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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Monteiro Lobato, Um Gênio, Um Brasileiro




O que está, realmente, por trás da perseguição à memória e à obra de Monteiro Lobato?


Inventam-se formas de fazer publicidade do racismo contra brasileiros. Uma lástima. Pior, um arranjo que envolve uma instituição que tem como finalidade a luta pela extinção do racismo, sendo uma delas uma Secretaria do Governo, todos sustentados pelos impostos pagos pelos pobres, e negros.

Pergunta-se, ainda uma vez, por que essas instituições não promovem ações contra o Estado e seu racismo institucionalizado? Um jovem servidor público negro perdeu seu emprego por ter ofendido um Ministro do Judiciário com sua presença, quando à espera do uso de um caixa eletrônico. Alguma instituição decidiu processar o Ministro? Na Líbia, cidadãos negros estão sendo mortos e perseguidos por nazi-sionistas internacionais e não conheço nenhuma manifestação das instituições contra o genocídio organizado em defesa de uma raça.

José Bento Monteiro Lobato
Os livros escolares, secularmente, adestram as crianças para o racismo e preconceito, elogiando heróis-genocidas e mantendo na ignorância das revoluções da resistência, negando conhecimento da vida e obra de nossos heróis nacionais, índios, negros e mestiços.

O que está, realmente, por trás da perseguição à memória e à obra de Monteiro Lobato?

Nas DEZENAS de obras nas quais a criança, o jovem e o adulto têm a possibilidade de conhecer a mitologia, a filosofia dos povos, as lendas, a história e o folclore nacional, a ciência, a antropologia, enfim, a todo o leitor poderá abrir as portas ao conhecimento e, portanto, à liberdade que a verdadeira cultura promove.

As Instituições são remuneradas para lutar contra o racismo, ao desconhecer a obra, limitam-se a cumprir as ordens da estrutura racista de poder, no qual, a premissa é manter o brasileiro na ignorância do trabalho desenvolvido por seus irmãos, seus iguais, seus heróis nacionais e, no caso de Monteiro Lobato, um gênio da literatura mundial, gerado em terras brasileiras.

Uma prova da perseguição e condenação das obras de Monteiro Lobato. O precioso livro “A ONDA VERDE O PRESIDENTE NEGRO” não é citado, aliás, esconde-se esta obra como o mapa de um tesouro.

Algumas frases encontradas no livro explicam a condenação dos capitães do mato a serviço da institucionalização do racismo:

No conteúdo da ONDA VERDE, Monteiro Lobato analisa e destrói toda a fantasia da exploração das terras paulistas, um grito em favor da natureza e da verdade, jamais citado pelos autodenominados verdes:

A região era todo um mataréu virgem de majestosa beleza.

Rasgara-o a facão o bandeirante antigo, por meio de picadas; o bandeirante moderno, machado ao ombro e facho incendiário na mão, vinha agora, não penetrá-lo, mas destruí-lo.

Desfez em decênios a obra prima que a natureza vinha compondo desde a infância da terra.

Nada mais soberbo – e nada desculpa tanto o orgulho paulista – do que o mar de cafeeiros em linha, postos em substituição da floresta nativa.

Nada lhe detém a ofensiva irresistível... nem a mentalidade altista, loucamente esbanjadora, do fazendeiro.

A propriedade, cria-se hoje, como outrora, pela conquista do mais forte, pela espoliação levada a cabo pelo mais audacioso, pelo mais despido de escrúpulos.

Mas surge o grileiro e tudo se transforma... terras legitimamente, legalmente “apropriadas”. Ao partir para o sertão ele deixou em casa, na gaveta, os escrúpulos da consciência. Vem firme, vem “feito” como um gavião. Opera as maiores falcatruas; fabrica firmas, papéis, selos; falsifica rios e montanhas; falsifica árvores e marcos; falsifica juízes e cartórios; falsifica o fiel da balança de Temis; falsifica o céu, a terra as águas; falsifica Deus e o Diabo. Mas vence. E por arte dessa obra-prima de malabarismo, espoliando posseiros ou donos, sempre firmados na gazua da lei, os grileiros expelem das terras, num estupendo parigato, todos os “barbas ralas” que ali vivem parasitariamente, tentando resistir ao arranque da civilização.”

Responde o café:

- Minha forme está acima da moral, e eu só conheço as leis do meu apetite.

Ora, se mudarmos os cafezais por plantações de soja, milho e algodão transgênicos, o assunto é o mesmo, o grilo foi transformado em agronegócio e a falsificação depende ainda dos negócios da instituição dentro do Congresso e nas lutas perdidas por tradição nos tribunais dos latifúndios.
Na mesma obra, ao tentar explicitar os mecanismos do GRILO, Monteiro Lobato afirma que o grilo é o “viveiro onde se fermenta a aristocracia dinheirosa de amanhã.”

As velhas fidalguias da Europa entrocam no banditismo dos cruzados. Ter na linhagem um facínora encoscorado de ferro, que saqueou, queimou, violou, matou à larga no Oriente, é o maior padrão de glória de um marquês na França. Ter entre os avós um grileiro de hoje vai ser o orgulho supremo dos nossos milionários futuros. Matarás, roubarás, são os mandamentos de alto bordo do decálogo humano, eternos e irredutíveis...

GRILO É UMA PROPRIEDADE TERRITORIAL legalizada por meio de um título falso; grileiro é o advogado ou “águia” qualquer manipulador de grilos; terras “grilentas” ou “engriladas”, as que têm maromba de alquimia forense no título.

O grileiro é um alquimista. Envelhece papéis.

Não há exagero no cálculo de três milhões, sabendo-se que há grilos de 200, 300 e 400 mil alqueires – territórios equivalentes à metade da Bélgica, quase a Saxônia, e tamanhos como antigos ducados e principados alemães.

... Jeca Tatu aprenderá nela a perdoar com generosidade o erro dos fracos e a punir com dureza o crime dos fortes. E aprenderá ainda a mover-se, a correr, a nadar, a ser homem com H maiúsculo em todas as situações da vida.

O Brasil de amanhã não se elabora, pois, aqui. Vem em películas de Los Angeles, enlatado como goiabada. E a denominação yankee vai se operando de maneira agradável, sem que o assimilado o perceba.

O Presidente Negro

Nesta obra, que mereceria um simpósio para discussão, Monteiro Lobato mistura conhecimento científico, a política eugenista dos americanos, exportada à América Latina, e a vitória sempre anunciada da raça branca contra uma população negra cujos cérebros perderam a capacidade do pensamento individual e solidário.

E como a denúncia de racismo contra a memória de um dos maiores brasileiros, tem por desculpa educação, verifique-se que o ano da ficção é 2228, todavia, a política da escola hospício continua em todos os continentes e tem a pretensão da imortalidade.

A criança tinha na América de 2228 uma importância capital. Toda a vida do país girava-lhe em torno. Era a criança, além do encanto do presente, o futuro plasmável como a cera. Os maiores gênios da raça se consagravam a estudá-la, para com tão dúctil matéria prima ir esculpindo a obra única que apaixonava o americano – o Amanhã... Sua Majestade Baby era o Luiz 14 do século.

... A raça branca, afeita à guerra como a última ratio da sua majestade, desviava-se da velha trilha e impunha um manso ponto final étnico ao grupo que a ajudara a criar a América, mas com o qual não mais podia viver em comum. Tinha-o como obstáculo ao ideal da Super-Civilização ariana que naquele território começava a desabrochar, e, pois não iria render-se a fraquezas de sentimento.

A raça ferida na fonte vital pendeu sobre o peito a cabeça como a planta a que opodador estrangula a circulação da seiva. Ia passar. Estéril como a pedra, iria extinguir-se num crepúsculo indolor, mas de trágica melancolia.

E passou...

Monteiro Lobato, um Gênio

Monteiro Lobato é um gênio que está além de quaisquer acordos judiciais. Nem os denunciantes – que evidentemente desconhecem sua obra- tampouco os julga-dores que, na origem, pertencem à tradicional aristocracia ariana nascida do engodo e da ignorância, têm direito, cultura ou competência para julgar sua obra. As verdades ali contidas não podem ser aprisionadas em tempos processuais, tampouco em políticas de alienação das massas, ou suas palavras podem ser manipuladas fora do tempo e do contexto.

Esse processo contra sua memória nada mais é do que uma das facetas do arianismo psicopata que têm como finalidade manter essa artificial supremacia branca, tão nefasta ao afastar os brasileiros do espírito de solidariedade, sob a fachada do racismo, como se nada mais houvesse a fazer do que macular a honra de um sábio brasileiro que, por sua obra, denúncia com seu silêncio iluminador, os atores desse circo montado como seres imbecilizados e imbeciliza-dores.

Monteiro Lobato está além, muito além do Sítio do Pica-pau Amarelo.

A moto-serra-caneta tenta derrubar sua árvore do conhecimento, mas Lobato sobrevive apesar da perseguição dos capitães do mato de todas as raças, de todos os matizes e de todas as instituições.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Danny Glover surpreende à imprensa dos EUA com mensagem para Obama (vídeo)


Este oportuno vídeo de menos de três minutos se intitula “Conferencia de imprensa de Danny Glover e nele o célebre ator norte americano faz importantes revelações que surpreendem toda a imprensa dos EUA. 

No vídeo abaixo, Glover se dirige a famosos  jornalistas norte-americanos, como la ex decana da sala de imprensa da Casa Branca, Helen Thomas, e lhes diz: “Espero que todos vocês, do corpo de imprensa da Casa Branca, encontrem mais informações e se manifestem sobre a injustiça que está sendo praticada contra os Cinco cubanos e digam ao presidente Obama que os coloque em libertade”.



Enviado por Iroel Sanchez
Lembrado por Vera Vassouras

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A ameaça golpista da UNOAMÉRICA, uma organização militar supranacional


“Sobre os governos progressistas latino-americanos pende a ameaça golpista da UNOAMÉRICA, uma organização supranacional militar de ultra-direita”

Entrevista com a jornalista argentina Stella Calloni
Fernando Arellano Ortiz (Entrevistador)
Observatório Sociopolítico Latino-Americano
Fonte: Cronicon Virtual (em español)
Traduzido por Vera Vassouras

Stella Calloni e Fernando Arellano Ortiz 
Na América Latina se configura uma ameaça latente de setores militares de ultra-direita que buscam reeditar a OPERAÇÃO CONDOR contra os governos progressistas, a mesma que nas décadas dos anos 70 e 80 e com o auspício de Washington assolou os países do Cone Sul no sentido de realizar um trabalho supranacional de desestabilização com os auspícios de dirigentes da espécie do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe Vélez, denuncia a jornalista argentina, investigadora e ativista de direitos humanos, Stella Calloni.

Com apoio da CIA, fundações norte-americanas, assim como do neofranquista Partido Popular da Espanha, a ultra-direita latino-americana está empenhada em como propiciar golpes de Estado ou criar circunstâncias de choque naqueles países da região governados por líderes de esquerda.

O foco está fundamentalmente dirigido contra os governos de Hugo Chávez, na Venezuela; Rafael Correa, no Equador; Evo Morales, na Bolívia; Christina Fernández Kirchner, na Argentina; e Daniel Ortega, na Nicarágua; ao mesmo tempo em que lança fogos contra os presidentes Dilma Rousseff, do Brasil e José Mujica, do Uruguai, a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) e, claro está, contra o Foro de São Paulo, que reúne os partidos de esquerda do hemisfério.

Calloni, experimentada investigadora dos horrores cometidos pelas ditaduras militares da América do Sul, autora do livro “Operação Condor, pacto criminoso” (Edições La Jornada, México, 2001), assinala que a UNOAMÉRICA nasceu na Colômbia em dezembro de 2008 e está integrada por militares acusados de violação de direitos humanos e comprometidos com as ditaduras latino-americanas que buscam reeditar o apodrecido discurso anticomunista da Guerra Fria.

Em consonância com a Uno-América, o ex-presidente Uribe Vélez criou recentemente sua Fundação Internacionalismo Democrático e uma de suas primeiras tarefas é trabalhar pelo desprestígio dos governos de Chávez e Correa, na Venezuela e Equador, respectivamente.

A jornalista e escritora argentina conta que a frente da direção da Uno-América está o golpista venezuelano Alejandro Pena Esclusa, atualmente na cadeia por ter sido encontrado em junho de 2010 em sua residência, material explosivo e estar vinculado com o terrorista salvadorenho Francisco Chávez Abarca, deportado pelas autoridades de Caracas à Cuba, em julho desse ano.

Para falar sobre os planos da ultra-direita latino-americana que é um instrumento de Washington na região e analisar a atual conjuntura política do continente, o Observatório Sociopolítico Latino-Americano dialogou em Buenos Aires com Stella Calloni.

Ao calor de um bom café no Centro Cultural de Cooperação Floreal Gorini, em plena Avenida Corrientes, a investigadora nos fez uma conscientizada análise da realidade latino-americana e a ingerência estadunidense.

Stella Calloni
Calloni é uma experimentada jornalista, escritora e poetisa. Foi correspondente de guerra na América Central e se especializou em política internacional. Em sua vasta obra publicada se incluem crônicas, ensaios e livros, entre outros: “Torrijos e o Canal de Panamá” (1975); “La guerra encoberta contra Contadora” (1993); “Nicarágua: o terceiro dia” (1986); “Panamá, pequena Hiroshima” (1992); “Os anos do lobo: Operação Condor” (1999); “Operação Condor, pacto criminal” (2001); “Argentina: da crise a resistência” (2002); “A invasão do Iraque, guerra imperial e resistência” (2002); “América Latina século XXI” (2004); “Evo na mira. CIA y DEA na Bolívia” (2009).

Atualmente é correspondente do Cone Sul para o diário La Jornada do México e desenvolve carreira como docente universitária. Entre as múltiplas distinções que tem recebido, se destacam o Prêmio Latino-Americano José Martí (1986); Prêmio Madres de Plaza de Mayo (1998); Prêmio Margarita Ponce Derechos Humanos de la Unión de Mujeres Argentinas e Prêmio Latino-Americano de Periodismo Samuel Chavkin, da revista Nacla Report of the Americas de Nueva York, ambos em 2001; ademais o Premio Escuela de Comunicaciones da Universidad de la Plata, Argentina (2002).

Em função jornalística tem percorrido praticamente toda a América Latina, assim como vários países da Europa e África, motivo pelo qual suas análises são feitas a partir do contato com a realidade. É conferencista internacional sobre temas de geopolítica latino-americana e direitos humanos.

A INVASÃO SILENCIOSA DOS ESTADOS UNIDOS NA AMÉRICA LATINA

- Você considera que se tem reconfigurado de uma maneira mais sutil a ingerência dos Estados Unidos, ou segue mantendo a mesma estratégia dos finais do século XX para dominar os povos?

- Sim. Em todos os seus documentos de política exterior eles começaram a considerar que deveria estar presente a Doutrina Monroe (“América para os americanos”), o que equivale assinalar que ela segue como base de muitas coisas que fazem, com algo muito mais grave e que agora se tem transformado em “o mundo para os americanos”. Tudo isso, mais a reconfiguração que tem lugar depois do atentado às Torres Gêmeas, que é um fato que não sabemos ainda quem o fez, porque poderão dizer o que digam, porém não prova de nenhuma espécie, é como se você me dissesse que alguém me pode dar uma prova de que a pessoa que mataram no Paquistão era Bin Laden. Não há provas, não existem e o que diga os Estados Unidos para mim não tem nenhuma veracidade porque tem mentido eternamente.

Depois de se configurar essa doutrina de segurança hemisférica, também começa a nova doutrina de guerra preventiva, de guerra sem fronteiras e sem limites, desconhecendo as soberanias nacionais, ao mesmo tempo em que colocam em marcha outra vertente de trabalho que é sutil: o envio de todas essas fundações que nasceram durante o esplendor conservador de Reagan para evitar a presença direta da CIA, sobretudo depois de 1975, quando se formou a Comissão Church no Senado estadunidense que investigou o papel desta agência de inteligência no golpe de Estado no Chile, motivando que se renovasse nos anos 80 a estratégia de conflitos e de guerra de baixa intensidade que tem como base o que é a contra-insurgência que na linguagem norte-americana é a permissão aberta para todo tipo de ilegalidade no plano militar, político, cultural, social, econômico, etc..

Quando já se recicla para o período dos anos 90, se formam NED, a National Endowment for Democracy, fundação para a democracia, porém, deveríamos perguntar que tipo de democracia; a USAID, a agência internacional para o desenvolvimento que nunca teve esse papel, senão que todos sabem que onde se encontre este organismo há uma interferência direta dos Estados Unidos e a CIA está atrás. Com isto lograram a invasão silenciosa da América Latina. Eu pude verificá-lo diretamente no próprio terreno, na Bolívia, e observei como trabalham estas fundações que por sua vez criam ONGS que cumprem um papel chave no que é a guerra de baixa intensidade; quer dizer, desestabilização de governos, intromissão em lugares, trabalho com grupos indígenas como no caso boliviano no qual têm buscado um líder indígena para fazer figura com o propósito de substituir Evo Morales. Desafortunadamente os governos são muito débeis na América Latina e não têm suficiente clareza no sentido de que há de deter este intervencionismo que podem levar a situações muito complicadas. De fato, no golpe de Estado na Venezuela estavam a NED, a USAID e outras fundações inclusive social-democráticas da Europa que ficaram metidas dentro do esquema internacional da CIA.

A ULTRA-DIREITA MILITAR LATINO-AMERICANA

- E no golpe de Estado em Honduras contra o presidente José Manuel Zelaya?

- Em Honduras também e neste país centro-americano interveio ademais uma fundação que se chama UNO-AMÉRICA, sobre a qual a Colômbia tem que ter muito cuidado e colocar os olhos sobre suas atuações. Esta é uma fundação que nasceu na Colômbia com um grupo de militares da ultra-direita e com vários dos ex-militares de todas as ditaduras da América Latina.

- E qual é o propósito?

- O propósito é praticamente executar a Operação Condor levada a outro plano. Ainda que a Operação Condor não se possa repetir como tal, naquilo que coincide, a Uno-América pratica um trabalho supranacional para poder se mover sem nenhum limite nos distintos países. Estes militares de ultra-direita sustentam o mesmo pensamento da época do Plano Condor no sentido de que, assim como o Cone Sul tinha que combater a coordenadora guerrilheira que se tinha integrado nos anos 70, agora tem que enfrentar tanto os governos de esquerda que pertencem ao Foro de São Paulo, como a UNASUL, a qual consideram igualmente uma organização supranacional e, portanto, eles devem atuar para evitar o comunismo, porque falam do comunismo como se fosse a Guerra Fria. E por isso tem contratado o pior que encontram de militares envolvidos nas ditaduras latino-americanas e realizam um trabalho especial dentro dos grupos de segurança dos exércitos e das polícias, reciclando o discurso anticomunista do passado. Fazem um trabalho de escavação nas Forças Militares da região porque têm suas velhas conexões e por isso jogaram um papel determinante no golpe de Estado em Honduras. Alejando Peña Esclusa que hoje está detido na Venezuela e que é o presidente da Uno-América, foi condecorado por Roberto Micheletti por sua colaboração para dar o golpe. Uno América provêem mercenários, faz contra-insurgência para as necessidades da CIA, move-se por toda a América latina, vários de seus integrantes estiveram na Bolívia metidos no golpe de Estado que se quis dar em Evo Morales e, sobretudo, na tentativa de assassiná-lo.

- Conhecendo a máscara de um presidente colombiano como o tão questionado Álvaro Uribe Vélez, que papel ele joga na Uno América de acordo com suas investigações?

-Vários daqueles militares que fazem parte da Uno América, segundo os registros que tenho, apóiam aos grupos paramilitares na Colômbia e são muito próximos de Uribe. Na Argentina temos a lista dos vinculados com essa fundação, a qual é encabeçada pelo coronel do grupo de caras-pintadas, Jorge Mones Ruiz, assim como há militares da ultra-direita boliviana, uruguaia, eles buscaram os remanescentes das velhas ditaduras latino-americanas e se apóiam politicamente nos grupos ultra-direitistas da região.

- Geopoliticamente falando, nas atuais circunstâncias, quais são os aliados mais importantes dos Estados Unidos na América Latina?

- Geopoliticamente enquanto ocorre a invasão silenciosa, estão enviando tropas e porta-aviões dos Estados Unidos na região que obviamente é a Colômbia com todas suas bases militares e suas estruturas, ademais, o golpe em Honduras conservou a base de Palmerola e as novas, como a base de Gracia de Dios que lhes permite controlar a Nicarágua.

- Segundo suas investigações, estas bases militares estão operando na prática?

-Aqui na Argentina existe o convencimento de que na Colômbia estão operando as sete bases que no governo de Uribe Vélez foi entregue ao Comando Sul dos Estados Unidos. Sem dúvida, a Corte Constitucional proibiu a utilização dessas bases.

Na realidade estão ai. É algo muito similar com o que ocorre com a base Mariscal Estigarribia do Paraguai, ou a base de Palmerola em Honduras. Ali o que há são pistas nas quais podem aterrizar aviões grandes como tem feito na Colômbia. Essas bases não estão ocupadas permanentemente por soldados norte-americanos porque eles nunca permanecem em lugares fechados. Agora, os Estados Unidos não necessitam enviar soldados para colocar a funcionar as bases militares, senão que as têm a sua inteira disposição. Obviamente têm tudo preparado se acaso necessitem enviar tropas. Ou como ocorria na Bolívia, onde colocavam uma estrutura do DEA dentro de uma base, que utilizaram quando quiseram matar Evo Morales na época em que era deputado. Algo assim esta ocorrendo na Colômbia.

JUAN MANUEL SANTOS E SUA RELAÇÃO COM O MOSSAD

- Na Colômbia também operam o Mossad (agência de segurança israelense) e o M16 (serviço de inteligência inglês). Operam também em outros países latino-americanos?

- O Mossad está no Paraguai, Bolívia, Venezuela e Guatemala. Na Venezuela sua presença é muito forte e na Colômbia opera há muitos anos, inclusive antes da chegada de seu agente Yair Klein que treinava e trazia da Jamaica armas para os grupos paramilitares. O problema é que o Mossad hoje em dia tem mais força que a CIA, vários de seus membros se infiltraram nas comunidades judaicas dos países latino-americanos, porém e ademais, estão presentes no Iraque e na Líbia. Nas tarefas e na direção de todas as mobilizações de guerra suja, o Mossad é a chave. No caso colombiano, o presidente Santos é filho do Mossad e ele não pode se separar de Israel. Não se pode esquecer o papel que jogou Santos no ataque a Raúl Reyes. Recordo o sorriso de hiena de Santos quando mataram esse chefe guerrilheiro. Eu não acredito que Santos queira a paz na Colômbia como Israel tampouco quer, o que ele deseja unicamente é como exterminar um grupo político- militar insurgente.

- E no México, cuja situação social é muito explosiva?

- Nesta ocupação geopolítica com o Plano Colômbia que é um plano de recolonização do continente, se passou ao Plano Mérida do México. Este plano é uma cópia do Plano Colômbia e de fato em seis anos o México caiu em uma violência atroz. Nesse lapso temos o mesmo número de mortos que na Colômbia e a isso há de adicionar a destruição do campo mexicano e da cultura profunda dos povos com o Tratado de Livre Comércio que tem com os Estados Unidos e o Canadá (ALCA).

DESINFORMAÇÃO, ARMA DE GUERRA

- Falemos de outro aspecto fundamental contra-insurgente aos povos que é a guerra mediática...

- A guerra mediática é parte do projeto contra-insurgente. A desinformação é uma arma de guerra hoje, utiliza-se para armar um projeto de guerra como ocorreu no Iraque com a invenção das armas de destruição em massa, ou com o que ocorreu na Líbia, onde nunca houve um bombardeio de Kadafi contra a população civil, o qual está totalmente provado. Para controlar o mundo, necessitam controlar a informação.

- Você tem denunciado o aproveitamento das máfias durante a etapa de esplendor do neoliberalismo...

- Um dos aspectos que temos que identificar neste período histórico é a presença mafiosa nos governos. Os Estados Unidos estão sob o poder das máfias, sempre as tem usado para seus jogos. Necessitam da máfia, o esquema não pode sobreviver sem elas. Quem recebe a droga nos Estados Unidos? Onde se recebe? Resulta que vêm matar no México, porém, por que não se dedicam a pescar do outro lado a quem recebe a droga? Por que os aviões carregados de drogas chegavam às bases do Comando Sul na Flórida? E não era Manuel Antonio Noriega quem a enviava, porque ele não tinha nenhuma capacidade de operar no Comando Sul. Mentiram de uma forma descarada na invasão do Panamá e me dei conta de tudo o que montaram porque eu estava ali. O gênesis de todas as intervenções tem uma mentira atrás e um aparato de desinformação, que agora resulta mais fácil porque controlam tudo.

A LIDERANÇA DE CHÁVEZ

- Embora exista uma matriz de manipulação midiática, boa parte das pessoas na América Latina já não acredita, e isso se observa em países como a Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, Uruguai... Não o vê assim?

- O que ocorre é que não entenderam que o processo neoliberal traria uma realidade social terrível e as pessoas começaram a ter um olhar distinto. Isso ocorreu nos países como a Venezuela com Chávez, cujo povo passou a ser pensante e consciente.

- Falando da Venezuela, você esteve recentemente em Caracas. Como está a liderança de Chávez, tem possibilidade de reeleger-se em outubro de 2012?

- Sim, sim, tem possibilidade de se reeleger, inclusive tem aumentado os índices de popularidade e de apoio a seu governo. Vejo que há uma grande consciência das pessoas a respeito dos alcances positivos do processo político que lidera Chávez. As coisas e os grandes avanços que se tem feito na Venezuela não são difundidos, porém há uma recuperação do sentido de pátria, de defesa, de dignidade, e a enfermidade de Chávez produziu uma urgência nas bases para solidificar a unidade e a organização.

- Processos integracionistas que estão ocorrendo na América Latina como a Unasul e a Celac constituem uma pedra no sapato para Washington?

- Sim, qualquer coisa que seja unidade e integração é uma pedra no sapato. A unidade africana e a intenção que tinha Kadafi de concretizar uma moeda comum na África molestaram os Estados Unidos. São coisas que não podem aceitar. Agora tem uma América Latina com uns países com modelos distintos.

A princípio não lhe davam importância porque sempre os Estados Unidos conseguia interferir, por exemplo, nos processos como o MERCOSUL, porém agora o assunto é a outro preço e no caso de Chávez tem uma presença histórica porque tem sido a cabeça para produzir uma federação distinta.

Esta nova integração política e comercial dos países da América Latina é algo terrível para os Estados Unidos e, sobretudo os fatos que vão produzindo presidentes como Hugo Chávez e Evo Morales. No caso da Bolívia, Morales excluiu a CIA e o DEA. Desde que o DEA saiu da Bolívia, e isto para os colombianos é essencial, o país deixou de ter uma violência de pico que tinha antes, deixou de morrer pessoas pela suposta guerra contra o narcotráfico.

A embaixada norte-americana contava com um escritório na casa do governo junto ao escritório do presidente da Bolívia. Quando Evo Morales subiu ao poder indagou sobre uma porta fechada junto ao seu gabinete que conduzia aos escritórios do DEA e da CIA. Para que nos conscientizemos até onde chegou a ingerência norte-americana sem que os países da América Latina soubessem.

O BLOQUEIO A CUBA, DELITO DE LESA HUMANIDAD

- Falemos de Cuba. Hoje a revolução cubana não é nenhuma ameaça para os Estados Unidos. Sem embargo, em pleno século XXI, como se explica que Washington siga mantendo o bloqueio econômico à ilha? Não é acaso um delito de lesa humanidade?

- Claro, é um delito de lesa humanidade. Ademais, tudo o que tem produzido o bloqueio, o que tem causado as agressões como a guerra química e biológica contra Cuba, o número de doentes, o número de mortos pela dengue hemorrágica, mais a invasão da Baía dos Porcos, está reconhecido pelo próprio Congresso dos Estados Unidos. E Cuba segue sendo um exemplo de como poder resistir a noventa milhas de império para manter uma revolução que não quer sair do socialismo. Em contraste, os Estados Unidos ficaram nas mãos de uma máfia que eles mesmos criaram. Uma máfia cubana que inclui senadores, representantes, governadores, prefeitos, todos com um passado espantoso e com relações profundas com o narcotráfico. Tentam destruir Cuba por todos os meios, tem acirrado o bloqueio, inclusive mais forte, porém não têm podido asfixiá-la e não creio que o consigam.

AMÉRICA LATINA E SEU MELHOR MOMENTO HISTÓRICO

- Com exceção de países como o México, a Colômbia e o Chile, algumas nações centro-americanas, a América Latina está passado por um bom momento histórico. Não acredita?

- A América Latina está passando por seu melhor momento historicamente, antes de tudo tem conseguido se salvar da crise econômica e mostrar diante do mundo que o remédio que estão utilizando na Europa não serviu para nada aqui, podemos dizer que estamos na vanguarda da resistência, com lideranças como as de Chávez e Kirchner, Evo e Correa, que nasceram dentro do jogo eleitoral que os Estados Unidos impunham como salvação. Quantas tropas vão necessitar para poder controlar o mundo? O certo é que os Estados Unidos estão no caminho da ruína. E em relação à América Latina há que dizer que nossos governos não podem mostrar nem o mínimo de debilidade, porque qualquer rachadura de debilidade é motivo para que se intrometa esse poder imperial, temos tudo para evitá-lo e uma mostra disso é no que aconteceu com a OEA que já não tem voz, está falando como um afônico porque a Unasul a substituiu e isso ainda não é um aparato sólido.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Entrevista com o Presidente Mahmud Ahmadinejad do Irã (texto e vídeo em espanhol)


Presidente Mahmud Ahmadinejad e o entrevistador Walter Martínez 

El periodista venezolano Walter Martínez, presentador del programa de la televisión venezolana “Dossier”, entrevistó este pasado lunes en Teherán a Mahmud Ahmadineyad, Presidente de la República Islámica de Irán.
A continuación la nota de prensa de VTV y el vídeo de la entrevista.

El presidente de la República Islámica de Irán, Mahmud Ahmadineyad, expresó este lunes que el sistema capitalista está en su último momento de vida, ya que el mundo necesita un nuevo pensamiento en el que sí tenga libertad y justicia.

“El mundo está muy claro en que necesita otro orden”, resaltó el mandatario iraní al ser entrevistado por el periodista venezolano Walter Martínez, en un programa especial de su espacio Dossier, transmitido en vivo, desde Teherán, por Venezolana de Televisión (VTV).

Señaló que el capitalismo está en contra de la humanidad “porque está en contra de la libertad verdadera” y manifestó que el presidente norteamericano, Barack Obama, “está rodeado por los sionistas del mundo, y su vida está basada en la guerra, la matanza y el asesinato”.

Los temas tratados fueron los siguientes: (adjunto enlaces que pueden resultar de interés)

 



Sobre la entrevista y en términos periodísticos, no hay punto de comparación entre esta y la más que lamentable que hiciera la periodista española Ana Pastor.

La periodista de RTVE entre otras cuestiones tuvo la osadía de pretender convercerle de su opinión personal, que en línea con el colonialismo más agresivo buscaba la aprobación por parte de Irán de las políticas militaristas occidentales. También trató de establecer un paralelismo entre los dictadores del Norte de África y el, por más que a algunos disguste, electo y legítimo gobierno de Irán. Quien tenga interés puede ver la entrevista entera de Ana Pastor a Mahmud Ahmadineyad.

Extraído do sítio Videoteca Alternativa 
Enviado por Vera Vassouras

domingo, 16 de outubro de 2011

Eleições na Bolívia... No Poder Judiciário! Uma lição para o Brasil

5,2 milhões de bolivianos vão às urnas por uma RADICAL REFORMA DO JUDICIÁRIO (em 26 de outubro de 2011)

Data de publicação: 16/10/11

La Paz, Bolívia,16 out - Pelo menos 5,2 milhões bolivianos elegerão nas urnas no domingo - 26 de outubro de 2011 - juízes, desembargadores, conselheiros e seus suplentes em igual número numa eleição para a reforma completa do sistema judiciário do país andino/amazônico, imerso em uma luta política surda entre governo e oposição.

Cento e quinze bacharéis em direito pugnarão por mandatos vigentes por dez anos através de eleitores inscritos pelo padrão biométrico boliviano (impressões digitais, leitura de íris, etc.) de altíssima confiabilidade e certificado pela maioria da comunidade internacional presente.

O Tribunal Superior Eleitoral administrará esta eleição atípica em toda a história da América Latina, cuja etapa de escrutínio se mostra bastante complexa.

Pouco mais da metade da população total da Bolívia votará em mais de 22.000 sessões eleitorais que serão controladas por policiais em número equivalente.

Pelo menos 143.000 mesários administrarão esta inédita eleição no judiciário.

Um exército de 200 observadores das Nações Unidas, da OEA, da União Sulamericana de Nações e do Parlamento Latino- Americano, entre outras entidades internacionais, que disponibilizaram para a Bolívia estes observadores que controlarão a transparência deste polarizado processo entre os que o consideram legítimo e ilegítimo.

Será a primeira vez que os bolivianos elegerão o nove ministros doTribunal Superior Eleitoral e seus suplentes. Elegerão também sete juízes e sete suplentes do Tribunal Agroambiental e cinco membros titulares e respectivos suplentes no Conselho da Magistratura.

O mesmo para os sete Ministros e sete suplentes do Tribunal Constitucional.

Terá maior peso eleitoral o Departamento de La Paz (1,5 milhões de eleitores) bastião eleitoral do Presidente Evo Morales, seguido de perto pelo Depto. de Santa Cruz (1,3 milhões de eleitores) onde se localizam os grupos econômicos opostos ao governante indígena de esquerda.

Será a primeira vez na história da Bolívia que todas as autoridades judiciárias serão eleitas por voto popular e com mandato previsto na Constituição de 2009

O princípio básico desta eleição é a reforma total de um Poder Judiciário apodrecido por décadas de corrupção, antítese do que está prestes a se estabelecer.

Apesar de não se tratar de uma eleição convencional, pois os candidatos foram escolhidos pela Assembleia Legislativa Plurinacional, de maioria governamental, a política partidária infiltrou-se no processo eleitoral.

Desobedecendo a prescrição constitucional que proíbe a propaganda por meio dos instrumentos de comunicação de massa e mesmo por comunicação social de baixa penetração, a oposição promoveu intensa campanha pelo voto nulo, enquanto o governo central do Presidente Evo Morales enfocou o incentivo ao voto e à participação cidadã.

A campanha pelo voto nulo ou pelo “NÃO” à eleição, com que se pretende mostrar que a nova correlação de forças políticas no país, que viu vencedor o presidente Evo Morales nas 5 últimas eleições e referendos, se registrava nas ruas, avenidas e com a insuspeitada força das redes sociais pela internet.

Sobre esse assunto especula-se via pesquisas eleitorais e imprensa de mercado que estarão agindo logo nas primeiras horas de contagem dos votos.

O TSE informou que os resultados eleitorais poderão demorar alguns dias antes de serem confirmados.

O oposição, estará representada pelo ex prefeito de La Paz, Juan del Granado, pelo empresário Samuel Doria Medina, chefes de alas minoritárias do legislativo e o ex militar e principal líder da oposição, Manfred Reyes Villa, processado por corrupção e auto exilado nos EUA; além, é claro, do conservador governador de Santa Cruz, Rubén Costas que acusa Morales de tentar controlar o Judiciário em um país em que este Poder sempre foi apêndice do Poder Executivo.

Morales confirmou que não conhece pessoalmente não mais que três dos 115 candidatos e que sua intenção primeira é a reforma do Judiciário boliviano, sempre rigoroso e leonino com os pobres e condescendente com os ricos.

O Vice-Presidente Álvaro Garcia Linera, definiu esta eleicão no Judiciário como prova inconteste para a democracia boliviana após bisonhos 26 anos.

“Amanhã (domingo) o povo da Bolívia participará de um ato democrático e inédito, que é uma nova etapa, um novo patamar da construção democrática do Estado boliviano, que jamais foi praticado em qualquer outro país”, afirmou Linera.

O ex presidente do Panamá, Martin Torrijos, Chefe da Missão de observadores da OEA, qualificou estas eleições judiciárias bolivianas como “Precesso Único”

Desde sua chegada a La Paz, e após reunião com membros do Tribunal Superior Eleitoral, Torrijos considerou que a votação de domingo próximo(26/10/2011) marcarão um “Processo Único no continente americano”.

Enviado por Vera Vassouras

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cezar, o Peluso – um Czar no STF?


O Presidente do STF - Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, propôs uma Emenda Constitucional, a PEC dos Recursos, e a defendeu na CCJ - Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

No Portal do STF e em outros sites foi publicado artigo do Ministro, “Em defesa de uma Justiça eficiente”.

“Minha proposta de emenda constitucional conhecida como PEC dos Recursos ataca frontalmente dois dos mais graves, se não os dois mais graves problemas do sistema judicial brasileiro: a lentidão dos processos e a impunidade. Para tanto, altera a Constituição para acabar com a chamada “indústria dos recursos”, em que manobras protelatórias retardam o andamento dos processos e impedem a execução das sentenças judiciais”. (Cézar Peluso)

O ato consiste na intenção.
(Maomé, o profeta do Islã)

A hipocrisia é a homenagem que o vício rende à virtude.
(La Rochefoucauld)

Eficiência é indústria, produção, mercado. E judi(ci)ÁRIO não é JUSTIÇA e JUSTIÇA não é judi(ci)ÁRIO. A Justiça é divina, o sistema é, antes de tudo, injusto, desde as origens. Portanto, demoníaco.

Um ministro confessa um delito. Um ministro usurpa a competência legislativa do Congresso Nacional. Um ministro, após recente visita ao país dos trogloditas, publica: NÃO CONHEÇO A CONSTITUIÇÃO, DESCONHEÇO A LEI, ou, como afirmou (perguntou?) um parlamentar (Washington Plunkitt de Nova York): “O que é uma constituição entre amigos?”

A proposta (PEC) do Presidente do STF já é em si mesma nula. Judi(ci)ÁRIO não faz leis. Deve cumpri-las. E ponto.

O artigo sexto da Constituição informa sobre a competência para a apresentação de emendas. Essa competência não é do judi(ci)ário, tampouco de um de seus membros isoladamente. Admitir isso é admitir a usurpação do poder judicial sobre os outros poderes, agora, não mais através de retalhos de interpretações, senão através de legislação. Pior, sem a característica do segredo, em linguagem vulgar, contraditória e limitada.

O artigo 62, por sua vez, informa que questões processuais NÃO PODEM SER OBJETO DE EMENDAS, o que é lógico. Ora, processo é movimento, instrumento da lei. E a lei é feita pelo Congresso, por iniciativa da Presidência da República ou do povo, que ainda desconhece esse direito.

Poderão dizer que um senador ou um parlamentar assinará a PEC como se dele fosse, do tipo Sarney, que assina tudo o que o Judiciário envia. Isso é estelionato contra a República, contra a democracia e contra dois poderes (legislativo e executivo).

Colocar pessoas que façam valer a lei com o propósito de que não faça valer é algo muito atrativo para os políticos. (Alex Rose)

“Em termos simples, o projeto estabelece o final do processo após duas decisões judiciais. O Brasil é o único país do mundo em que um processo pode percorrer quatro graus de jurisdição: juiz, tribunal local ou regional, tribunal superior e Supremo Tribunal Federal (STF). O sistema atual produz intoleráveis problemas, como a “eternização” dos processos, a sobrecarga do Judiciário e a morosidade da Justiça.
Pela PEC dos Recursos, os processos terminarão depois do julgamento do juiz de primeiro grau e do tribunal competente. Recursos às cortes superiores não impedirão a execução imediata das decisões dos tribunais estaduais e regionais. Tais decisões, aliás, em geral são mantidas pelas cortes superiores. Em 2010, por exemplo, o STF modificou as decisões dos tribunais inferiores em apenas 5% dos recursos que aprecio”.

A verdade é que os processos de execução, aliás, os mais significativos, pois se referem à honra, à dignidade e ao patrimônio dos “condenados”, já são executados sem delongas, seja a sentença ilegal, abusiva ou nula. Sejam quais forem os crimes cometidos pelo magistrado prolator da sentença, esta tem validade imediata em execução. A vítima que fabrique dinheiro, transforme-se em mendigo ou morra após as consequências inevitáveis do trauma biológico, psicológico e social.

Bastaria, no entanto, que o recorrente fosse multado exemplarmente, todavia, em contrapartida, os juízes deveriam pagar, com a agravante de servidor público, de seus próprios bolsos, todos os danos que acarretaram por negligências, preferências, apadrinhamentos, ignorância jurídica, enfim. Nenhum processo se eternizaria e, aliás, quanto à eternização de processos, o STF é o maior procrastinador de assuntos de interesse do povo e do país. Por exemplo: sem competência, traveste-se de carrasco e executor, sequestra indivíduos e senta-se sobre as chaves da cadeia, enquanto produz habeas corpus imediatos aos criminosos que atuam contra o Estado.


“Os recursos continuarão existindo como hoje, e, em especial, o habeas corpus, remédio tradicional contra processos e prisões ilegais. Quem tiver certeza de seu direito continuará a recorrer aos tribunais superiores. Os recursos, no entanto, já não poderão ser usados para travar o bom andamento das ações judiciais. Aqueles que lucram com a lentidão da Justiça perderão um importante instrumento que agora atua em favor da impunidade e contra o bom funcionamento do sistema judicial”.

Ora, qualquer advogado de “porta-de-cadeia” sabe que não existe habeas corpus para os pobres, somente para os grandes malfeitores. O STF é o maior exemplo disso. É falácia a afirmação de que os recursos causam lentidão. O que causa lentidão é a preguiça. É o horário de trabalho dos magistrados. Quanto mais alto, menos horas. Poderia expor um milhar de exemplos. Se o advogado recorre por meio de mentiras, há legislação suficiente para não só impedi-lo e, quando a legislação não existe, criam-se justificativas ilógicas. Há legislação suficiente para que os magistrados paguem por seus erros, afinal, ninguém em seu juízo perfeito recorre de uma sentença bem fundamentada. Mas, não é o próprio STF que afirma através de suas decisões que as sentenças “não precisam ser fundamentadas”? Não são os tribunais superiores os primeiros a fomentar confusões interpretativas e esquizofrênicas?

Cada “caso-negócio”, uma interpretação. Quem cria conflitos, os advogados? O povo? E quem, afinal, manteve e mantém “fichas sujas” nos parlamentos e executivos? Não é a impunidade e, que se esclareça de uma vez por todas: IMPUNIDADE SIGNIFICA QUE O JUDICIÁRIO É CO-AUTOR dos delitos. E prêmio que o Judiciário oferece? Troca “entre amigos”. Ou há outra organização secreta que determina quem pode e deve ser punido?

E por falar em impunidade, enquanto juízes absolutamente ignorantes da lei, da civilização e da moralidade destroem pessoas, famílias e, em consequência, a nação com suas sentenças, o infeliz recorre, já sabendo o que o espera, exceto... Se algum dia os tribunais chamados superiores modificarem a sentença em favor de seus descendentes, quem pagará o crime processual? O Estado, portanto, o povo? Através do quê? Precatórios? Precatórios? Só os amigos recebem. E rápido. Um roubo institucionalizado. Um “trabalho sujo”.

“A imprensa tem realçado o caso de um assassino confesso que, mediante uso de uma série infindável de recursos (mais de 20), retardou sua prisão por onze anos. Se a PEC dos Recursos já estivesse em vigor, esse réu estaria cumprindo sua pena há mais de cinco anos”.

Falácia. A imprensa também tem arquivos afirmando o quanto e como o Judiciário beneficia seus iguais no momento de processá-los. Não há normas que impedem o processamento dos recursos? Por que não são aplicadas igualmente entre todos os brasileiros? Se um processo de execução que atinge o patrimônio do indivíduo tem eficácia imediata, por que os traficantes, as quadrilhas institucionalizadas ou não, os executores de ordens de assassinatos têm direito de "responder em liberdade"? Pior, serem tolerados nos serviços públicos e beneficiados com soldos às custas da miséria da população?

“O projeto não interfere em nenhum dos direitos garantidos pela Constituição, como as liberdades individuais, o devido processo legal, a ampla defesa, o tratamento digno do réu. O que se veda é apenas a possibilidade da utilização dos recursos para perpetuar processos e evitar o cumprimento das decisões”.

O projeto corrompe a Constituição e fere a competência republicana. O Dr. Peluso não é o povo, nem o Congresso, nem a Presidência da República. Aliás, retirando-lhe a toga, quem é o Dr. Peluso? É melhor atentar, quem isso ler. A questão é séria. Seria conveniente lembrar que retornou (o Dr. Peluso) dos EUA após reunir-se com os bárbaros criadores do Patriotic Act, membros da Ku Klux Klan, do Skull and Bonnes, das Maçonarias corrompidas, do rosacrucianismo falsificado e do arianismo fanático.

“Com a PEC dos Recursos, as ações serão mais rápidas, e o sistema judiciário terá uma carga muito menor de processos. Além de combater a morosidade dos processos da minoria da população que busca o Judiciário para a solução de conflitos, a medida contribuirá também para ampliar o acesso à Justiça por parte da grande maioria da população, que hoje não recorre ao sistema judiciário porque sabe que a causa pode arrastar-se por anos”.


Não, a “grande maioria da população” não busca o Judiciário porque o Judiciário está a serviço dos ricos (as minorias que pagam a procrastinação e as altas custas pelo serviço prestado), dos criminosos das finanças (também minorias, ínfimas, porém muito atuantes), da parentela (minorias que se expandem em todas as direções) e da degeneração do conceito de justiça.

“Uma Justiça rápida e eficiente é do interesse de toda a sociedade. O Direito deve ser um instrumento eficaz de pacificação dos conflitos. Processos excessivamente longos criam insegurança jurídica. Por acelerar os feitos judiciais, a PEC dos Recursos aumenta a segurança jurídica e fortalece a Justiça, um dos mais essenciais dos serviços públicos”.

Novas falácias, palavras sem conteúdo. A realidade é que a lei, chamada direito, foi e é, desde as origens, instrumento de acirramento dos conflitos, pois, sem conflitos, para que judi(ici)ÁRIO, advogados, palácios, penitenciárias e igrejas? Não são os evangélicos, tão festejados pelo Judiciário, que clamam pela justiça divina na ausência da terrestre, dentre lobos e psicopatas? E não é o maior cinismo um país possuir uma bancada religiosa após mais de dois séculos das barricadas históricas? E a ausência de competência constitucional para comandar o processo eleitoral?

Vamos pacificar a sociedade? Então façamos um exame nacional apenas e tão somente sobre os escombros da Constituição de 1988 a todos os magistrados, incluindo-se os Ministros do Supremo. Que surpresa! Poucos serão aprovados. Assim como na administração pública, as decisões vêm por malote. Algumas em inglês, outras em francês, outras em alemão, italiano. Enquanto isso... as chamadas “elites bárbaras” vão se recompondo.

“A proposta atende também aos interesses dos profissionais do Direito. A medida reforça a responsabilidade dos juízes e dos tribunais locais e regionais, que terão seu desempenho avaliado mais de perto pela sociedade. Também interessa à grande maioria dos advogados, que vive da solução de litígios e não se vale de manobras protelatórias junto a tribunais superiores.

A Constituição brasileira assegura a todos a razoável duração e a celeridade da tramitação dos processos. A morosidade corrói a credibilidade da Justiça, favorece a impunidade e alimenta o descrédito no Estado de direito e na democracia. É disso que trata o debate sobre a PEC dos Recursos.

A quem pode interessar a lentidão do sistema judicial?

Cezar Peluso”

Respondo: ao sistema, ora. Se um juiz trabalha rápido, é perseguido. Se não diminuir o ritmo, arranjam-lhe um processo. Se um juiz traz consigo princípios oriundos da família e aplica tais princípios no trabalho, é obrigado a fazer exames psiquiátricos.

O Ministro poderia informar por que alguns processos têm duas tramitações por ano, às vezes nenhuma durante anos, e outros conseguem tramitar quatro vezes num único dia? Culpa dos recursos, antes das sentenças?

A “ordem” é: procrastinem, persigam, enganem, burlem, façam de conta, ameacem, multem, não leiam. Em outras palavras: no judi(ci)ÁRIO o código prático de conduta é: matar, lentamente, len-ta-men-te, em nome da lei, uma mística, uma lenda, um mecanismo de controle e de subornos.


Agora, buscando um prestígio que jamais terá, o presidente do STF, sem nenhuma competência legislativa, afirma, cinicamente, que está preocupado com pacificação e credibilidade, usurpando poder constitucional, assim, publicamente. Sem pudor.

Finalmente:

Estes argumentos podem parecer inúteis do ponto de vista prático, todavia, apresentar um artigo tão cínico e hipócrita é prova de que o STF está fazendo uma pesquisa na sociedade para ver até que ponto há consciência constitucional e moral no país e, a partir dos “comentários e discussões virtuais”, decidir os próximos passos para o acirramento do despotismo, por meio da tomada nada sutil do poder de legislar, cuja prática já é histórica nas Corregedorias dos Estados.

Afinal, sem judi(ci)ÁRIO não haveria injustiça institucionalizada contra os pobres e, em especial, contra os sapiens. Sem judi(ci)ÁRIO não existiriam elites de criminosos, tampouco elites, afinal, todos seriam “iguais perante a lei”, já que existencialmente, excetuando-se a sociopatologia do poder, os humanos não têm diferenças nem no nascimento, nem na morte, e não seria a lei, ora a lei, que inventaria tais diferenciações.

E a afirmativa acima não tem origem nas fantasmagorias aristotélicas, tampouco na barbárie romana, que tem César (este com s) como o deus de suas guerras santificadas na jus (lei) como arma imperial. Herança americana e européia contra as civilizações e a humanização da espécie.

Se o presidente do STF, sem competência constitucional, pode apresentar uma emenda, solitariamente, devido ao seu séquito, eu também quero apresentar uma emenda constitucional para que um “eleito pelo judi(ci)ÁRIO” assine. São apenas três artigos:

Considerando-se que o princípio democrático afirma que “todo o poder emana do povo”:

Artigo 1° - Os juízes de todas as instâncias passarão a ser eleitos pelo povo.

Artigo 2° - Todo juiz, de qualquer instância, que julgar contra a lei, do ponto de vista gramatical, finalístico ou a lógica do princípio legal, será sancionado com a perda da função e com afastamento imediato do cargo, devendo indenizar a vítima ou as vítimas de seu ato, transferindo-se a obrigação aos seus herdeiros e sucessores.

Artigo 3° - O processo terá o prazo de 30 dias para finalização e será executado imediatamente, SEM DIREITO A RECURSO.

_______________

“A PEC DO PELUSO

Art. 105-A - A admissibilidade do recurso extraordinário e do recurso especial não obsta o trânsito em julgado da decisão que os comporte.
Parágrafo único. A nenhum título será concedido efeito suspensivo aos recursos, podendo o Relator, se for o caso, pedir preferência no julgamento.

Art. 105-B - Cabe recurso ordinário, com efeito devolutivo e suspensivo, no prazo de quinze (15) dias, da decisão que, com ou sem julgamento de mérito, extinga processo de competência originária:

I – de Tribunal local, para o Tribunal Superior competente;
II - de Tribunal Superior, para o Supremo Tribunal Federal”.

Artigos da CONSTITUIÇÃO DESCONHECIDA de Cezar Peluso

Art. 60 - A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I – relativa a:
b) direito penal, processual penal e processual civil;”

A fada da Constituição
E, assim, vão sendo dissipadas as “trevas da ignorância".

Quem tenha olhos, que veja, quem tenha ouvidos, que escute!


A autora desta análise é a Professora Vera Lúcia Conceição Vassouras, Advogada, Mestra em Filosofia do Direito pela Universidade de São Paulo (USP), professora universitária, tradutora, escritora, autora do livro O mito da igualdade jurídica no Brasil - Notas críticas sobre a igualdade formal