamente que antes, e os vassalos ergueram mais alto a cauda da roupa que não estava lá.

O imperador está nu!
Se as coisas acabarão nesse tom, então, OK, o império está com os dias contados, e dele não restará muita coisa. Mas é difícil de engolir. Se a razão me diz que é quase inevitável, o instinto me diz que alguém, de algum lugar, de alguma forma, aparecerá com um truque de mágica tirado da cartola e, feito gato que cai da árvore, o império desabará sobre as próprias patas.

Só que todos os impérios têm de acabar e este já ultrapassou em várias décadas o tempo de validade. Ao colocar toda a própria autoridade a serviço de uma deplorável gangue de neonazistas malucos, os anglo-sionistas desacreditam-se, completamente, eles mesmos.

Que regime, que império algum dia sobreviveu a atos tão vergonhosos? Não sei de nenhum.

The Saker


sábado, 10 de maio de 2014

Hiper-hipocrisia de Kerry alcança a estratosfera

8/5/2014, [*] Finian CUNNINGHAM, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

John "MENTIROSO PATOLÓGICO" Kerry
Putin : "Ele [Kerry] mente abertamente. E ele sabe que mente"!
Como o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry consegue? Quando você começa a achar que a hipocrisia desse homem, a capacidade para mentir e enganar alcançaram os limites máximos, o principal diplomata norte-americano dá jeito de fazer mais um salto quântico, para re-engambelar o público. O pensamento irracional do homem já ultrapassou o ponto de não retorno: ninguém mais conseguirá resgatá-lo, de volta a órbita de diálogo humano inteligente.

O mais recente surto de Kerry aconteceu quando, tensíssimo, ele tentava desqualificar os referendos planejados para as regiões leste da Ucrânia, nesse fim de semana. As votações foram organizadas pelos residentes de Donetsk, Lugansk e Slavyansk, dentre outros locais, para determinar um novo arranjo constitucional para aqueles mesmos cidadãos. Pode acontecer de o referendo concluir a favor de uma Ucrânia federalizada, na qual cidades do leste como Carcóvia e Donetsk tornem-se autônomas em relação à capital, Kiev. Ou pode acontecer de o referendo concluir pela secessão, como o povo da Crimeia já decidiu fazer e já fez.

Qualquer observador razoável poderia ver, nos referendos, um momento admirável da democracia local em ação, quando as próprias pessoas determinam o sistema político de governo que desejam e as políticas sociais e econômicas associadas. Claro que um experiente diplomata dos EUA, que, aparentemente, só faz proclamar as virtudes da democracia, teria motivos para elogiar esse exercício popular de liberdade.

Nem tão claro assim.

Nada claro, no caso de John Kerry, nada claro no caso de todo o governo dos EUA. Kerry estava lívido, essa semana, ao falar dos referendos planejados para toda a Ucrânia. Falando ao lado de Lady Catherine Ashton, burocrata nomeada, nunca eleita, encarregada da política exterior da União Europeia, Kerry disse:

Rejeitamos completamente essa tentativa ilegal para rachar a Ucrânia (...) É o manual da Crimeia, outra vez.

A referência pejorativa à Crimeia foi golpe baixo; Kerry falava do referendo legal e perfeito realizado na península do sul, dia 16/3/2014, quando vasta maioria dos votantes crimeanos decidiu separar-se da Ucrânia e requerer sua reincorporação à Rússia.

Catherine Ashton (E), Secretária de Relações Exteruores da UE e John Kerry, Secretário de Estado dos EUA abraçados na MESMA MENTIRA (6/5/2014)
Os norte-americanos são absolutamente incapazes de conviver com essa realidade legal e democrática; então, se põem a tentar denegrir a própria prática democrática; por isso falaram do “manual da Crimeia”, como se fosse algum perigoso “golpe” cerebrado pelos russos para “roubar terra” e territórios ucranianos. O golpe é sempre o mesmo, onde se veja a mão de Kerry: se você não tem razão nem argumentos a seu favor, então, ofenda quem estiver por perto.

Kerry referiu-se ao exercício democrático de autodeterminação no leste da Ucrânia como “ridículo”; e ameaçou que, se o referendo prosseguir, Washington castigará a Rússia com sanções econômicas mais duras. ATENÇÃO: Observem aí a falsa premissa, que Kerry apresenta como se fosse fato verdadeiro: a Rússia seria culpada por o povo da Ucrânia estar exercendo o direito universal à autodeterminação...

Em mais uma escandalosa pirueta mental, o Ministro de Relações Exteriores de Washington insiste em que as eleições presidenciais marcadas para 25/5/2014, pela junta neonazista/neofascista apoiada pelo governo de Obama em Kiev são eleições legítimas e invioláveis. A junta de Kiev, presidida pelo autoproclamado primeiro-ministro e “amigo” de Washington, Arseniy Yatsenyuk [“Yats” – como o chama Victoria Nuland], tomou o poder dia 22/2/2014, depois de invadir o gabinete do presidente eleito, Viktor Yanukovich. ATENÇÃO, Sr. Kerry: isso, sim, são fatos! Aqui não há uma linha de opinião subjetiva.

Victoria "Foda-se a UE" (C) ladeada por elementos da "Junta de Kiev; à direita dela o "inefável" chefe do Partido Nazista Svoboda, Oleh Tyahnybok; atrás vemos o ex-boxeur Vitaly Klitschko; e à esquerda dela o não menos "inefável" Yats! 'Taí o Banderastão! 
Assim sendo, na cabeça de Kerry, a eleição presidencial é válida, apesar de convocada por uma gangue de golpistas, cuja “autoridade” é, para dizer o mínimo, muito precária. Mas os referendos que a população exige e quer realizar no leste e no sul da Ucrânia, e a serem realizados com autoridade inerentemente democrática indiscutível, seriam “ridículos”, “uma farsa”... Que tipo de raciocínio é esse?! É como se Kerry e os norte-americanos já tivessem perdido completamente a vergonha, qualquer vergonha, e, agora, só fizessem repetir que “sim, porque sim, porque sim, porque queremos que assim seja, e acabou a conversa”...

Kerry ameaçou que, se Moscou não apoiar a realização de eleições presidenciais como Kiev deseja, no final de maio, será a ‘'linha vermelha'’ para mais sanções econômicas contra a Rússia.

Por sua vez, o Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que realizarem-se eleições em pleno surto de agitação e violência em toda a Ucrânia [e antes de ter sido feita a reforma da Constituição] é “absurdo”. Muita gente concorda com esse argumento racional e claro.

Só na semana passada, morreram cerca de 90 pessoas em batalhas de rua entre forças armadas pró-Junta-de-Kiev apoiadas pelo ocidente, e brigadas de autodefesa popular, que continuam a ser formadas em dúzias de cidades e vilas. Essas milícias refletem a oposição das comunidades locais contra o regime dos golpistas de Kiev apoiados pelo governo Obama/União Europeia. A pior violência aconteceu no porto de Odessa, no Mar Negro, na 6ª-feira passada (2/5/2014), onde mais de 40 manifestantes anti-Kiev foram mortos, quando o prédio onde estavam foi invadido e incendiado por apoiadores da junta neonazista de Kiev. Tragicamente, as vítimas haviam participado de manifestação pacífica a favor de um referendo para decidir sobre a federalização, como na região do leste do país.

Nazistas do Partido Svoboda e o Pravy Sektor não abandonam a Praça Maidan
Quase a metade – talvez muito mais que a metade – da população total de 45 milhões de ucranianos veem a junta-em-Kiev como governo de impostores, sem mandato democrático. O regime de Kiev pode ter apoiadores na Praça Maidan e na região oeste do país, em torno de cidades como Lviv. Mas esse apoio absolutamente não implica autoridade legal para governar o país. Aos olhos de muitos ucranianos, sobretudo russos étnicos do leste e do sul, o único mandato que a junta de Kiev tem para governar lhes chegou de fora para dentro – de Washington, Berlin e outros aliados europeus.

Para os manifestantes anti-Kiev, federalistas ou pró-Rússia, o que está acontecendo no país deles é um processo de golpe para “mudança de regime” apoiado pelo ocidente, que pôs no poder um regime neonazista – um governo que acolhe a colaboração de fascistas ucranianos, que tiveram participação ativa no extermínio em massa de milhões de ucranianos eslavos, durante a IIª Guerra Mundial.

Essa mudança de regime fomentada e facilitada foi a culminação de três meses de violentos movimentos de rua provavelmente provocados e sustentados pela CIA, com ocupação de prédios públicos. O massacre de mais de 100 manifestantes e policiais da política antitumultos (os “Berkut” ucranianos) dia 20 de fevereiro, por atiradores espalhados pelos prédios em torno da Praça Maidan e a serviço dos golpistas, foi a gota d’água, que forçou o presidente a abandonar o governo; na sequência, a junta neonazista apoiada pelo ocidente assumiu o poder. A junta é constituída de membros do partido fascista “Partido da Pátria” e de neonazistas do partido Svoboda, cujos paramilitares organizados no chamado “Setor Direita” (Pravy Sektor) constituem hoje a “guarda nacional” e “forças policiais especiais” empregadas na repressão a manifestações que continuam a surgir em todo o país.

John Kerry sempre foi homem de duas caras e duplipensar
Sinal claro da ilegalidade que o ocidente gerou para a Ucrânia, a junta em Kiev está pagando “prêmios” em dinheiro para policiais e informantes que ajudem a reprimir a oposição política. Já se vê bem claramente que a mudança-de-regime à moda EUA nada tem a ver com democracia ou favorecer a associação do país com a União Europeia: o projeto é, todo, do começo ao fim, movimento geopolítico mais amplo de agressão contra a Rússia.

A hiper hipocrisia e o duplipensar de Kerry exemplificam o problema geopolítico mais amplo de por que os EUA tanto precisam escalar o conflito com a Rússia. Os EUA não podem deixar espaço aberto à vigência e à aplicação de leis internacionais, sequer pode haver espaço para diálogo, por simples que seja, porque os EUA agem sempre, integralmente, à margem da lei, um estado-criminoso, que não teria qualquer dever de agir legalmente.

Vladimir Putin
Isso, precisamente, foi o que escreveu o presidente Vladimir Putin da Rússia, em coluna no New York Times, ano passado (11/9/2013):

Analisei atentamente o pronunciamento do presidente Obama à nação, na terça-feira. E gostaria de discordar do que ele disse sobre o excepcionalismo dos Estados Unidos. É extremamente perigoso encorajar as pessoas a considerarem-se elas mesmas excepcionais, seja qual for a intenção. Conclusão inescapável desse tipo de ideia é “somos a raça eleita”.

Por que, então, a surpresa? Sempre foi perfeitamente esperável que Washington, mais dia menos dia, se pusesse a colaborar com neonazistas em Kiev. O governo dos EUA trabalhar aliado a fascistas totalitários não é nem novidade nem contradição: é “avançada” natural...
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[*] Finian Cunningham nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.