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domingo, 24 de maio de 2015

“Parcerias” de Obama: fascismo internacional

22/5/2015, [*] Eric Zuesse – Countercurrents 
How The Media Deceive The Public About “Fast Track” And The “Trade Bills”
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 

 
A “Tramitação de Urgência” [orig. Fast Track] é exposta ao povo nos EUA como método alternativo para que o Senado aprecie as “Parcerias” [“Parceria” Trans-Pacífico (ing. TPP) e a “Parceria” Transatlântica para Comércio e Investimento (ing. TTIP)] que o presidente está encaminhando. E dizem que esse método alternativo seria “sistema no qual não se admitem emendas, e o voto é em bloco, para aprovar ou rejeitar toda a lei em apreciação”. 
 
Na verdade, estão inventando que “Tramitação de Urgência” permitiria aprovar os dois Tratados apresentados pelo Presidente com apenas 50 votos “Sim” no Senado. 
 
Problema, aí, é que a “tramitação de urgência”, como descrita na Constituição (Seção 2) dos EUA determina que o presidente “terá poder, mediante e com o aconselhamento e aprovação do Senado, para fazer tratados com outros países, se e somente se o tratado for aprovado por dois terços dos senadores. Quer dizer: a aprovação exige que 67 senadores votem “Sim”: 67, não 50 senadores. 
 
Em outras palavras: a tal “Autoridade para promover a tramitação de Urgência em leis para promover o comércio” [orig. Fast Track Trade Promotion Authority”] (invenção do imperial Richard Nixon em 74, para fazer avançar seu projeto de Executivo ditatorial, no qual a presidência teria poderes de ditador), rebaixou por sua conta a maioria Constitucionalmente determinada, de 67 votos “Sim” no Senado, para apenas 50. 
 
A lei da maioria super qualificada que a Constituição determina visa a dificultar especificamente a aprovação de qualquer tratado entre os EUA e outros países. A mesma maioria de 2/3 se exige na Câmara de Representantes e no Senado. Tratados desse tipo, entre os EUA e outros países só são legalmente válidos se aprovados ou por maioria de 2/3 (maioria super qualificada) no Senado e na Câmara de Representantes (...); ou por uma convenção nacional convocada a pedido das duas casas legislativas, com presença de pelo menos 2/3 [hoje, 34] dos estados
 
Obter os votos de 2/3 de cada uma das casas legislativas do Congresso para aprovar alguma lei é difícil, mas já aconteceu 27 vezes, porque todo o processo era público, e porque havia farto apoio de cada uma e de todas as Emendas. 
 

 
Diferente disso, as chamadas “parcerias” – embora, na verdade sejam tratados de comércio internacional – que Obama tenta impor continuam a ser negociadas sob o mais impenetrável segredo. 
 
A diferença entre exigir aprovação de 67 senadores versus aceitar a aprovação de apenas 50 senadores é, na essência, aceitar a aprovação de documento que será, na verdade, não aceitável para a maioria quando, algum dia, os norte-americanos forem afinal informados sobre o que foi “aprovado” em nome deles – o que só acontecerá anos depois de o tratado já ser vigente e já estar gerando efeitos. 
 
Essa é a razão pela qual só uma ínfima porção de autênticas “leis do comércio” algum dia precisaram recorrer à Autoridade para Promover a Tramitação de Urgência em Leis para Promover o Comércio”, de Nixon, para serem aprovadas; a maioria das leis comerciais são aprovadas no regime normal de tramitação. 
 
Presidente algum requer para si a tal “Autoridade para Promover a Tramitação de Urgência em Leis para Promover o Comércio” a menos que esteja apresentando ao Congresso algum tratado que será tão danoso para o povo dos EUA, que apenas poucos representantes e senadores o aprovariam — e o tal projeto deva precisar de muito menos votos para ser aprovado. 
 

No caso dos tais tratados de “Parcerias Comerciais” trata-se do quê?
 
São tratados nos quais apenas uma porção ínfima dos dispositivos têm a ver com “comércio”, com tarifas ou outros favorecimentos legais em direção a algumas nações e em oposição a outra. Em outras palavras: as “parcerias” de Obama cedem a soberania nacional dos EUA a corporações transnacionais. Questões de tarifas e outras disputas comerciais entre nações são objetos dos dois tratados multinacionais, apenas como cortina de fumaça, para enganar a opinião pública, convencendo-a de que se trata(ria) de “comércio”. 
 

 
Agora, é verdade que “Tramitação de Urgência” também capa a capacidade dos senadores para propor emendas ao tratado que Obama apresenta à aprovação deles. Mas esse é postulado de menor importância da tal “Tramitação de Urgência”. Só foi incluído no conceito para que a “Tramitação de Urgência” pudesse ser apresentado pela imprensa-empresa comercial e pelo governo Obama como assunto de menor importância. — É. Não é grande coisa, mesmo, claro que não estamos cedendo a soberania dos EUA a empresas internacionais... 
 
Mas não é coisa pouca. É o assunto mais importante de toda a presidência do presidente Obama. 
 
São tratados internacionais tão escandalosamente danosos, a serem firmados com vários países ao mesmo tempo, pelos quais empresas internacionais (vale dizer, os cento e poucos indivíduos que têm poder para decidir nessas empresas, porque são proprietários da maioria das ações) passarão a terceiros a soberania nacional e a soberania democrática dos EUA – direitos trabalhistas, direitos do consumidor, direitos ambientais e direitos dos acionistas – todos os meios e modos pelos quais bilionários ensandecidos conseguem transferir para a sociedade os problemas e danos que possam vir a atormentá-los, ao mesmo tempo em que mantêm só para eles todos os benefícios desse jogo pervertido no qual “eu ganho tudo, então... é natural que você perca tudo...” 
 
Porque é esse o jogo que estão jogando contra os cidadãos nos EUA e contra os cidadãos de todas as demais nações signatárias da tais “parcerias”. 
 
É fascismo internacional. É pior que o fascismo já conhecido, que é local. Pois é o que teremos. 
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[*] Eric Zuesse é historiador, jornalista investigador e autor. Seu livro mais recente é They're Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010, e CHRIST'S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O que quer Obama com seus tratados TPP & TTIP?

26/4/2015, [*] Eric Zuesse, Countercurrents
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Sherrod Brown e Elizabeth Warren
A motivação por trás do tratado comercial Trans-Pacífico (TPP) e do tratado comercial Trans-Atlântico (TTIP) de Obama — a motivação por trás desses dois tratados internacionais monstros – é a mesma, e os senadores Democratas dos EUA, Elizabeth Warren e Sherrod Brown estão certos: são tratados que nada têm de progressistas. Têm a ver com transferir poder político que é dos eleitores, para bem longe deles; e para entregar aquele poder aos pés da aristocracia internacional (quer dizer, mandar o poder político para o mais longe possível do alcance de qualquer democracia nacional).

Para consumar essa operação trata-se de modificar a coisa mais fundamental: a própria base de poder global. Em vez de essa base de poder estar nos votos democráticos dos corpos nacionais de eleitores, que elegem seus representantes, os quais determinam as leis e regulações, o sistema democrático nacional é convertido no exato oposto do que deve ser: serão os votos de acionistas aristocráticos, da aristocracia internacional, que elegem os diretores das empresas internacionais, os quais, por sua vez, selecionarão os membros dos painéis de comércio internacional que, pelos tratados TPP e TTIP, estarão determinando as leis e regulações que tenham a ver, especialmente, com direitos do trabalho, segurança para os consumidores dos produtos que eles mesmos venderão e meio ambiente.

O enfraquecimento de todas essas leis nacionais pela aristocracia internacional tornará possível baixar sempre mais os salários para a população em geral, que não controla megaempresas internacionais mas só controla o seu próprio trabalho pessoal, que perde valor até o valor mínimo por hora de toda a área comercial internacional. Esse novo sistema também permitirá minimizar as leis sobre segurança alimentar e segurança de outros itens e assim maximizar o poder das corporações internacionais para evitar despesas que, sem essas novas leis, seriam obrigatórias para aumentar a segurança dos produtos produzidos.

Todas as despesas relacionadas ao maior risco no consumo de produtos perigosos passam assim a ser cada vez mais descarregadas exclusivamente sobre os ombros dos consumidores dos produtos. Os riscos para o capital dos investidores (que é a coisa que os aristocratas mais querem evitar) são consequentemente reduzidos – e passam a só haver risco para os consumidores e os cidadãos em geral.

Os danos que sejam causados ao meio ambiente passam a ser virtualmente permitidos às corporações internacionais que os provoquem. Todos os custos passam a ser cobrados só do público em geral, em ar tóxico, em água contaminada, etc.. E assim se elimina mais uma categoria de riscos que pesavam contra os investidores. Aumentarão as margens de lucro, o que só beneficia os acionistas, não o público em geral. Os lucros ficarão cada vez mais concentrados nas corporações internacionais e nas famílias que as controlam, e só as perdas serão cada vez mais fartamente distribuídas entre consumidores e trabalhadores – e assim também entre os que mais precisam respirar para trabalhar: o público em geral.

“Governo” significará cada vez mais o agente que impõe e aplica riscos e penalidades ao público em geral; e isso, por sua vez, estimulará o ideal do “livre-mercado” para que haja cada vez menos e menos governo, ou governos cada vez “menores”; é o mesmo que dizer que tudo conspirará ainda mais diretamente para que haja cada vez menos governos “democráticos”.

O tal “governo pequeno” de que falam os aristocratas sempre significou sobretudo isso: transferência de todos os custos a pagar, dos aristocratas para os mais pobres, o chamado “público em geral”.

Assim, a percentagem máxima dos custos – para segurança dos produtos , direitos do trabalho, meio ambiente e segurança para os consumidores dos produtos que eles mesmos venderão – recairá sobre os mais pobres; os acionistas das corporações internacionais ficarão com a menor parte desses custos. Por sua vez, os aristocratas poderão passar adiante, aos herdeiros que eles mesmos designarão, esse poder assim sempre crescente e o controle sobre a maioria da população. A concentração de riqueza só aumentará, limitada a número cada vez menor de famílias, uma hiperaristocracia cada vez mais concentrada.

Efeito do TTIP na União Europeia
Já acontece quase tudo isso, mas muito mais acontecerá se forem aprovados esses tratados TPP e TTIP. (Segundo o mais detalhado estudo sobre o assunto, de 2012, “Os 0,7% mais ricos do mundo possuem 13,67% a mais que os 68,7% mais pobres”. Em outras palavras: o mundo já é extremamente desigual na distribuição da riqueza. Os tratados TPP eTTIP foram concebidos para aumentar essa desigualdade).

Além disso, o Presidente Obama e o Partido Republicano no Congresso (que o apoia nesse assunto e em todos os demais temas que interessam muitíssimo à aristocracia norte-americana, como submeter Rússia, China, Índia e Brasil, os países BRICS — por exemplo, o movimento do governo Obama, de roubar a Ucrânia da aristocracia russa, para entregá-la à aristocracia dos EUA – cuidam de garantir que a aristocracia norte-americana estará cada vez mais no topo, no cenário internacional. Esses tratados comerciais também tiram vantagem do fato de os EUA terem posição geográfica privilegiada para controlar militarmente os dois maiores oceanos do planeta, o Atlântico e o Pacífico.

Em outras palavras: os EUA, com esses tratados TPP & TTIP, estarão em posição extraordinariamente favorável para basicamente garantir o privilégio de exclusividade para a aristocracia norte-americana nesses dois grandes blocos compactos de comércio internacional. Esse privilégio dará à aristocracia dos EUA controle sobre as aristocracias nacionais de praticamente todas as grandes nações industrializadas – que cobrem virtualmente todo o hemisfério norte, que é onde está a maior massa de terras do planeta.

Consequentemente: não apenas a aristocracia global controlará as maiorias globais, mas a aristocracia dos EUA controlará também todas as outras aristocracias, de tal modo que aumentará o poder coletivo delas contra qualquer aristocracia nacional não membro do “bloco”. Assim o Império Norte-Americano será cada vez mais o maior Império global que o mundo jamais viu, explorando os pobres onde haja pobres no mundo, e não apenas os pobres de um ou outro país.


O crescimento econômico da China e o alcance militar de seus vizinhos. Do Brasil à Índia, classes médias em ascensão competem conosco e governos buscam voz mais potente em fóruns globais.

Em outras palavras, disse que parte do serviço daqueles jovens oficiais será ajudar a garantir que os países BRICS e outros países, que têm renda per-capita inferior à norte-americana, permaneçam como até hoje, pobres, para que os aristocratas dos EUA possam continuar a exportar empregos para lá, em vez de pagar salários superiores aos trabalhadores nos EUA. O que Obama disse foi:

(...) que os trabalhadores pobres dos EUA combatam contra trabalhadores pobres em outros países; muito melhor que os investidores norte-americanos terem de competir uns contra os outros nos países pobres.

Obama disse aos militares norte-americanos que são soldados nessa guerra de classes internacional, paga pelos contribuintes norte-americanos mais pobres, mas que, de fato, só interessa à aristocracia norte-americana e é guerra contra os norte-americanos mais pobres – porque só faz achatar salários e cortar garantias trabalhistas, de segurança para os consumidores, etc..

Países que já assinaram o TPP
Essa é a trilha que leva a certo tipo de governo pelos super-ricos e para os super-ricos, mantendo-os e os herdeiros deles no controle de todos os valores em todo o planeta – em recursos naturais e humanos – e usando, como agentes locais pelo mundo os aristocratas locais, que será o pessoal que manterá subjugada a opinião e os votos locais, todos trabalhando para aumentar a riqueza do planeta, desde que ela permaneça em mãos, primeiro, da aristocracia global; segundo, da aristocracia dos EUA na função de aristocracia globalmente dominante.

Dos governos nacionais locais só restará a concha vazia.

Benito Mussolini, que aprendeu todo aquele fascismo do fundador do fascismo, seu professor, Vilfredo Pareto (que Mussolini chamou de “o Karl Marx do fascismo”), e que foi também fundador da moderna teoria econômica e, especialmente, de seu Critério de Bem-estar, que tão fortemente modelou toda a economia e, sobretudo, as análises de custo-benefício (como a análise de meios que foram propostos para controlar o aquecimento global), explicou como segue o “corporacionismo” que, para ele, constitui o fascismo:

A corporação joga no terreno econômico exatamente como o Conselho Superior e o exército jogam no terreno político. O corporacionismo é economia disciplinada, e daí advém o controle, porque não se pode conceber disciplina sem diretor. O corporacionismo está acima do socialismo e acima do liberalismo. Criou-se uma nova síntese.

Adiante, nesse postado, depois desse artigo, ofereço um ensaio de Mussolini sobre esse tema, no qual expõe o que chama de ideologia pós-capitalista pós-socialista, e que o autodescrito pós-capitalista e pós-socialista Barack Obama (como agente da aristocracia global) está cada vez mais pondo, realmente, em prática – especialmente mediante os tratados TPP & TTIP.

Sobre especificamente trocas comerciais internacionais, o mestre de Mussolini, Pareto, disse que o livre-mercado deve reinar supremo e em todos os sentidos sem peias que lhe imponha o Estado, não só dentro das nações, mas também e, mesmo, especialmente, entre as nações. Como observei, em meu novo livro sobre o desenvolvimento histórico do fascismo até e incluindo também o nosso tempo:

Pareto foi consistentemente livre-mercadista purista, desde pelo menos 1896. Por exemplo, em artigo de 1/9/1897 “As Novas Teorias da Economia”, publicado no Journal of Political Economy, Pareto diz:

“Fosse eu de opinião que algum livro contribuiria mais que outro para estabelecer o livre-mercado no mundo em geral, não hesitaria um instante em me entregar de alma e coração ao estudo desse específico trabalho, deixando de lado, durante esse estudo, todo o estudo da ciência pura”. Diz também, no mesmo artigo: “Temos conseguido provar com vigor que os coeficientes de produção são determinados pelos empresários em regime de livre concorrência, precisamente do mesmo modo como um governo socialista teria de corrigi-los se quisesse realizar o máximo de ofelimidade [1] [termo inventado por Pareto para welfare, “bem-estar social”, para obscurecer o real valor-base e permitir que os economistas fingissem ser livres de valores, mesmo quando classificavam as coisas em análises de custo/benefício em que aplicam, de fato, a teoria pró-aristocracia ou ‘fascista’ do próprio Pareto]para seus objetos”. [Interessante também o ato falho de Pareto, para quem governos não teriam “cidadãos”, mas “objetos” – sempre subjacente o pressuposto aristocrático de que a maioria são “objetos”, nunca cidadãos reais].

Pareto sempre afirmou que nenhum governo socialista jamais conseguiria tal resultado, mas aqui diz que o livre mercado o faria naturalmente, exatamente como os fisiocratas disseram que a “lei natural” deve reinar, em vez de suavizações dela.

Pareto foi a base da economia de Adam Smith e da economia dos fisiocratas franceses que lançaram os fundamentos da teoria econômica de Smith, sobre uma base que economistas posteriores puderam desenvolver matematicamente, de tal modo que ocultariam o fascismo essencial da teoria – a forma modernizada (i.e., pós-agrária) de feudalismo.


Barack Obama e os Republicanos do Congresso estão, simplesmente, levando essa operação fascista ao nível seguinte.

Quanto aos Democratas do Congresso, estão divididos sobre o assunto, porque (pelo menos até a nova teoria econômica que exponho em meu novo livro) ninguém ainda formulara uma teoria econômica para estado democrático.

A teoria econômica hoje dominante foi concebida especificamente para um fascismo — um estado controlado aristocraticamente.

Consequentemente, os poucos Democratas que ainda há no Congresso dos EUA estão tendo muita dificuldade para explicar rapidamente à opinião pública o que está realmente em jogo, em termos políticos e econômicos, nos tratados TPP e TTIP propostos por Obama: a transferência da soberania nacional democrática para uma aristocracia internacional fascista, que será dominada pelos aristocratas norte-americanos.

Sem essa transferência, da soberania democrática nacional a corpos fascistas internacionais que representam a gestão corporativa global, os tratados TPP e TTIP de Obama seriam nada.

Essa transferência aparece, nos tratados, sob a rubrica de “Arbitragem para Resolução de Disputas Investidor-Estado” (ARDIE), em inglês Investor-State Dispute Settlement, ISDS.

E é realmente a emergência de um governo mundial caracteristicamente fascista. Não é mecanismo de modo algum democrático, e é assustadora forma de governo internacional o qual, na medida em que se torna imposto, reduz a soberania nacional. A proposta anterior, progressista, de governo mundial, que virou moda depois da IIª Guerra Mundial, para dificultar uma IIIª Guerra, era baseada na ideia de uma federação internacional de democracias independentes. A ARDIE (ISDS), de Obama, nada tem a ver com aquela visão original de governo mundial. Agora se trata de puro fascismo, numa escala internacional.

Nas primeiras décadas depois da IIª Guerra Mundial, predominou a visão de Franklin Delano Roosevelt do que seria um emergente governo mundial democrático, que se orientava para uma emergente ONU democrática, que evoluiria para acolher de modo cada vez mais democrático, mais e mais pedaços do mundo.

Mas depois que começou a ser recomposto o controle pelos Republicanos nos EUA, com Dwight Eisenhower e os irmãos Dulles que “Ike” promoveu, com a tarefa de controlar e modelar as políticas externas futuras dos EUA, as coisas andaram rapidamente na direção de um controle mundial centrado cada vez mais na aristocracia norte-americana (especialmente a partir do golpe de 1953 , conduzido pela CIA de Allen Dulles, no Irã). Hoje, Barack Obama segue atentamente essa tradição fascista, que sempre foi típica dos Republicanos, por mais que se apresente nominalmente como “um Democrata”.


Há analistas que há muito tempo insistem em que Obama seria criação da CIA e desde muito jovem. (Quando Eisenhower assumiu a presidência, pôs no comando os pró-nazistas da CIA; na sequência, esse comando só fez entrincheirar-se cada vez mais fundamente naquela organização.) O falecido jornalista britânico Robert Fitch parece ter visto logo quem era Obama, já desde 14/11/2008, pouco depois da eleição para a presidência. Basicamente, Fitch descreveu Obama como um fascista determinado a chegar ao poder induzindo os progressistas a crer que ele seria um deles. Retratou Obama como um Cavalo-de-Troia, Republicano travestido com retórica Democrata, agente conservador. Acertou, desde o primeiro momento.

Faz pleno sentido com o que, não pela teoria econômica, mas segundo indicam estudos empíricos de economia, será o efeito provável dos tratados TPP TTIP. Foram feitas duas análises econômicas independentes, uma dedicada a cada um desses tratados internacionais de comércio – e as duas análises chegaram à mesma conclusão: os povos em todos os cantos do mundo perderão riquezas em razão dos tais tratados; mas os aristocratas, principalmente nos EUA, ganharão riquezas também em razão dos mesmos tratados. Os tratados provavelmente levarão aos efeitos para os quais foram concebidos.

Quanto ao que alguns dos defensores de Obama dizem sobre seus tratados comerciais, a saber que o mecanismo de “Arbitragem para Resolução de Disputas Investidor-Estado” (ARDIE), em inglês Investor-State Dispute Settlement, ISDS, seria apenas um detalhe, é piada macabra: é como dizer que a saúde de alguém está ótima, mas o cérebro ou o coração estão tão mal que talvez precisem ser trocados. Toda essa gente sabe que os tratados são mau negócio para muitos; por isso precisamente o apoiam tão empenhadamente. São pagos pela aristocracia, para “argumentar” por ela.

E COM HILLARY CLINTON? ALGUMA COISA MELHORA?

E quanto à aspirante ao posto de Obama? Fará diferente? Eis o currículo da candidata sobre o mesmo tema:

Dia 23/2/2008, Hillary Clinton pôs-se à frente de câmeras e microfones para fazer sermão, com voz zangada: “Que vergonha, Barack Obama!” – e denunciou que dois flyers de campanha de Obama estariam divulgando mentiras sobre ela.

Um dos flyers dizia que o projeto dela para a saúde pública castigaria os norte-americanos que não tivessem seguro-saúde individual. Era verdade, mas ela insistira em negar tudo. (Depois de eleito, Obama copiou o plano dela, praticamente em todos os detalhes).

O outro flyer contra o qual Hillary protestava, citava o que seriam palavras de Hillary sobre o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (ing. North American Free Trade Agreement,NAFTA) em 2006: “Clinton acha que o NAFTA foi uma bênção para a economia”. Em 2008, Hillary insistia que era mentira. Muitos jornalistas logo apoiaram as acusações dela contra Obama nesse ponto, porque “uma bênção” [orig. “a boon”] era expressão inventada porNewsday, não era expressão dela. Mas outra vez quem estava mentindo no plano da substância era Hillary, não Obama.


Em seu livro de 2003 Living History (p. 182), ela realmente se vangloria de o marido ter conseguido aprovar o NAFTA, e dizia:

Criar uma zona de livre comércio na América do Norte – a maior zona de livre comércio do mundo – expandiria as exportações dos EUA, criaria empregos e garantiria que nosso país colhesse os benefícios, não só os prejuízos, da globalização.

Seria uma das realizações dela, de que ela mais se orgulhava (p. 231) “os sucessos de Bill no orçamento, a lei Brady e o NAFTA”. Em 2008, Hillary exigia desculpas pelo flyer que Obama distribuíra, no qual se lia “Só Barack Obama opôs-se ao NAFTA e a outros maus tratados comerciais”. De fato, o flyer de Obama não mentia, independente do que diziam Hillary e muitos dos principais veículos da mídia-empresa de “noticiário”, em 2008. (Obama estava guardando o pior dele para depois que fosse eleito — e, principalmente, para depois que fosse reeleito, quando estaria livre para avançar para a extrema direita, que sempre foi sua inclinação genuína desde o início; mas nunca poderia alcançar seus objetivos, se, de início, não os ocultasse, para conseguir chegar à posição da qual poderia afinal promovê-los).  

Dia 28/3/2008, um dia depois de Hillary finalmente distribuir os documentos relativos aos seus anos na Casa Branca, John Nichols blogou em Nation: “Mentira de Clinton Mata a Credibilidade Dela na Política Comercial”. No texto, dizia:

Agora que já lemos, nas 11 mil páginas de documentos da Casa Branca dos Clintons liberados essa semana, que a [ex-] Primeira Dama foi apaixonada defensora do NAFTA; (...) agora que sabemos que ela esteve no centro das manobras para bloquear todos os esforços dos trabalhistas, dos agricultores, dos grupos de defesa de direitos humanos e do meio ambiente para conseguir acordo menos catastrófico; (...) agora que sabemos, dos registros oficiais do tempo em que a própria Primeira Dama discursou, em reunião a portas fechadas com 120 mulheres formadoras de opinião, que receberam instruções precisas para pressionar seus deputados e senadores para que votassem a favor do NAFTA; agora que já sabemos da reportagem da ABC News sobre a sessão, em que se lia que “tudo o que a Primeira Dama disse foi totalmente pró-NAFTA” e que “não havia nenhuma dúvida, naquele momento, de que ela apoiava o NAFTA”'; (...) o que se faz agora, então, do mote de campanha eleitoral de Hillary, de que ela jamais se sentiu confortável com um Tratado que custou aos EUA centenas de milhares de empregos?!

Dia seguinte, Jane Tapper, da ABC, em seu Blog “Political Punch”, publicou em manchete: “Campanha de Clinton mente sobre a Reunião que ela coordenou sobre o NAFTA”, e escreveu:

Agora já falei com três ex-funcionários do governo Clinton nos quais confio, e eles me disseram que Hillary só se opunha à ideia de que a lei do NAFTA fosse votada antes da reforma da saúde que ela estava promovendo; e que jamais, nem em público nem privadamente, manifestou qualquer oposição ao conteúdo do Tratado NAFTA. Apesar disso, a campanha da ex-Primeira Dama continua a divulgar a mentira de que ela teria combatido o NAFTA.

E Hillary continuou a mentir, mesmo depois que todos já sabiam que o que ela dizia era comprovadamente falso.

Hillary foge do passado...
Conclusão: a única diferença real entre Hillary Clinton e Barack Obama é que Obama é mentiroso muitas vezes mais competente. Por isso chegou até onde chegou. Ela provavelmente não chegará: Hillary é hoje a mesma incompetente que era há mais de dez anos.
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Nota dos tradutores
[1] Orig. ophelimity. Do italiano ofelimità, pelo grego ōphelimos: útil, que ajuda, que tem serventia (verbo gr. ōphelein: ajudar, de ophelos, ajuda, vantagem), mais a terminação do it., -ità, ing. –ity, port. –idade. Tradução tentativa: “ofelimidade”.
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[*] Eric Zuesse é historiador. Seus livros mais recentes são They're Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010 [Ainda não estão nem perto: resultados econômicos de Democratas x Republicanos, 1910-2010] e CHRIST'S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity [Ventríloquos de Cristo: o evento que criou a cristandade] e Feudalism, Fascism, Libertarianism and Economics [Feudalismo, Fascismo, Libertarismo e Economia].

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Contra as mentiras disseminadas pela mídia–empresa

7/4/2015, [*] Colin TodhunterCountercurrents
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Global Research, The 4th Media, RINF, Countercurrents e outros, qualquer página ou blog em que você esteja lendo este artigo, será necessariamente veículo do que se chama “mídia independente” ou “mídia alternativa”. Muitas dessas páginas não publicam publicidade paga e vivem de doações de leitores. Muitos dos autores publicados nessas páginas escrevem sem nenhuma ou com mínima remuneração.

Compare-se essa situação com a chamada “mídia-empresa dominante”, quase sempre impressa ou de televisão, mas também por rádio.

A mídia-empresa dominante, com seus jornalistas pagos (nem sempre bem pagos e muitas vezes miseravelmente mal pagos) e cuja propriedade vai-se tornando cada vez mais concentrada, vive sob a direção, de fato, dos anunciantes que a sustentam. Quase sempre pertence a empresários privados, e os proprietários e acionistas têm declarado interesse em manter o sistema econômico vigente, baseado na propriedade privada; e em construir o consenso necessário para manter aquele sistema.

Além disso, esses veículos atualmente são cada dia mais parte de conglomerados maiores, que podem incluir vários tipos de indústrias – de armamento, de banking, etc. – e de interesses financeiros e econômicos. Nessas circunstâncias já nem se pode sequer cogitar de os veículos adotarem posição que prestigie mais o interesse do leitor/ radiouvinte/ telespectador, do que da própria organização na qual se insere a dita mídia-empresa.

Nesse quadro, o público é empurrado para uma visão de mundo que distorce a realidade a favor dos específicos interesses empresariais. Por esse mecanismo é que se divulgou e disseminou-se tão amplamente a mensagem, por exemplo, de que o “livre mercado’”seria o melhor sistema existente para fornecer bens e serviços às pessoas; que os serviços públicos seriam sempre péssimos; que a “austeridade” [nome novo para o “arrocho”, tão velho conhecido dos trabalhadores em todo o mundo] seria indispensável e benéfica; que a privatização aumentaria a eficiência; que a malfadada infindável “guerra ao terror” faria sentido, mesmo que seja agressão só contra alguns e nunca contra todos os terroristas; que o bem-estar das pessoas poderia ser avaliado pela busca incansável de perenes aumentos do PIB; que EUA e OTAN seriam bons “guardiães do mundo”; que as gigantes do agrobusiness poderiam deslocar pequenos produtores em nome de garantir uma suposta “segurança alimentar”; e que as desigualdades gigantescas reproduzidas e disseminadas pelo poder ilimitado e não regulado das empresas e sua ânsia de lucros seriam não só legítimas como, também, absolutamente necessárias.

Ao longo dos últimos 15 anos, surgiram muitas páginas noticiosas alternativas, que desafiam esses pressupostos da mídia-empresa velha, e a ideia de que os cidadãos eleitores devam ser consumidores passivos de uma agenda pré-fabricada de eventos. Há hoje dúzias de agências distribuidoras de notícias que informam sobre longa lista de questões que a velha mídia-empresa deliberadamente excluiu da pauta de notícias consideradas ‘importantes’ e sobre as quais ou nada se diz, ou só se ‘noticiam’ mentiras. E criaram-se também, em todo o mundo, muitas páginas de pesquisa, com alcance global, criadas especificamente para examinar os fatos em diferentes setores da vida, para fiscalizar as práticas corporativas (por exemplo, GMWatchCorporate Europe ObservatoryFood & Water WatchCampaign Against the Arms Trade, etc.) e, assim, para expor, desmentir e contra-argumentar inúmeros campos da ainda chamada “informação”, mas que hoje já não passa de publicidade & marketing, quando não é pura propaganda a favor do capital e dos ricos.

A existência de páginas independentes de informação, já levou a União Europeia a manifestar preocupações sobre os “efeitos daninhos” de as pessoas terem acesso a essas fontes de informação alternativa. A União Europeia reclama que o consenso societal está sendo erodido, porque as pessoas estão sendo “desviadas” por vozes dissidentes que se distribuem, sobretudo, pela internet.

A imprensa está vigilante
DURMAM CIDADÃOS
No relatório A free and pluralistic media to sustain European democracy [Uma mídia livre e pluralista para dar sustentação à democracia europeia], a UE alerta para o que considera o risco de as pessoas, mal informadas ou submetidas a informação distorcida, estarem tendendo cada vez mais ao radicalismo. E defende que a União Europeia ajude a financiar um jornalismo “responsável”, que leve o ponto de vista da União Europeia a todos os cidadãos, com regularidade e principalmente pela imprensa, e que imponha controles sobre a internet. Para a União Europeia, isso se chamaria “pluralismo”.

O que é “jornalismo responsável”?

Em seu artigo A hora mais escura, ou como os norte-americanos perderam a própria humanidade, de 13/1/2013, Annie Day sugere que, como resultado dos muitos atos de invasão, intervenção, desestabilização de outros países, golpes, bombardeios em massa e ação de seus esquadrões da morte, os militares norte-americanos e a CIA tornaram-se responsáveis por cerca de 10 milhões de mortos, desde 1945. Mesmo assim, a mídia-empresa jamais se refere a essa tragédia como uma espécie de prática de terrorismo em massa. Tendo já sequestrado cinicamente o próprio conceito de “terror”, os EUA agora se dedicam a justificar a própria tirania sem fronteiras discursando sobre uma “guerra ao terror”, sempre ricamente fotografada ou televisionada. Esse é o serviço jamais questionado e não raras vezes muito elogiado ao qual se dedica, em tempo integral a mídia-empresa dominante.

A Ucrânia é o mais recente exemplo de campanha de terror apoiada pelos EUA, que a mídia-empresa absolutamente jamais questionou. Com o mundo andando a passos rápidos na direção de uma guerra nuclear, a mídia-empresa capitalista só faz repetir, como papagaio, a mentira oficial produzida em Washington, segundo a qual a situação presente seria consequência de uma “agressão russa”.

A isso se podem acrescentar aqueles 10 milhões mais incontáveis mortos, cuja vida foi sacrificada no altar do lucro das empresas que não confiam só nos militares para bombardear países e povos até que se ajoelhem ante o que lhes ordenem IMF, World Bank and WTO. Quantas vidas foram ceifadas em todo o mundo, por causa da violência estrutural, ou da silenciosa matança diária, indispensável para manter operante o capitalismo de predação?

A apropriação ensandecida de toda a riqueza, mediante um sistema que afunila de baixo para cima – o sistema de acumulação por roubo – é celebrada pela mídia-empresa como se fosse crescimento, prosperidade e liberdade de escolha, apesar de todas as provas do contrário que nos vêm de Grécia, Espanha e outros países, de que a realidade, para a maior parte da população tem sido salários que encolhem, pobreza galopante, nenhuma possibilidade de escolher livremente coisa alguma e miséria.

Assim sendo, onde está(ria) o “jornalismo responsável” que a União Europeia está convocando?

Estará, talvez, naqueles jornalistas profissionais que operam a mídia-empresa, e que só fazem oferecer, como garantia de respeitabilidade, o próprio profissionalismo, a transparência do próprio trabalho, a própria objetividade, tudo sempre autoproclamado?

Se alguém aceitar que profissionalismo, transparência e objetividade se demonstrariam na fidelidade ao patrão, nos números da folha de pagamento (e respectivos “por fora”) e se concentrariam em proibir qualquer arranhão, leve que seja, aos interesses dos anunciantes, do poder (onde esteja) e do próprio patrão, então, sim: os jornalistas como os conhecemos são exemplares a serem copiados, de perfeita responsabilidade social.

Repetindo suas futilidades e mentiras bem remuneradas, até hoje nem jornais, nem jornalistas, nem redes de TV nem rádios comerciais, jamais se expuseram a qualquer genuíno controle público. Cada vez que dirigem seus talentos “investigativos” para “procedimentos parlamentares”, personalidades, qualquer “política” e as insensatas maquinações dos partidos do capital, esses jornais e jornalistas só servem para perpetuar o status quo e manter o público na mais impenetrável ignorância de tudo que tenha a ver com a militância do poder para se autopreservar e assegurar salvo conduto para o que quer que façam Big Petróleo, a Big Finança, a Big Farma, o Big Agro-businesses e o resto deles, graças ao trabalho de think-tanks e universidades, além de iniciativas políticas pensadas para nos fazerem sangrar até morrer.

Corporações Globais comandam os Exércitos
Mas esse é o serviço da mídia-empresa: ajudar a reforçar e a reproduzir as condições materiais de um sistema de divisão social, operando todos os dias, 24h/24h. Há quem chame essa mídia-empresa de “mídia sem dentes”, mídia serviçal do poder. É a mídia-empresa que se apresenta como se fosse elemento vitalmente importante da “democracia liberal”.

Mas a verdade é que, nesse tipo de “democracia liberal”, nenhuma mídia-empresa jamais expõe os malfeitos das elites político–empresariais–acadêmicas: quem faz esse serviço é gente como Edward Snowden ou Julian Assange; e, esses, são caçados como criminosos.

Foi George Orwell quem disse que jornalismo é imprimir o que ninguém quer ver impresso; e que o resto é relações públicas. Na mesma linha, o ex-chefe da CIA, general Petraeus, disse em 2006 que sua estratégia era fazer uma guerra de percepções conduzida ininterruptamente pelas empresas de noticiário, e John Pilger observa que o papel do jornalismo “respeitável” nos crimes de estado no Ocidente – do Iraque ao Irã, do Afeganistão à Líbia – sempre foi e continua a ser absoluto tabu: o papel desse jornalismo “respeitável” é dançar como macaco de circo e distrair as massas, enquanto as empurra para guerras ilegais.

Agências de inteligência garantem subserviência da “mídia”

Claro que há alguns jornalistas bons, a serviço também da mídia-empresa dominante. Mas você erra, se já resolveu que esse artigo é apenas mais um ataque enviesado contra a “liberdade” da mídia-empresa ainda dominante.

Muitos leitores alemães com certeza lembrarão a história recente do ex-editor do Frankfurter Allgemeine Zeitung, um dos maiores jornais alemães, que confessou que aceitava matérias redigidas e entregues a ele pela CIA, e que as publicava como se fossem de sua autoria.

Para muitos, foi um choque. Mas não deveria chocar mais ninguém; por exemplo na Grã-Bretanha, onde se sabe que a inteligência britânica, associada à CIA, há décadas opera para assegurar-se de que a mídia–empresa de veículos impressos e das redes de TV nunca entrassem em rota de colisão com os interesses do establishment. Além disso, para garantir que a esquerda britânica seria mantida sob fogo intenso e ininterrupto, que seria subvertida, infiltrada e esterilizada, também a esquerda foi “modelada” pelas agências de inteligência para só repetir como papagaio os pontos de vista e os objetivos do establishment.

Como isso foi feito está contado no artigo The Psyops War: British Intelligence and the Covert Propaganda Front and the CIA's Interference in British Politics. Esse artigo revela a estreita relação que sempre houve entre jornalistas seniores na Inglaterra e o MI5:

O MI5 escolhia jornalistas que cobrissem questões trabalhistas nos dois jornais e redes de TV e rádio, e desde os anos 80s; eram recrutados em levas, por seus contatos com grande número de funcionários dos sindicatos e militantes e por se conhecerem entre eles. Segundo Peter Wright, o MI5 sempre teve cerca de 20 jornalistas seniores influentes trabalhando para eles na imprensa nacional. “Nós não os empregávamos diretamente, mas os considerávamos como agentes, porque eles ficavam muito felizes por trabalharem conosco”.

BBC, como serviço nacional público de divulgação de informações, recebia atenção especial:

Na BBC, o brigadeiro Ronald Stonham fazia a ligação com o MI5 e o Ramo Especial, e aconselhava a corporação sobre quem contratar e quem não contratar. Nomes de aspirantes a empregos nos setores editoriais da BBC também eram sujeitos ao “veto” do MI5.

Daquele artigo depreende-se facilmente onde, na avaliação das elites, os jornalistas deveriam aplicar sua “lealdade”:

Há momentos em que o jornalista, depois de examinar todos os fatos e confirmar o que lhe digam suas fontes, deve pôr-se ao lado do estado, da ordem estabelecida e do establishment como um todo.(Diretor da Autoridade do Rádio).

A classe trabalhadora, sobretudo, tinha de saber exatamente qual o seu lugar (Toxteth, no fragmento abaixo, é um distrito urbano, usado ali como caso exemplar da agitação social que tomava conta de várias cidades britânicas no início da década dos 80s):

Estamos num período de considerável mudança social. Talvez haja agitação social, e nós podemos lidar com os Toxteths (…). Mas se tivermos população bem educada e ociosa, podemos, possivelmente, antecipar conflitos mais sérios. As pessoas têm de ser educadas para, mais uma vez, saberem qual é o lugar delas. [De relatório secreto do Departamento de Educação].

O artigo deixa bem claro quem o establishment britânico vê como “o inimigo interno” e qual o papel que caberia à muito elogiada “imprensa livre” (elogiada mais sempre pelo próprio pessoal que ganha dinheiro dentro da dita “imprensa livre”).

A imprensa "livre" está completamente dominada
Com a diminuição acentuada no número de leitores, porém, a empresa de imprensa impressa parece já ter entrado em queda terminal. O controle férreo que o establishment sempre teve sobre a informação já começa a escapar-lhe e deslizamos todos para um quadro em que a internet tornou-se o maior veículo para distribuição de informação.

A elite financeira–empresarial encastelada no estado reinou por muito tempo sobre a mídia-empresa que sempre lhe foi subordinada. Agora, a mesma elite dedica-se a uma estratégia de vigilância global massiva e a tentar capar a liberdade da internet, em muitos casos propondo medidas de censura, sob o pretexto de que assim se impediriam crimes de pedofilia (como se viu no Brasil e na Inglaterra, por exemplo).

O objetivo daquelas elites é, outra vez, estabelecer seu total controle também sobre a internet, e assim reproduzir a “livre imprensa” que tão bons serviços sempre prestou ao establishment  financeiro–empresarial que se infiltrou no estado.
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[*] Colin Todhunter é originário do Reino Unido e passou muitos anos na Índia. Atualmente mantém residência em ambos os países. Foi pesquisador de Política Social. Especializou-se também no estudo de Mídias e na análise dos malefícios dos produtos transgênicos. Seus artigos tem sido publicados em uma ampla gama de jornais e revistas. Publicou igualmente dezenas de resenhas de livros em inúmeros sites de destaque.