Mostrando postagens com marcador Farsa do Golfo de Tonkin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Farsa do Golfo de Tonkin. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Por que a concentração de navios dos EUA perto do Irã?!

21/4/2015, [*] Moon of Alabama 
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Obama diz que...
O governo Obama diz que quer deter os sauditas e impedir que matem mais gente no Iêmen:

Altos funcionários do governo Obama não conseguiram, apesar de tentativas durante vários dias, persuadir o governo da Arábia Saudita a limitar o alcance de seus ataques aéreos contra cidades e vilas no Iêmen, campanha que, dizem as autoridades, mataram perto de 50 pessoas na 2ª-feira, na capital Sana.
...

A Casa Branca quer que os sauditas e seus aliados árabes sunitas limtem os ataques e fechem o foco no objetivo de proteger a fronteira saudita, segundo um alto funcionário que pediu que seu nome não fosse citado, em comentários sobre deliberações internas do governo.

O problema com essa conversa é o fato já admitido de que os EUA continuam a dar apoio pesado aos ataques dos sauditas:

Funcionários do governo dos EUA em Riad e no Qatar estão partilhando inteligência de drones de vigilância e satélites espiões, com funcionários da coalizão liderada pelos sauditas, mas não decidem sobre alvos individuais, segundo funcionários do Pentágono.

O componente aéreo está fornecendo à inteligência saudita indicação de alvos potenciais que incluem (...) procedimentos para mitigar baixas entre os civis” – disse na 2ª-feira (20/4/2015) a tenenta-coronela Kristi Beckman, porta-voz da Força Aérea no Comando Central dos EUA.

Se a Casa Branca realmente quisesse impedir que prossiga a matança que os sauditas estão fazendo, bastaria parar de apoiá-los. Sem a inteligência norte-americana, os sauditas são cegos. Podiam também parar de fornecer bombas – e os sauditas ficariam sem munição.

A verdade é que o governo Obama está sendo leviano. Não dá a mínima bola nem à vida dos iemenitas nem ao crescimento da Al-Qaeda na Península Árabe (ex-AQAP, que agora mudou de nome e passou a chamar-se “Filhos de Hadramout”, para poder receber mais apoio oficial dos sauditas). Assista vídeo (21/4/2015) a seguir do USS Theodore Roosevelt e o escolta USS Normandy operando no Mar da Arábia próximo à costa iemenita.


Simultaneamente, os EUA estão concentrando uma frota de navios de guerra no Mar da Arábia, perto do Iêmen. Coisa como de 10 a 12 grandes navios logo estarão ali. Vários destroiers. Três helicópteros de transporte com carros anfíbios, cada um transportando um batalhão de Marines, um avião de transporte e número não conhecido de submarinos nucleares. Tudo isso para impedir que se concretize a inexistente ameaça a rotas marítimas internacionais e impedir a passagem de comboios também inexistentes de suprimentos que o Irã estaria enviando aos “houthis” (que é como os sauditas chamam o Movimento Ansarullah). Tudo o que a Casa Branca diz sobre suprimentos que o Irã estaria enviando aos “houthis” não passa jamais de pura propaganda. Nenhum amor existe entre “houtis” e o Irã; o Iêmen já está cheio de armas, mesmo sem quaisquer “novos suprimentos”, e nunca alguém apresentou qualquer prova de suprimentos que o Irã teria enviado aos “houthis”. Por quê, então, toda essa propaganda e a concentração da frota de guerra norte-americana?

Ups! O governo dos EUA está com um problema. As sanções contra o Irã estão para acabar, não importa como terminem as conversações nucleares com o Irã. O Irã mostrou disposição para superar a questão. Quem impede qualquer acordo são os EUA. Se houver pacto assinado, em junho as sanções acabarão. Se não houver pacto assinado em junho, os EUA levarão a culpa e o regime de sanções desmoronará. –  A decisão dos russos, de finalmente entregar ao Irã o sistema S-300 de defesa aérea, é sinal explícito de que, sim, o regime de sanções desabará.

Os chineses estão subornando pesadamente o Paquistão, para obter uma via terrestre até o gás iraniano. Os EUA em breve não mais conseguirão “conter” o Irã com “sanções incapacitantes” apoiadas internacionalmente.


Xi Jinping,  Pres. da China, e Nawaz Sharif , PM do Paquistão, assinam acordo comercial de US$ 46 bilhões (20/4/2015)
Antes de os EUA atacarem o Iraque, o regime de sanções também estava caindo aos pedaços. Sem sanções mais duras, a produção iraquiana de petróleo teria derrubado o preço do petróleo. O pessoal “do petróleo”, e havia muitos deles no governo Bush, deixaria de ganhar a mesma montanha de dinheiro. O ataque ao Iraque impediu esse “desastre’’.

Condições semelhantes aplicam-se ao regime de sanções contra o Irã. No momento em que o Irã puder vender tanto petróleo quanto deseje, os preços cairão ainda mais. As “grandes do petróleo” padecerão terrivelmente. Os sauditas perderão mercados. Será que o governo Obama está tentando inventar uma guerra, ou, no mínimo, algum “incidente”, que impeça essa sucessão de eventos?

O que mais, se não isso, faz essa frota norte-americana monstro no Mar da Arábia? Pat Lang teme que esteja em preparação algum novo incidente do Golfo de Tonkin. Mas... por quê? De onde tirou tal ideia?!


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera  A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Vem aí novo “Incidente no Golfo de Tonkin”?


21/4/2015, [*] W. Patrick Lang – Sic Temper Tyrannis
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Lyndon Johnson (E) e Robert McNamara
Ainda não havia nem sinal de qualquer prova, na noite de 4 de agosto, quando Johnson falou à opinião pública norte-americana sobre o incidente. Mensagens gravadas naquele dia indicam que nem o presidente Johnson nem o secretário McNamara tinham certeza de que realmente acontecera alguma coisa.

Vários veículos “noticiosos”, inclusive as revistas Time, Life e Newsweek, publicaram artigos durante o mês de agosto sobre o incidente no Golfo de Tonkin. A revista Time escreveu:

Saídos da escuridão, das direções oeste e sul surgiram repentinamente barcos atacantes, em alta velocidade, pelo menos seis. Abriram fogo contra os destróiers com armas automáticas, dessa vez a uma distância de 2 mil jardas.  


(...) não houve qualquer dúvida, na mente de Sharp, de que os EUA teriam de reagir àquele ataque.

E não houve nem qualquer mínima discussão nem qualquer pequena divergência dentro do governo dos EUA sobre o tal “ataque”.

USS Maddox (DD-731) em 1955
Servir-se de um conjunto de incidentes como pretexto para escalar o envolvimento dos EUA, foi a etapa seguinte, depois de os EUA terem lançado várias ameaças públicas contra o Vietnã do Norte, além de conclamações, feitas por deputados e senadores, a favor de os EUA escalarem na guerra contra o Vietnã. Dia 4/5/1964, William Bundy conclamou os EUA a “expulsar os comunistas do Vietnã do Sul”, ainda que isso significasse “atacar ambos, o Vietnã do Norte e a China comunistas”.

Mas o governo Johnson, no segundo semestre de 1964, ainda se empenhava em tentar convencer o público norte-americano de que não havia possibilidade de guerra entre o Vietnã do Norte e os EUA.
_________________________________

Mas... Pois é. A história toda dessa ataque jamais passou de amontoado de MENTIRAS e mais MENTIRAS, uma combinação de histeria da mídia-empresa, somada à perversão inata em Lindon B. Johnson, ao seu total desrespeito pela verdade, e um ataque real contra o contratorpedeiro USS Maddox, por barcos vietnamitas armados. O fato de que esse ataque dos vietcongs tenha sido resposta à ação dos norte-americanos do MACV-SOG [Military Assitance Command, Vietnam, Studies e Observation Group (MACV-SOG)], quando os vietnamitas descobriram que os norte-americanos haviam infiltrado agentes, por mar, no Vietnã do Norte, é hoje fato histórico já comprovado, do qual eu só tive conhecimento quando redigia o último relatório anual de operações do MACV-SOG que redigi, em 1973.

O mapa mostra as operações que resultaram no Incidente do Golfo de Tonkin, pelo ponto de vista da Marinha dos Estados Unidos
Em 1964, Johnson usou essa ficção e grave distorção da verdade, para conduzir a opinião pública a favor de o Congresso aprovar a Resolução do Golfo de Tonkin. Essa resolução serviu às mesmas finalidades, para as guerras dos EUA no sudeste da Ásia, a que servem hoje as Autorizações para Uso de Força Militar que Obama pede ao Congresso.
foto:

Mesmo agora, tantos anos depois de quando servi no sudeste da Ásia, essa história ainda me enfurece.

Hoje, temos um grupo de combate naval dos EUA, o USS Roosevelt e sua escolta, que se movem do Golfo Pérsico para o norte do Mar da Arábia para... PARA FAZER O QUÊ? Para garantir que permaneça aberto o estreito de Bab al-Mandab? Mas quem ameaça fechar esse estreito? QUEM?

Até a CNN e seu corpo de consultores “flexíveis” e “isentos” já reconheceram que há alto risco de incidente no mar, que poderia gerar as mesmas MENTIRAS e “oportunidades” de antes, provocadas por arranhões leves, de tiros de barcos pequenos, no casco do USS Maddox.

Aconteça o que acontecer no processo em curso, nós, cá do blog Sic Temper Tyrannis, estamos bem alertas.
_____________________________________________


[*] Coronel W. Patrick Lang é alto oficial aposentado da Inteligência dos EUA e das Forças Especiais dos EUA (“Boinas Verdes”). Serviu no Departamento de Defesa, agente de campo e de gabinete, por muitos anos. É veterano condecorado de várias guerras dos EUA em todo o mundo, inclusive no Vietnã. Foi formado e treinado como especialista em Oriente Médio para o Exército dos EUA e serviu por muitos anos na região. Foi o primeiro professor de língua árabe na Academia Militar dos EUA em West Point, New York (...). Atualmente anima o blog  Sic Temper Tyrannis.

domingo, 19 de outubro de 2014

Vietnã, 50 anos: a narrativa inventada (repetida)

18/10/2014, [*] Marjorie CohnTruthout
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Marcha de estudantes universitários anti-Guerra do Vietnã em frente ao Michigan Stadium em Greene Street, Ann Arbor, 20/9/1969. 
Foto wystan
Controlar a narrativa é ferramenta chave para propagandistas que sabem que o modo como a opinião pública compreenda um conflito externo tem efeito direto e decisivo sobre o comportamento de apoio ou de oposição ao governo. Então o governo dos EUA sempre cuidou de sanear a Guerra do Vietnã. Mas essa não é questão do passado histórico: tem efeito direto sobre o presente.

Por muitos anos os norte-americanos, depois da Guerra do Vietnã, nos beneficiamos da “síndrome do Vietnã”, segundo a qual presidentes dos EUA sempre hesitariam muito antes de lançar ataques substanciais contra outros países, porque temiam oposição forte, semelhante ao poderoso movimento que ajudou a pôr fim à guerra no Vietnã. Mas em 1991, no final da Guerra do Golfo, George H.W. Bush declarou “Por Deus! Afinal nos livramos da síndrome do Vietnã, de uma vez por todas!”.

Com as guerras de George W. Bush contra o Iraque e o Afeganistão, e as guerras de drones de Barack Obama contra sete países de maioria muçulmana, e a escalada que ordenou nas guerras contra Iraque e Síria, aparentemente já andamos bem para trás, para antes da síndrome do Vietnã. Plantando desinformação no campo da opinião pública, o governo dos EUA construiu apoios para ele mesmo para suas novas guerras: exatamente como fez antes da Guerra do Vietnã.

Agora, o Pentágono planeja as comemorações do 50º aniversário da Guerra do Vietnã, lançando um programa de US$ 30 milhões para re-escrever e "sanear" a história daquela  guerra. A partir de uma fantasiosa e super interativa página na Internet, o esforço visa a ensinar às crianças de escola uma história inventada daquela guerra. O programa visa a honrar nossos soldados que lutaram no Vietnã. Mas não se vê naquela página [paga com dinheiro público] nem sinal de que houve um potente movimento antiguerra, no coração do qual estava o movimento dos próprios soldados que estavam no Vietnã, o GI movement.

GI movement anti guerra do Vietnã
Milhares de GIs participaram do movimento antiguerra. Muitos se sentiam traídos pelo governo dos EUA. Criaram cafeterias e jornais underground pelos quais distribuíam informação sobre a resistência. Durante a guerra do Vietnã, 500 mil soldados norte-americanos desertaram. A força da rebelião daqueles “coturnos em solo” forçou os militares a recorrer à guerra aérea.

Oficialmente, a guerra custou a vida de 58 mil norte-americanos. Número jamais revelado foram feridos e voltaram mutilados e sofrendo da síndrome da desordem pós-traumática. Na mais aterradora das estatísticas, mais veteranos da guerra do Vietnã morreram por suicídio, que na guerra.

Protesto contra a guerra do Vietnã
NÃO QUEREMOS LUTAR  A GUERRA DOS RICOS!
Milhões de norte-americanos, muitos de nós estudantes nas universidades, marcharam, fizeram manifestações, discursos, cantamos cantos de protesto e nos manifestamos contra a guerra. Milhares foram presos e alguns, na universidade estadual de Kent e na estadual Jackson, foram mortos. O alistamento militar obrigatório e imagens de vietnamitas mortos galvanizaram o movimento.

Dia 15/11/1969, no que foi a maior manifestação de protesto daquela época em Washington, DC, 250 mil pessoas marcharam para a capital do país, exigindo o fim da guerra. Tudo isso, na página do Pentágono cabe em duas palavras: “protestos massivos”.

Mas não estavam morrendo só norte-americanos. Foram mortos número estimado entre 2 e 3 milhões de indochineses – no Vietnã, Laos e Camboja. Crimes de guerra – como o massacre de My Lai – eram frequentes. Em 1968, soldados norte-americanos massacraram 500 velhos, homens e mulheres, e crianças, na aldeia vietnamita de My Lai. A isso a página do Pentágono chama de “o incidente em My Lai” – apesar de a palavra consagrada para aquela monstruosidade já ser “massacre”.

My Lai, onde "heróicos" soldados dos EUA massacraram cerca de 500 homens mulheres e crianças vietnamitas
Um dos mais vergonhosos legados da Guerra do Vietnã foi o uso, pelos militares norte-americanos, de uma arma química de destruição em massa, o mortal agente desfolhante “Agente Laranja”, dioxina. Os militares norte-americanos borrifaram toneladas daquele agente químico mortal sobre grande parte da terra agricultável do Vietnã. Estimados 3 milhões de vietnamitas sofrem até hoje o efeito daqueles desfolhantes químicos. Dezenas de milhares de soldados dos EUA também foram afetados. A dioxina causou má formações fetais e em nascituros em centenas de milhares de crianças, no Vietnã e nos EUA. Hoje, ainda segue afetando a segunda e terceira gerações nascidas de pessoas que foram expostas ao Agente Laranja há décadas.

Casos de cânceres, diabetes, spina bífida e outros defeitos congênitos podem ser rastreados até a exposição direta ao Agente Laranja. E as armas químicas de destruição em massa destruíram grandes áreas do meio ambiente natural do Vietnã. O solo em vários “pontos quentes” próximos a ex-bases militares dos EUA continua contaminado até hoje.

Nos Acordos de Paz de Paris, assinados em 1973, o governo Nixon prometeu contribuir com US$ 3 bilhões para curar as feridas da guerra e para reconstruir o Vietnã pós-guerra. Até hoje, os EUA ainda não cumpriram esse compromisso.

Apesar de o dano provocado pelo Agente Laranja continuar até hoje, a página do Pentágono só faz uma rápida referência à “Operação Mão no Rancho” [orig. Operation Ranch Hand]. Diz que entre 1961 e 1971, os EUA borrifaram 70 milhões de litros de produtos químicos sobre 20% das selvas naturais do Vietnã do Sul e 36% de suas áreas de mangue. Mas a página do Pentágono nada diz sobre os efeitos devastadores do uso dessa arma química.

Um dos muitos "efeitos" causados pelo AGENTE LARANJA jogados pelos EUA contra o Vietnã
A história incompleta e mal contada que se lê na página Internet do Pentágono levou mais de 500 veteranos do movimento pela paz nos EUA contra a Guerra do Vietnã a assinar uma petição, dirigida ao tenente-general Claude M. “Mick” Kicklighter. Pedem que a página oficial “inclua pontos de vistas, depoimentos e materiais educativos que representem reflexo real, justo e completo das questões que dividiram os EUA durante a Guerra no Vietnã, Laos e Camboja”.  

O documento lembra “os muitos milhares de veteranos” que se opuseram à guerra; “os que resistiram ao recrutamento obrigatório, muitos milhares de jovens norte-americanos”, os “milhões que exerceram seus direitos de cidadãos norte-americanos e marcharam, rezaram, organizaram paralisações, escreveram cartas ao Congresso” e “todos que foram acusados e processados pelo governo dos EUA por desobediência civil ou morreram nos protestos”.  

E, prossegue o documento, “muito importante, não podemos esquecer tampouco os milhões de vítimas da guerra, militares e civis, que morreram no Vietnã, Laos e Camboja, nem os que morreram ou foram feridos depois da guerra, em explosões de minas, munição não explodida, Agente Laranja ou na fuga de refugiados”.  

Entre os ativistas antiguerra que assinaram aquela petição estão Tom Hayden e o homem que revelou os “Pentagon Papers”, Daniel Ellsberg. “Todos nós lembramos que o Pentágono nos empurrou para aquela guerra por causa daquela sua versão da verdade” – disse Hayden numa entrevista ao New York Times. “Não se pode admitir que os mesmos que fazem a guerra sejam encarregados de narrá-la” – completou.

Os Veteranos pela Paz [orig. Veterans for Peace (VFP)] estão organizando um evento alternativo para fazer lembrar a Guerra do Vietnã. “Uma das nossas principais preocupações” – disse ao Times Michael McPhearson, diretor dos VFP – “é que, se não conseguirmos fazer lembrar uma narrativa completa, o governo usará a sua própria narrativa inventada para continuar a inventar guerras pelo mundo: como ferramenta de propaganda”.

A farsa dos EUA no Golfo de Tonkin
É verdade. Assim como Lyndon B. Johnson usou o incidente inventado do Golfo de Tonkin como pretexto para escalar a Guerra do Vietnã, George W. Bush usou armas de destruição em massa perfeitamente inexistentes para justificar sua guerra contra o Iraque, e a “guerra ao terror” para justificar a invasão contra o Afeganistão. E Obama justifica sua guerra de drones repetindo considerações de segurança nacional, embora Obama esteja criando mais inimigos para os EUA, quanto mais milhares de civis ele mate e mande matar.

ISIS e Corassão (do qual ninguém na Síria jamais ouvira falar até há três semanas) são os novos inimigos que Obama está usando para justificar suas guerras contra o Iraque e a Síria, por mais que já tenha tido de admitir que nenhum desses seja ameaça aos EUA. A síndrome do Vietnã foi substituída pela “Guerra Permanente”.

Não é clichê que os que ignorem o passado estão condenados a repeti-lo. A menos que alguém trate de construir relato honesto da desgraçada história da guerra dos EUA contra o Vietnã, estaremos cada dia mais mal equipados para protestar contra guerras atuais e futuras que são feitas em nosso nome.


[*] Marjorie Cohn é professora da Faculdade de Direito Thomas Jefferson e ex-presidente da Ordem Nacional dos Advogados dos EUA [orig. National Lawyers Guild]. É co-coordenadora da Vietnam Agent Orange Relief & Responsibility Campaign (trad. Campanha de Assistência & Responsabilidade sobre o Agente Laranja no Vietnã).
Seu livro mais recente, Drones and Targeted Killing: Legal, Moral and Geopolitical Issues [Drones e Assassinatos premeditados: questões legais, morais e geopolíticas] será lançado ainda em outubro/2014.