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sábado, 13 de junho de 2015

Desdolarização: Rússia está falando (muito) sério


6/6/2015, [*] F. William Engdahl, New Eastern Outlook, NEO
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Desdolarização da Rússia
A Rússia está prestes a dar outro grande passo na direção de libertar o rublo, extraindo-o do Sistema-dólar. O Ministro das Finanças russo acaba de informar que está considerando lançar papéis da dívida do Estado russo em Yuan chinês. Seria via muito elegante para afastar-se de vez da dependência, das chantagens e das ações de terrorismo financeiro de que o Tesouro dos EUA fez meio de vida. E simultaneamente se estreitam os laços entre China e Rússia – o pior pesadelo geopolítico para Washington.
O Vice-Ministro russo das Finanças, Sergey Storchak, anunciou que seu Ministério está dedicado a estudo aprofundado do que se exige para lançar papéis russos denominados em Yuan, a moeda chinesa. Esse noticiário recente é parte de uma estratégia de longo prazo, entre Rússia e China, que alcança diretamente o coração da hegemonia norte-americana – US$ – no lugar de principal moeda de reserva mundial.
O US$ é usado hoje como principal moeda de reserva em cerca de 60% dos bancos centrais pelo mundo. A segunda é o € (euro). Agora a China se move cuidadosamente, como principal potência comercial do planeta, para criar sua Renminbi (o Yuan chinês) como mais uma dessas grandes moedas de reserva. É evento que tem enormes implicações geopolíticas. Enquanto o US$ for a principal moeda de reserva, o mundo tem de comprar dólares e papéis do Tesouro dos EUA para suas reservas. Isso é que tem possibilitado que Washington continue a acumular déficits em orçamento desde 1971, quando o US$ abandonou o padrão-ouro.
Na realidade, China, Japão, Rússia, Alemanha – todos países com balança comercial superavitária – financiam os déficits de Washington, o que torna possível para os EUA fazer todas as guerras que faz pelo mundo. É paradoxo ao qual Rússia e China, pelo menos, estão decididas a pôr fim o mais rapidamente possível.
Desdolarização
Ano passado, Rússia e China assinaram enormes acordos de energia, para 30 anos de fornecimento de petróleo e gás russo à China. Os pagamentos serão feitos em moeda local, não em dólares. Já em 2014, os pagamentos em moedas nacionais entre China e Rússia no comércio bilateral, aumentaram nove vezes, comparados a 2013. Lin Zhi, Diretor do Departamento de Europa e Ásia Central do Ministério Chinês de Desenvolvimento Econômico anunciou em novembro passado que:
(...) cerca de 100 bancos comerciais russos já estão abrindo contas para pagamentos recebidos do exterior em Yuan. A lista dos bancos comerciais nos quais depositantes comuns podem abrir contas em Yuan também está aumentando.
Em novembro passado, o 18º maior banco da Rússia, o Sberbank, tornou-se o primeiro banco russo a financiar letras de câmbio em Yuan.
Estratégia de longo prazo
O que tudo isso indica é que Rússia e China estão planejando cuidadosamente uma estratégia de longo prazo para sair da relação de dependência que as mantém ligadas à moeda dos EUA, algo que, como mostraram as sanções impostas à Rússia pelos EUA ano passado, torna os dois países vulneráveis ao impacto devastador das guerras de moedas que os EUA espalham pelo mundo.
A China acaba de ser aceita “em princípio” pelo Grupo dos 7 ministros de finanças, para ter seu Yuan chinês incluído na cesta de moedas que gozam de Special Drawing Rights (Direitos Especiais de Saque), que o FMI distribui entre seus membros. Hoje, só há nessa cesta o US$ (dólar), o € (euro) e o ¥ (yen) japonês. Incluir aí o Yuan será passo gigantesco para fazer da moeda chinesa mais uma moeda internacional de reserva; simultaneamente, enfraquece parte que corresponde ao dólar.
Desdolarização
As reservas estrangeiras chinesas consistem predominantemente de papéis em dólar norte-americano, principalmente bônus do Tesouro dos EUA – o que é uma fragilidade estratégica, porque em caso de guerra essas reservas podem ser congeladas – como o Irã já sabe muito bem. Para a China, é imperativo aumentar o conteúdo de ouro em suas reservas e diversificar o restante delas para outras moedas.
A China também acertou com a Rússia e o projeto russo da União Econômica Eurasiana a unificação da rede de ferrovias de alta velocidade da Nova Rota da Seda. Simultaneamente, Pequim anunciou que está criando fundo gigantesco, de $16 bilhões, para desenvolveu minas de ouro ao longo da ferrovia que liga Rússia, China e Ásia Central. Isso sugere planos para elevar fortemente a quantidade de ouro na composição das reservas chinesas. O banco central da China aumentou muito a quantidade de ouro em seu poder nos anos recentes, embora ainda não tenha divulgado se já ultrapassou as alegadas 8.000 toneladas de ouro que haveria no Federal Reserve. Espera-se que a China divulgue as dimensões de sua real reserva de ouro quando for formalmente aceita na cesta de moedas SDR-FMI, talvez adiante, ainda esse ano.
Ano passado, 2014, Song Xin, presidente da Associação Ouro China disse que:
Temos de criar nosso banco de ouro o mais rapidamente possível. (...) Ele nos ajudará a comprar reservas e dará mais peso à voz e aos controles da China no mercado de ouro.
Um fundo do setor ouro, que envolve países ao longo da Rota da Seda já foi criado no noroeste da China, na cidade de Xi’an, no mês de maio/2015, controlado pelo Bolsa de Ouro de Xangai [orig. Shanghai Gold Exchange (SGE)], parte do Banco do Povo da China [orig. PBOC]. A China é o maior produtor mundial de ouro. Dentre os 65 países ao longo das rotas do Cinturão Econômico da Rota da Seda, há inúmeros que se identificam como importantes bases de reserva e consumidores de ouro. Xinhua noticia que 60 países investiram naquele fundo, que facilitará o processo pelo qual os bancos centrais dos estados-membros poderão ampliar suas reservas de ouro.
O dólar e o rublo
O Dr. Diedrick Goedhuys, ex-conselheiro econômico do Reserve Bank da África do Sul, disse-me pessoalmente, numa entrevista:
Quero enfatizar a qualidade que só o ouro tem como ativo financeiro, de não implicar risco para ninguém. Um bônus do Tesouro, por exemplo, é ativo na minha mão, mas é risco, é passivo a ser resgatado, na contabilidade do Tesouro. O ouro, não. É exclusivamente ativo. O plano de mineração de ouro que o governo da China está executando é importantíssimo. É plano de longo prazo. Talvez ainda se passem dez anos antes de ele apresentar efeito significativo.
Agora, com Washington e Wall Street cada dia mais frustradas por não conseguirem derrubar o rublo e o renminbi, Rússia e China estão dando passos gigantes para livrar-se das cadeias do US$, movimento que pode libertar toda a humanidade, se completado corretamente.
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[*] Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pelaPrinceton University; autor consagrado e especialista em questõesenergéticas e geopolítica da revista online New Eastern Outlook.
Nascido em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, é filho de F. William Engdahl e Ruth Aalund (nascida Rishoff). F.W. Engdahl cresceu no Texas, e depois de se formar em engenharia e jurisprudência na Princeton University em 1966 (bacharelado), e pós-graduação em economia comparativa da University of Stockholm 1969-1970. Trabalhou como economista e jornalista free-lance em New York e na Europa. Começou a escrever sobre política do petróleo, com o primeiro choque do petróleo na década de 1970. Tem sido colaborador de longa data do movimento LaRouche.
Seu primeiro livro foi A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, onde discute os papéis de Zbigniew Brzezinski, de George Ball e dos EUA na derrubada do xá do Irã em 1979, que se destinava a manipular os preços do petróleo e impedir a expansão soviética. Engdahl afirma que Brzezinski e Ball usaram o modelo de balcanização do mundo islâmico proposto por Bernard Lewis.Em 2007, completou seu livro Seeds of Destruction: The Hidden Agenda of Genetic Manipulation. Seu último livro foi: Gods of Money: Wall Street and the Death of the American Century (2010).
Engdahl é autor frequente do sítio do Centre for Research on Globalization. É casado desde 1987 e vive há mais de duas décadas perto de Frankfurt am Main, na Alemanha.

quarta-feira, 11 de março de 2015

China completa o novo sistema SWIFT Alternativo, “Eixo da des-dolarização” pode ser lançado em setembro

9/3/2015, [*] Tyler DurdenZero Hedge
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ele está propondo um brinde (toast) ao dólar ou disse que o dólar está torrado (toast)?
Uma das ameaças recorrentemente repetidas pelas nações do ocidente em sua guerra (cada dia menos fria) contra a Rússia, é que o regime de Putin pode ser paralisado se for desligado de todas as transações monetárias internacionais e serviços prestados pelo serviço de distribuição de mensagens-moeda e câmbio que tem base na União Europeia conhecido como SWIFT [1] (desligamento que, vale relembrar, a SWIFT lamentou, como se revelou em outubro, quando foi noticiado que a organização “lamenta a pressão” para desconectar a Rússia).

Claro, depois que se soube, revelado em 2013, que ninguém menos que a Agência de Segurança Nacional dos EUA “monitora” secretamente os fluxos de pagamento feitos pela SWIFT, já ninguém pode ter certeza de que “ser desligado” da SWIFT seria castigo ou prêmio. Seja como for, a Rússia não precisou de muitos avisos, e, como noticiamos há menos de um mês, o país já lançou sua própria “SWIFT-alternativa”, conectando, para começar, 91 instituições de crédito.

Essa notícia, por sua vez, sugeriu que a des-dolarização está muito mais avançada do que muitos esperavam, o que, combinado com a venda recorde, pela Rússia de TSYs, mostra o quanto Putin está levando a sério a ameaça de ser isolado do sistema ocidental de pagamentos. Seria perfeitamente lógico e esperável que, sem tardar, Putin apareceria com seu próprio sistema.

Há duas implicações bem claras desse uso do dinheiro como meio para fazer guerra clandestina:

(I) a menos que outros países acompanhem a saída da Rússia da SWIFT, a ação de criar mecanismo alternativo será honrada e valente, mas dará em nada; afinal, se todo o resto do mundo continuar a usar o sistema SWIFT como padrão, nenhum sistema alternativo que a Rússia invente para processar pagamentos estrangeiros terá qualquer importância; e
(II) se o exemplo da Rússia, de sair de um sistema mediado pelo ocidente para pagamentos internacionais for bem-sucedido e copiado, o movimento russo acelerará o esvaziamento do status do dólar como moeda de reserva – que o dólar é, por definição, porque não há outra moeda de reserva. Se aparecerem alternativas, todo o sistema de reserva começa a ruir.

Hoje já há provas de que a implicação (II) muito provavelmente prevalecerá, depois de matéria distribuída pela Reuters, de Pequim que dá notícia de que o sistema de pagamentos internacional da China, conhecido bem simplesmente como China International Payment System (CIPS), que processa transações em Yuan transfronteiras, está pronto e pode entrar em plena operação já em setembro ou outubro.

O Yuan como moeda de reserva
Segundo a Reuters, o lançamento do CIPS removerá uma das maiores barreiras à internacionalização do Yuan e deve aumentar muito o uso global da moeda chinesa, fazendo baixar os custos de transação e os tempos de processamento.

O sistema porá o Yuan em pés de melhor igualdade com outras grandes moedas globais como o dólar norte-americano, uma vez que a CIPS usará o mesmo formato de messaging de outros sistemas internacionais de pagamentos, tornando mais fáceis e rápidas as transações.

O CIPS, que será uma supertrilha mundial para pagamentos para o Yuan, substituirá a colcha de retalhos de redes hoje existente, que torna muito pesado e difícil o processamento de pagamentos com renminbi.

Em outras palavras: enquanto o ocidente usa cada provocação que envolva a guerra civil na Ucrânia como oportunidade para pressionar a Rússia a criar seu próprio sistema de pagamento transfronteiras, ele já conseguiu não só que a Rússia faça precisamente isso, mas, mais que isso, o ocidente também empurrou a China para que acelerasse o serviço de criar e implantar seu próprio sistema para pagamentos internacionais. Nesse processo, Rússia e China aproveitam para “avisar” ao planeta que o dólar norte-americano é substituível como moeda de reserva. Assim, dão a outros países (aos BRICS, por exemplo), luz verde para pensarem na SWIFT apenas como alternativa, depois dos sistemas de pagamento (a) russo e (b) chinês, coisa que, com o estímulo político e financeiro adequado, aqueles países gostarão muito, muito, de fazer).


Mas o mais perturbador é o quão rapidamente está chegando a mudança de regime operada pelos chineses:

Tudo saindo conforme o previsto, [o lançamento] acontecerá em setembro ou outubro. Se for preciso tempo um pouco mais longo, mesmo assim ainda esperamos que tudo estará em operação antes do final do ano”, disse a fonte, que pediu para não ser identificada porque não tem autorização para falar com a imprensa-empresa.

Esperava-se que o sistema tivesse sido lançado em 2014, mas o lançamento foi adiado por problemas técnicos, com muitos participantes do mercado já prevendo que não entraria em operação antes de 2016.

Desnecessário dizer o quanto a China gostará de ter seu próprio sistema unificado de pagamentos, o sistema que internacionalizará ainda mais o renminbi, moeda a qual, em novembro de 2014, já se convertera em uma das cinco principais moedas de pagamento, deslocando os dólares canadense e australiano, segundo dados da SWIFT.

Até agora, o câmbio transfronteira de Yuan tinha de ser feito ou num dos bancos “offshore” de compensação de Yuan em Hong Kong, Cingapura e Londres, ou com a ajuda de um banco intermediário em território da China.

“Com muita frequência ocorrem erros sob o atual sistema de compensações, por causa de diferenças de linguagens e de codificação. O CIPS é uma abertura importante, porque oferecerá plataforma comum e aumentará a eficiência”, disse Raymond Yeung, analista da ANZ em Hong Kong.

O lançamento do CIPS permitirá que empresas fora da China façam negócios em Yuan diretamente com seus contrapartes chineses, reduzindo o número de etapas pelos quais tinha de passar cada pagamento.

Também tornará muito mais difícil para a Agência de Segurança Nacional dos EUA “rastrear” pagamentos que entram e saem da China, do que hoje, quando se usam intermediários cheios de furos, como a SWIFT.

QUE ORELHAS GRANDES VOCÊ TEM!
Eis como o Mercator Institute for China Studies antecipou esse grande desenvolvimento:

O governo chinês caminha a passos largos para uma internacionalização controlada da moeda chinesa, mediante uma expansão passo a passo do uso do RMB no comércio internacional e investimento chineses. Para tal finalidade, foi construída uma rede mundial de acordos relacionados a swaps de moeda do Banco Central, câmbio direto do RMB com outras moedas e câmaras de compensação em RMB.

O estabelecimento de um sistema independente de pagamentos (CIPS) para transações em RMB e sistema alternativo ao existente, SWIFT, com certeza ampliará a autonomia da China em relação a estruturas do mercado financeiro centradas nos EUA.


Tabela de "Serviços ocidentais"que serão substituídos por Rússia/China/BRICS
(clique na imagem para aumentar)
Por fim, a maior facilidade nas transações em termos não-US$ acelerará a adoção do Yuan chinês como moeda primária do comércio global, ou do pouco que reste dele, oposta à moeda da engenharia financeira.

Os pagamentos em Yuan globais aumentaram 20,3% em valor, em dezembro, na comparação com o mesmo período do ano passado; e o crescimento para pagamentos em todas as demais moedas foi de 14,9% no mesmo período – informou a SWIFT.

China acelerou o passo da internacionalização do Yuan em anos recentes. O banco central credenciou 10 bancos para compensação oficial do Yuan ano passado, elevando o número total para 14 bancos, globalmente, que podem realizar transações em Yuan com a China.

A última observação a registrar aqui é que, se o objetivo planejado na brilhante operação urdida pelo governo Obama para expulsar a Rússia – e, por filiação geopolítica, também a China – para bem longe de um mecanismo de transação monetária que os EUA controlavam e supervisionavam; e para obrigar os dois mais fortes concorrentes que se opõem aos EUA na disputa pela hegemonia global a construírem, eles mesmos, o seu (deles!) próprio sistema de pagamentos... nesse caso... PARABÉNS! O “operação” deu certo!
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Nota dos tradutores
[1] Fundada em Bruxelas em 1973, a Sociedade para Telecomunicações Mundiais Interbancárias e Financeiras (Society for the Worldwide Interbank Financial Telecommunication – SWIFT) é uma organização cooperativa dedicada a promover o desenvolvimento de interatividade global padronizada para transações financeiras. Originalmente, a SWIFT tinha a seu cargo estabelecer um link de comunicações globais para processamento de dados e uma linguagem computacional comum para transações financeiras internacionais. A sociedade opera um serviço de messaging para mensagens financeiras, como cartas de crédito, pagamentos, transações protegidas, entre bancos membros em todo o mundo. A função essencial da SWIFT é distribuir essas mensagens de forma rápida e segura, duas exigências básicas em transações de natureza financeira. Organizações membros criam mensagens formatadas que são passadas adiante para a SWIFT para serem entregues à organização membro destinatária. A SWIFT opera em escritórios instalados em Bruxelas, e processa dados de centros de dados instalados na Bélgica e nos EUA.

Serviços prestados e clientes SWIFT

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[*] Tyler Durden é o apelido de numerosos blogueiros que comentam no Zero Hedge. O nome foi copiado de personagem do romance de Chuck Palahniuk (depois filme) Fight Club (Clube de Luta).

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Pânico no Petrodólar? China assina swap de moeda com Qatar e Canadá

10/11/2014, [*] Tyler DurdenZero Hedge
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Desdolarização
Prossegue a marcha da des-dolarização global. Há bem poucos dias, a China assinou acordos monetários diretos com o Canadá, que assim se torna a primeira praça off-shore do renmimbi chinês na América do Norte, acordos os quais, como sugerem analistas da CBC, podem dobrar e até triplicar o volume do comércio entre Canadá e China, o que terá impacto na demanda por dólares. Mas essa não é a maior notícia da semana sobre a precariedade do petrodólar.

Como The Examiner noticia, um novo golpe contra o sistema do petrodólar já está operante, com a China assinando acordo com o Qatar para iniciar trocas diretas de moedas entre os dois países usando o yuan, e estabelecendo a base para um novo comércio direto com aquela nação-membro da OPEP dentro do próprio coração do sistema do petrodólar. Como alerta Simon Black;

Está acontecendo (...) com velocidade e frequência crescentes.


Como a CBC noticia,

Autorizado pelo Banco Central chinês, o acordo permitirá que se façam negócios diretos entre o dólar canadense e o yuan chinês, deixando de fora o intermediário – na maioria dos casos, o EUA-dólar.

Exportadores canadenses forçados a usar a moeda dos EUA nos negócios com a China enfrentam taxas mais altas de câmbio e mais demora para fechar negócios.

"O primeiro-ministro falou sobre isso. Quer que as empresas canadenses, particularmente as de pequeno e médio porte, cada vez mais e mais trabalhem na China, vendendo bens e serviços lá” – disse Catherine Cullen da CBC, em matéria enviada de Pequim.

Simon Black, do blog Sovereign Man, soa como se o movimento do Canadá o ameaçasse pessoalmente...

“Está acontecendo (...) com velocidade e frequência crescentes”.

O Banco do Povo da China e o gabinete do primeiro-ministro do Canadá lançaram declaração conjunta no sábado, na qual informam que o Canadá estabelecerá o primeiro centro comercial offshore que operará em renminbi, em Toronto.

China e Canadá acertaram várias medidas para aumentar o uso do renminbi no comércio, nos negócios e nos processos de investimento. Assinaram também um acordo bilateral de swap monetário no valor de 200 bilhões de renminbi.

Como se não bastasse, hoje mesmo, os bancos centrais da China e da Malásia anunciaram o estabelecimento de acordos de troca de renminbi em in Kuala Lumpur, os quais aumentarão ainda mais a circulação de renminbi no sudeste da Ásia.

Acontece apenas duas semanas depois que Cingapura, principal centro financeiro da Ásia, tornou-se também grande praça para o renminbi, com a convertibilidade direta estabelecida entre o dólar de Cingapura e o renminbi.

Yuan/renminbi
E, como Black observa, todos estão tomando o mesmo rumo. Por todo o mundo, renminbi vai-se tornando rapidamente A moeda para comércio, investimento e até para poupança.

Na Coreia do Sul, por exemplo, os depósitos em renminbi multiplicaram-se por 55, num único ano. É espantoso.

O governo da Grã-Bretanha acaba de lançar um renminbi bond, tornando-se o primeiro governo estrangeiro a lançar papeis da dívida em renminbi.

Até o Banco Central Europeu está debatendo se inclui o renminbi em suas reservas oficiais, e políticos em todo o mundo começam a lançar avisos, nem tão discretos, de que já faz falta um novo sistema monetário não dolarizado.

Nada anda nem para cima nem para baixo, em linha reta. E dadas as condições de alta volatilidade que persistem na economia europeia e global, o dólar com certeza continuará por aí, no sobe-desce de sempre, pelos próximos meses.

Mas no longo prazo já há uma tendência luminarmente óbvia: o resto do mundo já não quer depender do EUA-dólar, e todos estão fazendo acontecer uma nova realidade, os EUA gostem ou desgostem.

* * *

Petrodólar
E agora, ninguém menos que o Qatar, controverso estado produtor de petróleo, também já assinou acordo de swap monetário com a China, aparentemente abrindo todas as portas para o pânico no petrodólar... (como diz The Examiner)

O sistema petrodólar é o coração e a alma da dominação pelos EUA sobre toda a moeda global de reserva, e seu ‘direito’ de obrigar todos os países do mundo a comprar dólares norte-americanos para poder comprar petróleo no mercado aberto. Sacramentado num acordo com a Arábia Saudita e a OPEP em 1973, esse padrão, de factodurou mais de 41 anos e foi a força motriz por trás do poder econômico, político e militar dos EUA.

Mas dia 3/11/2014, o sistema do petrodólar recebeu novo golpe, com a China assinando acordo com o Qatar para iniciar trocas diretas de moedas entre os dois países usando o yuan, e estabelecendo a base para um novo comércio direto com aquela nação-membro da OPEP dentro do próprio coração do sistema do petrodólar.

O novo acordo entre China e Qatar cobre apenas o equivalente a US$ 5,7 bilhões, ao longo dos próximos três anos, mas é o suficiente para que o Qatar torne-se a 24ª nação a abrir seu mercado Forex à moeda chinesa, e solidifica a aceitação do yuan como uma possibilidade viável para o futuro, no Oriente Médio.

O Banco Central da China anunciou na 2ª-feira que assinou contrato de troca de moedas no valor de 35 bilhões de yuan (cerca de 5,7 bilhões de dólares norte-americanos) com o Banco Central do Qatar.

O acordo, previsto inicialmente para três anos, pode ser prorrogado por acordo entre as partes, lê-se na declaração publicada na página oficial do Banco do Povo da China.

Também na 2ª-feira, as partes assinaram em Doha um memorando de entendimento sobre a troca de renminbi. A China concorda com estender ao Qatar o esquema de “RMB Qualified Foreign Institutional Investor”, com quota inicial de 30 bilhões de yuan.

Silver Petrodólar

O negócio marca um novo passo na direção da cooperação financeira entre os dois países, e facilitará o comércio e os investimentos bilaterais para ajudar a preservar a estabilidade financeira regional, diz a declaração (China Daily).

Talvez não seja coincidência que o termo do novo a acordo tenha sido fixado em três anos, o que está precisamente dentro do prazo previsto pelo diretor do Finance Institute do Centro de Pesquisas do Desenvolvimento do Conselho de Estado, Zhang Chenghui, para que o renminbi torne-se totalmente conversível no sistema financeiro global.

A necessidade de novos mercados e de uma moeda comercial estável no  Qatar pode estar associada a recente relatório lançado semana passada pelo banco francês BNP Paribas, que mostra que a reciclagem do petrodólar caiu ao nível mais baixo em 18 anos, o que significa que até as nações produtoras de petróleo no Oriente Médio já não se sentem confortáveis nem conseguem confiar no dólar norte-americano, e só facilitaram seu uso comercial por causa da alta depreciação desde o advento dos programas massivos de “alívio quantitativo” do Fed.

Agora, praticamente todas as semanas, China, Rússia, ou outra das nações BRICS aparecem finalizando acordos que passam por cima do velho sistema de comércio em dólares e atropelam a confiança no sistema do petrodólar. E com tantos países já começando a rejeitar o dólar, por causa da inflação exportada que cresce em nações condenadas a ficar onde estejam, para poder continuar a comprar petróleo, alternativas como o yuan chinês serão opção mais viável, especialmente agora que a potência asiática já assumiu o posto de maior economia do mundo.

*  *  *

O fim do petrodólar, em fluxo...




[*] Tyler Durden é o apelido de numerosos blogueiros que comentam no Zero Hedge. O nome foi copiado de personagem do romance de Chuck Palahniuk (depois filme) Fight Club (Clube de Luta).