quinta-feira, 30 de abril de 2015

O que quer Obama com seus tratados TPP & TTIP?

26/4/2015, [*] Eric Zuesse, Countercurrents
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Sherrod Brown e Elizabeth Warren
A motivação por trás do tratado comercial Trans-Pacífico (TPP) e do tratado comercial Trans-Atlântico (TTIP) de Obama — a motivação por trás desses dois tratados internacionais monstros – é a mesma, e os senadores Democratas dos EUA, Elizabeth Warren e Sherrod Brown estão certos: são tratados que nada têm de progressistas. Têm a ver com transferir poder político que é dos eleitores, para bem longe deles; e para entregar aquele poder aos pés da aristocracia internacional (quer dizer, mandar o poder político para o mais longe possível do alcance de qualquer democracia nacional).

Para consumar essa operação trata-se de modificar a coisa mais fundamental: a própria base de poder global. Em vez de essa base de poder estar nos votos democráticos dos corpos nacionais de eleitores, que elegem seus representantes, os quais determinam as leis e regulações, o sistema democrático nacional é convertido no exato oposto do que deve ser: serão os votos de acionistas aristocráticos, da aristocracia internacional, que elegem os diretores das empresas internacionais, os quais, por sua vez, selecionarão os membros dos painéis de comércio internacional que, pelos tratados TPP e TTIP, estarão determinando as leis e regulações que tenham a ver, especialmente, com direitos do trabalho, segurança para os consumidores dos produtos que eles mesmos venderão e meio ambiente.

O enfraquecimento de todas essas leis nacionais pela aristocracia internacional tornará possível baixar sempre mais os salários para a população em geral, que não controla megaempresas internacionais mas só controla o seu próprio trabalho pessoal, que perde valor até o valor mínimo por hora de toda a área comercial internacional. Esse novo sistema também permitirá minimizar as leis sobre segurança alimentar e segurança de outros itens e assim maximizar o poder das corporações internacionais para evitar despesas que, sem essas novas leis, seriam obrigatórias para aumentar a segurança dos produtos produzidos.

Todas as despesas relacionadas ao maior risco no consumo de produtos perigosos passam assim a ser cada vez mais descarregadas exclusivamente sobre os ombros dos consumidores dos produtos. Os riscos para o capital dos investidores (que é a coisa que os aristocratas mais querem evitar) são consequentemente reduzidos – e passam a só haver risco para os consumidores e os cidadãos em geral.

Os danos que sejam causados ao meio ambiente passam a ser virtualmente permitidos às corporações internacionais que os provoquem. Todos os custos passam a ser cobrados só do público em geral, em ar tóxico, em água contaminada, etc.. E assim se elimina mais uma categoria de riscos que pesavam contra os investidores. Aumentarão as margens de lucro, o que só beneficia os acionistas, não o público em geral. Os lucros ficarão cada vez mais concentrados nas corporações internacionais e nas famílias que as controlam, e só as perdas serão cada vez mais fartamente distribuídas entre consumidores e trabalhadores – e assim também entre os que mais precisam respirar para trabalhar: o público em geral.

“Governo” significará cada vez mais o agente que impõe e aplica riscos e penalidades ao público em geral; e isso, por sua vez, estimulará o ideal do “livre-mercado” para que haja cada vez menos e menos governo, ou governos cada vez “menores”; é o mesmo que dizer que tudo conspirará ainda mais diretamente para que haja cada vez menos governos “democráticos”.

O tal “governo pequeno” de que falam os aristocratas sempre significou sobretudo isso: transferência de todos os custos a pagar, dos aristocratas para os mais pobres, o chamado “público em geral”.

Assim, a percentagem máxima dos custos – para segurança dos produtos , direitos do trabalho, meio ambiente e segurança para os consumidores dos produtos que eles mesmos venderão – recairá sobre os mais pobres; os acionistas das corporações internacionais ficarão com a menor parte desses custos. Por sua vez, os aristocratas poderão passar adiante, aos herdeiros que eles mesmos designarão, esse poder assim sempre crescente e o controle sobre a maioria da população. A concentração de riqueza só aumentará, limitada a número cada vez menor de famílias, uma hiperaristocracia cada vez mais concentrada.

Efeito do TTIP na União Europeia
Já acontece quase tudo isso, mas muito mais acontecerá se forem aprovados esses tratados TPP e TTIP. (Segundo o mais detalhado estudo sobre o assunto, de 2012, “Os 0,7% mais ricos do mundo possuem 13,67% a mais que os 68,7% mais pobres”. Em outras palavras: o mundo já é extremamente desigual na distribuição da riqueza. Os tratados TPP eTTIP foram concebidos para aumentar essa desigualdade).

Além disso, o Presidente Obama e o Partido Republicano no Congresso (que o apoia nesse assunto e em todos os demais temas que interessam muitíssimo à aristocracia norte-americana, como submeter Rússia, China, Índia e Brasil, os países BRICS — por exemplo, o movimento do governo Obama, de roubar a Ucrânia da aristocracia russa, para entregá-la à aristocracia dos EUA – cuidam de garantir que a aristocracia norte-americana estará cada vez mais no topo, no cenário internacional. Esses tratados comerciais também tiram vantagem do fato de os EUA terem posição geográfica privilegiada para controlar militarmente os dois maiores oceanos do planeta, o Atlântico e o Pacífico.

Em outras palavras: os EUA, com esses tratados TPP & TTIP, estarão em posição extraordinariamente favorável para basicamente garantir o privilégio de exclusividade para a aristocracia norte-americana nesses dois grandes blocos compactos de comércio internacional. Esse privilégio dará à aristocracia dos EUA controle sobre as aristocracias nacionais de praticamente todas as grandes nações industrializadas – que cobrem virtualmente todo o hemisfério norte, que é onde está a maior massa de terras do planeta.

Consequentemente: não apenas a aristocracia global controlará as maiorias globais, mas a aristocracia dos EUA controlará também todas as outras aristocracias, de tal modo que aumentará o poder coletivo delas contra qualquer aristocracia nacional não membro do “bloco”. Assim o Império Norte-Americano será cada vez mais o maior Império global que o mundo jamais viu, explorando os pobres onde haja pobres no mundo, e não apenas os pobres de um ou outro país.


O crescimento econômico da China e o alcance militar de seus vizinhos. Do Brasil à Índia, classes médias em ascensão competem conosco e governos buscam voz mais potente em fóruns globais.

Em outras palavras, disse que parte do serviço daqueles jovens oficiais será ajudar a garantir que os países BRICS e outros países, que têm renda per-capita inferior à norte-americana, permaneçam como até hoje, pobres, para que os aristocratas dos EUA possam continuar a exportar empregos para lá, em vez de pagar salários superiores aos trabalhadores nos EUA. O que Obama disse foi:

(...) que os trabalhadores pobres dos EUA combatam contra trabalhadores pobres em outros países; muito melhor que os investidores norte-americanos terem de competir uns contra os outros nos países pobres.

Obama disse aos militares norte-americanos que são soldados nessa guerra de classes internacional, paga pelos contribuintes norte-americanos mais pobres, mas que, de fato, só interessa à aristocracia norte-americana e é guerra contra os norte-americanos mais pobres – porque só faz achatar salários e cortar garantias trabalhistas, de segurança para os consumidores, etc..

Países que já assinaram o TPP
Essa é a trilha que leva a certo tipo de governo pelos super-ricos e para os super-ricos, mantendo-os e os herdeiros deles no controle de todos os valores em todo o planeta – em recursos naturais e humanos – e usando, como agentes locais pelo mundo os aristocratas locais, que será o pessoal que manterá subjugada a opinião e os votos locais, todos trabalhando para aumentar a riqueza do planeta, desde que ela permaneça em mãos, primeiro, da aristocracia global; segundo, da aristocracia dos EUA na função de aristocracia globalmente dominante.

Dos governos nacionais locais só restará a concha vazia.

Benito Mussolini, que aprendeu todo aquele fascismo do fundador do fascismo, seu professor, Vilfredo Pareto (que Mussolini chamou de “o Karl Marx do fascismo”), e que foi também fundador da moderna teoria econômica e, especialmente, de seu Critério de Bem-estar, que tão fortemente modelou toda a economia e, sobretudo, as análises de custo-benefício (como a análise de meios que foram propostos para controlar o aquecimento global), explicou como segue o “corporacionismo” que, para ele, constitui o fascismo:

A corporação joga no terreno econômico exatamente como o Conselho Superior e o exército jogam no terreno político. O corporacionismo é economia disciplinada, e daí advém o controle, porque não se pode conceber disciplina sem diretor. O corporacionismo está acima do socialismo e acima do liberalismo. Criou-se uma nova síntese.

Adiante, nesse postado, depois desse artigo, ofereço um ensaio de Mussolini sobre esse tema, no qual expõe o que chama de ideologia pós-capitalista pós-socialista, e que o autodescrito pós-capitalista e pós-socialista Barack Obama (como agente da aristocracia global) está cada vez mais pondo, realmente, em prática – especialmente mediante os tratados TPP & TTIP.

Sobre especificamente trocas comerciais internacionais, o mestre de Mussolini, Pareto, disse que o livre-mercado deve reinar supremo e em todos os sentidos sem peias que lhe imponha o Estado, não só dentro das nações, mas também e, mesmo, especialmente, entre as nações. Como observei, em meu novo livro sobre o desenvolvimento histórico do fascismo até e incluindo também o nosso tempo:

Pareto foi consistentemente livre-mercadista purista, desde pelo menos 1896. Por exemplo, em artigo de 1/9/1897 “As Novas Teorias da Economia”, publicado no Journal of Political Economy, Pareto diz:

“Fosse eu de opinião que algum livro contribuiria mais que outro para estabelecer o livre-mercado no mundo em geral, não hesitaria um instante em me entregar de alma e coração ao estudo desse específico trabalho, deixando de lado, durante esse estudo, todo o estudo da ciência pura”. Diz também, no mesmo artigo: “Temos conseguido provar com vigor que os coeficientes de produção são determinados pelos empresários em regime de livre concorrência, precisamente do mesmo modo como um governo socialista teria de corrigi-los se quisesse realizar o máximo de ofelimidade [1] [termo inventado por Pareto para welfare, “bem-estar social”, para obscurecer o real valor-base e permitir que os economistas fingissem ser livres de valores, mesmo quando classificavam as coisas em análises de custo/benefício em que aplicam, de fato, a teoria pró-aristocracia ou ‘fascista’ do próprio Pareto]para seus objetos”. [Interessante também o ato falho de Pareto, para quem governos não teriam “cidadãos”, mas “objetos” – sempre subjacente o pressuposto aristocrático de que a maioria são “objetos”, nunca cidadãos reais].

Pareto sempre afirmou que nenhum governo socialista jamais conseguiria tal resultado, mas aqui diz que o livre mercado o faria naturalmente, exatamente como os fisiocratas disseram que a “lei natural” deve reinar, em vez de suavizações dela.

Pareto foi a base da economia de Adam Smith e da economia dos fisiocratas franceses que lançaram os fundamentos da teoria econômica de Smith, sobre uma base que economistas posteriores puderam desenvolver matematicamente, de tal modo que ocultariam o fascismo essencial da teoria – a forma modernizada (i.e., pós-agrária) de feudalismo.


Barack Obama e os Republicanos do Congresso estão, simplesmente, levando essa operação fascista ao nível seguinte.

Quanto aos Democratas do Congresso, estão divididos sobre o assunto, porque (pelo menos até a nova teoria econômica que exponho em meu novo livro) ninguém ainda formulara uma teoria econômica para estado democrático.

A teoria econômica hoje dominante foi concebida especificamente para um fascismo — um estado controlado aristocraticamente.

Consequentemente, os poucos Democratas que ainda há no Congresso dos EUA estão tendo muita dificuldade para explicar rapidamente à opinião pública o que está realmente em jogo, em termos políticos e econômicos, nos tratados TPP e TTIP propostos por Obama: a transferência da soberania nacional democrática para uma aristocracia internacional fascista, que será dominada pelos aristocratas norte-americanos.

Sem essa transferência, da soberania democrática nacional a corpos fascistas internacionais que representam a gestão corporativa global, os tratados TPP e TTIP de Obama seriam nada.

Essa transferência aparece, nos tratados, sob a rubrica de “Arbitragem para Resolução de Disputas Investidor-Estado” (ARDIE), em inglês Investor-State Dispute Settlement, ISDS.

E é realmente a emergência de um governo mundial caracteristicamente fascista. Não é mecanismo de modo algum democrático, e é assustadora forma de governo internacional o qual, na medida em que se torna imposto, reduz a soberania nacional. A proposta anterior, progressista, de governo mundial, que virou moda depois da IIª Guerra Mundial, para dificultar uma IIIª Guerra, era baseada na ideia de uma federação internacional de democracias independentes. A ARDIE (ISDS), de Obama, nada tem a ver com aquela visão original de governo mundial. Agora se trata de puro fascismo, numa escala internacional.

Nas primeiras décadas depois da IIª Guerra Mundial, predominou a visão de Franklin Delano Roosevelt do que seria um emergente governo mundial democrático, que se orientava para uma emergente ONU democrática, que evoluiria para acolher de modo cada vez mais democrático, mais e mais pedaços do mundo.

Mas depois que começou a ser recomposto o controle pelos Republicanos nos EUA, com Dwight Eisenhower e os irmãos Dulles que “Ike” promoveu, com a tarefa de controlar e modelar as políticas externas futuras dos EUA, as coisas andaram rapidamente na direção de um controle mundial centrado cada vez mais na aristocracia norte-americana (especialmente a partir do golpe de 1953 , conduzido pela CIA de Allen Dulles, no Irã). Hoje, Barack Obama segue atentamente essa tradição fascista, que sempre foi típica dos Republicanos, por mais que se apresente nominalmente como “um Democrata”.


Há analistas que há muito tempo insistem em que Obama seria criação da CIA e desde muito jovem. (Quando Eisenhower assumiu a presidência, pôs no comando os pró-nazistas da CIA; na sequência, esse comando só fez entrincheirar-se cada vez mais fundamente naquela organização.) O falecido jornalista britânico Robert Fitch parece ter visto logo quem era Obama, já desde 14/11/2008, pouco depois da eleição para a presidência. Basicamente, Fitch descreveu Obama como um fascista determinado a chegar ao poder induzindo os progressistas a crer que ele seria um deles. Retratou Obama como um Cavalo-de-Troia, Republicano travestido com retórica Democrata, agente conservador. Acertou, desde o primeiro momento.

Faz pleno sentido com o que, não pela teoria econômica, mas segundo indicam estudos empíricos de economia, será o efeito provável dos tratados TPP e TTIP. Foram feitas duas análises econômicas independentes, uma dedicada a cada um desses tratados internacionais de comércio – e as duas análises chegaram à mesma conclusão: os povos em todos os cantos do mundo perderão riquezas em razão dos tais tratados; mas os aristocratas, principalmente nos EUA, ganharão riquezas também em razão dos mesmos tratados. Os tratados provavelmente levarão aos efeitos para os quais foram concebidos.

Quanto ao que alguns dos defensores de Obama dizem sobre seus tratados comerciais, a saber que o mecanismo de “Arbitragem para Resolução de Disputas Investidor-Estado” (ARDIE), em inglês Investor-State Dispute Settlement, ISDS, seria apenas um detalhe, é piada macabra: é como dizer que a saúde de alguém está ótima, mas o cérebro ou o coração estão tão mal que talvez precisem ser trocados. Toda essa gente sabe que os tratados são mau negócio para muitos; por isso precisamente o apoiam tão empenhadamente. São pagos pela aristocracia, para “argumentar” por ela.

E COM HILLARY CLINTON? ALGUMA COISA MELHORA?

E quanto à aspirante ao posto de Obama? Fará diferente? Eis o currículo da candidata sobre o mesmo tema:

Dia 23/2/2008, Hillary Clinton pôs-se à frente de câmeras e microfones para fazer sermão, com voz zangada: “Que vergonha, Barack Obama!” – e denunciou que dois flyers de campanha de Obama estariam divulgando mentiras sobre ela.

Um dos flyers dizia que o projeto dela para a saúde pública castigaria os norte-americanos que não tivessem seguro-saúde individual. Era verdade, mas ela insistira em negar tudo. (Depois de eleito, Obama copiou o plano dela, praticamente em todos os detalhes).

O outro flyer contra o qual Hillary protestava, citava o que seriam palavras de Hillary sobre o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (ing. North American Free Trade Agreement,NAFTA) em 2006: “Clinton acha que o NAFTA foi uma bênção para a economia”. Em 2008, Hillary insistia que era mentira. Muitos jornalistas logo apoiaram as acusações dela contra Obama nesse ponto, porque “uma bênção” [orig. “a boon”] era expressão inventada porNewsday, não era expressão dela. Mas outra vez quem estava mentindo no plano da substância era Hillary, não Obama.


Em seu livro de 2003 Living History (p. 182), ela realmente se vangloria de o marido ter conseguido aprovar o NAFTA, e dizia:

Criar uma zona de livre comércio na América do Norte – a maior zona de livre comércio do mundo – expandiria as exportações dos EUA, criaria empregos e garantiria que nosso país colhesse os benefícios, não só os prejuízos, da globalização.

Seria uma das realizações dela, de que ela mais se orgulhava (p. 231) “os sucessos de Bill no orçamento, a lei Brady e o NAFTA”. Em 2008, Hillary exigia desculpas pelo flyer que Obama distribuíra, no qual se lia “Só Barack Obama opôs-se ao NAFTA e a outros maus tratados comerciais”. De fato, o flyer de Obama não mentia, independente do que diziam Hillary e muitos dos principais veículos da mídia-empresa de “noticiário”, em 2008. (Obama estava guardando o pior dele para depois que fosse eleito — e, principalmente, para depois que fosse reeleito, quando estaria livre para avançar para a extrema direita, que sempre foi sua inclinação genuína desde o início; mas nunca poderia alcançar seus objetivos, se, de início, não os ocultasse, para conseguir chegar à posição da qual poderia afinal promovê-los).  

Dia 28/3/2008, um dia depois de Hillary finalmente distribuir os documentos relativos aos seus anos na Casa Branca, John Nichols blogou em Nation: “Mentira de Clinton Mata a Credibilidade Dela na Política Comercial”. No texto, dizia:

Agora que já lemos, nas 11 mil páginas de documentos da Casa Branca dos Clintons liberados essa semana, que a [ex-] Primeira Dama foi apaixonada defensora do NAFTA; (...) agora que sabemos que ela esteve no centro das manobras para bloquear todos os esforços dos trabalhistas, dos agricultores, dos grupos de defesa de direitos humanos e do meio ambiente para conseguir acordo menos catastrófico; (...) agora que sabemos, dos registros oficiais do tempo em que a própria Primeira Dama discursou, em reunião a portas fechadas com 120 mulheres formadoras de opinião, que receberam instruções precisas para pressionar seus deputados e senadores para que votassem a favor do NAFTA; agora que já sabemos da reportagem da ABC News sobre a sessão, em que se lia que “tudo o que a Primeira Dama disse foi totalmente pró-NAFTA” e que “não havia nenhuma dúvida, naquele momento, de que ela apoiava o NAFTA”'; (...) o que se faz agora, então, do mote de campanha eleitoral de Hillary, de que ela jamais se sentiu confortável com um Tratado que custou aos EUA centenas de milhares de empregos?!

Dia seguinte, Jane Tapper, da ABC, em seu Blog “Political Punch”, publicou em manchete: “Campanha de Clinton mente sobre a Reunião que ela coordenou sobre o NAFTA”, e escreveu:

Agora já falei com três ex-funcionários do governo Clinton nos quais confio, e eles me disseram que Hillary só se opunha à ideia de que a lei do NAFTA fosse votada antes da reforma da saúde que ela estava promovendo; e que jamais, nem em público nem privadamente, manifestou qualquer oposição ao conteúdo do Tratado NAFTA. Apesar disso, a campanha da ex-Primeira Dama continua a divulgar a mentira de que ela teria combatido o NAFTA.

E Hillary continuou a mentir, mesmo depois que todos já sabiam que o que ela dizia era comprovadamente falso.

Hillary foge do passado...
Conclusão: a única diferença real entre Hillary Clinton e Barack Obama é que Obama é mentiroso muitas vezes mais competente. Por isso chegou até onde chegou. Ela provavelmente não chegará: Hillary é hoje a mesma incompetente que era há mais de dez anos.
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Nota dos tradutores
[1] Orig. ophelimity. Do italiano ofelimità, pelo grego ōphelimos: útil, que ajuda, que tem serventia (verbo gr. ōphelein: ajudar, de ophelos, ajuda, vantagem), mais a terminação do it., -ità, ing. –ity, port. –idade. Tradução tentativa: “ofelimidade”.
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[*] Eric Zuesse é historiador. Seus livros mais recentes são They're Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010 [Ainda não estão nem perto: resultados econômicos de Democratas x Republicanos, 1910-2010] e CHRIST'S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity [Ventríloquos de Cristo: o evento que criou a cristandade] e Feudalism, Fascism, Libertarianism and Economics [Feudalismo, Fascismo, Libertarismo e Economia].

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sobre guerra e xadrez

15/4/2015, [*] Rostislav Ishchenko – The Vineyard of the Saker
Traduzido do russo p/ inglês: Evgenia
Traduzido do inglês pelo pessoal da Vila Vudu


The Saker
Xadrez é jogo muito antigo, que reproduz ações militares com acuidade invejável. O desenvolvimento da tecnologia da computação permitiu que se criassem coloridos jogos de estratégia, de computador, nos melhores dos quais se alcança a vitória equilibrando vários parâmetros (incluindo economia, recursos naturais e outros). Mas nenhum desses jogos chega sequer perto de reproduzir a situação estratégica real, no nível em que é reproduzida num um simples jogo de xadrez.

Até o desenvolvimento da teoria do xadrez é idêntico ao desenvolvimento do pensamento militar. As partidas jogadas há 200, 300 anos por grandes jogadores de xadrez e campeões afamados impressionam muitas vezes pela simplicidade; o que eles descobriram é hoje já muito bem sabido por qualquer enxadrista principiante. Assim também, as descobertas táticas e estratégicas de Miltiades e Epaminondas; Ciro, O Grande; Alexandre, O Grande; Aníbal e Cesar, que, hoje, são bem conhecidas de qualquer aluno, não só de academia militar, mas também do Colégio Militar Suvorov.

Nem por isso esses conhecimentos resultam em número maior de grandes líderes militares ou de grandes jogadores de xadrez. Já se percebeu há muito tempo, e não fomos nós que descobrimos, que aderência estrita às regras do jogo, seja no xadrez seja nas atividades militares muitas vezes resulta em vitória sobre oponente mais fraco, mas leva apenas ao empate (o famoso impasse posicional da 1ª Guerra, ou as infindáveis manobras sem sentido dos exércitos europeus no século 18) em confronto contra oponente que tenha recursos comparáveis e treinamento teórico assemelhado.

Vitórias realmente grandes, vitórias nas quais forças mais fracas ou iguais esmagam o inimigo, só são possíveis se se quebram regras. Nesse sentido, o xadrez e a teoria militar podem ser descritos numa mesma e única frase: “Quem não assume riscos não bebe Champanhe”. Maior o risco, mais completa a vitória; mas se acontece de o inimigo ser mais talentoso (ou ter, simplesmente, mais sorte), nesse caso a derrota do ousado-temerário será devastadora.

Para vencer, é indispensável abrir a posição no momento certo e então se manter sempre à frente do oponente, tomando mais rapidamente decisões mais consistentes. Um grande jogador de xadrez, como um grande comandante militar, pode encontrar o momento certo quando o empate posicional previsto à frente tem de ser convertido num não-sabido que não pode ser calculado com precisão. Confiança nos primeiros três passos, rapidez e intuição trazem a vitória. Contudo, para fazer esse jogo, o(a) jogador(a) tem de estar perfeitamente seguro(a) de si mesmo(a) e dos próprios recursos.

Diz-se que guerra é uma extensão da política por outros meios. Na verdade, guerra é política em sua forma mais pura, concentrada e não mascarada por convenções diplomáticas nem desinformações ‘jornalísticas’. Estados não são gente. Gente pode ser amiga sincera de gente. Estados, até quando amistosos, mesmo assim são destinados a lutar por poder e domínio (ou por melhores condições para seus cidadãos). O aliado de hoje é o concorrente de amanhã (ou vice-versa).

Significa que o básico da estratégia militar (ou do xadrez) é aplicável para descrever todas as rotinas globais diárias. É importante ter em mente, contudo, que um jogador de xadrez tem de operar com um número limitado de peças que podem compor número limitado de combinações possíveis. Um comandante militar em campanha lida com número muito maior de fatores que tem de levar em consideração e calcular, afora os fatores não sabidos e imprevisíveis. Há também dezenas e centenas de milhares, talvez milhões, de opiniões subjetivas e desejos individuais dos seus subordinados, além de ocorrências inesperadas como súbitas mudanças de temperatura ou de traços da paisagem não registrados nos mapas, etc. Apesar disso tudo, em geral o comandante militar também lida com número finito de combinações, que podem ser calculadas mais ou menos acuradamente (por mais que a sorte, nesse caso, tenha papel muito significativo).

Na política, só se podem calcular tendências. Os resultados das ações planejadas e executadas por você ou por seu adversário só podem ser apreciados em termos de probabilidades, porque bilhões de livres desejos da humanidade, além de qualidades individuais imprevisíveis e possíveis reações a esse ou outro estímulo de dezenas de milhares de políticos e funcionários públicos, que determinam a implementação de cada ação, levam os resultados de suas decisões para o reino das coisas desejadas, não das coisas garantidas. Isso exige correções continuadas nos planos e ações, de acordo com circunstâncias sempre em mudança.

Guerra e xadrez
Eis por que em política, diferente do jogo de xadrez e da ação militar, super exigir os recursos do oponente e distrair a atenção dele dos objetivos estratégicos críticos têm papel muito mais importante. Além disso, em política até o ponto mais insignificante pode tornar-se crítico e estratégico.

O que você faz, num jogo de xadrez, se você se descobre numa situação difícil, quando a posição do seu oponente é claramente mais forte? Você tenta encontrar um movimento que resulte em ameaça contra ele em outro ponto do tabuleiro, que possa crescer mais depressa do que o adversário consiga capitalizar a favor da posição vantajosa em que ele está. Mas suas posições podem ser calculadas e em muitos casos é possível dizer quem está ganhando e quem está perdendo, assumindo basicamente os movimentos certos.

Um comandante militar que se vê com uma crise nas mãos e sem recursos para responder a ela, age de modo bem semelhante. Tenta criar para seu oponente uma dificuldade noutra área, e pode até chegar à vitória, se consegue passar à frente do inimigo ou se força o oponente a parar sua operação bem-sucedida porque tem de usar os recursos para enfrentar o problema recém surgido. Na maioria dos casos desse tipo, é impossível prever quem vencerá. Quando os recursos são mais ou menos comparáveis, há excesso de fatores não conhecidos que influenciam o resultado final. Por isso é que, numa guerra, não se assumem riscos que não sejam absolutamente inevitáveis, e a primeira coisa a fazer sempre é estabilizar a situação antes de pensar com dar andamento à operação ou preparar-se para operação nova.

Na política dão-se passos semelhantes. Mas nesse caso praticamente não há fatores conhecidos. Como já ficou dito acima, tudo o que se conhece são tendências e dinâmicas do processo. Sabe-se claramente quem está caindo, quem está subindo e onde está o ponto em que se cruzarão, se os vetores e as dinâmicas permanecerem estáveis. O resto é desconhecido. Essa é a razão pela qual políticos sábios, no governo de estados, tentam não provocar outros estados, uma vez que em algum momento os eventos podem escapar de qualquer controle, e engolir os políticos que iniciaram os eventos.

Além disso, não só a possibilidade de desenvolvimento incontrolável da situação é alarmante, mas também é alarmante a impossibilidade de prever-se o momento exato em que ocorrerá a perda de controle. Assim, em qualquer momento durante uma crise política, é impossível dizer se os líderes políticos ainda têm controle sobre os eventos ou se o ‘controle’ não passa de delírio-ilusão (dos próprios líderes, como também de qualquer outra pessoa).

Por isso, quanto maior o número de pontos críticos em que podem colidir os interesses dos atores chaves, mais ativas as tentativas que fazem para super exigir dos recursos do inimigo; mais perigosa fica a situação; e menores são as chances de manter controle adequado sobre os eventos. Nesse caso, além disso, o direito de tomar decisões estratégicas progressivamente cai para planos hierarquicamente inferiores (frequentemente sem notificação aos líderes nominais). Essa é a condição em que encontramos o mundo hoje.

Perdendo consistentemente em cada crise, os EUA criaram crise após crise, para distrair a atenção e tentar super exigir dos recursos de seus oponentes.

Compreendo que muitos digam que os EUA venceram na maioria das crises. Até dão exemplos: Hussein foi deposto no Iraque; Gaddafi, na Líbia; na Ucrânia, o regime nazista que chegou ao poder com a ajuda dos EUA controla grande parte do território. Mais exemplos há, e tudo parece muito bem parado. Mas há um problema: cada ação tinha um objetivo, que não é necessariamente o mesmo que hoje se vê no resultado.

Bank of BRICS
Os EUA com certeza não depuseram Hussein e Gaddafi para entregar o poder daqueles territórios ricos em jazidas de petróleo a islamistas extremistas. Tampouco levaram nazistas ao poder na Ucrânia porque estivessem preocupados com o bem-estar dos nazistas. Essas ações foram empreendidas com um e único objetivo em mente: alterar as tendências geopolíticas mundiais de enfraquecimento dos EUA e da União Europeia – com Rússia, China, Índia, Brasil e África do Sul (os países BRICS e outros menos visíveis, mas também economias em desenvolvimento) cada dia mais fortes.

O fim da dominação econômica pelo ocidente era processo visível e podia ser facilmente calculado no quadro do modelo global contemporâneo. Mas os EUA ainda conservaram uma gigantesca vantagem política e militar.

Usando esse seu trunfo, os EUA tentaram criar uma situação na qual os recursos de seus atuais e potenciais oponentes geopolíticos fossem consumidos mais depressa que os recursos dos EUA. Idealmente, os recursos dos EUA poderiam até aumentar à custa dos recursos dos seus oponentes. Em tal cenário, todos os problemas dos EUA estariam resolvidos.

Mas em praticamente nenhuma das áreas de crise, os EUA conseguiram induzir seus oponentes a super expor e super desgastar os próprios recursos, enquanto os próprios EUA, esses sim, comprometeram-se em novos gastos para apoiar os regimes que eles levaram ao poder. Implica dizer que os golpes vão muito-bem-muito-bom na superfície, por fora, tudo parece ótimo. Mas o objetivo estratégico não foi alcançado. Além disso, quanto mais espetacular parece o sucesso, pior é a situação real (despesas cada vez mais altas) e mais se aproxima a derrota final.

É muito similar ao que aconteceu a Napoleão em 1812 [havia um erro no original, nessa data, aqui já corrigido (NTs)]. Ele está avançando, os russos estão em retirada, mas não só não há vitória como, também, o Grande Exército está avançando rumo às entranhas da Rússia, e quanto mais avança, pior fica sua posição estratégica. Até que Napoleão entra em Moscou. Segundo todas as aparências, era a vitória. Imediatamente Napoleão mandou Lauriston para negociar com Kutuzov e Alexander I, com instruções para concluir a paz a qualquer custo (palavras chave: “a qualquer custo”). Tinha razão para a pressa: em outubro foi forçado a sair de Moscou; e em dezembro o Grande Exército já não existia.

A Ucrânia é a única região em que os EUA tiveram sucesso, embora apenas relativo. Por efeito da guerra civil, a Rússia está forçada a consumir alguns recursos para prover ajuda humanitária e dar apoio político e diplomático ao Donbass, além de ter de preparar-se para agravamento da situação política e militar em sua fronteira de sudoeste. Essa prontidão também consome recursos.

Apesar disso tudo, até mesmo na Ucrânia, os EUA estão gastando mais para manter no poder o regime de Kiev, do que a Rússia, para ajudar as repúblicas do Donbass. Adicionalmente, os EUA fracassaram no esforço para arrastar para o conflito a União Europeia. E ainda mais: nos últimos meses, a Europa só fez tentar afastar-se gradualmente dos EUA.

Assim sendo, considerados todos os vários conflitos caríssimos em que está metida, a posição de Washington nada tem de invejável. E absolutamente ninguém pode dizer que a situação geopolítica geral dê motivos para otimismo.

As guerras dos EUA
Primeiro, o fato de que os EUA promoveram guerras civis na Líbia, na Síria e no Iraque mostra que os norte-americanos optaram por queimar até as raízes a terra que não tem meios para conservar como sua. Washington concluiu que o fogo custa praticamente nada e ainda pode dar lucro, se manobrado corretamente. Até aqui as regiões que estão sendo queimadas ainda exigem que os EUA gastem dinheiro, mas é muito menos dinheiro do que seria necessário para manter regimes condicionalmente estáveis (palavra chave: “condicionalmente”) pró-EUA.

Segundo, ao promover a criação do estado nazista na Ucrânia, os EUA entraram em confronto direto com a Rússia. Independente do que digam os funcionários do governo em Moscou, é guerra. Guerra muito real de destruição, até aqui ainda sem contato direto entre os exércitos das superpotências (palavras chaves: “até aqui”).

É como se, no México, a Rússia instalasse no poder (mediante golpe armado) e passasse a apoiar ativamente, forças que declarassem que o principal objetivo delas era a devolução de todos os territórios que o México perdeu como resultado da guerra EUA-México de 1846-1848, e também das possessões espanholas na Flórida. Pode-se esperar que essa guerra permaneça como um tipo novo de guerra, mas as ações dos EUA estão empurrando a situação para um ponto em que ficará completamente fora de controle (fora do controle dos EUA). E não importa quem viva na Casa Branca ou o que pense sobre isso, essa guerra terá de ser guerreada, e os EUA terão de iniciar o Armagedon).

O terceiro ponto comprova isso. Tendo perdido tudo na Ucrânia (lembremo-nos de que os EUA consomem mais dos seus recursos em Kiev, do que a Rússia em Donetsk, quando o plano era conseguir o oposto disso), os EUA começaram a preparar-se para novo movimento no jogo, para desviar a atenção dos russos dos pontos em que os EUA são vulneráveis; para isso, tentaram atrair as atenções para novos perigos em novas direções.

Dado que já é óbvio que os gastos nas zonas de conflito que os EUA criaram impedirão que os EUA acumulem recursos para vencer a guerra (por recursos), o único movimento vencedor (e o empate é impossível nessa situação) seria destruir a Rússia. Quer dizer: para que os EUA conservem por mais algum tempo o domínio global, a Rússia tem de desaparecer (tem de desaparecer, no mínimo, a forma de Rússia que existe hoje).

Destruição mútua?
O único meio para conseguir esse resultado (exceto a mútua destruição garantida) é explodir o país de dentro para fora. Já se veem vários passos que são dados, obviamente, para alcançar esse objetivo. Especificados:

1. Continuam as tentativas para desacreditar os governantes russos.

2. São promovidas atividades de rua de todos os tipos (não necessariamente de tipo “cidadãos pela paz”) que possam gerar tumultos que levem a total ou parcial perda de controle sobre os eventos, pelas autoridades locais e em várias regiões (mas para começar basta que haja tumultos numa única grande cidade, a partir da qual os eventos desenvolvem-se exponencialmente).

3. Está em testes a viabilidade de os EUA desestabilizarem aliados da Rússia na União Econômica Eurasiana (os primeiros alvos são Armênia, Bielorrússia e Cazaquistão).

4. Estão em curso tentativas para criar áreas de conflito nas fronteiras da Rússia (estados do Báltico) ou nas regiões com presença russa (Transnistria).

5. E não se devem excluir provocações militares diretas (inclusive atos terroristas) contra territórios russos (Crimeia, região Krasnodar, regiões em torno da Ucrânia, região de Kaliningrado), conduzidas a partir de territórios de países vizinhos, com participação direta ou indireta (instrutores) de pessoal militar dos EUA e de alguns outros países da OTAN.

A Rússia está em posição que lhe permite superar essas ameaças. Mas os EUA sabem disso. Portanto, para que o jogo seja bem-sucedido, tem de ser jogado em “área de falta”. Significa que Moscou será posta em situações nas quais não conseguirá fazer o cálculo estratégico para definir se medidas tomadas para defender a própria soberania levarão ou não levarão a resposta militar dos EUA... ou se os EUA estão blefando. O mais perigoso de tudo é que Washington também nunca saberá se blefa, se fala sério.

Primeiro, porque em política o blefe só dá certo se você mesmo não tem muita certeza de que esteja blefando e mantém-se sempre pronto para a qualquer momento saltar da banda, para fora do contexto do blefe.

Segundo, na luta política, políticos que blefam sempre estão pressionados pelas tentativas dos oponentes para obrigá-los a admitir o blefe, admissão que pode roubar votos nas eleições seguintes.

Tudo isso significa exclusivamente o seguinte: os EUA estão condenados a continuar subindo as apostas do jogo. Não só por interesses econômicos ou de política exterior, mas também por causa da natureza da luta interna pelo poder dentro dos EUA.

Luta interna pelo poder
A situação política atingiu o ponto quando nenhum político individualmente, não importa o quanto seja poderoso e influente, pode dizer que controla os eventos. Os processos desenvolvem-se seguindo lógica própria deles mesmos.

Ainda é possível repor os eventos sob controle, mediante esforço coordenado da maioria das partes interessadas. Mas para que isso aconteça, é preciso que a Europa, pelo menos (e mesmo sem a Grã-Bretanha), una-se aos esforços de China e Rússia.

É importante compreender que a noção enxadrística de “aperto de tempo” (Zeitnot, quando o jogador é pressionado pelo tempo) não se aplica só ao jogo de xadrez. Interfere muito mais dramaticamente na atividade militar ou política. E nós estamos à beira desse “aperto de tempo”. Esperemos que o “aperto de tempo” não se some, agora, à situação de  Zugzwang (jogada obrigatória, que piora a situação do jogador).

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[*] Rostislav Shchenko é Presidente do Centro de Análise Sistemática e Previsões políticas da Ucrânia.