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domingo, 5 de maio de 2013

EUA e Israel: parceiros imperiais em mais um crime


5/4/2013, Stephen Lendman, Midia With Conscience, MWC
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Laços antigos permanecem. São dois países parceiros no império. A política oficial, nos dois casos, é a agressão. Planejam a ‘mudança de regime’, o golpe, na Síria. Dia a dia os eventos se encaminham para a intervenção armada total.

O mais recente incidente, de ontem, foi manchete do New York Times: “Israel ataca a Síria. EUA analisam alternativas”. O texto dizia que “Funcionário não identificado do governo dos EUA disse que Israel atacou um alvo na Síria, na 5ª-feira à noite. (Washington) analisa (suas) opções militares, inclusive o ataque”. 

Para a agência Reuters, “o ataque aconteceu na 6ª-feira, depois de o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aprovar, em reunião secreta na 5ª-feira à noite”.

Essas reuniões quase sempre sinalizam ação iminente. São feitas para formalizar a aprovação a mais um ataque.

A correspondente da rede CNN no Pentágono, Barbara Starr, disse que “EUA creem que Israel executou ataque aéreo à Síria, disseram à CNN dois funcionários do governo Obama. EUA e agências ocidentais de inteligência estão examinando dados secretos que mostram que é provável que Israel tenha atacado a Síria na noite de 5ª para 6ª-feira, segundo os mesmos funcionários. Há dados que já indicam que, no mesmo período de tempo, Israel movimentou várias aeronaves sobre o Líbano”.

Israel bombardeia a Síria (Haaretz)
Fonte não identificada do exército israelense disse que “faremos o que for necessário para deter a transferência de armas, da Síria para organizações terroristas. Já o fizemos no passado e faremos o que for necessário no futuro”.

Nada mais fácil que inventar pretextos. Washington e Israel sempre inventam pretextos para justificar crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Segundo o NYT, “o alvo não foi uma fábrica de armas químicas sírias”. O mesmo funcionário não identificado do governo Obama informou que um prédio foi atingido.

O jornal libanês Daily Star disse que “oito jatos israelenses violaram o espaço aéreo libanês no período de 14 horas, voando sobre grandes áreas do país, como anunciaram oficiais do exército”.

Assista vídeo da Russia Today TV:


Todos os dias há jatos de Israel sobrevoando território alheio. Dessa vez foi diferente: os voos sobre o Líbano aconteceram “em grande altitude”. Começaram às 19h, hora local.

Dois jatos israelenses invadiram território libanês, à oeste de Sidon. Fizeram “manobras aéreas”. Partiram depois de quatro horas.

“Dez minutos” antes de partirem, “outros dois jatos de combate invadiram o espaço aéreo do Líbano, a oeste de Jounieh”. Fizeram manobras aéreas e retornaram a Israel depois da meia-noite.

“35 minutos depois da meia-noite, outra sortida de dois jatos que também invadiram espaço aéreo do Líbano”, perto de Beirute. Também executaram manobras aéreas. Partiram antes das 3h15 da madrugada”.

Às 6h da manhã, mais dois jatos israelenses sobrevoaram “todas as regiões do Líbano”. Partiram às 8h50.

Qualquer voo em espaço aéreo de nação estrangeira sem autorização viola a lei internacional. Israel faz exatamente isso, regularmente. O território libanês é violado praticamente todos os dias. São frequentes os sobrevoos de várias aeronaves. Em geral, são voos de reconhecimento. Outras vezes, atacam alvos em terra. Ou é guerra.

Matéria da agência Reuters diz, em manchete: “Israel confirma ataque à Síria e alega ter atingido mísseis do Hezbollah”. No sábado, um militar israelense não identificado admitiu o ataque. A ideia de que visassem a atingir mísseis do Hezbollah é absolutamente sem sentido. (Adiante, mais sobre isso).

A página DEBKAfile (DF), ligada ao Mossad israelense, publicou em manchete que “Força Aérea de Israel bombardeia fábrica de armas químicas sírias e outros alvos no Líbano, Golan”. O texto diz que os bombardeios foram feitos “do espaço aéreo libanês e do Golan, iniciados na 6ª-feira e continuados até a madrugada do sábado”. Segundo fontes dos EUA, “16 aeronaves da Força Aérea de Israel participaram da ação”.

“Algumas fontes dizem que o alvo dos ataques teria sido um comboio que transportava armas químicas para o Hezbollah”. Podem dizer o que queiram: nenhuma fonte israelense ou norte-americana tem qualquer credibilidade.

O mesmo DEBKAfile dizia que Washington forneceu a Israel “um vídeo demonstração” de sua bomba de penetração “aprimorada” (Massive Ordnance Penetrator - MOB).

Na 6ª-feira, o Wall Street Journal noticiou. Dizia que o Pentágono o fez “para combater o Irã”. A questão é atacar “suas [do Irã] instalações nucleares mais fortificadas e protegidas”. Fordow é muito bem defendida; todas as instalações são subterrâneas.

“Os militares dos EUA têm dito que o desenvolvimento dessa arma é fator crítico para convencer Israel de que os EUA podem impedir o Irã de construir bombas atômicas, caso a diplomacia falhe e que, assim, Israel não precisa atacar o Irã por iniciativa própria”.

Dia 3/5, Michel Chossudovsky escreveu que “a bomba de penetração MOP é apelidada “a mãe de todas as bombas”. O uso desse armamento inevitavelmente indicará guerra total contra o Irã, em cenário de escalada militar”.

Em outubro de 2009, “o Pentágono confirmou [sua intenção] de usar a ‘Mãe de Todas as Bombas’ [orig. ‘Mother of All Bombs' (MOAD)] contra o Irã. É fórmula para produzir baixas em massa. Uma versão ‘aprimorada’ só fará matar ainda mais.

Essas bombas de penetração, MOABs, “são as verdadeiras armas de destruição em massa, no verdadeiro sentido da expressão. O objetivo desse tipo de arma é provocar destruição em massa de civis, com o objetivo de implantar o medo e o desespero entre as populações civis”.

É possível que Washington planeje usá-las contra a Síria, com o mesmo objetivo. Os EUA trabalham para destruir nações-alvo, com premeditação. Tem sido assim desde o final da 2ª Guerra Mundial.

Hoje, as armas são muito mais poderosas do que antes. Têm potencial de destruição para matar todos os seres vivos sobre a Terra. E pode acontecer planejadamente, ou por acidente.

Ainda não há detalhes sobre os recentes ataques israelenses. E não é a primeira ação ilegal do Exército de Israel. Com certeza, não será a última.

Em novembro passado, tanques israelenses atravessaram seis vezes a fronteira do Líbano, numa semana. Foram repelidos com mísseis antitanque e outras armas. Em fevereiro, jatos israelenses atacaram vários alvos sírios. Em todos os casos, alegaram ataques a comboios de armas e munições que viajariam da Síria para o Líbano.

A pergunta que ninguém faz é por que Assad enviaria munição e armas, de que precisa vitalmente, para o Líbano. Por quê?

Não faz sentido algum. Assad precisa de todas as suas armas. Se houvesse alguma verdade no que Israel diz, até Israel teria interesse em exibir provas. Não houve prova alguma.

Naquela época, DEBKAfile disse que Obama “deu luz verde a Israel”, para o ataque. O que comprovaria que Israel também opera nas guerras de Washington.

Israel e também a OTAN. Agressão direta, sem qualquer consideração à lei internacional é, há muito tempo, a política da aliança atlântica. Assim operam Israel e os EUA. Só as prioridades do império contam. Descartam a lei e todos os princípios legais.

Guerra é meio de vida para esses países: os dois priorizam a guerra. São estados em guerra, estados de guerra e estados para a guerra. A Síria tem sido sistematicamente agredida. Pode já estar completamente destruída, antes do fim do conflito.

Os recentes ataques israelenses fazem subir as apostas em jogo. Vê-se claramente: de um lado, Israel exercita os “músculos” militares. De outro, desafia a Síria a retaliar.

Se a Síria retaliar, disparará o gatilho da guerra total de intervenção, pelas forças de EUA-OTAN. É possível que Israel participe. Tudo pode acontecer, a qualquer momento.

Um porta-voz da embaixada de Israel em Washington, consultado, recusou-se a comentar o incidente da 6ª-feira.

Disse apenas que “Israel está decidida a impedir a transferência de armas químicas ou de qualquer tipo de armamento decisivo, da Síria para terroristas, especialmente para o Hezbollah no Líbano”.

Nada disso significa coisa alguma. É propaganda. Não há prova alguma de que a Síria possua, use ou esteja transferindo qualquer arma química.

Fabricam-se mentiras para aumentar a tensão. Tudo para empurrar a situação na direção de guerra total. Vê-se aí, bem clara, a imagem de uma Líbia 2.0. Pode começar a qualquer momento.
__________________

ATUALIZAÇÃO:
Na madrugada desse domingo, Israel bombardeou a Síria pela segundo dia consecutivo. explosões foram sentidas em Damasco, e seguiram-se grandes incêndios.
Washington e Israel são corresponsáveis por mais esse crime. À primeira vista, os ataques sugerem o início da intervenção em grande escala, na Síria. Ainda não se pode saber com certeza. Continuaremos acompanhando os eventos.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Stephen Lendman – “A horrenda face da OTAN”




29/8/2011, Stephen Lendman, OpEdNews
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Imagens não mentem, exceto as falsas imagens que a OTAN produz em Doha, Qatar e, provavelmente, por todo o mundo, e nos estúdios de Hollywood. Durante meses, os assaltantes saqueadores da OTAN e a gangue dos “rebeldes” assassinos violentaram e violaram a Líbia – mataram, destruíram, saquearam, sob o pretexto de que estariam protegendo alguém. 

Dia 22 de agosto, Obama, que já fez por merecer dois indiciamentos por crimes de guerra, descreveu aquelas falsas imagens como “manifestação do anseio básico e feliz por plena liberdade humana”. [1]

Dia 25 de agosto, a secretária de estado Clinton, mais uma que também já fez por merecer indiciamento por crimes de guerra, disse “os eventos na Líbia essa semana comoveram o mundo”. [2]

Por que não vão, eles e seus aliados na mesma conspiração, a Trípoli, Brega, Misrata e outras cidades líbias reduzidas a ruínas, e veem eles mesmos, com os próprios olhos? 

Se fossem, veriam os cadáveres insepultos pelas ruas, o sangue, a agonia no rosto dos sobreviventes, destruição por todos os lados para onde se olhe, miséria humana em escala jamais vista.

Por que não vão a Trípoli, para colher, em primeira mão, os frutos de sua vitória? Ver o que há para ver, sentir o fedor dos mortos, ver, ao vivo, a tragédia cada dia maior que se abateu sobre Trípoli? O que se vê em Trípoli é um devastador desastre humano. 

Dia 27 de agosto, o jornal Russia Today noticiava:

“... falta tudo, em Trípoli, combustível, água, eletricidade, e todo o tipo de produtos hospitalares e de primeiros socorros. A situação em campo aproxima-se perigosamente de vasta catástrofe humana. Trípoli enfrenta grave escassez de água potável, eletricidade, gasolina e remédios (...) Todos os serviços públicos estão paralisados”. [3]

Destruição, lixo, cadáveres em decomposição enchem as ruas. Doenças contagiosas e outras logo chegarão como epidemias, não só por causa dos cadáveres mas também por causa de água, terra e ar contaminados.

Que Obama e Clinton comecem a imaginar a fúria e o desejo popular de resistir àqueles horrores e a outros horrores que fatalmente virão. 

Eles que comecem a preocupar-se com o que pode vir adiante – resistência crescente, luta, compromisso real e profundo com liberdade humana real, não conformismo ante a servidão que aguarda os líbios sob o jugo dos saqueadores da OTAN.

Contra a ocupação por bancos e banqueiros. Contra o saque dos seus recursos pelo “Big Oil”. Contra Washington, Londres e Paris a decidir o que seria “melhor” para a Líbia.

Contra encolher-se em servidão contra esses ocupantes bandidos que contam com destruir a força da vida, do espírito, do desejo dos líbios. Nada, na Líbia ficará impune.

Os líbios não se renderão. Não escolherão a morte. Escolherão lutar contra a ocupação. Escolherão pagar o preço que custe a resistência, porque não resistir é o pior que lhes pode acontecer. Não podem aceitar e não aceitarão.

Durante o dia 27 de agosto, jornalistas independentes permaneceram como prisioneiros virtuais, sem poder sair do Hotel Corinthia em Trípoli, sem poder expedir suas matérias e comentários sobre o que realmente se passava em Trípoli e em outras áreas. 

Fizeram muita falta aquelas matérias e comentários. Esperemos que consigam sair de lá e cheguem em segurança às suas casas.

Dia 26 de agosto, o International Action Center publicou em manchete: “Líbia – Continua a resistência contra o avanço de EUA/OTAN”. A matéria dizia:

“Apesar da OTAN atacar com força máxima, ataques que dão cobertura a todo o tipo de ação de violência dos bandidos ‘rebeldes’ em terra, continua “a heroica resistência ao avanço dos imperialistas (...) Toda a imprensa-empresa insiste em repetir que há rendições em massa, que Gaddafi fugiu, que seus filhos estão presos e outras desinformações e mentiras. Na Líbia, com certeza, ninguém duvida que são mentiras, guerra de propaganda e artifícios de guerra psicológica”. 

Como já se viu acontecer no Iraque e no Afeganistão, declarações de arrogância (“vencemos”, “missão cumprida”) não porão fim à resistência popular. A luta continuará “de várias formas”.

Os líbios já resistiram heroicamente não só a meses de bombardeio, mas, também, à propaganda racista da imprensa-empresa (que apresenta os EUA e a máquina de morte da OTAN como “grandes libertadores brancos” [4]).

Nesse momento, os líbios enfrentam pilhagem em grande escala. A “responsabilidade de proteger” está convertida em razão para pilhar, enquanto a matança, a destruição, prosseguem.

O que está planejado para a Líbia é “o capitalismo de desastre”, como Naomi Klein explicou em “A doutrina do Choque”. A democracia do ‘livre mercado’ é mito. Os neoliberais saqueadores exploram a seu favor as ameaças à segurança, os ataques terroristas, as quebradeiras e falências, todos os desastres naturais e, sobretudo, exploram a seu favor todas as guerras.

O que se deve temer para a Líbia é o fim dos serviços públicos, privatizações gerais, a liberdade com a cabeça sobre o cepo, à espera da lâmina do carrasco. O ocidente espera impor uma versão neoliberal da Líbia, que substituirá a Líbia socialmente responsável da era Gaddafi. 

Essa foi a principal razão pela qual Gaddafi foi ‘condenado’ pelo ocidente. Foi preciso derrubá-lo do governo da Líbia, para que os predadores corporativos pudessem alimentar-se do cadáver da Líbia. 

Resultado disso, o ocidente já disputa os despojos. Até que definam o alvo seguinte, e o outro, e o outro, até que toda a África, todo o Oriente Médio, toda a Ásia Central sejam, afinal colonizadas, seja como for, ocupadas de um modo ou de outros, e, claro, saqueadas.
Latuff - EUA/OTAN "protegem" civis na Líbia

Para Washington, a pilhagem parasitária é definição triunfalista do livre mercado, incluindo sempre a privatização ensandecida de empresas públicas, nenhuma regulação, cortes de impostos para os ricos e de salários para os pobres, exploração desenfreada, geração incansável de miséria, cada vez maior; e controle militarizado sobre os explorados. 

É o que Bilderberg quis dizer ao falar de “sociedade global sem classes” – uma nova ordem mundial onde só haveria senhores armados e servos. Nada de classe média, nada de sindicatos, nada de democracia, nenhuma igualdade e nenhuma justiça, só oligarcas armados, autorizados a fazer o que bem entendam, protegidos por leis que os beneficiam e acobertam.

Está bem claro no livro de Milton Friedman, de 1962, Capitalismo e liberdade. Lá se lê:

“... só uma crise – real ou pressuposta – produz mudança verdadeira. Quando ocorre uma crise, as ações a tomar dependem das ideias que haja à volta. Nossa função básica é desenvolver alternativas às políticas existentes (e nos preparar para suspendê-las) quando o impossível passar a ser politicamente inevitável.” 

Para Friedman, as únicas funções do governo seriam “proteger nossa liberdade do assalto de inimigos externos e de outros cidadãos; preservar a lei e a ordem, para garantir que contratos privados sejam cumpridos; preservar a propriedade privada; e promover a competição nos mercados.” 

Tudo em mãos públicas é socialismo, ideologia, para Friedman, blasfema. Dizia que os mercados funcionam melhor quando funcionam sem regras, regulações, impostos, barreiras protecionistas, “interesses entrincheirados”, interferência humana. De tal modo que o melhor governo seria, na prática, o nenhum governo. 

Em outras palavras, o business faria melhor, tudo o que qualquer governo faça. Ideias sobre democracia, justiça social e sociedade cuidada ou protegida, dizia Friedman, seria tabu, porque interfeririam no capitalismo solto ladeira abaixo, na banguela.

Disse que a saúde pública deveria ser posta em mãos privadas, a acumulação de lucros, ilimitada, abolidos todos os impostos cobrados de todas as empresas, e os serviços sociais reduzidos, ou completamente abolidos. Acreditava que “a liberdade econômica é um fim em si mesma e meio indispensável para que se chegue a liberdade política”. 

Em relação à Líbia, nem a liberdade econômica nem a liberdade política são sequer pensáveis, a menos que a resistência popular impeça que prossiga o saque e retome, dos saqueadores ocidentais e seus aliados, o que já saquearam e venham a saquear. Sem resistência, nada restará aos líbios além da servidão.

Essa dura realidade tem de ser mudada, é preciso resistir, não importa o que custe ou quanto tempo dure a resistência. Temos de esperar que os líbios estejam à altura do sacrifício e da luta que se exige deles. Que se alimentem da fúria contra a planejada ocupação pela OTAN e o saque em andamento. Desistir é via que não poderão sequer considerar.

A resistência bem pode ser o coringa contra o qual Washington espera não ser obrigado a disputar. Em outro artigo, escrevi “Líbia: Manter viva a chama da liberdade” [5]. Em outro, “Nada acaba antes de terminar”. [6]

Lembremos os versos de John Lennon, “Imagine nada por que matar ou morrer. Viver a vida em paz. Esperar que um dia o mundo viva como um só mundo”. [7] É preciso tentar. 

É preciso tempo para alcançar coisas importantes. O impossível demora um pouco mais.

O primeiro passo é detonar a visão de Friedman do que seria o melhor dos mundos, a OTAN, Washington ocupada pelas grandes corporações. 

Conseguindo isso, teremos dado um primeiro passo para ajudar a libertar os líbios e, talvez, mais gente, em outros pontos do mundo, lutando pelo mundo em que todos merecem viver. Não é difícil. Está aí fora, à espera de que nos decidamos a ir buscá-lo.



Notas dos tradutores
[1] 22/8/2011, “Discurso do presidente sobre a Líbia (em inglês).
[2] 25/8/2011, “Declaração da secretária de Estado sobre a Líbia (em inglês).
[3] 27/8/2011, “Libya: on brink of humanitarian disaster (em inglês).
[4] 29/8/2011, em Global Research, LIBYA – Resistence to US/NATO Conquest Continues (em inglês).
[6]It Ain't Over Till It's Over”; é título de uma canção de Leni Kravitz (vídeo e letra). O artigo (24/8/2011) está em Libya War: It Ain’t Over Till It’s Over (em inglês).   
[7] Pode ser ouvido em John Lennon – Imagine

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Stephen Lendman: “Líbia - Manter viva a chama da liberdade”


26/8/2011, Stephen Lendman, OpEdNews
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A caça ao petróleo da Líbia começou em abril, quando o ministro das Relações Exteriores da Itália Franco Frattini disse que Paolo Scaroni, presidente da gigante italiana do petróleo ENI, mantivera contato com o Conselho Nacional de Transição na Líbia, para “reiniciar a cooperação no setor energético e manter a colaboração com a Itália no setor do petróleo.”

Em junho, o Washington Post publicou que ConocoPhillips, outra gigante do petróleo, esta norte-americana, e outras companhias associadas, também haviam feito contato com o Conselho Nacional de Transição. Nansen Saleri, presidente da empresa Quantum Reservoir Impact, de engenharia, disse que: “Agora já podemos ver que lado vencerá, e não é o lado de Gaddafi. Várias partes do mosaico começam a tomar forma. As empresas ocidentais estão-se posicionando. Daqui a cinco anos, a produção de petróleo na Líbia será maior que hoje e os investimentos estão começando a aparecer”. É o que ele pensava!

Embora seja responsável por apenas 2% da produção mundial de petróleo, a Líbia é o mais rico país africano em reservas de petróleo de alta qualidade – grande parte do qual ainda não está sendo explorado.

Dia 22/8/2011, no New York Times, Clifford Krauss escreveu que “A guerra não acabou e já começou a disputa pelo acesso ao petróleo líbio.”

De fato, os abutres já haviam chegado vários meses antes, certos de que a morte e a putrefação da nação líbia seria questão de tempo. Pode ser que sim, pode ser que não. Apesar da euforia que as televisões e jornais exibem, a coisa não está, não, de modo algum, resolvida.

Várias empresas, contudo, além da ENI e da ConocoPhillips, já estavam envolvidas na luta – a britânica BP, a francesa Total, a espanhola Repsol YPF, a austríaca OMV, as norte-americanas Hess, Marathon, talvez a ExxonMobil, e outras.

Dizem os jornais que Rússia, Brasil e, sobretudo a China seriam excluídas da partilha, por ordens de Washington – que já dava Gaddafi como carta fora do baralho.

Além disso, o governo Obama e a OTAN já tinham pronto um plano detalhado para a Líbia sem Gaddafi, que incluía uma força – exército de ocupação – sustentada pelos Emirados Árabes Unidos, suplementada talvez pelos “capacetes azuis” da ONU.

Em outras palavras, o plano previa detonar a soberania da Líbia e substituí-la por força militar e paramilitar de ocupação comandada por governo-fantoche que serviria aos interesses de empresas ocidentais, não dos líbios. Basta isso para se ter certeza de que haverá resistência líbia, como há resistência afegã, iraquiana e por todos os cantos naquela região, contra EUA-OTAN.

Informação distribuída pelo website DEBKA file  ligado ao Mossad israelense pode ser verdadeira ou falsa, como se sabe. Mas dia 23/8/2011 aquela página informava que “milhares de combatentes armados de tribos leais a Gaddafi estão em movimento na direção de Sabha” no sudoeste da Líbia – região na qual se supõe que Gaddafi esteja escondido. “Entre eles, há importantes chefes da tribo Gaddadfa” (na qual se inclui a família Gaddafi) estimados em cerca de 100 mil na região de Sirte, no litoral entre Trípoli e Benghazi.

DEBKA dizia que forças especiais do Reino Unido, França, Jordânia e Qatar “lideraram o ataque dos rebeldes a Trípoli e ao complexo Bab al-Azaziya onde Gaddafi vivia”. Foi a primeira vez que tropas ocidentais e árabes “combateram lado a lado, em qualquer das revoltas árabes da Primavera Árabe (2011) e a primeira vez que forças árabes são incluídas em operação da OTAN”. 

Elementos ocidentais envolvidos incluiriam agentes especiais do Reino Unido e da França, além de ‘forças especiais’ da Jordânia – “especialistas em guerrilha urbana e em capturar instalações fortificadas”, além de forças especiais do Qatar.

Apesar de dizer que Trípoli estaria quase toda sob controle dos ‘rebeldes’, DEBKA dizia que “a guerra não será rápida”. Pensavam talvez no Afeganistão e no Iraque. Mas a guerra na Líbia pode ser muito mais longa do que DEBKA e outros supõem.

Em Progressive Radio News Hour (programa gravado na 5ª-feira para ir ao ar no sábado), o professor de Direito Francis Boyle disse aos ouvindo que se deve esperar guerra longa na Líbia, além de ser possível que o conflito se alastre pela região e talvez além dela. Não é o único; Webster Tarpley também vê risco de longa guerra civil (tribal) na Líbia. Boyle e outros também desmentem os relatos de que Trípoli estaria sob controle dos ‘rebeldes’ e dizem que a batalha prossegue nas ruas.

A Grande Mentira “jornalística” contra os fatos 

Desde o início dos conflitos na Líbia, a imprensa-empresa veiculou informação falsa sobre vitórias da OTAN ou de grupos aliados à OTAN. A ideia, evidentemente, é controlar as mensagens, confundir o inimigo e não gerar pânico nos países membros da OTAN (cuja população tem filhos, filhos, irmãos, maridos, pais no front), fazendo crer que tudo estaria andando conforme o previsto e que a vitória estaria próxima. 

Nota dos tradutores:
“O enviado da Rede Globo, Marcos Uchoa, que chegou ontem a Trípoli, “informou”, no “Jornal da Globo”, que os líbios “têm o hábito de atirar para cima” (informação que foi acompanhada de movimento do dedo do jornalista, como se estivesse com o dedo num gatilho), e que os tiros que se ouviam ao fundo, enquanto o jornalista falava, festejando a paz que o cercava na Líbia, não passavam de “tiros comemorativos”.
Seja verdade, seja mentira, fato é que nunca antes na história desse país alguém se atrevera a falar de “tiros comemorativos” em sentido e com entonação indiscutivelmente laudatórios.
Mesmo no pior jornalismo do mundo, difícil imaginar ridículo mais absoluto”. 

De fato, a situação em Trípoli e em outros pontos da Líbia nada tem de semelhante ao que a OTAN parece ter previsto; por todos os lados o que se vê é caos e tiros. Nada absolutamente está decidido e o que se discute é que tipo de novos exércitos ocidentais serão mandados para lá, se os gaddafistas não forem rapidamente contidos e os “rebeldes” não se impuserem. O que se vê também é que os “rebeldes” não têm qualquer plano de ação, nenhuma organização e estão sofrendo baixas pesadas – dado que já não contam com o apoio aéreo da OTAN que lhes deu cobertura no sábado, para entrarem em Trípoli.

Dia 24 de agosto, a rádio Voice of Russia noticiou que “Agências russas ouviram pessoal médico ucraniano em Trípoli que falam de balas perdidas, prédios saqueados e absoluto caos. Os habitantes da cidade mantêm-se em casa e as ruas estão tomadas por bandidos. Testemunhas oculares falam de uma gangue armada que teria invadido e saqueado as embaixadas da Bulgária e da Coreia do Sul e a residência do embaixador da Ucrânia. Não há dúvidas de que a luta em Trípoli continua. Absolutamente nenhum analista sério arrisca-se a dizer que os rebeldes controlam alguma coisa (...).”

Toda a mídia-empresa ocidental opera na direção de desinformar e distorcer a realidade em campo. Quanto mais se acompanham as grandes redes de televisão e jornais, mais se tem certeza de que nada sabem e nada vem – ou que mentem deliberadamente.

No New York Times, o que se viu de mais aproximado da verdade foram alguns fragmentos de frase de Anthony Shadid, dia 24/8, em matéria intitulada “Depois das revoltas árabes, reina a incerteza”, em que diz: “A Líbia é uma revolução em andamento, que tanto inspira quanto gera ansiedade, e ilustra o quanto a mudança de regime pode ter-se tornado perigosa nessa nova fase da Primavera Árabe”. 

O que se pode dizer com alguma certeza 

O que continua na Líbia não é uma revolução: é uma guerra civil instigada (e armada) pelo ocidente. Que é violenta, não há dúvida; que gera ansiedade, ok. Mas nada tem de “inspiração” para ninguém, sobretudo não, evidentemente, para os milhões de líbios que estão sob fogo cerrado da OTAN e de mercenários ou de grupos da oposição que, sob Gaddafi, jamais andaram pelas ruas atirando a esmo. 

Quanto à “Primavera Árabe” sequer começou e está muito longe de dar flores políticas consistentes – por mais que aquelas lutas sejam “inspiradoras” e se deva esperar que continuem a dar coragem para que os povos lutem por direitos que há muito tempo lhes têm sido negados. A “inspiração” da “Primavera Árabe” nada tem a ver com a inspiração que move as gigantes do petróleo no ataque/saque que estão movendo contra a Líbia.

Mas há fragmentos de verdade no que Shadid escreveu: a liderança do Conselho Nacional de Transição é, sim “opaca e sem coesão”. Anota também que armar mercenários estrangeiros, como faz a OTAN hoje na Líbia, para apresentá-los ao mundo como “rebeldes” e “combatentes da democracia” é “exatamente o mesmo tipo de intervenção que tem longa e triste história e sempre foi tóxica, no mundo árabe”. E que “a transição para uma nova ordem”, nessas circunstâncias, pode ser... tumultuada”. A palavra é fraca, mas o argumento não está completamente viciado, como os demais, nas páginas daquele jornal, sobre o mesmo tema.

Mas Shadid esquece de dizer que na Líbia, no Egito, no Bahrain, na Tunísia e em muitos outros pontos do mundo árabe, ninguém, em sã consciência, consegue ver algum sinal de alguma dor do parto de alguma democracia. Também não comenta o que disse o Dr. Moussa Ibrahim, porta-voz do governo líbio: que as forças pró-Gaddafi controlam 20 cidades e extensas áreas do país, acrescentando: “Continuaremos a resistir até que Gaddafi volte ao poder. Todo o comando do governo está em Trípoli. As forças legais, exército e voluntários controlamos a cidade”. 

É quadro absolutamente diferente do que a OTAN e as empresas de televisão e jornais do ocidente insistem em pintar. Não só a OTAN e as empresas de televisão e jornais, mas, também gente respeitada como, dentre outros, o prof. Juan Cole, que festejava, não se sabe o quê, em artigo do dia 22 de agosto [aqui omitido].

O artigo do prof. Cole só faz repetir desinformação, má informação, distorções e completas mentiras de jornais e agências noticiosas. Dificilmente se encontraria mais lamentável expressão de desonestidade intelectual: parece ser discurso de quem espera colher benefícios da mentira. Não é o único, nem é o pior. O prof. Cole é, apenas, mais um, numa legião. Toda e qualquer mentira, suficientemente repetida, convence os mais tolos que, infelizmente, são maioria estatística. 

Muito mais confiáveis são os relatos que dizem que a situação na Líbia está indefinida, que é caótica, que reina a mais terrível violência e que nada está resolvido. Também é verdade indiscutível – vê-se nas ruas – que Gaddafi continua imensamente popular.

Simultaneamente, a população odeia a OTAN e os assassinos “rebeldes” com os quais não querem qualquer tipo de aproximação com associação. Resultado disso, deve-se esperar que a luta prossiga por muito tempo. 

Se a população líbia conseguirá derrotar a OTAN, ainda não se pode dizer. O que se pode dizer é que isso é, resumidamente, o que a população líbia mais deseja que aconteça. É desejo, também, de todos que reconheçam que é direito de todos os povos resistir à dominação imperial. 

É possível que o espírito da “Primavera Árabe” – muito mais que os resultados obtidos até aqui – consiga inspirar os líbios e outros árabes a não ceder ante a violência da agressão e da ocupação militares. É sua única chance.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Terror do bombardeio de Washington em curso na Líbia

De tradutores para tradutores: recebemos, distribuímos

Enviado pelo pessoal da Vila Vudu
Por Stephen Lendman, OpEdNews - 18 de julho de 2011
  
Em 14 de julho, a manchete da agência ligada a Mossad DEBKSfile: “A Guerra da Líbia acabou. Obama faz de Moscou o mensageiro da paz. A OTAN para os ataques”, dizendo:

“Cala-se a gritaria, a guerra na Líbia terminou na quinta de manhã, 14 de julho, quando (Obama) chamou o presidente russo, Dmitry Medvedev para entregar a Moscou o papel de liderança nas negociações com (Gaddafi para acabar) o conflito - contanto que o soberano líbio volte atrás em favor de uma administração transitória”.

Mais sobre a demanda de Obama logo abaixo. Por enquanto, o bombardeio terrorista da América a Líbia continua inabalável, apesar do informe do Gabinete do Secretário de Imprensa da Casa Branca em 13 de julho, dizendo que:

Obama agradeceu “os esforços da Rússia para mediar uma solução política na Líbia, enfatizando que (Washington) está preparado para apoiar as negociações que levem a uma transição democrática.... desde que (Gaddafi) fique de lado”.

De fato, Obama rejeita os valores democráticos no exterior e em casa, noções intoleráveis que ele não vai aceitar, nem paz, travando várias guerras imperiais sem trégua. Na Líbia, além disso, a questão não é Gaddafi, é colonizar outro país, controlar seus recursos, saqueando suas riquezas, e explorando o seu povo, o objetivo de sempre dos Estados Unidos.

Em 15 de julho, Washington e cerca de 30 países europeus e do Oriente Médio reconheceu ilegalmente os líderes insurgentes como governo legítimo da Líbia – o chamado Conselho Nacional de Transição (CNT). Reunidos em Istambul (sem China e Rússia), o Grupo de Contacto da Líbia emitiu uma declaração, dizendo:

“De agora em diante, e até que uma autoridade provisória entre em vigor, os participantes concordaram em lidar com o (CNT) como a autoridade legítima do governo da Líbia.”

Acrescentou que Gaddafi não tem mais legitimidade e deve deixar a Líbia com sua família.

Explicando o que é claramente ilegítimo, a secretária de Estado Hillary Clinton disse:

“Nós ainda temos de trabalhar com diversos aspectos jurídicos (em outras palavras, evitá-los totalmente), mas esperamos que este passo no reconhecimento permita ao CNT acessar fontes adicionais de financiamento, incluindo US $ 30 bilhões de até US $ 150 bilhões da riqueza roubada da Líbia, além de seus recursos petrolíferos ricos, gás e água que valem muitos mais.”

Ao mesmo tempo, a frustração cresce após quatro meses de impasse de operações terrestres e aéreas. Como resultado, apesar de dizer que Gaddafi deve sair, alguns parceiros da OTAN parecem dispostos a deixá-lo ficar, embora não em sua capacidade atual.

Gaddafi, de fato, promete nunca deixar ou render-se aos insurgentes ou a OTAN. Em um comunicado de áudio em 16 de julho, ele disse aos apoiadores:

“Eles estão me pedindo para sair. Isso é uma risada. Eu nunca vou deixar a terra dos meus antepassados ou as pessoas que se sacrificaram por mim. Depois de termos dado nossos filhos como mártires, não podemos recuar ou nos render ou desistir ou nos mover um centímetro”.

Os Líbios o apoiam esmagadoramente, reunindo em imagens (e relatórios) que a grande mídia suprime, acessada em: Libya in Pictures: What the Mainstream Media Does Not Tell You.
  
Ninguém os chamou. Ninguém exigiu apoio a Gaddafi. Eles vieram por conta própria, o que geralmente acontece quando as nações são atacadas ilegalmente. As Pessoas reúnem-se esmagadoramente atrás do líder contra os agressores estrangeiros. Os Líbios conhecem Washington e a OTAN, não é Gaddafi o seu inimigo.

Além disso, eles estão armados, prontos para defender seu país contra os invasores porque Gaddafi deu cerca de dois milhões de armas civis, mais do que suficiente para derrubá-lo se quisessem. Eles não o fazem!

DEBKA também disse que:

“A partir de 09 de julho, (suas) fontes militares (disseram) que a OTAN interrompeu seus ataques aéreos contra os alvos pró-governo em Trípoli e em outros lugares. (Embora sem aviso prévio, assinalou) que 15 mil missões de vôo (na verdade 15.308 até 15 de julho) e 6.000 (na verdade 5.767 até 15 de julho) bombardeios de alvos de Gaddafi haviam falhado em alcançar seu objetivo”.

Na verdade, a web site da OTAN (Operational Media Update for Unified Protector) afirma o seguinte:

Em 09 de julho: 112 vôos de reconhecimento efetuados, incluindo 48 missões de ataque;

Em 10 de julho: 139 vôos de reconhecimento efetuados, incluindo 54 missões de ataque;

Em 11 de julho: 132 vôos de reconhecimento efetuados, incluindo 49 missões de ataque;

Em 12 de julho: 127 vôos de reconhecimento efetuados, incluindo 35 missões de ataque;

Em 13 de julho: Não há dados publicados. O padrão acima provavelmente continuou.

Em 14 de julho: 132 vôos de reconhecimento efetuados, incluindo 48 missões de ataque.

Em 15 de Julho: 115 vôos de reconhecimento efetuados, incluindo 46 missões de ataque.

Relatando de Trípoli em 17 de julho, o Analista do Oriente Médio / Ásia Central, Mahdi Nazemroaya, mandou por e-mail que

“... a primeira noite foi muito ruim aqui. Eles bombardearam como loucos e tudo estava tremendo.”

Ele elaborou um artigo no Global Research, com título: NATO Launches Bombing Blitzkrieg over Tripoli hitting Residencial Areas

Chamando-o de uma virada de noite “Blitzkrieg” (guerra surpresa), ele citou:

“... grandes explosões ouvidas à distância. Múltiplas áreas urbanas foram bombardeadas simultaneamente esta manhã”.

De acordo com testemunhas, cerca de 60 a 75 bombas acertaram Tajura (14 km a leste de Tripoli) e área da cidade de Seraj. Continuando um padrão regular, alvos civis foram atingidos, incluindo áreas residenciais. Em 16 de julho, a televisão estatal Líbia informou na sua maioria vítimas civis sem números específicos.

Até agora, de fato, para cada morte de combatentes, 10 civis foram mortos como resultado de bombardeio a locais não militares atingidos, incluindo bairros residenciais.

Durante a noite perto das áreas bombardeadas, “foi como um terremoto. Grandes edifícios tão distantes como na Rua Al-Fatah.... estavam tremendo”.

Em 16 de julho os ataques, no entanto, diferiram dos anteriores. Cheiro de queimado e “uma estranha fumaça tomou conta do ar” e permaneceu. “Ele ainda permaneceu na pele (depois) dos bombardeios .... Os sons (e colunas de fumaça) eram diferentes”.

Depois de atentados anteriores, a fumaça subiu verticalmente “como um fogo, mas esta noite (era branca e) horizontal .... pairando sobre Tripoli”.

Uma explosão causou “uma nuvem de cogumelo enorme, apontando para a possibilidade da utilização de bombas (nucleares) contra bunker”. Dentro de um raio de 15 km dos alvos, “as pessoas experimentaram ardor nos olhos, dor lombar, (e) dores de cabeça”, sintomas inexplicáveis não sentidos anteriormente.

Na semana passada, de fato, o procurador-geral da Líbia Mohammed al-Zikri Mahjoubi acusou o Secretário Geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, de crimes de guerra, dizendo que ele vai ser criminalmente acusado de:

“Agressão deliberada contra civis inocentes, o assassinato de crianças, bem como tentar derrubar o regime líbio ....( Ele é) responsável (por) atacar pessoas desarmadas, matando 1.108 pessoas e ferindo outras 4.537 no bombardeio de Trípoli e de outras cidades e aldeias”.

Ele também o acusou de tentar assassinar Gaddafi.

Em 14 de julho, Rasmussen tentou ter as duas coisas, “incentivando todos os aliados que têm aeronaves à sua disposição para participar na operação”, enquanto chamando para uma solução política pró-ocidental que os líbios não aceitarão, nem devem.

Um comentário final

Garantir o controle imperial é problema, o objetivo de colocar a América em desacordo com milhões de líbios decididos a resistir e prevalecer.

Na verdade, a estratégia de Washington pode ter saído pela culatra. A maioria dos líbios uniu-se atrás de Gaddafi, em conjunto com aliados regionais e outros, incluindo a China e a Rússia (para seus próprios interesses estratégicos), contra a “libertação” dos exploradores ocidentais.

Embora nenhum fim para o conflito seja iminente, talvez desta vez o poder do povo poça triunfar. Se assim for, a mensagem para outras vítimas imperiais é não desistir.

Lutando tempo suficiente para prevalecer, por vezes, conseguem. Talvez seja este tempo para os líbios.

Stephen Lendman vive em Chicago. Podem visitar o seu blog em e ouvir discussões com convidados ilustres no programa Hora Progressiva de Notícias no Radio Network, quintas-feiras às 10:00 horário central dos EUA e sábados e domingos ao meio-dia. Todos os programas são arquivados para fácil audição.