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segunda-feira, 15 de junho de 2015

O plano de Israel é roubar mais terras da Síria


14/6/2015, [*] Moon of Alabama
Tradução: mberublue

Campo de Treinamento da Jabhat Al-Nusra na Síria
A Al Qaeda na Síria, também conhecida como Jabhat Al-Nusra, está sendo ativamente ajudada por Israel através de ataques de artilharia contra o Exército Árabe Sírio. Observadores das Nações Unidas no alto das colinas do Golan relataram contatos entre o Exército de Israel e os terroristas da Al Qaeda. Israel fornece equipamentos para a Al Qaeda e, principalmente, fornece ajuda médica para os feridos entre terroristas da Al Qaeda.
Notadamente, também a CIA está ajudando a Al Qaeda, através do patrocínio dos “rebeldes moderados” na Síria e provendo armas ao custo de US$ 1 bilhão/ano. Tais armas, assim como os lutadores treinados pela CIA, acabam inevitavelmente engrossando as fileiras dos jihadistas.
Mais que fornecer apoio para a Al Qaeda, uma parte do plano de Israel é prejudicar o máximo possível o Estado Sírio. Uma Síria destruída deixa de ser uma ameaça para Israel, mas a destruição da Síria também passará a ser uma excelente desculpa para buscar ainda mais ajuda militar entre os aliados de Israel, por causa do “Caos” em suas fronteiras. Outra parte do plano é simples: roubar ainda mais território da Síria. Israel já ocupou o sul ocidental das Colinas de Golan, com posições nos terrenos mais altos. Agora, está planejando roubar o nordeste das terras do Golan, com o intuito de controlar os valiosos recursos aquáticos nas colinas.
A “desculpa” para fazer isso seria o caos, mesmo tendo sido criado por Israel através do apoio à Al Qaeda contra o Exército Sírio e a ameaça que a Al Qaeda representa contra a população nos pontos mais elevados da Síria.
Relatos pelo sítio israelense Walla no domingo (7/6/2015) à tarde, afirmam que Israel está desenvolvendo planos para a criação de uma zona especial de segurança no território sírio destinada a permitir segurança e ajuda humanitária aos refugiados drusos na Síria que encaram a ameaça de massacre nas mãos do Estado Islâmico e outros grupos jihadistas como a Frente Al Nusra, afiliada da Al Qaeda na Síria.
Uma eventual “zona de segurança” acabará por se tornar terra ocupada por Israel e com o passar do tempo, terreno para ainda mais assentamentos judaicos.

Terroristas da Jabhat Al-Nusra equipados por Israel usam veículos roubados da ONU

Avaliando erroneamente as circunstâncias, os drusos na Síria tomaram uma posição neutra na guerra na Síria e não defendem o Estado Sírio. Cerca de 27.000 deles fugiram da conscrição obrigatória no Exército Sírio. Apenas alguns dias depois, os terroristas da Al Qaeda mataram cerca de 20 pessoas em uma aldeia drusa. Com recursos cada vez mais escassos, o exército da Síria não mais pode e não mais defenderá os enclaves drusos e o povo druso encara agora duas possibilidades: a de ficar sob o controle dos jihadistas e converter-se ao Wahhabismo islâmico ou se ver de repente debaixo da ocupação brutal de Israel.
Outras comunidades minoritárias da Síria que não apoiaram ou que não apoiam o Estado Sírio provavelmente muito em breve se verão frente a essa escolha trágica.
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[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

EUA – Agência de Inteligência da Defesa, 2012: Ocidente facilitará ascensão do Estado Islâmico “para isolar regime sírio”


19/5/2015, [*] Brad HoffLevant Report
Excertos traduzidos pelo pessoal da Vila Vudu


Considerando que todas as correspondências no foco estratégico são doença crônica na aliança entre excepcionalistas norte-americanos + excepcionalistas sionistas + excepcionalistas wahhabistas (...), a guerra que a Síria luta hoje tem de ser interpretada como a luta de resistência mais crucialmente importante em toda a Eurásia.





Documento da AID 
(clique na legenda para aumentar)
Dia 18 de maio de 2015, o grupo conservador Judicial Watch publicou uma seleção de documentos protegidos por sigilo até aquela data, e que foram obtidos do Departamento de Defesa e do Departamento de Estado dos EUA por ordem judicial de tribunal federal.

Enquanto até agora a imprensa-empresa comercial dominante só comentou parte dos itens relacionados ao modo como a Casa Branca tratou o ataque ao consulado norte-americano em Benghazi, já se sabe que os documentos da Agência de Inteligência da Defesa (AID) que circularam em 2012 trazem importante admissão e confirmação num “quadro muito mais amplo”: que estavam querendo criar um “Estado Islâmico” no leste da Síria, para pôr em execução políticas ocidentais para a região.

Muito espantosamente, lê-se no relatório recentemente divulgado que

O OCIDENTE, PAÍSES DO GOLFO E TURQUIA [que] APOIAM A OPOSIÇÃO [síria] (...) HÁ POSSIBILIDADE DE ESTABELECER UM PRINCIPADO/MICRONAÇÃO [orig. PRINCIPALITY,  entidade  política não reconhecida, micronação] SALAFISTA DECLARADA OU NÃO DECLARADA, NO LESTE DA SÍRIA (HASAKA E DER ZOR), E ISSO É EXATAMENTE O QUE DESEJAM AS POTÊNCIAS QUE ESTÃO APOIANDO A OPOSIÇÃO, PARA ISOLAR O REGIME (...).

relatório da AID, antes classificado como “SECRETO//SIGILOSO PARA ESTRANGEIROS” [orig. “SECRET//NOFORN”] e datado de 12/8/2012, circulou amplamente entre várias agências do governo, entre as quais CENTCOM, a CIAFBIDHS,NGA, Departamento de Estado e várias outras.

O documento mostra que já em 2012 a inteligência dos EUA previra o crescimento do Estado Islâmico no Iraque e Levante/Síria (ISIL/ISIS), mas, em vez de delinear o grupo claramente como organização inimiga, o documento trata aquele grupo terrorista como ativo estratégico dos EUA.

Por mais que há muito tempo analistas e jornalistas já tenham documentado o papel de agências da inteligência ocidental na formação e treinamento da oposição armada na Síria, essa é a confirmação “oficial” de mais alto nível interno na inteligência dos EUA, da teoria segundo a qual os governos ocidentais, sim, veem o ISIS como ferramenta a serviço deles para fazer a “mudança de regime” na Síria. O documento agora distribuído confirma com detalhes, esse cenário.

Provas judiciais, provas em vídeo, além de admissões feitas por funcionários de alto nível envolvidos nas operações (ver o que disse o ex-embaixador na Síria, Robert Ford, que tudo admitiu, aqui e aqui) já comprovaram que o apoio material que o Departamento de Estado e a CIA deram/ dão aos terroristas do ISIS ativos na Síria já existia, pelo menos, em 2012 e 2013 (para exemplo claro de “prova com valor judicial”, vide o relatório de Conflict Armament Researchorganização com sede na Grã-Bretanha, que traça as origens dos foguetes antitanque croatas que foram encontrados com o ISIS e os rastreia até um programa conjunto de CIA-sauditas, graças as números de série identificáveis nas armas).

O recém divulgado AID report resume como segue os pontos relacionados ao ISI (em 2012, “Islamic State in Iraq”, “Estado Islâmico no Iraque”) e ao ISIS que apareceria pouco depois:

– Al-Qaeda comanda a oposição na Síria;

– O ocidente identifica-se com a oposição;

– O estabelecimento de um nascente Estado Islâmico só se tornou realidade com o surgimento da insurgência síria (nenhuma referência à retirada das tropas dos EUA, do Iraque, como catalisador do surgimento do EI [que vários autores já chamam hoje de “Estado (Nada)Islâmico (NTs)], que é o que inúmeros políticos e especialistas têm repetido; vide seção 4.D., abaixo);

– O estabelecimento de um “principado salafista” [orig. “Salafist Principality”] no leste da Síria é “exatamente” o que querem as potências exteriores que apoiam a oposição síria (que o relatório identifica como “o Ocidente, países do Golfo e Turquia”) para enfraquecer o governo do presidente Assad;

– Sugere-se o estabelecimento de “paraísos seguros” em áreas conquistadas por insurgentes islamistas assemelhadas ao modelo líbio (que geraram as chamadas “zonas aéreas de exclusão” como um primeiro ato da “guerra humanitária”. Vide 7.B.);

– O Iraque é identificado à “expansão xiita” (8.C);

– Um Estado Islâmico sunita poderia ser devastador para um “Iraque unificado” e poderia levar a “renovar a facilitação [orig.renewing facilitation] à entrada, na arena iraquiana, de elementos terroristas vindos de todo o mundo árabe” (Vide a última linha não editada no documento integral em PDF).

Toyotas cedidas pelos EUA aos terroristas do ISIS
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Aqui alguns excertos das sete páginas do relatório da Agência de Inteligência da Defesa agora divulgado ao público (negritos de Brad Hoff):


R 050839Z AUG 12
A SITUAÇÃO GERAL:

A. INTERNA MENTE, OS EVENTOS ESTÃO TOMANDO DIREÇÃO CLARAMENTE SECTÁRIA.

B. OS SALAFISTAS [sic], A FRATERNIDADE MUÇULMANA E A AL-QAEDA NO IRAQUE SÃO AS PRINCIPAIS FORÇAS QUE MOVEM A INSURGÊNCIA NA SÍRIA.

C. OCIDENTE, PAÍSES DO GOLFO E TURQUIA APOIAM A OPOSIÇÃO; E RÚSSIA, CHINA E IRÃ APOIAM O REGIME.

3. Al QAEDA – IRAQUE (AQI):… B. AQI APOIOU A OPOSIÇÃO SÍRIA DESDE O INÍCIO, IDEOLOGICAMENTE E TAMBÉM PELA IMPRENSA-EMPRESA COMERCIAL (...)

4.D. HOUVE UMA REGRESSÃO DA AQI NAS PROVÍNCIAS OCIDENTAIS DO IRAQUE DURANTE OS ANOS DE 2009 E 2010; MAS, DEPOIS DO SURGIMENTO E CRESCIMENTO DA INSURGÊNCIA NA SÍRIA, AS POTÊNCIAS RELIGIOSAS E TRIBAIS NA REGIÃO COMEÇARAM A SIMPATIZAR COM O LEVANTE SECTÁRIO. ESSA SIMPATIA APARECEU EM SERMÕES DAS 6as-FEIRAS, QUE CONVOCAVAM VOLUNTÁRIOS PARA APOIAR OS SUNITAS [sic] NA SÍRIA.

7. HIPÓTESES EM AVALIAÇÃO SOBRE O FUTURO DA CRISE:

A. O REGIME SOBREVIVE E TEM CONTROLE SOBRE O TERRITÓRIO SÍRIO.

B. OS EVENTOS CORRENTES LEVAM A GUERRA ‘POR PROCURAÇÃO’ (...): FORÇAS DA OPOSIÇÃO ESTÃO TENTANDO CONTROLAR AS ÁREAS NO LESTE (HASAKA E DER ZOR), ADJACENTES ÀS PROVÍNCIAS NO OESTE DO IRAQUE (MOSUL E ANBAR), ALÉM DAS FRONTEIRAS TURCAS VIZINHAS. PAÍSES OCIDENTAIS, OS ESTADOS DO GOLFO E A TURQUIA ESTÃO APOIANDO ESSES ESFORÇOS. ESSA É A HIPÓTESE MAIS PROVÁVEL SEGUNDO OS DADOS DE EVENTOS RECENTES, QUE AJUDARÃO A PREPARAR PARAÍSOS SEGUROS, SOB A PROTEÇÃO DA LEI INTERNACIONAL, SEMELHANTE AO QUE TRANSPIROU NA LÍBIA, QUANDO BENGHAZI FOI ESCOLHIDA COMO CENTRO DE COMANDO DO GOVERNO TEMPORÁRIO.

8.C. SE A SITUAÇÃO SE DESDOBRAR, HÁ POSSIBILIDADE DE ESTABELECER UM PRINCIPADO SALAFISTA DECLARADO OU NÃO DECLARADO NO LESTE DA SÍRIA (HASAKA E DER ZOR), E ISSO É EXATAMENTE O QUE DESEJAM AS POTÊNCIAS QUE ESTÃO APOIANDO A OPOSIÇÃO, PARA ISOLAR O REGIME, VISTA COMO A PROFUNDIDADE ESTRATÉGICA DA EXPANSÃO XIITA (IRAQUE E IRÃ).

8.D.1. …O ESTADO ISLÂMICO NO IRAQUE PODE TAMBÉM DECLARAR UM ESTADO ISLÂMICO MEDIANTE A UNIÃO DO ISI COM OUTRAS ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS NO IRAQUE E SÍRIA, O QUE CRIARÁ GRAVE PERIGO EM RELAÇÃO À UNIFICAÇÃO DO IRAQUE E PROTEÇÃO DE SEU TERRITÓRIO.

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[*] Brad Hoff é Diretor Editorial do Relatório Levant. É um ex-fuzileiro naval e foi professor de história antiga e moderna em várias escolas em todo Texas - tanto nos níveis universitários e do ensino médio. Brad viveu e viajou extensivamente por todo o Oriente Médio, passando a maior parte de seu tempo na Síria antes da insurreição de 2011.

sábado, 9 de maio de 2015

Hassan Nasrallah, do Hezbollah, exige imediato fim da invasão ao Iêmen

5/5/2015, Discurso de Hassan NasrallahPressTV, Teerã
Hezbollah chief urges end to Saudi invasion of Yemen
Excerto traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



A seguir vídeo integral do discurso, legendado em inglês:
 

O Secretário-Geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, movimento da resistência no Líbano, exigiu o fim imediato da invasão militar conduzida pelos sauditas contra o Iêmen, insistindo que o objetivo do reino é alcançar total controle sobre o país vizinho.

“Se o Iêmen sai do controle pela Arábia Saudita, sai também do controle pelos EUA. E como os EUA admitirão perder o controle sobre o Iêmen?” – perguntou Sayed Hassan Nasrallah na 2ª-feira (4/5/2015) à noite, em entrevista à rede al-Ekhbariya da televisão síria, enfatizando que o regime saudita e alguns de seus aliados regionais e ocidentais fracassaram e não conseguiram coisa alguma com a mortal campanha de bombardeio contra o mais pobre dos países árabes.

Nasrallah disse também que Riad tem de pôr fim imediatamente à agressão militar, e deixar que os grupos iemenitas iniciam um diálogo político, sob supervisão internacional. Sua Eminência afirmou que a monarquia apoiada pelos EUA no Golfo Persa fatalmente será derrotada, porque a população iemenita já está cada dia mais declaradamente contra o regime de Al Saud.

O Secretário-Geral do Hezbollah lembrou que os sauditas já manifestaram apoio aos terroristas da al-Qaeda e do ISIL – que ameaçam a própria existência da Arábia Saudita.

Em defesa do engajamento do Hezbollah na Síria

Sobre o engajamento do Hezbollah na vizinha Síria, Nasrallah outra vez defendeu que o movimento permaneça envolvido no país vizinho, repetindo que a política de neutralidade nos conflitos regionais, promovida pelos que o criticam, não passa de “uma grande mentira”.

“A política libanesa de dissociar-se [de conflitos regionais] é uma grande mentira” – disse ele – “O contrabando de armas e pessoas através da fronteira libanesa é prova disso”.
 
Caminhão bombardeado pela aviação saudita em 5/4/2015


Reagindo aos que criticam o Hezbollah, que falam e escrevem a soldo de forças estrangeiras e acusam o movimento de desestabilizar o Líbano, com sua ação na Síria, Nasrallah repetiu que “a Síria foi atacada por um esquema estrangeiro comandado por governos como o saudita, do Qatar e turco, porque a Síria mantém-se como país independente”.

Enfatizou que a razão chave para o engajamento do Hezbollah na Síria desde o início de 2013 é o fato de que a Síria “é dos poucos países independentes em nossa região.” Reiterou a importância de Damasco como grande potência regional, independente de qualquer influência externa. E disse que o envolvimento do Hezbollah na Síria é esforço para impedir a intervenção no país, por qualquer outro governo árabe ou ocidental.

O papel do Hezbollah na Síria é determinado por Damasco

Sobre o papel dos combatentes do Hezbollah na Síria, Nasrallah destacou que as forças do movimento deslocadas para o país vizinho estão estacionadas em áreas nas quais “são necessárias” e segundo suas capacidades. “Estaremos em todos os pontos onde precisem de nós” – disse ele.

Ressaltou também que “A decisão sobre a presença do Hezbollah é integralmente determinada – política e militarmente – pela liderança síria”.

Por exemplo, Nasrallah explicou, os combatentes do Hezbollah são necessários na região Qalamoun, que é área que tem importância para o Líbano e também para a Síria. 

 Combatentes do Hezbollah conduzem os esquifes de companheiros mortos na luta contra terroristas do ISIL na Síria, em cerimônia funeral dia 18/3/2015, em Beirute, Líbano 

Observou que o Qalamoun da Síria é conectado ao Líbano pelo Vale do Bekaa, o que facilita o trânsito de mercenários, bens e armas, não só para o Líbano mas também de volta para áreas sírias, como os arredores de Damasco.

O Secretário-Geral do Hezbollah destacou também que a crise síria foi sequestrada por grupos takfiri [que se declaram únicos praticantes do islamismo e exconjuram todos os demais] extremistas como a al-Qaeda, os quais, disse Nasrallah, há muito tempo tentam ganhar controle sobre a Síria, como também sobre o Iêmen.

Para Nasrallah, “o presidente Bashar al-Assad da Síria estava pronto e interessado em atender as justas demandas da população” – mas a interferência de grupos extremistas mudou a situação.

Nasrallah também reiterou que grupos takfiri como o ISIL e a Frente al-Nusra já estão todos incorporados sob a bandeira dos terroristas da al-Qaeda, e não há diferença alguma entre uns e outros. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Al Qaeda e Obama na cama

2/5/2015, [*] Daniel Lazare, Consortium News
Climbing into Bed with Al-Qaeda
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Montagem do terrorismo internacional

Depois de anos de gaguejos e enganações, o governo Obama afinal falou claro sobre seus objetivos na Síria: na luta para derrubar Bashar al-Assad, o governo Obama está aliado à Al-Qaeda. Foi o que já ficou bem evidente desde que Jisr Ash-Shughur, pequena cidade no nordeste do país, caiu dia 25/4/2015, invadida por uma coalizão apoiada por Arábia Saudita e Turquia, constituída da Frente Al-Nusra, do grupo Ahrar al Sham e de vários outros grupos menores, mais “moderados”. 
A Frente Al-Nusra, apoiada por Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos, é a afiliada oficial síria da Al-Qaeda (Financial Times, só para assinantes). O grupo Ahrar al-Sham, fortemente apoiado pelo Qatar, também é associado à Al-Qaeda e também cooperou com o ISIS. Os outros grupos que partilham essas denominações, como a Divisão do Litoral [orig. Coastal Division] e as Brigadas Al-Ghab, são parte do chamado “Exército Sírio Livre” criado e mantido pelos EUA, e são tão supostamente antiterroristas quanto são declaradamente anti-Assad. E todos esses “pegaram carona” no ataque, para usar terminologia técnica do The Wall Street Journal (só para assinantes), fazendo tudo que podiam para facilitar o avanço comandado pela Frente Al-Nusra. 
Implica dizer que grupos mantidos pelos EUA ajudaram a Al-Qaeda a tomar uma cidade secular. Mas ainda não é tudo que os EUA fizeram. Também forneceram grande número de mísseis guiados por célula ótica TOW© , que os rebeldes usaram para destruir dezenas de tanques do exército regular sírio e outros veículos, como se vê em vídeos distribuídos pelas redes sociais. Um terrorista pró-EUA de nome Fares Bayoush disse ao The Wall Street Journal (só para assinantes) que os TOWs “alteraram o equilíbrio de poder”, dando aos terroristas salafistas a vantagem de que precisavam para desalojar o exército do estado sírio, muito firmemente instalado na cidade. 
Com a Síria já acusando os militares turcos de estarem fornecendo “apoio logístico e de fogo” aos terroristas, tudo sugere que os terroristas tenham transportado os mísseis através da fronteira turca, a menos de 15 km a oeste de Jisr Ash-Shughur. Não se sabe se os mísseis TOWs foram usados pela Frente Al-Nusra ou por outra das facções de terroristas pró-EUA. Mas não há dúvida alguma quanto à origem dos mísseis. 
No final de 2013, a Arábia Saudita foi entusiasmadamente às compras, e comprou mais de 15 mil mísseis Raytheon antitanques, ao preço total de mais de US$ 1 bilhão. A compra despertou desconfianças, dado que os mísseis TOWs são usados principalmente contra tanques e outros blindados, ameaça que os sauditas nunca mais tiveram de enfrentar desde a queda de Saddam Hussein. 
27/1/2015: Obama agradece ao Rei Salman a compra de US$ 1 bilhão em mísseis anti-tanques TOW
Agora, tudo se esclarece. Em armas contra supostos avanços xiitas no Iraque, Síria, Líbano e Iêmen, os arquissunitas de Riad compraram os mísseis com a intenção de repassá-los aos salafista sírios, na esperança de conseguir reverter a maré xiita. 
Regulamentos norte-americanos proíbem essas transferências de armas para terceiros, mas até agora Washington não deu um pio. A política dos EUA tem sido armar rebeldes moderados, sempre sob a condição de que nada tivessem a ver com a Al-Qaeda. Também nesse quesito, os norte-americanos mantiveram-se calados. 
Um alto funcionário do governo admitiu para o Washington Post que a Casa Branca está “preocupada por a Al-Nusra ter assumido o comando”. Mas disse que sabe que o governo sabe que “por causa das realidades no campo de combate, onde a oposição mais moderada é obrigada a coexistir” com grupos terroristas, ocorrerá alguma cooperação. Disse também que o governo “não é cego para o fato de que é em dada medida inevitável” que as armas dos EUA acabem mesmo em mãos de terroristas. Mas tudo que podia dizer em resposta é que “com certeza não deixaremos de discutir a questão com nossos parceiros”. 
O governo Obama, em outras palavras, sabe que seus clientes-vassalos estão aliados com a Al-Qaeda; e sabe que armas norte-americanas estão chegando aos terroristas. E tudo que pode dizer é que [algum dia] pode vir a levantar a questão com os “parceiros” terroristas. Por enquanto, o governo Obama está completamente incorporado à ofensiva chefiada pelos terroristas da Frente Al-Nusra. 
É como se o 11/9 nunca tivesse acontecido. Mas, em vez de protestar contra o que é, de fato, um ataque conjunto EUA-Al-Qaeda, o Departamento de Estado só faz ou manter silêncio discreto, ou elogiar a altas vozes os avanços dos terroristas da Frente Al-Nusra como “a melhor coisa que poderia acontecer numa crise no Oriente Médio”, para citar Walter Russell Mead, em The American Interest.
Lina Khatib, diretora do Centro Carnegie para o Oriente Médio em Beirute, foi igualmente entusiástica: “o pragmatismo de Nusra e a evolução em curso mostram que [a Frente] pode vir a se aliada na luta contra o Estado Islâmico” – escreveu. “Embora nem todos gostem da ideologia de Nusra, há crescente convicção no norte da Síria que é a melhor alternativa em campo – e aquela ideologia é pequeno preço a pagar por considerável retorno”. 

TOW-míssil antitanque fornecido pelos EUA ao grupo terrorista Jabhat-al-Nusra (al-Qaeda)
“Crescente convicção”... onde?! Entre alawitas e cristãos que, corretamente, vêm toda a Al-Qaeda como ameaça de genocídio? Há cerca de uma dezena de anos, se alguém sugerisse uma aliança dos EUA com a Al-Qaeda, fossem quais fossem os termos, candidatava-se a ser linchado. Agora, especialistas em política externa dos EUA, feito Mead e Khatib, sentem-se livres para militar a favor dessa aliança, sem medo de serem contraditados.

Por quê? Porque as relações entre EUA e Al-Qaeda há muito tempo são muito mais ambíguas do que a política externa dos EUA (os dois partidos e toda a imprensa-empresa norte-americana) gostaria(m) que os norte-americanos comuns conhecessem e compreendessem. Não apenas os EUA uniram-se aos sauditas como parteiros do moderno movimento jihadista durante a guerra contra a Rússia soviética no Afeganistão, como também, depois do 11/9, o governo Bush trabalhou aplicadamente para encobrir os laços muito próximos que havia entre Osama bin Laden e os antigos aliados sauditas dos EUA.

Cidadãos sauditas, inclusive membros da família bin Laden, foram ajudados a sair dos EUA, nos dias seguintes ao ataque às torres gêmeas, praticamente autorizados pelo FBI. Uma seção crucialmente importante, de 28 páginas, do relatório conjunto do Congresso sobre o 11/9, desapareceu; e um investigador da comissão foi demitido, por tentar examinar a questão do financiamento saudita [sobre isso ver Philip Shenon, The Commission: The Uncensored History of the 9/11 Investigation  (New York: Twelve, 2008), pp. 109-11].

Bush e Cheney “recusaram-se a levantar o sigilo de qualquer coisa que tivesse algo a ver com a Arábia Saudita”, lamentou depois o ex-Secretário da Marinha, John F. Lehman, membro da comissão de investigação. “Tudo que tivesse a ver com os sauditas, por alguma razão, foi tratado como informação maximamente sensível”Âncora. [Ibid., 185-86.]

O governo Bush só fazia tentar “descobrir” laços entre bin Laden e Saddam Hussein – que, é claro, nunca existiram – e, ao mesmo tempo, trabalhava freneticamente para suprimir a grande quantidade de elementos que comprovavam as relações entre a Al-Qaeda e a Casa de Saud.

Enquanto se prometia “passar fogo” em bin Laden, o real interesse de Bush era derrubar Saddam. No final, a política dos EUA para a Al-Qaeda acabou por se revelar bem pouco diferente da política de Riad: hostilidade quando os terroristas ousavam bombardear a pátria-mãe, mas tolerância e até aprovação e estímulos, quando as atividades dos terroristas acompanhavam as metas da política externa dos EUA.

Enquanto o ISIS, desdobramento hiper brutal da Al-Qaeda, limitou-se a infernizar o regime de Damasco, os EUA mantiveram-se firmemente com a cabeça virada na direção oposta para nada ver das atrocidades. Só quando o Estado Islâmico deixou o nicho original e atacou gente de Washington em Bagdá, então, afinal, os EUA mostraram-se muito ofendidos.

Mas onde funcionários do governo dos EUA sentiram-se antes obrigados a manter ocultas as relações com a Al-Qaeda, o passo acelerado dos eventos no Oriente Médio começa a permitir que falem mais abertamente. Com os preços do petróleo em queda livre, e um rei linha duríssima chegando ao trono em Riad, um primeiro-ministro igualmente obcecado e linha-duríssima foi reeleito em Israel. No momento em que os EUA contam com a assinatura de acordo nuclear inédito e sem precedentes, para melhorar suas relações com o Irã.


Efeito de tudo isso, foi que as regras foram reformuladas, embora não exatamente como o povo dos EUA esperava. Onde o iminente acordo com o Irã levou rapidamente à especulação de que estaria em andamento “o realinhamento mais fundamental da política externa dos EUA numa geração”, a realidade seria o contrário disso, como Republicanos e Democratas corriam a garantir aos seus parceiros estratégicos, repetindo que a velha aliança continuava intocada.

Com isso, o controle férreo que Netanyahu já tinha sobre o Congresso dos EUA apenas aumentou, enquanto a Arábia Saudita e outros estados árabes do Golfo receberam carta branca para fazerem o que bem entendessem contra o “crescente” xiita de Sanaa até Beirute que supostamente os ameaçaria.

Pouco mais de um mês depois de sua ascensão ao trono, o rei Salman reuniu-se com o Primeiro-Ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e acertou com ele que aumentaria o apoio aos rebeldes sunitas sírios, incluindo os grupos que tivessem laços com a Al-Qaeda, os quais, antes, eram “proibidos”. Em vez de continuar a boicotar aqueles grupos, como os EUA queriam, a nova abordagem passava a ser apoiar a Frente Al-Nusra e outras forças assemelhadas, sob o argumento de que seriam as únicas capazes de dar conta do recado.

O resultado fez-se ver poucas semanas adiante, quando Al-Nusra e Ahrar al Sham anunciaram a formação de uma nova coalizão de nome “Exército da Conquista” [ing. Army of Conquest (Jaysh al Fateh)] que incluiria também vários pequenos grupos islamistas. No final de março/2015, a nova coalizão tomou Idlib, cerca de 50km a nordeste de Jisr Ash-Shughur. No final de abril/2015, armados com os mísseis TOWs fabricados nos EUA, tomaram Jisr Ash-Shughur.

Ansioso para blindar suas relações com os sauditas, ante o já iminente acordo com o Irã, o governo Obama não se atreveu a objetar. A mesma lógica prevaleceu quando a Arábia Saudita lançou ataque aéreo contra o Iêmen dia 25/3/2015, em momento no qual as negociações com o Irã entravam em alta rotação. Se Riad sentia que não lhe restava outra escolha que não fosse destruir o Iêmen, o mais pobre dos países do Oriente Médio, com raids noturnos e bombardeando escolas e hospitais... os EUA tampouco fariam qualquer objeção.

Como observou um funcionário do Departamento de Estado, “é importante que os sauditas saibam que temos um braço envolvendo os ombros deles”. Mais de mil iemenitas já morreram em consequência desse “gesto”, cerca de 300 mil iemenitas tiveram de abandonar suas casas e fugir, enquanto a Al-Qaeda na Península Árabe tirou vantagem do caos reinante para assumir o controle do porto de Al Mukalla no leste do país e boa parte da província de Hadramawt em torno do porto.

Mas em caso em que, noutros tempos, os EUA usaram drones contra a Al-Qaeda, sem se preocupar com o dano colateral entre a população civil do local, dessa vez Washington parece acintosamente indiferente. Se os sauditas não se preocupam com mais esse avanço da Al-Qaeda, por que os EUA se preocupariam?!

Ao tempo em que essas políticas estão empurrando Síria e Iêmen rumo ao colapso, e gerando onda gigante de refugiados, o único consolo é que os sauditas podem também estar ruindo sob a excessiva pressão. Com seus terrenos montanhosos e profundas divisões tribais, o Iêmen há muito tempo é caso de estudo de caos controlado. Mas Riad parece ter feito tudo que pôde para tornar ainda pior uma situação já difícil.


Como observaram diplomatas dos EUA, a insurgência houthi, que agora parece dividir o país ao meio, não começou sozinha. Ao contrário, começou por uma onda de propaganda wahhabista paga pelos sauditas, que agitou os piores medos da minoria xiita iemenita, e empurrou os houthis para a trilha da guerra. Como já se lia em telegrama secreto do Departamento de Estado em 2009, o salafismo promovido pelos sauditas “disseminou-se rapidamente no Iêmen ao longo das duas últimas décadas”, o que levou os houthis a sentirem-se “cada vez mais ameaçados”.

Na província de Sa’ada, no norte do Iêmen, onde antes se dizia que a província era “tão xiita que até as pedras são xiitas”, os moradores passaram a sentir-se sitiados, cercados por número crescente de escolas e mesquitas sunitas-salafistas construídas com dinheiro dos ricos petro-xeiques sauditas.

O crescente sectarismo saudita insuflou o sectarismo houthi e empurrou o país para guerra civil total. Até diplomatas norte-americanos criticaram os sauditas por tentar impor solução militar contra os houthis, em vez de buscar solução política.

Como o embaixador Stephen Seche dos EUA escrevia em novembro de 2009, Riad estava transferindo tanta ajuda militar para o presidente Ali Abdullah Saleh do Iêmen – hoje, ironicamente, aliado dos houthis – que “é inevitável que as armas acabem no Iêmen, naquele florescente mercado negro de armas” (...). Dali, ninguém sabe onde as armas reaparecerão, e podem reaparecer até em mãos de grupos extremistas dedicados a atacar interesses ocidentais no Iêmen – como também, ironicamente, na Arábia Saudita e países vizinhos do Golfo”.

“É imperioso que o Departamento [de Estado]” – Seche continuava – “faça saber àqueles “amigos do Iêmen” que eles estão trabalhando contra o objetivo que anunciam – de obter um Iêmen estável e seguro, com a quantidade imensa de dinheiro e ajuda militar que dão ao país”. Excelente conselho que, infelizmente, caiu em ouvidos surdos. Em vez de menos, os sauditas optaram por mais militarização – com as consequências desastrosas tão claramente previsíveis e previstas.

Mesmo assim, há sinais de que os sauditas podem ter abocanhado mais do que conseguem mastigar. Riad, por exemplo, anunciou inicialmente que o Paquistão estaria entre os dez estados de maioria sunita que participariam na operação anti-houthis. Mas quando Riad explicou que soldados xiitas não seria bem-vindos, Islamabad pôs pé atrás.

Com os xiitas representando 20% da população paquistanesa, a discriminação imposta pelos sauditas teria disparado tensões religiosas, e posto o país em guerra civil semelhante à que o Líbano conheceu.

Ao mesmo tempo em que pouco fizeram contra o avanço dos houthis, os raides e bombardeios noturnos puseram à vista a incapacidade do reino para guerrear em terra. Fortes no ar, os sauditas não passam de tigres de papel onde se decidem as guerra: no chão.

Você todos são CARAS BONS, certo?
Verdade é que o recente expurgo promovido pelo rei Salman, o mais amplo em décadas, pode ser sinal de que a insatisfação cresce nas fileiras da realeza, dado que se sabe que o príncipe Muqrin Bin Abdul Aziz, a mais importante vítima do expurgo, é conhecido por criticar a guerra contra o Iêmen. Quanto mais a intervenção militar vai-se afundando num beco sem saída, mais a dissidência se intensifica – e se há coisa que a autocracia absoluta saudita não pode tolerar, é dissidência política.

Por fim, há a prisão recente de 93 alegados membros do ISIS, acusados de planejar ataques à embaixada dos EUA e outros alvos. Se as acusações se comprovarem verdadeiras – o que é sempre um grande “se”, no que tenha a ver com a Arábia Saudita – será mais um indício de que, apesar de gastar bilhões para erguer uma barreira eletrônica high-tech de contenção ao longo de sua fronteira norte, o reino saudita continua vulnerável, sem conseguir manter longe o ISIS.

Não importa o quanto confabulem com a boa Al-Qaeda, continuam a ter problemas com a má. Com Abu Bakr  al-Baghdadi prometendo exterminar até os 15% de xiitas que há na Arábia Saudita, tão logo chegue ao poder, o sinal é claro de como o extremismo religioso se aprofunda rapidamente, numa atmosfera do sectarismo o mais inflamável, que a Casa de Saud tanto fez para promover.

O resultado é uma colisão pelos quatro lados que está em preparação há anos. Lutando para manter coeso o seu raquítico império no Oriente Médio, Obama não consegue dizer não ao rolo compressor saudita. E, porque não pode dizer não aos sauditas, tampouco pode dizer não a parceiros dos sauditas, como a Al-Qaeda. Os EUA estão outra vez na cama com os mesmos terroristas que já dois presidentes durante quatro mandatos presidenciais juraram controlar e afastar.

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[*] Daniel Lazare é norte-americano, jornalista freelance, publicitário e blogueiro. Escreve e apresenta comentários e artigos em diferentes mídias. Estudou Literatura Inglesa e é autodidata em História. Publicou 3 livros polêmicos:
●– The Frozen Republic: How the Constitution Is Paralyzing Democracy (Harcourt Brace - 1996)
●– The Velvet Coup: The Constitution, the Supreme Court, and the Decline of American Democracy (2001).
●– America’s Undeclared War: What’s Killing Our Cities and How We Can Stop It (2001)