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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Vem aí novo “Incidente no Golfo de Tonkin”?


21/4/2015, [*] W. Patrick Lang – Sic Temper Tyrannis
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Lyndon Johnson (E) e Robert McNamara
Ainda não havia nem sinal de qualquer prova, na noite de 4 de agosto, quando Johnson falou à opinião pública norte-americana sobre o incidente. Mensagens gravadas naquele dia indicam que nem o presidente Johnson nem o secretário McNamara tinham certeza de que realmente acontecera alguma coisa.

Vários veículos “noticiosos”, inclusive as revistas Time, Life e Newsweek, publicaram artigos durante o mês de agosto sobre o incidente no Golfo de Tonkin. A revista Time escreveu:

Saídos da escuridão, das direções oeste e sul surgiram repentinamente barcos atacantes, em alta velocidade, pelo menos seis. Abriram fogo contra os destróiers com armas automáticas, dessa vez a uma distância de 2 mil jardas.  


(...) não houve qualquer dúvida, na mente de Sharp, de que os EUA teriam de reagir àquele ataque.

E não houve nem qualquer mínima discussão nem qualquer pequena divergência dentro do governo dos EUA sobre o tal “ataque”.

USS Maddox (DD-731) em 1955
Servir-se de um conjunto de incidentes como pretexto para escalar o envolvimento dos EUA, foi a etapa seguinte, depois de os EUA terem lançado várias ameaças públicas contra o Vietnã do Norte, além de conclamações, feitas por deputados e senadores, a favor de os EUA escalarem na guerra contra o Vietnã. Dia 4/5/1964, William Bundy conclamou os EUA a “expulsar os comunistas do Vietnã do Sul”, ainda que isso significasse “atacar ambos, o Vietnã do Norte e a China comunistas”.

Mas o governo Johnson, no segundo semestre de 1964, ainda se empenhava em tentar convencer o público norte-americano de que não havia possibilidade de guerra entre o Vietnã do Norte e os EUA.
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Mas... Pois é. A história toda dessa ataque jamais passou de amontoado de MENTIRAS e mais MENTIRAS, uma combinação de histeria da mídia-empresa, somada à perversão inata em Lindon B. Johnson, ao seu total desrespeito pela verdade, e um ataque real contra o contratorpedeiro USS Maddox, por barcos vietnamitas armados. O fato de que esse ataque dos vietcongs tenha sido resposta à ação dos norte-americanos do MACV-SOG [Military Assitance Command, Vietnam, Studies e Observation Group (MACV-SOG)], quando os vietnamitas descobriram que os norte-americanos haviam infiltrado agentes, por mar, no Vietnã do Norte, é hoje fato histórico já comprovado, do qual eu só tive conhecimento quando redigia o último relatório anual de operações do MACV-SOG que redigi, em 1973.

O mapa mostra as operações que resultaram no Incidente do Golfo de Tonkin, pelo ponto de vista da Marinha dos Estados Unidos
Em 1964, Johnson usou essa ficção e grave distorção da verdade, para conduzir a opinião pública a favor de o Congresso aprovar a Resolução do Golfo de Tonkin. Essa resolução serviu às mesmas finalidades, para as guerras dos EUA no sudeste da Ásia, a que servem hoje as Autorizações para Uso de Força Militar que Obama pede ao Congresso.
foto:

Mesmo agora, tantos anos depois de quando servi no sudeste da Ásia, essa história ainda me enfurece.

Hoje, temos um grupo de combate naval dos EUA, o USS Roosevelt e sua escolta, que se movem do Golfo Pérsico para o norte do Mar da Arábia para... PARA FAZER O QUÊ? Para garantir que permaneça aberto o estreito de Bab al-Mandab? Mas quem ameaça fechar esse estreito? QUEM?

Até a CNN e seu corpo de consultores “flexíveis” e “isentos” já reconheceram que há alto risco de incidente no mar, que poderia gerar as mesmas MENTIRAS e “oportunidades” de antes, provocadas por arranhões leves, de tiros de barcos pequenos, no casco do USS Maddox.

Aconteça o que acontecer no processo em curso, nós, cá do blog Sic Temper Tyrannis, estamos bem alertas.
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[*] Coronel W. Patrick Lang é alto oficial aposentado da Inteligência dos EUA e das Forças Especiais dos EUA (“Boinas Verdes”). Serviu no Departamento de Defesa, agente de campo e de gabinete, por muitos anos. É veterano condecorado de várias guerras dos EUA em todo o mundo, inclusive no Vietnã. Foi formado e treinado como especialista em Oriente Médio para o Exército dos EUA e serviu por muitos anos na região. Foi o primeiro professor de língua árabe na Academia Militar dos EUA em West Point, New York (...). Atualmente anima o blog  Sic Temper Tyrannis.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Ucrânia: Os Tais Tanques ... E MAIS MENTIRAS do Departamento de Estado dos EUA

14/6/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O governo golpista da Ucrânia diz que tanques russos teriam cruzado a fronteira e estariam sendo usados por federalistas no leste da Ucrânia. Primeiros comentários falavam de três tanques T-72s russos; na sequência, mudaram o tipo dos tanques para T-64s. Os tanques podem ser vistos em vários vídeos. Assista a seguir:



Agora, o Departamento de Estado dos EUA está repetindo essa “notícia”:

Confirmando o que o governo da Ucrânia dissera na 5ª-feira, o Departamento de Estado disse na 6ª-feira que a Rússia enviou tanques e outros armamentos pesados a separatistas na Ucrânia.

Segundo funcionários do Departamento de Estado, um comboio de três tanques T-64, vários lançadores BM-21 de foguetes múltiplos e outros veículos militares cruzou a fronteira perto da cidade ucraniana de Snizhne. Na 6ª-feira, o exército ucraniano informou que dois dos tanques e vários veículos do comboio haviam sido destruídos.

É inaceitável” – disse Marie Harf, vice-porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. – “Se a Rússia recusar-se a desescalar essa situação, terá de enfrentar custos adicionais”.

...

O tanque T-64 é modelo obsoleto, que já não é usado pelas forças russas, mas ainda permanece armazenado no sudoeste da Rússia.

“A Rússia dirá que os tanques foram roubados por forças ucranianas, mas nenhuma unidade ucraniana de tanques operou naquela área” – disse o Departamento de Estado na 6ª-feira (13/6/2014). – “Temos certeza de que aqueles tanques vieram da Rússia”.

Há várias mentiras nessas poucas linhas distribuídas pelo Departamento de Estado.

Há unidades de tanques ucranianos operando naquela área contra os federalistas. Há várias fotos (role as imagens) da Associated Press que os mostram (e há mais fotos na CNN). Os tanques são modelo T-64 BV, subtipo modernizado usado no exército da Ucrânia.

T-64BV – Mostra a blindagem “Kontakt-1” e os lançadores de granadas 81-mm, “Tucha”, à esquerda da cabine.

Todos os tanques T-64 do tempo dos soviéticos eram construídos e depois modernizados em Carcóvia, Ucrânia. Ukrspecexport, vendedora de tanques, empresa estatal ucraniana, ainda vende esses tanques modernizados. Veem-se traços do subtipo T-64 BV indicados na imagem 17 dessa galeria de imagens exibida em Army Recognition. Dois lançadores de granadas do lado esquerdo da cabine – nenhum à direita – as caixas por trás da cabine e o braço com a luz infravermelha são traços específicos do modelo T-64 BV, que também se veem na página 4-14.1 do OPFOR Worldwide Equipment Guide (pdf) do U.S. TRADOC DCSINT Threat Support Directorate.  

A Rússia chegou a ter cerca de 4 mil tanques T-64s. Não os modernizou, e desmontou os que restaram. A Wikipedia, citando como fonte Eugene Yanko “especialista em T-64 MBT; armamento russo, tecnologia militar e análise das forças militares da Rússia”, lista a Rússia como “ex-operadora” de tanques T-64s e informa:

Aprox. 4.000 em 1995. Em 2013, todos esses tanques haviam sido desmontados.


A Rússia (não confundir com a Ucrânia, que ainda possui cerca de 2.200 T-64s) vinha desmontando os seus há anos e em meados de 2012 completou o processo. É o que se lê no 2013 IISS the Military Balance.

Não tenho acesso ao caro “Military Balance” 2013 ISS, mas qualquer pessoa que tenha acesso a uma biblioteca pública nos EUA pode verificar essa informação e confirmá-la.

Para mim, ex-operador de tanques da Bundeswehr [Forças Armadas de Defesa Alemãs], os três tanques que se veem em movimento, dirigidos por federalistas nos vídeos acima são T-64 BVs, modelo usado pelo exército ucraniano no leste da Ucrânia.

Além do mais – dado que a Rússia já não tem T-64s – onde os federalistas ucranianos poderiam ter conseguido aqueles três tanques T-64, se não os tivessem capturado na Ucrânia?!

Fato. Foi o que aconteceu. Dia 9/6/2014, o canal de notícias Politikus.ru observou: Ополченцы под Луганском захватили три танка Т-64 украинских ВС. Tradução Google:

Forças Locais de Defesa de Lugansk capturaram três tanques T-64s das Forças Armadas Ucranianas.

Segundo representantes das chamadas Forças de Autodefesa da República Popular de Lugansk, muito ativos nas redes sociais, as forças locais de autodefesa obtiveram mais uma vitória nos subúrbios de Lugansk.

O que já se sabe é que militares ucranianos, em grave confronto com as Forças de Autodefesa, não apenas tiveram de se retirar, mas também abandonaram equipamento pesado e armas, entre os quais três tanques T-64s.

Aparentemente, três tanques T-64 BVs do exército ucraniano foram capturados pelos federalistas há cerca de cinco dias, e então sendo deslocados em algum ponto no leste da Ucrânia.

Absolutamente não há prova alguma de que esses T-64 BVs, modelo que já não existe na Rússia, tenham vindo da Rússia.

O Departamento de Estado dos EUA está MENTINDO OUTRA VEZ.




[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ouvir versão em performance de Tim van Broekhuizen.


quarta-feira, 5 de março de 2014

Arrogância, Húbris e a Maldade dos EUA criaram a base para a guerra

3/3/2014, [*] Paul Craig RobertsInstitute for Political Economy
Traduzido por João Aroldo

Políticos marionetes
Em algumas partes, a consciência pública está se informando com Stephen Lendman, Michel Chossudovsky, Rick Rozoff, eu e alguns outros para perceber o grave perigo da crise que Washington criou na Ucrânia.

Os políticos marionetes que os EUA pretendem colocar no comando da Ucrânia perderam o controle dos neonazistas organizados e armados, que estão atacando judeus, russos, e intimidando os políticos ucranianos.

O governo da Crimeia, uma província russa que Khrushchev transferiu para a República Soviética da Ucrânia na década de 1950, não reconhece o governo ilegítimo que se apoderou ilegalmente do poder em Kiev, e pediu proteção à Rússia.

As forças militares ucranianas na Crimeia passaram para a Rússia. O governo russo anunciou que também irá proteger as antigas províncias russas na Ucrânia oriental.

Alexander Solzhenitsyn
Como Aleksandr Solzhenitsyn apontou, foi loucura o Partido Comunista da União Soviética  transferir províncias históricas da Rússia para a Ucrânia. Na época, parecia, para a liderança soviética, uma coisa boa a se fazer. A Ucrânia fazia parte da União Soviética e tinha sido governada pela Rússia desde o século 18. Adicionar território russo à Ucrânia serviu para diluir os elementos nazistas na Ucrânia ocidental, que tinham lutado por Hitler durante a IIª Guerra Mundial. Talvez outro fator na ampliação da Ucrânia foi o fato da herança ucraniana de Khrushchev.

De qualquer maneira, isso não importou até que a União Soviética e, em seguida, o próprio império russo, se desfez. Sob pressão dos EUA, a Ucrânia tornou-se um país independente mantendo as províncias russas, mas a Rússia manteve a sua base naval do Mar Negro na Crimeia.

Os EUA tentaram, mas não conseguiram, tomar Ucrânia, em 2004, com a “Revolução Laranja” financiada por Washington. Segundo a Secretária-Adjunta de Estado, Victoria Nuland, após esta falha, os EUA “investiram” 5 bilhões de dólares na Ucrânia, a fim de fomentar a agitação para a adesão da Ucrânia à UE. A adesão à UE abriria a Ucrânia para saques por banqueiros ocidentais e corporações, mas o objetivo principal de Washington é estabelecer bases de mísseis dos EUA na fronteira da Ucrânia com a Rússia e privar a Rússia de sua base naval do Mar Negro e das indústrias militares no leste da Ucrânia. A adesão da Ucrânia à UE significa adesão à OTAN.

Os EUA querem bases de mísseis na Ucrânia, a fim de degradar a dissuasão nuclear da Rússia, reduzindo assim a capacidade da Rússia de resistir à hegemonia dos EUA. Apenas três países estão no caminho da hegemonia de Washington sobre o mundo, a Rússia, a China e o Irã.

O Irã está totalmente cercado por bases militares dos EUA-OTAN (vide estrelas no mapa)
O Irã está cercado por bases militares dos Estados Unidos e há frotas dos EUA em sua costa. O “Pivot para a Ásia” anunciado pelo regime belicista Obama, está cercando a China com bases aéreas e navais. Washington está cercando a Rússia com mísseis dos EUA e bases da OTAN.

Os corruptos governos poloneses e tchecos foram pagos para aceitar bases de mísseis e radares norte-americanos, o que torna os estados fantoches poloneses e tchecos alvos principais para aniquilação nuclear.

Os EUA compraram a antiga província russa e soviética da Geórgia, terra natal de Joseph Stálin, e está em processo de colocar este fantoche na OTAN.

Fantoches de Washington da Europa Ocidental são demasiado gananciosos pelo dinheiro de Washington para tomar conhecimento do fato de que esses movimentos altamente provocativos são uma ameaça estratégica direta à Rússia. A atitude dos governos europeus parece ser, “depois de mim, o dilúvio” (Après moi, le déluge – fala de Luis XV).

A Rússia tem sido lenta a reagir aos muitos anos de provocações de Washington, esperando por algum sinal de bom senso e boa vontade surgir no Ocidente. Em vez disso, a Rússia tem experimentado crescente demonização dos EUA e países europeus com denúncias viciosas por presstitutes do Ocidente espumando pela boca.


A maior parte das populações americanas e europeias estão sofrendo lavagem cerebral para ver o problema que a intromissão de Washington tem causado na Ucrânia como se fosse culpa da Rússia. Ontem, ouvi na National Public Radio um presstitute da New Republic descrevendo Putin como o problema.

A ignorância, a falta de integridade e a falta de independência da mídia dos EUA aumentam muito as chances de guerra. A imagem sendo desenhada para americanos despreocupados é totalmente falsa. Um povo informado teria desatado a rir quando o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, denunciou a Rússia por “invadir a Ucrânia” em “violação do direito internacional”.

Kerry é o ministro das Relações Exteriores de um país que invadiu ilegalmente o Iraque, o Afeganistão, a Somália, organizou a queda do governo na Líbia, tentou derrubar o governo na Síria, ataca as populações civis do Paquistão e Iêmen com drones e mísseis, constantemente ameaça o Irã com ataque, desencadeou o exército georgiano treinado pelos EUA e Israel sobre a população russa da Ossétia do Sul, e agora ameaça a Rússia com sanções por defenderem os russos e os interesses estratégicos da Rússia. O governo russo observou que Kerry levou a hipocrisia para um novo nível.

Kerry não tem resposta para a pergunta:

Desde quando o governo dos Estados Unidos realmente apoia e defende o conceito de soberania e integridade territorial?

Kerry, como é sempre o caso, está a mentir descaradamente. A Rússia não invadiu a Ucrânia. A Rússia enviou mais algumas tropas para se juntar àquelas em sua base do Mar Negro tendo em vista as declarações e ações anti-russas violentas que emanam de Kiev. Enquanto os militares ucranianos na Crimeia desertam para a Rússia, as tropas russas adicionais mal foram necessárias.

O estúpido Kerry, chafurdando na sua arrogância, húbris e maldade, fez ameaças diretas à Rússia. O ministro das Relações Exteriores russo rejeitou as ameaças de Kerry como “inaceitáveis”. O palco está montado para a guerra.

John Kerry
Observe o absurdo da situação. Kiev foi tomado por ultranacionalistas neonazis. Um bando de bandidos ultranacionalistas é a última coisa que a União Europeia quer ou precisa de um Estado-membro. A UE está centralizando o poder e quer suprimir a soberania dos Estados-membros. Observe o alinhamento do regime neoconservador Obama com antissemitas neonazis.

A gangue neoconservadora que dominou o governo dos EUA desde o regime Clinton é fortemente judaica, muitos dos quais são cidadãos de dupla nacionalidade israelense/estadunidense.

Os neoconservadores judeus, a secretária-assistente de Estado, Victoria Nuland e a Conselheira de Segurança Nacional, Susan Rice, perderam o controle de seu golpe para os neonazistas que pregam “morte aos judeus”.

Moshe Reuven Azman
O jornal israelense Haaretz informou em 24 de fevereiro que o rabi ucraniano, Moshe Reuven Azman aconselhou “os judeus de Kiev a deixar a cidade e até mesmo o país”. Edward Dolinsky, chefe de uma grande organização de judeus ucranianos, descreveu a situação para os judeus ucranianos como “terrível” e pediu a ajuda de Israel.

Esta é a situação que Washington criou e defende, enquanto acusa a Rússia de sufocar a democracia ucraniana. Uma democracia legítima é o que a Ucrânia tinha antes que Washington a derrubasse.

Neste momento não há nenhum governo legítimo ucraniano.

Todo mundo precisa entender que os EUA estão mentindo sobre a Ucrânia, assim como mentiram sobre Saddam Hussein e as armas de destruição em massa no Iraque, assim como mentem sobre as armas nucleares iranianas, assim como os EUA mentem sobre presidente sírio Assad usar armas químicas, assim como os EUA mentiram sobre Afeganistão, Líbia, espionagem NSA, tortura.

Sobre o que os EUA não mentiram?

Washington é composta por três elementos: a arrogância, húbris e a maldade. Não há mais nada lá.
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Nota do tradutor
[1] A húbris ou hybris (em grego ϐρις, “hýbris”) é um conceito grego que pode ser traduzido como “tudo que passa da medida”; “descomedimento” e que atualmente alude a uma confiança excessiva, um orgulho exagerado, presunção ou insolência (originalmente contra os deuses), que com frequência termina sendo punida.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

As 3 principais mentiras “jornalísticas” sobre a Síria


Sobe a temperatura da guerra de propaganda

24-26/1/2014, [*] Shamus Cooke, Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Abertura da Conferência Genebra-2 em Montreux, Suiça (22/1/2014)
A máquina jornalística de espalhar mentiras está outra vez trabalhando em alta rotação, perfeitamente cronometrada para acompanhar as conversações de paz para a Síria chamadas “Genebra-2”, embora aconteçam em Montreux. As mentiras são necessárias para garantir que o governo Obama continue a jogar com as cartas que esconde na manga, nas conversações, as quais não estão sendo conduzidas para gerar paz alguma, mas, isso sim, para que levem ao sucesso o plano de “mudança de regime” do governo Obama para a Síria.

Aqui, listo as três principais mentiras que se espalham pelo mundo graças à contribuição da empresa-imprensa ocidental e de seus jornalistas e “especialistas” empregados, sobre as conversações de “Genebra-2”.

Mentira 1: A saída do presidente Bashar al-Assad do governo sírio teria sido “precondição” discutida e aprovada em Genebra-1, para Genebra-2.

Essa informação tem sido repetida pelo governo Obama e pelos veículos da imprensa-empresa ocidental. É total mentira. Sem nenhum fundamento. O governo Obama inventou que essa “precondição” teria sido registrada no “Comunicado de Genebra”, que foi um mapa do caminho redigido para orientar as conversações de paz de Genebra-2, discutido e aceito por alguns dos principais envolvidos nas negociações, inclusive pela Rússia.

O Comunicado fala, sim, de uma transição política negociada, mas NÃO diz, em lugar algum, que essa transição não poderia incluir o presidente Assad (e qualquer cláusula dessa natureza teria sido imediatamente rejeitada pela Rússia).

A verdade é que, sim, o Comunicado de Genebra inclui a seguinte cláusula:

“[um governo de transição] poderá incluir membros do atual governo sírio e da oposição, além de outros grupos; e terá de ser constituído por consentimento mútuo”.

Bashar al-Assad saúda a multidão na saída do palácio presidencial em Beirute em 12/1/2014
Nada, em local algum daquele documento, menciona ou implica diretamente o presidente Assad.

Recentemente, o Los Angeles Times pisou fora da linha e expôs, clara e completamente a mentira:

“[John] Kerry tem citado repetidas vezes o “Comunicado de Genebra”, espécie de mapa do caminho redigido em junho de 2012, durante reunião organizada pela ONU. Mas esse documento absolutamente não exige a saída de Assad”.

A incansável repetição dessa mentira, pelo governo Obama, só provoca divisões e dificuldades para o processo de paz, enquanto vai minando qualquer chance de alcançar-se alguma paz.


O governo Obama tem batido o pé a respeito dessa pré-condição “Assad tem de sair”, porque sabe que, em eleições limpas, livres e justas que se disputem na Síria – como parte de um “processo transicional” apoiado pela ONU – o presidente Assad será, praticamente com certeza, reeleito. Esse é o resultado da união de várias minorias étnicas e religiosas sírias no apoio ao presidente, apoio cada vez mais assumido e declarado, desde que começaram a testemunhar as atrocidades sectárias diárias cometidas por “rebeldes” apoiados pelos EUA (atrocidades que a imprensa-empresa dos EUA existe para fazer ignorar e impedir de ver).

Assad provavelmente será eleito, se houver eleições, dado que simplesmente não há qualquer outro nome, no governo ou na oposição, que se compare a ele no reconhecimento que merece dos sírios e na popularidade. Os “rebeldes” apoiados pelos EUA que estão fazendo guerra contra a Síria fortaleceram a imagem política do presidente Assad – mas essa é informação que ninguém jamais obterá da imprensa-empresa ocidental, monoliticamente contra os sírios.

“Exigir” a saída de Assad tampouco tem qualquer sentido, se se considera a situação em campo. Os “rebeldes” apoiados pelos EUA jamais conseguiram controlar mais que uma única cidade síria, de nome Raqaa, a qual é dominada pela al-Qaeda e governada sob uma interpretação à moda dos Talibã da lei islâmica, e que inclui, dentre outros, o banimento de qualquer tipo de música. Os “rebeldes” não têm poder em campo que os autorize a exigir seja o que for, muito menos que “Assad tem de sair”.

Mentira 2: As milícias “rebeldes” apoiadas pelos EUA seriam grupos terroristas islamistas “moderados”

O simples fato de alguém dizer publicamente tal absurdo, sem provocar gargalhadas, é prova do grande sucesso da propaganda que se faz pela empresa-imprensa jornalística ocidental. A narrativa jornalística ocidental pinta os rebeldes financiados pelos EUA como “bons”, em luta contra, ao mesmo tempo, o governo sírio e os “maus” rebeldes associados à al-Qaeda.

Frente al-Nusra "rebelde" na Síria, note a bandeira da al--Qaeda à direita da foto
Mas os tais “bons” terroristas que integram a Frente Islâmica apoiada pelos EUA partilham a mesma visão quanto ao futuro da Síria que os rebeldes da al-Qaeda: todos defendem uma versão fundamentalista da lei da Xaria, segundo a qual as mulheres vivem praticamente em prisão domiciliar e minorias religiosas são cidadãos de segunda classe (grupos muçulmanos não sunitas seriam massacrados na Síria, como já estão sendo, nas áreas das quais o governo sírio ainda não conseguiu varrer os terroristas – mais um fato minimizado ou apagado do noticiário pela imprensa-empresa jornalística ocidental).

A mentira sobre os “rebeldes moderados” foi também exposta recentemente, quando um alto comandante da mais poderosa das milícias em guerra contra o governo sírio, o grupo Ahrar al Sham, integrante da Frente Islamista e apoiado pelos EUA, declarou que seu grupo é o único “verdadeiro” representante da al-Qaeda na Síria.

O grupo Ahrar al Sham é conhecido há muito tempo como grupo extremista terrorista do tipo al-Qaeda; a imprensa-empresa jornalística ocidental simplesmente apagou essa informação. Mas quando essa associação foi divulgada e “oficializada”, os jornais, televisões e jornalistas norte-americanos optaram por ignorar a evidência, porque noticiar o fato destruiria a mentira sobre “terroristas moderados”. Jornais, televisões e jornalistas ocidentais também continuaram a ignorar o fato de que a Frente Islâmica “moderada” apoiada pelos EUA lançou, ela própria, um manifesto no qual se filia às ideias extremistas do grupo Ahrar al Sham, a al-Qaeda “autêntica”.

Mentira 3: Haveria novas provas de que o governo sírio pratica tortura “em escala industrial”

Recentemente, a empresa-imprensa ocidental apareceu com “plantão de notícias” no qual se “informava” sobre novas provas que mostrariam tortura e assassinatos em massa ao estilo nazista, pelo governo sírio [dessa vez, na CNN, matéria da sempre serviçal, facinorosa, Amanpour (NTs)], matéria divulgada exatamente no início das conversações de paz de Genebra-2. Não se sabe se o governo sírio mata ou não mata. E continua-se sem saber depois do “noticiário”, porque não há ali sequer uma prova válida de coisa alguma. A mentira, nesse caso, é que o “jornalismo” ocidental apresentou como verdade indiscutível o que nada assegura que não seja, do começo ao fim, só mentiras.

Todos nós sabemos que há centenas de fotos de pessoas mortas que alguma “fonte confiável” diz que foram mortas pelo governo sírio. A tal fonte confiável sempre é assim qualificada por intelectuais pró-ocidente que conquistaram “credibilidade” midiática porque ajudaram a condenar criminosos de guerra na Corte Internacional Criminal [orig. International Criminal Court (ICC)]. Mas, como escreveu Diane Johnstone em seu excelente livro Fools Crusade, sobre a guerra contra a Iugoslávia – e também em vários artigos – a Corte Internacional Criminal tem sido, há muito tempo, usada como ferramenta das potências ocidentais para criar pretexto para uma ou outra guerra, ou como ferramenta para justificar uma guerra, depois do fato.

As “provas” das atrocidades “de estilo nazista” foram escritas em estudo pago pelo governo do Qatar, o qual há muito tempo mobiliza dinheiro, armas, jihadistas [e por que não mobilizaria também... jornalistas?! (NTs)] para ajudar os rebeldes anti-Assad na Síria.

A seguir vemos que quem pratica tortura e assassinatos, inclusive canibalismo, são os "rebeldes" sírios apoiados pelos EUA... (redecastorphoto)


Mais uma vez, não se pode saber se a história é verdadeira ou falsa. Mas investigação dessa magnitude e importância teria de ser feita pela ONU ou por outra instituição mais respeitável [que um escritório privado de advocacia]. A mesma dinâmica enviesada viu-se no caso do ataque com armas químicas, do qual jamais apareceu qualquer prova, embora longa fila de “especialistas” tenham sido vistos e ouvidos na televisão ou citados em longas matérias jornalísticas, todos “comprovando” a culpa do governo sírio. Até que, afinal, Seymour Hirsch jornalista premiado com o Pulitzer, desmontou as “versões” dos “especialistas” e demonstrou que o governo Obama mentira sobre os rebeldes não terem capacidade para executar ataque químico daquele tipo. As empresas-imprensa do “jornalismo” ocidental ignoraram o trabalho de Hirsh.

Como essas mentiras implantam-se a ponto de se tornarem traços permanentes na imprensa-empresa ocidental? Artigo excelente publicado no The Guardian recentemente discutiu em profundidade as principais fontes de que se serviu a imprensa-empresa ocidental para compreender o conflito sírio.

O artigo expôs o quase inacreditável viés de algumas das principais fontes ouvidas pelas empresas de jornalismo ocidentais sobre a Síria, e o motivo pelo qual se escolheram sempre fontes “especializadas”: para assegurar que as fontes tivessem agendas políticas alinhadas com as decisões da política externa dos EUA. O outro lado do conflito permaneceu completamente ignorado nos veículos da grande imprensa-empresa, exceto quando foi tomado como alvo a ser ridicularizado. Por isso, norte-americanos e europeus têm visão completamente tendenciosa, quando não completamente irreal e fantasiosa, sobre o que está acontecendo na Síria. E foi assim sistematicamente, desde o início do conflito – exatamente como aconteceu nas guerras da Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e Líbia. 

Resultado da ignorância construída por empresas-imprensa e seus jornalistas foi mais mortes num país que, hoje, já tem milhões de refugiados e mais de 100 mil mortos.

Obama parece decidido a explorar o atual momento exclusivamente para fazer crer que, se as conversações de paz fracassarem, a culpa terá sido do governo sírio.

Sem ter conseguido derrotar Assad em campo e em guerra à distância, guerreada por seus prepostos, o governo Obama tenta, agora, vencer a guerra de propaganda. Assim, se as conversações pró-paz fracassarem, Obama poderá reiniciar suas conversações pró-guerra, “porque” “todas as demais opções fracassaram”.




[*] Shamus Cooke é trabalhador de Serviço Social, sindicalista e escritor ligado a Workers Action.