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sexta-feira, 22 de maio de 2015

EUA – Agência de Inteligência da Defesa, 2012: Ocidente facilitará ascensão do Estado Islâmico “para isolar regime sírio”


19/5/2015, [*] Brad Hoff, Levant Report
Excertos traduzidos pelo pessoal da Vila Vudu


Considerando que todas as correspondências no foco estratégico são doença crônica na aliança entre excepcionalistas norte-americanos + excepcionalistas sionistas + excepcionalistas wahhabistas (...), a guerra que a Síria luta hoje tem de ser interpretada como a luta de resistência mais crucialmente importante em toda a Eurásia.





Documento da AID 
(clique na legenda para aumentar)
Dia 18 de maio de 2015, o grupo conservador Judicial Watch publicou uma seleção de documentos protegidos por sigilo até aquela data, e que foram obtidos do Departamento de Defesa e do Departamento de Estado dos EUA por ordem judicial de tribunal federal.

Enquanto até agora a imprensa-empresa comercial dominante só comentou parte dos itens relacionados ao modo como a Casa Branca tratou o ataque ao consulado norte-americano em Benghazi, já se sabe que os documentos da Agência de Inteligência da Defesa (AID) que circularam em 2012 trazem importante admissão e confirmação num “quadro muito mais amplo”: que estavam querendo criar um “Estado Islâmico” no leste da Síria, para pôr em execução políticas ocidentais para a região.

Muito espantosamente, lê-se no relatório recentemente divulgado que

O OCIDENTE, PAÍSES DO GOLFO E TURQUIA [que] APOIAM A OPOSIÇÃO [síria] (...) HÁ POSSIBILIDADE DE ESTABELECER UM PRINCIPADO/MICRONAÇÃO [orig. PRINCIPALITY,  entidade  política não reconhecida, micronação] SALAFISTA DECLARADA OU NÃO DECLARADA, NO LESTE DA SÍRIA (HASAKA E DER ZOR), E ISSO É EXATAMENTE O QUE DESEJAM AS POTÊNCIAS QUE ESTÃO APOIANDO A OPOSIÇÃO, PARA ISOLAR O REGIME (...).

O relatório da AID, antes classificado como “SECRETO//SIGILOSO PARA ESTRANGEIROS” [orig. “SECRET//NOFORN”] e datado de 12/8/2012, circulou amplamente entre várias agências do governo, entre as quais CENTCOM, a CIA, FBI, DHS,NGA, Departamento de Estado e várias outras.

O documento mostra que já em 2012 a inteligência dos EUA previra o crescimento do Estado Islâmico no Iraque e Levante/Síria (ISIL/ISIS), mas, em vez de delinear o grupo claramente como organização inimiga, o documento trata aquele grupo terrorista como ativo estratégico dos EUA.

Por mais que há muito tempo analistas e jornalistas já tenham documentado o papel de agências da inteligência ocidental na formação e treinamento da oposição armada na Síria, essa é a confirmação “oficial” de mais alto nível interno na inteligência dos EUA, da teoria segundo a qual os governos ocidentais, sim, veem o ISIS como ferramenta a serviço deles para fazer a “mudança de regime” na Síria. O documento agora distribuído confirma com detalhes, esse cenário.

Provas judiciais, provas em vídeo, além de admissões feitas por funcionários de alto nível envolvidos nas operações (ver o que disse o ex-embaixador na Síria, Robert Ford, que tudo admitiu, aqui e aqui) já comprovaram que o apoio material que o Departamento de Estado e a CIA deram/ dão aos terroristas do ISIS ativos na Síria já existia, pelo menos, em 2012 e 2013 (para exemplo claro de “prova com valor judicial”, vide o relatório de Conflict Armament Research, organização com sede na Grã-Bretanha, que traça as origens dos foguetes antitanque croatas que foram encontrados com o ISIS e os rastreia até um programa conjunto de CIA-sauditas, graças as números de série identificáveis nas armas).

O recém divulgado AID report resume como segue os pontos relacionados ao ISI (em 2012, “Islamic State in Iraq”, “Estado Islâmico no Iraque”) e ao ISIS que apareceria pouco depois:

– Al-Qaeda comanda a oposição na Síria;

– O ocidente identifica-se com a oposição;

– O estabelecimento de um nascente Estado Islâmico só se tornou realidade com o surgimento da insurgência síria (nenhuma referência à retirada das tropas dos EUA, do Iraque, como catalisador do surgimento do EI [que vários autores já chamam hoje de “Estado (Nada)Islâmico (NTs)], que é o que inúmeros políticos e especialistas têm repetido; vide seção 4.D., abaixo);

– O estabelecimento de um “principado salafista” [orig. “Salafist Principality”] no leste da Síria é “exatamente” o que querem as potências exteriores que apoiam a oposição síria (que o relatório identifica como “o Ocidente, países do Golfo e Turquia”) para enfraquecer o governo do presidente Assad;

– Sugere-se o estabelecimento de “paraísos seguros” em áreas conquistadas por insurgentes islamistas assemelhadas ao modelo líbio (que geraram as chamadas “zonas aéreas de exclusão” como um primeiro ato da “guerra humanitária”. Vide 7.B.);

– O Iraque é identificado à “expansão xiita” (8.C);

– Um Estado Islâmico sunita poderia ser devastador para um “Iraque unificado” e poderia levar a “renovar a facilitação [orig.renewing facilitation] à entrada, na arena iraquiana, de elementos terroristas vindos de todo o mundo árabe” (Vide a última linha não editada no documento integral em PDF).

Toyotas cedidas pelos EUA aos terroristas do ISIS
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Aqui alguns excertos das sete páginas do relatório da Agência de Inteligência da Defesa agora divulgado ao público (negritos de Brad Hoff):


R 050839Z AUG 12
…
A SITUAÇÃO GERAL:

A. INTERNA MENTE, OS EVENTOS ESTÃO TOMANDO DIREÇÃO CLARAMENTE SECTÁRIA.

B. OS SALAFISTAS [sic], A FRATERNIDADE MUÇULMANA E A AL-QAEDA NO IRAQUE SÃO AS PRINCIPAIS FORÇAS QUE MOVEM A INSURGÊNCIA NA SÍRIA.

C. OCIDENTE, PAÍSES DO GOLFO E TURQUIA APOIAM A OPOSIÇÃO; E RÚSSIA, CHINA E IRÃ APOIAM O REGIME.
…

3. Al QAEDA – IRAQUE (AQI):… B. AQI APOIOU A OPOSIÇÃO SÍRIA DESDE O INÍCIO, IDEOLOGICAMENTE E TAMBÉM PELA IMPRENSA-EMPRESA COMERCIAL (...)
…

4.D. HOUVE UMA REGRESSÃO DA AQI NAS PROVÍNCIAS OCIDENTAIS DO IRAQUE DURANTE OS ANOS DE 2009 E 2010; MAS, DEPOIS DO SURGIMENTO E CRESCIMENTO DA INSURGÊNCIA NA SÍRIA, AS POTÊNCIAS RELIGIOSAS E TRIBAIS NA REGIÃO COMEÇARAM A SIMPATIZAR COM O LEVANTE SECTÁRIO. ESSA SIMPATIA APARECEU EM SERMÕES DAS 6as-FEIRAS, QUE CONVOCAVAM VOLUNTÁRIOS PARA APOIAR OS SUNITAS [sic] NA SÍRIA.
…

7. HIPÓTESES EM AVALIAÇÃO SOBRE O FUTURO DA CRISE:

A. O REGIME SOBREVIVE E TEM CONTROLE SOBRE O TERRITÓRIO SÍRIO.

B. OS EVENTOS CORRENTES LEVAM A GUERRA ‘POR PROCURAÇÃO’ (...): FORÇAS DA OPOSIÇÃO ESTÃO TENTANDO CONTROLAR AS ÁREAS NO LESTE (HASAKA E DER ZOR), ADJACENTES ÀS PROVÍNCIAS NO OESTE DO IRAQUE (MOSUL E ANBAR), ALÉM DAS FRONTEIRAS TURCAS VIZINHAS. PAÍSES OCIDENTAIS, OS ESTADOS DO GOLFO E A TURQUIA ESTÃO APOIANDO ESSES ESFORÇOS. ESSA É A HIPÓTESE MAIS PROVÁVEL SEGUNDO OS DADOS DE EVENTOS RECENTES, QUE AJUDARÃO A PREPARAR PARAÍSOS SEGUROS, SOB A PROTEÇÃO DA LEI INTERNACIONAL, SEMELHANTE AO QUE TRANSPIROU NA LÍBIA, QUANDO BENGHAZI FOI ESCOLHIDA COMO CENTRO DE COMANDO DO GOVERNO TEMPORÁRIO.
…

8.C. SE A SITUAÇÃO SE DESDOBRAR, HÁ POSSIBILIDADE DE ESTABELECER UM PRINCIPADO SALAFISTA DECLARADO OU NÃO DECLARADO NO LESTE DA SÍRIA (HASAKA E DER ZOR), E ISSO É EXATAMENTE O QUE DESEJAM AS POTÊNCIAS QUE ESTÃO APOIANDO A OPOSIÇÃO, PARA ISOLAR O REGIME, VISTA COMO A PROFUNDIDADE ESTRATÉGICA DA EXPANSÃO XIITA (IRAQUE E IRÃ).

8.D.1. …O ESTADO ISLÂMICO NO IRAQUE PODE TAMBÉM DECLARAR UM ESTADO ISLÂMICO MEDIANTE A UNIÃO DO ISI COM OUTRAS ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS NO IRAQUE E SÍRIA, O QUE CRIARÁ GRAVE PERIGO EM RELAÇÃO À UNIFICAÇÃO DO IRAQUE E PROTEÇÃO DE SEU TERRITÓRIO.

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[*] Brad Hoff é Diretor Editorial do Relatório Levant. É um ex-fuzileiro naval e foi professor de história antiga e moderna em várias escolas em todo Texas - tanto nos níveis universitários e do ensino médio. Brad viveu e viajou extensivamente por todo o Oriente Médio, passando a maior parte de seu tempo na Síria antes da insurreição de 2011.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Síria: mídia ataca al-Assad como terroristas atacam civis


16/4/2015, [*] Brandon Turbeville, Global Research [dica de Brasil Helou]
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Bashar al-Assad, alvo prioritário da imprensa-empresa internacional
Enquanto se iam encerrando as celebrações da Páscoa na Síria, começavam, para os moradores de Aleppo, novos ataques de foguetes, claramente orientados para matar civis. Os ataques, que ocorreram em território controlado pelo governo, foram atos dos terroristas da Frente al-Nusra/ISIS financiados pelo Ocidente para derrubar o governo secular de Bashar al-Assad.

Repórteres sírios estavam em campo logo depois dos atentados, para colher imagens das vítimas sendo resgatadas de montes de entulhos e ruínas, e de outras, já em tratamento em hospitais.

Fontes dentro Síria descreveram os mísseis que atingiram o prédio em Aleppo como diferentes e mais avançados do que os antes utilizados pelos terroristas. Testemunhas descreveram o efeito do impacto dos mísseis, que “partiram o prédio pela metade”. Muitos já perceberam que os terroristas que operam em Aleppo receberam armamento muito mais sofisticado e poderoso do que o armamento a que tinham acesso antes.

Na verdade, quando se vê o filme divulgado pela mídia síria, do prédio destruído, a descrição de que o prédio foi “partido ao meio” é bastante precisa. O que se vê no filme, é um prédio de apartamentos cortado realmente de cima abaixo, com os dois lados ainda em pé.

Muitos moradores entrevistados pela mídia síria afirmaram que terroristas de grupos de extermínio os tomam como alvos, porque sabem que a população apoia o governo do presidente Assad ou, no mínimo, porque sabem que não apoiam os jihadistas.

Crianças fogem de escola bombardeada por terroristas do ISIS/al-Nusra que são financiados pelo "ocidente" (12/4/2015)
A área atingida por mísseis desta vez já esteve, antes, sob bombardeio dos terroristas, que resultou em de número estimado de mortos que varia entre 17 e mais de 40, segundo depoimentos de testemunhas.

A evidência de que os terroristas apoiados pelo ocidente já se dedicam deliberadamente a matar civis passou totalmente despercebida na mídia-empresa ocidental, que se concentrou exclusivamente em outro acidente que, esse sim, recebeu atenção integral.

No domingo (12/4/2015), uma escola foi destruída em Aleppo, em ataque que teria matado cinco crianças e quatro adultos, de acordo com “notícias” da Agência Reuters. A escola Saad Al-Ansari era localizada no bairro de Al-Mashhad, área controlada pelos terroristas.

A mídia-empresa ocidental imediatamente “concluiu” e “noticiou” que o governo Assad seria responsável pelo ataque à escola. Evidentemente, a única fonte que a Reuters consultou foi o conhecido esquadrão-da-morte e ONG mundialmente desacreditada [sempre repetidamente citada nas reportagens que se leem e ouvem no Brasil (NTs)] conhecida como “Observatório Sírio de Direitos Humanos” – que não passa de umas poucas pessoas que vivem no Reino Unido e só fazem “pesquisar” na Internet. O diretor e fundador dessa ONG, Rami Abdelrahman, vive de repetir e divulgar os ataques de propaganda construídos por governos da OTAN e contra o governo sírio, desde o início da crise. A própria ONG já admitiu que é financiada por um país europeu cujo nome não citou. Basta saber disso, para saber que as “informações jornalísticas” distribuídas por aquela ONG não são fidedignas.

Crianças feridas em escola de Aleppo após bombardeio do ISIS/al-Nusra financiados pelos EUA/UE (12/4/2015)
Além disso, deve-se salientar que as escolas na Síria permaneceram fechadas durante o feriado de Páscoa e que, no domingo, para começar, não haveria nenhuma criança na escola. Portanto, ainda que o governo Assad tivesse deliberadamente bombardeado o edifício, seria impossível que tivesse matado crianças, que não estavam na escola.

A mídia-empresa ocidental insiste que o ataque atribuído ao Exército Árabe Sírio teria tido o objetivo deliberado de matar crianças, mortes que a mesma mídia-empresa atribui ao presidente sírio, apesar da evidência óbvia de que esse tipo de ação seria extremamente contraproducente para a causa do governo sírio, tanto nacional como internacionalmente.

Apesar de a ONG londrina Observatório dos Direitos Humanos ter distribuído vídeo o qual, segundo a mesma ONG, seria prova do ataque (o vídeo mostra o rescaldo de um incêndio, com um homem segurando a perna decepada de uma criança e equipes de resgate levando um corpo coberto por um lençol), já se sabe que todas as atrocidades cometidas na Síria têm sido atribuídas sempre imediatamente a Assad e ao Exército Árabe Sírio, até que se investigue e descubra-se que configuram mais um dos já incontáveis crimes de guerra cometidos na Síria pelos terroristas de grupos de extermínio. Desde os ataques forjados com armas químicas no infame massacre de Houla, vê-se que há esforço organizado para retratar Assad não apenas como o inimigo, mas como cruel açougueiro de civis. Contudo, cinco anos depois daqueles ataques, ainda não há sequer algum mínimo fragmento de prova confiável que sugira que o Exército Árabe Sírio ou o governo Assad visem intencionalmente a atingir civis.

Com tudo isso em mente, deve-se concluir que a propaganda sobre o suposto bombardeio de uma escola pelo Exército Árabe Sírio não passa de tentativa para arregimentar apoio à ação da OTAN contra o governo sírio, exatamente como já aconteceu quando a imprensa-empresa ocidental tentou explorar outro bombardeio de prédio escolar, em maio de 2014.

Em Aleppo, civis e soldados do exército sírio examinam restos dos bombardeios dos terroristas do ISIS/ al-Nusra financiados pelos EUA-UE (12/4/2015)
Por tudo isso, é preciso ter em mente as muitas histórias inventadas e repetidas ad nauseum sobre supostas atrocidades de Assad, jamais acompanhadas dos correspondentes desmentidos, nem depois que já haja muitas provas de que aquelas atrocidades sempre foram obra dos esquadrões da morte apoiados pelo ocidente.

É preciso observar, sem perder a noção da lógica e do bom-senso, todos esses eventos noticiados pelos meios de comunicação da OTAN. Ainda mais importante, devemos sempre lembrar que os verdadeiros responsáveis pela tragédia da crise que a Síria enfrenta hoje são EUA, Israel, OTAN, e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). É urgente responsabilizar os governos desses países e os bolsos ricos do estado profundo que comanda as respectivas estruturas governamental, empresarial e bancária – pela terrível desgraça que atinge hoje o povo sírio.
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[*] Brandon Turbeville reside em Florence, Carolina do Sul. Tem bacharelado na Francis Marion University e é autor de seis livros:

Turbeville já publicou mais de 300 artigos que tratam sobre ampla variedade de assuntos, incluindo saúde, guerras, economia, corrupção governamental e liberdades civis. O programa Truth on The Tracksde Brandon Turbeville pode ser assistido todas as segundas-feiras 21:00 EST no UCYTV. Ele está disponível para entrevistas de rádio e TV.
Recebe e-mails em:  activistpost@gmail.com