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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Por que Washington não conseguiu parar o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, BAII?

1/7/2015, EditorialPeople’s Daily Online, Pequim
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Representantes de 57 países candidatos a membros fundadores do BAII – Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura [orig. Asian Infrastructure Investment Bank, AIIB] reuniram-se em Pequim na 2ª-feira (29/6/2015), para a cerimônia de assinatura, quando 50 deles avalizaram o acordo de criação do BAII. Segundo matéria da BBC, o banco é visto como agressiva tentativa da China, para expandir sua influência internacional e desafiar a influência dos EUA.
O lançamento do BAII desencadeou duas preocupações principais nos EUA.
Primeiro, os EUA temem que o BAII venha a derrubar o sistema financeiro internacional existente. Mas por que a China teria nisso algum interesse?
Graças aos seus muitos esforços e à integração que buscou com o mundo exterior, a China alcançou realizações fecundas no campo do desenvolvimento econômico e social desde 1978, ano em que a China começou sua reforma e uma política de portas abertas.
Evidentemente a China não tem nem qualquer razão nem motivo para romper a atual cadeia do comércio internacional e seus sistemas financeiros. E o desenvolvimento da China trouxe oportunidades para aprimorar esses sistemas.
Artigo de autoria do colunista Philip Stephens e publicado no Financial Times dia 1/6/2015, deu uma resposta àquela preocupação tipicamente norte-americana: China não visa a derrubar a atual ordem internacional, mas, com a iniciativa “Um Cinturão, uma Estrada” e com o BAII, a China enviou mensagem clara ao mundo: quer ser simultaneamente centro seguidor de regras e centro inovador de regras.


"Uma Estrada, Um Cinturão"
Nova Rota da Seda - Projeto Completo

(clique na legenda para aumentar)


O lançamento do BAII visa a aprimorar os sistemas existentes, uma vez que o que há hoje não se pode adaptar completamente ao desenvolvimento asiático. E terá regras próprias para avançar, sem qualquer interesse em violar as regras antigas.
Na verdade, o medo que o BAII inspira é, de fato, medo do crescimento da China. As ideias divergentes sobre o banco são apenas parte da reação provocada pelo crescimento da China, que é, essa sim, a questão maior – como entende David Pilling, editor do Financial Times para a Ásia.
Nenhum avanço da humanidade pode excluir o 1,3 bilhões de chineses. Crescer e fortalecer-se é resultado inevitável dos modernos motores do crescimento global. É responsabilidade da China fazer tudo que esteja ao seu alcance para contribuir para o avanço da Ásia e do resto do mundo.
Em segundo lugar, os EUA temem não conseguir dominar as regras da cooperação multilateral, e perder o lugar de liderança mundial. “Temos de assegurar que os EUA, não a China, tracem as regras para a ordem econômica mundial” – disse Obama recentemente.
Joseph Stiglitz
“Os EUA não querem prover mais uma fonte de assistência; o que querem é continuar a dominar o mundo”, disse recentemente Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia.
Aprender a cooperar e a ouvir os outros não é tarefa fácil para os EUA, depois de ter-se habituado aos holofotes da fama por tanto tempo.
Os EUA têm de refletir e tentar compreender: por que fracassaram e não conseguiram, nem deter, nem retardar os passos rápidos e firmes do BAII? Por que não conseguiram nem conter nem reduzir o aplauso e as respostas positivas?
O BAII é o produto alinhado com o desenvolvimento da Ásia, e é produto da evolução das novas relações internacionais. É também resultado inevitável da cooperação financeira multilateral, que tem a cooperação de tipo ganha-ganha como ideia basilar.
Para Stephen A. Schwarzman, Diretor, Presidente-Executivo e co-fundador de Blackstone, o BAII fará dinheiro investindo em infraestrutura, ao mesmo tempo em que ajuda a melhorar a vida das pessoas. E essas são as razões que realmente explicam por que tantos países asiáticos e europeus responderam a ele tão ativamente
[Redigido por Ding Gang, do colegiado de editores seniores de People's Daily].

sexta-feira, 22 de maio de 2015

China e o socialismo: “Nação forte não é condenada a buscar a hegemonia”

21/5/2015, [*] Xi Jinping, People’s Daily Online
A strong nation is not necessarily bound to seek hegemony
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 

Presidente da China, Xi Jinping

Mantendo-se na rota do desenvolvimento pacífico, promovendo novas relações internacionais baseadas na cooperação e de tipo ganha-ganha, e promovendo uma comunidade de destinos para toda a humanidade – como disse o presidente Xi Jinping – assim a China trabalha para tornar-se mais forte, mas não se sente condenada a lutar pela hegemonia; o caminho que a China escolheu é o da decisão estratégica de cooperar em relações de ganha-ganha.

A China sempre foi nação amante da paz e muito estima as relações mais harmoniosas. A adesão dos chineses aos cinco princípios da coexistência pacífica e do não hegemonismo é manifestação de o quanto a China está determinada a não se afastar nem um passo da trilha do desenvolvimento pacífico.

A adesão aos cinco princípios da coexistência pacífica e do não hegemonismo foi inscrita na Constituição do Partido Comunista da China e na Constituição da China – o que evidencia que é desejo comum de todo o povo chinês.

Depois da fundação da Nova China, especialmente nos 30 anos depois da reforma e da abertura, servindo-se uso amplo e profícuo do ambiente internacional estável e da globalização econômica, a China realizou reformas mais profundas, em cooperação e em processo de trocas com muitos países, e se tornou hoje a segunda maior economia do mundo e o maior parceiro comercial de mais de 130 países.

A China está integralmente devotada a construir novas relações internacionais baseadas na cooperação, em relações de ganha-ganha. Nessa linha, está promovendo um novo modelo de relacionamento entre grandes potências com os EUA, preserva sua ampla parceria estratégica com a Rússia, fortalece sua parceria com a União Europeia, pela paz, pelo crescimento, por reformas e pela civilização, e fortalece suas relações de cooperação com os países em desenvolvimento. Todas essas ações visam a construir uma comunidade de destino comum, e a fazer as relações internacionais mais democráticas, mais legítimas e mais racionais.

Outros países são bem-vindos para viajarem juntos no “trem expresso” chinês. Ante a Crise Financeira na Ásia e a Crise Financeira Internacional, a China assumiu sobre os seus ombros suas responsabilidades e desempenhou o papel que lhe cabe como grande potência, de manter política macroeconômica estável e em cooperação ativa com outros países. A China cumpriu seus compromissos como membro da Organização Mundial de Comércio, liberou e facilitou o comércio e os investimentos, opôs-se a todas as formas de protecionismo local e estimulou o desenvolvimento do comércio mundial e da economia global.

A China prega e defende um conceito de segurança conjunta, ampla, cooperativa e sustentável, pelo qual os países em todo o mundo cooperam e partilham com os demais. A política de defesa da China é por natureza defensiva, e seus gastos militares não chegam a 1,5% do PIB – muito baixo para os padrões mundiais. A China toma parte ativa nas operações de manutenção da paz em todo o mundo. – A China é o membro permanente que enviou maior número de soldados dos batalhões de manutenção da paz em missões da ONU. A China é pelo diálogo e pelas conversações, para resolver disputas internacionais.

A iniciativa “Cinturão Econômico e Rota da Seda” que a China expôs e na qual está trabalhando é baseada na ideia de desenvolvimento pacífico e cooperação “ganha-ganha”, que visa a combinar interesses da China e interesses mundiais. A iniciativa “Cinturão e Rota” não é exclusiva, mas inclusiva e aberta; acolhe como bem-vindas todas as demais nações para participarem do programa. A iniciativa não contradiz outras políticas como o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura. A iniciativa “Cinturão e Rota” é compatível e oferece apoio a outros projetos e políticas de desenvolvimento.

A China hoje trilha a rota luminosa do desenvolvimento pacífico e da revitalização nacional, esperando com boas-vindas todos os países que se queiram reunir a ela e pôr fim à lógica pedante de que nação forte seria condenada a buscar a hegemonia.
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[*] Xi Jinping é o presidente da República Popular da China
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quinta-feira, 20 de março de 2014

Quatro lições a aprender da crise da Ucrânia

China: “Tooooma, Obama! Dáááá-lhe Putin!”

19/3/2014, [*] Wang Yiwei, People'sDaily Overseas Edition, Pequim (Editorial)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Kiev - campo de batalha de uma guerra nem tão fria assim...
A Ucrânia tornou-se campo de batalha final na “guerra fria” e vai-se convertendo em possibilidade que a crise dispare uma segunda “guerra fria”.

A declaração de independência da Ucrânia, pelo Parlamento da Crimeia, antes do referendo de 16/3 indica que a Crimeia pode seguir avante e unir-se à Rússia. Os tambores de guerra entre Rússia e países ocidentais nos ensinam quatro coisas.

Um conflito geoestratégico levou à catástrofe a política das grandes potências

Muitos no oeste da Ucrânia são católicos, e no leste da Ucrânia a maioria é de crentes da religião russa ortodoxa. A crise financeira causou conflito entre civilizações, empurrando a Ucrânia para a beira da bancarrota e da fragmentação. Assim se criou um vácuo que deram às grandes potências um incentivo para que se imiscuíssem em assuntos internos da Ucrânia.

A superdependência da Ucrânia à Rússia é o ponto vulnerável de sua segurança nacional

Em anos recentes, países ocidentais conseguiram promover várias mudanças de regime. A Ucrânia está à beira de ter de declarar “calote” e bancarrota. A superdependência da Ucrânia à Rússia é o ponto vulnerável de sua segurança nacional. Países ocidentais aproveitaram-se desse ponto fraco, para seus esforços para promover mudança de regime na Ucrânia.

O ocidente, comandado pelos EUA, fracassou na Ucrânia.
O fracasso dos países ocidentais, que não colheram as lições da história, resultou em conflito

O colapso da União Soviética no final da guerra fria gerou um grau de complacência no Ocidente. Na sequência, com a ascensão do neoconservadorismo e do neoimperialismo, os EUA embrulharam-se em conflitos, como a invasão do Iraque e a guerra no Afeganistão. Esses pontos de estresse são resultado da incapacidade do Ocidente para compreender as lições da história.

Os duplos padrões dos países ocidentais demonstram sua hipocrisia

Alguns países ocidentais foram lépidos ao apoiar o referendo pela independência que se fez na Província Autônoma do Kosovo e Metohija entre 26-30/9/1991. Agora, só fazem repetir objeções ao referendo na Crimeia. No passado, muito defenderam direitos humanos – por exemplo, que o direito à autodeterminação prevalece sobre a soberania. Agora, falam como se nada fosse mais importante que a soberania e a integridade territorial da Ucrânia. Esses duplos padrões explicam-se pelo fato de que, na análise final, os valores das potências ocidentais são inteiramente determinados por seus próprios interesses.

Dia 17/3, os primeiros resultados mostravam que 96,6% dos crimeanos votaram a favor de se integrarem à Rússia, no referendo de domingo. Os EUA recusam-se a aceitar o resultado do referendo. A crise da Ucrânia continua a ser duro desafio no caminho das grandes potências.  
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[*] Wang Yiwei é professor na Tongii University, Diretor do Institute of International and Public Affairs, Diretor da China-EU Academic Network e pesquisador  sênior adjunto do The Chahar Institute. Graduou-se em Política Internacional na Fudan University onde também completou o mestrado e o Ph. D.. Cursou o pós-doutorado no Centro de Estudos Internacionais da Yale University. Escreveu vários livros, entre os quais: Beyond Balance of Power: Global Governance and Co-operations among Great Powers, Shanghai Lexicology Press, 2008; e The Mythed America, China Social Sciences Press, 2008. Escreve em inglês, alemão e chinês. Publicou artigos em vários jornais e revistas como American Review, International Survey, China Review, Teaching and Research, World Outlook, People’s Daily, World Economy & Politics, Wenhui Daily The hyperGlobal e Kulturaustausch (em alemão).

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Não está descartado o uso de força ocidental contra a Síria

14/1/2014, People's Daily Online, China
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Bashar al-Assad discursando em 20/11/2013
Quando o conflito irrompeu na Síria em 2011, EUA e seus aliados intervieram imediatamente. O objetivo era apoiar a oposição para derrubar o governo do presidente Assad e, assim, quebrar a aliança estratégica Irã-Síria.

Em agosto de 2013, o governo Assad viu-se em situação crítica, quando o governo dos EUA acusou-o pela morte de centenas de civis num ataque com armas químicas. Prontos para empregar força militar contra a Síria, EUA e França prepararam-se para enviar tropas. No momento crítico, uma proposta dos russos, de “trocar armas químicas por paz” foi aceita pelos dois lados, pelo governo do presidente Assad e pelos EUA. EUA e Rússia chegaram a um consenso, para realizar uma segunda reunião em Genebra, para conseguir a transição política na Síria.

Desenvolvimentos na crise síria deram ao mundo esperanças de que a questão seria resolvida mediante acordo político. Mas há condições: o governo do presidente Assad deve renunciar – e essa cláusula é o núcleo da “transição política” almejada por EUA e pela União Europeia.

Resultado do ataque químico realizado pelos "rebeldes" armados pelos aliados EUA-Europa que tentou-se atribuir às forças legalistas de Bashar al-Assad
A destruição dos arsenais químicos sírios não impedirá os EUA de usarem força militar contra o país. O que houve foi simples adiamento. Por quê?

Primeiro: a entrega das armas químicas sírias conta como “vitória moral” para os EUA e também elimina a preocupação quando ao uso, pela Síria, daquelas armas.

Segundo: o exército sírio está combatendo contra forças religiosas extremistas e grupos da al-Qaeda; e interessa aos EUA que essa luta seja situação de perde-perde.

Terceiro: não há “bons” líderes nas hostes dos “rebeldes” sírios.

O que se vê é que, se o presidente Assad for re-eleito, sua re-eleição será o grande impulso para que os EUA usem força militar.



Pretextos não faltarão: dizer que a Síria escondeu armas químicas; pressionar a Corte Criminal Internacional para que acuse o presidente Assad de ter usado armas químicas contra civis; impor algum prazo limite inaceitável para que Assad deixe o governo. E, claro: os EUA podem simplesmente apoiar os rebeldes organizados para derrubar o governo do presidente Assad.