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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Ucrânia: “O acordo inútil que todos tanto queriam”

13/2/2015, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


The Saker
Devo dizer que estou simultaneamente assustado e às gargalhadas com a reação totalmente descabida de muitos comentaristas ao que se pode chamar de Acordo “Minsk-2” [ing. “Mink-2 Agreement” (M2A)]. Aparentemente todos esqueceram todos os instrumentos de análise e agora se armam de declarações hiperbólicas, vociferantes, mas vazias. Lendo alguns dos comentários registrados nesse blog, pode-se perdoar qualquer um que pense que, sabe-se lá como, a guerra na Ucrânia acabou e o Império Anglo-Sionista, ajudado por Putin, Surkov e um exército de anônimos, mas sinistros oligarcas gregos, acaba de infligir golpe terrível, mortal, contra o sonho novorrusso.

Mas... o que está acontecendo por aqui? Enlouqueceram todos?

O que está acontecendo explica-se, pelo menos em parte, porque se pode ler qualquer coisa, e também o contrário, nesse acordo (voltarei a isso, adiante) e também porque a imprensa-empresa ocidental existe para apresentar todos e quaisquer acordos como triunfo da potência, da diplomacia e das sanções do “ocidente”. Não passa de total, completo nonsense, é claro, mas é o que encontra quem se exponha à imprensa-empresa. Assim sendo, deixemos de lado as “declarações” e usemos o cérebro para realmente *pensar*.

Primeiro, devo relembrar aos presentes que a Junta golpista na Ucrânia até hoje rompeu todos os acordos que assinou. Todos, sem faltar um. E não há absolutamente motivo algum para acreditar que dessa vez será diferente.

Segundo, Poroshenko pode prometer o que bem entenda, mas o verdadeiro poder na “Ucrânia independente” é Tio Sam & a gangue de “Maidanitas” que Tio Sam sustenta.

Terceiro, por que, diabos, alguém imagina que Merkel e Hollande sentiram de repente uma poderosa pulsão para “coçar aquela coceira diplomática” lá deles, e decidiram intervir? Teria a aquela pulsão repentina algo a ver com um local chamado Debaltsevo? Se sim, o que dispõe o Acordo Minsk-2 sobre Debaltsevo? Acertou quem disse *NADA*.

Quarto, o acordo sequer foi assinado por Poroshenko. Quem assinou foi Kuchma, pela Ucrânia.

Quinto, releiam o item abaixo (11) do acordo:

(11) Restaurar o total controle pelo governo ucraniano sobre a fronteira do país em toda a zona de conflito, que tem de começar no primeiro dia depois da eleição local e terminar depois da plena regulação política (eleições políticas particularmente nos Oblasts de Donetsk e Luhansk baseadas na lei da Ucrânia e reforma Constitucional) ao final de 2015, como condição para o cumprimento do item 11 – em consultas e de acordo com representantes nos Oblasts de Donetsk e Lugansk, no quadro do Grupo de Contato Trilateral.

Putin, Hollande, Merkel e Porô; lunch em Minsk
Estão vendo o que eu vejo? Esqueçam que a fronteira só voltará ao controle de Kiev depois de “algo” acontecer. Concentrem-se no “algo” propriamente dito: além de eleições... uma reforma constitucional em consultas e de acordo com líderes novorrussos! Alguém aí acredita seriamente que o Parlamento Ucraniano participará em coisa alguma que se pareça, mesmo de longe, com o que aí se lê? Liashko? Farion? Tsiagnibok e Iarosh, todos trabalhando unidos com os “morenos subumanos” do Donbass, para mudar a Constituição da Ucrânia? Nunca acontecerá!

Até aqui, em resumo, já temos que o Acordo Minsk-2:

1) foi assinado por alguém sem autoridade;
2) em nome de uma Junta golpista que não tem poder algum;
3) nada diz sobre a principal razão que levou ao encontro em Minsk; e
4) contém “disposições” claramente impossíveis.

O que mais, então, contém o texto brilhantíssimo? Na verdade há uma pequena seção do documento que contém um elemento realista: o cessar-fogo seguido da retirada das armas pesadas. Aí está. É o que se aproveita. O resto é completo nonsense. Vejam, item a item:

#(5): eleições locais organizadas pela Junta e novorrussos juntos. Nonsense.
#(5): eleições, se tudo isso aí acontecer antes. Dado que nada disso jamais acontecerá, nunca haverá eleição alguma.
#(7): perdões e anistias. Anistia geral para todos os crimes de guerra (incluindo o ataque contra o avião malaio MH-17 e o “churrasco” de Odessa). Repugnante.
#(8): troca de “todos por todos”. Problema, só, que muitos prisioneiros foram mortos nas mãos da Junta, há muito tempo.
#(9): assistência humanitária. Item oco: a ajuda já está chegando.
#(10): pagamento de pensões: a Junta não tem dinheiro. Nunca acontecerá.
#(12): retirada de todas as forças estrangeiras. Nonsense: as forças dos países da OTAN que lá estão lá continuarão; os que não estão (cerca de 9 mil soldados russos) não podem “sair”, porque, para começar, nunca lá entraram.
#(13): reforma Constitucional. Nunca acontecerá.
#(13): reforma Constitucional incluindo a criação de unidades de Milícia Popular. \o/ \o/ [rindo muito!] – Aparentemente, esse será o novo nome das Forças Armadas da Novorrússia.
#(13): Criação de “grupos de trabalho”. ‘Tá bom. Certo. Vão sonhando.

Ukies (azul) cercados por novorrussos (vermelho) em Debaltsevo
(clique na imagem para aumentar)
Fato é que o mais interessante sobre Minsk-2 não é o que ele diz, mas o que NÃO diz:

1) nem uma palavra sobre Debaltsevo;
2) nem uma palavra sobre a junta realmente sentar, algum dia, para negociar com as autoridades novorrussas;
3) nem uma palavra sobre o futuro status da Ucrânia;
4) nem uma palavra sobre a economia da Ucrânia (que continua em queda livre);
5) nem uma palavra sobre forças de paz (indispensáveis para que qualquer cessar-fogo seja efetivo);
6) nem uma palavra sobre o fato de que os novorrussos não são “terroristas”, mas combatentes que lutam pela independência nacional. Poroshenko nunca falou diretamente com eles.

É possível que essas questões tenham sido de fato discutidas, mas essa parte das discussões não será divulgada para o grande público. Deve haver cláusulas secretas no Acordo Minsk-2.

Contudo, é perfeitamente provável, também que essas questões tenham sido discutidas, sem que se chegasse a qualquer tipo de acordo; por isso, foram deixadas de lado, sem que se fale delas.

Mas se nada de realmente importante foi decidido, por que tantos participaram tão ‘publicamente’ desse exercício? Fácil: porque todos os presentes arrancaram alguma coisinha desse acordo (assumindo-se que o que apareceu no Acordo Minsk-2 seja realmente implementado):

1) Os novorrussos:

a) uma pausa nos ataques de terroristas da Junta, contra cidades novorrussas;
b) o reconhecimento da linha de contato;
c) garantia de que o Voentorg permanece aberto (controle da fronteira);
d) tempo para mobilizar e treinar seus planejados 100 mil combatentes extras;
e) o reconhecimento por todas as partes (inclusive pelos europeus), de que merecem status especial.

2) Poroshenko:

a) apoio visível e simbólico a líderes mundiais;
b) suspensão no avanço das tropas novorrussas;
c) uma vaga esperança de que as forças da Junta, sitiadas em Debaltsevo, serão autorizadas a escapar de lá;
d) dinheiro do FMI (nem perto de suficiente, mas melhor que nada).

3) Merkel e Hollande:

a) a ilusão de que haveria política externa relevante, na União Europeia;
b) a esperança (que provavelmente dará em nada) de conseguir deter os norte-americanos pirados;
c) a esperança de aplacar a guerra econômica com a Rússia (Mistrals?)

4) Putin:

a) o direito de controlar a fronteira, até que se façam reformas constitucionais, quer dizer, ad aeternum
b) o reconhecimento de que, sem ele, nenhuma solução pode ser encontrada; 
c) esperança de algum suavizamento nas sanções.

Petro Poroshenko "pensa" que governa...
Todos obtiveram o que queriam e saíram de lá com um sorriso nos lábios. Bom para eles, mas nada disso muda coisa alguma na direção de resolver o conflito ou implica sequer o começo de alguma solução.

A realidade é que nada aconteceu em Minsk, nada, pelo menos, que tivesse qualquer importância. Os novorrussos venceram a mais recente batalha (outra vez), e podem sair de lá numa posição de força; e conseguiram que a Junta prometesse suspender o bombardeamento ensandecido. E dado que Debaltsevo sequer foi mencionada, parece-me que as forças da Junta que estão sitiadas naquela região serão autorizadas a sair de lá com o rabo entre as pernas, deixando para trás todas as armas. Significa que o caldeirão de Debaltsevo será controlado pela Novorrússia.

Putin obteve reconhecimento político e a esperança, pelo menos, de que não virão novas sanções (lembrem que, depois de Minsk-1, a União Europeia imediatamente impôs novas sanções contra a Rússia). Os europeus também arrancaram seu bocadinho, sobretudo melhoria no campo das Relações Públicas. O grande perdedor, definitivamente, é Poroshenko que, agora, tem a missão impossível de “vender” o acordo Minsk-2 a um Parlamento totalmente ensandecido (o qual, por falar dele, está atualmente apreciando um projeto de lei apresentado pelo partido de Poroshenko, que converte em crime qualquer desmentido da “agressão russa” contra a Ucrânia).

Conclusão:

Como num jogo de xadrez, o tempo é fator crítico. O acordo Minsk-2 deu a todos um pouco de tempo, mas o conflito voltará, e a única coisa que porá fim a esse conflito será o duplo colapso, da economia e das forças armadas da Ucrânia – que, me parece, acontecerá nesse verão. Até lá, o conflito permanecerá mais ou menos “congelado”, e só acreditarei que a Junta retirou seus armamentos pesados se/quando eu vir a coisa acontecer. Além do quê, lembrem, se pode combater muito bem com tanques, morteiros e infantaria.

O Banderastão nazista e a Novorrússia são projetos civilizacionais completamente diferentes, que não podem e jamais conviverão sob um mesmo teto. Sim, por razões táticas, pode ser necessário fingir que seja possível, mas a realidade é que não é e jamais será. O único modo de manter a Novorrússia dentro da Ucrânia é desnazificar a Ucrânia. E até que seja desnazificada, a Novorrússia não voltará a ser parte da Ucrânia.

Nazis do Banderastão (Ukies) desfilam em Kiev
Esse é fato muito duro, que ninguém no ocidente está disposto a aceitar. Em Kiev, eles entendem perfeitamente que é assim, mas a “solução” deles é esvaziar a Novorrússia, com “limpeza étnica” de todos os novorrussos, para entregar esse muito necessário Lebensraum à Raça Superior do oeste da Ucrânia. E, isso, a Rússia nunca admitirá que aconteça. Assim, só restam dois resultados possíveis: a União Europeia cede, e a Ucrânia é desnazificada; ou os EUA iniciam guerra total contra a Rússia, em tentativa alucinada para impedir que se confirme o outro resultado.

Mais duas coisas que quero mencionar aqui:

Em termos puramente militares, a retirada de armamento pesado é vantagem integral para a Novorrússia. Não esqueçam que Kiev usou esses sistemas para tentar aterrorizar a população de novorrussos, e os novorrussos usavam a própria artilharia para tentar desarmar a artilharia da Junta. Os novorrussos não poderiam nunca usar a própria artilharia para atacar, porque estão lutando para libertar o próprio país e não querem assassinar os próprios civis.

Assim sendo, em outras palavras, se os dois lados realmente retirarem seus armamentos pesados, a Junta golpista perderá uma capacidade crucial; e os novorrussos perderão uma capacidade praticamente sem qualquer serventia.

Resposta curta à turma do “Putin entregou o jogo”: pessoal, tenho ignorado até aqui a repetição hipnotizada de vocês, que só fazem repetir slogans de “Putin afinou”, “Putin apunhalou a Novorrússia pelas costas” etc.. Um fato é incontestável: ninguém aí jamais encontrou um dado, uma evidência, um argumento, um, que fosse, baseado em pensamento racional, lógico, e análise coerente, que comprovasse o que vocês pensam que sabem. Repetir mantras é ótimo para os yoguis, mas, cá no meu blog, não faz vocês parecerem nem um pouco mais espertos. Deixo que postem as bobagens de vocês aqui, porque “por que não?”, mas, por favor, não tomem minha atitude como sinal de qualquer respeito pelo nonsense que vocês cospem.

A principal razão pela qual não respondo e desmonto os “argumentos” de vocês é que o tempo, que nunca falha, acabará com vocês mais completa e irremissivelmente do que eu jamais conseguiria. E será mais duro de engolir, para vocês, se forem desmoralizados não por argumentos meus, mas por fatos em campo (como aconteceu com os que viviam a cacarejar que Putin traíra Assad e a Síria quando, como vocês diziam, “tirou-lhes a única arma de contenção contra as armas nucleares israelenses”).

Seja como for, se precisam manter ativado o mantra de hipnotizar que tanto apreciam, saibam que, aqui, o mantra só os faz parecer mais idiotas a cada dia. E, considerando que há por aí alguns blogs, embora menos, a cada dia, que “pensam” (digamos), como vocês, considerem a possibilidade de “comentar” naqueles blogs, não no meu. São blogs nos quais vocês serão aplaudidos de pé a qualquer slogan de repetição que repitam, sobretudo se vocês os enunciarem em tom muito-macho, absolutamente sem nuances, chapados. Por que vocês insistem em sofrer aqui, quando há esses “paraísos de consenso” por aí? Pensem, pelo menos, em mudarem-se para lá, OK? :-)

Por agora, é isso. Estarei na estrada amanhã até o fim do dia. Recebam esse postado como um “open thread” e um “até logo”, até sábado, se Deus quiser. Saudações.

The Saker 
PS: charge enviada por um amigo (coragem, pessoal, venceremos!)


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

NÃO SOU Charlie

8/1/2015, The Saker, Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


The Saker
OK, falemos claro. Não sou muçulmano. Sou contra o terrorismo. Não apoio a pena de morte. Detesto o takfirismo. Não aceito que a violência seja usada como meio para impor posições políticas ou éticas. Prego e defendo a mais completa liberdade de expressão, inclusive a crítica e o humor.

Mas hoje absolutamente NÃO SOU Charlie.

Na verdade, sinto-me horrorizado, nauseado, ante o show coletivo de hipocrisia que cerca os assassinatos na França. Eis por quê:

Charlie Hebdo merece o “Prêmio Darwin”

O pessoal da redação de Charlie Hebdo estava pedindo para ser atacado. Eis o que escrevi sobre eles em setembro de 2012, quando publicaram as famosas caricaturas do Profeta Maomé:

Se querem saber minha opinião, merecem o Prêmio Darwin. Ótimo, o pool “genético” da “esquerda-caviar” francesa precisa mesmo, muito, de uma varrida.

Hoje, confirmo integralmente o que escrevi.

Permitam-me perguntar o seguinte: qual seria o sentido de, digamos, deitar para tirar uma soneca sobre trilhos de trem? Você não precisa “concordar” com o trem que passará por cima de você, e mesmo assim o trem passará por cima de você, e você sabe que ele passará por cima de você. E se alguém se deita para tirar uma soneca no caminho do trem, só para “argumentar”? Só para provar que o trem é malvado? Só para provocar o trem? Só para mostrar o trem como trem imbecil, aos olhos do mundo? Não seria, em todos esses casos, o máximo da estupidez? Pois aí está: tirar uma soneca sobre os trilhos do trem foi *exatamente* o que fez Charlie Hebdo. Posso até dizer que os redatores de Charlie Hebdooptaram por ganhar dinheiro desafiando o “trem” dos muçulmanos fanáticos a passar por cima deles.

Acham que estou exagerando?

Verifiquem a charge que um dos cartunistas assassinados ontem acabava de postar. Na legenda, lê-se: “Até agora, nenhum atentado terrorista na França. Mas, esperem! Temos até o fim de janeiro para distribuir nossos melhores votos de ano novo”. O doido que aparece lá desenhado está embrulhando uma Kalashnikov e usa um pakol afegão – é o típico “muçulmano maluco” do mundo de Charlie Hebdo. Não me lembro de provocação mais estúpida que essa...

“Cuspir na alma” de alguém

Há uma expressão em russo, “cuspir na alma” de alguém. Aplica-se aqui perfeitamente. Em todo o mundo os muçulmanos são absolutamente claros sobre isso: blasfêmia, para eles, é assunto sério, muito sério; e também levam muito a sério a imagem do Profeta e do Corão. Quem deseje ofender realmente um muçulmano, que ridicularize o Profeta deles ou seu Livro Sagrado. Não é segredo. E quando Charlie Hebdo publicou aquelas caricaturas do Profeta, e quando o cobriram de ridículo e de modo deliberadamente rude e provocativo, com certeza sabiam que estavam ofendendo 1,6 bilhões de muçulmanos por todo o mundo. Ah! E no Islã, blasfêmia é crime que pode ser punido com pena de morte.

Nem sempre temos atentados na França
Espere! Ainda temos até o fim de janeiro para apresentar saudações...
É só ousar ser estúpido?
Quer dizer que, num certo momento, exatamente três daquele 1,6 bilhões de muçulmanos resolveram fazer justiça pelas próprias mãos e mataram aqueles franceses que deliberadamente fizeram da blasfêmia meio de vida.

Ninguém precisa ser muçulmano ou ser favorável à pena de morte nos crimes de blasfêmia para entender que o que aconteceu aconteceria inevitavelmente, e que nada desses eventos tem qualquer coisa a ver com o Islã como religião. Ofenda qualquer grupo com 1,6 bilhões de membros e, mais cedo ou mais tarde, aparecerão 1, 2, 5 deles, dispostos a usar de violência para fazê-lo pagar pelas ofensas. É uma inevitabilidade estatística.

E haveria talvez vítimas mais vítimas que outras?

Assim aconteceu que 12 “blasfemadores que cospem na alma de tanta gente” foram assassinados, e a França está em luto profundo. A imprensa-empresa em todo o mundo só faz noticiar o assassinato como desastre planetário, e por todo o planeta milhares de pessoas repetem “Sou Charlie”, soluçam, acendem velas e defendem “corajosamente” a liberdade de expressão.

Querem saber minha opinião? São lágrimas de crocodilo.

Fato é que os anglo-sionistas nutriram, organizaram, financiaram, treinaram, equiparam, armaram cuidadosamente, dedicadamente, ao longo de décadas, os doidos takfiri.

Desde a guerra contra o Afeganistão até a guerra contra a Síria hoje, esses psicopatas assassinos têm atuado como coturnos-em-solo para o Império Anglo-sionista, já há décadas. Mas, aparentemente, ninguém está muito condoído com o destino das vítimas deles no Afeganistão, na Bósnia, na Chechênia, no Kosovo, na Líbia, no Curdistão, no Iraque ou em tantos outros pontos. Esses malditos comedores de fígado humanos são “combatentes da liberdade” que recebem integral apoio do “ocidente”. Inclusive da própria imprensa-empresa que, hoje, chora o destino de Charlie Hebdo.

Um lutador da liberdade do Império do Caos
Pelo que se vê, há vítimas mais vítimas que outras no ethos “ocidental”.

E quando se viu na Europa, em tempos recentes, alguém chorando por causa do assassinato diário de milhares de civis inocentes no Donbass, cuja morte é encomendada e paga e diretamente comandada por governos ocidentais?

Será que pensam que nós somos TOTALMENTE idiotas?

E, agora, o ataque em Paris. Até o mais rematado idiota sabia que Charlie Hebdo era *O* principal alvo para esse tipo de ataque. E sei, e posso garantir, que os policiais franceses não são absolutamente idiotas. Apesar disso, por alguma razão, não havia policiais à vista na proteção do jornal atacado: só uma Van com dois policiais (ou um?), estacionada nos arredores – o que absolutamente não é proteção antiterrorismo – e um guarda, coitado, foi executado com um tiro de AK na cabeça, quando implorava pela própria vida. Isso seria o melhor que o estado francês tinha a oferecer? Não. Não era.

Assim sendo... O que, afinal, realmente aconteceu?

Posso dizer-lhes: aconteceu que os defensores da “União-Europeia-em-1ºlugar” estão agora capitalizando a reação aos assassinatos, para começar a atacar a própria população. Sarkozy já se reuniu com Hollande [e a “notícia” já foi manchete no HORRENDO “noticiário” de GloboNews-Br, ontem (NTs)] e ambos já decidiram que é indispensável implantar novos níveis de controle e vigilância. Sentiram o fedor de um 11/9 francês?

Por tudo isso, não: definitivamente NÃO SOU Charlie hoje, e estou enojado além do que consigo escrever, ao ver o show obsceno de “solidariedade” tão fajuta quanto “correta”, a um grupo de “esquerdinhas-caviar”, que ganhavam dinheiro cuspindo e ensinando a cuspir na alma de bilhões de pessoas, e cometeram a temeridade de desafiar aquelas pessoas a reagirem.

E não tenho dúvida alguma de que a pergunta “a quem o crime beneficia?” indica que o responsável organizador e executor do ataque foi o governo francês – ou organizou e executou ou permitiu que fosse organizado e executado, ou, no mínimo, estava e está preparado para extrair máxima vantagem política dos crimes.

Mas quem mais me enoja são os [jornalistas] que fazem o jogo e cuidadosamente evitam as perguntas certas sobre tudo que está acontecendo. São “Charlies”, esses, sim, todos eles. Eu não sou.

The Saker

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Mikhail Khazin, sobre [antes da] fala de Putin

7/12/2014, The Saker – apresenta [*] Mikhail Khazin
Traduzido do inglês pelo pessoal da Vila Vudu

The Saker

Entreouvido no furdunço do Padreco, na Vila Vudu:
A turma aqui na Vila não entende de economia. Mas uma coisa a gente bateu o olho e entendeu:
Brasil e Rússia são muuuuito parecidos, no sentido de os dois países estarem conseguindo crescer e sobreviver dentro do “grupo dos levíncolas” [os países BRICS, que continuam crescendo e incluindo e distribuindo riqueza, mesmo levando sempre pelas fuças o sempre furioso ataque dos EUA na disputa geopolítica].
É ver/ler o que aí vai, pensar e tentar, pelo menos, começar escrever as pontes-argumentos que nos conectem a realidade muito semelhante à que aí se vê e possam ajudar a explicar a nós mesmos o que a imprensa-empresa do Grupo GAFE (Globo, Abril, Folha de S. Paulo, Estadão) existe para tornar ininteligível, e nenhuma “cumunicação” petista ou comunista nos explicou até hoje aos brasileiros pobres. Muito bom.


[Transcrição (13’) da fala em russo distribuída por French Saker, já traduzida para inglês (cc no vídeo), por e-mail, aqui traduzida]


Fala Mikhail Khazin (em russo, traduzido a seguir)

00:00:00 --> 00:00:10 – Já é bem claro para todos, hoje, até para intelectual de renome como o primeiro-ministro Cameron, da Grã-Bretanha, que a crise mundial só faz ampliar-se e aprofundar-se.

00:00:11 --> 00:00:22 – Cameron já está prevenindo o mundo de que a próxima grande crise nos espera. Já há crescente histeria entre vários líderes ocidentais.

00:00:23 --> 00:00:33 – Quando – imediatamente depois da reunião em Brisbane, a Sra. Merkel começou a promover uma zona de livre comércio entre EUA e União Europeia (cujo primeiro resultado seria a desindustrialização da Europa Ocidental, semelhante à que foi feita contra a Bulgária e os Estados Bálticos),

00:00:44 --> 00:01:06 – tornou-se logo evidente que somente eventos de grande escala forçariam esses governantes a assumir essa via tão perigosa, que nunca, em outras circunstâncias se atreveriam a propor.

00:01:07 --> 00:01:12 – É golpe violento demais contra o status, a posição deles mesmos.

00:01:13 --> 00:01:25 – Em outras palavras, não querem falar do que aconteceria em longo prazo, porque sabem que há eventos futuros, próximos, muito grandes, que desmentiriam qualquer previsão favorável que fizessem.

00:01:26 --> 00:01:28 – Que eventos são esses?

00:01:29 --> 00:01:43 – Temos de compreender os atuais eventos, de uma perspectiva econômica, cujo atual modelo é o sistema financeiro e econômico de Bretton Woods.

00:01:44 --> 00:01:58 – Muitos creem, erradamente, que esse sistema tenha morrido dia 15 de agosto de 1971, quando os EUA declararam seu segundo ‘calote’ no século 20, quando se recusaram a trocar dólares por ouro.

00:01:59 --> 00:02:02 – Mas não, o sistema não morreu.

00:02:03 --> 00:02:10 – O sistema de Bretton Woods é um mecanismo para expandir a zona do dólar, que criou suas próprias instituições especiais, a saber:

00:02:11 --> 00:02:19 – O FMI, o Banco Mundial e o acordo sobre tarifas e comércio HCT (Harmonized Customs Tariff) – que hoje é mais conhecido como “Organização Mundial do Comércio” [World Trade Organization, WTO].

00:02:20 --> 00:02:22 – Todas essas instituição continuam aí, vivas e operantes.

00:02:23 --> 00:02:29 – Essas instituições é que definem o sistema de Bretton Woods, pelo qual todos os valores são ligados ao dólar norte-americano.

00:02:30 --> 00:02:52 – O modelo da economia moderna funciona como um mecanismo de redistribuição de renda, que é constituído quando o Federal Reserve imprime dólar para comprar novos bens que são parte do sistema do dólar.

00:02:53 --> 00:03:09 – No começo, compraram os países da Europa Ocidental; depois o Japão, depois Taiwan, Cingapura, depois Coreia, China, e, adiante, os países da comunidade econômica socialista [orig. socialist Commonwealth].

00:03:10 --> 00:03:21 – Hoje, esse modelo chegou a esgotamento natural. Todos os recursos mundiais, inclusive o petróleo russo, já estão denominados em dólares.

00:03:22 --> 00:03:25 – Significa que aqueles recursos já são parte da capitalização em dólares dessas empresas, que são proprietárias dos campos de petróleo.

00:03:26 --> 00:03:28 – Não restou nenhum recurso/patrimônio no mundo a ser comprado e denominado em dólares.

00:03:29 --> 00:03:33 – Significa que é impossível continuar a imprimir dólares, porque não há o que comprar.

00:03:34 --> 00:03:38 – Houve uma tentativa para criar patrimônio fictício, para cuja compra fosse possível usar dólares – os chamados “derivativos”.

00:03:39 --> 00:03:42 – Mas os “derivativos” também deixaram de funcionar, porque se criaram derivativos demais, em excesso.

00:03:43 --> 00:03:46 – Já não há de onde extrair lucros da economia global.

00:03:47 --> 00:03:57 – Alguns atores desse mesmo processo, inclusive Rússia e China, dizem: “Mas... E onde está a nossa parte? Nunca aceitamos a ideia de vocês”.

00:03:58 --> 00:04:01 – De fato, no passado os lucros do que era emitido eram partilhados entre todos.

00:04:02 --> 00:04:06 – Claro que os EUA ficavam com a maior parte, mas os demais também estavam recebendo sua parte do bolo.

00:04:07 --> 00:04:10 – A Rússia, por exemplo, que nos interessa diretamente, recebia a parte dela graças aos altos preços da energia.

00:04:11 --> 00:04:23 – Naquele momento, as elites ainda podiam decidir se roubavam tudo, integralmente, como ainda está acontecendo na Nigéria, ou se partilhavam alguma coisa com o próprio povo.

00:04:24 --> 00:04:27 – A situação que absolutamente não interessa a ninguém é a situação em que ninguém ganha nada.

00:04:28 --> 00:04: 43 – Além do mais, para proteger sua própria economia, os EUA começaram a usar Bretton Woods, primeiramente seu sistema financeiro, não para distribuir, mas para tomar.

00:04:44 --> 00:04:52 – Um dos significados das eleições [de meio de mandato] nos EUA é que foi votação entre dois conceitos.

00:04:53 --> 00:05:02 – O primeiro (1), seria salvar a economia global à custa de recursos dos EUA; mas, em outras palavras, todos ganham alguma coisa.

00:05:03 --> 00:05:09 – O segundo (2), salvar a economia dos EUA à custa do resto do mundo; em outras palavras, tirar de todos, para dar aos EUA.

00:05:10 --> 00:05:17 – Esse segundo conceito, que os votantes nos EUA associam ao Partido Republicano, venceu.

00:05:18 --> 00:05:34 – Hoje, temos um mundo no qual os países do 3º mundo não recebem mais investimentos em dólar; e no qual, em vez disso, todos os capitais desses países fluem de volta para os EUA.

00:05:35 --> 00:05:40 – Nessa situação, que não é satisfatória para ninguém, será impossível esperar qualquer estabilidade.

00:05:41 --> 00:06: 00 – Muito provavelmente, todos começarão a sacudir o bote; e os EUA tentarão respostas só paliativas.

00:06:00 --> 00:06:03 – Obama, pelo que se sabe, apoiava a abordagem alternativa.

00:06:04 --> 00:06:08 – Para ele, melhor seria salvar o mundo, em vez de salvar só os EUA. Mas Obama foi derrotado.

00:06:09 --> 00:06:20 – Por tudo isso, sinto-me inclinado a esperar por uma explosão, para muito em breve, que quebrará em pedaços o que ainda resta do sistema de Bretton Woods.

00:06:21 --> 00:06:23 – Estimo um prazo de 12, 18 meses.

00:06:24 --> 00:06:29 – É muito provável que se manifeste, no discurso do presidente Putin, um conflito interno semelhante também na Rússia.

00:06:30 --> 00:06:39 – Há persistentes rumores de batalha interna entre essas duas forças e estão sendo redigidas duas mensagens, com trechos diferentes na parte que trata da economia.


O grupo neoliberal

00:06:40 --> 00:06:47 – A situação é a seguinte: há um grupo liberal que apoia o modelo de Bretton Woods, do FMI.

00:06:48 --> 00:07:01 – Trabalham exclusivamente a partir dos roteiros que o FMI traça. Portanto, ninguém deve esperar de tipos como Nabiullina, Ulyukaev, Shuvalov, ou Dvorkovich qualquer revelação a favor de apoiar a economia russa. [No Brasil, os tipos dos quais ninguém deve esperar coisa alguma são os FHCs, Aécios, Alckimins, Serras, Marinas Silva & Neca (?!) Itaú e toda a tucanaria da privataria & privatagem (NTs).

00:07:02 --> 00:07:05 – É gente que recebe ordens e as cumpre aplicadamente.

00:07:06 --> 00:07:12 – A lógica dessa gente é muito simples. Dizem: “Recebemos nossa fatia do bolo. Por que deveríamos destruir esse modelo?”

00:07:13 --> 00:07:19 – É gente que não aceita o fato de que já não estão recebendo nem a fatia ‘deles’, porque já não existe nem bolo nem fatia. Mas isso absolutamente não entra na cabeça deles.

00:07:20 --> 00:07:27 – A única vantagem competitiva que eles poderiam ter sobre outros é que poderiam ainda negociar com o FMI.

00:07:28 --> 00:07:33 – Mas, se o FMI, dentro do quadro do sistema de Bretton Woods, já nada tem a dar... ninguém mais precisa dessa gente [No Brasil, são os FHCs, Aécios, Alckimins, Marinas Silva & Neca (Itaú) e Serra e toda a tucanaria da privataria & privatagem (NTs)].

00:07:34 --> 00:07:41 – Por isso, toda essa gente está tentando salvar, a qualquer custo, os restos do sistema.

00:07:42 --> 00:07:48 – Não sei se realmente não compreendem, ou se compreendem perfeitamente e mesmo assim insistem, mas o resultado do que fizeram e tentam ainda fazer, é que nosso capital está sendo alienado, o que enfraquece nossa condição.

00:07:49 --> 00:07:53 – Talvez compreendam, mas se recusam a aceitar, porque teriam de fugir, voar para longe, acompanhando os capitais deles.

00:07:54 --> 00:07:57 – Mas... e como ganhariam a vida na Terra dos Livres?! Como professores medíocres, contratados semestralmente – e semestralmente desempregados, nas universidades caipiras dos EUA?

[No Brasil, os correspondentes tucanos da privataria só arranjam empreguinhos na universidade caipira que pertence ao Sr. Gilmar Mendes, em Brasília; ou, então, como colunistas alugados à Folha de S.Paulo ou a O Estado de S.Paulo ou à TV Cultura-SP. E, isso, só até serem demitidos com pé-na-bunda, como Danuzas, Cantanhêdes e outrinhos, que encheram o saco ATÉ dos fascistas burros que eles tão burramente serviram (NTs)].

00:07:58 --> 00:08:03 – Melhor, pensam eles, continuar na Rússia, onde sempre podem tentar chegar a ministro, presidente do Banco Central e coisa-e-tal.

00:08:04 --> 00:08:06 – E lá nos EUA? Conseguiriam viver como assalariados, comer do próprio trabalho?!

00:08:07 --> 00:08:13 – Imagine um desses ministros russos “modernos”, obrigado a viver de salário e tendo de pagar impostos!

00:08:14 --> 00:08:19 – Para eles, essas ideias são simplesmente o mais ofensivo cinismo.

O grupo integracionista regional, para mundo multipolar

00:08:20 --> 00:08:28 – O conceito que se opõe àquela gente diz que é tempo de construirmos nosso próprio sistema financeiro regional.

00:08:29 --> 00:08:43 – Se já não temos acesso ao mecanismo do investimento do dólar, então temos de construir nosso próprio centro regional e respectivo mecanismo regional de financiamento.

00:08:44 --> 00:08:55 – Fiz uma palestra sobre isso, anteontem, em Astana, numa grande conferência dedicada ao início do segundo plano quinquenal de industrialização.

00:08:56 --> 00:09:02 – O Cazaquistão, diferente da Rússia, já trabalha há cinco anos na substituição de importações.

00:09:03 --> 00:09:14 – Embora as condições iniciais fossem piores no Cazaquistão que na Rússia, por causa da economia menor, o país já está crescendo 4-5%, e nós, russos, não crescemos nos últimos dois anos.

00:09:15 --> 00:09:17 – Aconteceu no Cazaquistão, por causa da industrialização.

00:09:18 --> 00:09:27 – Discutimos essa questão com o presidente do Cazaquistão, numa mesa redonda prevista para 30-40 min, mas que durou duas horas.

00:09:28 --> 00:09:37 – Foi discussão real, porque Nazarbayev tinha perguntas claras a fazer e ideias claras a discutir sobre o que se pode alcançar, realistamente.

00:09:38 --> 00:09:46 – Disse a ele que precisamos de recursos de investimentos privados, porque já não há investimento algum, no quadro do sistema de Bretton Woods.

00:09:47 --> 00:09:55 – Atualmente, o que se disputa é qual estratégia escolher, não se podemos ceder.

00:09:56 --> 00:10:01 – Daí os rumores de que a fala do presidente estaria sendo preparada só pelo Kremlin, sem participação do resto do governo.

00:10:02 --> 00:10:22 – O resto do governo, com sua Escola de Economia (de Chicago), está escrevendo seus discursos neoliberais, segundo o qual só há um deus, o FMI; e suas profetas Lagarde ou Janet Yellen.

00:10:23 --> 00:10:35 – Não sei como vai acabar isso, mas estou certo de que a saída antecipada de Putin, que deixou Brisbane antes da hora prevista, não aconteceu porque algo o tivesse “ofendido”.

00:10:36 --> 00:10:46 – Perdoem-me, mas... o presidente Putin foi alto oficial de inteligência, foi treinado desde a juventude a não reagir “emocionalmente” nesse tipo de situação.

00:10:47 --> 00:10:55 – Não. O presidente Putin deixou aquela reunião, não porque alguma coisa o tivesse ofendido, mas, isso sim, porque se deu conta de que falar com aquela gente é completa perda de tempo, não leva a coisa alguma.

00:10:56 --> 00:11:14 – Aquele pessoal não quer e nem pode discutir situações críticas, porque eles são figurantes de segunda classe, naquele show. Se todos ali se comportam daquele modo porque não passam de fantoches, nós temos de falar diretamente com quem opera os cordões dos fantoches.

00:11:15 --> 00:11:18 – E se eles tampouco compreendem o que se passa, aí, já é outro problema.

00:11:19 --> 00:11:28 – De minha parte, tendo a crer que são fantoches, o que não implica que sejam levados em consideração nas políticas do operador dos fantoches. São partes relevantes, só, no funcionamento de determinadas regras do jogo.

00:11:29 --> 00:11:36 – Falo das regras que têm a ver com uma espécie de “politicamente-correto liberal” que está tão profundamente plantada na consciência deles que nem que quisessem conseguiriam livrar-se delas.

00:11:37 --> 00:11:40 – Então, continuam, como hamster que corre sem parar em sua gaiola de arame, e não está indo para lugar algum.

00:11:41 --> 00:11:46 – É completamente inútil falar com eles. Então, temos de criar modelos alternativos.

00:11:47 --> 00:11:50 – Em termos gerais, temos de esquecer por algum tempo a União Europeia e os EUA.

00:11:51 --> 00:11:57 – A UE não é entidade viável. O modo como se espatifará em pedaços, é questão à parte do que discutimos aqui.

00:11:58 --> 00:12:14 – Pode acontecer de tentarem salvar um corpo de duas metades: uns pedaços da velha Europa Ocidental formarão uma União Europeia de 1ª classe; e o Leste da Europa formará outra União Europeia de 2ª classe.

00:12:15 --> 00:12:21 – O que interessa agora, é que essa discussão não nos diz respeito e deve parar imediatamente.

00:12:22 --> 00:12:29 – Ao dizer que é necessário forçar a zona de livre comércio com os EUA, a chanceler Merkel, de fato, põe fim à União Europeia.

00:12:30 --> 00:12:32 – Por hora, é assunto para esquecer.

00:12:33 --> 00:12:59 – O agudo conflito entre forças pró-Ocidente e forças eurasianas [no Brasil, se falaria de “forças pró-EUA” e forças continentais integracionistas bolivarianas (NTs)] que começou na Rússia no início dos anos 1990s, alcançou hoje alto nível, quando forças anti-FMI, se não derrotaram totalmente os neoliberais, pelo menos já se fazem ouvir.

00:13:00 --> 00:13:13 – Temos de ver se as forças neoliberais são capazes de apresentar pelo menos algum argumento racional à sociedade. Até agora, os argumentos deles são só argumentos de autoridade, da posição de poder.

00:13:14 --> 00:13:19 – Dizem: “Seguinte, amigos: nós controlamos o FMI, então... vocês não vivem sem nós”.

00:13:20 --> 00:13:24 – É mais do que claro, hoje, que o FMI nada nos dará, e já vimos isso. Então, eles precisam apresentar outra abordagem.

00:13:25 --> 00:13:31 – Mas... E o que teriam a oferecer? Destruição da educação pública? Destruição da assistência pública à saúde? Destruição das aposentadorias e pensões? Têm o que, a nos oferecer? O sistema bancário?!

00:13:32 --> 00:13:37 – A verdade é que tudo em que os neoliberais põem a mão, vira poeira.

00:13:38 --> 00:13:42 – Se o presidente Putin da Federação Russa escolher as vias neoliberais, temo que seu poder vire poeira

[Fim da transcrição]. 
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[*] Mikhail Leonidovich Khazin (1962), economista, autor do livro Sunset of the Dollar Empire and the End of the Pax Americana (2003). Sobre o livro, há entrevista interessantíssima (inglês)em: Mikhail Khazin: U.S. will soon face second “Great Depression”