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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Índia: Modi, Vlad, Xi e os bolsos vazios de Obama

6/2/2015, [*] F. William Engdahl – New Eastern Outlook, NEO
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Depois de anos de descaso, a Washington de Obama resolveu tentar a agressividade, para seduzir a segunda nação mais populosa da Terra, a Índia. Por que agora? Para responder, nem é preciso olhar além de Moscou e Pequim e da dinâmica recente que cerca a cooperação para o desenvolvimento dos países BRICS, que já têm um Banco dos BRICS para a Infraestrutura, que pode rivalizar com o Banco Mundial-FMI controlado pelos EUA. A Índia é a principal peça no Grande Tabuleiro de Xadrez Eurasiano. E o Primeiro-Ministro Modi já fez saber ao mundo, que ele está no jogo.


Narendra Modi e Barack Obama em 27/1/2015
O presidente Barack Obama dos EUA fez uma visita de estado à Índia dia 27 /1/2015 acompanhado de comitiva de empresários norte-americanos, para seduzir o novo Primeiro-Ministro Narendra Modi, homem que, quando não passava de reles governador de estado, foi impedido de entrar nos EUA. Agora, com Modi Primeiro-Ministro, parece que Obama mudou de opinião. Mais provavelmente, não sobre Modi, mas sobre o perigo de que Rússia e China consigam integrar a Índia de Modi àquela esfera eurasiana de prosperidade econômica e à respectiva Organização de Cooperação de Xangai. Desde 2006 e os dias Bush-Cheney, Washington sempre esforçou-se vigorosamente para seduzir a Índia e prendê-la numa aliança militar com os EUA contra a China, mas com sucesso muito limitado.

Modi devolveu o feitiço sobre o Presidente dos EUA, convidando-o para participar do Dia da República, honra jamais oferecida a nenhum presidente norte-americano. A conferência de imprensa da dupla, televisionada, foi festival de “Barack, isso é para você”, amigos chamando-se pelo primeiro nome. Falaram de um “compromisso duradouro”.

Mas ao final, Obama voltou para casa com bem pouco. Modi assinou documento leve repreendendo o governo chinês por provocar conflitos com os vizinhos sobre o Mar do Sul da China; discutiu a possibilidade de reviverem uma rede de segurança com EUA, Japão e Austrália; e mostrou-se interessado em desempenhar maior papel do fórum Econômico Ásia-Pacífico de Cooperação. Por seu lado, apesar dos sorrisos e abraços com o Presidente dos EUA, Modi recusou-se a assinar a prioridade favorita de Obama, um acordo para limitar as emissões de CO2, como a China ano passado. Também não houve qualquer avanço significativo no acordo nuclear EUA-Índia negociado em 2006 com Bush, mas bloqueado por causa da legislação indiana muito rigorosa no campo nuclear. Na sequência, Obama, o pregador moralizante – devo dizer que estou convencido de que é doença norte-americana – sacudiu o dedo no nariz dos indianos por conta de “direitos humanos” e “tolerância religiosa” – acintosa interferência em assuntos internos de estado soberano, coisa que Putin ou Xi jamais nem pensariam em fazer.

Forum Índia-EUA, nada além de promessas
Por fim, na parte concreta dos assuntos e questões, investimentos e projetos conjuntos, Obama estava de bolsos vazios. O máximo que pôde fazer foi uma “promessa” nebulosa de que os bancos norte-americanos podem emprestar até US$ 4 bilhões para projetos não especificados de infraestrutura indiana, pontes e estradas.

Pode bem ser o caso de Modi estar se fazendo de amigo de Obama para obter dele o melhor negócio; indianos são bons nesses jogos. Mas o que Obama tem a oferecer simplesmente desaparece, se comparado ao que Vladimir Putin oferecera apenas poucos dias antes, em visita de estado à Índia.

Rússia renova velhos laços com a Índia

Um mês antes da visita de Obama à Índia o presidente Putin esteve em New Delhi, e com bolsos cheios, o que ninguém esperaria de país atacado furiosamente com sanções econômicas pela União Europeia e por Washington.

Em meados de dezembro, numa viagem que provocou erguimento de mais de uma sobrancelha na Washington de Obama, Putin e Modi assinaram 20 negócios de alta envergadura no valor de US$ 100 bilhões, com US$ 40 bilhões de energia nuclear, US$ 50 bilhões de petróleo cru e gás, e US$ 10 bilhões em vários setores, incluindo defesa, fertilizantes e espaço sideral. Num avanço importante para a indústria de processamento de diamantes da Índia, e revés para o monopólio da Oppenheimer South Africa, a russa Alrosa, maior empresa mineradora de diamantes do mundo, passará a vender diamantes brutos diretamente para a Índia.

Acordo Índia-Rússia sobre comércio de diamantes
Nos termos do pacto nuclear, a Rússia construirá 12 novos reatores nucleares ao longo dos próximos 20 anos em Kudankulam, Tamil Nadu e outro local ainda não decidido. A Rússia, diferente dos EUA, é a primeira nação a aceitar as duras condições da legislação indiana no campo nuclear – apesar de essas leis elevarem em US$ 3 bilhões o custo de construção de cada reator. Também importante para a Índia, o país será autorizado a fabricar equipamento e componentes na própria Índia. A Rússia também reiterou o apoio aos esforços da Índia para obter condições de membro pleno no Grupo de Fornecedores Nucleares e no Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis.

A decisão de produzir helicópteros multitarefa russos de última geração em fábricas indianas também foi ponto importante para a campanha de Modi, de promover mais projetos “Make in Índia” com empresas estrangeiras. A Rússia deu à Índia, também, o direito de exportar aqueles helicópteros para terceiros países. A Rússia pode, também, aceitar o pedido dos indianos que querem fabricar na Índia peças de reposição e componentes para a indústria russa de defesa. E grandes projetos de petróleo e gás foram assinados, incluindo exploração e produção, pelos indianos, em novos campos de petróleo e gás na Federação Russa, bem como em terceiros países. A Índia receberá gás natural liquefeito da Rússia, e está sendo explorada com muita atenção a viabilidade de se construir um gasoduto até a Índia.

A Rússia, mais que a China, que há décadas enfrenta conflitos com a Índia em questões como o Tibete, é o parceiro ideal na Organização de Cooperação de Xangai para construir essa abordagem com a Índia, e fazer avançar o emergente espaço econômico eurasiano. Os dois países mantêm relações positivas e estáveis desde agosto de 1971, quando foi assinado o Tratado Indo-Soviético de Paz, Amizade e Cooperação.


A era Yeltsin foi caótica para a Rússia, para dizer o mínimo, mas a visita de Putin, em dezembro, ao novo Primeiro-Ministro indiano confirma que uma nova arquitetura está sendo formatada pela Rússia de Putin. Inclui apoio ao novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS que envolve Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Inclui também novos acordos-gigantes de petróleo e gás entre Rússia e China em meses recentes, que conectam muito intimamente as duas grandes potências eurasianas.

Ano passado, fontes diplomáticas noticiaram que a China, depois da eleição de Modi, recolhera as objeções que tivera à admissão da Índia como membro da Organização de Cooperação de Xangai. O antecessor de Modi no cargo de Primeiro-Ministro, Manmohan Singh era visto na Índia como notoriamente pró-americano, não como defensor do tradicional status da Índia como estado não alinhado; e Pequim, obviamente, temia deixar entrar um Cavalo de Troia de Washington, na intimidade da Organização de Cooperação de Xangai. Resta saber se o próximo encontro anual da OCX, no verão, incluindo a China, abre a porta para convidar Índia, Paquistão, Irã e Mongólia como novos membros.

Se afinal acontecer bem assim, não apenas será a realização de desejo que a Rússia acalenta há muito tempo, como, também, implicará sobressalto tectônico nas placas da geopolítica eurasiana – e nada que caminhe na direção que privilegiaria Obama e Washington.

BRICS - Fortaleza, 2014
As reuniões de Modi, à margem da cúpula de julho de 2014 dos BRICS em Fortaleza, Brasil, com o Presidente Putin da Rússia e com o Presidente Xi Jinping da China, segundo todos os noticiários, foram notavelmente calorosas e cordiais. Ali, Modi aprovou entusiasticamente a ideia de o Banco de Desenvolvimento dos BRICS terem sede em Xangai, com um indiano na presidência. Modi também se recusou a seguir Washington, nas sanções contra a Rússia; disse que sanções econômicas são assunto que têm de ser decididos no Conselho de Segurança da ONU – ideia que Washington absolutamente não gostou de ouvir. E Modi também melhorou dramaticamente as relações há muito tempo tensas com o Paquistão, aliado muito íntimo da China.

Vão tomando forma material, concreta, os contornos de um genuíno novo ordenamento do velho e muito desordenado “Século Americano” que conhecemos, triunfantemente proclamado por Henry Luce, do grupo Time-Life, em 1941 [“O homem que inspirou a Abril e a Globo” (NTs)]. E a nova forma, hoje, lá está, na Eurásia, de Moscou a Pequim e, talvez, dali adiante, com Teerã e New Delhi. Faz perfeito sentido. Afinal, aí vivem mais de quatro bilhões dos seres humanos que povoam a Terra.


[*] Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pela Princeton University; autor consagrado e especialista em questõesenergéticas e geopolítica da revista online New Eastern Outlook.
Nascido em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, é filho de F. William Engdahl e Ruth Aalund (nascida Rishoff). F.W. Engdahl cresceu no Texas, e depois de se formar em engenharia e jurisprudência naPrinceton University em 1966 (bacharelado), e pós-graduação em economia comparativa da University of Stockholm 1969-1970. Trabalhou como economista e jornalista free-lance em Nova York e na Europa. Começou a escrever sobre política do petróleo, com o primeiro choque do petróleo na década de 1970. Tem sido colaborador de longa data do movimento LaRouche.
Seu primeiro livro foi A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, onde discute os papéis de Zbigniew Brzezinski, de George Ball e dos EUA na derrubada do xá do Irã em 1979, que se destinava a manipular os preços do petróleo e impedir a expansão soviética. Engdahl afirma que Brzezinski e Ball usaram o modelo de balcanização do mundo islâmico proposto por Bernard Lewis.Em 2007, completou seu livro Seeds of Destruction: The Hidden Agenda of Genetic Manipulation. Seu último livro foi: Gods of Money: Wall Street and the Death of the American Century (2010).
Engdahl é autor frequente do sítio do Centre for Research on Globalization. É casado desde 1987 e vive há mais de duas décadas perto de Frankfurt am Main, na Alemanha.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Rússia, Índia, China: Ministros dos Países RIC reunidos em Pequim

3/2/2015, Pequim, CCTV ( fotos: Xinhua/Xie Huanchi)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Como países emergentes, Rússia, Índia e China partilham posições similares em inúmeras questões regionais e globais. Cooperação multilateral cada vez mais forte não apenas contribuirá para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento regionais, mas, também ajudará a construir ordem internacional mais equilibrada e democrática, num mundo já multipolar.

[Nesse ponto, as/os “pentagonetes” histéricos deram xilique: “Fuuuuck esses RICs!” (pano rápido)]
  



PEQUIM, 2/2/2015 (Xinhua) – Ministros de Relações Exteriores da Rússia, Índia e China (“países RIC”) lançaram na 2ª-feira (2/2/2015) um comunicado conjunto, depois de concluído o seu 13º encontro em Pequim.

No comunicado conjunto enfatizaram que a cooperação entre os países RIC visa sempre a manter a paz e a estabilidade internacionais e regionais e a promover o crescimento econômico e a prosperidade globais, mediante cooperação prática e objetiva.

Para viabilizar essa cooperação, os três países ampliarão o trabalho conjunto em think-tanks, nos negócios, na agricultura, na mitigação e socorro internacionais em emergências, em serviços médicos e em saúde pública. Os ministros também exploraram o potencial para cooperação no campo da produção e transporte de petróleo e gás natural, e em outros campos de energia, alta tecnologia, proteção ambiental e conectividade.

MRE da China, Wang Yi, (C) discursa na abertura da 13ª Reunião de MREs de Rússia, Índia e China (RIC) (2/2/2015)
O ministro chinês, Wang Yi falou longamente sobre bases fortes e firmes e sobre a motivação para extensa cooperação.

China, Rússia e Índia são grandes países, dos maiores do mundo; e somos, todos, economias de mercado emergentes. Todos temos compromisso com política independente para a paz, e com a via do desenvolvimento pacífico. Geramos sempre mais energia positiva para o resto do mundo, e trabalharemos sem descanso para tornar o mundo mais seguro e mais estável. Nossos três países unem-se para cooperação mais próxima, mutuamente benéfica, e para nosso desenvolvimento comum. A união beneficiará diretamente mais de 40% da população do planeta Terra – disse Wang.

Sergei Lavrov, da Rússia, partilhou a visão de seu contraparte chinês sobre a segurança regional.

MRE da China, Wang Yi (C) apresenta o MRE da Rússia, Sergey Lavrov (E) e a MRE da Índia, Sushma Swaraj (2/2/2015)
Todos os ministros insistiram que estão determinados a construir ordem política e econômica internacional mais justa, mais igualitária e mais estável, seguindo os propósitos e os princípios da Carta da ONU, os Cinco Princípios da Coexistência Pacífica e outras normas básicas da lei internacional.

Tivemos discussão muito construtiva cobrindo a cooperação em vários mecanismos multilaterais, incluindo o G20 e o grupo BRICS. Quero registrar meu apreço aos meus contrapartes pelo apoio à aspiração da Índia de ser recebida como membro da Organização de Cooperação de Xangai, tão logo se completem os necessários trâmites e procedimentos de lei – disse Sushma Swaraj, MRE da Índia.

Como países emergentes, China, Rússia e Índia partilham posições similares em inúmeras questões regionais e globais. Cooperação multilateral cada vez mais forte não apenas contribuirá para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento regionais, mas, também ajudará a construir ordem internacional mais equilibrada e democrática, num mundo já multipolar, completou a Ministra.

Wang Yi, MRE da China (C), despede-se dos MREs da Rússia (E) e da Índia ao final da 13ª Reunião de MREs da Rússia, Índia e China (RIC) (2/2/2015)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Êpa! São eles novamente! Prêmio “Você está falando sério?” de 2014.


2-4/1/2015, [*] Conn HallinanCounterpunch
Traduzido por mberublue


●— O Prêmio “Caixa de Pandora” deste ano será dividido entre Estados Unidos e Israel, pelo lançamento desastrado da primeira guerra cibernética no mundo, criando um monstro no processo. Em 2010, os dois países criaram secretamente e liberaram o vírus “Stuxnet” para incapacitar o programa de energia nuclear do Irã, travando durante o transcorrer do feito milhares de centrífugas iranianas.

De acordo com o comunicado lançado pela Companhia de Segurança Cylance, “o vírus “Stuxnet” foi um acontecimento esclarecedor para as autoridades iranianas, mostrando-lhes o mundo da destruição física através de meios eletrônicos. A retaliação contra o “Stuxnet” começou quase imediatamente.”

Agora, o jornal The Financial Times comunica que

Hackers iranianos penetraram dezenas de organizações internacionais entre as quais seis companhias líderes em petróleo e gás natural, seis aeroportos internacionais, sete companhias de aviação, uma importante empresa que presta serviços para a defesa dos Estados Unidos, dez universidades de prestígio e o sistema de computação de vários países do Golfo.

Apenas um programa dos hackers iranianos, denominado “Cleaver”, de acordo com a Companhia Cylance, “extraiu materiais altamente sensíveis” de governos e companhias chave no Canadá, China, França, Israel, Kuwait, Arábia Saudita, Inglaterra, Alemanha, Índia, México, Paquistão, Coréia do Sul, Turquia e Emirados Árabes Unidos.

O que semeais é o que colhereis.
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Angela Hitler
●— O Prêmio “Repreensão de Ouro” vai para a Alemanha e sua Chanceler Angela Merkel, por admoestar duramente os gregos, acusando-os de gastos extravagantes, forçando Atenas a engolir medidas extremas de austeridade, enquanto ao mesmo tempo, subornava militares gregos para que gastassem bilhões de dólares comprando armas inúteis.

Conforme o jornal Kathimerini:

(...) negociantes de armas, principalmente alemães, mas também franceses, suecos e russos distribuíram quase 3 bilhões de dólares em propinas, para garantir contratos de armas para a próxima década no valor de cerca de 68 bilhões de dólares. Um desses vendedores de armas “deixou cair” junto ao Ministro do Exército grego, uma mala com mais de 800,000 dólares.

Atenas acabou por gastar 2,3 bilhões de dólares para comprar 170 tanques alemães “Leopard II”, os quais são praticamente inúteis para a luta no terreno da Grécia. De qualquer forma, os tanques foram entregues sem qualquer tipo de munição (embora no mês de agosto passado o Ministro da Defesa da Grécia tenha expelido mais 69,9 milhões de dólares para comprar munição da companhia alemã Rheinmetall).

Grécia endividada
Os gregos também pagaram mais de 4 bilhões de dólares para adquirir submarinos alemães que estão até hoje em doca seca e, por qualquer medida, são muito barulhentos. Não é lá coisa muito boa ter coisas barulhentas em serviços que exigem silêncio. De acordo com o “Der Spiegel”, a companhia alemã que constrói o U-214 pagou cerca de 2 milhões de dólares para assegurar a assinatura do contrato.

Nesse meio tempo, a política de austeridade  empurrada goela abaixo da Grécia pelos credores internacionais – o FMI, o Banco Central Europeu e a União Europeia – acabaram por empobrecer milhões de gregos e impulsionaram um desemprego da ordem de 20 por cento (50 por cento dos jovens abaixo de 25 anos). Desde 2008, a mortalidade infantil cresceu 21 por cento na Grécia e a mortalidade de crianças cresceu 43 por cento. Os suicídios tiveram um incremento de 45 por cento.

Em troca de seus gastos militares, os gregos atualmente possuem submarinos que não saem da terra, tanques que não podem usar e conferências de Angela Merkel sobre como economizar dinheiro.
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Vallabhbhai (Sardar) Patel
●— O Prêmio “Prioridade Burra” vai para o governo da Índia, por ter gasto 33 milhões de dólares em uma estátua em bronze de cerca de 183 metros de altura, do líder hindu da Independência, Vallabhbhai Patel, enquanto, de acordo com a ONU, 213 milhões de hindus são desnutridos, mais que qualquer outro país do planeta e constituindo um de cada quatro pessoas em perigo alimentar no mundo. Quase 48 por cento das crianças estão abaixo do peso recomendado para suas idades, e a Índia, juntamente com a Nigéria são os países responsáveis por uma de cada três mortes de crianças com menos de cinco anos no mundo. A desigualdade econômica é maior na Índia que em qualquer outro país emergente do mundo. Atualmente, a expectativa de vida é maior em Bangladesh e no Paquistão que na Índia.

O jornalista investigativo P. Sainath que cobriu a economia rural da Índia por décadas escreveu que “Um total de 2.960.438 camponeses cometeram suicídio na Índia desde1995.” Em virtualmente cada caso, motivo do suicídio foi a dívida para com agiotas e proprietários de terras.

Comunicados sugerem aos líderes do governo hindu que elaborem um programa de ajuda aos agricultores, que alimentem os pobres e tirem um momento de calma para ler com vagar o poema “Ozymandias” (apelido grego de Ramsés II- NT) de Percy Shelley (traduzido no final do artigo – NT).
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Motores de foguetes  RD-180 (russos)
●— O Prêmio “Tiro no Pé” vai para a administração Obama, por ter parado de comprar os motores para foguetes RD-180 feitos na Rússia, como consequência das sanções impostas a Moscou na esteira da crise da Ucrânia. A substituição do RD-180, um motor barato, confiável e simples que mandou os foguetes norte americanos Atlas III e Atlas V para o espaço desde 1997, custará 1,5 bilhões de dólares e seis anos de prazo para que seja realizada. Um novo motor capaz de lançar tais veículos exigirá que estes sejam redesenhados e atrasará o programa de satélites. No final, o custo total orçará por volta de 5 bilhões de dólares.

Na retaliação ao banimento do RD-180, a Rússia não mais emprestará seus foguetes Soyuz para o abastecimento da estação espacial internacional. Perguntado como os astronautas chegarão até a estação, o representante do Primeiro Ministro russo Dmitry Rogozin sugeriu que eles “usem um trampolim”.

A ESA (European Space Agency – Agência Espacial Europeia) também acabou por tomar uma pancada. Além de perder o serviço de táxi do Soyuz para a Estação Espacial, a ESA perdeu ainda o acesso ao motor RD-180, e terá que acelerar a finalização do problemático foguete Ariane VI, programado para substituir o foguete da Agência, o Ariane V. O “VI” é criticado por ser muito grande, muito inflexível e muito caro – 4,2 bilhões de dólares.

A Rússia anunciou que deslocará seus gastos com a estação espacial internacional, para desenvolver outros projetos espaciais em conjunto com a China.
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Avião da força aérea dos EUA usado pela CIA para transportar prisioneiros ILEGAIS para serem torturados
●— O Prêmio “O Cachorro Comeu meu Dever de Casa” vai para o Ministério de Relações Exteriores britânico pela destruição acidental de documentos que mostrariam que Londres estava profundamente – e ilegalmente – envolvida no programa da CIA norte americana de entrega de presos. O programa removia suspeitos de terrorismo para países onde era permitida a tortura, ou mantinha os suspeitos em “bases negras” secretas onde a CIA realizava sua programação de tortura.

A Inglaterra autorizou cerca de 1.600 voos da CIA para dentro e para fora do país e permitiu que os suspeitos fossem levados para a Ilha de San Diego, no Oceano Índico, controlada pela Inglaterra. A cumplicidade com o programa de remoção de suspeitos é um violação da lei britânica sobre sequestro, detenção arbitrária e o direito a um julgamento justo. Também viola a lei internacional contra a tortura.

Isto está ficando cada vez pior para o governo do Reino Unido em Diego Garcia, disse Cori Crider, da Reprieve, organização de direitos humanos da Inglaterra. Eles precisam ser muito claros sobre como, quando e onde as evidências foram perdidas.

O Ministro de Relações Exteriores, Mark Simmons disse que os registros foram perdidos depois de “danificados pela água”.
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Bomba atômica - Teste no atol Bikini
●— O Prêmio “O Rato que Ruge” vai para as Ilhas Marshall por levar os poderes nucleares do mundo – Os Estados Unidos, China, Rússia, França, Inglaterra, Paquistão, Índia, Israel e Coréia do Norte – ante a Corte Internacional de Justiça em Haia pela violação do artigo VI do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. O artigo VI reza sobre o “fim das armas nucleares em data o mais próxima possível e sobre o desarmamento nuclear”. Índia, Israel e Paquistão não são signatários do tratado – a Coréia do Norte se retirou – mas é muito difícil conversar com os marchallenses sobre o assunto de armas nucleares: em 1954 os Estados Unidos vaporizaram o Atol de Biquini com uma bomba de Hidrogênio de 15 megatons e colocaram radiação sobre milhares de ilhéus.

Por um período de 12 anos, os Estados Unidos detonaram 67 bombas nucleares com um poder agregado de 42,2 megatons nas Ilhas Marshalls. A bomba de Hiroshima tinha 15 kilotons. As Ilhas Marshall reclamam no Tribunal que os Estados Unidos são responsáveis por danos da ordem de dois bilhões de dólares, mas até o momento Washington pagou apenas 150 milhões.

Não foram apenas os ilhéus das Ilhas Marshall que foram atingidos. O Centro de Reportagem Investigativa verificou que a marinha dos Estados Unidos desmontava alguns dos navios que tomaram parte nos testes na Ilha do Tesouro na baía de São Francisco. A marinha então teria enterrado o lixo nuclear gerado nos testes no derredor da ilha, criando numerosos pontos de radiação intensa. Na ilha vivem cerca de 2.000 sem teto em habitações subsidiadas pelo governo, que então garantira que nada haveria com que se preocupar, mas ao mesmo tempo deu-lhes instruções para que não deixassem seus filhos cavarem no quintal ou em frente às casas. “Olha aqui, mãe! Essa pedra brilha no escuro!”.

A contaminação nuclear foi constatada também em outras bases na California, incluindo-se a Alameda Naval Air Station, Hunters Point Naval Sgipyard e MacClellan Air Force Base, perto da capital do Estado, Sacramento.

Radiação: este presente dura muito.
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O F35 da Lockheed-Martin
●— O Prêmio “Limão Dourado” mais uma vez fica com a Lockheed Martin por seu avião de bombardeio furtivo de 1,5 trilhões de dólares, o F-35 – a mais cara arma na história do sistema de armamento dos Estados Unidos – que não tem software para trabalhar, não voa na chuva e incendeia quando tenta sair do chão. De qualquer forma, os compradores começam a alimentar sérias dúvidas sobre adquirir ou não o produto. O Canadá testou o F-35 contra o velho F-18 Super Hornet dos EUA, o Eurofighter Typhoon e o Dassault Rafale da França e encontrou entre o F-35 e os demais apenas uma diferença crucial: o F-35 custa entre 116 e 160 milhões de dólares a unidade, enquanto os outros variam entre, respectivamente, 60, 90 e 64 milhões de dólares cada.


Os Estados Unidos foram obrigados a cancelar a estreia do F-35 no prestigioso Farnborough International Air Show, na Inglaterra, porque um dos aviões simplesmente pegou fogo ao tentar decolar da Base Aérea de Englin na Florida. Já restringido a voar em baixas velocidades e com autonomia de apenas três horas de voo contínuo; isso se revelou insuficiente para atravessar o Atlântico.

USS Independence e USS Freedom (ao fundo)
A Lockheed Martin e Austal USA também marcaram muitos pontos na categoria Limão Dourado com seu Littoral Combat Ships LCS (Navios de Combate no Litoral – Nt), os navios USS Freedom e o USS Independence. O programa LCS, de 37 bilhões de dólares previa a construção de uma frota de navios de guerra de calado baixo e alta velocidade, mas que, conforme recentes estudos do Pentágono, não sobreviveriam em combate. O Diretor do Departamento de Testes Operacionais e Avaliação, Michael Gilmore, do Departamento de Defesa, disse que os navios da Lockheed Martin (USS Freedom) e da Austal (USS Independence)

(...) não tem expectativa de sobrevivência em ambiente de combate hostil e não se destinam a uma utilização que os coloque em rota de dano.

Traduzindo: se entrarem em uma luta, eles serão torrados.

Porém tudo isso pode não ser um problema porque, afinal de contas, o alto custo de manutenção que requerem os navios tipo LCS significa que de qualquer forma os navios não conseguem mesmo chegar a qualquer teatro de batalha. O USS Freedom gastou 58 por cento de seu tempo no Porto de Singapura – mais de duas vezes a média dos navios da Marinha dos Estados Unidos – e o USS Independence ficou durante a maior parte do tempo amarrado em San Diego.
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Fred Branfman
●— Um adeus para Fred Branfman, que morreu vitimado pela doença de Lou Gehrig aos 72 anos. Branfman ajudou a revelar os segredos da guerra secreta dos Estados Unidos contra o Laos que matou dezenas de milhares de civis e espalhou por aquele país milhões de bombas que não explodiram, armas que continuam a causar morte e sofrimento aos moradores do país até hoje. Os Estados Unidos realizaram 580.000 missões de bombardeio contra o Laos despejando o equivalente a quase uma tonelada de bombas para cada pessoa residente no país. Branfman ajudou a fundar o Centro de Recursos da Indochina onde documentou o que presenciou no Laos enquanto trabalhou naquele país na ajuda humanitária. Posteriormente escreveu o livro “Vozes da Planície de Jars: a Vida Embaixo de uma Guerra Aérea.”

Presente!


OZYMANDIAS

Percy Shelley

Origem do texto e da tradução: Wikipédia

I met a traveller from an antique land
Who said:—Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them on the sand,
Half sunk, a shatter'd visage lies, whose frown
And wrinkled lip and sneer of cold command
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamp'd on these lifeless things,
The hand that mock'd them and the heart that fed.
And on the pedestal these words appear:
"My name is Ozymandias, king of kings:
Look on my works, ye mighty, and despair!"
Nothing beside remains: round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare,
The lone and level sands stretch far away.

OZYMANDIAS
(Tradução)

Eu encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão
E lábios franzidos e escárnio de frieza no comando
Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas partes sem vida,
A mão que os zombava e o coração que os alimentava.
E no pedestal estas palavras aparecem:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!"
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.
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[*] Conn (Ringo) Hallinan é articulista de política  do Foreign Policy in Focus e do sítio Counterpunch entre outras publicações impressas e online. Participou da formação do Partido Socialista dos Trabalhadores dos EUA. É membro do Conselho de Paz dos EUA, professor e conferencista. Militante na luta anti-imperialista, pela paz, desarmamento e não intervenção; participa das Comissões de Liberdades Civis e de Defesa. Pode-se ler seus artigos em: