Mostrando postagens com marcador Ray McGovern. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ray McGovern. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de maio de 2015

EUA: Faculdade William & Mary homenageia criminosa de guerra

17/5/2015, [*] Ray McGovernConsortium News 
William & Mary Honors War Criminal
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Entreouvido no Buteco do Piruá na Vila Vudu: Pior que essa  mas no mesmo âmbito da sórdida elite acadêmica do império anglo-sionista & PSDB-DEM  temos hoje o Financial Times, a publicar avaliações políticas cometidas por Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente e extinto sociólogo.  
Mas, afinal... E a quem interessa(ria) o opinionismo tosco desse ex-tudo e atual nada, cujo partido foi derrotado em TODAS AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS às quais concorreu nos últimos 20 anos?!


Nada ilustra melhor a extensão da distância que separa hoje os EUA e o estado democrático de direito, do que uma cerimônia em que gente como Condoleezza Rice é convidada para falar a formandos e recebe o título de doutor honoris causa numa universidade. Rice – que pelos meus critérios pessoais cometeu crime de guerra – recebeu as honrarias no sábado, outorgadas a ela pela Universidade College of William and Mary, a segunda mais antiga dos EUA. 

Diferente do que se viu em outras aparições de Rice em universidades norte-americanas nos últimos anos, não se viu ali nenhum sinal de discordância, menos ainda de protesto. Praticamente todos os formandos ainda não tinham 10 anos em 2003, quando Rice tanto contribuiu para o governo do Presidente George W. Bush e seu Vice-Presidente Dick Cheney lançarem guerra de agressão contra o Iraque. A ignorância dos formandos talvez seja até explicável, mas nada augura de bom quanto aos saberes deles sobre história recente. 

Muito menos desculpável é a governança patrícia da universidade William and Mary, que promoveram a homenagem a Rice. Será que a torre de marfim em que vivem é impenetrável, a ponto de não ter chegado até lá a informação de que, ano passado, Rice foi impedida de receber honrarias equivalentes da Rutgers University, porque estudantes irados declararam que o discurso dela, na abertura do ano letivo, comprometeria para sempre o valor dos seus diplomas? 

Um dos líderes da campanha “No Rice” em Rutgers ano passado (que era então aluno veterano), Carmelo Cintrón Vivas, disse a Amy Goodman do programa Democracy Now! que: 
 
(...) os alunos sentiram que criminosos de guerra não poderiam receber homenagens naquela universidade (...). Alguém, com currículo tão vicioso e pervertido, como funcionária pública nesse país (...) não pode ser homenageada com título de doutor, por ter violado a lei. (...) Não seria justo com os formandos nem com qualquer aluno da Rutgers University.

Disse que considerava “risível” o argumento frequente segundo o qual as realizações acadêmicas de Rice ultrapassavam as posições políticas: 
 
Se se examinam os piores criminosos internacionais e as piores pessoas na história, muitos deles tinham diplomas e carreiras acadêmicas, ou eram médicos de renome. Carreira é uma coisa, o modo como você age como pessoa, como ser humano, é outra. Por isso fizemos do nosso protesto uma questão de defesa de direitos humanos.
 
Como explicar o contraste entre a apatia que se via em William and Mary e a consciência e ativismo em Rutgers? Uma chave talvez seja a marcada diferença entre os preços que os alunos pagam nas duas instituições. Taxas e anuidades são significativamente mais caras em William and Mary, localizada em Williamsburg, Virginia. Outra chave pode ser a considerável “tradição” na Virginia, de só convidar Republicanos conservadores para a aula inaugural e recepção de outras honrarias, na abertura do ano letivo. 


Diferente do que se viu em William and Mary, esse ano a Universidade Rutgers concedeu o título de doutor honorário em Letras e Humanidades a Frances Fox Piven, intelectual muito ativo na defesa da população trabalhadora mais pobre. Dentre os livros recentes de Piven está The War at Home: The Domestic Costs of Bush’s Militarism [A guerra em casa: o custo doméstico do militarismo de Bush]. Piven ganhou também o Shirley Chisholm Award por “liderança em prol de justiça social e econômica”. 
 


Vendo reunidos os formando de William and Mary, vi-me com pena deles, porque serão introduzidos à vida adulta por Rice, não por Piven. Piven com certeza não deixaria de falar-lhes dos terríveis desafios que os “99%” enfrentam – e as injustiças por trás do tumultos persistentes em Baltimore, St. Louis e em outras cidades atormentadas. Rice não falou de nada disso no sábado. Falou praticamente só sobre ela mesma – reflexo talvez da evidência de que, embora negra em Birmingham, Alabama, ela, mesmo assim, foi criada cercada de privilégios. 
Muito pior que isso: os crimes de guerra
 
Bem diferente de alguém de coragem ou pessoa de princípios confiáveis, Condoleezza Rice é o símbolo da subserviência ao mal e à criminalidade. É exemplo vivo de covardia e oportunismo, o exato oposto da lição de como viver a própria vida que Piven ou tantos outros oradores dignos de falar numa aula inaugural de universidade que se desse ao respeito. 
 
Quando o Presidente George W. Bush ordenou à Secretária Rice que caçasse qualquer e todos os fiapos de “prova”, por mais falso e forjado que fosse, para provar que o Iraque tinha “armas de destruição em massa”, Rice comandou a campanha fraudulenta para reunir e apresentar toda a “inteligência” necessária para enganar o Congresso e induzir os deputados e senadores a apoiar uma guerra que é exemplo perfeito do que o Tribunal de Nurenberg, depois da IIª Guerra Mundial, definiu como: 
 
(...) guerra de agressão é o supremo crime de guerra, diferente de todos os demais crimes de guerra só porque contém nele mesmo o mal acumulado de todos os demais crimes de guerra.
 
Rice representou o papel dela, como garota do bumbo pró guerra, com entusiasmo excepcional – gritando contra o perigo “das nuvens-cogumelos” das bombas atômicas (inexistentes) do Iraque; do “bolo amarelo” de urânio saído do fundo da África (baseada em instrumentos grosseiramente forjados); dos tubos de alumínio fotografados (que, como depois se soube, não passavam de canos para água usados pelo exército do Iraque), mas que Rice repetiu insistentemente que seriam usados para refinar urânio. 
 
Rice comandou o cortejo, com a indispensável ajuda de Dick Cheney, que promoveu as várias provas, todas forjadas, contra o Iraque. O caráter fraudulento dessas “provas” foi revelado ao mundo num documento britânico datado de 23/7/2002, The Downing Street Memorandum, publicado pelo The London Times dia 1/5/2005. De autenticidade confirmada, o memo expôs a escandalosa tentativa de “montar” alguma “inteligência” para justificar um ataque de EUA/GB para “mudança de regime” no Iraque. 
 


Já se sabia em todo o mundo que, apesar das mentiras incansavelmente repetidas por Dick Cheney, que o Iraque não tinha programa ativo de produção de bombas atômicas. Pois nem isso impediu Condoleezza Rice de dizer, em setembro de 2002, que 
 
(...) não queremos que a pistola fumegante seja uma nuvem radiativa.

O imoral bater de tambor de Rice pró-agressão contra o Iraque foi muito ampliado pela “mídia dominante”, mas ela sempre comandou o ataque. 

Calar as vozes divergentes

Todas as vozes que falaram contra a “grande mentira” de Bush-Cheney-Rice – como os vários alertas que lançamos (Veteran Intelligence Professionals for Sanity, VIPS) – foram reprimidas. Alguns de nossos alerta pré-guerra foram enviados nos nossos Memorandos ao Presidente. Foram três antes de o Iraque ser atacado pelos EUA:  
 
(1) “A fala de hoje do Secretário Powel na ONU” [orig. Today’s Speech by Secretary Powell at the UN] (5/2/2003, em que alertamos sobre a inteligência insuficiente e as catastróficas consequências de um ataque ao Iraque); 
 
(2) “Inteligência inventada para a guerra” [orig. Cooking Intelligence for War (12/3/2003); e 
 
(3) “Documentos forjados, falsidades, exageros, meias-verdades: problema com a Inteligência, Sr. Presidente” [orig. Forgery, Hyperbole, Half-Truth: A Problem With the Intelligence, Mr. President] (18/3/2003).

Com aqueles memos e muitos outros alertas, perdoem-me por ter-me sentido pessoalmente ofendido no sábado, ao ouvir Rice falar de razão, coragem, honestidade, humildade e otimismo àqueles infelizes formandos. Ao que me pareceu sem qualquer ironia, Rice aconselhou-os a não se deixar prender numa câmara de eco, a nunca supor que estejam absolutamente certos, a procurar opiniões divergentes que os desafiem, a desconfiar de qualquer Amén repetido a tudo que digam. 

Consegui anotar essa fala praticamente verbatim, assistindo ao início da cerimônia, ao vivo, pela internet. Os amigos que me convidaram para assistir de longe “esqueceram-se” de dizer quem era a oradora e que só seriam admitidos ao vivo familiares próximos dos formandos. Supuseram, com bastante razão, que eu não conseguiria manter-me calado na cadeira, diante daquela Condoleezza Rice dedicada ali a vomitar hipocrisias. 

Mas guerra de agressão foi apenas um dos abusos do poder cometidos pelo governo de George W. Bush. Houve também sequestros, “buracos negros”, prisões clandestinas, tortura, vigilância ilegal que viola a 4ª Emenda, etc. Que papel teve Condoleeza Rice nisso tudo? 

Na primavera de 2008, a rede ABC News, citando fontes internas, noticiou que, a partir de 2002, por ordens do Presidente Bush, a Conselheira para Segurança Nacional, Condoleeza Rice, reuniu seus mais altos assessores (Cheney, Powell, Rumsfeld, Ashcroft e Tenet) dúzias de vezes na Casa Branca, entre 2002-03 para definir qual o mix de técnicas de tortura mais eficiente para “terroristas” individuais capturados. 
 



Esses conselheiros para questões de tortura do governo dos EUA planejaram e aprovaram o uso de diferentes métodos de tortura – alguns foram “coreografados” ali, ao vivo – incluindo quase-afogamentos (waterboarding), privação de sono, ataques físicos, exposição a temperaturas extremas até provocar hipotermia e as chamadas “posições de estresse”. 

Num dado momento, o Advogado-Geral, John Ashcroft, manifestou em voz alta o que lhe passava pela cabeça: 
 
Por que estamos falando dessas coisas na Casa Branca? A história não será generosa quando nos julgar por isso.
 
A própria Rice, pessoalmente, levou à CIA a ordem do grupo da Casa Branca para dar início aos quase-afogamento de prisioneiros. Foi ela quem disse à CIA: “Podem prosseguir. O bebê é de vocês”, em julho de 2002, antes mesmo de o advogado John Yoo, do governo Bush, escrever seu criminoso “memorando da tortura”, para “legalizar” o que eles já estavam fazendo. Esses memorandos foram tentativa para oferecer aos criminosos o que outro advogado do Departamento de Justiça chamaria de “escudo dourado”, protegendo todos os envolvidos contra qualquer acusação criminal futura. Outros advogados referiram-se aos memorandos de Yoo como uma espécie “fiança grátis anti-cadeia”. 
 
De início, a rede ABC News tentou preservar o presidente dessas atividades sórdidas. Mas Bush estragou tudo, porque logo se pôs a vangloriar-se de que, sim, sabia daquelas atividades e as aprovara pessoalmente. 
 
Fotos das torturas
 
Depois que vazaram fotos em que se viam os mais desumanos abusos de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib no Iraque, e que o major-general Antonio Taguba foi encarregado de investigar, ele próprio classificou o programa de interrogatório que Rice e outros funcionários haviam concebido e implantado de “regime sistemático de tortura”. A lista das técnicas aprovadas para uso da CIA já haviam migrado pela cadeia de comando abaixo, via Rumsfeld, um dos mais ativos participantes das reuniões na Casa Branca. [Vide “Honraria enviesada: Condoleeza Rice” (orig. Misguided Honor for Condi Rice)]. 
 
Em 2008, os mais altos funcionários do governo Bush encarregados de decidir se os detidos na prisão da Baía de Guantánamo seriam legados a julgamento, a juíza Susan J. Crawford foi forçada a rejeitar acusações de crime de guerra contra um importante suspeito do 11/9, ao concluir que militares norte-americanos haviam torturado o cidadão saudita, interrogando-o mediante técnicas que incluíam isolamento prolongado, privação de sono, nudez e exposição prolongada ao frio, torturas levaram o acusado a “condições de ameaça à sobrevivência”. 
 
A dificuldade que funcionários de algumas universidades encontram para dar o devido peso a esses atos sórdidos de Condi Rice são efeito, pelo menos em parte, de uma decisão política – a decisão que o Presidente Barack Obama tomou de “olhar adiante, em vez de olhar para trás”. 
 
É decisão que absolutamente não combina com a fama de especialista em leis de que goza o presidente, porque quem olha só para a frente abre mão do dever de julgar qualquer criminoso e qualquer crime, porque julgar criminosos e crimes é ação que obriga a examinar atos passados. 
 
O papel de comando que Rice teve como representante executiva da Casa Branca para assuntos de tortura voltou a ser comprovado em livro recentemente lançado, The Great War of Our Time, escrito por Michael Morell, ex-vice-diretor da CIA. Ali Morell escreve: 
 
Depois que a CIA apresentou uma relação de possíveis técnicas [de tortura] à Casa Branca, a conselheira de Segurança Nacional Rice disse que uma daquelas técnicas não poderia ser usada porque agrediria a linha moral da Casa Branca (p. 275).

Fosse qual fosse a tal “linha moral”, não excluía quase-afogamentos, que lá estava entre as técnicas de tortura que foram aprovadas por “Condi” Rice. 
 


Há quase 70 anos, Robert H. Jackson, juiz da Suprema Corte dos EUA e Procurador-Chefe dos EUA no Tribunal de Nuremberg enunciou vários conselhos que serviriam para o que, ele esperava, viesse a ser uma orientação necessária para o futuro. Na introdução, disse que:
 
Sei bem demais da fraqueza da ação judicial, para crer que a decisão desse tribunal, só ela, nos termos dessa Carta, possa evitar guerras futuras. A ação judicial sempre vem depois do feito. Guerras são iniciadas sob a teoria e em plena confiança de que possam ser vencidas. O castigo ao criminoso, a ser aplicado e recebido só se a guerra criminosa tiver sido perdida, provavelmente jamais será fator que previna alguma guerra onde os fazedores de guerras sintam que possam descartar a probabilidade de serem derrotados. 

Mas o passo definitivo para evitar guerras periódicas, que são inevitáveis num sistema de leis internacionais ausentes, é responsabilizar perante a lei os governantes. E permitam-me ser bem claro nesse ponto: mesmo que essa lei esteja sendo aplicada primeiro aos agressores alemães, a lei é includente, e se deve servir a algum propósito útil, deve condenar a agressão que parta de qualquer das demais nações, inclusive das que aqui estão sentadas como juízes.

Mau precedente

A experiência do sábado na Universidade William and Mary não é, de modo algum, a primeira vez que uma universidade sucumbiu ao “vírus do prestígio” e concedeu altas honrarias a alguma celebridade com poder, em aula inaugural, por piores que tenham sido as ações e crimes da tal celebridade. É triste reconhecer, mas há muitos exemplos, inclusive outro, anterior, com a mesma criminosa de guerra, Miss Rice. 

Condoleezza Rice foi quem ministrou a aula inaugural no Boston College, dia 22/5/2006, quando recebeu o título honorário de Doutor(a) em Leis (Oh, George Orwell, sim, que ironia!). Aconteceu quando servia como Secretária de Estado – depois do sujo trabalho de vendedora pró-guerra no Iraque, mas antes de a rede ABC News ter revelado em 2008 o envolvimento direto dela na tortura de prisioneiros. 
 


Dez dias antes da aula inaugural no Boston College, Steve Almond, professor-adjunto de Inglês, renunciou ao cargo, em sinal de protesto. Adiante se leem alguns trechos da carta de renúncia do prof. Almond dirigida ao reitor do BC, reverendo (jesuíta) William P. Leahy:
 
Escrevo para renunciar (...), por efeito direto de sua decisão de convidar a secretária de Estado Condoleezza Rice para discursar na cerimônia de formatura dos graduandos desse ano.

Muitos membros e alunos dessa faculdade já manifestaram objeções ao convite, argumentando que as ações de Rice como secretária de Estado são inconsistentes com os valores humanísticos da universidade e com as tradições católicas e jesuíticas, das quais derivam os valores dessa universidade. 

Mas não escrevo apenas porque tenho objeções à guerra de agressão contra o Iraque. Minha preocupação é mais fundamental. Dito em palavras claras, Rice é mentirosa. Mentiu ao povo norte-americano, sabendo que mentia, repetidas vezes, de fato espantosamente, ao longo dos últimos cinco anos, num esforço para encontrar justificativa para uma política exterior patologicamente mal orientada. (...) 

Essa é a mulher à qual o senhor estará outorgando título honorário, além do privilégio de falar diretamente à classe dos formandos de 2006. (...) Honestamente, Padre Leahy, que lições o senhor espera oferecer àqueles graduandos impressionáveis? (...) Que aprendam a mentir ao povo dos EUA para obter vantagem política? (...) 

Não posso, em sã consciência, insistir com meus alunos para que busquem sempre o melhor conhecimento e a verdade e, depois, receber pagamento de uma instituição que manifesta tão flagrante desconsideração contra ambos. Gostaria de poder pedir desculpas aos meus alunos de antes e aos meus futuros alunos. Recomendo vivamente que pesquisem sobre as palavras e as ações de Rice, e que exerçam os direitos que a 1ª Emenda lhes dá, quando do discurso dela. 
 
O professor Almond absolutamente não estava sozinho. Cerca de 1/3 dos membros da faculdade do Boston College assinaram documento em que protestaram contra o convite a Rice. Eis como o New York Times noticiou aquele evento de formatura:
 
A Secretária de Estado Condoleezza Rice discursou como homenageada na formatura, na 2ª-feira, no Boston College, para um público onde havia dúzias de alunos e professores que se levantaram e deram-lhe as costas, erguendo cartazes de protesto contra a guerra no Iraque.
Um pequeno avião sobrevoou o campus por duas vezes, exibindo uma faixa em que se lia, em letras vermelhas “A sua guerra nos cobre de vergonha”. Do lado de fora do Alumni Stadium, onde 3.234 alunos recebiam diplomas, manifestantes marchavam pela Beacon Street, exibindo cartazes em que se lia “Não se troca sangue por petróleo” e “Nós também somos patriotas”. 

Dentro do prédio, porém, Miss Rice foi aplaudida de pé ao ser apresentada, e foi interrompida várias vezes por aplausos durante seu discurso.


Em sua autobiografia de 1987, To Dwell in Peace, Daniel Berrigan escreveu sobre 
 
(...) o fracasso de uma grande empreitada – a universidade dos Jesuítas. Relembrou que teve um pressentimento de que a universidade acabaria como outras dessas estruturas cujo declínio moral e servilismo ao poder sinaliza o declínio geral da própria cultura norte-americana.

Berrigan lamentou o apoio à guerra dado por homens nos altos postos da Igreja, e a aprovação à guerra 
 
(...) manifestado com sublime confiança nas autoridades, nos amigos em altos postos e nas conexões na Casa Branca. 
Assim comprometida, alertou Berrigan, a tradição cristã da não violência, além da lição secular da desinteressada busca da verdade – já foram reduzidas a palavreado oco, reservado para as solenidades, nas quais já ninguém acredita, que já ninguém pratica.

O padre Berrigan preocupava-se especialmente com a desarticulação das universidades jesuíticas como o Boston College. Mas o que escreveu aplica-se não só aos “altos postos” da igreja, mas a muitos outros, como o pessoal laico, de altos salários, responsável por convidar Condoleezza Rice para a solenidade de formatura na Universidade William and Mary.

____________________________________________


[*] Ray McGovern nasceu no Bronx em Nova York em 25/8/1939 e lá cresceu. Formou-se com honras pela Universidade Fordham e  serviu no Exército dos EUA de 1962-1964. Está casado com Rita Kennedy por 50 anos. Juntos têm cinco filhos e oito netos.
Aposentado como analista da CIA onde trabalhou no período 1963-1990. Trabalhou inicialmente como oficial da CIA responsável pela análise da política soviética no Vietnã.
No início da década de 1980, já como analista sênior, montou e dirigiu o grupo de National Intelligence Estimates que preparava o President's Daily Brief. Rotineiramente apresentava essesbriefings matinais de inteligência na Casa Branca. Em meados da década de 1980 era o analista que conduzia briefings matinais one-on-one com o Vice-Presidente, os Secretários de Estado e da Defesa, o Comandante do Estado Maior Conjunto e do Assistente do Presidente para a Segurança Nacional. Sua carreira CIA começou no governo do presidente John F. Kennedy, e durou até a Presidência da George Bush (pai).
Após aposentar-se fundou a organização Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS)[Profissionais Veteranos de Inteligência, pela Sanidade] onde atua até hoje


quarta-feira, 15 de abril de 2015

“Neocons” e a promoção do caos no Oriente Médio

13/4/2015, [*] Ray McGovernConsortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Guerra do Golfo Pérsico em 1991
Depois da Guerra do Golfo em 1991, os neoconservadores nos EUA supuseram que nenhum país nunca mais conseguiria resistir aos exércitos high-tech dos EUA e deram-se conta de que já não havia União Soviética para limitar as ações dos EUA. Foi quando nasceu a estratégia das “mudanças de regime” – e muita gente começou a morrer.

O general de quatro estrelas e ex-insider em Washington, Wesley Clark, cantou essa história toda há vários anos, de como Paul Wolfowitz e seus coconspiradores neoconservadores implementaram o plano deles, de varredura, para desestabilizar países chaves no Oriente Médio, tão logo ficou evidente para todos eles que a Rússia pós-soviética “não nos conterá”.



Como revi recentemente no clip de oito minutos em YouTube (acima, em inglês), do discurso do general Clark em outubro de 2007, o que mais me saltou aos olhos foi que os neoconservadores sentiam-se fortalecidos pela avaliação que fizeram de que, depois do colapso da União Soviética, a Rússia estaria neutralizada, já sem capacidade para conter a ação militar dos EUA no Oriente Médio.

A fala pública de Clark escapou a qualquer crítica ou comentário na mídia-empresa sempre amiga dos neoconservadores (surpresa, surpresa!), mas ele conta lá que lembra perfeitamente de ter ouvido, de um alto general do Pentágono, pouco depois dos ataques do 11/9/2001, sobre o plano coordenado por Donald Rumsfeld/ Paul Wolfowitz para  “mudança de regime” no Iraque, Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão e Irã.

Foi muito surpreendente, porque oficialmente os EUA apresentam-se como país que respeitaria a lei internacional, que protesta muito quando outras nações poderosas derrubam (alguns) presidentes em estados fracos e – depois da IIª Guerra Mundial – os EUA condenaram agressões passadas cometidas pelos nazistas alemães e protestaram muito por os soviéticos “subverterem” nações pró-EUA.

Mas o que realmente me chamou a atenção dessa vez foi o significado de Clark lá estar denunciando Wolfowitz, em 1992, a se gabar do que supunha que tivesse sido uma grande lição aprendida do ataque ao Iraque (“Tempestade no Deserto”) em 1991, a saber, que “os soviéticos não nos conterão”.

O que Clark disse que Wolfowitz dissera tem a ver diretamente com um problema que me atormenta desde março de 2003, quando George W. Bush atacou o Iraque. Será que osneocons – conhecidos como “os doidos” entre a pequena população que permanece mentalmente sã em Washington – teriam sido suficientemente doidos a ponto de optar pela guerra para “rearranjar” o Oriente Médio, se a União Soviética não se tivesse esfacelado em 1991?

Não é questão ociosa. Apesar do fracasso dos EUA no Iraque e por toda parte, os “doidos”neocons ainda têm enorme influência sobre o Establishment em Washington. Assim sendo, a questão muda um pouco: será que, com a Rússia muito mais estável e muito mais forte hoje, os “doidos” ainda estão pensando em arriscar uma escalada militar contra a Rússia, pela Ucrânia – o que William R. Polk, diplomata norte-americano aposentado, avaliou como confrontação nuclear potencialmente perigosa, uma “crise dos mísseis cubanos ao contrário”?

O comentário de Putin 

O vácuo geopolítico que permitiu que os neocons tentassem pôr em operação o esquema deles de “mudança de regime” no Oriente Médio pode bem ser a causa profunda do que o presidente Vladimir Putin da Rússia disse em seu discurso do Estado da Nação, dia 25/4/2005, (vídeo com legendas em inglês no fim do parágrafo) que o colapso da União Soviética foi “a maior catástrofe geopolítica do século XX”. O comentário do presidente Putin foi convertido em meme favorito dos que obram para demonizar Putin, apresentando-o como decidido a atacar a Europa, para assim reconstruir alguma poderosa neo-URSS.


Mas, falando dois anos depois da invasão contra o Iraque, Putin parece acertar, pelo menos no que tenha a ver com o modo como os neocon sexploraram a ausência do contrapeso russo, para super distender o poder dos EUA, de modo que agrediram muito violentamente o mundo, devastadores para as pessoas nos países atacados pelas intervenções norte-americanas e, mesmo, com considerável prejuízo para os próprios EUA.

Se se toma alguma distância e tenta-se uma visada não enviesada sobre a disseminação da violência no Oriente Médio ao longo dos últimos 25 anos, é difícil não chegar à conclusão de que o comentário do presidente Putin acertou o olho do alvo. Com a Rússia enfraquecida como potência militar nos anos 1990s e início dos 2000s, nada havia que contivesse os políticos norte-americanos e os impedisse de se atirarem ao mais desatinado aventureirismo contra o “baixo ventre macio” da Rússia, ação que, anos antes, implicaria risco considerável de confrontação armada entre EUA e Rússia.

Morei na URSS durante os anos 1970s e não desejo a ninguém aquele tipo de regime restritivo. Mas até que se desintegrou, foi regime militarmente forte a ponto de conter o aventureirismo à moda Wolfowitz. E digo que – para os milhões de pessoas já mortas, feridas ou arrancadas da própria terra e da própria casa pela ação militar dos EUA no Oriente Médio ao longo dos últimos 12 anos – o colapso da URSS, como força de contenção contra as guerras norte-americanas não foi só “catástrofe geopolítica”: foi desastre absoluto, até agora ainda sem remédio ou alívio.

Encontro com Wolfowitz

No discurso de 2007, o general Clark contou de um encontro que teve, no início de 1991, com Paul Wolfowitz, então subsecretário de Defesa para Assuntos Políticos (e depois, de 2001 a2005, vice-secretário de Defesa). Aconteceu logo depois de um grande levante dos xiitas no Iraque, em março de 1991. O governo do presidente George H.W. Bush provocara o levante, mas nada fez para salvar os xiitas da retaliação brutal que Saddam Hussein aplicou-lhes, Saddan que mal sobrevivera à derrota no Golfo Pérsico.

Paul Wolfowitz
Nas palavras de Clark, Wolfowitz disse:

Devíamos ter-nos livrado de Saddam Hussein. A verdade é que, uma das coisas que aprendemos é que podemos usar força militar no Oriente Médio, e os soviéticos não nos impedirão. Temos cinco, dez anos para limpar aqueles velhos governos clientes dos soviéticos – Síria, Irã (sic), Iraque – antes que a próxima superpotência apareça para nos desafiar.

Hoje, claro, já são mais de dez anos. Mas não se deixem enganar pela suposição de que Wolfowitz e seus colegas neocons entendam que teriam falhado de modo significativo. O desassossego que eles iniciaram não para de aumentar – no Iraque, Síria, Líbia, Somália, Líbano, para nem falar da nova onda de violência que atinge frontalmente o Iêmen, além da crise na Ucrânia. Pois... a carapaça antiaderente que envolve os mesmos neocons continua a recobri-los e protegê-los, na grande mídia-empresa.

Um detalhe é, sim, verdade: o Irã é terrível desapontamento para os neocons. O Irã está hoje mais estável e menos isolado do que antes; desempenha papel sofisticado no Iraque; e está muito próximo de concluir um grande acordo nuclear com o ocidente – o que impedirá que algum macaco neocon-israelense entre na loja de porcelanas para quebrar tudo, como aconteceu no passado.

Revés anterior sofrido pelos neocons aconteceu no final de agosto de 2013, quando o presidente Barack Obama decidiu não se deixar prender na ratoeira que os neocons lhe preparavam para que ordenasse às forças dos EUA que bombardeassem a Síria. Wolfowitz et alii estiveram muito próximos de conseguir que os EUA formalmente se envolvessem na guerra contra o governo do presidente Bashar al-Assad da Síria quando aconteceu o que aconteceu. Com a ajuda de Vladimir Putin, o diabo encarnado (para os neocons), Obama enfrentou os neocons, derrotou-os e evitou a guerra.

Vladimir Putin
Uma semana depois de já não haver qualquer dúvida de que os neocons não conseguiriam a guerra que queriam na Síria, de repente, lá estava eu, no estúdio central da rede CNN em Washington ao lado de Paul Wolfowitz e do ex-senador Joe Lieberman, outro destacado neocon. Como contei em How War on Syria Lost Its Way”,  a cena era surreal – na verdade, fúnebre, com os dois, Wolfowitz e Lieberman, aos palavrões, furiosos, como se tivessem saído do estádio onde o time deles perdera feio o Super Bowl.

Preferências israelenses/neocons

Mas os neocons são duros na queda. Apesar dos grotescos fracassos, como a Guerra no Iraque, e seus desapontamentos, como não conseguir a guerra com que sonhavam, na Síria, eles jamais aprendem qualquer lição, nem mudam as próprias metas. Apenas recalibram o objetivo. Passaram imediatamente a atirar contra Putin novamente, dessa vez por causa da Ucrânia, como meio para limpar o caminho novamente para “mudança de regime” na Síria e no Irã.

Os neocons também podem extrair algum consolo, do “sucesso” que tiveram nas ações para pôr fogo no Oriente Médio, com xiitas e sunitas já saltando uns na goela dos outros – péssimo para muita gente em todo o mundo e com certeza para as muitas vítimas inocentes na região, mas, afinal, nem tão péssimo para os neocons. Líderes israelenses e seus companheiros de leito (homens e mulheres) entendem que guerras lá entre os próprios muçulmanos sempre têm, no mínimo, alguma vantagem de curto prazo para Israel, porque consolidam o controle sobre a Cisjordânia palestina.

Em memorandum que a organização Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS) enviou ao presidente Obama dia 6/9/2013, chamamos a atenção de todos para uma matéria excepcionalmente clara e sincera sobre as motivações de israelenses e neoconservadores, assinada por ninguém menos que a chefe da sucursal do The New York Times em Jerusalém e empenhada amiga de Israel, Jodi Rudoren, de 2/9/2013, apenas dois dias antes de Obama colher os frutos do sucesso de Putin, que conseguira persuadir os sírios a entregar seus arsenais de armas químicas para serem destruídas, e cancelasse qualquer plano de atacar a Síria – para terrível consternação dos neocons em Washington.

Jodi Rudoren
Pode-se provavelmente perdoar Rudoren pela ingenuidade “politicamente incorreta”. A moça estava há apenas um ano no serviço, tinha pouca experiência de como noticiar eventos do Oriente Médio e – excitadíssima ante e iminência do ataque à Síria – ela aparentemente esqueceu o que reza o manual de redação do Times para quem escreva de Jerusalém. Seja como for, as prioridades de Israel transpareceram muito claramente no que Rudoren escreveu.

No artigo dela, intitulado Israel apoia ataque limitado contra a Síria, Rudoren observava que os israelenses andavam dizendo, em voz baixa, que o melhor resultado para a guerra na Síria que (então) já durava 2 anos e meio seria, pelo menos naquele momento, resultado-zero:

Para Jerusalém, o status quo, por horrendo que seja do ponto de vista humanitário, é preferível, seja a uma vitória do governo de Assad e seus apoiadores iranianos, seja a um fortalecimento dos grupos rebeldes, cada dia mais dominados por jihadistas sunitas.

É situação “de tabela”, na qual é preciso que os dois times percam, ou, pelo menos, você não deseja que qualquer deles vença – quer que fique como está – disse Alon Pinkas, um ex-cônsul geral de Israel em New York. “Que sangrem os dois, que sangrem até morrer: esse é o pensamento estratégico por aqui. Enquanto sangrarem, a Síria não será ameaça real”.

Mais claro, impossível. Se esse ainda é o modo como os líderes israelenses veem a situação na Síria, eles contam com envolvimento cada vez maior dos EUA – declarado ou clandestino – como meio que garantiria que nenhuma solução apareça para o conflito na Síria. Quanto mais tempo demorar a matança entre sunitas e xiitas, não só na Síria, mas por todo o Oriente Médio, mais segura estaria Israel, pelo cálculo dos líderes em Telavive.

Ajudar os terroristas

Mas os líderes israelenses também deixaram claro que, se algum lado tiver de prevalecer, que prevaleçam os sunitas, apesar de todo o extremismo sangrento da Al-Qaeda e do Estado Islâmico. Em setembro de 2013, pouco depois do artigo de Rudoren, o embaixador de Israel nos EUA, Michael Oren, então conselheiro muito próximo do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu, disse ao Jerusalem Post que Israel preferia os extremistas sunitas, a Assad.

O maior perigo para Israel vem do arco estratégico que se estende de Teerã a Damasco e Beirute. E vemos o governo de Assad como pedra basilar desse arco – disse Oren numa entrevista. – Sempre quisemos que Bashar Assad saísse, sempre preferimos os bandidos que não fossem apoiados pelo Irã, aos bandidos apoiados pelo Irã. E disse que continuava a ser assim, mesmo que os “bandidos” fossem ligados à al-Qaeda.

Michael Oren
Em junho de 2014, Oren – que então falava como ex-embaixador – disse que Israel preferiria uma vitória do Estado Islâmico, que estava massacrando soldados iraquianos capturados e degolando ocidentais, à continuação do governo de Assad, apoiado pelos cidadãos sírios.

Do ponto de vista de Israel, se um dos males tiver de prevalecer, que prevaleça o mal sunita – disse Oren.

Netanyahu disse coisa semelhante dia 3/3/2015, no discurso ao Congresso dos EUA, no qual trivializou a ameaça do Estado Islâmico com suas “facas de açougueiro, armas capturadas e YouTube”, comparado ao Irã que, para ele, estaria “exaurindo as nações” do Oriente Médio.

O fato de o principal aliado da Síria ser o Irã, com o qual a Síria mantém tratado de defesa mútua tem papel importante nos cálculos dos israelenses. Por isso, enquanto alguns líderes ocidentais tentam construir algum acordo realista, ainda que imperfeito, para pôr fim à guerra na Síria, outros, com considerável influência em Washington, querem, só, que o governo do presidente Assad e toda a região sangrem até a morte.

Por cruel e cínica que seja essa estratégia, não é muito difícil de entender. Mas, sim, parece ser uma dessas situações complicadas, politicamente carregadas, que está muito acima das competências pelas quais são pagos os calouros, os amadores, que aconselham o presidente Obama – e que, muito lamentavelmente, não têm recursos nem talentos nem meios para derrotar os neocons que mandam no Establishment em Washington. Para nem falar do Congresso que Netanyahu mantém hipnotizado.

Espertalhões desmascarados

Falando de Congresso, um ano depois da matéria de Rudoren, o senador Bob Corker, R-Tennessee, que atualmente preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado, divulgou alguns detalhes do ataque militar que estava planejado contra a Síria, ao mesmo tempo em que muito lamentou que tivesse sido cancelado.

Bob Corker
Nessa fala, Corker apresentou a mudança abrupta de Obama, dia 31/8/2013, quando optou por negociações, em vez de ataque declarado à Síria, Como “o pior momento da política exterior dos EUA desde que estou aqui”. Seguindo estritamente o roteiro dos neocons, Corker atacou o acordo com Putin e os sírios, para livrar a Síria de suas armas químicas.

Corker protestou:

Na essência – lamento se soar um tanto retórico – pulamos no colo de Putin.

Um grande Não-Não, é claro – sobretudo no Congresso – a qualquer coisa que se assemelhe a “pular no colo de Putin”, mesmo que Obama tenha conseguido tirar as armas químicas da Síria, sem fazer os EUA pularem em mais uma guerra no Oriente Médio.

Seria ótimo, é claro, se o general Clark tivesse partilhado antes, com o resto dos norte-americanos, o que sabia sobre a posição do Pentágono. Ninguém jamais o veria como “vazador” de segredos.

Quando fez aquele discurso (vídeo acima), em setembro de 2007, o general estava empenhado na tentativa quixotesca de conseguir a indicação dos democratas como candidato à presidência em 2008. Em outras palavras, Clark quebrou o juramento de silêncio que todos os generais fazem, e que perdura mesmo depois da aposentadoria, apenas para conseguir separar-se, pouco que fosse, do fracasso dos EUA no Iraque – e arrancar alguns votos entre os Democratas antiguerra. Não funcionou, então ele apoiou Hillary Clinton; não funcionou, então ele apoiou Barack Obama.

Wolfowitz, como lhe é característico, já tomou novamente pé na situação. Agora trabalha para ser conselheiro de política externa e de defesa de Jeb Bush, aspirante à presidência dos EUA, e com certeza já está a soprar suas ideias para o Oriente Médio nas orelhas do próximo chefão. Alguém sabe se “pandemônio” tem plural?
__________________________________

[*] Ray McGovern nasceu no Bronx em Nova York em 25/8/1939 e lá cresceu. Formou-se com honras pela Universidade Fordham e serviu no Exército dos EUA de 1962-1964. Está casado com Rita Kennedy por 50 anos. Juntos têm cinco filhos e oito netos.
Aposentado como analista da CIA onde trabalhou no período 1963-1990. Trabalhou inicialmente como oficial da CIA responsável pela análise da política soviética no Vietnã.
No início da década de 1980, já como analista sênior, montou e dirigiu o grupo de National Intelligence Estimates que preparava o President's Daily Brief. Rotineiramente apresentava essesbriefings matinais de inteligência na Casa Branca. Em meados da década de 1980 era o analista que conduzia briefings matinais one-on-one com o Vice-Presidente, os Secretários de Estado e da Defesa, o Comandante do Estado Maior Conjunto e do Assistente do Presidente para a Segurança Nacional. Sua carreira CIA começou no governo do presidente John F. Kennedy, e durou até a Presidência da George Bush (pai).
Após aposentar-se fundou a organização Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS)[Profissionais Veteranos de Inteligência, pela Sanidade] onde atua até hoje.