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sexta-feira, 22 de março de 2019

Fracassou a política dos EUA: Reabertas as fronteiras entre Iraque e Síria e a estrada Irã-Beirute




Imagem: Combatentes suspeitos de pertencer ao ‘Estado Islâmico’ (EI) esperam para serem revistados por membros das Forças Democráticas Sírias (curdos), depois de deixarem a última área ainda controlada pelo EI em Baghouz, na província de Deir Ezzor, norte da Síria, dia 22/2/2019 (BULENT KILIC/AFP/Getty Images)

21/3/2019, Original, em inglês em: Elijah J Magnier Blog

“Dinossauro com cabeça de periquito”. Assim o ex-presidente do Irã Hashemi Rafsanjani descreveu os EUA, evocando a grande força militar mas a completa falta de inteligência estratégica na política externa norte-americano. De fato, o encontro não frequente dos comandantes de estado-maior de Síria, Iraque e Irã em Damasco essa semana jamais seria possível sem a recente ação dos EUA na Síria.

establishment norte-americano fez grande favor aos três países alinhados com o “Eixo da Resistência”, ao eliminar o grupo do ‘Estado Islâmico” (EI) no último reduto a leste do Eufrates. O ataque dos norte-americanos a Baghuz (leste da Síria), realizado em conjunto com seus agentes locais curdos, levou os três comandantes militares a decidir reabrir a estrada entre Síria e Iraque, pavimentando assim uma via terrestre segura para Iraque e Síria. Significa que a estrada Teerã-Bagdá-Damasco-Beirute está reaberta. Não é a primeira vez que o establishment norte-americano, com seu planejamento sempre precário, presta ajuda estratégica realmente importante ao Irã.

Quando o presidente Donald Trump dos EUA decidiu retirar-se da Síria, falando do país como “terra de areia e morte”, até que falava sério sobre o tal plano. Mas os EUA não podia sair sem, antes, eliminar o bolsão do ISIS na área controlada pelos EUA no leste da Síria, porque significaria deixar lá o único pretexto que os norte-americanos encontraram para ocupar aquela área. Por isso, Trump foi aconselhado a eliminar o ISIS (afinal!) antes de retirar seus soldados. Assim, depois de longos meses de paralisia, Trump afinal ordenou que seus soldados fizessem o que haviam dito que fariam, depois de os EUA, por meses, só terem protegido o grupo terrorista e permitido que dezenas de milhares de terroristas do ISIS se movimentassem com toda a liberdade para atacar o Exército Árabe Sírio e aliados ao longo do eixo Deir-ezzour al-Bukamal.

Difícil superestimar a importância da decisão de Trump de, finalmente, agir contra os terroristas do ISIS. Desde 2014 os EUA fingem que combatem contra os terroristas do ISIS, quando, na verdade, só fizeram facilitar o processo pelo qual o grupo expandiu-se e assassinou soldados do Exército Árabe Sírio os quais, esses sim, combatiam contra – não a favor – dos terroristas. Durante todo esse tempo, os EUA usaram o ISIS como pretexto para a presença militar dos EUA na Síria.
 
Os EUA agora, finalmente, realmente bombardearam e destruíram Raqqah, ocupada pelo ISIS; na sequência, conseguiram um acordo para deportar muitos milhares de combatentes do ISIS. Mas a Batalha de Baghuz, ainda em curso, é a primeira vez que os EUA realmente lutaram contra o ‘Estado Islâmico’. Diga-se a favor do presidente Trump que seu governo está, afinal, fazendo, mesmo, o que os EUA até agora só fingiram que faziam, ao longo de cinco anos: Trump afinal está realmente combatendo contra os terroristas do ISIS

Essa campanha espetacular e real, não ficcional, garante ao governo Trump os méritos por ter derrotado o ‘Estado Islâmico’ – embora todos saibam que, por meia década, quem realmente combateu contra os terroristas foram o Exército Árabe Sírio, a Rússia, os iraquianos do grupo Hashed al-Shaabi, o Exército do Iraque, o Hezbollah libanês e o Irã.

Em Baghuz, forças dos EUA (e aliados europeus) bombardearam o ISIS até confinar o grupo numa cidade bem pequena. Conseguiram abrir uma via segura para retirada de mulheres, crianças, idosos, terroristas feridos e os muitos que preferiram render-se. Mais de 35 mil terroristas do ‘Estado Islâmico’ e famílias saíram daquele lugar exíguo. 9.000 militantes foras feridos ou mortos. As forças dos EUA e seus agentes locais curdos conseguiram encurralar o que resta do grupo terrorista numa área de menos de 1kme nos próximos dias lançarão o assalto final. É questão de tempo, e o ISIS entregará seu último bastião a leste do Eufrates.

O fim próximo da ameaça que foi o ‘Estado Islâmico’ criou a oportunidade para um encontro raro. O comandante do Estado-maior do Irã, major-general Mohammad Baqeri; o ministro da Defesa da Síria, Ali Abdullah Ayyoub; e o comandante do Estado-maior do Iraque tenente-general Othman al-Ghanmi reuniram-se em Damasco, capital da Síria e decidiram reabrir as fronteiras entre Iraque e Síria.

Ao, finalmente, remover os terroristas do ‘Estado Islâmico daquela área, o governo dos EUA, sob a presidência de Trump afinal reconheceu o erro que os norte-americanos cometeram na Síria. Enquanto o ISIS foi mantido ali, tornou-se impossível o trânsito seguro de mercadorias necessárias para a sobrevivência dos cidadãos iranianos e iraquianos. Agora afinal, depois de reconhecer isso, os EUA tomaram a decisão correta de sair de lá, deixando apenas algumas centenas de soldados norte-americanos, para efetivamente proteger, não atacar, os locais.

Graças ao movimento dos EUA, o Irã pode agora enviar todos os suprimentos necessários e retomar o comércio regular com a Síria, num momento em que Israel já começa a bombardear o aeroporto de Damasco e tenta impedir ou, no mínimo, retardar, o fornecimento, ao Exército Árabe Sírio, de mísseis de precisão e outros equipamentos militares necessários para reconstruir as forças de defesa sírias. Com a abertura de uma nova passagem de fronteira entre Iraque e Síria, perde importância a ocupação, pelos norte-americanos, da passagem de al-Tanf. Se os EUA tentarem pressionar o Iraque para que suspenda o comércio com Irã ou Síria, Bagdá exigirá que Trump retire suas forças de toda a Mesopotâmia.

A decisão de Trump também implica que a economia síria volta a poder acumular alguma energia, tão logo a estrada por terra, até o Iraque, volte a operar normalmente. Os três comandantes acabaram dando boas risadas da política e dos movimentos dos EUA na Síria. Todos colheram importantes benefícios dos repetidos erros de estratégia que Washington comete, desde que ocupou o Iraque em 2003 e ‘mudou o regime’ de Saddam Hussein – eterno e feroz inimigo do Irã.
O ‘Estado Islâmico’, EI ou ISIS ainda é risco de segurança, mas deixou de ser ameaça militar. Remanescentes do grupo ainda podem atacar comboios ou alvos leves, mesmo depois do acordo conjunto dos três países para patrulhar as fronteiras e contribuir, com tecnologia, inteligência e soldados para proteger a passagem de fronteira de al-Bu e somar esforços reais na luta contra o terrorismo naquela área. 

EUA quase sempre consideram o grande cenário, quando seus estrategistas e planejadores tentam redesenhar fronteiras, mudar regimes e produzir estados falhados. Mas muitas vezes deixam passar sem ver detalhes que podem virar a guerra a favor dos supostos inimigos que os EUA produzem, nesse caso, a favor do Irã. Como Rafsanjani comentou certa vez, EUA são “um dinossauro com cabeça de periquito”.

Rafsanjani não foi o único a fazer comentários cáusticos. Em evento recente em homenagem aos sucessos no Iraque e na Síria, do comandante e da brigada Qods do Corpo de Guardas Revolucionários do Irã, major-general Qassem Soleimani, o líder da Revolução Islâmica Said Ali Khamenei disse, falando de EUA (e Arábia Saudita): “agradecemos a Alá, que nos deu inimigos imbecis”.


Tradução original no blog O Empastelador

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Putin faz uma oferta a Obama, sobre a Síria


26/5/2015, [*]  M.K. Bhadrakumar, Asia Times Online
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Entreouvido na roça do Cherosim na Vila Vudu: Aparentemente, o embaixador Bhadrakumar, nessa sua fé i-na-ba-lá-vel de que Obama é grande estadista” , ainda não sabe que “os EUA já decidiram que haverá guerra” (ver/ler em 25/5/2015, Rostislav Ishchenko, redecastorphoto: “Ucrânia: unida ou não, estado miseravelmente fracassado).
Por isso, não por qualquer outra razão, Putin sentiu que tem de tentar todas as possibilidades que haja, para salvar a paz, inclusive procurar e pôr-se na dependência do que Cameron faça ou deixe de fazer.
Hoje, todos dependemos de Putin, até Cameron e a BCC (Besta Conservadora Coroada) [pano rápido].

Vladimir Putin

O telefonema do Presidente Vladimir Putin para o Primeiro-Ministro britânico, David Cameron na 2ª-feira (25/5/2015) tem de ser tomado como mais um sinal do gradual descongelamento das relações da Rússia com o ocidente, depois da visita que lhe fez o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em Sochi recentemente (Vide Obama’s overture to Putin has paid off).
Putin usou a reeleição de Cameron como ocasião para reengajar a Grã-Bretanha, politicamente e diplomaticamente. Prima facie, o gesto de Putin é lisonjeiro. Vem num momento em que se ouvem muitas críticas dentro da Grã-Bretanha e nos EUA por a Grã-Bretanha ter-se convertido em ator menor nos assuntos globais.
Como escreveu Fareed Zakaria recentemente, com acerto [embora com aquele ar de idiota arrogante que é sua marca registrada (NTs)], Cameron passa a impressão de que não percebe que é sucessor de Pitt, Gladstone, Disraeli, Lloyd George, Churchill e Thatcher e nada faz além de manifestamente só “olhar para dentro”; e porque não fez grande discurso depois da reeleição sobre “um mundo de desafios” – a provável saída da Grécia da zona do euro, as ondas de migrantes que vêm das costas da África, a crise na Ucrânia, o Estado Islâmico e por aí vai. E por, no solene momento da posse, ter-se dedicado a expor um rascunho de plano para “garantir que melhores equipes de atendimento permaneçam nos hospitais do Reino Unido ao longo dos fins-de-semana”.
Moscou reserva-se o direito de discordar. Moscou sempre entendeu (mesmo no auge da Guerra Fria ou da perestroika de Mikhail Gorbachev) que há um único papel que cabe à Grã-Bretanha na política internacional, papel que, talvez, pode-se dizer, só a GB pode desempenhar – não a Alemanha, a França ou a Itália – a saber: servir de intermediária quando as coisas ficam realmente feias nas elações Rússia-EUA.
O documento distribuído pelo Kremlin sobre o telefonema de Putin para Cameron não foi tão lacônico como é usual, e até registra que Putin deixou uma via aberta para “cooperação construtiva” entre Rússia e Grã-Bretanha para promover a agenda bilateral e sobre questões internacionais. O comunicado sugere que Síria e Ucrânia figuraram entre os principais tópicos.
Bem obviamente, a Rússia vê a luta contra o Estado [Nada] Islâmico [EI] como ponto focal da crise na Síria; e quanto à Ucrânia, a ênfase está em encontrar “acordo duradouro”, o que demanda diálogo entre os representantes da região do Donbass e de Kiev.
nº 10 da Rua Downing, Londres

Em comparação, o press-release distribuído do n. 10 da Rua Downing é bastante mais informativo sobre os 30 minutos de conversa telefônica de Cameron com Putin. Informa, nas entrelinhas, que há ampla confluência de opiniões sobre a Síria entre Moscou e Londres, no que tenha a ver com pôr fim à guerra civil e deter a maré montante do Estado [Nada] Islâmico (E [Nada] I).
Quer dizer que os dois governantes acertaram que seus conselheiros de segurança nacional “reiniciarão conversas” sobre a Síria. Claramente, significa que os serviços de inteligência russo e britânico retomarão os contatos. Putin e Cameron parecem ter cuidadosamente desviado do ponto nevrálgico desse tema, que é o futuro do governo de Assad num acordo político.
Mas a versão britânica insistiu incomodamente nas “profundas diferenças” entre Moscou e Londres sobre a crise na Ucrânia, destacando que a prioridade no momento é a plena implementação do Acordo de Minsk e o trabalho do grupo trilateral de contato (Ucrânia, Rússia e a OSCE) para resolver as “questões de destaque”.
Resumo, Putin atou os fios do diálogo de Rússia com Grã-Bretanha e os dois governantes sublinharam que os negócios estão recomeçando, demarcando a trilha luminosa da cooperação produtiva entre os dois países, no quadro do grupo P5+1 que negocia com o Irã.
Isso posto, o objetivo principal de Putin foi engajar Cameron, mesmo, na questão da Síria (sobre a Ucrânia, a Rússia tem motivos para dar-se por satisfeita com o “formato” Normandia existente, que reúne Alemanha, França e Ucrânia).
A última vez que Putin e Cameron falaram sobre a Síria foi em maio de 2013, quando Cameron esteve em Sochi para reunir-se com o russo. E, sim, o mundo já nem parece o mesmo que então havia.
O foco naquele momento foram os esforços para “ajudar a modelar” um governo de transição na Síria, e Putin concordou com a necessidade de pôr fim à violência, para impedir que o extremismo crescesse e deter a “fragmentação” da Síria.
Pode bem ser que as respectivas posições não tenham mudado desde maio de 2013 – GB a bradar que o presidente Bashar al-Assad tem de sair e garantindo apoio à “oposição” síria; e a Rússia, por seu lado, preocupada com um vácuo de poder que se criará no caso de o governo sírio colapsar, e com o crescimento dos grupos terroristas.
Mas, por assim dizer, a posição de Moscou naqueles dias mostra-se hoje perfeitamente correta. Depois das conversas em Sochi há dois anos, Putin disse que Rússia e Grã-Bretanha tinham “interesse comum em pôr fim à violência e em lançar um acordo de paz que preserve a Síria como estado integral e soberano”.
Hoje, e isso não é pouco, esse “interesse comum” só pode ter-se aprofundado. Moscou estará à espera de que Londres atravesse até o âmago do governo Obama, para lá implantar a imperativa, urgente necessidade de reabrir a trilha para moldar uma transição política na Síria.
O dramático avanço do Estado [Nada] Islâmico na Síria, que se consumou com a tomada de Palmira há três dias, fez aumentar a pressão sobre a estratégia dos EUA para a Síria. Os aliados regionais dos EUA já pressionam por uma mudança na estratégia dos EUA, com intervenção maior na Síria. A Turquia já beira literalmente a chantagem, e disse que os EUA estariam inclinados a garantir apoio aéreo aos terroristas rebeldes que lutam na Síria [chamados pelos EUA, pela Reuters e pela Leilane Neubarth de “milícias rebeldes sírias” (NTs)]. Mas funcionários do governo dos EUA têm repetido que nenhuma decisão foi tomada até agora.
Estado (NADA) Islâmico - criação de Israel e EUA

Claramente a Turquia interessa-se mais pela “mudança de regime” na Síria do que por alguma luta contra o Estado [Nada] Islâmico; e a prioridade de Obama é que a estratégia que ele tinha para combater o Estado [Nada] Islâmico está em frangalhos [e agora se trata de salvar a própria cara (da estratégia e de Obama) (NTs)].
A avaliação de Putin deve ser que Obama não está inclinado a favor de solução militar na Síria, dada a extrema fragilidade da unidade do país, e o perigo real de que só o Estado [Nada] Islâmico ganhará se a Síria fragmentar-se. (DebkaFile, que tem contato com a inteligência de Israel noticiou que uma coluna do Estado [Nada] Islâmico está a caminho da fronteira da Síria com a Jordânia, onde estão 7 mil soldados das forças especiais dos EUA).
Tudo considerado, portanto, o telefonema de ontem para Cameron significa que Putin está levando indiretamente ao conhecimento de Obama que a Rússia está interessada em cooperar com EUA e Grã-Bretanha em termos práticos, na busca por uma solução política e, em termos imediatos, para pôr fim ao levante do Estado [Nada] Islâmico mediante cooperação em tempo real entre as agências de inteligência (as sanções ocidentais contra a Rússia também congelaram a cooperação entre os espiões). 

Evidentemente a questão síria está ganhando nova criticalidade, e Putin não tem nenhum problema de ego com Obama. Putin espera que Cameron fale com Obama nos próximos um, dois dias, como desenvolvimento do telefonema de ontem.
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[*] MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Oriente Médio, Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de geopolítica, de energia e de segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu e Ásia Times Online, Al Jazeera, Counterpunch, Information Clearing House, e muita outras. Anima o blog Indian Punchline no sítio Rediff BLOGS. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala, Índia.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

EUA – Agência de Inteligência da Defesa, 2012: Ocidente facilitará ascensão do Estado Islâmico “para isolar regime sírio”


19/5/2015, [*] Brad HoffLevant Report
Excertos traduzidos pelo pessoal da Vila Vudu


Considerando que todas as correspondências no foco estratégico são doença crônica na aliança entre excepcionalistas norte-americanos + excepcionalistas sionistas + excepcionalistas wahhabistas (...), a guerra que a Síria luta hoje tem de ser interpretada como a luta de resistência mais crucialmente importante em toda a Eurásia.





Documento da AID 
(clique na legenda para aumentar)
Dia 18 de maio de 2015, o grupo conservador Judicial Watch publicou uma seleção de documentos protegidos por sigilo até aquela data, e que foram obtidos do Departamento de Defesa e do Departamento de Estado dos EUA por ordem judicial de tribunal federal.

Enquanto até agora a imprensa-empresa comercial dominante só comentou parte dos itens relacionados ao modo como a Casa Branca tratou o ataque ao consulado norte-americano em Benghazi, já se sabe que os documentos da Agência de Inteligência da Defesa (AID) que circularam em 2012 trazem importante admissão e confirmação num “quadro muito mais amplo”: que estavam querendo criar um “Estado Islâmico” no leste da Síria, para pôr em execução políticas ocidentais para a região.

Muito espantosamente, lê-se no relatório recentemente divulgado que

O OCIDENTE, PAÍSES DO GOLFO E TURQUIA [que] APOIAM A OPOSIÇÃO [síria] (...) HÁ POSSIBILIDADE DE ESTABELECER UM PRINCIPADO/MICRONAÇÃO [orig. PRINCIPALITY,  entidade  política não reconhecida, micronação] SALAFISTA DECLARADA OU NÃO DECLARADA, NO LESTE DA SÍRIA (HASAKA E DER ZOR), E ISSO É EXATAMENTE O QUE DESEJAM AS POTÊNCIAS QUE ESTÃO APOIANDO A OPOSIÇÃO, PARA ISOLAR O REGIME (...).

relatório da AID, antes classificado como “SECRETO//SIGILOSO PARA ESTRANGEIROS” [orig. “SECRET//NOFORN”] e datado de 12/8/2012, circulou amplamente entre várias agências do governo, entre as quais CENTCOM, a CIAFBIDHS,NGA, Departamento de Estado e várias outras.

O documento mostra que já em 2012 a inteligência dos EUA previra o crescimento do Estado Islâmico no Iraque e Levante/Síria (ISIL/ISIS), mas, em vez de delinear o grupo claramente como organização inimiga, o documento trata aquele grupo terrorista como ativo estratégico dos EUA.

Por mais que há muito tempo analistas e jornalistas já tenham documentado o papel de agências da inteligência ocidental na formação e treinamento da oposição armada na Síria, essa é a confirmação “oficial” de mais alto nível interno na inteligência dos EUA, da teoria segundo a qual os governos ocidentais, sim, veem o ISIS como ferramenta a serviço deles para fazer a “mudança de regime” na Síria. O documento agora distribuído confirma com detalhes, esse cenário.

Provas judiciais, provas em vídeo, além de admissões feitas por funcionários de alto nível envolvidos nas operações (ver o que disse o ex-embaixador na Síria, Robert Ford, que tudo admitiu, aqui e aqui) já comprovaram que o apoio material que o Departamento de Estado e a CIA deram/ dão aos terroristas do ISIS ativos na Síria já existia, pelo menos, em 2012 e 2013 (para exemplo claro de “prova com valor judicial”, vide o relatório de Conflict Armament Researchorganização com sede na Grã-Bretanha, que traça as origens dos foguetes antitanque croatas que foram encontrados com o ISIS e os rastreia até um programa conjunto de CIA-sauditas, graças as números de série identificáveis nas armas).

O recém divulgado AID report resume como segue os pontos relacionados ao ISI (em 2012, “Islamic State in Iraq”, “Estado Islâmico no Iraque”) e ao ISIS que apareceria pouco depois:

– Al-Qaeda comanda a oposição na Síria;

– O ocidente identifica-se com a oposição;

– O estabelecimento de um nascente Estado Islâmico só se tornou realidade com o surgimento da insurgência síria (nenhuma referência à retirada das tropas dos EUA, do Iraque, como catalisador do surgimento do EI [que vários autores já chamam hoje de “Estado (Nada)Islâmico (NTs)], que é o que inúmeros políticos e especialistas têm repetido; vide seção 4.D., abaixo);

– O estabelecimento de um “principado salafista” [orig. “Salafist Principality”] no leste da Síria é “exatamente” o que querem as potências exteriores que apoiam a oposição síria (que o relatório identifica como “o Ocidente, países do Golfo e Turquia”) para enfraquecer o governo do presidente Assad;

– Sugere-se o estabelecimento de “paraísos seguros” em áreas conquistadas por insurgentes islamistas assemelhadas ao modelo líbio (que geraram as chamadas “zonas aéreas de exclusão” como um primeiro ato da “guerra humanitária”. Vide 7.B.);

– O Iraque é identificado à “expansão xiita” (8.C);

– Um Estado Islâmico sunita poderia ser devastador para um “Iraque unificado” e poderia levar a “renovar a facilitação [orig.renewing facilitation] à entrada, na arena iraquiana, de elementos terroristas vindos de todo o mundo árabe” (Vide a última linha não editada no documento integral em PDF).

Toyotas cedidas pelos EUA aos terroristas do ISIS
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Aqui alguns excertos das sete páginas do relatório da Agência de Inteligência da Defesa agora divulgado ao público (negritos de Brad Hoff):


R 050839Z AUG 12
A SITUAÇÃO GERAL:

A. INTERNA MENTE, OS EVENTOS ESTÃO TOMANDO DIREÇÃO CLARAMENTE SECTÁRIA.

B. OS SALAFISTAS [sic], A FRATERNIDADE MUÇULMANA E A AL-QAEDA NO IRAQUE SÃO AS PRINCIPAIS FORÇAS QUE MOVEM A INSURGÊNCIA NA SÍRIA.

C. OCIDENTE, PAÍSES DO GOLFO E TURQUIA APOIAM A OPOSIÇÃO; E RÚSSIA, CHINA E IRÃ APOIAM O REGIME.

3. Al QAEDA – IRAQUE (AQI):… B. AQI APOIOU A OPOSIÇÃO SÍRIA DESDE O INÍCIO, IDEOLOGICAMENTE E TAMBÉM PELA IMPRENSA-EMPRESA COMERCIAL (...)

4.D. HOUVE UMA REGRESSÃO DA AQI NAS PROVÍNCIAS OCIDENTAIS DO IRAQUE DURANTE OS ANOS DE 2009 E 2010; MAS, DEPOIS DO SURGIMENTO E CRESCIMENTO DA INSURGÊNCIA NA SÍRIA, AS POTÊNCIAS RELIGIOSAS E TRIBAIS NA REGIÃO COMEÇARAM A SIMPATIZAR COM O LEVANTE SECTÁRIO. ESSA SIMPATIA APARECEU EM SERMÕES DAS 6as-FEIRAS, QUE CONVOCAVAM VOLUNTÁRIOS PARA APOIAR OS SUNITAS [sic] NA SÍRIA.

7. HIPÓTESES EM AVALIAÇÃO SOBRE O FUTURO DA CRISE:

A. O REGIME SOBREVIVE E TEM CONTROLE SOBRE O TERRITÓRIO SÍRIO.

B. OS EVENTOS CORRENTES LEVAM A GUERRA ‘POR PROCURAÇÃO’ (...): FORÇAS DA OPOSIÇÃO ESTÃO TENTANDO CONTROLAR AS ÁREAS NO LESTE (HASAKA E DER ZOR), ADJACENTES ÀS PROVÍNCIAS NO OESTE DO IRAQUE (MOSUL E ANBAR), ALÉM DAS FRONTEIRAS TURCAS VIZINHAS. PAÍSES OCIDENTAIS, OS ESTADOS DO GOLFO E A TURQUIA ESTÃO APOIANDO ESSES ESFORÇOS. ESSA É A HIPÓTESE MAIS PROVÁVEL SEGUNDO OS DADOS DE EVENTOS RECENTES, QUE AJUDARÃO A PREPARAR PARAÍSOS SEGUROS, SOB A PROTEÇÃO DA LEI INTERNACIONAL, SEMELHANTE AO QUE TRANSPIROU NA LÍBIA, QUANDO BENGHAZI FOI ESCOLHIDA COMO CENTRO DE COMANDO DO GOVERNO TEMPORÁRIO.

8.C. SE A SITUAÇÃO SE DESDOBRAR, HÁ POSSIBILIDADE DE ESTABELECER UM PRINCIPADO SALAFISTA DECLARADO OU NÃO DECLARADO NO LESTE DA SÍRIA (HASAKA E DER ZOR), E ISSO É EXATAMENTE O QUE DESEJAM AS POTÊNCIAS QUE ESTÃO APOIANDO A OPOSIÇÃO, PARA ISOLAR O REGIME, VISTA COMO A PROFUNDIDADE ESTRATÉGICA DA EXPANSÃO XIITA (IRAQUE E IRÃ).

8.D.1. …O ESTADO ISLÂMICO NO IRAQUE PODE TAMBÉM DECLARAR UM ESTADO ISLÂMICO MEDIANTE A UNIÃO DO ISI COM OUTRAS ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS NO IRAQUE E SÍRIA, O QUE CRIARÁ GRAVE PERIGO EM RELAÇÃO À UNIFICAÇÃO DO IRAQUE E PROTEÇÃO DE SEU TERRITÓRIO.

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[*] Brad Hoff é Diretor Editorial do Relatório Levant. É um ex-fuzileiro naval e foi professor de história antiga e moderna em várias escolas em todo Texas - tanto nos níveis universitários e do ensino médio. Brad viveu e viajou extensivamente por todo o Oriente Médio, passando a maior parte de seu tempo na Síria antes da insurreição de 2011.

segunda-feira, 9 de março de 2015

ISIL/ISIS/Daesh é coisa do Pátio dos Milagres

8/3/2015, [*] Gordon DuffNew Eastern Outlook
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


A natureza do Estado Islâmico e suas operações são um mistério. A coisa simplesmente não pode existir. Será que se poderia provar que é pura “armação”? Ah, sim, nada mais fácil, isso e muito mais, e sem nem precisar descer a detalhes das execuções encenadas.

O mito do ISIS/ISIL/Daesh cai aos pedaços sem que se tenha de recorrer a teorias conspiracionais, selvagens ou de salão.

Hoje, a rede Fars de notícias noticiou, de fontes iraquianas, que foi derrubado um helicóptero Apache norte-americano que lançava suprimentos para forças do ISIS/ISIL/Daesh nas áreas ocidentais da província de Anbar. Eis a foto do evento:

Marque os erros dessa foto
Há algumas coisas erradas nessa foto. Primeiro, o helicóptero que aí se vê é um UH10 de 1957. Há milhares deles voando pelo mundo, pode-se comprar pela página de “Ebay”. A foto não é datada. Também faltam informações que poderiam identificar a origem e a folha corrida da tripulação, de onde vinha o voo, dados do mais corriqueiro interrogatório de polícia técnica.

Que fim levou o piloto? Onde está a carga? É preciso ver a foto toda, porque é perfeitamente claro que foi publicado um recorte de foto maior. Onde foi tirada? Em “New York City”? Poderia ser. O que mais se vê nessa foto é uma impressionante ausência de curiosidade.

Helicóptero Apache (AH-64)
Semana passada, a agência Fars noticiou que dois aviões britânicos de transporte foram derrubados quando operavam e forneciam suprimentos para o ISIS/ISIL/Daesh. Nada de pilotos nem restos da fuselagem, sem número na cauda, nenhuma prova de que o evento tenha mesmo ocorrido, além da “notícia”. Alguém aí está querendo me convencer de que duas aeronaves de transporte caem e ninguém, nem uma alma, nos 800 km em torno, nem pensaram em esgravatar nos destroços à procura de malas, relógios Rolex e outros bens?

Na sequência, supostas centenas de veículos do ISIS/ISIL/Daesh foram destruídos na campanha de bombardeio que os EUA executam, cada um deles com seus números de identificação de veículo [VIN numbers] em centenas de partes. O FBI e a Interpol podem facilmente rastrear qualquer veículo, não só a partir de qualquer peça, mas também por outras muitas vias.

Há convenções internacionais para controlar o tráfico nos mercados negros de veículos e de peças. Cada veículo fabricado é informado a um banco de dados e praticamente todas as peças recebem número de série que também são registrados nas vendas, e as transferências são gravadas e comunicadas ao banco de dados global.

Mesmo que estejam com o GPS avariado ou desligado, todos os veículos mais novos recebem ignição eletrônica que pode ser rastreada. Todos enviam sinais de rádio, a menos que seja usado um escudo Faraday. Veículos modernos liberam energia eletromagnética, visível como lanterna em sala escura.

Toyotas novinhas...
Talvez a Toyota não queira explicar como aconteceu de mil de suas caminhonetes embarcadas para Israel terem sido modificadas e transportadas pela Jordânia. Israel e Netanyahu são entidades acima da lei; agora, a Jordânia também quer ser.

Estaria talvez aí o motivo pelo qual a Jordânia é agora heroica aliada dos extremistas de direita nos EUA que entregaram os corações e almas ao ISIS/ISIL/Daesh e aos amigos deles em Kiev? Examinemos rapidamente as coisas nas quais ninguém pensa.

Recentemente estive em Damasco, capital de um país devastado pela guerra. Embora a distância entre Damasco e Beirute, por rodovia, não passe de uma hora de viagem, há muitos itens – carne, por exemplo – que absolutamente não se encontram em Damasco. Observei o mesmo no Iraque, no auge da guerra. A vida era arroz, feijão e algum raro frango congelado, vez ou outra, a menos que você fosse soldado dos EUA e bebesse água poluída do rio vendida aos soldados pela Halliburton a US$ 30 o galão.

O que estamos dizendo é simples: fazer entrar e sair suprimentos em/de zona de guerra é quase impossível, com certeza, pelo menos, no mundo real. Mas será que estamos em algum “mundo real”?

Voltemos à campanha de bombardeio. Há centenas de caminhões destroçados por todo o Iraque e Síria. Os EUA têm acesso a quase todos, como o Iraque e o Irã também têm. Alguém presta atenção a quem instala os pára-choques, quem solda as placas para apoiar as armas nos assentos? Alguém testa a gasolina para saber se foi refinada?

Veículo do ISIS/ISIL/Daesh bombardeado no Iraque
Se se podem rastrear veículos, mesmo que ninguém rastreie, também se pode conhecer a impressão “digital” de cada veículo, saber quem construiu, quem modificou, que ferramentas foram usadas, que soldas, que partes. Tudo pode ser rastreado até a fonte.

Ninguém quer fazer tal coisa. Por quê? Têm medo do que se descobrirá? O combustível, por exemplo.

Oh, você não sabia que não há refinarias de gasolina por toda parte? Que na maior parte do mundo, gasolina é vendida em contêineres plásticos usados em leiterias, carregados em picapes? Que durante anos toda a gasolina usada no Curdistão e no norte do Iraque foi contrabandeada da Turquia?

No sul, chegava em caminhões-tanque, da Jordânia. Há razões para acreditar que continue exatamente assim, bem ali, a céu aberto, para todos verem, nas estradas com dúzias de postos de controle do governo.

Soldados norte-americanos na Jordânia ajudam a monitorar essas estradas, esses pontos de controle; ninguém sabe como, sempre estão distraídos quando os embarques destinados ao ISIS/ISIL/Daesh cruzam a fronteira. Nos surpreendemos nos EUA com o número de comandantes militares demitidos recentemente? A ficha está começando a cair?

Os EUA destruíram todas as refinarias existentes na região do ISIS/ISIL/Daesh, nos dois primeiros dias da campanha de bombardeio.

Eis o que,sim, sabemos:

Em toda a Síria e no Iraque há muita gente lucrando muito com fornecer para o Estado Islâmico. Ainda mais na Jordânia e em Israel, e fazendo o mesmo serviço. Na Turquia, negociar com o ISIS/ISIL/Daesh já é importante “setor econômico”.

E o desfile de Toyotas do ISIS/ISIL/Daesh é na... Turquia!
Traição e colusão com o inimigo são amplas e disseminadas. E norte-americanos, britânicos e outros também ganham muito dinheiro. Sim, há os tais voos de abastecimento, mas é preciso “cair na real”. Os EUA têm total supremacia aérea sobre todo o Oriente Médio. Ontem, os israelenses noticiaram que os EUA havia ameaçado destruir a Força Aérea de Israel, se tentassem atacar o Irã enquanto os EUA negociam. Se os EUA podem derrubar toda a Força Aérea de Israel, derrubar um helicóptero ou um avião de transporte seria nada.

Consideremos outras opções, com atenção especial à inteligência. Em 2014, reuni-me com oficiais iraquianos para discutir inteligência disponível contra o ISIS/ISIL/Daesh especialmente nas regiões de Mosul e ao sul na Província Anbar. Oferecemos sistemas OCULUS, plataformas “roll on” para aeronaves C130 capazes de coisas que não se pode nem começar a discutir, inclusive localizar dispositivos explosivos improvisados, mas também, com certeza, capazes de rastrear todos os movimentos operacionais do ISIS/ISIL/Daesh.

Empresas israelenses ofereceram equipamento avançado de interceptação de comunicações, alguns itens com capacidades que não se pode nem começar a discutir. Garantido que o tal equipamento deteria todas as operações doISIS/ISIL/Daesh, o que ainda é dizer pouco.

Também nos oferecemos para demonstrar armas avançadas de pulso eletromagnético que fazem, sim, parar eletrônicos, veículos, geradores, fones, qualquer coisa numa área que não se pode nem começar a discutir e sobre a qual dizer “enorme” é dizer pouco.

Os EUA tem o que se supõe que seja o equipamento mais avançado. E é muito avançado. Mas ninguém vê coisas simples como pessoas perguntando de onde vem a gasolina ou COMO é possível que o ISIS/ISIL/Daesh dirija ao longo de centenas de milhas por uma rodovia de duas pistas, sem ser visto por satélites, drones ou aviões de vigilância? A Agência de Segurança Nacional não ouve tudo e todos? Só se o ISIS/ISIL/Daesh fala na “Língua do P”, que o decifrador da ANS ainda não decifrou.

Já a NSA continua espionando Merkel e Dilma...
Parece que ninguém pensou sobre de onde vieram os Toyotas; ou que montar um lança-mísseis de 25 mm na traseira de um caminhão não é serviço para qualquer um sem capacidades avançadas. Alguém aí lembrou que cada uma dessas armas tem de ser instalada num “cartucho” de 6 metros?

Pergunto outra vez: como alguém poderia meter dentro da Jordânia ou Turquia um navio carregado de caminhões com cartuchos carregados instalados na carroceria e, depois, transportar milhares de “técnicos” em armaduras blindadas por centenas de quilômetros?

Pergunto outra vez: e de onde vem a gasolina? Por que os caminhões não têm números de série, nem número de identificação veicular, nem porcaria de número nenhum? Por que ninguém pergunta essas perguntas?

Como fazem milhares de jihadistas para voar pelo planeta? Como é que conseguem entrar na Turquia – onde qualquer simples turista é interrogado por 20 minutos quando põe os pés no aeroporto de Istambul? A Turquia tem burocracia massiva, exército gigante, vastos serviços de inteligência e ninguém entra ou sai da Turquia, assim, sem mais nem menos; nem ninguém “cruza” a Turquia. A Turquia não é brincadeira. Se Erdogan não quisesse jihadistas ali, de um lado para o outro, o tráfego fechava.

Alguém se deu o trabalho de abrir um mapa? Alguém viu que não é possível sair do norte da África, de onde saem muitos jihadistas, para Jordânia, Síria ou Iraque, sem passar por Israel?

É quanto voltamos à Jordânia. Sabemos que a Jordânia permitiu que a CIA treinasse milicianos do ISIS/ISIL/Daesh – embora a CIA tenha explicado ao Wall Street Journal que seus instrutores não sabiam (sic) que estavam treinando os milicianos errados.

The Wall Street Jornal de 12/9/2001
Há uma razão pela qual ninguém faz pergunta alguma, nem a empresa-imprensa, nem os EUA, nem, com certeza, nenhuma das nações da região: porque ninguém quer resposta alguma. O ISIS/ISIL/Daesh é “big business” e quanto mais tempo durar essa guerra, mais milhões e milhões tomarão o rumo dos cofres de gente muito poderosa.

A mesma discussão se poderia fazer sobre o Boko Haram: como é possível que gente que sonha com voltar à Idade Média maneje tão competentemente os mais complexos telefones por satélite? Quem paga as contas? Eu não tenho um telefone daqueles.

A resposta é simples: para mim, são entidades inexistentes. Não acredito nem em ISIS/ISIL/Daesh nem em Boko Haram. Não acredito nessas entidades.
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[*] Gordon Duff é um veterano de combate Marinha de Guerra dos EUA no Vietnã. Obteve baixa por deficiência (ferimento de guerra) e passou a trabalhar ajudando outros veteranos e no tratamento de prisioneiros de guerra durante décadas. É diplomata acreditado e aceito como um dos maiores especialistas do mundo em Inteligência Global. Administra a maior organização privada de inteligência do mundo e é consultado regularmente por governos em questões de segurança. Viaja extensivamente, é publicado em todo o mundo e convidado usual em programas de entrevistas em TV e rádio nos mais diversos países. Também é “chef de cuisine”, entusiasta de vinhos, motociclista e armeiro especializado em armas históricas e restauração. Sua experiência em negócios e interesses estão nas áreas de Energia e Tecnologia de Defesa.