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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Egito: “Sheik al-Tortura” Suleiman, o democrata!

Pepe Escobar

9/2/2011, Pepe Escobar, Asia Times Online
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

A revolução egípcia está sendo dissolvida, à vista do mundo, por uma ilusão de ótica. 

Os manifestantes há duas semanas exigem, nas ruas, o fim do governo de Hosni Mubarak. Já. Agora. Mas o presidente dos EUA Barack Obama continua em modo "não muito depressa", feliz por constatar que “o Egito está fazendo progressos”. Obama ainda não pronunciou, nem uma vez, as palavras cruciais “eleições livres”. 

O mapa do caminho da “transição ordeira” de Washington – integralmente apoiado por Telavive e capitais europeias – é farsa. Já não se fala de derrubar Mubarak; o sucessor já indicado, nomeado vice-presidente, é Omar Suleiman, ex-chefe do Mukhabarat [serviço de polícia secreta], que os manifestantes chamam de “Sheik al-Tortura”. 

O Sheik al-Tortura  já age como presidente – o atual presidente ainda habita o palácio presidencial, mas como assombração. O regime, uma ditadura militar brutal, mantém-se lá, como assunto inafastável – apesar de denunciada pelos manifestantes como ilegítima de A a Z, do Executivo ao Legislativo. A questão é que Suleiman é o presidente de fato e é o regime. Se o filósofo francês Jean Baudrillard estivesse vivo, diria que essa revolução nunca aconteceu – exceto nas telas de televisão do mundo. 

Alguns, na oposição fragmentada, querem que o presidente da corte constitucional seja indicado presidente interino, para organizar e conduzir a eleição de uma assembleia constituinte. Outros – inclusive o movimento de jovens – querem que um comitê nacional supervisione a “transição ordeira” sancionada por Washington. 

Gilbert Achcar, professor de relações internacionais na School of Oriental and African Studies em Londres, vai direto ao ponto: “Para impor mudança tão ampla, o movimento de massas teria de quebrar ou desestabilizar a espinha dorsal do regime, o exército egípcio” (“Whither Egypt? The Military is Backing Mubarak”, Gilbert Achcar entrevistado por Farooq Sulehria, Global Research, 7/2/2011, em inglês). 

Conheçam o novo chefe...

O Egito é ditadura linha dura. O exército, essencialmente mantido com dinheiro dos contribuintes norte-americanos, não é “parceiro confiável”. A repressão do regime Mubarak contra os manifestantes não foi ainda mais violenta porque os soldados nesse exército de recrutas com certeza se recusariam a atirar contra o próprio povo; assim, foi posto em prática o plano B, os mercenários do regime e a baltagia, a odiada polícia política – pagos pelo Estado e sempre à paisana – entraram em ação semana passada. 

Seja como for, o centro do regime não foi atingido – porque o exército continua a postos e no comando. Exemplo visual: o jornal estatal al-Gomhuria circulou na 2ª-feira com “Nova Era” em manchete garrafal, acima de uma foto de Suleiman em reunião com parte da oposição; na parede, por trás de Suleiman, um gigantesco retrato de Mubarak. 

Os manifestantes insistem que querem o fim do estado de emergência – vigente nos últimos 25 anos. O regime diz que tudo dependerá das “condições de segurança”; podem continuar a repetir a mesma frase, por meses a fio, ad nauseam. O regime não aceitará a dissolução do Parlamento e recusa-se a realizar eleições realmente livres e limpas para substituir o atual Parlamento pró-Mubarak. 

O modus operandi do regime é “dividir para governar” – e está conseguindo maravilhas. As táticas são previsíveis: concessões mínimas; acusar os manifestantes de se deixar manipular por “forças estrangeiras”; e acusá-los de por em perigo a “estabilidade” do Egito. 

Crucial: a conversa das “forças estrangeiras” falaram pela boca do leão (Suleiman) na 3ª-feira passada, em longa entrevista à televisão estatal – exatamente no mesmo dia em que jornalistas estrangeiros eram caçados, espancados, presos ou humilhados por toda a cidade do Cairo. Suleiman explicitamente culpou “certas nações amigas donas de canais de televisão, que não são amigas do Egito, que empurraram os jovens contra a nação e o Estado”. Que tal essas credenciais democráticas?! 

Alguns já decifraram o quadro. A ala esquerda dos nasseristas (três assentos, ganhos nas eleições de 2000), que insistem que a revolução manifesta o desejo de todos os egípcios, recusa-se a reunir-se novamente com Suleiman, a menos que Mubarak parta. Suleiman já disse claramente que Mubarak – fantasma, assombração, ilusão de ótica ou tudo isso – fica. 

Em coluna publicada no jornal Ahram Online, Nabil Shawkat diz que “o espírito do governo Mubarak, a essência de seu regime e os métodos da era Mubarak estão longe de acabar”. Observa também que “na primeira entrevista pela televisão, [Suleiman] deu a impressão de que governa o país, de que – se quisesse – poderia mandar Mubarak para o Gabinete e ficar lá.” É a assombração na sala. 

Mesmo com uma assombração monstro no armário da sala, os alvos do regime permanecem claros. Manifestantes, como o cineasta independente Samir Eshra e o blogueiro Abdel-Karim Nabil Suleiman, continuam a ser presos. Daniel Williams, da ONG Human Rights Watch, foi mantido preso pelo exército por nada menos que 36 horas. É fácil, para uma bem azeitada máquina de repressão, intimidar as massas nas ruas, a maior parte das quais não tem qualquer filiação política. 

Não há sindicatos independentes. O Movimento 6 de Abril, de jovens, e o Movimento Kefaya (“Basta!”) são militantes e campanhistas, não são partidos políticos organizados. O legendário economista egípcio Samir Amin, professor das universidades de Paris e do Cairo, insiste que as coisas podem mudar se os movimentos de trabalhadores e de camponeses começarem a agir como atores de fato – as classes médias e os jovens urbanos, educados e desempregados. Que esses deveriam expor as contradições do regime, com ação organizada. 

... igual ao velho chefe

Washington dar-se-ia por satisfeita com um Egito igual a um novo Paquistão: mistura pré-fabricada de elites compradoras instáveis; pitadas de islã político (com a Fraternidade Muçulmana), inteligência militar e, por que não, mais um general ditador. Não é exatamente “democracia”. 

A mera ideia de que os manifestantes de todas as esquinas da vida, de estudantes a advogados, para não falar dos ativistas de Direitos Humanos, aceitariam alegremente qualquer diálogo com um Sheik al-Tortura travestido de democrata diz templos e templos de Luxor sobre o quanto Washington, de fato, despreza e subestima todos os movimentos populares e nacionalistas. 

Antes de ser ungido pelo Faraó e virar vice-presidente semana passada, Omar Suleiman, vulgo “Sheik al-Tortura” (todos, no Egito, sabem que comandou a entrega de prisioneiros da CIA ao Egito para serem interrogados e a tortura de todos os acusados de pertencerem à al-Qaeda), nascido dia 2/7/1936 em Qena, no sul do Egito, foi ministro sem pasta e diretor da Direção Geral da Inteligência Egípcia – agência nacional de segurança –, de 1993 a 2011. 

Nos anos 1980s, foi treinado na Escola Especial e Centro de Treinamento de Guerra John F Kennedy em Fort Bragg, Carolina do Norte. A revista Foreign Policy classificou-o como o mais poderoso chefe de inteligência do Oriente Médio em 2009, acima até do chefe do Mossad israelense à época, Meir Dagan. 

Pouco importa que a rua egípcia o odeie; para os altos escalões do exército é o novo rais. Al-Jazeera apresenta-o como “homem de ponta” das relações secretas entre Egito e Israel. O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu é apaixonado por ele. O ex-contrabandista e atual ministro de Negócios Exteriores de Israel Avigdor Lieberman manifestou “respeito e admiração pelo papel de destaque do Egito na Região, além de seu respeito pessoal pelo presidente Hosni Mubarak e o ministro Suleiman do Egito”. 

Segundo telegrama diplomático de 2006 publicado por WikiLeaks, a CIA – e quem mais seria? – também é apaixonada por Suleiman: “Nossa colaboração de inteligência com Oman Soliman [sic] é agora provavelmente o elemento mais bem sucedido do nosso relacionamento” com o Egito [WikiLeaks, 07CAIRO1417, PRESIDENTIAL SUCCESSION IN EGYPT, em inglês]. Suleiman sempre negociou diretamente com os altos comandantes da CIA. 

Na outra ponta do espectro, a ONG Human Rights Watch destaca que “Os egípcios (...) veem Suleiman como Mubarak II, especialmente depois da longa entrevista que deu à televisão estatal egípcia dia 3 de fevereiro, na qual acusou os manifestantes da Praça Tahrir de trabalharem a favor de agendas estrangeiras. Nem tentou disfarçar as ameaças de retaliação contra os manifestantes.” A Human Rights Watch estima que pelo menos 75 ativistas e manifestantes egípcios e cerca de 30 jornalistas estrangeiros foram presos desde o início das manifestações, e que já há pelo menos 297 mortos. 

A rua não se ilude. A rua sabe que o exército – o mais poderoso ator na equação política no Egito – poderá partir para um massacre, se se sentir ameaçado. A faísca pode ser qualquer uma: de uma ameaça imaginária que viria de “potências estrangeiras”, à sensação de que não estão preparados para ceder o poder a civis pela primeira vez desde 1956. 

O ministro da Defesa, marechal-de-campo Mohammed Hussein Tantawi, por exemplo, é absolutamente contra “qualquer mudança econômica ou política, se entender que virá a comprometer o poder do governo central” – como se lê em telegrama publicado por WikiLeaks [1]. Mas, por hora, o exército sente-se confortável, com o Sheik al-Tortura no comando do show. Exatamente como sentem-se hoje os democratas de Washington. 



Nota
[1] O telegrama WikiLeaks pode ser lido, em português, em SECRET CAIRO 002091

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cristãos e muçulmanos: “Mãos dadas” na revolução dos jovens no Egito

Juan Cole
7/2/2011, Juan Cole, Informed Comment
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

No domingo, o Egito reencontrou-se com temas de unidade nacional no país de cristãos e muçulmanos, que fazem lembrar os primeiros momentos do nacionalismo egípcio em 1919, quando a nação moderna brotou de um caldeirão de manifestações e protestos de rua, contra o domínio colonial britânico.

Atualmente, os coptas mal alcançam 10% da população do Egito, cerca de 8 milhões de pessoas. O cristianismo copta é único, um ramo de fiéis que segue os ensinamentos do apóstolo Marcos, o Evangelista, em Alexandria.

O jornal árabe Al-Arab  noticiou que os manifestantes cristãos organizaram serviços fúnebres para encomendação da alma dos mártires que caíram nas lutas de rua no Cairo, desde 25 de janeiro. As três igrejas coptas organizaram três diferentes serviços fúnebres.

Na 6ª-feira, movimentos da juventude cristã montaram guarda para proteger os muçulmanos que rezavam na Praça Tahrir, porque os fiéis que se curvassem na reza ficariam vulneráveis aos ataques da polícia secreta.

A Associated Press em:  Egypt approves 15 percent raise for govt employees noticiou que o Padre Ihab al-Kharat, na homilia do domingo, disse que “Em nome de Jesus e Maomé, unimos nossos fiéis e nossas orações (...) Continuaremos a protestar nas ruas, até a queda do tirano”.

O jornal Al-Arab noticia que multidões de jovens participaram das missas, ao lado das principais lideranças coptas, como Michael Mounir; o chefe da Organização Copta dos EUA Dr. Imad Gad, um dos especialistas do Centro Al-Ahram de Estudos Estratégicos, e George Ishaklíder do Movimento  Kefaya! (“Basta!”), além de membros dos conselhos comunitários coptas. (Também há coptas que se opõem ao movimento.)

Depois das preces, Michael Mounir disse que o regime egípcio perseguiu todos, muçulmanos e coptas, o que se viu repetir-se nos últimos 12 dias: quando os guardas da polícia política foram deslocados para a Praça Tahir, não houve mais ataques a igrejas coptas. O que se viu foi grupos de jovens muçulmanos, que se organizavam em cordões à volta das igrejas coptas, como escudos vivos, para protegê-las. No passado, disse Mounir, apesar de haver segurança, igrejas e fiéis coptas sofreram vários massacres; o massacre mais recente aconteceu no dia de Ano Novo.

Um jovem engenheiro, Mina Nagi, ferido dia 25 de janeiro, disse durante a missa (citado em al-Arab):

“Diga a verdade, e a verdade o libertará”; os tiranos têm número e armas e granadas de gás e capacidade para destruir reputações. “Mas nós temos a verdade, e nosso corpo e nossa vida que pulsa de verdadeiro amor à vida e à liberdade, vividas com dignidade e justiça.”

Para ele, os jovens que já passaram por esses dias na Praça Tahir, saberão resistir ao frio, à chuva, à fome e aos ataques que ainda virão, de vários lados e de vários tipos.
E completou:

“Estou aqui, porque a miséria e o sofrimento em que vivemos não são coisa passageira. São o resultado claro da estrutura política e social, que produz miséria e sofrimento, sem nenhuma democracia, com os interesses privados dominando completamente qualquer interesse público.” Disse que é necessária uma profunda transformação das próprias estruturas do regime, e das condições que geram miséria, tirania e opressão: “Vim mandado pela minha fé na luta pelo respeito aos direitos humanos e pela construção de uma democracia, contra os preconceitos e o partidarismo, e para construir uma ordem transparente e confiável (...)”.

Intelectuais cristãos e muçulmanos lançaram longa declaração, na qual afirmam que a revolução da juventude egípcia instilou novo espírito na alma dos egípcios, no qual se vê excelente exemplo de unidade nacional (...) com os fiéis se oferecendo como escudos, uns dos outros, para as respectivas orações depois que a polícia política retirou-se da Praça. Dizem também que a decisão de organizar piquetes de segurança para as orações foi dos próprios jovens, não de alguma liderança religiosa, e que a decisão é prova de que os lugares de culto não precisam ser protegidos por guardas armados. “São todos locais egípcios de culto, que todos os egípcios amam e respeitam.” Lembraram que (por causa dos atentados do dia de Ano Novo) o Egito esteve à beira de uma guerra sectária, e que as declarações de alguns clérigos levaram a situação a ponto de explodir. E tudo isso foi contido pela Revolução dos Jovens.

Os intelectuais muçulmanos e coptas acusam o governo de Mubarak de explorar os símbolos religiosos para fazer abortar a Revolução dos Jovens, e lastimam que alguns clérigos e padres tenham usado os argumentos da ditadura para denunciar o movimento de protesto. Elogiaram os clérigos e padres que se mantiveram nos locais de culto e não interferiram; e conclamaram a mídia-empresa e a mídia estatal a não insistir em por nas telas de televisão as vozes mais reacionárias e atrasistas das duas religiões, para opinarem sobre assuntos públicos.

A AFP em árabe noticiou que Nadir, um jovem copta, levava um cartaz, na Praça Tahrir, em que se lia “o sangue de muitos coptas foi derramado na era Mubarak. Mubarak, Fora do Egito!” Entrevistado, o jovem copta lamentou que a perseguição a cristão tenha aumentado muito na era Mubarak, e que a única resposta do presidente foi tentar ocultar os ataques. “Não foi a solução certa”, disse ele. Outro jovem cristão copta, Ihab, disse que o medo de que a Fraternidade Muçulmana tomasse o poder era falso medo. “Governo da Fraternidade Muçulmana seria uma catástrofe. Mas há muitas outras escolhas no Egito, além de Mubarak e da Fraternidade.”

Muitos muçulmanos apoiaram os coptas, quando foram atacados. Um deles, Ahmad al-Shimi, levava um cartaz em que se lia “Muçulmanos + coptas = Egito”, com o crescente muçulmano ao lado da cruz cristã.

As agências árabes de notícia informaram que milhares de manifestantes voltaram à praça Tahrir no domingo, para a cerimônia de lembrança dos 300 mártires que morreram nas mãos da polícia política desde o início dos protestos dia 25 de janeiro. Muitos sentaram-se à frente dos tanques que cercavam a praça, para impedi-los de se movimentar e bloquear o espaço público para outras manifestações. Muitos jovens estão acampados em tendas na praça, dormindo ali, ou despertos, montando guarda para impedir que a praça seja ocupada por policiais.

Agências de notícias repetiram matérias sobre o papel dos cristãos no domingo. Um padre cristão copta carregando uma cruz, rezou missa no domingo ante a multidão. Ao lado dele, um imã muçulmano, com uma cópia do Corão. E a multidão cantava “De mãos dadas, estamos de mãos dadas”. Um padre coopta liderava os cantos, do altar: “De mãos dadas, estamos de mãos dadas”, referência à unidade de cristãos e muçulmanos egípcios, que, todos, exigem o fim do regime de Mubarak. Uma mulher cristã, identificada como Rana, disse à Reuters Árabe: “Todos os egípcios, sejam muçulmanos ou cristãos, querem mudança, liberdade e justiça para todos os egípcios.”

Vê-se um vídeo de YouTube - a seguir - filmado de dentro da multidão, e ouvem-se os cantos de unidade de cristãos e muçulmanos egípcios “De mãos dadas, estamos de mãos dadas” (vê-se a cruz copta acima das cabeças).




Há também um vídeo distribuído pela Reuters, da Missa da Unidade (pode ser visto por iPhone e iPad via Foxfire browser app), em:

  


A comparação adequada, portanto, é com o Egito de 1919.

1919 Demonstration of Copts, Muslims Against British


Depois da 1ª Guerra Mundial, os egípcios começaram a exigir independência da Grã-Bretanha, que ocupara o país em 1882. O líder nacionalista Saad Zaghlul
  ( Saad Zaghlul Pasha: “Father of the Egyptians”) e outros queriam liderar uma delegação [em árabe Wafd] que participaria da Conferência de Paz de Versailles, para garantir que as aspirações egípcias, de autodeterminação, seriam consideradas. Sempre arrogantes, britânicos prenderam Zaghlul no início de 1919, o que provocou imensas manifestações de todas as classes e de todos os grupos religiosos por todo o país.

Os coptas eram tão nacionalistas quanto os muçulmanos, e queriam muito ver os britânicos pelas costas. São claramente identificáveis nas fotos da época, com estandartes com cruzes. Também em 1919, as mulheres tiveram papel muito visível nas manifestações de rua no Egito (ver: Egypt: Nationalism, world War I and Wafd, 1882 - 1922).

1919 foi momento fundacional para a nação egípcia. A história subsequente das relações entre cristãos e muçulmanos teve altos e baixos. Mas não há dúvidas de que o domingo, 6/2/2011, na praça Tahrir, no Cairo, aconteceu outro daqueles momentos de unidade da nação.