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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SENSO X CONTRASSENSO - MAIS UMA VITÓRIA DE FLORIANÓPOLIS

Raul Longo

Viver em Florianópolis é conviver num constante embate entre senso e contrassenso. Mal se descansa de uma luta para evitar um absurdo a ser acometido pelas autoridades contra o bem estar comum e já se vê em novas reuniões, discussões, manifestações.

Assim foi nos tempos da ditadura, quando a Marinha resolveu privatizar a Ponta do Sambaqui, uma área pública constituída por um bosque de Pitangueiras onde famílias vindas de outros bairros se reúnem nos domingos de verão, aproveitando à sombra das árvores à beira do mar.

Além desta função que a identifica como patrimônio público, a Ponta do Sambaqui é um sítio arqueológico. Não pesquisado, mas é. Geologicamente também chamada de berbigueira, caieira, caleira, mina de sernambi, ostreira, samauqui, sarnambi; sambaqui é um depósito de origem natural que através dos tempos vai constituindo terraços de diversos agentes geológicos, sobretudo cascas de moluscos, conchas.

Deduzem alguns paleontólogos que em busca da eternidade os pré-históricos que ocuparam a América do Sul desenvolveram um processo rudimentar de mumificação, enterrando seus mortos nesses sítios onde a grande presença do cálcio das conchas dos moluscos impediria a corrosão dos esqueletos. Outros não são tão confiantes nessa observação e consideram mais provável uma mera coincidência e consequência provocada porque esses sítios que se espalham por toda a costa atlântica e à beira de rios, seriam os mais propícios para a subsistência coletora daqueles primórdios da humanidade. Vivendo onde pudessem satisfazer a dieta de moluscos catados, ali também enterravam seus mortos.

De qualquer forma, como em todos os cultos funerários das mais antigas culturas, junto aos mortos sepultavam seus pertences: ferramentas, utensílios e objetos de pedra, e até alguns objetos cerâmicos.

Em diversos estados brasileiros há sambaquis pesquisados por arqueólogos. No Maranhão há um muito importante e mesmo nas propriedades particulares se é obrigado a ceder o acesso à pesquisa desenvolvida por instituições universitárias, como a da USP que anualmente deslocada uma equipe de professores e alunos para a Ilha do Mar Virado, no litoral norte do estado de São Paulo, em Ubatuba, uma concessão da Marinha ao empresário da Tigre, a indústria de tubos e conexões.

Ali no Mar Virado a condição para a manutenção da concessão da ilha não só é a hospedagem da equipe de arqueólogos, como inclusive a responsabilidade pelo impedimento de qualquer outro acesso ao local demarcado de pesquisa, inclusive aos ocupantes da ilha. Mas em Florianópolis a Marinha resolveu ceder a península que forma a Ponta do Sambaqui para o capital privado empreender ali um hotel. Evidente desastre que poluiria e destruiria um dos mais paradisíacos recantos da Ilha de Santa Catarina, sobretudo pela falta de sistema de coleta de esgoto que inevitavelmente seria despejado ao mar, pois trata-se de uma península com uma entrada que não tem 20 metros de largura.

Para que as autoridades da época pudessem enxergar o óbvio, foi preciso muita briga e muita luta da comunidade do Sambaqui, o que gerou a criação da primeira Associação de Moradores do Município de Florianópolis.

Nessa luta se formou uma das comunidades mais guerreiras da cidade.

Mas a população de Florianópolis protagonizou muitos momentos de grande bravura popular, como em Novembro de 1979 quando estudantes e trabalhadores cercaram a comitiva do então ditador João Baptista Figueiredo acompanhado pelo interventor Jorge Bornhausen. Quase todos da comitiva ditatorial iam apanhando da multidão e só foram salvos pela intervenção da Polícia Militar com ajuda da Polícia do Exército.

Ainda hoje relembrado com muito orgulho pelos catarinenses como a Novembrada, o episódio deu início a queda da ditadura que culminou com o Movimento das Diretas já iniciado por Lula da Silva em Diadema e logo desenvolvido por Teotônio Vilela nas Alagoas. Mas ainda sem o nome de Diretas Já. Foi o movimento da população de Florianópolis que deixou claro aos militares que o contrassenso da ditadura já estava com os dias contados.

O próprio nome da cidade resulta de um contrassenso e de um embate desses. Além de massacrar os líderes revoltosos aprisionados na fortaleza da ilhota de Anhatomirim, se impôs à antiga Desterro uma eterna homenagem a Floriano Peixoto, o tirano milicanalha contra o qual aqui se revoltava.

E se perpetua o estigma. Se mensura o tempo pelas lutas e mobilizações populares para manutenção de algum senso de lógica. É comum se ouvir as pessoas comentarem terem se conhecido em uma ou outras dessas lutas em que se envolvem os cidadãos para conter os desmandos dos políticos.

Por vezes se fica em dúvida se uma amizade surgiu na briga contra o prefeito quando quis elevar a cota de andares permitidos às construções de edifícios, ou na outra para impedir que a companhia de saneamento do estado desviasse a verba do PAC economizando no destino do sistema de esgoto implantado, para despejá-lo no rio mais próximo.

Nesse último caso, um exemplo típico foi o de quando o diretor da estatal afrontou a comunidade afirmando que o esgoto seria jogado no rio “Nem que for na marra”. Convocou-se ministros e técnicos de Brasília e hoje há uma comissão formada para buscar a decisão mais acertada, mas a rede de esgoto, já implantada, não promoverá o contrassenso de poluir a desembocadura do maior rio da Ilha de Santa Catarina, nem mesmo na marra, porque aqui só quem faz marra é a multidão.

Costumo dizer que em muitos aspectos essa Ilha é um continente. Mas em outros parece um hospício onde os doentes tomaram a direção e a população constantemente tem de adverti-los para não porem fogo e destruírem tudo. E se esses alienados que detêm o poder contam com o incondicional apoio da mídia local monopolizada pelo grupo RBS, por outro lado os sadios têm contado com significativo apoio dos Ministérios Públicos. Tanto o Estadual quanto o Federal.

Mas para ter ideia do que é o poder que controla este estado, basta lembrar que é o único do país onde ainda hoje não se respeita a determinação constitucional e não se criou uma Defensoria Pública. De todo o Brasil, apenas Santa Catarina!

Tais fatos provocados pelo controle político da eminência parda de Jorge Bornhausen, muitas vezes nos faz sentir mantidos nos anos de chumbo do século passado. Apesar de ser um dos estados mais ricos do país e se localizar na tão decantada região sul, em termos democráticos Santa Catarina é um dos estados mais atrasados do Brasil.

Talvez por esta razão o empresário Eike Batista se imbuiu de tanta certeza em emplacar suas pretensões de obter financiamento para instalação de um estaleiro, com objetivos paralelos ainda não revelados, mas que se evidenciam no comunicado da desistência da implantação do megaestaleiro no canal da Ilha, ao afirmar que: “O Grupo EBX estuda o desenvolvimento de outros empreendimentos para a propriedade em Biguaçu, reafirmando assim o seu compromisso com o Estado e a população de Santa Catarina.”

Blablablá à parte, o que não se ignora é que há muito tempo Eike Batista adquiriu a área onde pretendia instalar o maior estaleiro latino-americano. Muito antes da descoberta do Pré Sal. E também se sabe que a área total corresponde ao dobro de seu megaprojeto de estaleiro. Afora isso, também não é segredo que o empresário tinha e continua tendo outras opções no estado que não provocariam o mesmo caos social e ambiental a ser provocado pela localização em Biguaçu, além do considerável menor custo de instalação com imediata viabilidade.

Mister X revelou seu truque para uma plateia que estará muito atenta à natureza dos outros empreendimentos para a propriedade em Biguaçu. Se não forem tão nocivos e impactantes às águas da baía que conforma o canal entre a Ilha e o continente, não haverá indisposição em assistir as mágicas do bilionário. Do contrário, já sabe que não adianta contratar ajudantes para distrair a atenção do público na tentativa de fazer desaparecer as comunidades e atividades tradicionais desta população.

Desta vez, além dos Promotores dos Ministérios Públicos, tanto do Estadual quanto do Federal, sempre pautando pelo bom senso e no combate ao contrassenso junto com a população, temos muito a agradecer aos técnicos do  ICMBio.

Lamentamos, e muito, o contrassenso dos políticos. Não de todos, pois estamos acostumados à maioria deles e não era de esperar qualquer postura de real defesa dos interesses do povo de Santa Catarina; mas o contrassenso daqueles de quem mais esperávamos a defesa dos interesses das classes mais populares de trabalhadores desta região: pescadores e maricultores; foi bastante decepcionante.

Esperamos que ao menos reconheçam ter provocado e promovido inúmeros outros contrassensos, como os daqueles que já adiantavam culpabilidades ao governo federal com afirmações estapafúrdias e sem qualquer embasamento ou fundamentação, como a de que Lula seria sócio do Eike Batista, ou de que Lula e Dilma busquem desenvolvimento a qualquer custo.

Aos que usavam dessas acusações vazias para brigar contra o empreendimento, desejamos que em próximas lutas sejam capazes de reconhecer quanto tais posturas são improdutivas, quando não, contraproducentes.

Se a esses faltou perspectiva, também é preciso reconhecer que foram enganados pelos primeiros, os que, sendo de Santa Catarina e próximos ao governo através do PT, anunciaram que a Ministra do Meio Ambiente haveria desconsiderado o parecer técnico, transformando a questão em decisão política.

E aí também me enganaram e também minhas perspectivas sobre o caso se distorceram, chegando a escrever desaforos à Ministra. Agradeço às técnicas do ICMBio cujos nomes me comprometi não revelar e que me alertaram sobre essa falácia. Mas se a realidade resgata a imagem da Ministra, à quem me desculpo, ainda mais chafurda a dos mentiram sobre a real posição de Izabella Teixeira, comprometendo-a injustamente perante a opinião pública.

Mas há um político que merece um desagravo pela repreensão de sua nota pública de discordância ao estaleiro. O presidente de seu partido no estado reclamou por Nildomar Freire não ter consultado o diretório estadual. Nildão fez é muito bem em consultar as bases e os trabalhadores, pois o seu partido não é o PD, o Partido dos Diretórios. Seu partido é o PT, o Partido dos Trabalhadores. Quem não consultou os trabalhadores que o fizesse. Ou que procure os que representam outras classes.

E do PT agradeço a todos os blogs que publicando os textos sobre o estaleiro, ajudaram a levar as informações sobre esse contrassenso por todo o Brasil. Todos os blogs e listas de apoiadores do governo Lula e da presidente Dilma, sobretudo ao Beatrice do Maranhão, à redecastorphoto de São Paulo, a Tribuna da Internet e ao “Quem Tem Medo do Lula” do Rio de Janeiro que muito torceram, apoiaram e divulgaram a luta catarinense. A minha amiga Lila de Brasília (não posso dizer exatamente da onde, mas é você mesma Lila Verão!) E ao Marcos Lula por indicar meu textos sobre o tema do estaleiro ao portal Dilma na Rede.

A força tarefa suprapartidária em prol de Eike Batista precisou invadir o gabinete da Ministra Izabella para tentar transformar o processo em questão política, e vocês nos ajudaram a lutar politicamente para manter a decisão técnica do órgão federal de regulação ambiental.

E agradeço também as palavras de incentivo de correspondentes do PSOL e do PV. Inclusive a da correspondente do DEM ou PSDB que nesta questão em particular encontrou um ponto de concordância comigo, sem cair no contrassenso dos que tentaram me convencer que a ameaça do estaleiro seria consequência de um governo inconsequente ou irresponsável.

Mas apesar desse contrassenso, a esses também se deve valorizar a participação na luta. Talvez doravante consigam entender com maior clareza o processo e aprendam onde encontrar aliados com bom senso e acima dos conceitos montados ou fabricados.

E por falar nos pré conceitos, há que se agradecer e aplaudir a comunidade do Jurerê Internacional que enfrentou inclusive seus antigos aliados da RBS e do Diário Catarinense com muita galhardia, arrostando-lhes a evidência da canalhice.

Haverá despeitados que dirão que só vencemos o bilionário Eike Batista porque vocês também são ricos, mas sabemos bem que isso é falácia e os admiramos por irem às ruas como multidão e como multidão carregar faixas e vaiar a Polícia Naval quando prenderam nossos maiores heróis nessa luta. Uma luta que começou aí do vosso lado, através da comunidade da Daniela.

E é preciso lembrar que foi a comunidade da Daniela que iniciou essa luta contra Eike Batista. Dos de Santa Catarina citei apenas os nomes do Nildão, porque foi individual e politicamente muito prejudicado no apoio que nos deu, e não quero citar o de mais ninguém para não ser injusto com tantos, mas preciso lembrar aqui, como exemplo, um diálogo entre Paulo Monteiro, o diretor da OSX e uma brava companheira da Daniela. Ao se encontrar frente a frente com a companheira num momento da audiência pública, Paulo tenta um sorriso e ruge: “Você é uma pedra no meu sapato”. Sem sorrir, ela decepa: “Então você vai ter de amputar o pé!”

Da comunidade do Sambaqui e Sto. Antonio de Lisboa nem preciso dizer nada. Nosso Boi, nossa Bernunça e o Baiacú de Alguém dispensam palavras. Mas quero agradecer o apoio e as informações do Sambaqui na Rede, a divulgação do Fala Sambaqui, e o Estala Estaleiro do Portal Desacato.

Hoje ganhamos uma guerra em que muita gente nos acreditou vencidos já no início, embora nós todos nunca duvidássemos disso de nosso bom senso em lutá-la. Nunca duvidamos de que a multidão derrota o bilhão. Nunca duvidamos de que não há exercito maior e mais do que o da multidão. Nem aqui e nem em Honduras.

É verdade que as amigas do ICMBio me tranquilizaram bastante já naquela audiência pública em que tentaram nos coibir e constringir, mas o dinheiro e as forças políticas bem poderiam ter pervertido o essencial sentido técnico da decisão, para a qual esta nota da OSX abaixo se faz uma saída honrosa, ou menos constrangedora.

Talvez conseguissem reverter, mesmo a contragosto da Ministra, obrigando o governo a aceitar pressões dos políticos catarinenses, com opinião pública manipulada pela RBS. Daí a grande importância de nossa luta que inviabilizou as tentativas e manobras nesse sentido, como quando conquistamos os passageiros da dezena de enormes ônibus de auto luxo para colher a gente pobre da periferia de Biguaçu que deveria fazer claque à OSX na audiência em que nos coagiam com teleobjetivas, tentando nos amedrontar com outra dezena de guarda-costas; mas ao final a claque da OSX aplaudiam nossas falas.

E nessa luta, tivemos um herói muito simbólico. Se há um momento em que pudemos ter certeza de que a partir daquele momento ganháramos a luta, foi quando a Polícia Naval conduziu nosso Pescador para a Capitania dos Portos.

A luta foi grande e vencemos o homem mais rico do país. Isso tem de ficar nos anais da história dessa região e desta cidade. Isso merece um marco, uma comemoração para que as futuras gerações jamais esqueçam do poder da multidão. E sugiro que ali, onde a Polícia Naval nos devolveu nosso herói, a ele seja erigido um marco. E que nele se inscreva: “Aqui, em tal data, um manézinho pescador desta baía fez o homem mais rico do Brasil tomar senso e ir embora desse canal!”

E quando outro voltar com novos contrassensos, a gente leva ate ali e mostra para ver se adquire um pouco de senso e não nos dá tanto trabalho.

Até a próxima luta, torcendo para que algum dia tenhamos melhores políticos para eleger no estado.         

domingo, 14 de novembro de 2010

Instalação do estaleiro do grupo OSX em Biguaçu na Ilha de Sta. Catarina, Florianópolis

Comentários do escritor, jornalista e poeta, Raul Longo


Assunto: Parecer sobre a instalação do estaleiro do grupo OSX em Biguaçu será finalizado nesta sexta-feira (publicado pelo portal T1 – José Augusto Valente – Diretor Técnico)

Castor:

(Me desculpe a extensão de tudo o que te escrevi aí adiante, mas peço sua atenção por motivos que serão explicados)

Vi aí a notícia sobre o estaleiro OSX. Evidente que ambas as coisas estão relacionadas: a questão biológica e a social, já que as principais fontes de ofertas de mão de obra daqui da região advêm da manutenção da biologia e da beleza natural. Ou seja, se o parecer da presidência do ICMBIO impedir o licenciamento, se tornará compreensível até mesmo àquela faixa da população influída pela mídia e pelo entusiasmo dos políticos locais, ainda que alguns empresários (esses, sim, uma meia dúzia) continuem esbravejando algum tempo por terem frustradas suas velhas intenções de instalações de marinas e portos, impossibilitados pelos altos custos da dragagem deste canal.

No entanto, entre estes a maioria há anos alimentam tais intenções voltadas para recepção de grandes barcos de passeio ou transporte turístico e só quando começarem a perceber a queda do fluxo turístico entenderão a que estamos nos referindo quando nos indispomos contra a vocação natural da região. E, evidentemente, não culparão aos seus partidos e candidatos ou ao governador do DEM que elegeram. Mas, sim, ao governo federal.

Não terão coragem de enfrentar a lembrança de como hoje apoiam o empreendimento, mas, já hoje, quando não encontram argumentos para refutar nossas previsões, se evadem com paradoxais acusação de que Lula é sócio do Eike ou que esse licenciamento já foi negociado em troca do financiamento da campanha eleitoral da Dilma.

O candidato do PSOL usou isso em sua campanha e nos debates sem ser rebatido pela Ideli em momento algum. Aliás, afora o do PSOL, nenhum dos candidatos tocou no assunto durante os debates, nem mesmo o do PV que, após passada as eleições, vem fazendo coro a todos os que acusam Lula e Dilma de desenvolvimentistas a qualquer custo. Essa versão se cristalizará com um eventual licenciamento a ser decidido pelo ICMBIO, principalmente pela falta de um estudo de impacto social. Eu mesmo sou crítico a isso de apenas técnicos ambientalistas serem consultados, pois a magnitude do impacto ambiental está intimamente relacionada com o social. Se não aprovado o licenciamento, a falta desse cuidado se esvai, mas se aprovado, imagino que será o grande motivo de continuidade da luta contrária ao empreendimento que prosseguirá e com ainda maiores desgastes de imagem ao governo federal.    

Apesar da omissão do assunto nos debates e em toda  as campanhas dos candidatos, Ideli acirradamente a defesa do empreendimento logo que notificado e assim como Dilma é a mãe do PAC aqui será a mãe do Estaleiro, com Ideli de madrinha e Fritsch ou Gregolin de padrinhos. Tenho sempre de insistir no nome do Eike Batista porque já tem muito gente chamando de estaleiro do Lula. E é a própria esquerda (PSTU e PSOL) local que vem responsabilizado o governo federal pelo empreendimento, enquanto, constrangida pelas declarações da Ideli no início do processe, a militância petista apenas se amoita. Sou o único que dou a cara a bater, pela independência ao partido de que desfruto e preservo. Mesmo assim, me ironizam de todos os lados: na rua e pela internet.

Claro que tudo isso é orquestrado e sabemos muito bem de quem parte o comando dessa manipulação que quebrou as pernas do PT local. Difícil aceitar como ocasional vacilada política, pois as tantas denúncias contra Leonel Pavan de ligação ao tráfico de drogas, contra Luís Henrique da Silveira por superfaturamento na contratação de Andrea Bocceli no final do ano que passou, impedida pelo Ministério Público que também condenou o prefeito pelo superfaturamento de uma árvore de natal; evidenciavam uma muito possível vitória de Ideli ao governo do estado. Principalmente porque Colombo não é político de muita projeção e tem como correligionários e principais cabos eleitorais a mesma quadrilha citada.

Mesmo que não elegêssemos Ideli, tudo isso evidenciava que nestas eleições, enfim, conseguiríamos resultados muito significativos para o PT, apesar de ainda refletir muito por aqui os efeitos do golpe do mensalão, sempre utilizados pelo grupo do Bornhausen que além do DEM e do PSDB encampa todo o PMDB catarinense.

Um PMDB reiteradamente desgastado, por acusações de corrupção desde Paulo Afonso e neste e todos os anos anteriores da gestão de Luís Henrique no governo do estado e Dário Berger na prefeitura da capital.

Os Amins não conseguiram eleger sucessor à prefeitura 6 anos atrás, tampouco o próprio Espiridião se reelegeu governador há 8 anos e nem prefeito há 2. No entanto Ideli, que há 8 anos foi eleita como a Senadora mais votada no estado, perdeu para eles nesta eleição de agora.

E não foi por campanha movida contra ela em 2006 por motivo de um financiamento da Eletrosul sob direção de seu ex-marido para um curso que a Senadora fez no exterior. Recordando disso agora, reforçam-se ainda mais as suspeitas que adiante vou te expor. Pode ter sido mera casualidade, mas talvez explique o que na época me fez estranhar pela inusitada aparente isenção dos tão comprometidos Sirotsky, abrindo espaços em todos os programas de suas emissoras e jornais para que Ideli se defendesse das acusações de seus adversários locais: Pavan. Luís Henrique, Paulo Bornhausen, César Souza. Na época gostei daquilo, embora não conseguisse entender como poderia ter ocorrido a despeito da estreita afinidade do grupo empresarial de comunicação com os adversários e acusadores de Ideli.

O apoio da Ângela Amin e sua participação na força tarefa de políticos que se reuniram com a Ministra do Meio Ambiente para desconsideração do parecer do ICMBIO local sobre o estaleiro, é natural e não a comprometeu como candidata. É uma empresária e esse apoio corresponde às bases de sustentação de sua candidatura. Ainda assim, Ângela soube ser discreta. Pavan, que não é candidato a nada, apenas governador em exercício, também foi discreto. Luís Henrique ficou quieto e sequer esteve na reunião. Raimundo Colombo esteve, mas igualmente se manteve discreto.

Na linha de frente, assumindo a defesa do empreendimento com toda a truculência e/ou desfaçatez própria do grupo ao qual pertencem, ficou Edison Andradino, ex-prefeito de Florianópolis e pmdebista calhorda renomado e reconhecido como um dos iniciantes do processo de degradação ideológica do partido, Paulo Bornhausen e César Souza, filho e afilhado do Jorge. Ambos toleimas e reiteradamente derrotados em diversas eleições, ainda que  Paulo ocupe a cadeira de deputado federal por voto puxado. Mas é bom que se destaque que foi derrotado por Leonel Pavan que do PSDB compunha a aliança de sua chapa ao Senado na campanha de 2002, e por Ideli, a então mais votada; apesar do esforço dos Sirotsky, que controlam as pesquisas locais, em apontar durante todo o decorrer daquela campanha, inclusive na boca de urna, o filho de Jorge Bornhausen como primeiríssimo colocado, Pavan em segundo e Ideli numa muito distante terceira colocação, disputada com o então candidato dos Amin.

Apesar desse candidato dos Amin ter sumido na poeira atrás do Bornhausinho, foi por um triz que o Luís Henrique conseguiu ir para o segundo turno contra o Esperidião, mas não teria chance alguma no segundo turno. Até que Lula, então em campanha por seu primeiro mandato, o colocou no palanque na praça da Alfândega sob minhas vistas e senti o mesmo receio que sinto com o Temer, mas vamos lá ver no que dá.

Naquela vez deu merda muito antes do mensalão, pois assim que eleito se esclareceu a franca e pública ligação dos Henriques: Luís da Silveira e Fernando Cardoso, sob a sombra de Bornhausen e com escandalosa participação de menores prostituídas em boates de luxo de Leonel Pavan, o que custou a cabeça do chefe da casa civil para salvar a coroa do governador recém eleito. Boatos inserem FHC no caso, mas de fonte segura, porém impublicável por questões de risco de execução sumária já que a carne negra é a mais barata, tal qual a canta e denúncia Elza Soares; só garanto o El Ratón, como se o alcunha popularmente no meio de minhas fontes fidedignas.

De lá pra cá os escândalos promovidos pela quadrilha foram sucessivos e crescentes em proporções inimagináveis, porém notórias. Mas vou te contar de algumas que ainda não havia notado:

Participei, há duas semanas atrás, de um seminário na UFSC onde eminentes oceanógrafos, biólogos, geógrafos e cientistas sociais expuseram um estudo sobre os  megaempreendimentos a serem lançados na faixa litorânea desse estado entre Balneário Camboriú e Laguna. Todos já negociados com grandes incorporadoras da Espanha, da França, da Inglaterra,  envolvendo capitais belga, árabes, judeu e norte-americanos (Estados Unidos e Canadá), além de outras nações europeias e asiáticas.

Seremos uma Dubai. Quer dizer, seremos nada, porque os estudos dos acadêmicos demonstraram claramente que não caberemos neste espaço. Mais que isso, demonstraram, inclusive, que sequer compensará cabermos em Santa Catarina. Mas minha comparação é mal feita porque Dubai, por mais desproporcional que se aparente, é um investimento programado para exploração turística a longuíssimo prazo. Manias das antigas civilizações de se eternizarem na história que não são contidas nos projetos lançados pela quadrilha comandada por Bornhausen enquanto esteve sob a chefia de Luís Henrique, agora transferida para Raimundo Colombo. Pois tudo ali não passa de especulação imediatista e mesmo os investidores sabe que é coisa para levantar muito dinheiro momentâneo e largar de mão. Grande oportunidade que já não se encontra mais nesse mundo todo voltado para o tal desenvolvimento sustentável e cheio das responsabilidade ambientais.

Faz-se a merda aqui e deixa que se espalhe por conta de alguém, muito provavelmente para quem estiver no próximo governo, pois, segundo as análises dos cientistas a merda é bem próxima. Tanto em termos geográficos quanto cronológicos.

E que merda é essa?

Foi demonstrada de forma muito clara e concreta por um oceanógrafo catedrático da Univale que se ateve exclusivamente no impacto ambiental de cada um dos empreendimentos restritamente divulgados pelo governo Luís Henrique, através de um impresso policrômico com dados nos quais o cientista desenvolveu a projeção da área marítima a ser degradada pela lotação populacional de cada um dos mega hotéis, resort e condomínios previstos e já negociados desde Camboriú até Laguna.

Em seguida, cada um daqueles cientistas demonstraram como se afetariam todas as espécies naturais e as populações da região, mas já nesse primeiro estudo oceanográfico se evidenciou que seja qual for o sistema de tratamento de esgoto empregado, entre as inúmeras tecnologias existentes no mundo, dadas as características  das correntezas marítimas de nossa costa (contorno geográfico, temperatura, fluxo, etc.)e os cursos fluviais que nela incidem; em menos de 10 anos se inviabilizará o turismo em toda a região por isto ter se tornado uma das maiores cloacas a céu aberto do mundo.

Provavelmente você esteja considerando a possibilidade de um exagero de minha parte ou dos cientistas; afinal empreendimentos de tais proporções requerem estudos prévios de impacto ambiental. De fato, e é por esta razão que se realizou aquele seminário promovido pela Universidade Federal, a Universidade Estadual, a UNIVALE e a UNISUL, estas últimas privadas. A realização do evento se deu no auditório da reitoria da UFSC à contragosto do reitor, cooptado pela quadrilha e que integrou a força tarefa para pressionar a Ministra do Meio Ambiente no que se refere ao Estaleiro que tanto me preocupava, sem fazer ideia de que a amplitude do crime em andamento é muito mais fedida do que poderia ter imaginado e extremamente mais nociva. Seja para a população do estado, seja para a imagem nacional e internacional do governo Dilma Rousseff.

Os cientistas ali reunidos já expediram ao governo federal e Ministérios atinentes, um alerta sobre a ação das empresas contratadas para os estudos de impacto ambiental desses projetos negociados durante o governo de Luís Henrique e a serem concretizados por Raimundo Colombo. Por seus próprios levantamentos, estas empresas revelam-se totalmente inidôneas. No caso da Fosfateira de Anitápolis, um exemplo já em processo prévio para início de instalação, foi contratada a mesma Caruso Jr. que desenvolveu o EIA-RIMA do megaestaleiro de Eike Batista. Desativada há décadas passadas, a primeira mineradora que tentou extrair o material naquele município na encosta da serra, conseguiu repassar a concessão para uma multinacional com a mediação do governo do estado que tem como presidente da FATMA – Fundação de Meio Ambiente, a Murilo Flores que não é técnico, mas sim político do DEM, único do partido que não se descompatibilizou do cargo governamental para se candidatar as últimas eleições, mantendo-se na gerência das providências necessárias aos licenciamentos desses projetos.

A mesma FATMA, em governo anterior determinou a inviabilidade de exploração do fosfato da região porque o processo empregado (único disponível e conhecido no mundo) para separação do fosfato do material rochoso da montanha que contém o minério, é através de tanques ácidos de alta evaporação e condensação. O que resulta em grande incidência de chuvas ácidas, altamente corrosivas à vegetação e erosivas à terra.

Naquela ocasião se registrou incidência de chuva ácida na região, vindo atingir o leste desta Ilha e a FATMA determinou a desativação da mineração que, agora, transferida a um consórcio franco-belga contratou os serviços da Caruso Jr que minimizou os riscos. Inclusive de erosões na encosta da serra, por onde o fosfato descerá por gravidade para o porto de Imbituba através de dutos. Mas os estudos da Caruso Jr não convencem aos químicos das universidades e ainda menos as populações de Imbituba e Laguna, fatalmente atingidas pelo ácido a escorrer pelas encostas erodidas da serra, caso a erosão ocasione o rompimento de algum dos grandes tanques a serem instalados entre as contenções naturais da região montanhosa.

No que se refere ao estaleiro, a despeito da UNIVALE e da UFSC ter disponibilizado pela internet um extenso estudo conjuntamente desenvolvido por décadas através de coleta de informações das comunidades pesqueiras tradicionais, além de visualização costeira por mergulho e coleta de indivíduos por arrasto nas partes mais profundas deste canal; a Caruso Jr. – Estudos Ambientais e Engenharia - preferiu realizar suas próprias pesquisas e, em menos de um ano, detectou um pouco mais do que 50 espécies de vida marinha existentes em nosso canal, contra as mais de 200 catalogadas pelos pesquisadores acadêmicos que, pelos resultados das duas pesquisas puderam notar que a empresa consultora se limitara à coleta de arrasto, ou às espécies de profundidade que são as menos utilizadas no comércio e pela culinária.

Ainda assim, 40% das espécies catalogadas no EIA-RIMA da Caruso tiveram seus nomes trocados e ao menos uma das espécies ali indicadas não existe no canal que é marítimo, e se trata de espécie de água doce, natural da Amazônia e muito utilizada como peixe ornamental de aquário.

Em razão de tamanhas falhas técnicas, questionei Murilo Flores e Paulo Monteiro, diretor da OSX, em audiência pública, sobre como poderíamos ter garantias de que a quantidade do arsênio existente no leito do canal a ser dragado, seria tão mínima quanto afirma a Caruso Jr. E expus minha preocupação de se repetir os milhares de mortes ocorridas em outras regiões do mundo, em números que relacionei numa anotação para minha mera e fraca memória. Paulo Monteiro fez questão de ver o que anotara, mesmo confessando ser apenas uma relação manuscrita: Chile tantos mortos, Canadá tantos, Bangladesh outros tantos e por aí vai. Ou seja, evidentemente o diretor da OSX não faz a menor ideia dos riscos oferecidos pelo arsênio.

Enfim, Castor, brinca-se com coisa muito séria. Séria demais e com muito maior inconsequência do que imaginei a princípio. Mas porque estou te escrevendo isso tudo?

Desde aquele seminário de 2 noites, por tudo o que ali se expôs, se propôs, se refutou e se conversou cheguei a algumas conclusões que me parecem bastante claras e tenho de comparti-las com alguém que aqui já não tenho. Não tenho, porque os companheiros do PT local perderam, com as últimas eleições, qualquer poder de influência, inclusive dentro do próprio partido dominado pelos políticos de maior destaque e que se aliaram ao PSDB através da aproximação entre Ideli Salvatti e Leonel Pavan. O PCdoB local, além de igualmente apoiado pelo PP por acordos de outra Ângela, a Albino, com os Amins, também participa do empenho político por estes projetos representando os interesses daquele grupo. Demais partidos, PSTU e PSOL, você pode imaginar o que e como sejam. Convictos de que o governo Dilma, tal qual o de Lula, quer desenvolvimento a qualquer custo, conseguiram me afastar do movimento contrário ao estaleiro, dirigido pela classe média do Jurerê Internacional e Daniela, por meu apoio à candidatura nacional do PT.

 E a partir daqui desse pequeno estado, Castor, estou muito preocupado pelos resultados dessa nossa árdua luta que envolveu tantos companheiros por todo o Brasil com os quais, ao longo destes 5 anos, vimos trocando informações e discussões, tentando desmontar a solapa ao governo Lula pela mídia e a oposição. Tenho muita clara na memória aquela imagem do Bornhausen ao lado do Fernando Henrique dando como exterminada a nossa “raça”. Desde então me dediquei a me informar sobre o histórico do Bornhausen por aqui, aproveitando que estou na terra onde se formou essa força política coronelista.

Me informei sobre seus métodos e ações desde o pai que não lhe deixou para trás nem a invejar. Entre Irineu, Jorge e Paulo Bornhausen a diferença só é de gerações, mas a cabeça é única, mantendo as tradições familiares dos alemães daqui, cuja inflexibilidade de caráter espanta até mesmo os alemães que vêm da Europa. E o outro ramo da família, Konder, ainda que um pouco menos troglodíticos, não se fazem diferentes.

Aprendi que, por mais trogloditas sejam, os Bornhausen são muito mais insidiosos do que todos os grandes coronéis nordestinos que também me interessavam quando morei por lá. Há evidentes diferenças. Lá os coronéis mandam matar e pronto. Aqui há mais sutileza: compra-se. Segundo uma amiga minha, não há político catarinense que não se venda por uma troca de mobília.

Bornhausen também poderia mandar matar como muita facilidade. Fernandinho Beira-Mar não passou uma temporada na cela da Polícia Federal daqui para fazer veraneio, mas só quando não há negociação apela para essa sua outra área de atuação.

Quando dois Ministros da Pesca, ambos daqui do estado, apoiam um empreendimento que nitidamente extinguirá a atividade na região, e o atual nega, publicamente, a existência de atividade pesqueira neste canal; fica claro haver aí uma mão de gato. Quando a candidata com praticamente todas as chances de ser eleita se sujeita a dividir votos com os Amins, desfazendo-se de forma tão óbvia da mais significativa fatia de sua militância e eleitorado, se vê aí o delinear de um projeto político mais extenso. Até a exposição no seminário da UFSC, eu só avaliava a extensão cronológica desse projeto em termos regionais, mas a grandiosidade dos empreendimentos arrolados na publicação do relatório do governo Luís Henrique me fez imaginar que tanto dinheiro não seja apenas para locupletar ainda mais a família Bornhausen e as de seus asseclas.

Desde então isso vem rebolando em minha cabeça e se misturando a imagens e fatos que estranhamente vêm se repetindo pela TV e pelos jornais dos Sirotsky. Fico me perguntando, por que Ideli de uns tempos para cá se dispõe à se apresentar ao público como tão amiga e íntima de Leonel Pavan? Claro que a gente sabe que nos bastidores não existe aquela guerra e farpas trocadas pela imprensa, mas abraços e beijos pela imprensa todo político costuma evitar da mesma forma que também buscam demonstrar alguma cordialidade para ir levando o eleitorado, mas sempre com a parcimônia necessária para não confundi-lo. O que temos aqui não é parcimônia alguma, muito pelo contrário. Pavan e Fritsch publicamente exaltam suas concordâncias, mas quando o candidato à deputado estadual e presidente do PT municipal emite nota de contrariedade a instalação do megaestaleiro, Fritsch acorre à imprensa para advertir o amigo, mais que companheiro de partido.  

Como comentou um pescador outro dia: “Tá mais difícil de reconhecer quem é quem, do que cardume de cardoso ao de sardinha”. Aí começo a reparar que essa dificuldade já é anterior à questão do estaleiro, ou antes de nos chegar informações sobre o projeto. Essa pegação já vem de bem antes e lembro de quando perguntei ao Neco sobre o que acontecera com Ideli que estava estranha comigo. Depois perguntei ao Nildão, em outra ocasião, depois de uma festa em sua casa. Neco achou ser impressão minha e Nildão conferiu aos seus problemas de coluna. Fritsch, por outro lado, foi se tornando mais próximo e mais simpático, e só concluo não haver tanta naturalidade naquilo tudo, quanto nos possa ter parecido.

Pensei em repassar essas minhas preocupações para o Nildão, mas, coitado, está tão desacorçoado com que Ideli, Vignatti, e Fritsch fizeram com ele nessas eleições, que até me constranjo em tocar no assunto. Nelson Motta demais envolvido com seu Ponto de Cultura e minha preocupação aumentando ainda mais nesta semana, quando a própria Ideli anuncia pela imprensa daqui que ficará responsável pela fiscalização das verbas regionais destinadas pelo governo Dilma. Isso lá é coisa que se anuncie logo aqui!

Me preocupa. Muito. Inclusive porque quando Ideli veio de Brasília depois daquela reunião com a Ministra do Meio Ambiente, saiu distribuindo pelo próprio twitter e toda a imprensa que Santa Catarina “ganhou” o estaleiro, porque teria convencido a Ministra a desconsiderar o parecer do ICMBIO. Pasmado, escrevi uns desaforos à Ministra e umas técnicas do ICMBIO, pedindo sigilo de seus nomes, me informaram não ter ocorrido nada do que Ideli e Andrino espalhavam, pois na verdade a Ministra apenas suspendera o processo, acertadamente esperando passar o momento político. Mais tarde a imprensa local, por manobra de não sei quem, anunciou que o Ministério transferira a decisão para a FATMA. Outra mentira, mas que não percebi qualquer esforço da Ideli por desmentir.

Quando ameacei colocar o pessoal para se manifestar na carreata da Dilma, ainda no primeiro turno (foi apenas uma jogada, pois sabia que não iria dar resultado), veio um assessor da Ideli dizendo que “ela não pediu, me mandou falar contigo”. Papo furado que cortei de imediato:  “Não é comigo! Vocês tem de falar é com os pescadores que iriam votar na Ideli. Vão lá ver se revertem.” Hoje me arrependo do sangue quente na hora. Deveria ter ouvido o que tinham a dizer.

Mas estou com um elefante atrás da orelha, Castor, e não tenho a quem pedir que se tenha algum contato dentro do governo Dilma, ou qualquer aproximação dentro do PT, que alerte para manterem o olho bastante aberto com esses catarinenses. Já pensei no Laerte, no Adauto, mas não conheço nenhum deles e já tomei bronca de petistas que se incomodam pelas minhas carraspanas no Gregolin e na Ideli. Não tenho saco com esses xiitas do PT, tão abilolados quanto os leitores de Veja. De forma que só tenho você para expor essa minha preocupação na esperança que a repasse para alguém com condições de recomendar uma observação mais afinada do grupo.

Pode ser excesso de zelos meus, mas, “sei não” – como dizia o personagem de Adoniran Barbosa no filme O Cangaceiro.

Desculpe o extenso do escrito, mas precisava explicar ser detalhado para que você ter ideia da dimensão e das razões de minhas preocupações com o futuro do governo Dilma, no que se refere à Santa Catarina. Um estado tão pequeno, mas terra e refúgio do último dos coronéis. E dos piores coronéis, pois mil vezes mais aqueles dos jagunços do que esse de tanta mobilidade junto à Aznar e Uribe. Acho que todo cuidado é pouco para não vermos repetir a daqui há 3 ou 4 anos o mesmo processo que com tanto esforço tivemos de desmontar para reeleger Lula e eleger Dilma. Como disse Serra: a luta continua.

Abraço grande.
Raul

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Comprovado! Existe: O PESCADOR!

Raul Longo

O Ministro da Pesca disse que ele não existe e todo mundo acreditou. Nem a moça que diz defender e representar os interesses de sua classe, apareceu para pedir opinião sobre o fim da atividade na região. Nem opinião nem voto. E olha que era época de eleição!

O empresário deitou falação sobre golfinhos dizendo que os levará para outra parte, que cuidará dos cetáceos, que ninguém precisa se preocupar com o “bicho” (conforme a esses animais se refere o “especialista” contratado pela empresa). Mas sobre ele, o Pescador, não disse uma palavra.

É como se não existisse mesmo. Pelo menos não tanto quanto os golfinhos que ao menos têm quem se preocupe com eles. E todo mundo acredita que golfinhos existam, apesar de só porem o dorso fora d’água e já afundam rapidinho!

Os técnicos e cientistas fazem cara feia pro empresário e falam em área de preservação, em reserva ambiental, em espécies ameaçadas. Mas dele ninguém fala nada. E é das espécies mais antigas daqui dessas bandas!

Muita gente aí, cheia das existências, chegou bem depois dele que tá aqui desde quase a época dos índios. Há quem diga até que, pelo lado de um antepassado, ele é meio índio.

Será que índio existe? Ou é só história dos antigos que acreditavam em tudo o que não existe? Vai ver ele deixou de existir de tão antigo que é!

O Ministro é moderno! Não vai ser tolo de acreditar em assombração!

Será que ele é assombração?

Se é assombração, pelo menos é uma assombração que se alimenta e se os técnicos e cientistas não falam dele, ainda assim estão defendendo a reprodução dos peixes. Enquanto existir peixe poderá manter a inexistência de toda a família.

E quando também não existir mais peixe e frutos do mar, o que é que ele vai fazer?

Varrer chão de estaleiro? Trabalhar de graxeiro de guindaste, de motor de navio cargueiro, de máquina de plataforma de petróleo?

A filha vai servir café, a mulher vai lavar macacão de operário, o filho será moleque de mandados e um dia, um dia quem sabe, poderá ir ao mercado comprar um peixe pro almoço de domingo. Vai ser peixe chique... Importado!

Desses que o Estudo de Impacto Ambiental do empresário bilionário diz existir aqui. Diz que existe, mas ele mesmo nunca viu. Não viu nem pescou porque é peixe de água doce que só existe no Estudo de Impacto Ambiental do bilionário. Pra quem não é bilionário, é peixe que existe em rio.

Vai ver que o Ministro não acredita em sua existência porque é do interior. Pode ser que nem conheça a capital e nunca viu o mar. É Ministro só de pesca de peixe de rio, peixe de Estudo de Impacto Ambiental.

Pescador de rio pesca de barranco e não sabe o que é ter de buscar a rede com tempestade ameaçando lá no fundo, por trás do morro do continente ou do outro lado da Ilha. Pescador de barranco não faz ideia do que é o vento rebojo rodopiando um barco no meio do canal, com medo de ser jogado na costeira. No barranco do rio não tem a correnteza gelada e cortante que sobe da Antártica arrastando as lanternas de ostras e os cachos de mexilhão que se tem de buscar no frio da madrugada.

Quem é do barranco, o que sabe do camarão ou da tainha? Tudo isso é lenda, mitologia. Conversa de pescador!

Será que ele é uma mentira?

Mas e o peixe do turista no hotel? A ostra no restaurante? O camarão do bar à beira da praia? É o quê?

O que ele pesca não tem em rio de Ministro nem em Estudo de Impacto Ambiental de bilionário, mas se ele realmente não existisse quem ia trazer esse peixe, pescar esse camarão, cultivar essa ostra e esse mexilhão?

Quem vai dar emprego ao garçom? Ao cozinheiro? À ajudante da cozinha?

O estaleiro também? Ou só o que existe, o que vai existir, será o estaleiro com seus 4 mil empregados trazidos de fora pra fazer o que ninguém aqui nunca fez nem tem ideia de como é?

Vão todos deixar de existir ou o estaleiro vai dar emprego para as camareiras, as moças das lavanderias de hotel? Os estafetas, gerentes, ascensoristas, aquele pessoal que arruma ocupação para hóspedes que não sabem que o pescador tem muito mais a divertir, a contar, a ensinar?

Músicos! Haverá quem considere romântico uma serenata ao luar se espelhando em nódoas de óleo ou verniz, químicas e venenos? Com torres de ferro e aço ao fundo?

Ou quem sabe a malevolente pachorra de um petroleiro inspire um nova dupla de Menescal/Boscoli ilhéus: “Dia de sol, festa de luz/e o cargueiro a fumegar, no oleado cinza do mar”.

O que será de sua cidade? Existirá a cidade? Se ele não existe, como pode existir a cidade? Toda a região de seis ou sete municípios? Até o Lúcio Costa, apesar de ter criado uma cidade do futuro, sabia que cidade nenhuma é apenas uma arrumação de prédios, avenidas, viadutos e interesses políticos e econômicos. Toda a humanidade sabe que uma cidade é seu povo, sua gente.

Roma é os romanos. A luz de Paris são as pessoas dos cafés, dos cabarés. Não existe Salvador sem os baianos. Não existe Rio de Janeiro sem os cariocas.

O que será de sua cidade se ele não mais existe? É ele a música da cidade, o motivo do desenho do pintor. É por ele que a rendeira trança os bilros, o artesão escalavra a madeira, o mercador mercadeja e o Mercado se faz festa a cada dia da semana. Só por ele é que se faz passeios, se dança, se brinca no boi-de-mamão, na dança-de-fita. É para ele o canto da ratoeira, o chiste, a fala, o dito, a graça e a piada.

Tudo aqui é ele e sem a sua existência será um lugar qualquer, sem cultura e sem história. Um lugar que será feio, sujo, fétido, sem amor e sem humor.

Mas quem haverá de ouvir essa verdade se na verdade do Ministro ele não existe? Não existe tanto quanto não existem, no Estudo de Impacto Ambiental do empresário bilionário, os peixes que pesca há tantos anos. E pescou seu pai e seu avô, e o avô do avô de seu pai.

O peso dessa ancestral inexistência recai em suas costas e, na tristeza do inexistir, o pescador se põe a olhar distraidamente à Ilha do outro lado do canal. O canal que é estreito e dá para divisar a fimbria da praia na outra margem.

Há um vulto na praia em frente. Talvez também acocorado sobre uma ponta de pedra. Um vulto cismático como o dele. E parece que está olhando à sua praia. Parece que está olhando para ele.

Reparando bem, há ali um barco. E se for do vulto aquele barco...

A silhueta distante se ergue. Se faz ereta, caminha ao barco e recolhe a poita. Mais um inexistente como ele!

Reconhecer aquele igual é uma última esperança na própria existência. Sente como um descobrir-se e, no estímulo da repentina sensação, acena. O vulto responde e aponta uma direção. Ele compreende: é preciso adentrar o canal em direção sul, ao centro da Ilha.

Seguindo para a sua embarcação, o pescador vê muitos de outros barcos zarpando de vários pontos da orla da outra margem. Ao subir para adentrar em seu barco, reconhece outros mais partindo das praias da margem de seu lado. Já se afastando da costa, percebe mais outros barcos adiante. Olha atrás de cada margem e vê que são muitos, todos seguindo à mesma direção sul, ao centro da Ilha. Mais e mais barcos com seus motores de popa martelando, ecoando no meio do silêncio do canal marítimo trincado de azul e sol.

De suas proas os pescadores se acenam e há naquele aceno uma multiplicação. Uma multiplicação impossível de ser imaginada pelo bilionário que para ser o homem mais rico do mundo, faz do X a divisão solerte da solidão. Mas o pescador, já não se dividi entre existir ou não existir, como quer o Ministro. O pescador se confirma em cada um daqueles pequenos barcos, em todos seus companheiros. E é nos companheiros, nos trabalhadores como ele, nos seus iguais, que o pescador redescobre a existência negada.

O tóc-tóc do motor em seus ouvidos tem um sentido que se repete nos motores de cada barco; o ao lado, o mais atrás, o que vai à frente, o que vem lá de longe. Naquela batida cartesianamente repetitiva, em seus ouvidos insiste uma verdade: “Eu existo. Eu existo. Eu existo.”

E a existência do pescador se tornou tão concreta e real que a Polícia Naval, apesar de nunca o ter enxergado em sua ínfima condição de senhor do imenso, desta vez reconheceu-lhe. Se não propriamente a existência, por uma inusitada insolência.

Mas no caso do Ministro ainda duvidar dessa existência, não confiando nem nos registros de atuação da polícia da Marinha, aí abaixo está Nossa Excelência, o Pescador, entrevistado pelo Portal PortoGente para que ninguém nunca mais duvide de que existe, sim, atividade pesqueira no canal da Ilha de Santa Catarina. A existência desse e de outros pescadores é uma demonstração clara de que o governo do Partido dos Trabalhadores terá de considerar a promoção de 20 mil desempregos reais e existentes, para ponderar a possibilidade dos 4 mil prometidos, e ainda hipotéticos.

E a existência desses pescadores tão negados quanto já foram os direitos de todos os trabalhadores desse país, inclusive daquele que nos resgatou da situação de progressivo e alarmante desemprego, me dá grande esperança de que um dia tenhamos um pescador como Presidente do Brasil.

Já se provou que um operário tem tudo para ser um presidente que dignifique o país e um dia será a vez de um pescador, de olho na bússola e firmeza no leme, nos defender das ganâncias dos bucaneiros que ainda existem em toda e qualquer parte. E como existem!


Notícia (entrevista) comprobatória da existência do... PESCADOR!

Texto atualizado em 09 de Novembro de 2010 - 01h46

PortoGente conversou com o pescador Wagner Vitorino, um dos jovens pescadores da Baía de São Miguel, em Biguaçu (Santa Catarina), que tem orgulho da sua profissão. Sua comunidade é localizada na área onde Eike Baptista quer construir o estaleiro da OSX. Ele participou da “barqueata” no último sábado (6) e conta como foi a apreensão do barco do seu irmão, Eliton Vitorino. “Voltamos pra casa soltando foguetes, porque jamais vamos nos esconder. Entramos nessa luta e vamos até o final”.

PortoGente - Quantos barcos foram apreendidos?
Vitorino - Foi só um barco apreendido, mas no mesmo dia já fomos lá na Marinha e foi liberado. Agora estamos esperando se vai vir a multa

PortoGente - Qual foi o motivo da apreensão?
Vitorino - O motivo foi porque estava sem alguns equipamentos e como o barco tinha acabado de ser reformado ainda estava sem o nome. Eles alegaram isso, mas nunca fazem essa vistoria toda. 

PortoGente - Qual a opinião de vocês sobre a apreensão?
Vitorino - Ficamos indignados porque moramos no meio de duas marinas e o que se vê de irregularidades... Essas pessoas saem de lancha cheias de vodka, todos os tipos de bebida, fazendo palhaçadas com as lanchas podendo causar até um acidente. Todos sabem que ninguém navega melhor que um pescador em nosso mar e muito menos conhece como nós conhecemos. Então se for para fiscalizar, que seja igual pra todos.


extraído de PortoGente

domingo, 7 de novembro de 2010

Polícia Naval a serviço de EIKE BATISTA

Protesto pacífico na Beira Mar Norte em Florianópolis acaba com repressão da polícia naval da Marinha do Brasil. Capitania dos Portos aprendeu barco de dois pescadores artesanais de Biguaçu.

Isso é só o começo. Defesa de estaleiro OSX tem apoio de lobbystas fortíssimos, como a ACIF (Associação Comercial Industrial de Florianópolis) a ex-senadora Ideli Salvatti e o governador bandido Leonel Juarez Pavan

Caçado no ato contra estaleiro


O jornalista e blogueiro Mosquito e o oficial de justiça que confidenciou ser fã do blog - Estudou comigo no ginásio

Durante o ato contra o Estaleiro OSX,  esse jornalista foi citado por um oficial de justiça. Mais uma ação de Ideli Salvatti  TJSC 023.09.050561-4 e citação para julgamento de ação de Edison Cabrinha Andrino TJSC 023.08.077179-6 em 16 de novembro próximo.

"Não é  primeira vez que sou citado em lugares públicos.  Café na Praça XX, Bloco de carnaval na Alfândega e Calçadão da Felipe".


Polícia Naval escolta manifestantes até a Capitania dos Portos

Por Celso Martins
Florianópolis-SC
A Marinha do Brasil através de sua Polícia Naval reprimiu a barqueata contra o Estaleiro OSX, realizada nesta sabado (6.11) pela manhã nas águas da Baía Norte de Florianópolis e na principal avenida da cidade, a Beira-Mar Norte, região central da capital catarinense. Poucos minutos antes da chegada da barqueata integrada por pescadores de São Miguel (Biguaçu) e de Governador Celso Ramos, a Polícia Naval aguardava nas proximidades do trapiche em reconstrução. Ao avistarem a primeira leva de embarcações na altura de Cacupé, os políciais se deslocaram num bote inflável na direção da barqueata.

"Metade do pessoal que estava com a gente desistiu e retornou por causa da ação da Marinha", reclamou publicamente o pescador Jonas Oscar Pereira, cujo colega, Eliton Vitorino, teve a embarcação apreendida e conduzida à sede da Capitania dos Portos de Santa Catarina, nas imediações da cabeceira continental da ponte Hercílio Luz. Eliton terá que retornar em dois dias para prestar depoimento e saber o valor da multa recebida. (Confira abaixo o auto de infração).

O ato repressivo da Marinha do Brasil aconteceu enquanto lideranças comunitárias e ambientalistas usavam um microfone para expor os motivos do ato. O oficial da reserva da Marinha e engenheiro naval Joel Guimarães de Oliveira usava o microfone quando a Polícia Naval passava pela frente do trapiche da Beira-Mar escoltando a embarcação de pesca de Rodrigo Machado. Ex-diretor de estaleiros e residente em Jurerê Internacional, Joel considerou a iniciativa arbitrária e duvidou que o comandante da Marinha do Brasil, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, "tenha conhecimento disso". A ordem para reprimir a barqueata contra o Estaleiro OSX foi dada pelo capitão-de-mar-e-guerra Marcelo Santiago Garcia, comandante da Capitania dos Portos de Santa Catarina. 

A notificação

O advogado Eduardo Lima, morador da Daniela, seguiu com integrantes do Movimento em Defesa das Baías de Florianópolis para a Capitania dos Portos, tendo acompanhado a ordem de apreensão da embarcação e e aplicação da multa. Em seguida o pescador Eliton Vitorino foi levado pela Polícia Naval até o local da manifestação da avenida Beira-Mar Norte: enquanto a Marinha recebeu vaias e ouviu palavrões, o pescador chegou aplaudido pelos manifestantes. "Nunca havia sido abordado antes por esse pessoal", disse. Outras duas embarcações foram notificadas.  

O ato contra o Estaleiro OSX contou com infraestrutura de som e barraca instaladas por volta das 9h30. Aos poucos começaram a chegar os manifestantes. Os oradores foram se revezando, esperando a chegada da barqueata iniciada em São Miguel (Biguaçu) e Governador Celso Ramos e engrossada no caminho por pescadores da Ilha, seguindo em levas de cinco a seis embarcações. Com a ação repressiva da Marinha do Brasil, a barqueata se dispersou. A movimentação foi acompanhada do alto por um helicóptero. O prefeito de Biguaçu, José Castelo Deschamps, estacionou seu veículo junto aos manifestantes e ficou observando. Depois foi embora. Os participantes do ato também foram fotografados por desconhecidos.   

Policiais navais aguardam chegada da barqueata

Policiais da Capitania são recebidos com vaias pelos manifestantes
Jonas Pereira, pescador: "Eu achava que a gente
era só uma pedra pequena no sapato deles. Agora
estou vendo que somos é uma pedra enorme".
Sílvia L. Santos Soares, maricultora de São Miguel (Biguaçu), mostra
notificação da Polícia Naval/Capitania dos Portos de Santa Catarina
Eliton Vitorino, pescador de São Miguel (Biguaçu): alvo da repressão
Manifestantes no momento em que a Marinha escoltava o pescador
A Associação de Jurerê Internacional se fez presente.
O Conselho Comunitário do Pontal do Jurerê também esteve no movimento.

A Associação de Bairro do Sambaqui também.

Enviado por Raul Longo