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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Prefácio do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no livro:

“Brasil: A Construção Retomada”

de Aloizio Mercadante

A cada dia que passa aumenta o número de analistas brasileiros e estrangeiros que reconhecem que o Brasil está vivendo um excelente momento, com excepcionais perspectivas pela frente. Essa também é a visão largamente predominante em nosso povo, que sente sua vida melhorar significativamente e olha para o futuro com otimismo crescente.

A gravíssima crise financeira que se abateu sobre o mundo recentemente não afetou essa percepção. Ao contrário, consolidou-a, generalizando a visão de que o Brasil hoje tem rumo e deve seguir crescendo de forma robusta e sustentável nos próximos anos. Segundo o Banco Mundial, podemos nos tornar a quinta economia do mundo em 2016.

Trata-se de uma mudança e tanto. Há apenas uma década não eram poucos os que apregoavam que o Brasil estava condenado a seguir marcando passo, incapaz de resolver os problemas crônicos que afligiam sua sofrida população e estrangulavam seus melhores sonhos. Quando muito, éramos vistos como “o país do futuro”, mas de um futuro que nunca chegava, como uma nação de grandes potencialidades e riquezas naturais, mas que, por falta de políticas consistentes, reincidentemente dilapidava oportunidades e queimava esperanças.

O que mudou de lá para cá? O que nos fez deixar para trás o deserto da estagnação e retomar o caminho do desenvolvimento? Por que o país voltar a crescer de forma pujante, a gerar empregos e renda, a estimular e atrair investimentos? Qual a razão da nossa autoestima estar em alta, desidratando a olhos vistos o famoso complexo de vira-latas que antes parecia ser uma marca registrada nacional?

São perguntas importantíssimas às quais este livro dá respostas que certamente irão enriquecer e qualificar o debate público. Escrito pelo senador Aloizio Mercadante, um dos quadros mais preparados e experientes do meu partido, o PT, este trabalho une paixão e rigor. Paixão do militante, cuja ação coloca os interesses do povo e do país em primeiro lugar. E rigor do economista, que encara a realidade tal qual ela é para poder construir as políticas capazes de transformá-la.

Mas este livro não trata apenas da economia. Avalia os desafios e progressos do país nas mais diversas áreas: social, política, ambiental, energética, da defesa, das relações exteriores e do marco regulatório do pré-sal, entre outras. Ou seja, dá uma visão panorâmica do país: reúne enorme quantidade de informações e apresenta análises consistentes que ajudam a explicar e a entender as extraordinárias mudanças vividas pelo Brasil nos últimos anos, nos mais diferentes campos.

Por tudo isso, não tenho dúvida em dizer que o livro do companheiro Mercadante é uma notável contribuição para o aprofundamento do debate político, tão necessário para que o Brasil não só consolide e amplie suas vitórias recentes como possa afirmar-se, nas próximas décadas, como uma nação próspera, justa, democrática e moderna.
Pessoalmente, estou convencido de que o país só foi capaz de deixar para trás cerca de 25 anos de estagnação porque compreendeu que o crescimento econômico e a inclusão social são duas faces da mesma moeda.

Essa compreensão não caiu do céu. Só floresceu e amadureceu porque conquistamos a democracia. Através do exercício democrático, das repetidas eleições e da garantia das liberdades públicas, as aspirações e os interesses do nosso povo, antes deixado de lado pelas elites políticas, foram se fazendo ouvir, tornaram-se um clamor incontornável e acabaram se impondo dentro do país.

Meu governo é expressão desse processo. Mas foi também – tenho orgulho em dizer – uma ferramenta para sua consolidação.

É bom lembrar que houve época em que a economia do país cresceu num ritmo espetacular, como no início da década de 1970. Mas prevaleceu a tese de que o bolo precisava crescer primeiro para depois ser dividido. Prevaleceu, em boa medida, porque o povo não podia se expressar livremente naqueles tempos da ditadura. Deu no que deu: a concentração da renda aumentou como nunca e o chamado “milagre brasileiro” não conseguiu ir muito longe. Capotou em pouco tempo.

Hoje, sabemos que o desenvolvimento econômico exige a construção e a consolidação de um amplo mercado interno de massas, sem o qual nossa economia será sempre frágil diante dos desequilíbrios internos e externos e estará condenada aos chamados “voos de galinha”, que a marcaram nas últimas décadas.

Não tenho dúvidas em afirmar: foi a formação de um mercado interno de massas que retirou da pobreza absoluta 20 milhões de pessoas e incorporou nos últimos anos cerca de 31 milhões de brasileiros e brasileiras ao consumo de bens e serviços; é ela que vem permitindo à nossa economia alçar voos mais altos e atingir patamares de crescimento robustos e sustentáveis. Mas essa compreensão só foi alcançada e tornou-se majoritária no país porque somos uma democracia viva e pujante. Hoje, a voz do povo é ouvida e levada a sério no Brasil.

Por isso, digo que o governo só pode governar bem se equilibrar o social, o político e o econômico e se ficar atento a cada perna deste tripé. Só assim uma nação pode caminhar rapidamente, sem riscos e sobressaltos.

Foi por isso que procuramos melhorar, de forma conjunta e simultânea, a economia, o social e as instituições e relações públicas. Como é de se esperar, tivemos, em alguns momentos, mais sucesso em uma ou em outra vertente. Porém, no conjunto dos dois mandatos, conseguimos um bom equilíbrio nas três áreas.

Era preciso, primeiro, tirar a economia do buraco. Fizemos isso garantindo a estabilidade, o crescimento e o aumento do emprego. Mantivemos a inflação sob controle e aumentamos o poder de compra do salário. E acabamos com a dependência e vulnerabilidade do país, zerando a dívida externa.

O Brasil acabou com o ciclo vicioso de dependência, da busca de favores internacionais, da ciranda desesperada de tomada de novos empréstimos para pagar empréstimos antigos. E acabou com a ronda humilhante de um país que, embora cheio de potencialidades e riquezas, vivia batendo à porta dos bancos internacionais.

Empreitada mais arrojada ainda fizemos na área social. Implantamos o maior programa mundial de transferência de renda, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, um conjunto de programas sociais que é exemplo e modelo no mundo.

Mas fomos além. Até o fim deste mandato teremos gerado mais de 14 milhões de novos empregos com carteira assinada. De 2003 a 2010, o salário mínimo aumentou 64,9% em termos reais. A massa salarial, de um modo geral, cresceu mais de 20% no mesmo período.

Esse processo de distribuição de renda, conduzido de forma responsável e séria, fez a roda da economia girar, estimulando o consumo, a produção e os investimentos, o que terminou por gerar um círculo virtuoso na nossa economia.

Mais do que ninguém, o povo percebeu a importância dessas medidas e sustentou-as firmemente. Sem o seu claro apoio, nunca teríamos chegado onde chegamos. Aos poucos, através do debate público e da luta de ideias, esse sentimento espraiou-se e se tornou majoritário em todo o país.

E é aí que entra a terceira perna do tripé da boa governança: a democracia. Desde o início do nosso governo, estabelecemos um clima de diálogo com todas as forças sociais e correntes políticas. Mantivemos uma atitude de respeito e cooperação com o Congresso e com o Judiciário, ouvimos os partidos e debatemos com eles. Mas fomos além.

Realizamos mais de 65 conferências nacionais sobre os mais variados temas, recolhendo contribuições, sugestões e propostas de todos os setores sociais. São processos ricos, fecundos e heterogêneos, que às vezes trazem inquietações, e não respostas prontas. Há quem se incomode com isso. Eu não. Como presidente e como democrata, convivo tranquilamente com o debate.

Ele é fundamental para o exercício do governo. Ele é indispensável para oxigenar a sociedade. Porque, para mim, a democracia não é a consolidação do silêncio. É a consolidação do direito às manifestações, a todas as manifestações. Não é a repetição de verdades eternas. É um espaço de respeito às divergências, de convivência e diálogo entre o que está estabelecido e o que está abrindo caminho para vir ao mundo.

Para terminar, creio que talvez o maior mérito de meu governo, talvez a mudança mais importante que concretizamos, tenha sido nossa forma de ver o povo e, portanto, o Brasil. A maioria dos governantes brasileiros jamais se colocou seriamente a tarefa de governar para todos os brasileiros. No fundo, julgavam que isso era impossível, que estava além das possibilidades do país. Assim, conformavam-se em governar para um terço da população. O resto do povo era visto como estorvo, como peso, como lastro, que o país precisava carregar ou do qual precisava se livrar.

Falavam em arrumar a casa. Mas nunca a arrumavam, é claro. Poque é evidente que não é possível levantar um país deixando dois terços da sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização. Ou será que alguma fica em pé se o pai e a mãe relegarem ao abandono os filhos mais fracos e concentrarem toda sua atenção nos filhos mais bem aquinhoados pela sorte?
Meu governo, desde o primeiro instante, teve atitude diametralmente oposta. Só havia sentido em governar se fosse para todos. E mostramos que aquilo que tradicionalmente era considerado estorvo, peso, lastro, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa o pai e a mãe que olham para todos, não permitem que os mais fortes abusem dos mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a injustiça.

Uma casa só é forte quando é de todos. E nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças. É esse o Brasil que está sendo construído hoje. E é sobre esse Brasil que fala o livro do companheiro Mercadante, cuja leitura é indispensável a todos que queiram entender, defender e aprofundar as grandes conquistas dos anos recentes.

Luiz Inácio Lula da Silva – Presidente da República.

Enviado por Julio Cesar Macedo Amorim

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dilma inicia campanha oficial em SP

5 de julho de 2010


01/07/2010. Campinas – SP. Encontro com Prefeitos e Lideranças Políticas da Região.
Foto: Roberto Stuckert Filho.

Eleições: Agenda será concentrada no Sudeste e no Sul, regiões em que as pesquisas indicam maior fragilidade

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, inicia oficialmente a campanha com uma caminhada pela cidade de São Paulo. Prevista para quarta-feira, a caminhada poderá ser antecipada para terça, já que o Brasil, eliminado da Copa do Mundo pela Holanda, não jogará mais a semifinal amanhã. Será o primeiro contato direto da petista com os eleitores após a autorização dada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir de hoje, para eventos dessa natureza.

Em São Paulo, Dilma deve ser acompanhada pelo candidato petista ao governo do Estado, senador Aloizio Mercadante.

Nesse primeiro momento, no entanto, Dilma deve alterar pouco o roteiro de viagens aos Estados. A intenção é seguir concentrando a agenda no Rio, São Paulo e Minas, os três maiores colégios eleitorais do país. Tirando a Bahia, são esses os Estados nos quais estão o maior número de eleitores e onde Dilma concentrou suas viagens na fase da pré-campanha.

Além desses, Dilma também teve uma presença marcante no Sul. Na região, um dos poucos Estados em que ela ainda não tinha ido era o Paraná. A petista aguardava o desfecho do impasse político local, que acabou sendo favorável a ela. Após quase dois meses de intensas negociações, idas e vindas, finalmente o senador Osmar Dias (PDT) definiu sua candidatura a governador e criou um palanque forte para a petista, tendo a correligionária Gleisi Hoffmann e o ex-governador Roberto Requião como candidatos ao Senado.

Mais para o fim de julho, a expectativa é que a candidata comece a viajar para o Nordeste e o Norte. O roteiro nordestino chegou a ser marcado para o início de junho – ela iria para Caruaru (PE), Juazeiro (PB) e Aracaju (SE), aproveitando o circuito de festas juninas. Mas as intensas chuvas na região – em Pernambuco e Alagoas, especialmente – levaram a petista a cancelar as viagens.

Os petistas comemoram o bom momento vivido pela candidata nesse início de campanha. Segundo um ministro ouvido pelo Valor, nem o mais otimista estrategista de campanha poderia imaginar esse cenário no começo de julho. Segundo ele, apesar de alguns petistas mais puristas afirmarem que “quem arrisca percentual em pesquisas de opinião está fora da realidade”, os cálculos internos eram de que, se no começo do horário eleitoral – em meados de agosto – Dilma estivesse empatada ou até quatro pontos percentuais atrás do tucano José Serra, a desvantagem poderia ser revertida com a força da propaganda na televisão.

Hoje, 5 de julho, Dilma está, de acordo com a pesquisa Datafolha, empatada com José Serra (38% a 39%). Pelo Vox Populi e Ibope, Dilma está cinco pontos percentuais à frente do tucano – 40% a 35%. “Sempre confiamos na força da candidata e do governo Lula. Mas estamos começando na frente”, disse o auxiliar do presidente.

Esse bom resultado, de acordo com estrategistas da campanha, foi conseguido graças a alguns êxitos políticos. Dilma foi confirmada candidata do PT no Congresso do partido em fevereiro – a convenção de junho foi apenas uma festa para ceder imagens para a propaganda política. A partir daquele momento, ela delegou ao presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra (SE), a tarefa de negociar a aliança mais ampla possível.

Dutra conseguiu trazer para o lado de Dilma quase todas as legendas que apoiam o governo Lula. A única exceção foi o PTB que, em convenção nacional, decidiu coligar-se com o PSDB. “Assim mesmo por uma decisão pessoal do presidente (Roberto Jefferson), que controla o diretório nacional. Mas a maioria dos votos dos petebistas – incluindo as bancadas da Câmara e do Senado – são nossos”, disse um aliado de Dilma.

Alguns movimentos, na opinião dos petistas, são emblemáticos. A aliança com o PMDB, e a consequente indicação do deputado Michel Temer para vice de Dilma, talvez tenha sido a maior conquista política do período. “Olhando para a chapa da Dilma, temos justificativas política, programática e partidária. Não escolhemos um desconhecido para agradar um aliado que estava ameaçando a nos abandonar”, acrescentou um estrategista petista, numa referência à escolha do deputado Índio da Costa (DEM-RJ) como vice na chapa de José Serra.

Outro ponto considerado vital pelos petistas foi a solução encontrada em Minas Gerais, um dos maiores colégios eleitorais do país e com maciça opção pelo voto no PSDB. Depois de um gesto de força do diretório nacional do PT, que enquadrou a seção mineira, defensora da candidatura própria, as negociações caminharam para a escolha do ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, como vice de Hélio Costa (PMDB).

O bom momento fará com que o comando da campanha segure um pouco mais a participação do presidente Lula. Como Dilma está com um discurso ainda mais seguro – o treinamento feito pela equipe de João Santana para enfrentar perguntas de jornalistas, na avaliação dos petistas, está surtindo efeito – a tendência é que o presidente seja resguardado para o horário eleitoral gratuito.

Ele poderá participar de alguns eventos ao lado da candidata – à noite ou nos fins de semana – mas está completamente descartada a possibilidade de o presidente licenciar-se para ajudar sua candidata. “Lula é muito mais útil no governo do que fora dele. Dilma conseguiu solidificar no imaginário do eleitorado a ideia de que ela representa a continuidade da gestão do presidente”, declarou um aliado da candidata do PT.

recortado de Valor