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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Síria: mídia ataca al-Assad como terroristas atacam civis


16/4/2015, [*] Brandon Turbeville, Global Research [dica de Brasil Helou]
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Bashar al-Assad, alvo prioritário da imprensa-empresa internacional
Enquanto se iam encerrando as celebrações da Páscoa na Síria, começavam, para os moradores de Aleppo, novos ataques de foguetes, claramente orientados para matar civis. Os ataques, que ocorreram em território controlado pelo governo, foram atos dos terroristas da Frente al-Nusra/ISIS financiados pelo Ocidente para derrubar o governo secular de Bashar al-Assad.

Repórteres sírios estavam em campo logo depois dos atentados, para colher imagens das vítimas sendo resgatadas de montes de entulhos e ruínas, e de outras, já em tratamento em hospitais.

Fontes dentro Síria descreveram os mísseis que atingiram o prédio em Aleppo como diferentes e mais avançados do que os antes utilizados pelos terroristas. Testemunhas descreveram o efeito do impacto dos mísseis, que “partiram o prédio pela metade”. Muitos já perceberam que os terroristas que operam em Aleppo receberam armamento muito mais sofisticado e poderoso do que o armamento a que tinham acesso antes.

Na verdade, quando se vê o filme divulgado pela mídia síria, do prédio destruído, a descrição de que o prédio foi “partido ao meio” é bastante precisa. O que se vê no filme, é um prédio de apartamentos cortado realmente de cima abaixo, com os dois lados ainda em pé.

Muitos moradores entrevistados pela mídia síria afirmaram que terroristas de grupos de extermínio os tomam como alvos, porque sabem que a população apoia o governo do presidente Assad ou, no mínimo, porque sabem que não apoiam os jihadistas.

Crianças fogem de escola bombardeada por terroristas do ISIS/al-Nusra que são financiados pelo "ocidente" (12/4/2015)
A área atingida por mísseis desta vez já esteve, antes, sob bombardeio dos terroristas, que resultou em de número estimado de mortos que varia entre 17 e mais de 40, segundo depoimentos de testemunhas.

A evidência de que os terroristas apoiados pelo ocidente já se dedicam deliberadamente a matar civis passou totalmente despercebida na mídia-empresa ocidental, que se concentrou exclusivamente em outro acidente que, esse sim, recebeu atenção integral.

No domingo (12/4/2015), uma escola foi destruída em Aleppo, em ataque que teria matado cinco crianças e quatro adultos, de acordo com “notícias” da Agência Reuters. A escola Saad Al-Ansari era localizada no bairro de Al-Mashhad, área controlada pelos terroristas.

A mídia-empresa ocidental imediatamente “concluiu” e “noticiou” que o governo Assad seria responsável pelo ataque à escola. Evidentemente, a única fonte que a Reuters consultou foi o conhecido esquadrão-da-morte e ONG mundialmente desacreditada [sempre repetidamente citada nas reportagens que se leem e ouvem no Brasil (NTs)] conhecida como “Observatório Sírio de Direitos Humanos” – que não passa de umas poucas pessoas que vivem no Reino Unido e só fazem “pesquisar” na Internet. O diretor e fundador dessa ONG, Rami Abdelrahman, vive de repetir e divulgar os ataques de propaganda construídos por governos da OTAN e contra o governo sírio, desde o início da crise. A própria ONG já admitiu que é financiada por um país europeu cujo nome não citou. Basta saber disso, para saber que as “informações jornalísticas” distribuídas por aquela ONG não são fidedignas.

Crianças feridas em escola de Aleppo após bombardeio do ISIS/al-Nusra financiados pelos EUA/UE (12/4/2015)
Além disso, deve-se salientar que as escolas na Síria permaneceram fechadas durante o feriado de Páscoa e que, no domingo, para começar, não haveria nenhuma criança na escola. Portanto, ainda que o governo Assad tivesse deliberadamente bombardeado o edifício, seria impossível que tivesse matado crianças, que não estavam na escola.

A mídia-empresa ocidental insiste que o ataque atribuído ao Exército Árabe Sírio teria tido o objetivo deliberado de matar crianças, mortes que a mesma mídia-empresa atribui ao presidente sírio, apesar da evidência óbvia de que esse tipo de ação seria extremamente contraproducente para a causa do governo sírio, tanto nacional como internacionalmente.

Apesar de a ONG londrina Observatório dos Direitos Humanos ter distribuído vídeo o qual, segundo a mesma ONG, seria prova do ataque (o vídeo mostra o rescaldo de um incêndio, com um homem segurando a perna decepada de uma criança e equipes de resgate levando um corpo coberto por um lençol), já se sabe que todas as atrocidades cometidas na Síria têm sido atribuídas sempre imediatamente a Assad e ao Exército Árabe Sírio, até que se investigue e descubra-se que configuram mais um dos já incontáveis crimes de guerra cometidos na Síria pelos terroristas de grupos de extermínio. Desde os ataques forjados com armas químicas no infame massacre de Houla, vê-se que há esforço organizado para retratar Assad não apenas como o inimigo, mas como cruel açougueiro de civis. Contudo, cinco anos depois daqueles ataques, ainda não há sequer algum mínimo fragmento de prova confiável que sugira que o Exército Árabe Sírio ou o governo Assad visem intencionalmente a atingir civis.

Com tudo isso em mente, deve-se concluir que a propaganda sobre o suposto bombardeio de uma escola pelo Exército Árabe Sírio não passa de tentativa para arregimentar apoio à ação da OTAN contra o governo sírio, exatamente como já aconteceu quando a imprensa-empresa ocidental tentou explorar outro bombardeio de prédio escolar, em maio de 2014.

Em Aleppo, civis e soldados do exército sírio examinam restos dos bombardeios dos terroristas do ISIS/ al-Nusra financiados pelos EUA-UE (12/4/2015)
Por tudo isso, é preciso ter em mente as muitas histórias inventadas e repetidas ad nauseum sobre supostas atrocidades de Assad, jamais acompanhadas dos correspondentes desmentidos, nem depois que já haja muitas provas de que aquelas atrocidades sempre foram obra dos esquadrões da morte apoiados pelo ocidente.

É preciso observar, sem perder a noção da lógica e do bom-senso, todos esses eventos noticiados pelos meios de comunicação da OTAN. Ainda mais importante, devemos sempre lembrar que os verdadeiros responsáveis pela tragédia da crise que a Síria enfrenta hoje são EUA, Israel, OTAN, e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). É urgente responsabilizar os governos desses países e os bolsos ricos do estado profundo que comanda as respectivas estruturas governamental, empresarial e bancária – pela terrível desgraça que atinge hoje o povo sírio.
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[*] Brandon Turbeville reside em Florence, Carolina do Sul. Tem bacharelado na Francis Marion University e é autor de seis livros:

Turbeville já publicou mais de 300 artigos que tratam sobre ampla variedade de assuntos, incluindo saúde, guerras, economia, corrupção governamental e liberdades civis. O programa Truth on The Tracksde Brandon Turbeville pode ser assistido todas as segundas-feiras 21:00 EST no UCYTV. Ele está disponível para entrevistas de rádio e TV.
Recebe e-mails em:  activistpost@gmail.com

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Síria: Aleppo cercada − Ocidente procura “coringa” que salve seus terroristas

23/1/2015, [*] Tony CartalucciNew Eastern Outlook, NEO
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Exército da Síria atacado em Aleppo
Notícias seguras informam que o Exército Sírio Árabe está muito perto de cercar completamente os terroristas que ocuparam a cidade de Aleppo, no norte da Síria, depois que a cidade foi invadida a partir de território da OTAN, em 2012. Tão logo o cerco se complete, analistas entendem que a cidade será rapidamente libertada, em processo semelhante à retomada de Homs, mais ao sul.

O desespero dos terroristas nessa fase final na Batalha por Aleppo é bem visível na tentativa que fazem seus patrocinadores ocidentais para negociar um cessar-fogo e conseguir que alguma “ajuda” chegue até onde estão. Houve tentativas semelhantes, e semelhantemente vãs, nas fases finais da Batalha por Homs em meados de 2014 – com a cidade de Homs convertida em epicentro do terrorismo a partir de 2011, e hoje já sob controle do governo sírio. Pequenos bolsões de terroristas foram isolados dentro de Homs, possibilitando que a ordem fosse restaurada na maior parte da cidade e da região circundante.

Ao tempo em que o governo sírio vai sistematicamente recuperando o controle de nação que havia sido “condenada” pelo ocidente e seus terroristas, que entravam aos borbotões no país, seguidos sempre de torrente que parecia inexaurível de dinheiro, armas e equipamento, cresce visivelmente o desespero daqueles mesmos interesses “ocidentais”.

O jornal The Guardian, dos mais importantes agentes de propaganda dedicados a distorcer a verdade sobre o conflito desde que começou em 2011, tenta agora construir uma narrativa de exortação de uma dita “segurança global”, e insiste que a OTAN teria de estabelecer uma zona aérea de exclusão sobre Aleppo e repelir as forças do governo sírio, de modo que “rebeldes moderados” permaneçam no controle da cidade para repelir as forças do Estado Islâmico (ISIS).

Prédio bombardeado no centro de Aleppo

Desde então os pequenos ganhos do regime foram resultado de muita luta, com vários avanços convertidos em retrocessos por ação de combatentes rebeldes e locais, essas duas forças ainda se ressentindo das perdas que o ISIS lhes impôs. O ISIS escondeu-se a 20 milhas de distância dali e provoca a Frente Islâmica com uma estação de rádio que instalou ali e transmite regularmente cantos islâmicos para insultar os membros do grupo.

Foram perdas estratégicas para nós” disse o comandante de Aleppo, sobre os ganhos do ISIS. E os norte-americanos ainda duvidam do nosso empenho para combater contra eles? Quando os EUA voltaram à Síria, pensávamos que o mínimo que poderiam fazer seria impedir que a Força Aérea de Assad nos matasse. Mas eles bombardearam a cidade muito mais do que antes de os norte-americanos chegarem. Não temos dúvida alguma de que os EUA já estão “acertados” com Assad. É óbvio.

A única coisa “óbvia” é que os EUA simplesmente usaram o ISIS como pretexto para violar o espaço aéreo da Síria; e o segundo passo seria implantar as tais tão longamente planejadas zonas aéreas de exclusão, para, sendo possível, “conter” o Exército Árabe Sírio. Exatamente como na Líbia, a zona aérea de exclusão só faria entregar o restante da Síria ao ISIS e a outros grupos terroristas afiliados à Al-Qaeda – claramente a força de militantes terroristas dominante dentre as que combatem contra o governo do presidente Assad, e bem claramente também, os terroristas militantes que recebem a vastamente maior parte do apoio material que a OTAN e seus parceiros regionais, sobretudo a Arábia Saudita, o Qatar e Israel, entregam aos terroristas.

Rua de Aleppo bombardeada
Deve-se observar que, por mais que The Guardian “informe” que militantes terroristas cercados em Aleppo estariam lutando contra o ISIS, a mesma matéria reconhece que aqueles mesmos militantes [terroristas amigos dos EUA] estão aliados à Frente Al-Nusra, listada pelos EUA como organização terrorista. The Guardian admite:

A luta por Zahraa, um dos poucos enclaves xiitas no norte da Síria, está sendo comandada pela Frente al-Nusra alinhada da al-Qaeda, com a qual a Frente Islâmica mantém entendimento, mas não aliança formal. Depois de mal ter conseguido manter-se no local durante boa parte do ano passado, recentemente a al-Nusra tomou grandes porções de território próximo da fronteira turca, impondo-se como ator poderoso, à custa de grupos não jihadistas. A dinâmica que muda muito rapidamente está forçando um novo entendimento com a Frente Islâmica, que diz que se cansou de esperar pela ajuda que estados árabes prometeram, mas nunca entregaram.

Essas mesmas forças do ISIS que estariam “em luta” contra os “rebeldes moderados” já receberam em suas fileiras milhares dos tais ditos “moderados” que desertaram recentemente e levaram com eles grandes quantidades de dinheiro e armas “ocidentais”. O fato de a Al-Qaeda – nos dois “ramos”, Al-Nusra e ISIS – parecer prosperar tanto junto à fronteira turca indica que o apoio da OTAN não está indo, de modo algum, para os “rebeldes moderados”, mas, em vez disso, está sendo intencionalmente entregue à Al-Qaeda, ou a grupos “moderados” que a OTAN sabe que trabalham, ou logo estarão trabalhando, com a Al-Qaeda.

Com uma ameaça que ele mesmo inventou – perpetuada até hoje ao longo das fronteiras da OTAN, buscando paraíso-seguro em território da OTAN e recebendo linha ininterrupta de suprimentos que lhes chegam de território da OTAN – o “ocidente” procura arrancar do resto do mundo uma intervenção militar direta sempre maior, por causa de um medo sempre crescentemente inflado que o ISIS provocaria. Essa grande intervenção militar direta incluiria zonas aéreas de exclusão e talvez políticas mais agressivas, incluindo a implantação de mais “paraísos seguros”, de dentro dos quais o ISIS possa montar operações militares maiores, mais efetivas e mais profundas dentro da Síria.

Tropas do Exército da Síria em Aleppo
Como o veterano jornalista Seymour Hersh, duas vezes Prêmio Pulitzer, expôs em 2007 na revista New Yorker, em coluna intitulada The Redirection [1], o “ocidente” conspirou (intencionalmente) para construir e lançar grupos mercenários de terroristas afiliados à Al-Qaeda em todo o mundo árabe, para lutar guerra “por procuração” dos EUA contra o Irã e o crescente arco de influência dos xiitas. O apoio dos EUA seria “lavado” na Arábia Saudita, para manter um verniz de negabilidade plausível e compartimentação operacional. É claramente o que se vê em desdobramento hoje na Síria, manifestação item a item, etapa a etapa, do meticuloso trabalho jornalístico, de nove páginas, de Hersh.

Para derrotar essa conspiração criminosa, a Síria e seus aliados têm de conseguir que o conflito em curso seja exposto como o que é: invasão terrorista, não alguma “guerra civil”.

Por isso mesmo, qualquer estratégia formulada para combater a violência terrorista terá necessariamente de incluir o governo sírio – comprovadamente a única força legalmente constituída capaz de enfrentar e derrotar a Al Qaeda no Levante, desde 2011. Assim, quanto mais o “ocidente” e seus aliados regionais apoiarem essa frente terrorista, mais e mais apoio terá de ter a Síria, no cenário global, para combater contra todos os terroristas – deslocando a política externa do “ocidente” para um canto, e abrindo caminho para que os sírios, afinal, recuperem a ordem de sua nação agredida.


Nota dos tradutores

Seymour Herch
[1] “Nos últimos meses, com a situação no Iraque deteriorada, o governo Bush, tanto a diplomacia pública quanto as operações clandestinas, mudou significativamente sua estratégia no Oriente Médio. A “redireção” [versão de 2007, do tal “pivô” de Obama (NTs)], como alguns dentro da Casa Branca batizaram a nova estratégia, pôs os EUA muito mais perto de aberta confrontação com o Irã e, em partes da região, empurrou os EUA para um conflito sectário que não para de crescer entre muçulmanos xiitas e sunitas.
Para minar o Irã, que é predominantemente xiita, o governo Bush decidiu, de fato, reconfigurar suas prioridades no Oriente Médio. No Líbano, o governo havia cooperado com o governo saudita, sunita, em operações clandestinas que visavam a enfraquecer o Hezbollah, a organização xiita apoiada pelo Irã. Os EUA também participaram de operações clandestinas contra o Irã e sua aliada, a Síria. Efeito colateral dessas atividades foi o crescimento muito rápido de grupos extremistas sunitas que têm uma visão militante do Islã, são hostis aos EUA e simpáticos à Al-Qaeda” [5/3/2007, The Redirection. Is the Administration’s new policy benefitting our enemies in the war on terrorism?,  Seymour M. Hersh. New Yorkertrecho aqui traduzido, nós sublinhamos ].

[*] Tony Cartalucci é pesquisador de geopolítica e escritor sediado em Bangkok, Tailândia. Seu trabalho visa cobrir os eventos mundiais a partir de uma perspectiva do Sudeste Asiático, bem como promover a auto-suficiência como uma das chaves para a verdadeira liberdade.