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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

China vai apertar o controle sobre as escolas de jornalismo

24/12/2013, Mainichi, Japão(Excerto)
Traduzido e melhorado pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido da faxineira da Tendinha do Tofraco na Vila Vudu: É coisa que os japoneses “democráticos” publicaram tentando espinafrar a China, mas... tomara que seja verdade! QUE BAITA BOA IDEIA! Vaaaaaai, China! Dá duro nessas m*rdas de “escolas de kumunicação” e escolas de “jornalismo”! Ferro nelas!
Comé que a presidenta Dilma não pensou nisso?! Ah! Já melembrei: por causa da Helena Chagas e do Franklin Martins, que estudaram “jornalismo isento” na Rede Globo e agora ensinam tudo igualzinho, prô nosso governo e prôs cabeça-fraca do PT.
Depois, taí, o coitado do prefeito Haddad, a lamentar que “não temos estratégia de comunicação”. Tá na cara que não temos, ora bolas. Na faculdade, aprendemos que NÃO TER estratégia de comunicação & PROPAGANDA DA DEMOCRATIZAÇÃO se chama “fazer jornalismo isento” [pano rápido] (mais, logo abaixo também em vermelho)

Jornalismo "isento"
Pequim – O Partido Comunista Chinês decidiu envolver-se diretamente na administração das principais escolas de jornalismo do país, e reforçar o controle sobre a administração das respectivas universidades, como se soube ontem, de fontes acadêmicas e de empresas de mídia.

O movimento parece visar a promover “reforma de pensamento” para rejeitar “valores ocidentais” como a liberdade de imprensa garantida só para os donos dos jornais e revistas , e promover recursos humanos mais afinados com o pensamento comunista – disseram as fontes (e a Vila Vudu deu uma editada no parágrafo).

A liderança do presidente Xi Jinping pressente uma crise, nas palavras de uma fonte do Partido Comunista. Para ele:

(...) é nas universidade e nos meios de comunicação de massa que se vê mais acentuada a influência de reacionários, como os que apoiam valores da chamada “democracia” capitalista.

Por isso, o governo do presidente Xi Jinping organiza planos para intervir nas universidades que treinam para carreiras na indústria da comunicação e nas empresas que vendem noticiário, de modo a obter que a opinião pública receba também informação pela “garganta e língua” do Partido Comunista, que governa o país.

(Quanto a isso, nada mais obviamente acertado! No caso do Brasil, por exemplo, por que, diabos, tooooodos os jornalistas empregados de toooooodas as empresas de “comunicação” da imprensa-empresa, muitas das quais vendem informação e noticiário a assinantes PAGANTES, só recebem informação pela “garganta e língua” do PSDB e do Instituto Milênio e do Celso Lafer e do Vila e do Magnoli, que NÃO GOVERNAM PORCARIA NENHUMA DE PAÍS, porque não foram eleitos porque não têm votos?!)

Segundo as fontes, as universidades envolvidas nessas medidas são a Universidade de Pequim, a Universidade de Comunicação da Universidade da China, a Universidade Fudan de Xangai, a Universidade Zhejiang, a Universidade Wuhan na província de Hubei e a Universidade Jinan na província de Guangdong.


Conforme o novo plano, o Departamento Central de Propaganda do Partido, que supervisiona a atividade da mídia, enviará, a partir do próximo ano, pessoal encarregado de assumir os cargos de direção e docência, nessas escolas de jornalismo. Além disso, o Partido também orientará o currículo das escolas e apertará o controle e auditagem dos orçamentos.

[Fontes acadêmicas] dizem que já em maio circulavam notícias de que as autoridades chinesas planejavam banir, das aulas de jornalismo vários assuntos, dentre os quais “liberdade de imprensa” (que é claaaaaro que deve ser negada aos donos de empresas jornalísticas e respectivos empregados, enquanto não for plena, para os cidadãos que consomem jornalismo), “direitos do cidadão” (que são conversa fiada, se são direitos só prôs cidadãos coxinhas) e “valores universais” (que tampouco devem ser discutidos e considerados, enquanto o único valor universal a favor do qual a imprensa-empresa trabalha for o valor universal do capital & respectivos direitos universais).

O Partido Comunista da China também já ordenou que os cerca de 250 mil repórteres que trabalham em jornais e televisões na China, participem de curso nacional de treinamento, para que conheçam o pensamento marxiano sobre jornalismo democrático. (...)


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tribunal Comunicacional: nem os ciclistas conseguem escapar


Por Cristiano Lange dos Santos, Gilberto Flach, Marcelo Sgarbossa, Marlos Mello e Vera Regina dos Santos FigueiredoLaboratório de Políticas Públicas e Sociais (LAPPUS) (*) em fevereiro 8, 2012
Matéria enviada por e-mail por Marlos Mello

“Nossa intenção jamais será a de ofender. Mas o que importa é a percepção e não a intenção”. Essa foi a justificativa do Editor de Zero Hora (ZH) para a reportagem “Bloqueio nas Ruas: quinze quilômetros com ciclistas” de Humberto Trezzi. A justificativa foi publicada numa “Carta do editor: Morno, jamais”, em 28 de janeiro de 2012. Entretanto, qual a motivação do editor de ZH em justificar uma reportagem assinada por um jornalista com 28 anos de profissão?

Sabemos da importância de ZH no Estado do Rio Grande do Sul, tanto histórica quanto política e economicamente. Vale lembrar que Roberto Ramos relata a experiência como funcionário do jornal Zero Hora para quem: “não se pode perder de vista a circunstância histórica, que gerou ZH. Houve a extinção do Última Hora, por razões políticas, e o seu sucedâneo, é claro, deveria  estar afinado com as contingências da ditadura. Mesmo os seus pró-homens nunca negaram as raízes do jornal. ZH, indiscutivelmente, foi concebido como cria do autoritarismo”. (A Máquina Capitalista, 2000, p. 70)

Cria do autoritarismo ou não, a sugestão é que o leitor desse artigo possa ler o livro de Roberto Ramos e tirar as suas próprias conclusões. A citação, porém, é justificada para marcar o ponto de vista a ser discutido: a crise de credibilidade da imprensa. Nos últimos anos a imprensa brasileira vem atravessando uma crise de credibilidade com o surgimento de diversos livros, dos mais distintos autores, relatando fatos e situações onde a imprensa teve um papel fundamental, não no sentido de revelar a verdade dos acontecimentos, mas, principalmente, na tentativa de forjar a verdade conforme seus próprios interesses. Cite-se o livro de Palmério Dória e Mylton Severiano (Crime de Imprensa, 2011), que relata exemplos de contradições cometidos pelos órgãos de imprensa.

“E o Massa joga aberto: é contra. Contra carros nas ruas. Contra motos e ônibus. Contra Veículos motorizados”.

A questão das contradições da imprensa é crucial, necessária e, certamente, delicada. Por exemplo, com que autoridade um jornalista escreve uma reportagem generalizando todo um grupo de pessoas? Será que o fato de pertencer a um grupo as coloca numa situação de que todas tenham de pensar da mesma maneira? Bom, para o Jornalista Humberto Trezzi, que escreveu a matéria em questão, parece que sim. É por isso que num determinado momento de sua reportagem afirma: “E o Massa joga aberto: é contra. Contra carros nas ruas. Contra motos e ônibus. Contra Veículos motorizados”.

Diante dessa questão surge a pergunta: Quem é o Massa? Massa Crítica são todas as pessoas que na última sexta-feira do mês optam por ir ao Largo Zumbi dos Palmares em Porto Alegre para pedalar por uma cidade mais sustentável. Nesse principio de que toda Massa Crítica é uma massa distinta, é impossível não aceitar que o próprio jornalista fez parte da Massa Crítica do dia 25 de dezembro de 2011, ou não? Mas pensando bem, se por um momento concordarmos com a generalização do jornalista na reportagem, estaremos aceitando que ele no dia 25 de dezembro foi: “Contra. Contra carros nas ruas. Contra motos e ônibus. Contra Veículos motorizados”, é isso? Bom, deixaremos esse questionamento para o próprio jornalista nos esclarecer, se quiser.

A “legitimidade” da reportagem

Muitas pessoas discordam da generalização da reportagem de Humberto Trezzi, porém não tiveram a oportunidade de se manifestar, de apresentar a sua versão dos fatos ou de não concordar com a publicação do jornal. É o caso de Flávio Teixeira que teve a sua imagem em destaque na foto da reportagem de ZH. Nas palavras de Flávio “Eu soube dessa reportagem através do meu colega Roberto que me disse “ó, tu viu a foto tal, não sei o que”. Eu soube depois, né? Não soube no mesmo dia, mas tentei procurar o jornal e não achei. Ai, agora não faz muito, o Roberto conseguiu e me trouxe.”

Numa tentativa de dar a oportunidade ao Flávio para que ele possa manifestar sua opinião publicamos abaixo a transcrição de uma entrevista com ele. Logo em seguida será realizada uma análise das falas de Flávio.

MM – Flávio, a respeito da reportagem do Jornal Zero Hora “quinze quilômetros com ciclistas”, assinada pelo jornalista Humberto Trezzi, recebeste do jornal Zero Hora algum comunicado que a tua imagem iria ser publicada nessa reportagem?

FT – Não, aqui que tá o meu questionamento. Eu soube dessa reportagem através do meu colega Roberto que me disse “ó, tu viu a foto tal, não sei o que”. Eu soube depois, né? Não soube no mesmo dia, mas tentei procurar o jornal e não achei. Aí, agora não faz muito, o Roberto conseguiu e me trouxe. Eu se tivesse visto em seguida eu ia tomar a iniciativa de fazer um contraponto, um questionamento, né? Porque eles botaram ali uma visão totalmente distorcida, uma visão tendenciosa diria, né? E por cima usaram a minha imagem, né? Eu acho que, primeira coisa, tá eles não tinham o meu contato na hora ali, mas eles usaram a imagem sem eu saber. Então, eles fizeram um texto totalmente tendencioso e eu poderia até tá exigindo alguma reparação porque eu achei muito ruim o que fizeram comigo. Pra um cara que se diz ciclista (falando do jornalista Huberto Trezzi), fazer um texto daquele ali, eu discordo totalmente.

MM – Mas tu diz isso porque viu a tua imagem associada a algo? Deixa eu explicar: como é que tu te sentiu vendo a tua imagem associada a uma reportagem onde pessoas são acusadas de serem  “contra. Contra carros nas ruas. Contra motos e ônibus. Contra veículos motorizados” ?

FT – O conteúdo do texto é totalmente negativo.  O que ele fala é que o pessoal não respeita o trânsito. Ou seja, ele faz uma associação para parecer que a massa é negativa e, na foto, eu toôbem na frente.  Eu não fui comunicado de nada e ainda por cima tive a minha imagem associada a um texto de forma negativa, pejorativa, que me prejudicou. Eu não tô dizendo que a foto não ficou boa, a foto ficou boa, eu saí bem espontâneo, mas no momento que junta o texto e a imagem é que fica ruim. Eu não gostei da forma como eles associaram a minha imagem ao que foi publicado.

MM – E se a tua imagem fosse associada a uma coisa “positiva”, por exemplo, “ciclistas passeiam pela orla do guaíba”, afetaria a tua imagem? Tu te sentiria prejudicado?

FT – Não, eu acho que não. O problema tá quando associa o texto à imagem. Por exemplo, como no movimento negro, né? A gente procura reivindicar quando associam a palavra negro com uma coisa negativa, por exemplo, “magia negra, negro é sujo, negro é bagunceiro”, quando associa, entende? E ali eu to sentindo a mesma coisa. Eu tô ali me vendo naquela imagem na frente, o que que vão pensar? “ah esse aqui é o líder dos vagabundos”. Enquanto na verdade a ideia da massa é ser um coletivo e não ter nenhum “comandante” como ele fala no texto da Zero Hora.
MM – Mas no texto, lendo a reportagem tu achas que ele tenta passar uma imagem que a massa crítica é um grupo “organizado” com objetivo de ser contra tudo? “Contra carros nas ruas. Contra motos e ônibus. Contra veículos motorizados” ? Pra ti, é isso que a massa representa? Tu estás na massa por esses motivos que o Humberto fala?

FT – Não, assim ó. Todo o grupo de pessoas quando começa a crescer, grupo grande mesmo, ele começa a incomodar e começa a aparecer diversas coisas sobre ele, entende? A massa é composta por diversas personalidades, certo? não existe um grupo monolítico onde todo mundo pensa igual. Sempre vai ter alguém com outras ideias, inclusive diferentes umas das outras. Então, não tem como controlar. Num grupo pequeno até é possível orientar, mas num grupo grande, não tem como. As iniciativas são distintas. Tem gente que pula, tira foto, se diverte, mas é isso né?

MM – Eu não sei se eu to entendendo bem, mas deixa eu tentar: tu esta querendo me dizer que o “espírito” da massa é diferente em cada encontro, é isso? Por exemplo, naquele dia que o Humberto Trezzi fez a reportagem ele também era massa crítica, é isso?

FT – Sim, ele também. Mas ele foi com uma finalidade. A finalidade dele era fazer uma reportagem, talvez com uma imagem já pré-concebida da massa. Ou seja, na minha opinião, ele já foi exatamente pra escrever o que ele escreveu. Ele tava participando como ciclista, mas a ideia dele era de fazer uma reportagem “metendo pau” na massa crítica. E mais, pra meter pau na massa crítica ele utilizou a minha imagem e a de todo mundo que tava.

MM – E, Flávio, e os teus familiares e amigos? Depois que eles viram essa reportagem, viram lá a tua foto estampada em destaque como pertencente a um grupo qualificado com todos esses “adjetivos”, como é que eles se sentiram? O que eles te disseram?

FT – Então, eu moro sozinho, né? E os meus irmãos eu não sei se eles viram, né? Mas os meus amigos gostaram. Viram lá a foto mais do que o texto, entendeu? Me disseram que eu sai bem na foto, me reconheceram de primeira. Mas realmente a foto ficou boa, só não me comunicaram, não me disseram nada, entende?

Quem leu a reportagem de ZH, provavelmente deve ter pensando que Flávio pertence a um grupo de pessoas que se reúne para manifestar de forma “caótica, anárquica e rebelde” e, ainda por cima, desrespeitando o status quo da legalidade, que, naquele momento é representado pelas sinaleiras de trânsito, não é isso? No entanto, depois de ler a transcrição da entrevista percebe-se que nem todos pensam da mesma maneira e que não há um grupo organizado para manifestar por uma causa, como o jornalista relata em sua reportagem.

Entretanto, o ponto fundamental da entrevista é quando Flávio relata como se sentiu vendo a sua imagem publicada no jornal ZH sem ser comunicado e, principalmente, associado a uma reportagem que não condiz com a sua forma de pensar. Dessa forma, a partir do ponto de vista do entrevistado, o jornal, prejudicou a sua imagem e o colocou numa situação de imenso constrangimento.

E mais, a reportagem de Humberto Trezzi fere o cumprimento do Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística do Grupo RBS, lançado recentemente em Porto Alegre, com a presença do Ministro Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal, que tem por “objetivo prioritário de assegurar ao público seu direito à informação independente, à opinião plural, às respostas e às correções sempre que estas se fizerem necessárias.”

Essa é apenas uma das questões: i) isso é compromisso com a liberdade de informação? ii) a ética foi respeitada? iii) é assim que deve agir um jornal? iv) e as correções à matéria?  São questões sem respostas.

Opinião pessoal de uma única opinião

O Jornal ZH errou ao não comunicar às pessoas que estava tirando fotos e, principalmente, que iria publicar essas imagens. Outra coisa, mesmo que publicasse as fotos, deveria ao menos proteger a imagem dessas pessoas que tiveram seus rostos expostos ao julgamento, tanto do jornalista, como também dos leitores. Ao que consta no direito de imagem previsto no artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal.

Percebe-se, dessa forma, o abuso na forma como a informação foi veiculada ao público, generalizando-a e configurando-se numa tentativa de induzir os leitores a conclusões equivocadas e estereotipadas. Frise-se que a dialética deve sempre estar presente na formulação de matérias jornalísticas, com vistas a adoção de uma posição isenta e ética. Para reparar tal equívoco, formulado pela opinião pessoal de uma única opinião, o jornal ZH deveria procurar entrevistar algumas pessoas que estavam na Massa Crítica naquele dia da reportagem. Quem sabe, então, nem fosse necessário esse artigo.

A importância da regulamentação

Por fim, a crise de credibilidade da imprensa brasileira, mais especificamente neste caso do Jornal ZH, passa pelo que o Governador Tarso Genro classificou de “Tribunal Comunicacional”, cujas investigações dos repórteres, competentes ou incompetentes, promovem um juízo público que pode punir ou perdoar conforme seus próprios interesses. No caso, tal tipo de contradição, nunca mereceu maior atenção como nos dias de hoje. No entanto, de preferência essa questão é colocada de lado no jornal ZH, que tem a pretensão de ficar acima do bem e do mal, de ser imparcial, de não possuir partidos e nem interesses.

No fundo, a estratégia de ZH é conhecida por tentar sempre se revestir do manto burguês da neutralidade.  Na prática, só a lei pode garantir o direito a qualquer pessoa manifestar sua opinião. Para tanto, é preciso tratar com seriedade a questão dos meios de comunicação.  Há em andamento, pois, com grande possibilidade de aprovação no Estado do Rio Grande do Sul, a criação do Conselho Estadual de Comunicação. Este processo de regulamentação democrática e participativa poderá evitar que violações aos direitos constitucionais da liberdade de expressão e abusos no direito à informação sejam perpetradas, e assim avançar na democracia e no Estado de Direito.

Cristiano Lange dos Santos, advogado. Procurador Jurídico do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais – LAPPUS.
Gilberto Flach, Gestor, especialista em projetos sociais. Membro do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais – LAPPUS.
Marcelo Sgarbossa, advogado. Diretor do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais – LAPPUS.
Marlos Mello, Psicólogo social. Membro do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais – LAPPUS.
Vera Regina dos Santos Figueiredo, estudante de Administração. Membro do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais – LAPPUS.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Google quer mais, mais, mais...


28/1/2012, Martin J Young, Asia Times Online (Excerto)
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido de um morador da Vila Vudu: Engraçados esses papins da “liberdade de expressão” e da “democratização da comunicação”, que nuuunca discutem o modelo de negócio da imprensa-empresa como a conhecemos. 
E ficam aí os liberais “éticos”, a exigir direitos que os liberais pressupõem que teriam.... Por direito divino, talvez?! 
Os liberais fazem papel ridículo! 
Os liberais a exigir “liberdade de expressão” e “democratização da comunicação” são como o sabão OMO discursando para defender direitos à livre manifestação do pensamento do sabão OMO... 
VOCÊ SÃO A MERCADORIA, sô! Acordem! Desde quando a mercadoria tem direitos?! Desde quaaando, pêqmepê?!

HUA HIN, Tailândia – A empresa Google anunciou essa semana que está consolidando suas políticas de privacidade e que reunirá todos os dados de cada usuário num só perfil. Significa que os dados de cada usuário do Gmail serão combinados com dados de pesquisas que o mesmo usuário tenha feito em YouTube, Maps, Google+, Picasa, Chrome e de todos os demais serviços de Google.

A empresa diz que usará essa quantidade gigantesca de dados pessoais digitais para melhor planejar as campanhas publicitárias. Sabendo mais sobre como as pessoas comportam-se online e rastreando os passos de todos por outros pontos da rede, a empresa poderá construir e oferecer melhores campanhas publicitárias aos seus anunciantes, cobrar mais caro e lucrar mais.

A empresa Google recebe informações sobre seus usuários cada vez que usam telefones Android, pesquisam na Internet, entram em suas contas Google, veem mapas e assistem a vídeos em YouTube. Os usuários não têm alternativa e estarão necessariamente presos nessa nova política de privacidade, que estará implantada dia 1º de março.

Já está publicado um anúncio nas páginas Google, em que se lê:
“Estamos alterando os termos de nossa política de privacidade. É importante. Informe-se.” Em pouco tempo, o Big Brother da Internet saberá muito mais sobre você, que sua própria mãe.

No último trimestre, a empresa teve pequena e rara queda nos lucros; e informou que o lucro médio da empresa por clique nos anúncios caíra 8% em relação ao mesmo período de 2010. O lucro líquido da rede foi de US$8.31 bilhões, inferior ao que os analistas previam ($8.37 bilhões). Depois dessas notícias, a cotação das ações de Google caiu 9%.

Bem visivelmente, a empresa Google trabalha para manipular esses perfis de usuários para conseguir vender mais anúncios, depois de ter intoduzido mudanças nas páginas de busca, que refletem resultados da própria rede social, Google+, à custa da concorrência, Facebook e Twitter. 

Se o modelo de negócios de serviços Google gratuitos, pagos com a renda da publicidade continuar, o usuário deve habituar-se a ver-se como produto vendido, não como consumidor.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Privataria e regulamentação da mídia


 

Publicado em 16/12/2011 por *Guto Jimenez

Não se fala noutra coisa desde o lançamento do livro "A Privataria Tucana", de Amauri Ribeiro Jr: o silêncio e o desprezo de grande parte da mídia em relação ao conteúdo da explosiva obra. Existem comentários dos mais diversos tipos em redes sociais, de considerações ponderadas a manifestações exaltadas, porém quase todos chegam à mesma conclusão, de que essa parcela da mídia está adotando a antiga "tática do avestruz" - enfiando a cabeça num buraco para fingir que não vê o perigo se aproximar. Fazem isso sem o menor pudor, como se ainda tivessem o poder de disseminação da informação de outros tempos, como se ainda estivéssemos no século 20 e como se não houvesse mais inúmeras outras mídias capazes de disseminar inf ormação e opinião em tempo real.

Será que a motivação para esse “silêncio eloquente” é originada apenas em interesses econômicos? É muito pouco provável que assim o seja, uma vez que o governo federal é um dos maiores anunciantes nos mais expressivos veículos de mídia nesse país. Não que isso seja qualquer tipo de impedimento para se divulgar toda e qualquer denúncia contra integrantes do atual governo, mesmo vinda de fontes nada confiáveis como as mais recentes que provocaram até a queda de ministros de estado. Essa parcela da grande mídia não tem o menor pudor em tratar a verdade como algo relativo, desde que esse tratamento seja de acordo com seus interesses.

Leia o restante da postagem em: Direto da Redação.

*Guto Jimenez, pai, skatista, jornalista, locutor e militante de modo geral. Mora no Rio.

sábado, 4 de dezembro de 2010

WikiVazamentos mostram que os EUA redigiram a “lei para a Internet” da Espanha

PERIGO! ATENÇÃO À LEI AZEREDO! TUDO É POSSÍVEL! VAMOS ABRIR O OLHO!


3/12/2010, Cory Doctorow, 
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O Congresso da Espanha está às vésperas de votar nova lei, extremamente rígida sobre copyright/Internet law. É ideia “secreta” sabida de todos, que a lei foi redigida por grupos da indústria norte-americana, trabalhando com representantes comerciais dos EUA na Espanha.

Mas a coisa agora ficou mais interessante: 115 dos telegramas vazados por WikiLeaks interceptados da Embaixada da Espanha em Madri, eram marcados pela expressão "KIPR" – relativos a “propriedade intelectual”. A grande questão é: o jornal El Pais, que recebeu na Espanha os arquivos de WikiLeaks divulgará o conteúdo dos telegramas a tempo de a descoberta afetar a votação da nova lei?

Pelo menos, já começaram a divulgação. Foram publicados os primeiros 35 do total de 115 telegramas, e confirma-se a suspeita de todos: o governo espanhol e o partido de oposição foram levados como boi de argola, pelo nariz, pelos norte-americanos, que são hoje a única autoridade legislativa com poder na Espanha.

Chegamos então à segunda pergunta: quando o Congresso espanhol votar a nova lei de copyrights ainda esse mês, votarão como Congresso soberano, ou votarão como Estado fantoche dos EUA?

A prioridade que os norte-americanos atribuem à questão está bem evidente no nível dos interlocutores que selecionaram: a vice-presidenta María Teresa Fernández de la Vega foi das primeiras a serem abordadas. Um ataché da Embaixada dos EUA falou à vice-presidenta dia 22/2/2005. O telegrama n. 27536, que redigiu no dia seguinte ao encontro com de la Vega, encerra-se com o seguinte parágrafo:

“Dada a quantidade de estrelas da indústria do entretenimento com clara abertura favorável ao governo socialista (é significativo que Zapatero tenha assistido ao equivalente espanhol da cerimônia de entrega dos Oscar), é possível que esse governo seja especialmente sensível a fazer alguma coisa nesse setor. Precisamos de cerca de um ano para que essa sensibilidade seja traduzida em resultados”.

Dia 10/11/2005, o embaixador encontrou-se com a ministra da Cultura, Carmen Calvo: no telegrama n. 45583, o próprio embaixador conclui que o governo espanhol tem boas intenções, mas que não há resultados.

A tônica é sempre a mesma. A gigante Motion Pictures Association, que reúne as majors de Hollywood, pressiona dos EUA. A indústria espanhola se queixa da permissividade em relação ao que se baixa da Internet, sobretudo músicas. 

Em 2007 acontece o ponto de inflexão: dia 28/12; a delegação norte-americana em Madri emite um telegrama (n. 135868) que contém plano detalhado. Assunto: a estratégia para reformar os direitos de propriedade intelectual na Espanha. 

O telegrama detalha um plano de curto, longo e médio prazo, com cronograma de visitas a vários políticos, com ações intermédias nos ministérios da Cultura e da Indústria, encontros com operadoras de telecomunicações, visitas de especialistas norte-americanos à Espanha... E antecipa uma medida a ser tomada imediatamente: incluir a Espanha na lista negra dos países que não tem “lei de meios” aceitável.

domingo, 14 de novembro de 2010

Na hora das mudanças

Publicado em 14/11/2010

Aconteceu em Brasília, na semana passada, um importante seminário sobre ”Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias”, organizado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Quem esteve presente ao evento e não aceita as “verdades” dos barões da mídia, tenho certeza, saiu convencido da necessidade urgente de um novo marco regulatório.

Nada a ver, marco regulatório nas comunicações eletrônicas com censura, como deixaram claros os expositores. Ou seja, regulação da mídia eletrônica significa exatamente fortalecer a liberdade de expressão, fator importante e indispensável para o aprimoramento do processo democrático. Associar uma coisa a outra é uma mentira no padrão Joseph Goebbels, divulgada várias vezes para acabar virando verdade. A cobertura dos jornalões sobre o seminário não fugiu ao padrão goebbeliano.
E lá em Brasília estavam presentes representantes da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABERT) e da Associação Nacional de Jornais, juntamente com integrantes de movi mentos sociais que há anos debatem a mídia. Todos ouviram exposições de representantes (especialistas) dos Estados Unidos, França, Reino Unido, Espanha, Portugal, União Europeia e Argentina. Muita informação que faz cair por terra os argumentos mentirosos divulgados pela mídia convencional.
O caso mais gritante em matéria de manipulação midiática é, sem dúvida, o da Argentina. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que colaborou com a ditadura daquele país, em todas as reuniões - a última foi na Cidade do México, também na semana que passou – tem dito que o governo de Cristina Kirchner está restringindo a liberdade de imprensa e chega a comparar o atual momento com o da ditadura militar. E pelo continente essa mentira é divulgada. 
No seminário em Brasília, Gustavo Bulla, diretor nacional de Supervisão da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual da Argentina (AFCSA) em uma longa exposição mostrou exatamente o contrário do que afirma a SIP. A Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual atual, promulgada em 2009, foi esmiuçada por Bulla e comparada com as anteriores.
A atual legislação  “é o primeiro instrumento legal feito na Argentina de baixo para cima”, explicou Bulla. Houve uma ampla discussão com a participação inclusive de uma entidade representativa de 300 organizações sociais. Pelo menos 10 mil pessoas estiveram presentes em debates nos 24 Fóruns de Participação, onde foram colhidas 1.300 propostas de modificação de um pré-projeto elaborado em 2008, o que resultou em 200 alterações.
O projeto foi enviado ao Congresso pela Presidenta Cristina Kirchner, que por causa disso foi linchada pelo conservadorismo midiático. Deputados e senadores debateram exaustivamente o projeto, que acabou aprovado.  
Tem mais: a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual teve como referência países democráticos como Estados Unidos, Espanha, Inglaterra, França e Canadá, sendo que deste último foram retirados critérios para a renovação de licenças de radiodifusão aberta e por cabo.
Bulla lembrou ainda que no período da ditadura, os militares tiveram o apoio concreto da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que nunca denunciou o que se passava no país em matéria de censura e silenciou totalmente em matéria de assassinatos de jornalistas.
Outro ponto importante na lei, segundo informou Bulla, é o de que os setores representativos da sociedade argentina, como sindicatos, cooperativas e outros, têm a garantia de espaço. É obrigatório que um terço do espectro seja dedicado às organizações civis. A legislação anterior, que na verdade era um decreto da época do regime militar de 1980, excluía a participação de organizações sociais sem fins lucrativos e praticamente determinou que não houvesse mais emissoras públicas dos anos 80 ate os dias de hoje.
Muito mais informou Bulla, mas apenas os pontos mencionados servem para mostrar como a mídia conservadora mente e manipula em matéria da nova legislação midiática na Argentina. A nova legislação dos meios de comunicação audiovisual dispõe que o espectro eletromagnético fica dividido de forma equânime entre a mídia comercial, estatal e setores sociais. Além disso, com base na legislação estadunidense é previsto que nenhum operador de TV aberta ou por cabo pode ter mais de 35% da audiência do mercado global. Se, por exemplo, um grupo opera em Buenos Aires, cidade com a maior população do país, dificilmente poderá operar em outro lugar, porque a margem permitida por lei já estará ocupada pelos usuários da capital.
Pela exposição de todos os representantes dos diversos países ficou mais do que claro de que o Brasil está muito atrasado em termos de marco regulatório de radiodifusão e é urgente suprir essa deficiência.  A legislação daqui é de 1962, quando o país e o mundo, bem como a tecnologia do setor midiático eram totalmente diferentes de hoje.
Mas podem crer uma coisa: o conservadorismo midiático vai fazer o possível e o impossível para evitar que esse debate seja ampliado. Vai rolar muita mais mentira e manipulação. A bola agora está com a Presidenta eleita, Dilma Rousseff, que possivelmente vai sofrer pressões para evitar que o projeto de regulação seja enviado pelo Executivo ao Congresso, para debate e aprovação. Os setores que misturam alhos com bugalhos, ou seja, liberdade de imprensa com liberdade de empresa, estão de plantão e em rodízio para evitar que o Brasil entre numa nova etapa na área midiática. Querem manter o status quo porque sabem que um povo verdadeiramente informado e com educação cidadã é mais difícil de ser iludido pelos que dominam o Brasil desde sempre.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A despedida de um jagunço

Está claro quem é o coronel que inspirou.
Foto: Sérgio Lima/Folhapress

 Por Mino Carta.

Na Câmara Federal, o ex-deputado tucano Marcelo Itagiba, ex-emedebista, ex-policial, deita falação para injuriar alguns jornalistas, precisamente aqueles que atuaram do lado oposto à compacta campanha de ódio a favor de José Serra desencadeada pela mídia nativa. Luiz Carlos Azenha é inepto, Bob Fernandes é mentecapto, mercenário desqualificado. Leandro Fortes, famigerado mitômano. Palmério Doria, profissional da mentira. Paulo Henrique Amorim, crápula. Luis Nassif, estelionatário. Marcelo Auler, hidrófobo. Quanto a mim, sou um velhaco de trajetória venal.

Creio que para os colegas ofendidos as injúrias de Itagiba equivalham a outros tantos reconhecimentos de honradez e qualidade profissional. O acima assinado passará a incluir as definições desse sabujo da tucanagem despenada entre as mais favoráveis que recebeu ao longo da sua vida de jornalista. Uma do colega Nirlando Beirão, companheiro de diversas jornadas: “Nunca o vi vacilar à frente dos poderosos”. A outra do então ditador aposentado João Baptista Figueiredo, pronunciada em 1988: “Ele é um chato que questiona tudo, reescreveria até os Evangelhos, Geisel o detestava, mas não tem rabo preso”.

Meu modelo é nonno Luigi,  toscano, pai da minha mãe, falecido aos 56 anos, antes do meu nascimento. Perseguido pelo fascismo, afastado da direção de um diário genovês, esgrimista, desafiava os desafetos para duelos. Sabia ganhar e perder, certa vez foi ferido da ponta da orelha esquerda à base do pescoço, escapou por um triz.

Mas quem ousaria contestar o ex-esbirro- Itagiba, que se permite condenar Paulo Lacerda ou Protógenes Queiroz? Há de ser velhaco e venal quem ao sair da direção de Veja  em fevereiro de 1976 teve de inventar os seus empregos porque não existiria barão midiático disposto a lhe oferecer trabalho. E ainda quem nunca deixou de defender a verdade factual e expor desabridamente suas opiniões.

Tenho pena de figuras como a de Marcelo Itagiba, jagunços de um poder no ocaso. Sinto no seu ataque a admirável interpretação do papel de janízaro, a cumprir a ordem do sultão humilhado, incapaz de conter a sede de vingança, o rancor inextinguível contra a vida e o mundo. No seu discurso federal, o porta-voz do ódio levanta casos de muitos anos atrás, todos a convergir em uma única direção. Basta segui-la para entender em nome de quem ele age. Boa pista para mentecaptos, ineptos, mitômanos e assim por diante.
Inclusive para velhacos e venais. Arrisco um palpite: trata-se da mesma personagem que acionou a procuradora Cureau contra CartaCapital.

FALEMOS DE REGULAÇÃO

O ministro Franklin Martins define como “fantasma” a assertiva bastante comum de que a liberdade de imprensa sofre ameaça no Brasil de Lula e Dilma. Também diz que a regulação da mídia é necessidade inadiável. Primeiro: respeita a verdade factual, nunca a mídia nativa foi tão livre de deturpar os fatos como se deu durante a campanha eleitoral. Segundo: o avanço tecnológico justifica plenamente a regulação da comunicação eletrônica, de sorte a adaptar à situação atual leis e regras superadas, ou seja, obsoletas.

O anteprojeto que o ministro pretende aprontar antes do fim do mandato do presidente Lula tratará dessa atualização técnica, sem risco algum para a liberdade de expressão. Temos aqui outro aspecto da questão, e o ministro passa por ele à margem do seminário internacional de Brasília, realizado nesta semana, ao condenar um conflito de interesse insuportável em um país democrático: inúmeros parlamentares são donos de instrumentos midiáticos, de jornais a rádios e tevês, ou contam com os préstimos de laranjas para esconder o verdadeiro proprietário.

No caso, o ministro volta a acertar. Trata-se de permitir outra regulação, a determinar de forma democrática os poderes e os alcances da mídia brasileira. Cabe ao Congresso a aprovação de uma lei que circunscreva claramente o raio de ação dos patrões (é aceitável que alguém seja dono de tudo?) e valorize os profissionais, a resguardá-los da prepotência medieval de serem comandados por um diretor de redação por direito divino.

Perguntava Joana D’Arc na peça de Bernard Shaw: “Quando, ó Deus, esta terra estará em condições de receber os seus santos?” Seria demais esperar pelos santos: bastariam deputados e senadores de boa-fé democrática, conscientes das suas responsabilidades.



Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde.  

Extraído de CartaCapital

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Rádios comunitárias legalizadas lutam pela sobrevivência

Lia Segre - Observatório do Direito à Comunicação 10.09.2010


Existem 34 rádios comunitárias reconhecidas na cidade de São Paulo, segundo lista do Ministério das Comunicações datada de julho deste ano. Desse total, 16 já receberam sua licença provisória – caso da Associação Cantareira -, 11 aguardam deliberação do Congresso Nacional para receberem licença e começarem a funcionar legalizadas e, dentre outras situações, apenas a União das Associações e Sociedade de Heliópolis e São João Clímaco (Rádio Heliópolis) possui a autorização definitiva assinada pelo ministro das Comunicações .


As 34 reconhecidas pelo poder público estão contabilizadas dentro das 41 possíveis rádios comunitárias de São Paulo, de acordo com mapa do Ministério das Comunicações para a cidade feito em edital de chamada para as emissoras em 2006. Dentre centenas de pedidos feitos à época, as 41 que conseguiram um canal foram as associações que conseguiram o maior número de apoios formais de outras entidades. No entanto, de lá para cá sete ficaram pelo caminho por não conseguirem cumprir a burocracia necessária para efetivar suas licenças.


Em 2008, quase na conclusão do processo de licitação, oito organizações que assinaram o Compromisso de Honra em defesa das rádios comunitárias (como Intervozes, Oboré, Associação Brasileira de Imprensa) fizeram um balanço do processo, e chegaram à conclusão de que o mapa não atendeu à demanda, por ter permitido poucos canais para esse tipo de veículo. Além do resultado insuficiente, as organizações criticaram os critérios, considerados imprecisos e injustos. Segundo essas organizações, as 41 rádios permitidas geograficamente no mapa de São Paulo, está muito aquém da demanda da cidade. A maior parte dos moradores da cidade está na “sombra”, isto é, no vácuo entre uma rádio legalizada e outra – o mapa não levou em consideração rádios não legalizadas, ainda que sejam comunitárias.


A maioria das rádios comunitárias hoje reconhecidas tem uma longa história de luta pela implementação do seu próprio veículo de comunicação. Como a Nova Paraisópolis, inaugurada mês passado após 11 anos de tentativas, ou ainda a Rádio Cantareira, que tenta sua legalização desde 98, ano da Lei 9.612, que criou condições para a legalização desses meios comunitários.


Mas depois da árdua tarefa de conseguir uma autorização do governo federal, vem outros grandes desafios para manter a emissora funcionando de forma plena. “Dizer que a rádio é regulamentada pesa bastante. O pessoal procura para fazer anúncio, todo dia tem gente para fazer apoio, e antes eles ficavam meio preocupados. Mas hoje temos muito mais limitações, ficou super engessada, com pouca liberdade de ação. Não pode fazer comercial, por exemplo. Como vai manter a rádio?”, questiona Juçara Zotti, da Associação Cantareira.



Ela conta também que antes da autorização, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estava sempre em contato com a rádio, no caso para perseguir. Porém, após a licença de operação veio o abandono: apesar de no entorno da Cantareira existirem três rádios na mesma freqüência (em Pirituba e em Perus), a Agência não faz nada. “Tem uma rádio AM e FM do Bom Retiro, 87.5, da Assembleia de Deus, que se desligarmos nosso transmissor, ela pega tudo”, denuncia.


A freqüência que o Ministério das Comunicações destinou às rádios comunitárias da cidade (87.5 FM) é outro problema que as emissoras enfrentam, mesmo após todo o processo burocrático que tiveram que cumprir ao longo de anos. Em 2004, a Anatel designou o canal 198 (equivalente à freqüência 87.5 MHz) que, segundo balanço das entidades pró rádios comunitárias de 2008, fica localizado no extremo do dial e em alguns aparelhos simplesmente não pode ser sincronizado. Entre as propostas das organizações, sugeriam a definição de novas diretrizes técnicas - flexíveis e adaptáveis de acordo com as particularidades de cada localidade -, e a revisão dos problemáticos critérios de composição e de desempate entre as rádios, incapazes de apontar qual entidade é de fato a mais representativa.


Legalizados

“Estamos felizes com nossa outorga, mas vamos continuar na luta para legalizar outras”, disse João Miranda na segunda visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à comunidade de Heliópolis, quando receberam a autorização definitiva em 2008. Na época, João era presidente da rádio. Ele chegou a ser preso em 2006, no segundo fechamento da emissora pela Anatel. Geronino Barbosa, que foi diretor da rádio em época anterior à legalização, conta a história: “não éramos legalizados na burocracia, mas éramos uma rádio pública, ética e comunitária.”


A comunidade de Heliópolis, região sudeste de São Paulo, tem cerca de 125 mil habitantes, 35 mil famílias que a UNAS (União de Núcleos Associação e Sociedades dos Moradores de Heliópolis e São João Climaco) tenta alcançar. A rádio é seu principal meio de comunicação, e surgiu como instrumento político para facilitar a organização comunitária - responsável por maioria da infraestrutura que a região conquistou. “Ela [rádio] surgiu para ajudar na organização do bairro. No começo só nos dias que tinha reunião que ela funcionava, para lembrar as pessoas de comparecerem”, conta Genésia Miranda, diretora da UNAS e líder comunitária.


Quando surgiu em 92, a rádio consistia em duas cornetas funcionando em dois pontos da favela, sendo chamada de Rádio Popular de Heliópolis. “Ela passou a ser FM por sugestão de padres italianos, que vieram em 93 e mandaram verba”, conta Rogério José da Silva, locutor do programa “Mistura Fina”. Começaram a transmitir em FM em 97. Também obtiveram equipamentos do Ministério da Cultura, ao se tornarem Ponto de Cultura, na gestão de Gilberto Gil. Segundo Rogério, o público ouvinte atual está por volta dos 60 mil, 40 mil dos arredores de Heliópolis, e os outros 20 mil são de São Caetano, Vila Prudente.


Durante o processo de legalização, a Anatel sempre alegou falta de canal para a associação, mesmo que sempre houvesse permissão para funcionamento de novas emissoras comerciais. “Qualquer rádio comercial pode bater em nós, atrapalhar nosso sinal. Agora, se somos nós que batemos em alguém, segundo a lei temos que interromper imediatamente o sinal”, critica Geronino Barbosa.


A favela da Cantareira, diferentemente de Heliópolis, não tem uma associação de moradores ou um centro organizador das políticas comunitárias locais. O grupo de comunicadores que iniciou a rádio em 95 era muito ligado à Igreja Católica e durante anos fizeram parte da Associação das Rádios Comunitárias Católicas, juntamente com outros movimentos que lutavam pela regularização. “A partir de 96 começou repressão bem forte em cima das rádios comunitárias”, conta Juçara Zotti. Esse processo desencadeou a Lei 9612/98 e nesse mesmo ano a Rádio Cantareira já entrou com pedido junto ao Minicom.


O pedido ficou esquecido até 2006, quando saiu o primeiro aviso de habilitação da capital. Conseguiram a licença definitiva este ano e reinauguraram a rádio em 18 de julho. “Nós funcionamos dez anos sem autorização do Ministério. A gente nunca foi julgado porque a gente mantinha nosso projeto comunitário”, diz a mobilizadora Juçara. Durante esse período, a rádio da Cantareira não chegou a ser invadida pela Polícia Federal.


Construída em 1995, a rádio nasceu da percepção da necessidade de ter meio de comunicação na Brasilândia. “A comunidade não tinha lugar pra compartilhar as coisas. E até mesmo o tipo de comunicação que chegava não atendia a demanda de falar do local”. Chamar reunião de bairro, divulgar tudo que as entidades faziam na região, questões de saúde e saneamento, eram temas que faziam parte do cotidiano da rádio. “A época do governo era bem difícil, havia a implantação do Paz na Cidade, plano de atendimento básico da saúde, que na verdade era privatização”, recorda Juçara.


Vida após a legalização

Financiamento é um tema espinhoso, que tem sido tratado com atenção pelos comunicadores da Cantareira. “Você vai fazer divulgação de um mercado e chamar de apoio cultural. É um colaborador que está ajudando, estamos chamando colaboração de apoio”. Juçara discorda que merchandising é apoio cultural – apoio que procuram fazer em parcerias com espaços culturais e pessoas que trabalham com arte e divulgam seus projetos na rádio, pagando ou não. Mesmo com a imprecisão do nome, essa tem sido a saída para a manutenção da maioria das rádios comunitárias.


“Os apoios culturais podem ser coisas como o Zé da Padaria que paga para falar o nome do estabelecimento algumas vezes por dia”, explica Rogério, da Heliópolis. Para eles, a lei que a Anatel fez é para impedir que as rádios sobrevivam. Além do sistema de fome, outra limitação que veio com a legalização, foi a proibição de se fazer “links”, para transmissão ao vivo de eventos como shows – “só se usarmos um cabo de 500m do evento até aqui”.


O caso da Nova Paraisópolis, recém legalizada, é similar. Só podem conseguir recursos pelo método do “apoio cultural”, mas é o que podem fazer por ora, mesmo que discordem da legislação. “Ficamos mais de onze anos brigando para conseguir a rádio. Nossa luta agora é pra criar meios de subsistência”, afirmou o diretor de comunicação Joildo dos Santos. Sem o risco de serem invadidos pela Polícia Federal, como já ocorreu.


Extraído do Observatório do Direito à Comunicação