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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sobre o plano de ação da União Europeia “para responder à propaganda russa”

24/5/2015, Ministério de Relações Exteriores da Rússia 1269-24-06-2015  
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
As propostas para traçar uma estratégia para “responder à propaganda do Kremlin”, preparadas por Federica Mogherini, Alta Representante da União Europeia para Assuntos Estrangeiros e Política de Segurança, e que foram apresentadas no Conselho de Assuntos Gerais da União Europeia ontem, dia 23/6/2015, visam obviamente a condenar a Rússia ao ostracismo, fora do palco da mídia internacional.
Ao mesmo tempo em que requenta o mito da propaganda russa, a União Europeia vive de censurar a liberdade dos veículos de mídia que deem cobertura jornalística profissional aos eventos europeus e mundiais, que atraem leitores, mas diferem da posição oficial da União Europeia.
A União Europeia já incluía jornalistas russos em suas listas de exclusão (sanções), e agora tenta criar condições para “discriminação no atacado” contra a imprensa russa.
Ao privar milhões de europeus do direito de acesso a diferentes fontes de informação, a União Europeia infringe o direito fundamental e universalmente reconhecido à liberdade de expressão, e todos os seus compromissos com a liberdade de informação e com a pluralidade no noticiário.
– FIM DO COMUNICADO –

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A crise do jornalismo face aos novos desafios da comunicação pública


Carlos CAMPONEZ [Universidade de Coimbra, Portugal], s/d
Enviado pelo pessoal da Vila Vudu

A actual crise dos media deve-se, em grande parte, ao facto de eles fundarem a sua legitimidade numa concepção individualista de liberdade que confunde liberdade de expressão, liberdade de imprensa e liberdade de empresa”.

A liberdade de expressão só para as empresas “de jornalismo”, de fato, não passa de variante ideológica da liberdade (liberaloide) de empreender e da liberdade (liberaloide) que os mercados ditos “livres” reivindicam como direito exclusivo, reservado, só deles”.


Entre a crítica e os “deslizes” contínuos da “mídia”

A crítica dos media não é um fenómeno contemporâneo. Voltaire dizia, já no século XVIII, que

«A imprensa, é preciso admiti-lo, tornou-se num flagelo da sociedade e numa pilhagem intolerável»  [1](3)

Balzac, no século seguinte, concluia a Monographie de la Presse Parisienne com o conhecido axioma:

«Se a imprensa não existisse, seria necessário não inventá-la»[2](4)

Interessa-nos, porém, perceber o renovar do debate e da crítica pública sobre o jornalismo [3](5), sobretudo a partir dos finais da década de 80, princípios da década de 90. Estamos numa altura rica em acontecimentos, desde a queda do Muro de Berlim às guerras na Somália, na Jugoslávia, no Golfo Pérsico. Trata-se, além do mais, de um período marcante também do ponto de vista das mudanças tecnológicas e do impacto das políticas neoliberais no sector dos media, como é o caso da desregulamentação dos sectores do audiovisual e das telecomunicações, na Europa e nos EUA, bem como a formação dos grandes grupos multimédia mundiais, um processo que se acelerou sobretudo no final dos anos 90.

Não temos qualquer pretensão de exaustividade perante a multiplicidade de situações e a riqueza do debate em torno das derrapagens éticas e deontológicas das coberturas jornalísticas dos media neste período. Permita-se-nos, no entanto, recordar a polémica em torno da cobertura jornalística dos acontecimentos em Timisoara, na Roménia, na Guerra do Golfo, no conflito da Jugoslávia, ou em casos em torno de figuras famosas, como Diana, O. J. Simpson e Bill Clinton/ Monica Lewinsky. Se, nestes casos, fomos, em Portugal, mais espectadores que protagonistas, também é verdade que temos as nossas especificidades para contar: Timor-Leste, ponte de Entre-os-Rios, Casa Pia, a morte de Fehér, só para referir alguns casos que, pela sua força, mais polémica geraram ou ainda continuam a ser tema de discussão.

Em 1991, a associação Médias 92 fazia um levantamento crítico dos erros mais comuns cometidos durante a Guerra do Golfo: não identificação das fontes de informação; manipulação dos media pelas autoridades oficiais políticas e militares; monopólio da informação bruta por um único medium (no caso, a CNN) que desempenhou um papel de «oráculo» e de «grossista de imagens»; subordinação da informação e da programação aos imperativos do directo; selecção das informações com base no critério da audiência em detrimento do critério da importância; tratamento hiperbólico da informação tendo por base uma cobertura jornalística em contínuo; cortes arbitrários de entrevistas, utilização de pequenas frases fora do seu contexto e traduções incorrectas; cronologia defeituosa e ausência de datação dos acontecimentos ou dos documentos apresentados; confusão entre as opiniões pessoais dos jornalistas e os seus comentários sobre a actualidade; vedetismo dos jornalistas, por vezes ultrapassando o exercício normal da profissão; corrida à cacha jornalística, à dramatização, à emoção, em resultado da forte concorrência entre os media, as televisões, as redacções e os próprios jornalistas (6)[4].

Não seria muito difícil encontrar estas e outras marcas de derrapagens jornalísticas nos casos portugueses já acima referenciados. No caso da cobertura jornalística do período pós-referendo em Timor-Leste, muitas destas questões puderam ser disfarçadas pelos fortes constrangimentos que pesaram sobre a cobertura jornalística, associada à ideia de uma causa nacional que justificou ou, pelo menos, desculpabilizou os meios utilizados e os erros cometidos[5](7). Mas no caso da ponte Hintz Ribeiro, em Entre-os-Rios, os excessos foram por demais evidentes.

Entrevistas a crianças, interpelação de populares em visível estado de comoção, cobertura extensiva e em directo da tragédia, a folclorização mediática do evento e a degenerescência informativa sob o efeito da concorrência das estações televisivas em busca das audiências, são algumas das referências que podemos encontrar na crítica do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas à cobertura do acontecimento  [6](8). A exaustiva cobertura televisiva transformou o jornalista numa espécie de animador com a função de não deixar espaços em branco durante as emissões desse «Show da Morte» [7](9), tentando trazer as famílias das vítimas para o palco das emoções para lhes perguntar: como se sente? A cobertura jornalística do caso Casa Pia ou, mais recentemente, da morte de Fehér – e, certamente, outros virão – têm servido apenas para reactualizar este debate, não obstante os pareceres das entidades reguladoras e os códigos deontológicos que regem a profissão.

Num levantamento dos textos deontológicos ocidentais, Jean-Marie Charon identifica os valores que regem a profissão.

Em primeiro lugar, destacam-se as questões relacionadas com princípios fundamentais: o respeito pela liberdade de informação, pela Justiça, pelo Estado de Direito e pela verdade/objectividade.

Em segundo lugar, seguem-se os aspectos relacionados com o respeito pelo público: não criar confusão entre informação, publicidade, promoção e propaganda; não truncar a informação; não mentir; não caluniar; não acusar sem provas; ser exacto; não espectacularizar; não discriminar; rectificar os erros.

Em terceiro lugar, aparecem os temas centrais dos códigos deontológicos do jornalismo, relacionados com o tratamento das fontes de informação: o respeito do segredo profissional; a não utilização de métodos de investigação desleais, tais como o recurso à compra de documentos; o respeito pela vida privada; a recusa da calúnia, da injúria e da acusação sem provas; a não alteração ou deturpação de documentos; a identificação das fontes, bem como a distinção entre factos e opiniões ou comentários dos jornalistas.

Finalmente, encontramos um conjunto de regras referentes à conduta entre jornalistas e ao respeito pela própria profissão: reconhecer ou apenas aceitar a jurisdição dos seus pares; recusar o plágio; recusar prendas, viagens, privilégios ou benesses; e respeitar o regime de incompatibilidades [8](10). Em traços gerais, este levantamento é coincidente com outros efectuados por Tiina Laitila [9](11), Benoît Grevisse, Claude-Jean Bertrand, Daniel Cornu, entre outros, sobre os códigos deontológicos do jornalismo europeu e ocidental.

A questão que parece resultar da análise que acabámos de fazer não pode ser outra que a constatação de um impasse: o consenso em torno das normas e dos princípios deontológicos não consegue, por si só, evitar as cíclicas derrapagens da cobertura jornalística, sobretudo em acontecimentos mais mediáticos e susceptíveis de mobilizarem as audiências.

Este facto põe em causa a capacidade de autorregulação dos jornalistas e dos media.

Mas, também aqui, nada de substancialmente novo. Jean-Claude Guillebaud dizia, em 1991, a propósito das críticas acerca da cobertura jornalística da Guerra do Golfo: «De crise em crise, o julgamento dos media prossegue. Mas não necessariamente avança. Conduzido muitas vezes pelos próprios media, hesita entre o exorcismo colectivo, a auto-flagelação e a explicação mono-causal, mais ou menos sentenciosa» [10](12)

O debate em torno das questões deontológicas do jornalismo arrisca-se a cair num cinismo tanto mais evidente quanto mais ele procura iludir as fragilidades dos próprios códigos. A este respeito diz-nos Mário Mesquita: «A deontologia constitui um instrumento de aperfeiçoamento dos jornalistas, individualmente considerados, ou um factor de identidade da profissão no seu conjunto. Mas não possui virtualidades suficientes para explicar as transformações políticas, económicas, sociais, tecnológicas e retóricas da comunicação social, nem as frequentes “derrapagens” mediáticas. A imagem das empresas e dos jornalistas pode reforçar-se ou melhorar com a revalorização da “ética profissional”. Chega sempre o momento das homenagens que “o vício presta à virtude”.

Mas a deontologia-todo-poderosa, salvadora dos cidadãos, essa, só existe na imaginação generosa dos ingénuos ou na estratégia cínica de alguns “comunicadores”» [11](13). João Pissarra Esteves, salienta, por seu lado, a componente ideológica da deontologia no discurso profissional dos jornalistas. «O seu discurso de superfície assume a intencionalidade ética de projectar os media como instrumentos fundamentais da democracia – com base na sua função informativa e num conjunto de valores de referência (neutralidade, verdade, objectividade, distanciamento, etc.). Mas a grande ilusão desta ideologia está na crença de que os jornalistas, só por si e sem qualquer mudança estrutural profunda, podem condicionar decisivamente o funcionamento democrático dos media» [12](14). (...).

Conclusão
Se é verdade que, retomando Wolton, poderíamos dizer que a inovação tecnológica, o fim das ditaduras, o reconhecimento da liberdade de expressão e a superação da debilidade económica dos media aumentaram o seu poder e a sua visibilidade, também não deixa de ser verdade que, concomitantemente, a sua legitimidade tem vindo a ser cada vez mais questionada.

A actual crise dos media deve-se, em grande parte, ao facto de eles fundarem a sua legitimidade numa concepção individualista de liberdade que confunde liberdade de expressão, liberdade de imprensa e liberdade de empresa. Ora, o direito à comunicação é muito mais que um direito de expressão. Ao retirar aos media o monopólio da opinião, estaremos a reduzir o seu poder no quadro da determinação da opinião pública, mas estaremos também a delimitar-lhe as suas responsabilidades e a sua legitimidade. [o que é muuuuuuuuito necessário, urgentíssimo, se queremos ter melhor democracia (Vila Vudu)].
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Bibliografia

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WOLTON, Dominique, Pensar a Comunicação, Algés, Difel, 1999.


Notas de rodapé

[1](3) Apud Alain WOODROW, Les Médias – Quatrième pouvoir ou cinquième colonne ?, Paris, Félin, 1996, p. 11.
[2](4) Honoré de BALZAC, Les Journalistes – Monographie de la presse parisienne suivi Des salons littéraires, Paris, Arléa, 1999, p. 143.
[3](5) Élizabeth Martichoux faz eco desse debate em França, através de publicações que foram sucesso de vendas, como foi o polémico livro de Pierre PÉAN e Philippe COHEN, La Face Cachée du Monde (221 mil exemplares vendidos em Setembro de 2003). Élizabeth MARTICHOUX, Les Journalistes, Paris, Le Cavalier Bleu, col. «Idées Reçues – Économie & Société», 2003, p.21.  
[4](6) MÉDIAS 92 e Bertrand COUSIN, Propositions Sur la Déontologie de L’Information – Presse écrite, radios et télévisions, 5 de Fevereiro de 1991. Apud Jacques LEPRETTE e Henri PIGEAT (org.), Éthique et Qualité de L’Information, Paris, Presses Universitaires de France, col. «Cahier des sciences morales et politiques, 2004, p. 28.
[5](7) Cf. Jornalismo e Jornalistas, nº1, Janeiro – Março, 2000.
[6](8) Cf. Jornalismo e Jornalistas, nº 5, Abril-Junho de 2001, pp. 6 a 8. O destaque deste número foi dedicado ao tema «Entre-os-Rios e o Jornalismo», com base no debate realizado na imprensa acerca da cobertura jornalística efectuada aos acontecimentos.
[7](9) José Pacheco PEREIRA, «O “Show” da morte», Jornalismo e Jornalistas, op. cit., p. 8.
[9](11) Tiina Laitila, «Journalistic codes of ethics in Europe», European Journal of Communication, vol. X, nº 4, pp. 527-544, 1995.
[10](12) Jean-Claude GUILLEBAUD, «Crise des médias ou de la démocratie ?», La Revue Nouvelle, nº 6, Junho, 1992, p. 36.
[11](13) Mário MESQUITA, «A turbodeontologia», in: Público, 16 de Março de 2001. Este texto pode ser encontrado na revista Jornalismo e Jornalistas, op. cit., p. 13.
[12](14) João Pissarra ESTEVES, A Ética da Comunicação e dos Media ModernosLegitimidade e poder nas sociedades complexas, Lisboa, Gulbenkian/JNICT, 1998, p. 22.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Da violência, à resistência


31/5/2003, Paolo Virno [1], Clarín, Buenos Aires
 (trad. ao espanhol de Cristina Sardoy)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Paolo Virno

“A cooperação social não remunerada, mesmo o pouco que se encontra dela hoje em dia – e, mesmo que ainda seja vista como fetiche – tem um potente traço de trabalho humano; recupera para a produção o corpo e a vida de boa qualidade; o sentimento vivido dos relacionamentos; o prazer de conhecer e compreender; e o desejo de organizar, com a máxima inteligência tática disponível, a indignação e a ira de cada um. Dentro dessa zona diacrônica do dia de trabalho também se situa o problema do hedonismo, da felicidade realizada, do poder restaurado da categoria do indivíduo, bem além de todas as paródias ideológicas do self”.
(Paolo Virno, “Sonhadores de uma vida bem-sucedida”, Autonomia, 1980)




“Não se pode questionar o trabalho assalariado sem introduzir uma poderosa ideia de liberdade de expressão; não se pode falar a sério de liberdade de expressão sem, simultaneamente, trabalhar para suprimir o trabalho assalariado”. (Paolo Virno, Lessico Postfordista)


Tudo aconselha a não se deixar arrastar por nenhuma forma de fetichismo no que tenha a ver com violência e não violência. Claro: é idiota identificar a radicalidade de uma luta e sua taxa de ilegalidade. Mas também é idiota elevar a indulgência a critério inoxidável para a ação. Por outro lado, não há por que se preocupar demais: no que se refere ao conflito, a passagem da latência à visibilidade sempre se encarrega de alterar os “princípios eternos” adotados de tempos em tempos pelos políticos profissionais assalariados.

Quanto à velha, mas nunca esgotada, questão das formas de luta, a discussão anda em círculos, dando lugar a sofismas simplórios e a citações sempre repetidas. Se se analisa bem, a questão sofre os efeitos em cadeia de uma mudança drástica de paradigma teórico. Uma tal mudança que é capaz de separar o que parecia inseparável e juntar o que parecia vivem em antípodas. Em resumo: a luta contra o trabalho assalariado, diferente da luta contra a tirania, já nada tem a ver com a enfática perspectiva da “tomada do poder”. 

Justamente por causa das características já muito avançadas dessa luta, aparece como transformação inteiramente “social”, que enfrenta bem de perto o “poder”, mas sem sonhar com alguma organização alternativa do Estado. Pelo contrário, visa a fazer contrair-se e a extinguir toda forma de mando sobre a atividade de homens e mulheres e, por tanto, nu e cru, visa a extinguir o Estado. É como se se dissesse: antes, a “revolução política” foi considerada premissa inevitável para modificar e transformar as relações sociais; agora esse botim que se colhia depois, passa a ser o primeiro passo, preliminar.

A luta só pode levar a termo sua índole destrutiva na medida em que já surge outro modo de viver, de comunicar, inclusive de produzir. Só quando já há algo a perder, além das próprias cadeias. O tema da violência, idolatrado e exorcizado, sempre esteve, contudo, associado aos dois gumes da “tomada do poder”. O que acontece quando se considera a forma existente de Estado como a última forma possível, digna de corromper-se e cair em ruínas, mas não – não, certamente não –  de ser substituída por algum Hiperestado “de todo o povo”? A não violência passaria por acaso a ser o novo culto a ser ritualmente pregado e praticado? Não entendo por que devesse ser assim.

Em todo caso, há aqui um paradoxo imprevisto: o recurso à força deve ser concebido em relação a uma ordem positiva que se deve defender e salvaguardar. O êxodo do trabalho assalariado não é gesto algébrico, não é o que resta no côncavo quando de lá se retira o convexo. Fugindo do trabalho assalariado, nos obrigamos a construir relações sociais diferentes e novas formas de vida: é preciso amar muito ativamente o presente e é preciso inventar muito. Portanto, o conflito se travará para preservar esse “novo” que, no processo, foi sendo instituído. Violência, se há, não acontece contra as “manhãs que cantam”, mas para prolongar algo que já existe mesmo que exista informalmente.

Ante a hipocrisia ou a credulidade distraída que marcam hoje a discussão sobre o que seria legal ou ilegal, é preciso voltar a uma categoria pré-moderna: o “ius resistentiae” [direito de resistência, direito de resistir]. 

Com essa expressão, não se entendia no Direito Medieval, é claro, a óbvia faculdade de defender-se se agredido (a chamada ‘legítima defesa’). Mas tampouco se entendia uma sublevação geral contra o poder constituído. É claramente diferente de seditio e rebellio, casos em que o levante dá-se contra o conjunto das instituições vigentes, com o objetivo de edificar outras. 

O “direito de resistir” tem significado bastante específico e peculiar. É (ou pode ser) exercido quando uma corporação de artesãos, ou toda uma comunidade ou, mesmo, quando um só indivíduo entende, sente, vê que algumas de suas prerrogativas positivas, válidas de fato ou por tradição, foram modificadas.

O principal ponto do ius resistentiae (direito de resistir, direito de resistência), o que constitui seu principal interesse em termos da questão da legalidade ou ilegalidade, é a defesa de uma transformação efetiva, tangível, “já” ocorrida, das formas de vida. Os passos grandes ou pequenos, os deslizamentos ou as avalanches, da luta contra o trabalho assalariado admitem ilimitado direito de resistir – mas excluem qualquer teoria da guerra civil.




Nota dos tradutores
[1] Leia mais sobre Paolo Virno (Nápoles, 1952). Veja também a relação de suas obras traduzidas ao inglês e francês.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Google quer mais, mais, mais...


28/1/2012, Martin J Young, Asia Times Online (Excerto)
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido de um morador da Vila Vudu: Engraçados esses papins da “liberdade de expressão” e da “democratização da comunicação”, que nuuunca discutem o modelo de negócio da imprensa-empresa como a conhecemos. 
E ficam aí os liberais “éticos”, a exigir direitos que os liberais pressupõem que teriam.... Por direito divino, talvez?! 
Os liberais fazem papel ridículo! 
Os liberais a exigir “liberdade de expressão” e “democratização da comunicação” são como o sabão OMO discursando para defender direitos à livre manifestação do pensamento do sabão OMO... 
VOCÊ SÃO A MERCADORIA, sô! Acordem! Desde quando a mercadoria tem direitos?! Desde quaaando, pêqmepê?!

HUA HIN, Tailândia – A empresa Google anunciou essa semana que está consolidando suas políticas de privacidade e que reunirá todos os dados de cada usuário num só perfil. Significa que os dados de cada usuário do Gmail serão combinados com dados de pesquisas que o mesmo usuário tenha feito em YouTube, Maps, Google+, Picasa, Chrome e de todos os demais serviços de Google.

A empresa diz que usará essa quantidade gigantesca de dados pessoais digitais para melhor planejar as campanhas publicitárias. Sabendo mais sobre como as pessoas comportam-se online e rastreando os passos de todos por outros pontos da rede, a empresa poderá construir e oferecer melhores campanhas publicitárias aos seus anunciantes, cobrar mais caro e lucrar mais.

A empresa Google recebe informações sobre seus usuários cada vez que usam telefones Android, pesquisam na Internet, entram em suas contas Google, veem mapas e assistem a vídeos em YouTube. Os usuários não têm alternativa e estarão necessariamente presos nessa nova política de privacidade, que estará implantada dia 1º de março.

Já está publicado um anúncio nas páginas Google, em que se lê:
“Estamos alterando os termos de nossa política de privacidade. É importante. Informe-se.” Em pouco tempo, o Big Brother da Internet saberá muito mais sobre você, que sua própria mãe.

No último trimestre, a empresa teve pequena e rara queda nos lucros; e informou que o lucro médio da empresa por clique nos anúncios caíra 8% em relação ao mesmo período de 2010. O lucro líquido da rede foi de US$8.31 bilhões, inferior ao que os analistas previam ($8.37 bilhões). Depois dessas notícias, a cotação das ações de Google caiu 9%.

Bem visivelmente, a empresa Google trabalha para manipular esses perfis de usuários para conseguir vender mais anúncios, depois de ter intoduzido mudanças nas páginas de busca, que refletem resultados da própria rede social, Google+, à custa da concorrência, Facebook e Twitter. 

Se o modelo de negócios de serviços Google gratuitos, pagos com a renda da publicidade continuar, o usuário deve habituar-se a ver-se como produto vendido, não como consumidor.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

“LIBERDADE DE EXPRESSÃO” É FALAR O QUE O DONO QUER

Laerte Braga

O Departamento de Estado, a Secretária de Estado para ser mais preciso, Hillary Clinton, ficou maravilhada com o relatório do agente William Waack sobre as possibilidades do candidato José Serra. Waack, que faz plantão na GLOBO no estilo sério – não sabe o que é isso – fez uma análise pré-eleitoral onde afirmava que Serra iria vencer. O comunicado aos patrões, os donos, foi feito via embaixada dos EUA no Brasil.

Deu tudo errado.

Um dos grandes problemas da mídia norte-americana é evitar que venham a público as brigas do casal Obama. Michele não agüenta mais, dizem uns poucos jornais e assim mesmo de periferia, as escapadas do marido com atrizes. Tentativa de imitar John Kennedy, pena que falte Marilyn Monroe.

Seguram as pontas também no que diz respeito aos documentos secretos revelados pelo site WikiLeaks.

No Brasil então nem é preciso recomendar à mídia privada que faça isso. É só estalar o chicote que William Waack sai pressuroso a fazer essas análises perfeitas onde tudo acontece ao contrário. A mesada deve diminuir, só essa conseqüência.

Waack cumpre um papel importante em mentir diariamente através dos telejornais da GLOBO e iludir uma parcela ponderável da opinião pública com aquele jeito de jornalista. Não é. Mande recitar o código de ética da profissão. É agente estrangeiro numa empresa que funciona como laranja do governo dos EUA.

E assim vai a FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, ESTADO DE SÃO PAULO, ESTADO DE MINAS (o controle acionário não sei de quem é, mas da vergonha dos caras é de Aécio e sua turma, cortam até vírgula).

As últimas revelações do site WikiLeaks falam em pedido de um general Padilha, colombiano, traficante, no governo do narcotráfico, o de Álvaro Uribe, para que o presidente da Venezuela seja espionado, o do Equador idem e as informações coletadas repartidas com a Colômbia.

Em troca o general dava a mãe, a mulher, os filhos, as forças armadas colombianas e a própria Colômbia.

Os EUA, lógico, não aceitam de primeira para regatear, tomam conta na segunda.

São os tentáculos da elite como disse Julian Assange.

Silêncio total da mídia privada/vagabunda brasileira (e latino-americana) que vive pedindo e clamando por liberdade de expressão.

Quem é que vai dizer que os norte-americanos estão nos documentos, consideram que militares latino-americanos são susceptíveis de serem cooptados (comprados com brinquedinhos que soltam fogo) e golpistas.

Todo mundo sabe disso. A imensa e esmagadora maioria das forças armadas de países latino-americanos bate continência para Washington e se a turma exigir cai de quatro e levanta o rabo.

E cooptados é um termo leve, imagine quanto o tal brigadeiro comandante da Força Aérea “Brasileira” não ganhou de mimos para defender a compra de aviões fabricados pela Boeing. Que nem o general Heleno, comandante da VALE, quando permitiu ataques às reservas indígenas.

A mídia privada no Brasil é podre, fétida e sabe disso, não liga à mínima. Importante é prestar serviços aos donos, mentir, defender de mentirinha a liberdade de expressão, a canalhice diária de jornais, rádios e tevês, semanal ou mensal de revistas.

E colocar Julian Assange contra a parede agora da tal “segurança internacional”. A não ser que façam a coisa manu militari, ou seja, percam a vergonha total, neste momento, americanos e os povos da Europa colonizada já pensam duas vezes que entraram numa fria na armação contra o fundador do site.

O curso do processo vai custar caro e muitos outros documentos.

Vai ser longo. Rápido, só se passarem por cima das leis da antiga Grã Bretanha, hoje colônia e base militar norte-americana. Os ilhéus ainda gostam de fingir que aquilo lá é uma nação.

Pelo menos para contar ao resto do mundo que o império onde o sol não se punha virou adereço da antiga colônia da América do Norte.

Grã Bretanha só em filme antigo e aqueles negócios de rainha Vitória e piratas.

Imagino general colombiano negociando com embaixador dos EUA a troca de informações sobre Hugo Chávez e a cessão de uma base militar ao irmão do norte, rico e poderoso em brinquedinhos que cospem fogo.

General colombiano é que nem viciado longe da droga quanto encontra uma graminha ali. Cai e pasta.

Quando vê F-18 voando então, aí tem orgasmo e começa a gritar que é patriota. Os militares brasileiros são idênticos. Foram bem, adestrados.

Lá pelas tantas não percebe que é borboleta com várias cores e matizes, tudo terminando em malas de dólares.

Os bancos? Suíços ainda são os mais seguros. O país onde Hitler guardava o seu dinheirinho não perdeu o velho cinismo.

Lula deu uma traulitada nessa dita mídia nacional “independente”. Os caras nem reagiram, iriam ter que discutir o assunto e isso não interessa a eles.

O que interessa é o show e está chegando a edição de 2011 do Big Brother Brasil. Felicidade geral e alienação idem.

O prostíbulo em sua casa. Tem diferença de general colombiano e de embaixador dos EUA?

Ou de William Waack fazendo análise para o Departamento de Estado?

Queria ver como o cara, ou o Wiliam Bonner, nos documentos que constam torturas, estupros, seqüestros, assassinatos, etc, todo o repertório, como os caras iriam falar. “Fadas da liberdade”, ou terroristas?

Eles escondem, sentam em cima e ganham uma nota para fazer o leitor, telespectador, ouvinte, que distinto seja, de bobo.

É a “liberdade de expressão deles”.  A expressão dos que pagam, logo, compram.

Vai um Moreira Franco aí? Tá baratinho, saiu do túmulo, está meio decomposto, muito formol, coisa de dez por cento, se quiser levar inteiro, tá soltando pedaço, faço por oito por cento.