Mostrando postagens com marcador Larry Summers. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Larry Summers. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Serenata dos Trapaceiros: Surge um Novo Golpe

29/11/2013, [*] Paul Craig RobertsIPE – Institute for Political Economy
Traduzido por João Aroldo


Timothy Geithner
O ex-secretário do Tesouro, Timothy Geithner, um protegido dos Secretários do Tesouro, Rubin e Summers, recebeu sua recompensa por continuar a política de Rubin-Summers-Paulson de apoiar os “bancos grandes demais para falir” à custa da economia e do povo americano. Pelo seu serviço para o punhado de bancos gigantescos, cuja existência atesta o fato de que a Lei Anti-Truste é uma lei de letra morta, Geithner foi nomeado presidente e diretor-gerente da empresa de private equity, a Warburg Pincus, e está a caminho da sua fortuna.

Paul Warburg 
Um cunhado de Warburg financiou a campanha presidencial de Woodrow Wilson. Parte da recompensa foi a nomeação por Wilson de Paul Warburg ao primeiro Federal Reserve Board. A relação simbiótica entre presidentes e banqueiros tem continuado desde então. O mesmo pequeno grupo continua a exercer o poder financeiro.

A carreira de Geithner é ilustrativa. Na década de 1980, Geithner trabalhou para Kissinger Associates. Em meados dos anos 1990, Geithner serviu como secretário do Tesouro adjunto. Sob Rubin e Summers, ele foi promovido a subsecretário do Tesouro.

Do Tesouro ele foi para o Council on Foreign Relations e de lá para o Fundo Monetário Internacional (FMI). De lá, ele foi nomeado presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, onde trabalhou para tornar os bancos mais rentáveis, permitindo índices mais elevados de dívida para o capital, contribuindo assim para a crise financeira.

Geithner organizou a venda da fima falida de Wall Street, Bear Stearns, ajudou no salvamento da AIG com dinheiro do contribuinte e rejeitou salvar o Lehman Brothers da falência, a fim de criar a atmosfera de crise necessária para mais completamente subordinar a política econóômica dos EUA às necessidades de poucos grandes bancos.

Rubin, um veterano de 26 anos da Goldman Sachs, foi recompensado pelo Citibank pelo seu serviço aos bancos como secretário do Tesouro com um pacote de 50 milhões de dólares de compensação em 2008 e 126 milhões de dólares entre 1999 e 2009.

Quando uma pessoa se torna um funcionário do Tesouro, é claro que a escolha é entre servir aos bancos e ficar rico ou tentar servir o público e ficar pobre. Poucos fazem a última escolha.

Michael Hudson
Como Michael Hudson nos informou, o objetivo do setor financeiro sempre foi o de converter toda a renda, dos lucros das empresas às receitas fiscais do governo, para o serviço da dívida. Do ponto de vista dos banqueiros, quanto mais dívidas mais ricos ficam os banqueiros. Rubin, Summers, Paulson, Geithner, e agora o banqueiro secretário do Tesouro, Jack Lew, servem fielmente este objetivo.

O Federal Reserve descreve sua política de quantitative easing - a criação de nova moeda com a qual o Fed compra títulos do Tesouro e títulos lastreados por hipotecas - como uma política de baixas taxas de juros, a fim de estimular o emprego e o crescimento econômico. Os economistas e a mídia financeiros repetiram esta ladainha.

Por outro lado, eu tenho exposto o QE como um esquema para injetar lucros nos bancos e impulsionar seus balanços. O propósito real do QE é fazer subir os preços dos derivativos relacionados à dívida nos balanços dos bancos, mantendo, assim, os bancos com balanços positivos.

Andrew Huszar
Escrevendo no Wall Street Journal (Confessions of a Quantitative Easer, 11 de novembro de 2013), Andrew Huszar confirma a minha explicação como correta. Huszar é o funcionário do Federal Reserve que implementou a política de QE. Demitiu-se quando percebeu que os efeitos reais do QE era elevar os preços dos títulos de dívida dos bancos, para fornecer aos bancos trilhões de dólares a custo zero para emprestar e especular, e para fornecer aos bancos “gordas comissões de corretagem da maior parte das transações QE do Fed.

Este vasto golpe permanece desconhecido pelo Congresso e pelo público. Na Conferência de Pesquisa do FMI em 8 de novembro de 2013, o ex-secretário do Tesouro, Larry Summers, apresentou um plano para expandir o golpe.

Summers diz que não é suficiente só dar aos bancos dinheiro sem juros. Mais deve ser feito pelos bancos. Em vez de receberem juros sobre seus depósitos bancários, as pessoas devem ser penalizadas por manter seu dinheiro nos bancos, em vez de gastá-lo.

Para vender este novo esquema extorsivo, Summers veio com uma explicação baseada no keynesianismo cru e desacreditado da década de 1940 que explicava a Grande Depressão como um problema causado pelo excesso de poupança. Em vez de gastar seu dinheiro, as pessoas o esconderam, fazendo, assim, a demanda agregada e emprego caírem.

Larry Summers
Summers diz que hoje o problema do excesso de poupança reapareceu. A peça central do seu argumento é “a taxa de juros natural”, definida como a taxa de juro com a qual o pleno emprego é estabelecido pela igualdade de poupança com investimento. Se as pessoas poupam mais do que os investidores investem, o dinheiro poupado não vai encontrar o seu caminho de volta para a economia, e a produção e o emprego cairão.

Summers nota que, apesar de uma taxa real de juros zero, ainda há desemprego substancial. Em outras palavras, nem mesmo uma taxa zero de juros pode reduzir a poupança para o nível de investimento, frustrando, assim, uma recuperação de pleno emprego. Summers conclui que a taxa de juros natural tornou-se negativa e ficou presa abaixo de zero.

Como corrigir isso? A maneira de corrigi-lo, Summers diz, é cobrar das pessoas por poupar dinheiro. Para evitar os encargos, as pessoas iriam gastar o dinheiro, reduzindo, assim, a poupança para o nível de investimento e restaurando o pleno emprego.

Summers reconhece que o problema com a sua solução é que as pessoas tirariam seu dinheiro dos bancos e manteriam em dinheiro vivo. Em outras palavras, a forma do dinheiro em espécie oferece aos consumidores uma liberdade para economizar que mantém o consumo baixo e impede o pleno emprego.

Summers tem uma correção para isso: eliminar a liberdade através da imposição de uma sociedade sem dinheiro, onde o dinheiro é só eletrônico. Como o dinheiro eletrônico não pode ser acumulado com exceção dos depósitos bancários, as penalidades podem ser impostas para forçar a poupança improdutiva em consumo.

O esquema de Summers é, claro, descuidado. Com os governos mantendo enormes déficits, quem iria comprar títulos com taxas de juros negativas? Como os fundos de pensão e aposentadoria iriam operar? Será que eles também estão sujeitos a um confisco anual?

Paul Krugman
Sabemos que a resposta dos consumidores para o declínio da renda real familiar média a longo prazo, à perda de postos de trabalho pela arbitragem de trabalho através das fronteiras nacionais (exportação de empregos), ao aumento da pobreza, cortes na rede de segurança social, a transformação de postos de trabalho em tempo integral para empregos de meio período (resposta dos empregadores para o Obamacare), tem sido a de reduzir a sua taxa de poupança.

Na verdade, poucos têm alguma economia. A taxa de poupança pessoal dos EUA é atualmente de 2 pontos percentuais, cerca de 30%, abaixo da média de longo prazo. Aposentados, incapazes de ganhar qualquer juro sobre suas economias pela política de taxas de juro zero do Fed, estão sendo obrigados a sacar suas economias, a fim de pagar suas contas.

Além disso, não está claro se a taxa de poupança é uma medida exata ou apenas um residual de outros cálculos. Com tanta gente tendo que sacar suas economias, eu não ficaria surpreso se uma medida precisa mostrasse a taxa de poupança pessoal como negativa.

Mas para Summers a situação do consumidor não é o problema. O problema é o lucro dos bancos. Summers tem a solução e o establishment, incluindo Paul Krugman, o está aplaudindo. Quando a economia despencar oficialmente novamente, fique atento.
______________________

[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. 

Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus   o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Histeria da estagnação: Estourando Bolhas com Paul Krugman

22-24/11/ 2013, [*] Mike Whitney, Counterpunch (Weekend Edition)
Traduzido por João Aroldo



O “economista de alto nível” dos EUA pensa que precisamos de mais bolhas de ativos para combater as taxas de juros reais negativas e estagnação secular persistente.

Em um post controverso em seu blog, o colunista do New York Times, Paul Krugman discute que as bolhas podem ser necessárias para compensar demanda insuficiente, desemprego alto e crescimento lento. Eis um trecho do seu blog “The Conscience of a Liberal”:

Paul Krugman
Sabemos que a expansão econômica de 2003-2007 foi causada por uma bolha. Você pode dizer o mesmo sobre a última parte da expansão dos anos 90; e você pode de fato dizer o mesmo sobre os últimos anos de expansão Reagan, que foi levada a esse ponto por instituições de poupança fora de controle e uma grande bolha no setor imobiliário comercial

Então como você pode conciliar bolhas seguidas com uma economia mostrando nenhum sinal de pressão inflacionária? A resposta de Summers é que podemos ser uma economia que precisa de bolhas apenas para conseguir algo próximo do pleno emprego que, na ausência de bolhas a economia tem uma taxa natural negativo de juros (…) (“Secular Stagnation, Coalmines, Bubbles, and Larry Summers”, Paul Krugman, New York Times)

Assim, sem bolhas, não há expansão de crédito, nem pleno emprego, nem recuperação forte? Isso soa muito como uma desculpa para manter a política atual [expansão monetária ou emissão de moeda sem lastro (orig. Quantitative Easing) – e juros zero], não é?

Mas que reivindicação audaciosa, e que triste reflexão sobre a profissão de economista, quando os seus porta-vozes mais célebres levantam as mãos em desespero e dizem: “É assim mesmo, gente. Lidem com isso”, em vez de oferecer alternativas construtivas. Não é isso o que os economistas devem fazer, descobrir como nos tirar da UTI e nos levar de volta ao pleno emprego e crescimento? Eis um outro trecho do seu post:

(...) nós somos uma economia em que a política monetária é de fato limitada pelo limite inferior zero ... e que isso corresponde a uma situação em que a taxa “natural” de juros - a taxa na qual a poupança desejada e o investimento desejado seriam iguais com o pleno emprego - é negativo ..... nesta situação as regras normais da política econômica não se aplicam. Como eu gosto de dizer, a virtude se torna vício e prudência torna-se loucura. (NYT)

Okay. Então, se a principal ferramenta política do Fed, a Taxa Feds Funds, não está fazendo efeito e estimulando a demanda, o que você faz? Manter as taxas em zero por 5 ou 10 anos, enquanto o Fed bomba trilhões em reservas bancárias levando as ações para a estratosfera e inflndo bolhas em todos os tipos de ativos financeiros?

Krugman parece achar que sim. E seu amigo, Larry Summers, também, cuja apresentação em uma conferência recente do FMI foi o catalisador para as reflexões de Krugman.

Larry Summers
Então, vamos fazer a pergunta óbvia primeiro: Será que Summers estaria igualmente entusiasmado com bolhas de ativos, se seus ricos amigos banqueiros tivessem sentido o impacto da última bolha, ou seja, se os nove maiores bancos do país tivessem sido nacionalizados, os acionistas eliminados, os detentores de títulos tivessem sofrido perdas, a gestão fosse substituída, e os ativos tóxicos vendidos em leilões públicos pelo maior lance? Ou a opinião de Summers foi moldada pelo fato de que os bancos foram socorridos e só a “patuléia” sofreu em termos de perda do valor imobiliário (8 trilhões de dólares), empregos perdidos (14 milhões), um recorde de execuções hipotecárias (6 milhões), e uma economia dos EUA dizimada?

Meu palpite é que os sentimentos de Summers sobre bolhas de ativos não têm nada a ver com a economia e tudo a ver com os resultados. É tudo uma questão de saber de quem é vaca que foi para o brejo. E todos nós sabemos de quem é a maior vaca que foi para o brejo; a das pessoas comuns.

E, por que Krugman finge que só agora se deu conta de que bolhas de ativos podem ser uma coisa boa? Eis uma citação do seu post:

Estou bastante irritado com Larry Summers agora. Sua apresentação na Conferência de Pesquisa do FMI está, justificadamente, recebendo muita atenção. E é o seguinte: estive pensando na mesma linha, e insinuei, eu acho, esta mesma análise em vários escritos. Mas a formulação de Larry é muito mais clara e mais convincente, e de modo geral melhor, do que qualquer coisa que eu fiz. Maldito seja, Barão Vermelho Larry Summers! (Paul Krugman, “A Consciência de um Liberal” NYT)

Krugman faz parecer que toda a coisa da bolha de ativos apenas lhe ocorreu, o que é bobagem. Krugman tem sido um estimulador de bolha desde o começo. Eis um trecho de um artigo que ele escreveu em 2002, dizendo que Greenspan deveria inflar uma bolha imobiliária para compensar as consequências da falência das empresas ponto com (.com):

(...) a recessão de 2001 não foi uma crise típica do pós-guerra, provocada quando um Fed em combate à inflação eleva as taxas de juros e facilmente termina por um repique no mercado imobiliário e gastos dos consumidores quando o Fed diminui as taxas novamente. Esta foi uma recessão de estilo pré-guerra, um dia seguinte provocado pela exuberância irracional. Para combater esta recessão, o Fed precisa de mais do que um repique, ele precisa de mais gastos das famílias para compensar o investimento empresarial moribundo. E para fazer isso, como Paul McCulley, da Pimco, explicou, Alan Greenspan precisa criar uma bolha imobiliária para substituir a bolha da Nasdaq. (“Dubya’s Double Dip?”, Paul Krugman, New York Times).

Bem, isso é muito claro, não é? Então, se Krugman era um proponente das bolhas em 2002, por que ele age como se nunca isso lhe ocorreu até que ouviu o discurso de Verão?

Será que é porque Krugman é um confiável liberal da situação, cujo trabalho é moldar a opinião pública? É isso? Neste caso, Krugman está tentando dignificar o meio pelo qual mais riqueza é transferida para os cleptocratas de Wall Street via bolhas de ativos. Ele também está preparando o terreno para manter as mesmas políticas estorsivas por tanto tempo quanto possível, o que o torna um ardente defensor do status quo.

Tenha em mente, este é o mesmo cara que, nos últimos cinco anos, vem dizendo que a única coisa que precisávamos para “Acabar com Esta Depressão Agora” (livro de Krugman) é ampliar os déficits orçamentários, aumentar os gastos do governo, e lançar uma nova rodada de estímulo fiscal. Agora ele deu uma guinada de 180 graus e está defendendo uma política que de acordo com Yves Smith do Naked Capitalism “retrata bolhas de ativos como necessárias e desejáveis”. Isso é uma bela inversão, você não acha?

Krugman novamente:

Se você levar uma visão da estagnação secular a sério, isso tem algumas implicações radicais... que mesmo a regulamentação financeira melhorada não é necessariamente uma coisa boa – que pode desencorajar os empréstimos irresponsáveis num momento em que mais gastos de qualquer tipo são bons para a economia... (NYT)

Essa é a visão de coisas do Partido Republicano, não é? “Por que precisamos de regulação”, eles dizem. “Eles simplesmente põem um amortecedor sobre o crescimento”. A abordagem de Krugman é um pouco mais sutil, mas equivale à mesma coisa. Ao sugerir que vencer a estagnação é a maior prioridade, ele implicitamente legitima tudo, desde a mega-alavancagem nos bancos até empréstimos de má-fé. Este é o mais próximo que você vai chegar à malversação econômica sem que o Comitê do Prêmio Nobel bata à sua porta exigindo sua estátua de volta.

Krugman novamente:

É claro que o problema subjacente a tudo isso é simplesmente que as taxas reais de juros são muito altas. Mas, você diz, elas são negativas - taxas nominais zero menos alguma inflação esperada, pelo menos. Qual é a resposta, então? Se o mercado quer uma taxa de juros real fortemente negativa, teremos problemas persistentes até encontrarmos uma maneira de entregar tal taxa. (NYT)

Taxas de juros reais negativas!” “Estagnação secular persistente!” “Armadilha de liquidez, armadilha de liquidez, armadilha de liquidez”!

Ficou com medo? Você deveria ficar, afinal, é para isso que serve toda essa besteira alarmista. É só para meter medo. Com efeito, o que Krugman está dizendo é, “Isso é terrível, pessoal. O mundo vai acabar se não lidarmos com as taxas negativas rápido!…Não digam que não avisei”.

Mas, esperem um pouco; o afrouxo monetário não deveria resolver o problema? Não é por isso que o Fed está bombando 85 bilhões de dólares em títulos do tesouro e MBS (Mortgage-Backed Securities) [(trad. tentativa, Seguros Hipotecários Retroativos] - por mês, porque as taxas estão em zero e as compras de ativos deveriam levar a política de juros para território negativo, aliviando a carga de dívida e baixando o preço do crédito?

Claro que sim, mas a histeria de Krugman apenas reforça o fato de que o programa é uma grande fraude; que não fez nada, exceto aumentar a especulação irresponsável e, ao mesmo tempo, permitindo aos bancos desonestos rolarem sua maciça dívida a custo zero. (Uma rápida olhada nos últimos relatórios do de crédito do Fed mostra que o crédito só está expandindo nos empréstimos estudantis e empréstimos automotivos extorsivos “subprime” que estendem o prazo do empréstimo para 84 meses! Mais uma história de sucesso do afrouxo monetário!).

Quanto à estagnação, bem, ela já está aí há muito tempo, Paul, e pouquíssimos economistas veem as bolhas de ativos como uma saída. E enquanto alguns atribuem o problema à demografia,(como Krugman) outros acham que ela está mais ligada à supressão de salário, má distribuição de renda, juros, aumento da financeirização, ou o próprio capitalismo. De acordo com os autores John Bellamy Foster e Fred Magdoff, o aumento da financeirização nos EUA foi na verdade uma resposta à estagnação que estava causando um rápido declínio na taxa de acumulação. Confira esta sinopse em Monthly Review, onde os autores explicam as origens do fenômeno e como ele abriu o caminho para o sistema financeiro de grandes dimensões que temos hoje:

John Bellamy Foster
Foi a realidade da estagnação econômica a partir dos anos 1970, como enfatizaram recentemente os economistas heterodoxos Riccardo Bellofiore e Joseph Halevi, que levou ao surgimento do “novo regime capitalista financeirizado”, uma espécie de “keynesianismo financeiro paradoxal”, pelo qual a demanda na economia foi estimulada principalmente “graças a bolhas de ativos”. Além disso, foi o papel de liderança dos Estados Unidos na geração de tais bolhas apesar do próprio enfraquecimento da acumulação de capital, juntamente com status de moeda de reserva do dólar, que tornou o capital do monopólio financeiro dos EUA o “catalisador da demanda efetiva mundo”, começando na década de 1980.

Mas esse padrão de crescimento financeirizado foi incapaz de produzir rápido avanço econômico por qualquer período de tempo, e era insustentável, levando a bolhas maiores, que periodicamente estouraram, trazendo cada vez mais estagnação para a superfície.

Fred Magdoff
Um elemento-chave para explicar toda esta dinâmica pode ser encontrado na taxa em queda dos salários como percentagem do rendimento nacional nos Estados Unidos. A estagnação na década de 1970 levou o capital a lançar uma guerra de classes acelerada contra os trabalhadores para conseguir lucros cortando os custos trabalhistas. o resultado foi décadas de desigualdade crescente.... um declínio acentuado na participação dos salários no PIB entre o final dos anos 1960 e o presente. (“Financial Implosion and Stagnation”, John Bellamy Foster and Fred Magdoff, Monthly Review).

Krugman sabe de tudo isso. Ele fez a pesquisa. Como dissemos antes, ele só está tentando dignificar o meio pelo qual os plutocratas estão nos roubando enquanto nos prepara para mais do mesmo no futuro próximo. Isso faz dele um defensor das bolhas de ativos no meu livro.

A teoria de “estagnação secular de taxas negativas” de Krugman é pura conversa fiada. O problema não é uma armadilha de liquidez, mas o que o economista Heiner Flassbeck chama de “armadilha da renda”, em que rendimentos em queda e salários achatados levaram à demanda em queda e investimento fraco. Aqui Eis um trecho de um artigo recente de Flassbeck:

Heiner Flassbeck
(...) os EUA hoje …. Estão restritos pela demanda e a demanda está restrita pela expectativa da renda das famílias com altos níveis de desemprego… É uma história do mercado de trabalho disfuncional (...).

(...) alto desemprego pressiona os salários, salários pressionados pressionam o consumo e consumo presisonado não permite à economia se recuperar apesar dos enormes lucros das empresas e tentativas desesperadas de política monetária (...)

(...) mesmo políticas bem-intencionadas podem levar a resultados questionáveis se a análise subjacente é falha. A Abenomics e a maioria dos seus seguidores acadêmicos, como Paul Krugman, consideram uma armadilha de liquidez prolongada como a principal razão para a fraqueza japonesa (...)

(...) as expectativas diminuídas e a incerteza das famílias japonesas quanto a sua renda futura e deflação enquanto tal evitam o consumo privado de tomar um papel de liderança em uma recuperação. Para chamar essa constelação de uma armadilha de liquidez é enganoso. Na verdade, a armadilha é muito mais uma armadilha de salário ou renda do que uma armadilha de liquidez. (“Japan: Why Paul Krugman doesn’t get it right and Martin Wolf has to move on”, Heiner Flassbeck, Flassbeck-Economics).

Bingo. Temos um vencedor!

Os problemas não são taxas negativas, estagnação secular, ou armadilhas de liquidez. São demanda, salário e distribuição. Se você pagar um salário decente às pessoas, eles têm mais dinheiro para gastar, a atividade aumenta, o desemprego cai, as vendas aumentam, as empresas reciclam seus lucros em investimento, o lucro melhora, a demanda por recursos (empréstimos) eleva as taxas, a economia cresce e o todo mundo fica feliz. Mas se você continuar esmagando o trabalho com austeridade, exportando postos de trabalho, desemprego elevado contínuo, acordos de livre comércio regressivos, cortes em programas sociais vitais, e políticas monetárias falsas que servem apenas aos ricos, então a demanda enfraquece, as expectativas das pessoas quanto ao futuro pioram, e a economia para ... Foi o que ocorreu.

Logos dos principais sindicatos de trabalhadores dos EUA
4As; AEA; AFSCME; AFTRA; AGMA; AGVA; Hebrew Actors' Union; GIAA; SAG; ALPA; NATCA; AWIU; UAW; BCTGM; IBB; BAC; CWA; IUEC; IUOE; UFW; IAFF; AFA; UFCW; GMP; AFGWU; AFGE; GCIU; Int'l Union of Journeymen Horseshoes of U.S. & Canada; HERE; Iron Workers; LIUNA; Laundry and Dry Cleaners Int'l Union AFL-CIO; NALC; BLE; ILA; ILWU; IAM; BMWE; New England PBA; MEBA; UMWA; AFM; Int'l Union of Novelty & Publication Workers; UAN; OPEIU; IUPAT; PACE; OP&CMIA; Int'l Plate Printers; Die Stampers & Engravers union of North America; UA; IUPA; APWU; Federation of Professional Athletes; IFPTE; ARA; United Union of Roofers, Waterproofers & Allied Workers; AFSA; CSEA; SIU; SEIU; SMVIA; BRS; IATSE; USWA; AFT; IBT; ATDD; ATU; TWU; TCU; UAW Skilled Trades; UAW Veterans; UNITE!; UWUA; WGAE                              
A boa notícia é que arrumar a economia é possível. Os trabalhadores norte-americanos só precisam de um aumento de salário e uma parcela maior nos ganhos de produtividade. Colocar dinheiro nas mãos das pessoas que vão gastá-lo é o caminho mais rápido para fortalecer a recuperação.

A má notícia é os caras que controlam o dinheiro gostam da maneira como as coisas estão agora. O que significa que esta quase-Depressão provavelmente vai se arrastar ainda por um bom tempo.
_______________________

[*] Mike Whitney mora em Snohomish, Wa (próximo de Seattle), Trabalha como articulista freelance há sete anos. Em 2006, ganhou um prêmio Project Censored por matéria investigativa sobre a Operation FALCON, um silencioso roubo generalizado, orquestrado pelo governo Bush, para concentrar mais poder na presidência. Em seu blog Grasping at Straws fornece aos leitores um instantâneo de alguns dos melhores artigos de economia do dia. Contribuiu na produção do livro: Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press); também disponível em Kindle edition. É articulista habitual do sítio Counterpunch.

E-mail: fergiewhitney@msn.com.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Morte do Dólar


O Federal Reserve e Wall Street Assassinam o Dólar

22 de novembro de 2013, [*] Paul Craig Roberts - Institute for Political Economy (IPE)
Traduzido por João Aroldo


Dólar versus Yuan
Agora a China vai deixar o dólar se desvalorizar ainda mais. A China também diz também estar considerando minar o petrodólar precificando o petróleo futuro na Bolsa de Mercado Futuro de Xangai em Yuan. Isto, além da crescente recusa do dólar para acertar os desequilíbrios comerciais, significa que o papel do dólar como moeda de reserva mundial chegou ao fim, o que significa o fim dos EUA como bully e imperialista financeiros. Este golpe no dólar associado aos golpes do offshoring de empregos e apostas não cobertas no cassino criado pela desregulamentação financeira significa que a economia norte-americana como a conhecíamos está chegando ao fim. 

Larry Summers
A economia norte-americana já está em ruínas, com os mercados de ações e títulos estimulados pela emissão monetária massiva e historicamente sem precedentes do Fed injetando liquidez nos preços dos ativos financeiros. Este mês, na conferência anual do FMI, o ex-secretário do Tesouro, Larry Summers, disse que para atingir pleno emprego na economia americana seriam necessárias taxas de juros reais negativas. Taxas de juros reais negativas só poderiam ser atingidas eliminando o papel-moeda, adotando dinheiro digital que só pode ser mantido nos bancos, e penalizando pessoas por economizar.

O futuro está se desenrolando exatamente como previ.

Enquanto o dólar entra em seus estertores de morte, o Federal Reserve ilegal e os criminosos de Wall Street vão aumentar seu shorting de ouro nos mercados de futuros, levando, assim, os restos de ouro do ocidente para mãos asiáticas.
__________________________

By Bloomberg News – Nov 20, 2013

Yi Gang
O Banco Popular da China afirmou que o país não se beneficia mais com os aumentos de suas reservas em moeda estrangeira, junto com sinais de que os legisladores vão controlar as compras de dólares que limitam a valorização do Yuan.

“Não é mais do interesse da China acumular reservas em moeda estrangeira”, disse Yi Gang, um diretor do Banco Central, em discurso organizado pelo Forum China Economists 50 na Universidade Tsinghua ontem. A autoridade monetária vai “basicamente” terminar a intervenção normal no mercado cambial e aumentar a variação cambial diária do Yuan, o diretor do Banco Popular da China, Zhou Xiaochuan, escreveu em um artigo um guia explicando as reformas delineadas na semana passada após um encontro do Partido Comunista.
____________________________

[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. 
Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus   o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.