Mostrando postagens com marcador Bashar al-Assad. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bashar al-Assad. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Síria e atualidades do Oriente Médio por Claude Fahd Hajjar

junho de 2015, Jornal O Progresso - JP
Entrevista da [*] Dra. Claude Fahd Hajjar (vídeo 54’ 32”)
[*] Claude Fahd Hajjar, psicóloga, psicanalista, pesquisadora de temas árabes e do Oriente Médio, editora do site Oriente Mídia, coordenadora do Grupo de Trabalho Árabe, autora de Imigração Árabe 100 anos de Reflexão, Ícone Ed, 1985 (esgotado); co-traduziu “O Percurso de Um Combatente”, de Lucien Biterland, sobre Hafez Assad, 2000. Autora de inúmeros artigos publicados sobre Síria. Participa de programas de debate na TV sobre Palestina (2009), 11 de setembro (2010) e Síria (2013).

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Síria: mídia ataca al-Assad como terroristas atacam civis


16/4/2015, [*] Brandon Turbeville, Global Research [dica de Brasil Helou]
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Bashar al-Assad, alvo prioritário da imprensa-empresa internacional
Enquanto se iam encerrando as celebrações da Páscoa na Síria, começavam, para os moradores de Aleppo, novos ataques de foguetes, claramente orientados para matar civis. Os ataques, que ocorreram em território controlado pelo governo, foram atos dos terroristas da Frente al-Nusra/ISIS financiados pelo Ocidente para derrubar o governo secular de Bashar al-Assad.

Repórteres sírios estavam em campo logo depois dos atentados, para colher imagens das vítimas sendo resgatadas de montes de entulhos e ruínas, e de outras, já em tratamento em hospitais.

Fontes dentro Síria descreveram os mísseis que atingiram o prédio em Aleppo como diferentes e mais avançados do que os antes utilizados pelos terroristas. Testemunhas descreveram o efeito do impacto dos mísseis, que “partiram o prédio pela metade”. Muitos já perceberam que os terroristas que operam em Aleppo receberam armamento muito mais sofisticado e poderoso do que o armamento a que tinham acesso antes.

Na verdade, quando se vê o filme divulgado pela mídia síria, do prédio destruído, a descrição de que o prédio foi “partido ao meio” é bastante precisa. O que se vê no filme, é um prédio de apartamentos cortado realmente de cima abaixo, com os dois lados ainda em pé.

Muitos moradores entrevistados pela mídia síria afirmaram que terroristas de grupos de extermínio os tomam como alvos, porque sabem que a população apoia o governo do presidente Assad ou, no mínimo, porque sabem que não apoiam os jihadistas.

Crianças fogem de escola bombardeada por terroristas do ISIS/al-Nusra que são financiados pelo "ocidente" (12/4/2015)
A área atingida por mísseis desta vez já esteve, antes, sob bombardeio dos terroristas, que resultou em de número estimado de mortos que varia entre 17 e mais de 40, segundo depoimentos de testemunhas.

A evidência de que os terroristas apoiados pelo ocidente já se dedicam deliberadamente a matar civis passou totalmente despercebida na mídia-empresa ocidental, que se concentrou exclusivamente em outro acidente que, esse sim, recebeu atenção integral.

No domingo (12/4/2015), uma escola foi destruída em Aleppo, em ataque que teria matado cinco crianças e quatro adultos, de acordo com “notícias” da Agência Reuters. A escola Saad Al-Ansari era localizada no bairro de Al-Mashhad, área controlada pelos terroristas.

A mídia-empresa ocidental imediatamente “concluiu” e “noticiou” que o governo Assad seria responsável pelo ataque à escola. Evidentemente, a única fonte que a Reuters consultou foi o conhecido esquadrão-da-morte e ONG mundialmente desacreditada [sempre repetidamente citada nas reportagens que se leem e ouvem no Brasil (NTs)] conhecida como “Observatório Sírio de Direitos Humanos” – que não passa de umas poucas pessoas que vivem no Reino Unido e só fazem “pesquisar” na Internet. O diretor e fundador dessa ONG, Rami Abdelrahman, vive de repetir e divulgar os ataques de propaganda construídos por governos da OTAN e contra o governo sírio, desde o início da crise. A própria ONG já admitiu que é financiada por um país europeu cujo nome não citou. Basta saber disso, para saber que as “informações jornalísticas” distribuídas por aquela ONG não são fidedignas.

Crianças feridas em escola de Aleppo após bombardeio do ISIS/al-Nusra financiados pelos EUA/UE (12/4/2015)
Além disso, deve-se salientar que as escolas na Síria permaneceram fechadas durante o feriado de Páscoa e que, no domingo, para começar, não haveria nenhuma criança na escola. Portanto, ainda que o governo Assad tivesse deliberadamente bombardeado o edifício, seria impossível que tivesse matado crianças, que não estavam na escola.

A mídia-empresa ocidental insiste que o ataque atribuído ao Exército Árabe Sírio teria tido o objetivo deliberado de matar crianças, mortes que a mesma mídia-empresa atribui ao presidente sírio, apesar da evidência óbvia de que esse tipo de ação seria extremamente contraproducente para a causa do governo sírio, tanto nacional como internacionalmente.

Apesar de a ONG londrina Observatório dos Direitos Humanos ter distribuído vídeo o qual, segundo a mesma ONG, seria prova do ataque (o vídeo mostra o rescaldo de um incêndio, com um homem segurando a perna decepada de uma criança e equipes de resgate levando um corpo coberto por um lençol), já se sabe que todas as atrocidades cometidas na Síria têm sido atribuídas sempre imediatamente a Assad e ao Exército Árabe Sírio, até que se investigue e descubra-se que configuram mais um dos já incontáveis crimes de guerra cometidos na Síria pelos terroristas de grupos de extermínio. Desde os ataques forjados com armas químicas no infame massacre de Houla, vê-se que há esforço organizado para retratar Assad não apenas como o inimigo, mas como cruel açougueiro de civis. Contudo, cinco anos depois daqueles ataques, ainda não há sequer algum mínimo fragmento de prova confiável que sugira que o Exército Árabe Sírio ou o governo Assad visem intencionalmente a atingir civis.

Com tudo isso em mente, deve-se concluir que a propaganda sobre o suposto bombardeio de uma escola pelo Exército Árabe Sírio não passa de tentativa para arregimentar apoio à ação da OTAN contra o governo sírio, exatamente como já aconteceu quando a imprensa-empresa ocidental tentou explorar outro bombardeio de prédio escolar, em maio de 2014.

Em Aleppo, civis e soldados do exército sírio examinam restos dos bombardeios dos terroristas do ISIS/ al-Nusra financiados pelos EUA-UE (12/4/2015)
Por tudo isso, é preciso ter em mente as muitas histórias inventadas e repetidas ad nauseum sobre supostas atrocidades de Assad, jamais acompanhadas dos correspondentes desmentidos, nem depois que já haja muitas provas de que aquelas atrocidades sempre foram obra dos esquadrões da morte apoiados pelo ocidente.

É preciso observar, sem perder a noção da lógica e do bom-senso, todos esses eventos noticiados pelos meios de comunicação da OTAN. Ainda mais importante, devemos sempre lembrar que os verdadeiros responsáveis pela tragédia da crise que a Síria enfrenta hoje são EUA, Israel, OTAN, e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). É urgente responsabilizar os governos desses países e os bolsos ricos do estado profundo que comanda as respectivas estruturas governamental, empresarial e bancária – pela terrível desgraça que atinge hoje o povo sírio.
____________________________________________

[*] Brandon Turbeville reside em Florence, Carolina do Sul. Tem bacharelado na Francis Marion University e é autor de seis livros:

Turbeville já publicou mais de 300 artigos que tratam sobre ampla variedade de assuntos, incluindo saúde, guerras, economia, corrupção governamental e liberdades civis. O programa Truth on The Tracksde Brandon Turbeville pode ser assistido todas as segundas-feiras 21:00 EST no UCYTV. Ele está disponível para entrevistas de rádio e TV.
Recebe e-mails em:  activistpost@gmail.com

quinta-feira, 19 de março de 2015

Pepe Escobar: Petróleo/bomba atômica: a charada do Oriente Médio

17/3/2015, [*] Pepe EscobarRussia Today – RT
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Arábia Saudita extrai petróleo à noite...
O Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, parece estar começando a gostar do frisson de viver perigosamente na sua “diplomacia”, quando diz que “não se sabe ainda” se EUA e Irã chegarão a algum tipo de acordo nuclear antes do final do mês.

Ouviram-se aplausos retumbantes pelos corredores, de Telavive a Riad.

Com as negociações sendo reiniciadas em Lausanne, fato é que um possível acordo nuclear entre Irã e o P5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China (dos BRICS) e Alemanha) pode abrir a possibilidade de o petróleo iraniano chegar ao mercado em maiores quantidades – o que fará desabar ainda mais rapidamente o preço do petróleo. No início da semana em curso, o Brent cru estava sendo vendido a US$ 54,26 o barril.

Assumindo-se que as nações da UE que participam do P5+1 realmente concordem até o verão com suspender as sanções da ONU (Rússia e China já concordaram), não apenas o Irã exportará mais energia – pode demorar alguns meses – mas também a OPEP, como um todo, estará aumentando ainda mais a super oferta.

A UE precisa muitíssimo comprar grandes quantidades da energia iraniana – e investir na infraestrutura iraniana. Pequim, membro chave, embora ainda discreto, do P5+1, também observa cuidadosamente esses desenvolvimentos.



Aconteça o que acontecer, ainda é situação de ganha-ganha para a China, com Pequim construindo ativamente suas reservas estratégicas de petróleo, aproveitando-se dos baixos preços. E mesmo que os preços do petróleo permaneçam pressionados pelo forte EUA-dólar – o que torna o petróleo muito mais caro, se você paga com outra moeda – não há aí, com certeza, problema grave para a China, que tem reservas tamanho mamute de EUA-dólares.

A guerra do preço do petróleo desencadeada essencialmente pela Arábia Saudita atingiu muito duramente o Irã. O país está caído, mas nem por isso está fora de jogo. Não há boas opções para Teerã, além de tentar manter sua fatia de mercado, oferecendo os mesmos descontos – especialmente para a Ásia – que os sauditas oferecem.

Teerã está afogada numa tsunami de terríveis sanções ocidentais, que limitam sua possibilidade de exportar petróleo e aumentar a produção. É extremamente difícil para os governos iranianos reduzir o buraco gerado pela diferença entre a renda com que o país podia contar, baseado nos velhos altos preços do petróleo, e a renda com que conta hoje.

Hoje, o nome do jogo entre todos os grandes produtores de petróleo é defender a qualquer custo a própria fatia de mercado. O Irã não pode fugir disso – porque precisa manter controlado, eternamente, o medo de excesso de oferta e o próprio desejo de aumentar a produção. Alguns países produtores de petróleo estão mantendo fora do mercado qualquer aumento que haja no petróleo produzido. O resultado é que o Irã terá sérios problemas para produzir mais e exportar mais, ao mesmo tempo em que tentar recupera a fatia de mercado que tinha antes do início das sanções.

Quer comprar um apê no Oriente Médio?

Ao mesmo tempo em que um tipo de “guerra do petróleo” não declarada continua ainda longe de qualquer solução, o front nuclear promete eventos de embasbacar.

Arábia Saudita extrai petróleo também de dia...
Facções poderosas – mesmo que conflitantes – do “Império do Caos” em Washington alimentam ativamente o sonho de transferir ativos militares dos EUA, do Oriente Médio para a Europa, para manter sempre crescente a pressão sobre a Rússia, sob o pretexto de uma “agressão” contra a Ucrânia.

Pode até acontecer, mas só depois de o “controle” sobre o Oriente Médio estar partilhado entre Turquia, Irã e, em menor extensão, também com a Casa de Saud. Para a notoriamente atrapalhadíssima política exterior de “Não faça merda coisa estúpida” do governo Obama, esse desenvolvimento talvez seja o argumento de fundo por trás do movimento para conseguir, esse verão, um acordo nuclear bem-sucedido entre o P5+1 e o Irã.

O Irã já cultivou – e já viu florir – sua própria esfera de influência. Muito mais complicado é caso Turquia-sauditas.
Bashar al-Assad

Ancara, que vê bem claramente o terrível arranca-rabo em curso pelo poder regional entre Teerã e Riad, cuida de manter boas relações com esses dois lados.

Crucialmente importante, Ancara e Riad estão quase na mesma página do script de “Assad tem de sair”. “Quase” – porque de fato o que se tem é uma aliança Turquia-Qatar pró-Fraternidade Muçulmana, que há quatro anos está em luta direta contra uma Casa de Saud pró-salafistas.

Pelo sim, pelo não, quando o presidente turco, também conhecido como “Sultão” Erdogan, visitou o rei Salman da Arábia Saudita no início de março, a dupla chegou a um entendimento: os dois vão garantir “apoio” super turbinado – armas e todo o resto – para a oposição síria. O único problema é que não há “oposição síria” a quem entregar o “apoio”. Virtualmente todos os personagens capazes de operar uma arma já migraram para o falso Califato do ISIS/ISIL/Daesh.

O que isso significa, em resumo, é cenário de sunitas contra xiitas. Gambito clássico de Divide e Impera que é perene prioridade para a Casa de Saud.

O “Império do Caos”, em teoria, deveria estar gostando. Mas não está. O objetivo – declarado – do governo Obama – é “[dar prioridade] ao Estado Islâmico, não a Assad”.

Mas também isso pode mudar de um momento para outro. O novo Supremo do Pentágono, Ashton Carter, acaba de admitir que:

(...) as forças que treinamos na Síria (...), teremos alguma obrigação de garantir apoio a elas, depois de serem treinadas. Mas aí também se inclui a possibilidade de que, ainda que tenham sido treinadas e equipadas para combater o ISIL, as mesmas tropas entrem em contato com forças do regime Assad.

Erdogan visitou Salman no início de março de 2015
Não surpreende que Damasco esteja desconfiada, e decidida a esperar pelas “ações” dos EUA, antes de qualquer possível negociação com Washington. Um dia, Kerry diz que é necessário conversar com Damasco para pôr fim à guerra na Síria. Dia seguinte, repete que “Assad tem de sair”.

Os rapazes de Osama fazem-se de loucos

Quanto à zona aérea de exclusão sobre o norte da Síria – que Erdogan muito deseja e é o sonho molhado de neoconservadores em Washington – não decolará. Mais uma razão para que Ancara fique à distância dessa nova intentona anti-Irã dos sauditas.

Para complicar ainda mais as coisas, o poder dentro da Casa de Saud permanece difuso. Ambas, a CIA e a BND – inteligência alemã – concordam, e ouvem-se constantes rumores em Washington, segundo os quais a Casa de Saud pode estar por um fio.

A Casa de Saud ainda não compreendeu que a Síria não é a principal “ameaça” contra os sauditas. Os sauditas estão tão pirados por causa da fronteira com o Iraque – como por causa das fronteiras com Iêmen e Bahrain. Como se não bastassem, já compraram briga também contra a Rússia, por causa da guerra dos preços de petróleo. Os sauditas dizem que estão bombeando só 9,5 milhões de barris/dia, dos 12,5 milhões que poderiam bombear; Moscou diz é que, de fato, estão bombeando a capacidade total dos poços.

Se, por um lado, a guerra dos preços do petróleo faz a delícia dos “Masters of the Universe” que só pensam em demonizar a Rússia, aquela guerra ao mesmo tempo os enfurece, porque está detonando a “revolução” do petróleo de xisto dos EUA. O que resta para as massas de trabalhadores norte-americanos desempregados? Procurar emprego na Arábia Saudita ( vídeo abaixo). Mais uma razão para os “Masters of the Universe” jogarem a Casa de Saud para fora do barco, no momento que lhes der na telha.


Como se poderia prever, a paranoia continua a reinar na Casa de Saud. O príncipe Turki, ex-capo di tutti i capi da inteligência saudita (e ex-amigão de Osama bin Laden) está fazendo horas extras culpando o Irã por ser “ator agitador em vários cenários do mundo árabe, como Iêmen, Síria, Iraque, Palestina ou Bahrain”, insistindo que “o inimigo” são Assad e o ISIS/ISIL/Daesh; e por último, mas não menos importante, atacando com fúria qualquer possível acordo nuclear com o Irã.

Ainda mais preocupante é que o rei Salman trouxe a Riad o Primeiro-Ministro do Paquistão Nawaz Sharif – até correu a recebê-lo no aeroporto – para confirmar um acordo estratégico nuclear secreto, chave, antes que aconteça qualquer acordo Irã/P5+1. Resumo: a Casa de Saud já não confia no guarda-chuva nuclear norte-americano. Estão tratando de fazer seu próprio jogo nuclear, com a ajuda do Paquistão nuclear. A conexão existe, mas permanece cercada de mistério extremo.

Nem é necessário elaborar sobre o pântano de consequências terríveis: alguém estaria apostando em wahhabistas doidos e nucleares?
__________________________________________________________ 

[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: SputinikTom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Adquira seu novo livro, Empire of Chaos, Nimble Books, 2014. 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Bashar al-Assad em entrevista à RTP


4/3/2015, 22:31 − atualizado em 5/3/2015, 14:28 – Rádio e TV Portuguesa
Enviado pelo pessoal da Vila Vudu



Entreouvido no Salão da Chicabunda na Vila Vudu: 
A entrevista é uma merda, o jornalista é perfeito imbecil (pleonasmo!). Mas é muuuuuuuito menos imbecil que o “correspondente” da Globo na Europa. E o Presidente Bashar al- Assad, sempre equilibrado e calmo.



A imprensa−empresa ocidental descreve o Presidente Assad como um ditador brutal e sanguinário. A Síria está convulsionada por uma guerra que já dura 4 anos, com milhares de mortos e milhões de refugiados.

Os massacres apoiados pelo ocidente via terrorismo jihadista não intimidaram o povo sírio nem Bashar al-Assad que continuam a resistir e vencer os prepostos dos EUA e União Europeia (Estado Islâmico e “Exército Sírio Livre”).

A Síria completa no próximo dia 16 de março quatro anos desde que mergulhou nessa espiral devastadora patrocinada pelo ocidente.

Este é o olhar do Presidente sírio numa entrevista exclusiva à RTP, a primeira de sempre a um órgão de comunicação social em Língua Portuguesa.

A seguir o vídeo de 26’27” falado em inglês e com legendas em português:

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Presidente Bashar al-Assad da Síria: “Israel apoia organizações terroristas na Síria” (3/3)

27/1/2015, entrevista de Bashar al-Assad à revista Foreign Affairs em 20/1/2015, reproduzida pela Agência SANA, Síria
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Nota dos tradutores: [...] da pergunta 47 até o final optamos por não traduzir: é trabalho inútil, traduzir a longa conversa fiada do jornalista entrevistador, que só faz repetir ideias feitas e “manchetes jornalísticas”, na luta para merecer o salário que lhe pagam os sionistas de Foreign Affairs.

[Excertos: foram omitidos os trechos “jornalísticos” sionistas mais ridículos das perguntas do entrevistador de Foreign Affairs]


Bashar al-Assad durante a entrevista
Pergunta 22: Permita-me insistir. Semana passada um comandante do Corpo de Guardas Revolucionários do Irã, comandante da força aeroespacial, Haji Zadeh, disse numa entrevista que o Líder Supremo do Irã lhe ordenara que suas forças construíssem e operassem fábricas de mísseis na Síria. Isso sugere que o Irã tenha papel maior e que esteja agindo por conta própria.

Presidente Assad: Não, absolutamente não sugere isso. Cumprir determinada função mediante cooperação é completamente diferente de cumprir determinado papel como exercício de hegemonia.

Pergunta 23: Quer dizer que tudo que o Irã está fazendo...?

Presidente Assad: Claro. Em total cooperação com o governo sírio, como sempre foi e é o caso.

Jonathan Tepperman
"entrevistador"

Pergunta 24: O Irã é caso à parte, porque é um país. Mas o senhor também tem milícias que são atores subestatais e, portanto, mais complicados. Um dos problemas de trabalhar com esses grupos é que, diferentes de um governo, eles podem não querer cooperar; e nunca se sabe exatamente com quem falar. O senhor não se preocupa com sua habilidade para controlar essas forças e para segurá-las, se for preciso? E, uma pergunta relacionada a essa: essa semana, Israel atacou forças do Hezbollah no Golan, e os israelenses sugeriram que atacaram porque o Hezbollah estaria planejando atacar Israel a partir do território sírio. Será que isso não chama a atenção para o perigo de permitir que milícias armadas, que têm agendas próprias, não necessariamente a agenda do seu governo, entrem nessa guerra?

Presidente Assad: O senhor fala de milícias sírias ou outras, em geral?

Jornalista: Falo especialmente do Hezbollah e das milícias iraquianas xiitas.

Presidente Assad: É natural que só as instituições do governo, do Estado, digamos, são garantia de estabilidade e ordem. Qualquer outro fator que tenha papel paralelo ao do governo pode ser positivo, pode ser bom em certas circunstâncias, mas sempre tem efeitos colaterais, negativos. É natural. E ter milícias que apoiam o governo é um dos efeitos colaterais da guerra. Elas estão aí, mas é preciso tentar controlar esse efeito colateral. Assim, se o senhor consultar qualquer sírio sobre essa assunto, obterá resposta semelhante à que lhe dou. Ninguém se sentirá mais confortável com elas do que se puderem tratar com instituições do estado sírio, inclusive o exército e a polícia etc.. Mas o que aconteceu em Quneitra é algo completamente diferente.

Jamais houve operação alguma contra Israel através das colinas do Golan, desde o cessar-fogo de 1974. Nunca, nem uma vez.

Assim sendo, o que Israel diz, que havia plano de alguma invasão, está muito distante da realidade, não passa de desculpa, porque Israel, isso sim, queria matar alguém do Hezbollah.

Pergunta 25: Mas os israelenses têm sido muito cautelosos desde que a guerra começou, para não se envolverem, exceto quando sentem que seus interesses estejam diretamente ameaçados.

Presidente Assad: É mentira. Israel tem atacado a Síria várias vezes, ao longo de dois anos, sem qualquer razão.

Jornalista: Mas em todos os casos eles dizem que é porque o Hezbollah estava recebendo armas do Irã, através da Síria.

Presidente Assad: Israel atacou posições do exército sírio. Que relação haveria entre o Hezbollah e o exército sírio?

Jornalista: Foram casos em que o exército bombardeou acidentalmente...

Presidente Assad: São mentiras. Todas essas alegações são falsas.

Pergunta 26: Qual, então, na sua avaliação, é a agenda de Israel?

Presidente Assad: Israel apoia rebeldes na Síria. Não há dúvidas quanto a isso. Cada vez que avançamos em algum ponto, Israel ataca para enfraquecer o exército. Sabe-se que é assim. Não há qualquer dúvida. Há até uma piada na Síria: “Como é que você vê que a al-Qaeda não tem Força Aérea? Porque todos os aviões da al-Qaeda voam com bandeira de Israel”.

Pergunta 27: Voltando à pergunta anterior sobre as milícias, o senhor sente-se confiante de que poderá controlá-las quando a guerra acabar, porque, afinal, qualquer governo, para ter soberania efetiva, tem de ter o que se chamava “o monopólio da força”. Não é fácil, quando o senhor têm esses grupos armados independentes operando por aqui.

Presidente Assad: É verdade que o estado só pode cumprir a missão que a sociedade lhe dá se for capaz de manter a ordem.

Jornalista: No Iraque, por exemplo, já se vê como pode ser difícil, porque o governo está tendo muito trabalho para controlar aquelas milícias xiitas que foram fortalecidas durante a guerra.

Presidente Assad: Há uma importante razão para a confusão em que está o Iraque: é porque Paul Bremmer não criou uma Constituição para o Estado: criou “constituição” para as facções. Na Síria é diferente: por que o senhor supõe que o exército mantém-se em perfeita operação há quatro anos, apesar do embargo, da guerra, de dezenas de países de todo o mundo que têm atacado a Síria e continuam a apoiar terroristas e rebeldes? Porque a Síria tem Constituição verdadeira, real, Constituição secular. A Constituição no Iraque é sectária. “Constituição sectária” é sectarismo, não é constitucionalismo nem há Constituição em sentido estrito.

Pergunta 28: Mas o que o senhor vai fazer dessas milícias, quando a guerra acabar?

Presidente Assad: As coisas devem voltar ao normal, como eram antes da guerra.

Pergunta 29: E o senhor confia que...

Presidente Assad: Confiamos plenamente nisso e não temos alternativa. O papel do governo é fazer acontecer exatamente a vida normal, depois da guerra. É autoevidente.

Pergunta 30: Que impacto tiveram os baixos preços do petróleo sobre a guerra na Síria? Afinal, dois dos seus mais próximos aliados e apoiadores, Irã e Rússia, dependem muito de preços do petróleo e têm sofrido danos terríveis em seus orçamentos em meses recentes, com a queda dos preços do petróleo. O senhor teme pela capacidade desses dois estados para continuarem a ajudar a Síria?

Presidente Assad: Não, porque não nos ajudam com dinheiro. Ainda que venham a nos ajudar com dinheiro, serão empréstimos. Como qualquer país, a Síria em alguns casos compra, em outros toma empréstimos.

Jornalista: Mas o apoio militar lhes custa dinheiro, e se tiverem menos dinheiro para pagar pelos próprios gastos militares... Não será problema?

Presidente Assad: Não, porque se se paga pelas armas e outros bens, não há problema algum. 

Pergunta 31: O senhor está dizendo que tudo que o senhor tem recebido de russos e iranianos...

Presidente Assad: Não observamos qualquer tipo de problema. Quanto à influência que haja em outros países, não sei dizer.

Pergunta 32 até 35: Em outras entrevistas o senhor disse que o senhor e seu governo fizeram erros ao longo da guerra. Que erros foram esses? Há algo que o senhor lastime? [longa troca de perguntas e respostas sem importância alguma, pura provocação do jornalista entrevistador, aqui omitida (NTs)]

Pergunta 36: Desde que os EUA iniciaram a campanha aérea contra o Estado Islâmico, Síria e EUA tornaram-se alguma espécie estranha de parceiros e estão efetivamente cooperando nessa parte da luta. O senhor vê algum potencial para cooperação ampliada com os EUA?

Presidente Assad: O potencial está aí (...), mas até agora nada vimos de concreto, apesar de alguns ataques contra o ISIS no norte da Síria. Nada há de concreto. Até agora, só se viu, digamos, uma cortina, nada de substancial. E desde o início desses ataques, o ISIS sempre ganhou mais territórios na Síria e no Iraque.

Pergunta 37: Mas e os ataques aéreos contra Kobani? Foram muito efetivos para deter o ISIS.

Presidente Assad: Kobani é cidade muito pequena, com cerca de 50 mil habitantes. Os ataques ali já duram três meses, e os terroristas ainda não foram expulsos. A mesma área, quando ocupada por facções da al-Qaeda, foi libertada pelo Exército Sírio em menos de três semanas. Significa que os norte-americanos não são sérios quando dizem que combatem o terrorismo.

Pergunta 38: O senhor está dizendo que deseja maior envolvimento dos EUA na guerra contra o ISIS?

Presidente Assad: Não, absolutamente não, não se trata de maior envolvimento dos militares, porque não se trata só de militares, trata-se de política, trata-se de o quanto os EUA têm influência sobre os turcos, porque, se os terroristas podem aguentar ataques aéreos durante todo esse tempo, é prova de que os turcos continuam a enviar armas e dinheiro para aqueles terroristas. Os EUA fizeram alguma pressão para que a Turquia parasse de apoiar a al-Qaeda? Não, não fizeram. Assim sendo, absolutamente não se trata de envolvimento militar direto. Isso, em primeiro lugar.

Em segundo lugar, se o senhor quer falar sobre o envolvimento militar, oficiais norte-americanos reconhecem publicamente que, sem tropas em solo, não podem obter nada de concreto. De que tropas em solo então dependem hoje?

Pergunta 39: O senhor está sugerindo que há tropas norte-americanas em solo?

Presidente Assad: Não, estou falando sobre a ideia, o princípio, não estou falando de tropas dos EUA. Se o senhor prefere dizer que quero fazer guerra ao terrorismo, é preciso ter tropas em solo. A pergunta que o senhor tem de fazer aos norte-americanos é: de que tropas em solo vocês dependerão? Com absoluta certeza terão de depender de tropas sírias. Estamos em nosso país, esse é nosso país. Nós somos os responsáveis. E absolutamente não estamos pedindo tropas norte-americanas.

Pergunta 40: O que, então o senhor gostaria de obter dos EUA? O senhor mencionou mais pressão sobre a Turquia...

Presidente Assad: Pressão sobre a Turquia, pressão sobre a Arábia Saudita, pressão sobre o Qatar, para que parem de dar apoio aos terroristas. Segundo, que entrem em sistema de cooperação legal com a Síria e passem a esperar até que nosso governo autorize aqueles ataques. Até agora não houve qualquer autorização e os ataques são ilegais.

Pergunta 41: Perdoe, mas não entendi perfeitamente esse ponto. O senhor quer legalizar os ataques?

Presidente Assad: Claro que sim.

Pergunta 42: Entendo. O senhor quer um acordo formal entre Washington e Damasco, para legalizar os ataques aéreos?

Presidente Assad: Pode-se até discutir o formato. Mas sem autorização os ataques norte-americanos são ilegais. Começamos pela autorização. Será um acordo? Será um tratado? Essa já é outra questão.

Pergunta 43: E o senhor estaria disposto a tomar medidas para tornar mais fácil a cooperação com Washington?

Presidente Assad: Com qualquer país que mostre seriedade na luta contra o terrorismo. Estamos prontos a qualquer cooperação, se o país for sério, para cooperação séria.

Pergunta 44: Que passos o senhor está disposto a dar para mostrar a Washington que o senhor deseja cooperar?

Presidente Assad: Quem tem de mostrar sinais de que quer realmente cooperar são eles, não nós. Nós já estamos lutando em solo. Não temos de “mostrar” que somos capazes de lutar em solo.

Pergunta 45: Os EUA estão atualmente treinando cerca de 5 mil combatentes sírios que devem voltar à Síria em maio. Mas o general John Allen dos EUA tem sido extremamente cuidadoso e insiste que esses soldados não serão mandados para lutar contra o governo sírio, mas exclusivamente contra o ISIS. O que o senhor fará se esses soldados entrarem na Síria? O senhor atacará soldados sírios?

Presidente Assad: Soldados armados que não estejam em regime legal de cooperação com o Exército Sírio são soldados ilegais e serão combatidos. Quanto a isso não há dúvida alguma.

Pergunta 46: Ainda que isso ponha o senhor em conflito com os EUA?

Presidente Assad: Se não estiverem em regime de cooperação legal com o exército sírio, são ilegais e vêm para cá como fantoches de outro país. Serão enfrentados como qualquer milícia ilegal que se ponha em luta contra o Exército Sírio. Mas há um detalhe a perguntar, sobre esses soldados. Obama disse que não existiam, que eram fantasia. Viraram realidade, agora? Como?

Jornalista: Parece-me que graças a um programa de treinamento.

Presidente Assad: Não há treinamento que converta extremistas em “moderados”.

Jornalista: Ainda há moderados na oposição. Estão cada dia mais fracos, mas creio que o governo dos EUA está trabalhando muito atentamente para garantir que os combatentes treinados nos EUA não sejam os radicais.

Presidente Assad: A pergunta importante é: por que a sua “oposição moderada” – vocês chamam de oposição, nós chamamos de rebeldes – está, como o senhor diz, cada dia mais fraca? Eles estão cada dia mais fracos por causa de desenvolvimentos na crise síria. E se mandarem para cá mais 5 mil soldados armados, treinados fora daqui, mais deserções acontecerão, mais gente deixará as “brigadas norte-americanas” para juntar-se ao ISIS e outros grupos, exatamente com aconteceu ao longo do ano passado. Tudo isso de que o senhor fala é fantasia. Não que as milícias treinadas fora daqui, os seus 5 mil, sejam ilusórios. Ilusória é a própria ideia, o próprio conceito.

Pergunta 47: (...) O senhor está preparado para tomar medidas que tornem mais fácil a cooperação com os EUA?

Presidente Assad: A parte mais engraçada sobre esse governo dos EUA é que parece ser o primeiro na história do mundo que constrói avaliações e toma decisões de guerra e paz a partir de “informação” que recolhe da imprensa-empresa e das mídias sociais. Chamamos de “governo das mídias sociais”, porque é governo de diz-que-diz, não é governo político. Praticamente nenhuma informação que a imprensa-empresa comercial ocidental divulga sobre a Síria é verdadeira. São, praticamente, 100% mentiras. Forjam-se imagens, forjam-se “declarações”, inventam-se “notícias”, e ninguém investiga para saber quem disse o quê, onde mentiu, por que mentiu. Ninguém sabe coisa alguma sobre as notícias, a não ser que saíram de outro veículo, ou de alguma agência. Nada se investiga. Não há provas de coisa alguma do que se noticia sobre a Síria, no ocidente.

Jornalista: Mas as fotos [...] foram examinadas por investigadores europeus independentes...

Presidente Assad: Não, não foram examinadas, não eram independentes. Não é verdade. Os investigadores são de um grupo financiado pelo Qatar, e dizem que são anônimos. Não são. Não há provas de coisa alguma. [...] No início da crise, publicaram-se fotos da guerra do Iraque, tiradas no Iêmen, como se tivessem sido feitas na Síria. Em segundo lugar, os EUA, em especial e o ocidente em geral não têm autoridade moral alguma para falar sobre direitos humanos. Os EUA e o ocidente são responsáveis por número já incontável de mortos na nossa região, especialmente os EUA, depois que invadiram o Iraque, e a Grã-Bretanha, depois de invadirem a Líbia, e a situação no Iêmen, e o que houve no Egito, e o apoio que dão a terroristas na Tunísia.

Todos esses problemas aconteceram por causa dos EUA. Foram os primeiros a atropelar a lei internacional e resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Os EUA, não a Síria.

Como informamos na Nota dos tradutores, deste ponto até o final optamos por não traduzir.