segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mexida no tabuleiro internacional


Publicado em 27/02/2011 por Mário Augusto Jakobskind

O foco agora é a Líbia, governada por quase 42 anos por Muammar Kadafi, o dirigente árabe que passou a ser aceito pelo Ocidente a partir de 2003, quando decidiu fazer uma série de concessões, inclusive deixando de lado o programa nuclear.  O ditador, homem forte, ou seja lá que denominação tenha, caiu nas graças dos Estados Unidos e da Europa. Afinal, o general petróleo pesa muito na balança.

De concessão em concessão, Kadafi em 2006 abriu as portas da Líbia ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial adotando programas econômicos de austeridade em que o povo é sempre a principal vítima. As vozes roucas das ruas já se faziam sentir, mas o homem forte líbio/ditador se lixava.

Kadafi, hoje amigão do italiano Silvio Berlusconi, com quem firmou acordos petrolíferos de milhões de euros em 2008, chegou até a receber a visita da então Secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice. O dirigente líbio abriu o tapete vermelho para saudá-la. Esta, lépida e faceira, disse sorrindo que as relações estadunidenses-líbias entravam em uma nova etapa.

A questão dos direitos humanos então não passava de um mero detalhe. O cachorrinho de George W. Bush e o agora membro da Casa dos Lordes, Tony Blair (Bush’s Poodle), também começou a relacionar-se com Kadafi as mil maravilhas. Cessaram as acusações raivosas segundo as quais o Coronel líbio ordenara o atentado nos céus da Escócia que derrubou um avião provocando várias mortes. Kadafi mandou até pagar indenizações aos familiares das vítimas. Agora, o tema voltou à tona.

Vão longe os tempos em que quando tomou o poder derrubando um rei subserviente aos europeus e estadunidenses, um tal de Idris, Kadafi parecia seguir os passos de Gamal Abdel Nasser, o líder egípcio que nacionalizou o canal de Suez e trouxe grandes benefícios ao seu povo, que conheceu um tempo de estabilidade e melhoria de qualidade de vida.

Nos anos 70, Kadafi era uma espécie do que viria a ser no Terceiro Milênio o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para os Estados Unidos e Israel. Eram sanções atrás de sanções contra o então  integrante do “eixo do mal”.

Para ser ter uma ideia do tom de Kadafi, em uma entrevista para Marília Gabriela, claro, antes de 2003, ao ser perguntado o que faria se encontrasse Bush (pai), respondeu, deixando a entrevistadora desconcertada: “cuspiria na cara dele”.

Kadafi nos últimos tempos andava meio no ostracismo. Especulava-se que estaria muito doente e preparava o filho para sucedê-lo na missão de manter unidas as tribos que formam a Líbia. De fato, um dos filhos apareceu muito nos últimos dias com discursos inflamados de ameaça aos rebelados.

Uma parte da Líbia, segundo o noticiário das agências, já estaria sob controle dos rebelados e Kadafi só tinha consigo uma área da capital, Trípoli, podendo perdê-la a qualquer momento. Mas na verdade, todo esse noticiário é passível de dúvidas, porque em outros episódios históricos as agências internacionais no frigir dos ovos acabaram errando e na prática desinformando.

Os mortos pela repressão já chegariam a mil, mas não dá para confirmar o número exato de vítimas. Há informações segundo as quais a Força Aérea bombardeou a população civil, o que é desmentido pelos kadafistas. O embaixador brasileiro em Trípoli não confirmou bombardeios, mas a notícia se espalhou pelo mundo.

O líder líbio, que segundo a maioria dos analistas, estaria em seus estertores, sendo abandonado por colaboradores próximos e ministros, voltou à retórica de antes de 2003. Culpa drogados, adeptos de Bin Laden, que desmentiram em um site, o imperialismo e grupos religiosos de serem os responsáveis pela rebelião.

Como não poderia de ser, numa linguagem como sempre hipócrita, o Departamento de Estado, na palavra de Hillary Clinton, condenou a violência contra o povo cometida pelo Exército líbio obediente a Kadafi. Quando o Presidente iraniano Ahmadinejad condenou a repressão ao povo, Clinton esbravejou dizendo que ele não tinha moral para falar o que falou. Como se o governo estadunidense, que sempre apoiou ditaduras sangrentas na região, tivesse. Até porque, quem apoia sem restrições a monarquia na Arábia Saudita não tem moral para coisa alguma, ainda mais falar em democracia na região ou em qualquer parte do mundo.  

O que está acontecendo nos países árabes é, sem dúvida, uma grande mexida no tabuleiro internacional. Mubarak já ocupa seu lugar no lixo da história depois de 30 anos com o apoio incondicional dos governos estadunidenses. Agora, como o ventou mudou, a dupla Obama & Clinton se manifesta efusivamente em favor da democracia no Egito. Brincadeira. Ninguém perguntou aos manifestantes, que nestes anos todos foram reprimidos por armas da indústria da morte estadunidense, se aceitavam de bom grado a democracia propugnada pela potência que não quer perder o controle da região.

É complicado saber com precisão quem são os rebeldes que não querem mais Kadafi. Foi só o povo? Há notícias que em Benghazi, a segunda cidade líbia, os manifestantes que agora controlam a área, teriam hasteado a bandeira da monarquia derrubada por Kadafi e o povo, em 1969.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) lançou um comunicado dizendo que não pretende intervir na Líbia. Aí que mora o perigo. Basta consultar os jornais para ver que sempre em graves crises, como a de agora, inicialmente os dirigentes da OTAN dizem que não pretendem intervir. Horas ou dias depois surgem os contingentes bombardeando ou ocupando cidades.  

Como a Líbia, ou melhor, o petróleo líbio é estratégico e mesmo nos EUA o ouro negro é cada vez mais escasso, não será surpresa alguma se no país conflagrado desembarcarem tropas da OTAN com parceria estadunidense sob o pretexto de estabelecer a paz.

Egito: Da internet à Praça Tahrir

No início as manifestações juntavam mil a três mil pessoas. Surge contudo um imprevisto. "De repente houve uma revolução na Tunísia. Passou a haver a percepção de que afinal era possível". Entrevista com Ahmed Maher e Mohammed Adel, ativistas do Movimento 6 de Abril, no Cairo.

ARTIGO | 28 FEVEREIRO, 2011 - 01:14 | POR NELSON PERALTA
Ahmed Maher e Mohammed Adel, activistas do Movimento 6 de Abril - Foto de Nelson Peralta
Ahmed Maher e Mohammed Adel, activistas do Movimento 6 de Abril - Foto de Nelson Peralta

O Egito fervilha. O ditador caiu, mas muitos dos seus antigos governantes mantêm-se no poder e o exército conduz a transição. No meio deste processo entrevistamos ativistas do Movimento 6 de Abril, um dos movimentos na base da agitação popular no Egito.
A cada minuto o celular toca. Ahmed Maher, engenheiro civil de 30 anos, vai rejeitando as chamadas durante a conversa. Por vezes interrompe por algum telefonema mais importante. Este é o retrato do ritmo frenético que se vive no Egito e da importância que as novas tecnologias de comunicação tiveram na revolução. Ahmed faz parte de uma geração que não via grande perspectiva de futuro no país e que é movida por uma enorme vontade de mudança.
Uma greve geral que começou na internet
Em 2005 começaram a surgir vários movimentos da juventude pela mudança. Ahmed contatava regularmente com os comitês locais de trabalhadores e escrevia online sobre as condições de trabalho, as greves e as lutas que encontrava. Foi um dos activistas que convocou uma greve geral nos grupos do Facebook. A iniciativa teve um sucesso ímpar, a cada dia aderiam três mil pessoas. "Antes usava o Yahoo!Grupos e o blogger. O facebook era novo e popular e, acima de tudo, era a única destas ferramentas imune ao controlo governamental. Passou assim a ser a nossa ferramenta", relata. Mas não esquece a preciosa ajuda do Ministro do Interior que fez uma declaração sobre o movimento. Esse ataque governamental tornou a iniciativa imensamente mais conhecida do que aquilo que as ações do próprio grupo tinham conseguido até então.
O apelo surtiu efeito e a greve geral realizou-se a 6 de Abril de 2008 com um enorme sucesso. A luta iniciada na internet tinha passado para o mundo real. Na sequência do protesto, vários membros do grupo são presos e uma ativista espancada, mas a agitação social permaneceu. "É um movimento jovem que fala a mesma linguagem dos jovens. Usa o facebook, o twitter, as SMS. O protesto não é tradicional, os jovens vão para a rua cantar, fazem conferências e festas na rua. Tiraram membros da internet para o mundo real. Todos queriam conhecer a cara uns dos outros e para nos organizarmos era preciso esse contacto". É assim que Ahmed retrata a evolução do movimento. As suas atividades levaram a que em Julho desse ano tivesse sido preso. Durante essas duas semanas sentiu uma intensa tortura psicológica.
Da Tunísia ao Egipto, foi possível!
No início as manifestações juntavam mil a três mil pessoas. Surge, contudo, um imprevisto. "De repente houve uma revolução na Tunísia. Passou a haver a percepção de que afinal era possível". A partir daí a participação nas manifestações foi crescendo, até à revolução. Estava em curso um protesto no facebook, organizado por vários movimentos, contra o Ministro do Interior. Mas o que começou como uma luta contra as políticas de repressão, tornou-se quase inadvertidamente numa contestação a todo o regime de Mubarak.
Em Dezembro passado criaram o Movimento 6 de Abril, com um grupo facebook que juntava ainda mais pessoas que o anterior grupo da greve geral. A partir de 15 de Janeiro realizaram reuniões diárias de cinco horas onde desenharam mapas das ruas. Na internet publicaram os pontos, cinco no Cairo e dois em Alexandria, de onde partiriam as marchas para a concentração, no caso da capital na Praça Tahrir. Contudo, não se limitaram a esperar. Duas horas antes do inicio do protesto foram para os bairros pobres apelar à participação. A polícia já estava à sua espera nos locais marcados, mas não esperava que cada marcha juntasse mais de 20 mil pessoas. Ao verem a polícia a retirar perante a imensidão de gente perceberam que o protesto ia ser bastante eficaz. Perceberam que estavam perante uma revolução quando viram milhares e milhares de egípcios de todas as idades a juntarem-se em Tahrir. Nesse dia, 25 de Janeiro de 2011, ocuparam a praça onde ainda hoje continuam. Durante a noite a polícia atacou com violência, muitos membros foram presos. Milhares estavam em fuga procurando esconderijo nas áreas pobres. Este foi um ponto de viragem. "A partir daqui todas as pessoas passaram a agir sozinhas, sem a organização. Todos queriam participar". Pelo meio o regime ainda cortou a internet e as ligações telefónicas mas era demasiado tarde, Mubarak caía 18 dias depois.
Uma prioridade: a democracia
Para Ahmed Maher "as exigências políticas, sociais e económicas são apenas uma", não se tratam de coisas diferentes. Desconfia da ordem vigente, "não tenho ideia do que o exército quer. Os movimentos pediram muitas medidas, mas o exército ignorou" explica, referindo que a táctica dos militares é ir adiando os assuntos de reunião em reunião sem qualquer decisão. Não se sente representado nas atuais forças políticas e pede que se criem "novos partidos e novas organizações".
Mohammed Adel, também ativista do movimento 6 de Abril e prestes a entrar para o serviço militar, junta-se à conversa enquanto espera a ida para uma importante manifestação que os aguarda a minutos e metros de distância. Ambos têm bem definidas as suas prioridades políticas para o momento. Todas passam pela democratização do Egito.
Em primeiro pretendem uma mudança imediata do governo que continua com muitos membros do anterior governo de Mubarak e com vários tecnocratas fiéis ao regime. Querem que o exército deixe de comandar o período de transição, defendendo que esse papel passe a ser desempenhado interinamente por um Conselho Presidencial composto por dois juízes e um militar. A abolição da lei de emergência e a libertação dos presos políticos é outra das suas exigências imediatas. Pedem ainda a dissolução do NDP, o partido do regime, assim como dos seus mecanismos de dominação. Por fim, pedem uma reorganização do Ministério do Interior.
E com isto partiram para a Praça Tahrir. Tinham uma revolução para concluir.

Sobre o autor

Nelson Peralta
Biólogo, dirigente do Bloco de Esquerda
Extraído do Esquerda.net
Enviado pelo pessoal da Vila Vudu

Seguem os protestos no Oriente Médio, ainda sem respostas

27/2/2011, Stephen Lendman, Countercurrents
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Até agora, semanas de rebeliões regionais nada conseguiram. Apesar da saída de Mubarak da presidência do Egito e de Ben Ali, da Tunísia, os dois regimes permanecem governando, e nada oferecem além de promessas.

Dia 26/2, um mês depois das primeiras manifestações, os egípcios voltaram a protestar na Praça Tahrir. Naquele dia, foram atacados pelas forças militares. A Agência Reuters, sob manchete que dizia “Militares egípcios enfurecem manifestantes no Egito, com show de força”, noticiava:

"Soldados usaram a força no sábado para interromper manifestação que exigia mais reformas políticas no Egito, segundo manifestantes, no ataque mais dura, até agora, contra ativistas de oposição que acusam os militares egípcios de estarem “traindo o povo”. 

Matéria de Liam Stack, no New York Times, sob manchete que dizia “Militares egípcios põem fim a novo protesto”, dizia:

“Dezenas de milhares de manifestantes voltaram na 6ª-feira à Praça Tahrir (...) para manter a pressão sobre o governo de transição no Egito chefiado por militares.” 

Houve violência, espancamentos, feridos, bombas de gás lacrimogêneo, tiros disparados para o ar, e ameaças de ação ainda mais dura, se os protestos prosseguirem. A Al-Jazeera noticiou:

Os manifestantes deixaram a praça principal, mas muitos se reuniram em ruas laterais (...) Testemunhas contam que viram muitos manifestantes caídos, mas não puderam precisar se eram mortos ou feridos, nem a gravidade dos ferimentos.” 

Asfraf Omar, que participava das manifestações, disse:

“Sou um dos milhares que não arredamos pé da praça depois que o exército apareceu para dispersar os manifestantes, com munição real e tiros para o alto para nos assustar”. 

Disse que os soldados usavam máscaras para não serem identificados. Usaram ônibus militares para levar prisioneiros. Foi caçada de gato e rato. Acabou a solidariedade entre o povo e o exército.” 

Essa solidariedade, de fato, jamais existiu, só a ilusão de que generais com olhos de facínoras seriam democratas ‘de coração’. O exército comandou um governo linha-dura durante décadas, regiamente recompensado por tornar efetiva a repressão do Estado.

“Usavam porretes e bastões eletrificados”, disse Omar. “Achei que as coisas pudessem mudar. Quis dar uma chance ao governo, mas esse regime não tem salvação. Não serve para nada. Estou de volta às ruas. Ou conquisto alguma dignidade para viver, ou morro na rua.” 

Os egípcios querem renúncia imediata da junta militar e a libertação de todos os prisioneiros políticos. Estão ofendidos pela ausência de qualquer proposta, e porque o primeiro-ministro interino Ahmed Shafiq manteve no poder todos os asseclas de Mubarak.

Resultado, a luta está outra vez nas ruas. Ouvem-se slogans ‘contrarrevolucionários’: “Não queremos mais Shafiq. Se quiser, que mande bala.” “Revolução até a vitória”, “Contra Shafiq”, “Contra o palácio”, “Não sairemos daqui. Quem sairá é Shafiq”. “Os mortos não morreram por isso”. “Shafiq é aprendiz de Mubarak. Queremos um novo começo. Shafiq não é começo. Recusamos Shafiq.” 

A Agência Reuters noticiou também milhares de manifestantes em Ismailia, Arish, Suez e Port Said. Além disso, e importante, as greves continuam em todo o país, por melhores salários, moradia decente, fim da corrupção e governo democrático. Estão em greve mineiros e trabalhadores das indústrias metalúrgica, têxtil, química e farmacêutica; trabalhadores de uma usina de processamento de alimentos; professores, motoristas de ônibus e outros trabalhadores nos transportes públicos; trabalhadores de ONGs religiosas, e muitos outros que reivindicam direitos trabalhistas. São movimentos que pouco conseguem, mesmo em países desenvolvidos.

A junta de governo no Egito declarou as greves ilegais, sob o argumento de que “põem em risco a nação e estão contra ela.” Disse também que “a atual situação política muito instável não é propícia para discutir-se uma nova constituição.” São especialistas em repressão, não em governo democrático. Deles, não virá nenhuma solução democratizante.

Protestos na Jordânia 

Praticamente não noticiados no ocidente e não, com certeza nos veículos da grande imprensa-empresa nos EUA, que está concentrada em esquartejar Gaddafi, os protestos na Jordânia foram notícia no jornal Haaretz, de Israel. Avi Issacharoff, em matéria de 25/2, sob a manchete “Milhares de jordanianos em manifestações em Amã, pela sexta 6ª-feira consecutiva”, dizia:

Mais de 5.000 pessoas “exigiram reformas políticas e a dissolução da Câmara Baixa do Parlamento”. Uma semana antes, policiais sem uniforme atacaram os manifestantes. Houve no mínimo seis feridos. O governo da Jordânia negou qualquer envolvimento no ataque. A maioria da população duvida. Os manifestantes exigem o fechamento da embaixada de Israel em Amã; a restauração da Constituição de 1952 – que consagrava o governo representativo. Nas últimas décadas, os direitos democráticos foram gravemente reduzidos na Jordânia. Os manifestantes os querem de volta. O rei Abdullah II prometeu reformas, até aqui ainda não vistas, e que só serão vistas, se o forem, se a monarquia for pressionada.

Protestos de Massa no Iraque 

Anteontem, dia 25/2, dezenas de milhares de manifestantes reuniram-se em todo o país contra a ocupação dos EUA, a opressão, a corrupção, o desemprego, a miséria, e por melhores serviços públicos (água potável, eletricidade e assistência médica, dentre outros), contra a carestia dos alimentos e contra toda a miséria humana que desabou sobre o Iraque com a invasão norte-americana.

Houve violência, a segurança iraquiana usou munição viva em Bagdá, Basra, Mosul, Fallujah, Tikrit e por todo o país. Há pelo menos 15 mortos e dezenas de feridos. O Grande Aiatolá Ali al-Sistani falou à televisão Al Sumaria contra as manifestações. Disse que facilitariam a ação de “infiltrados”. Moktada al-Sadr disse, sem se envergonhar, pela televisão, que as forças do Estado “tentam destruir tudo que o Iraque obteve, que não tinha, todos os ganhos democráticos, as eleições livres, a alternância pacífica de poder, e a liberdade. Em nome de preservar tudo isso, conclamo-os a derrotar o inimigo, não promovendo manifestações de rua.” 

A verdade é que o Iraque vive sob ocupação, sem direitos, sem democracia, sem empregos, vivendo em condições subumanas, sem qualquer possibilidade de qualquer mudança, se não derrotarem a ocupação. Um homem discursou e denunciou o governo de al-Maliki, chamou-o de mentiroso e disse: 

“Sou operário. Trabalho um dia e passo um mês desempregado. (Maliki) diz que vivermos hoje melhor do que sob Saddam Hussein. Não vejo qualquer melhoria.” Dezenas de milhares em todo o país exigem o que não veem acontecer. Não parece haver qualquer dúvida de que as manifestações crescerão também no Iraque.

Protestos na Tunísia 

Dias antes, novos protestos sacudiram a Tunísia. Dezenas de milhares de manifestantes, em Túnis, exigiram a renúncia do primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi [que renunciou hoje, domingo, 27/2, como está noticiando a BBC (NTs)] e de outros nomes do governo Ben Ali que permanecem no poder. A polícia atirou para o ar para dispersar as manifestações. Helicópteros sobrevoaram as ruas e praças. Os manifestantes gritaram “Vá-se!” e “Não queremos os amigos de Ben Ali!”

O ministro do Interior proibiu todas as manifestações de rua e disse que manifestantes que desobedeçam serão presos. Washington e outros governos ocidentais que apóiam o regime de Ghannouchi regime, porque preservaria a estabilidade, quando, de fato, é repetição das velhas políticas, em mãos de praticamente os mesmos governantes. Em visita à Tunísia, semana passada, o senador John McCain (um dos quatro mais reacionários da atual legislatura, no Senado dos EUA) declarou à Agência Reuters:

“A revolução na Tunísia foi sucesso completo e é hoje modelo para a região. Estamos prontos para continuar a oferecer treinamento aos militares tunisianos, para preservar  a segurança de todos”. 

A verdade é que nada mudou na Tunísia, nem no Egito, nem na Jordânia nem em lugar algum da Região. Todos os velhos governos continuam onde sempre estiveram. Houve levantes, que continuam, mas ainda não houve qualquer revolução. São insurreições quase sempre violentas, convulsas, que ainda não removeram mas podem vir a remover os velhos governos naqueles países, exceto talvez na Líbia, onde há confrontos armados e os rebeldes já controlam partes importantes da capital. Adiante, mais sobre a Líbia.

Protestos no Iêmen

Manchete de 25/2, da Agência Reuters: “Mais dois mortos nos protestos em Aden, no Iêmen”. E o artigo:

“Forças de segurança mataram os dois, e mais dois, e feriram dezenas. Continuam há uma semana os protestos, diários, desde 17/2, em cidades e províncias pelo país. A agitação tem sido especialmente intensa no sul, que já foi país independente, onde muitos ainda se ressentem da unificação sob governo do norte”. 

Houve grandes manifestações na capital Sanaa depois das orações da 6ª-feira, com manifestantes que gritavam “O povo exige o fim do regime”. A mídia local informou que mais de 80 mil participantes reuniram-se, inclusive mulheres, aos gritos de “Fora” Fora!”

Os manifestantes foram atacados por grandes contingentes de militares e policiais. Passadas várias semanas de protestos, há dezenas de mortos. Mas os iemenitas permanecem nas ruas. Na 6ª-feira, um manifestante disse que “Viemos para tomar a cidade do poder do palácio presidencial (de Saleh).” Outros disseram que “é o começo do fim do regime”,

Até aqui, nenhum dos dois lados cedeu, mas as manifestações de rua só fazem aumentar. Apesar disso, Saleh e seu grupo continuam no poder. Haverá derramamento de sangue, se essa situação persistir. Não há indícios de fim para essa crise.

Manifestações incendeiam a Líbia 

Ontem, 26/2, a Al-Jazeera noticiava que a pressão contra Gaddafi cresce. “No país, os manifestantes antigoverno dizem que as manifestações estão ganhando novos apoios”, com deserções entre os soldados regulares. Até aqui, a Brigada Khamis, do governo líbio, um exército de forças especiais, permanece fiel ao regime, combatendo contra as forças de oposição.

A violência tem sido extrema, na Líbia. Há centenas de mortos e muitos feridos, O leste da Líbia já está, em grande parte, sob controle dos rebeldes. “Forças da segurança atiraram contra manifestantes na capital Trípoli, depois das orações da 6ª-feira. Houve combate pesado também em Fashloum, Ashour, Jumhouria e Souq Al.”

Dia 26/2, manchete do jornal Haaretz dizia: “EUA impõem sanções unilaterais à Líbia e congelam propriedades de Gaddafi”, o que Obama fez mediante decreto do executivo contra ele, sua família e altos comandantes, e contra o governo da Líbia.

Dia 26/2, Helene Cooper e Mark Landler do New York Times publicaram coluna, sob o título “Depois das sanções dos EUA, o Conselho de Segurança da ONU reúne-se para discutir a Líbia”. 

Uma coisa, é claro, é defender o acesso ao petróleo da Líbia, no interesse das gigantes norte-americanas do petróleo. Como no Egito e em toda a região, nada disso tem qualquer coisa a ver com derrubar governos despóticos nem com implantar qualquer democracia.

Comentário final

Um último comentário sobre como a imprensa dos EUA reage, sobretudo a televisão, que vive de oferecer o que, para muitos, ainda seriam notícias ou informação. Há semanas acontecem manifestações no Egito, Tunísia, Iêmen, Bahrain, Argélia, Marrocos, Iraque, Irã e, agora, na Líbia, além dos protestos trabalhistas na Arábia Saudita e no Kuwait. 

ATUALIZAÇÃO, em comentário enviado por e-mail, para os tradutores, de autor não identificado, no domingo, 27/2:

Received: Sunday, 27 February, 2011, 4:57 PM

TODOS os países árabes estão em revolta, salvo exceções eventuais, como, às vezes, no Líbano (mas, o Líbano, sempre enquadrado no Pacto Oral de 1943: Presidente maronita, Primeiro-Ministro sunita e Chefe do Parlamento sunita); na Argélia de 1990, durante eleições municipais e administrativas (quando venceram agremiações islamitas, dando motivo para sua dissolução e um conflito brutal de uma década, em que pereceram mais de 200 mil pessoas, em geral inocentes); e na Palestina, em 2006, quando o Movimento de Resistência Islâmica (Hamás) venceu, mas não levou, recluso à Faixa de Ghazaa. 

Aliás, sejamos claros: o único país árabe com objetivos efetivamente e consistentemente democráticos é um não-país, a Palestina.
De todos esses países, só o Egito e a Líbia têm merecido cobertura extensiva da imprensa ocidental – e sempre contra os líderes, nunca contra os governos ou suas políticas, das quais praticamente nenhuma imprensa-empresa fala.

Exceto contra Mubarak, só o New York Times deu destaque editorial ao Oriente Médio. Dia 24/2, o NYT escreveu, em editorial “Para deter Gaddafi”, em que se lê:

“A menos que surja alguém que o detenha, ele massacrará centena, talvez milhares de líbios, seu próprio povo, na ânsia para manter-se no poder”. 

Nem uma palavra para deter outros déspotas regionais que mantêm laços íntimos com Washington. Nem uma palavra para deter a loucura imperial dos EUA, responsável por matar milhões de pessoas em toda a região (e em outras partes do mundo), direta ou indiretamente, só contados os mortos dos anos 1980s em diante.

Nem uma palavra sobre defender a democracia, as liberdades fundamentais, o Estado de Direito e os direitos dos palestinos, que vivem sob a brutal ocupação do exército de Israel, diariamente oprimidos pela beligerância, por roubo de suas terras, por prisões em massa, por “assassinatos predefinidos” [orig, targeted assassinations], tortura e morte, como os gazenses sitiados em Gaza desde meados de 2007, sofrendo muito terrivelmente a privação de todos os seus direitos e de toda a sua democracia.

Falta ainda aos EUA imprensa que se dedique a defender o certo contra o errado e denuncie as políticas ilegais dos EUA, também internamente, em vez de:

  • esquecer todas as necessidades humanas e políticas que afligem o mundo;
  • o número recorde, no planeta, hoje, de sem-tetos, desempregados e famintos;
  • eleições de fancaria, fraudadas, muitas vezes, frente às câmeras de TV;
  • profunda corrupção nos escalões de todos os governos apoiados pelos EUA e também nas empresas e corporações;
  • colusão de interesses públicos e das corporações, em todos os planos, nos governos federal, estadual e local, e a guerra sem trégua que o Estado faz contra os movimentos de trabalhadores organizados;
  • a decadência geral da sociedade dos EUA, em vários níveis; e 
  • muitos outros indícios do fracasso do projeto norte-americano, que se vêem mais claramente fora dos EUA, enquanto, simultaneamente, a imprensa-empresa apóia os interesses financeiros, as guerras imperiais e inúmeras outras políticas norte-americanas imorais e assassinas.
Mas não se vê, nos editoriais na imprensa-empresa, nem uma linha contra as políticas dos EUA, contra as atrocidades da guerra, nem qualquer esforço para ensinar à sociedade que quanto mais o mundo esperar, mais gente morrerá. Como se só estivessem morrendo na Líbia, não na Palestina, no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão. A imprensa-empresa nos EUA só olha para os regimes que fazem oposição a Washington – e, até no caso de Gaddafi! – só se manifesta contra o homem, nunca contra as políticas. Porque é fácil trocar os homens, para manter inalteradas as políticas.

A IDENTIDADE OBAMA

Laerte Braga

Laerte Braga

O filme IDENTIDADE BOURNE, do diretor Doug Liman, lançado em 2002 e que acabou virando uma trilogia (SUPREMACIA BOURNE e ULTIMATO BOURNE), conta a história de um projeto terrorista montado pelos serviços de inteligência dos EUA para eliminar governantes e figuras hostis aos interesses do conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Jason Bourne, interpretado pelo ator Matt Dammon é considerado uma “arma” fluente em vários idiomas, conhecedor de técnicas de combate e que cumpre “missões” mundo afora. Recrutado nas forças armadas do conglomerado é treinado e transformado em Jason ao custo de 39 milhões de dólares para os acionistas. Seu nome real e seu passado desaparecem, vira apenas a arma de 39 milhões de dólares.

Num dado momento foge do controle – quando aborta uma das missões, assassinar um líder africano – e passa a ser perseguido por seus criadores. Vira um perigo em potencial. 

O embaixador do Brasil em Trípoli, Líbia, disse a jornalistas que “não houve bombardeio sobre Trípoli. Isso foi um bombardeio noticioso da Al-Jazeera. O conflito existe, a tensão é grande, mas está havendo uma série de notícias terrivelmente alarmantes e falsas. Quando começaram a falar, ontem (as declarações foram feitas na quinta-feira) que Gaddafi tinha fugido para a Venezuela, ou para o Brasil fiquei muito preocupado”. George Ney de Sousa Fernandes, afirmou-se “aliviado quando felizmente Gaddafi apareceu em praça pública para desmentir”.

E mais – “mas, sinceramente, o quadro está muito amplificado pela falta de informações precisas”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou medidas determinando uma série de sanções contra a Líbia – com o voto do Brasil – e Barack Hussein Obama, dublê de espertalhão e branco disfarçado de negro exigiu, por conta própria, a saída de Muammar Gaddafi, “imediatamente” do poder. Foi seguido pelos governadores das colônias do conglomerado na Europa, o que chamam de Comunidade Européia.

O povo líbio não tem a menor importância para a organização EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Importa o petróleo e o risco de expansão a ponto incontrolável dos protestos populares em países árabes governados por ditadores amigos de Washington, freqüentadores dos regabofes da Casa Branca. Mubarak era um deles.

É impensável para o conglomerado terrorista que os protestos possam levar de roldão o governo da Arábia Saudita, principal aliado dos EUA na região e na esteira de uma eventual mudança, o petróleo, além, lógico de colocar em risco as ações terroristas do parceiro Israel.

Sobre líbios terem ou não importância para os norte-americanos/israelenses não custa lembrar a observação de Madeleine Albright a um jornalista sobre 200 mil crianças iraquianas mortas por conta de um bloqueio econômico contra o país, à época do governo Clilnton – “é o preço que se paga pela democracia”.

Que democracia?

O Conselho de Segurança da ONU estuda uma proposta para levar Gaddafi ao Tribunal Criminal Internacional por crimes contra a humanidade (os EUA sonham com isso, mas são contra, não aceitam o Tribunal com medo de o feitiço virar contra o feiticeiro, já se fala em alguns países em julgar Bush)

George Bush mentiu ao mundo (ele e Tony Blair) sobre a existência de armas químicas e biológicas no Iraque, invadiu o país, mais de dois milhões de iraquianos morreram, destruiu toda a infra-estrutura da antiga Babilônia (roubou peças do museu babilônico, hoje exibidas em New York) e decretou o ATO PATRIÓTICO, que permitia que presos por suspeita, note bem, por suspeita, de terrorismo ou atividades hostis aos EUA fossem interrogados com técnicas de tortura como falso afogamento, choques elétricos, confinamento, tentativa de destruir sua fé e outras coisas mais típicas do conglomerado terrorista. Há dias se falou sobre levá-lo a julgamento por crimes contra a humanidade no Iraque e no Afeganistão.

Obama mantém o campo de concentração de Guantánamo, versão século XXI do campo de Dachau, onde milhões de pessoas perderam suas vidas, foram escravizadas ou transformadas em cobaias. Dali, iam para os campos de extermínio.

As ditaduras militares da Argentina e do Chile adotaram a mesma prática e os norte-americanos confinaram japoneses, descendentes, alemães, descendentes, italianos, descendentes em campos semelhantes durante a IIª Grande Guerra Mundial.

David Cameron, primeiro-ministro da colônia norte-americana outrora conhecida como Grã Bretanha, disse numa reunião de outras colônias (países da chamada Comunidade Européia), que “o multiculturalismo fracasssou”. Ou seja, a existência, coexistência e convivência entre diferentes.

Todos os pontos convergem para um mundo em que a verdade seja única, a deles.

Não são fatos isolados e o filme a que me referi – A IDENTIDADE BOURNE – é uma mostra do que se pratica e se vive no centro do terror mundial, a Casa Branca.

A notícia sobre a fuga de Gaddafi para a Venezuela – mentirosa como se viu – não é gratuita e nem foi arroubo de um ou outro jornalista.

É a percepção clara que nos planos do conglomerado terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A a América Latina é o Oriente Médio de amanhã.

Se milhares de latino-americanos tiverem que morrer como moscas, isso é o de menos, já acontece no Haiti, onde as patas e coturnos nazi/sionistas (com a cumplicidade do Brasil) escravizam e impõem sua ordem àquele país.

O ex-ditador Jean Claude Duvalier voltou  com o consentimento de Washington depois de um acordo financeiro sobre bens depositados em bancos da colônia chamada Suíça.

São negócios, apenas negócios. Por isso líbios, egípcios, palestinos, sauditas, iraquianos, afegãos, colombianos, brasileiros, paquistaneses, turcos, os povos do mundo não entram na contabilidade do neoliberalismo e do terrorismo da chamada nova ordem mundial. Exceto como bucha de canhão.

É a IDENTADE OBAMA, como a foi a IDENTIDADE BUSH, ou CLINTON, ou REAGAN, qualquer um deles. São executivos de uma empresa sanguinária e bárbara escorada em hordas de soldados transformados em zumbis, movidos à doença denominada “patriotismo” e que imaginam libertar o mundo do pecado.

Por onde passam a destruição é plena. Como o cavalo de Átila.

O governo do Irã fechou quatro igrejas evangélicas na capital. Foram plantadas ali com dinheiro norte-americano/sionista para tentar começar a erradicar o islamismo. A fé é só o pretexto para ação política em cima de incautos. Como no caso do Irã são os Baha’i.

Quando da ocupação do Iraque uma das primeiras preocupações dos zumbis/soldados dos EUA foi a de distribuir filmes pornográficos entre iraquianos para quebrar a resistência do povo à nova ordem. A denúncia foi feita pelo THE NEW YORK TIMES : “Os rapazes estavam espargindo o modo de vida do Tio Sam através de suas sisters. A sedução cristã, democrática e ocidental sobre os impuros”.

A prisão de Abu Ghraib, no Iraque, foi usada pelas forças invasoras a partir de 2003 até 2006 e palco de cenas degradantes e abjetas de tortura praticadas por norte-americanos contra iraquianos. Nem a mídia ocidental, dócil e comprada, teve como esconder tamanho o nível da barbárie.

A Cruz Vermelha Internacional denunciou à época que mais de 90% dos presos e torturados em Abu Ghraib foram vítimas da violência dos norte-americanos, pois comprovadamente eram inocentes. Patrulhas norte-americanos prendiam ao seu bel prazer.

A sugestão de demolir o campo de terror foi negada pelo governo do Iraque atendendo a apelos de “oficiais” norte-americanos.

A IDENTIDADE OBAMA é diferente da de Jason Bourne. Ao contrário da “arma de guerra humana de 39 milhões de dólares” que busca sua identidade, Obama é um terrorista sem nenhum escrúpulo. Sem nenhum princípio. Achou a sua, assassino, genocida, executivo de um conglomerado de empresas e bancos terroristas.  

Fingiu-se negro para eleger-se presidente dos EUA, nada mais que presidente do conglomerado terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Jornalistas norte-americanos de colunas de fofocas revelam que o “presidente” tive crises de “presidentite” (doença que acomete juízes – juizite –, fiscais de um modo geral, etc.), quando Angelina Jolie recusou-se a aceitar suas cantadas.

É só um pilantra que se deu bem na vida, nada além. Tanto serve cerveja como garçom, como manda matar como assassino que é.

A Líbia deve ter o seu destino decidido pelos líbios. Sem as patas e coturnos nazi/sionistas dos EUA, de Israel e suas colônias (a Comunidade Européia).

Um mês antes de Bush determinar a invasão do Iraque, no FÓRUM SOCIAL MUNDIAL de Porto Alegre, num evento promovido pelo MST, a freira iraquiana Irmã Sherine, diante de uma platéia de mais ou menos 15 mil pessoas no ginásio do Internacional, disse mais ou menos o seguinte – “a nossa riqueza, o petróleo, que poderia promover o bem de nosso povo, acaba sendo a grande dor de todos os iraquianos”.

A propósito, o governo Dilma deveria dar uma sincronizada entre o chanceler Anthony Patriot (descalço nos EUA) e os embaixadores do Brasil nos países onde ocorrem conflitos ou manifestações populares.

É que esses embaixadores ainda pensam que estão representando interesses nacionais brasileiros. Precisam adequar-se aos interesses nacionais dos EUA. Não somos mais protagonistas, somos coadjuvantes do processo. Gente para Dilma é número, só isso.

E seria bom a mídia mostrar as explosões populares nos EUA contra as políticas dos dois últimos governos, milhões de desempregados, de sem teto, verbas para a saúde cortadas, para a educação eliminadas, mas um orçamento que contempla a guerra e a propaganda (comprar mídia tipo GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, etc.), tudo no orçamento de Obama.

Obama lembra aquele cara que chega, carrega sua pasta, corre para buscar água para você beber, ajeita sua cadeira, limpa tudo à sua volta, serve a cerveja e num dado momento, dá-lhe a rasteira e vira o dono do “negócio”.

A identidade Obama é essa, com a diferença que a dimensão é maior. Deveria responder por crimes contra a humanidade.

Ao contrário do que vende a mídia ocidental, os muçulmanos não servem gente picadinha em programas tipo BBB. Não se alimentam de ódio e nem se sustentam na pornografia que  transcende a filmes e atinge em cheio o modelo neoliberal.

Quer maior pornografia que Obama discursando?

O Corão fala em solidariedade, em amor, em misericórdia, fala em paz, fala em convivência fraterna, mas não fala em submissão e medo.

É essa a realidade que não mostram.

E nem o que a cerveja que Obama está servindo a Anthony Patriota – a garçonete é Hillary Cinton – e pessoalmente o tirano vai servir a Dilma quando de sua visita ao Brasil. E da marca PRÉ-SAL.

Os seis principais casos ainda não resolvidos no Oriente Médio

Juan Cole

27/2/2011, Juan Cole, Informed Comment 
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu
1. JORDÂNIA. Cerca de 6.000 manifestantes marcharam na 6ª-feira na Jordânia. Querem transformar a monarquia jordaniana em monarquia constitucional ao estilo europeu e a volta, sem as emendas posteriores, da Constituição de 1952 em: Middle East protests: Jordan sees biggest reform rally.

2. TUNÍSIA. Cerca de 100 mil tunisianos saíram às ruas em Túnis, na 6ª-feira. Querem a renúncia do primeiro-ministro interino Mohamed Ghannouchi. O governo interino marcou eleições para meados de julho, principal demanda dos manifestantes. Também dissolveu o partido Rally for Constitutional Democracy, que estava no poder antes da queda do ditador. Mas os manifestantes não confiam que Ghannouchi – importante quadro do governo deposto de Zine El Abdidin Ben Ali – seja capaz de garantir a lisura das eleições. Ghannouchi está tentando ganhar popularidade, confiscando os bens de personagens do círculo íntimo e corrupto de Ben Ali, mas, até agora, ainda não conseguiu separar-se da reputação de ser, ele também, do mesmo círculo em: Tunísia to hold elections by mid-july as protests flare.


ATUALIZAÇÃO: O ministro interino da Tunísia renunciou hoje, domingo, 27/2/2001, conforme notícia da BBC, às 13h28, ao vivo.

3. EGITO. Dezenas de milhares de manifestantes voltaram à praça Tahrir no centro do Cairo, na 6ª-feira, exigindo o fim das leis de emergência que suspenderam todas as liberdades civis no Egito há 30 anos. Querem também que o primeiro-ministro Ahmad Shafiq, nomeado pelo presidente deposto Hosni Mubarak, deixe o cargo, sem o que não haverá real ruptura com o velho regime. O exército egípcio impediu que a multidão cercasse a residência do primeiro-ministro para protestar e houve feridos entre os manifestantes em: Egyptian Police, military break up Tahrir Square demonstrations .

4. BAHRAIN. Cerca de 200 mil manifestantes marcharam pelo centro de Manama, capital do Bahrain, na 6ª-feira. Querem que a monarquia seja convertida em monarquia constitucional, com liberdades civis plenamente garantidas. Querem também que o primeiro-ministro deixe o cargo. O rei já demitiu três outros ministros do mesmo Gabinete em: Protesters in Bahrain Demand More Changes.

5. IÊMEN. Em Aden, os manifestantes exigem a expulsão do ditador Ali Abdullah Saleh. Houve quatro mortos e duas dúzias de feridos, quando as forças de segurança atacaram os manifestantes em: Tribal groups joining protests against Yemeni president.
 6. LÍBIA. As forças de segurança do ditador retiraram-se do bairro operário de Tajoura no sábado, depois de vários dias de ataques aos manifestantes, tentando dispersar as multidões. Falharam. Se Gaddafi já está perdendo áreas importantes da capital, aquela ditadura pode estar com os dias contados em: Trípoli braces for bloody battle.

Os manifestantes no Egito e na Tunísia, até agora, só alcançaram sucesso parcial: afastaram um ditador, mas ainda sem saber como se farão reformas genuínas.  Os líbios ainda sequer afastaram o ditador Gaddafi. E no Bahrain, Iêmen e Jordânia, todos os clamores populares por reformas econômicas e políticas genuínas continuam a cair em ouvidos surdos.