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sexta-feira, 22 de março de 2019

Alexei Kudrin é o miJair Bolsonaro de Putin

Kudrin quer dar aos EUA metade da Crimeia, metade do Donbass, metade das Ilhas Kuril, metade da Síria e metade da Venezuela.

O general Gerasimov está pronto para resistir contra os EUA em todas essas frentes




18/3/2019, John Helmer, Dances with Bears, Moscou

Alexei Kudrin (ilustração de abertura) é o candidato do ‘regime change’ ao Kremlin que sobrevive há mais tempo, e que não mora nem na cadeia nem no exterior. “Precisamos de ambiente global fraterno” – 
disse ele a uma conferência de empresários em Moscou, semana passada. Atualmente presidente da Câmara de Cobrança e Prestação de Contas, de auditoria do Estado, Kudrin explicou que “atualmente não se consegue ambiente global totalmente fraterno devido, em parte, a desentendimentos geopolíticos e sanções globais. A Rússia deve tentar reduzir esse fator e mitigar os desentendimentos e as sanções mediante conversações e outros meios.”
O remédio, para Kudrin, ele explicou, é fazer Rússia e EUA encontrarem-se “no meio do caminho”. Pediram que Kudrin explicasse melhor a parte “meio do caminho”.

Kudrin serve-se de porta-vozes na Câmara de Contas do Estado e numa organização política que mantém, chamada “Comitê de Iniciativas Civis”. Essa última Kudrin fundou-a em 2012, depois de ser 
demitido do cargo de ministro das Finanças, e se autoapresenta como “união em torno da ideia de modernizar o país e fortalecer instituições democráticas.” Ano após ano, o Comitê faz pesquisas sobre condições regionais, monitora a imprensa e organiza conferências de organizações políticas que apoiam Kudrin. Para recrutar ativistas locais, o Comitê também distribui prêmios em dinheiro e uma estatueta, “O Broto de Ouro”. É a organização perpétua de campanha eleitoral de Kudrin. Ninguém sabe de onde vem o dinheiro, mas regularmente Kudrin divulga sua “especial gratidão” a Norilsk Nickel, controlada por Vladimir Potanin e Oleg Deripaska.


Pediram que Kudrin explicasse o que queria dizer com a referência a desentendimentos geopolíticos. Qual sua proposta a ser apresentada nas conversações com os EUA? O que quer dizer com “outros meios”? O que significa “meio do caminho” – entregar metade da Crimeia à Ucrânia? Metade da Síria, a Israel e Turquia? Metade das ilhas Kuril, entregues no Japão?

Os escritórios de Kudrin na Câmara e no Comitê informaram que ele não responde a telefonemas. Pediram que se enviassem perguntas por e-mail. As perguntas foram. Por telefone, os dois escritórios confirmaram que receberam os e-mails. Kudrin jamais respondeu.

Há um ano, quando Kudrin pressionava publicamente o presidente Putin para que lhe desse um posto no novo governo, com poderes especiais para negociar com os EUA, ele delineou um plano de ataque contra o Ministério de Defesa da Rússia e Forças Armadas – que cortava o orçamento militar da Rússia, a capacidade de defesa e toda a assistência à Crimeia e ao Donbass. O plano apareceu numa entrevista a um jornal de Londres, porque Kudrin negou-se a comentar o assunto pessoalmente, na Rússia. Detalhes, aqui.

Em maio, depois que sua campanha de autopromoção política fracassara, Kudrin desdisse, em discurso ao Parlamento estadual, tudo que dissera em Londres. Tentava tentar obter os votos necessários para ser confirmado no velho emprego na Câmara de Contas. Se quiser ler clique aqui. Kudrin obteve a votação mais alta jamais vista contra qualquer nome indicado pelo presidente para presidir a Câmara de Contas. Hoje, Kudrin aparece em primeiro lugar nas pesquisas que definem os dez políticos nos quais a população menos confia, em todo o país.

O principal alvo das campanhas de desconstrução de Kudrin ainda é, como sempre foi, a liderança militar russa. O general Valery Gerasimov, Comandante do Estado-maior das Forças Armadas da Federação Russa, respondeu com um quadro detalhado da estratégia russa contra os EUA. 

O discurso de Gerasimov, intitulado “Vetores do Desenvolvimento de Estratégia Militar”, foi apresentado à Academia de Ciências Militares. O texto pode ser lido na íntegra, aqui  em russo, e aqui em inglês.




Gerasimov identificou “os EUA e seus aliados” como engajados em guerras permanentes de todos os tipos, inclusive “preparação para ‘ataque global’, ‘batalha em multidomínios’ [e o] uso de tecnologias de ‘revoluções coloridas’ e ‘poder brando’ [ing. soft power].” 

“O objetivo dos EUA e aliados é eliminar o Estado de países indesejáveis, minar a soberania desses estados, trocar autoridades públicas legitimamente eleitas. Foi feito no Iraque, na Líbia e na Ucrânia. Atualmente ações similares podem ser observadas na Venezuela (…). O resultado que os EUA obtiveram na Síria permitiu-nos [aos russos] identificar e definir a direção atual das pesquisas para emprego da Forças Armadas no cumprimento de missões de proteção e promoção de interesses nacionais russos fora do território nacional.”

É a primeira vez que o Estado-maior da Rússia identifica a Venezuela, ao lado de Ucrânia e Síria, como alvo de guerra dos EUA contra a qual é do interesse estratégico da Rússia opor-se. Gerasimov reservou também uma palavrinha para Kudrin. 

Em sua fala, Kudrin ignorara os militares, em seu ‘projeto’ de governo russo coordenado: “Se os sistemas policiais trabalham com plano próprio, enquanto instituições internacionais e o Ministério de Relações Exteriores trabalham por outro plano, e o Ministério de Desenvolvimento Econômico tenta aumentar a taxa de crescimento da economia até os padrões globais médios, nesse caso acontece exatamente coisa alguma. É preciso haver equipe coesa, todos trabalhando para um mesmo objetivo. [Todas as agências do Estado devem] sincronizar as ações, inclusive no formato de diálogo e de conciliação de tarefas, para melhorar o clima de investimento.”

A resposta do general Gerasimov: “O Pentágono começou a desenvolver estratégia de guerra fundamentalmente nova, que foi apelidada “Cavalo de Troia”. A essência dessa estratégia depende do uso ativo do ‘potencial protesto da 5ª coluna’ com vistas a desestabilizar a situação com simultâneos ataques com armas teleguiadas de precisão contra os alvos mais importantes.”

A coordenação dos recursos de defesa da Rússia, como a entende o Estado-maior, exige que as medidas para defesa contra sanções econômicas e operações de mídia e ciberataques dos EUA contra a Rússia e seus aliados, inclusive a subversão doméstica, devem ser dirigidas pelo Comando do Estado-maior.

“Gostaria de registrar” – disse Gerasimov – “que a Federação Russa está pronta para fazer frente a todas e a cada uma dessas estratégias. Em anos recentes, cientistas militares, trabalhando com o Estado-maior, desenvolveram abordagens conceituais para neutralizar as ações agressivas de adversários potenciais. O campo de pesquisa da estratégia militar é a luta armada em seu nível estratégico. Com a emergência de novas áreas de confronto nos conflitos modernos, os métodos de luta cada vez mais se encaminham diretamente para a aplicação integrada de medidas políticas, econômicas, de informação e outras medidas não militares, implementadas com o apoio da força militar.”

Tradução original no blog O Empastelador




Fracassou a política dos EUA: Reabertas as fronteiras entre Iraque e Síria e a estrada Irã-Beirute




Imagem: Combatentes suspeitos de pertencer ao ‘Estado Islâmico’ (EI) esperam para serem revistados por membros das Forças Democráticas Sírias (curdos), depois de deixarem a última área ainda controlada pelo EI em Baghouz, na província de Deir Ezzor, norte da Síria, dia 22/2/2019 (BULENT KILIC/AFP/Getty Images)

21/3/2019, Original, em inglês em: Elijah J Magnier Blog

“Dinossauro com cabeça de periquito”. Assim o ex-presidente do Irã Hashemi Rafsanjani descreveu os EUA, evocando a grande força militar mas a completa falta de inteligência estratégica na política externa norte-americano. De fato, o encontro não frequente dos comandantes de estado-maior de Síria, Iraque e Irã em Damasco essa semana jamais seria possível sem a recente ação dos EUA na Síria.

establishment norte-americano fez grande favor aos três países alinhados com o “Eixo da Resistência”, ao eliminar o grupo do ‘Estado Islâmico” (EI) no último reduto a leste do Eufrates. O ataque dos norte-americanos a Baghuz (leste da Síria), realizado em conjunto com seus agentes locais curdos, levou os três comandantes militares a decidir reabrir a estrada entre Síria e Iraque, pavimentando assim uma via terrestre segura para Iraque e Síria. Significa que a estrada Teerã-Bagdá-Damasco-Beirute está reaberta. Não é a primeira vez que o establishment norte-americano, com seu planejamento sempre precário, presta ajuda estratégica realmente importante ao Irã.

Quando o presidente Donald Trump dos EUA decidiu retirar-se da Síria, falando do país como “terra de areia e morte”, até que falava sério sobre o tal plano. Mas os EUA não podia sair sem, antes, eliminar o bolsão do ISIS na área controlada pelos EUA no leste da Síria, porque significaria deixar lá o único pretexto que os norte-americanos encontraram para ocupar aquela área. Por isso, Trump foi aconselhado a eliminar o ISIS (afinal!) antes de retirar seus soldados. Assim, depois de longos meses de paralisia, Trump afinal ordenou que seus soldados fizessem o que haviam dito que fariam, depois de os EUA, por meses, só terem protegido o grupo terrorista e permitido que dezenas de milhares de terroristas do ISIS se movimentassem com toda a liberdade para atacar o Exército Árabe Sírio e aliados ao longo do eixo Deir-ezzour al-Bukamal.

Difícil superestimar a importância da decisão de Trump de, finalmente, agir contra os terroristas do ISIS. Desde 2014 os EUA fingem que combatem contra os terroristas do ISIS, quando, na verdade, só fizeram facilitar o processo pelo qual o grupo expandiu-se e assassinou soldados do Exército Árabe Sírio os quais, esses sim, combatiam contra – não a favor – dos terroristas. Durante todo esse tempo, os EUA usaram o ISIS como pretexto para a presença militar dos EUA na Síria.
 
Os EUA agora, finalmente, realmente bombardearam e destruíram Raqqah, ocupada pelo ISIS; na sequência, conseguiram um acordo para deportar muitos milhares de combatentes do ISIS. Mas a Batalha de Baghuz, ainda em curso, é a primeira vez que os EUA realmente lutaram contra o ‘Estado Islâmico’. Diga-se a favor do presidente Trump que seu governo está, afinal, fazendo, mesmo, o que os EUA até agora só fingiram que faziam, ao longo de cinco anos: Trump afinal está realmente combatendo contra os terroristas do ISIS

Essa campanha espetacular e real, não ficcional, garante ao governo Trump os méritos por ter derrotado o ‘Estado Islâmico’ – embora todos saibam que, por meia década, quem realmente combateu contra os terroristas foram o Exército Árabe Sírio, a Rússia, os iraquianos do grupo Hashed al-Shaabi, o Exército do Iraque, o Hezbollah libanês e o Irã.

Em Baghuz, forças dos EUA (e aliados europeus) bombardearam o ISIS até confinar o grupo numa cidade bem pequena. Conseguiram abrir uma via segura para retirada de mulheres, crianças, idosos, terroristas feridos e os muitos que preferiram render-se. Mais de 35 mil terroristas do ‘Estado Islâmico’ e famílias saíram daquele lugar exíguo. 9.000 militantes foras feridos ou mortos. As forças dos EUA e seus agentes locais curdos conseguiram encurralar o que resta do grupo terrorista numa área de menos de 1kme nos próximos dias lançarão o assalto final. É questão de tempo, e o ISIS entregará seu último bastião a leste do Eufrates.

O fim próximo da ameaça que foi o ‘Estado Islâmico’ criou a oportunidade para um encontro raro. O comandante do Estado-maior do Irã, major-general Mohammad Baqeri; o ministro da Defesa da Síria, Ali Abdullah Ayyoub; e o comandante do Estado-maior do Iraque tenente-general Othman al-Ghanmi reuniram-se em Damasco, capital da Síria e decidiram reabrir as fronteiras entre Iraque e Síria.

Ao, finalmente, remover os terroristas do ‘Estado Islâmico daquela área, o governo dos EUA, sob a presidência de Trump afinal reconheceu o erro que os norte-americanos cometeram na Síria. Enquanto o ISIS foi mantido ali, tornou-se impossível o trânsito seguro de mercadorias necessárias para a sobrevivência dos cidadãos iranianos e iraquianos. Agora afinal, depois de reconhecer isso, os EUA tomaram a decisão correta de sair de lá, deixando apenas algumas centenas de soldados norte-americanos, para efetivamente proteger, não atacar, os locais.

Graças ao movimento dos EUA, o Irã pode agora enviar todos os suprimentos necessários e retomar o comércio regular com a Síria, num momento em que Israel já começa a bombardear o aeroporto de Damasco e tenta impedir ou, no mínimo, retardar, o fornecimento, ao Exército Árabe Sírio, de mísseis de precisão e outros equipamentos militares necessários para reconstruir as forças de defesa sírias. Com a abertura de uma nova passagem de fronteira entre Iraque e Síria, perde importância a ocupação, pelos norte-americanos, da passagem de al-Tanf. Se os EUA tentarem pressionar o Iraque para que suspenda o comércio com Irã ou Síria, Bagdá exigirá que Trump retire suas forças de toda a Mesopotâmia.

A decisão de Trump também implica que a economia síria volta a poder acumular alguma energia, tão logo a estrada por terra, até o Iraque, volte a operar normalmente. Os três comandantes acabaram dando boas risadas da política e dos movimentos dos EUA na Síria. Todos colheram importantes benefícios dos repetidos erros de estratégia que Washington comete, desde que ocupou o Iraque em 2003 e ‘mudou o regime’ de Saddam Hussein – eterno e feroz inimigo do Irã.
O ‘Estado Islâmico’, EI ou ISIS ainda é risco de segurança, mas deixou de ser ameaça militar. Remanescentes do grupo ainda podem atacar comboios ou alvos leves, mesmo depois do acordo conjunto dos três países para patrulhar as fronteiras e contribuir, com tecnologia, inteligência e soldados para proteger a passagem de fronteira de al-Bu e somar esforços reais na luta contra o terrorismo naquela área. 

EUA quase sempre consideram o grande cenário, quando seus estrategistas e planejadores tentam redesenhar fronteiras, mudar regimes e produzir estados falhados. Mas muitas vezes deixam passar sem ver detalhes que podem virar a guerra a favor dos supostos inimigos que os EUA produzem, nesse caso, a favor do Irã. Como Rafsanjani comentou certa vez, EUA são “um dinossauro com cabeça de periquito”.

Rafsanjani não foi o único a fazer comentários cáusticos. Em evento recente em homenagem aos sucessos no Iraque e na Síria, do comandante e da brigada Qods do Corpo de Guardas Revolucionários do Irã, major-general Qassem Soleimani, o líder da Revolução Islâmica Said Ali Khamenei disse, falando de EUA (e Arábia Saudita): “agradecemos a Alá, que nos deu inimigos imbecis”.


Tradução original no blog O Empastelador

quarta-feira, 20 de março de 2019

A Arte da Guerra - "Partido EUA" ativo nas instituições da União Europeia




18/3/2019, Manlio Dinucci, Il Manifesto 
Original: blog O Empastelador

“A Rússia já não pode ser considerada parceira estratégica, e a União Europeia deve estar pronta para lhe impor novas sanções, se o país continuar a violar o Direito Internacional”: esta é a resolução aprovada pelo Parlamento Europeu, em 12 de Março, por 402 votos a favor, 163 contra e 89 abstenções.

A resolução, apresentada pela deputada letã, Sandra Kalniete, nega principalmente a legitimidade das eleições presidenciais na Rússia, definindo-as como “não democráticas”, apresentando assim o Presidente Putin como um usurpador.
·        Acusa a Rússia não só de “violar a integridade territorial da Ucrânia e da Geórgia”, mas de “intervir na Síria e interferir em países como a Líbia” e, na Europa, de “interferir com o objectivo de influenciar as eleições e aumentar as tensões”.
·        Acusa a Rússia de “violar acordos de controle de armas”, atribuindo-lhe a responsabilidade de ter prejudicado o Tratado INF.
·        Acusa a Rússia, também, de “extensas violações dos Direitos Humanos dentro do país, incluindo tortura e execuções extrajudiciais”, e de “assassinatos cometidos pelos seus agentes, com armas químicas, em solo europeu”.

No final destas e de outras acusações, o Parlamento Europeu declara que o Nord Stream 2, gasoduto destinado a duplicar o fornecimento de gás russo à Alemanha pelo Mar Báltico, “deve ser interrompido, porque aumenta a dependência da UE do fornecimento de gás russo, ameaçando o seu mercado interno e os seus interesses estratégicos”.

A resolução do Parlamento Europeu repete fielmente, não apenas no conteúdo, mas usando as mesmas palavras, as acusações que EUA e OTAN fazem à Rússia. E, o mais importante, repete fielmente o pedido para bloquear o Nord Stream 2: objetivo da estratégia de Washington visando a reduzir o fornecimento de energia da Rússia à União Europeia e substituí-lo por energia proveniente dos Estados Unidos ou mesmo, de empresas americanas.

No mesmo âmbito, enquadra-se a comunicação da Comissão Europeia aos países membros, dentre os quais, a Itália, sobre a intenção de aderir à iniciativa chinesa da Nova Rota da Seda:
·        A Comissão adverte que a China é parceira, mas também concorrente econômico e, mais importante, “rival metódico que promove modelos alternativos de governança” – em outras palavras, que promove modelos alternativos à governança dominada até agora pelas potências ocidentais.
·        A Comissão adverte que é necessário antes de tudo “salvaguardar as infraestruturas digitais críticas, de ameaças potencialmente perigosas para a segurança”, derivadas das redes 5G fornecidas por empresas chinesas como a Huawei, banida nos EUA.
·        A Comissão Europeia repete fielmente o aviso de EUA aos Aliados.

O Comandante Supremo Aliado na Europa, o General americano Scaparrotti, alertou que as redes móveis ultra rápidas da quinta geração desempenharão um papel cada vez mais importante nas capacidades bélicas da OTAN, de modo que não se admitem “descuidos” da parte dos aliados. Tudo isto confirma qual é a influência que o “partido americano” exerce – forçar um poderoso alinhamento transversal que orienta as políticas da União, em simultâneo, pelas mesmas linhas estratégicas EUA/OTAN.

Ao construir a imagem falsa de Rússia e China ameaçadoras, as instituições da UE preparam a opinião pública para aceitar o que os EUA estejam em preparativos para “defender” a Europa:

"Os EUA" – declarou à CNN um porta-voz do Pentágono – "preparam-se para testar mísseis balísticos com base em terra" (proibidos pelo Tratado INF destruído por Washington), isto é, novos mísseis europeus que novamente converterão a Europa em base e ao mesmo tempo em alvo de uma guerra nuclear.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Ser russo


Nasci vermelho

10/5/2015, [*] Andre VltchekCounterpunch  
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


O ocidente mentiu a Lênin, a Stálin, a Khrushchev e por fim, a Gorbachev. 

O ocidente agora mente a Putin e sobre Putin.

O nazismo só se compara ao imperialismo europeu e norte-americano, ao colonialismo. 

Nazismo e colonialismo são feitos do mesmo estofo. 

E a União Soviética esmagou ambos, derrotou ambos! A Rússia empunha hoje a histórica bandeira soviética.(...)

Os chauvinistas e xenófobos ocidentais lutam hoje pelo controle sobre todo o planeta, até pela própria sobrevivência deles. 

A menos que divida Rússia, China e América Latina, o ocidente está acabado.



Presidente Putin: "O fascismo não passará"
(Presidente Putin, no desfile com as famílias russas que portam fotos de familiares
mortos na IIa.GM, leva o retrato de seu pai)

Está quebrada a confiança entre o ocidente e a Rússia. Já estava abalada há bastante tempo, mas agora está irreversivelmente quebrada. Boa coisa, que confiança poderia haver entre o imperialismo fascista e as forças que hoje lutam para libertar a humanidade?

Não é difícil enganar o povo russo. É preciso pouco para ganhar-lhe a confiança; às vezes um sorriso, meia dúzia de palavras carinhosas, algumas promessas e juras feitas com sinceridade. Os russos podem ser facilmente “comprados” com gentileza. São povo confiante, vulnerável.

Se abordados com ternura e simpatia, eles logo abrem o coração, partilham até o último pedaço de pão com quem tenha fome, oferecem a camisa do corpo a quem tenha frio.

Chegue-se a um russo com promessa de amor eterno, devoção, simples amizade, que seja, e as chances são de que todas as portas se abram para você e as defesas caiam.

Talvez, algum dia, ele ou ela lhe peça: “Por favor, nunca, nunca me atraiçoe”. Mas ninguém lhe pedirá garantias, nenhum compromisso por escrito, nenhuma assinatura em contrato.

Por causa dessa confiança e abertura, morreram milhões, dezenas de milhões de russos!

***

A defesa de Stalingrado - jan. 1943
Os russos deram ao mundo tudo que tinham. Os russos lutaram pela humanidade inteira. Abriram o coração e as portas. Alimentaram os que estavam em miséria extrema, muitas vezes a morrer de fome.

E no fim os russos foram traídos, não uma, nem duas, mas várias, várias vezes!

Num mundo sem espinha dorsal, baseado no individualismo, no lucro, no servilismo, é fácil, muito fácil trair alguém generoso, alguém que doa. Tiranos só muito raramente são traídos, porque a lealdade que recebem é baseada no medo, na autopreservação, no autointeresses mercantil.

No mundo covarde, corrupto, que o ocidente construiu e suas religiões construíram, só se obtém lealdade mediante o terror.

Apesar de horríveis traições e da selvageria contra o povo russo ao longo da história, os russos realmente jamais “aprenderam a lição”, nunca aprenderam o cinismo ocidental e jamais dominaram a arte de sacrificar outros em nome dos próprios interesses.

Todos os acordos com a Rússia foram quebrados, sempre que assim interessou aos invasores. Os escandinavos ceifaram incontáveis vidas russas, e o mesmo fizeram os alemães, franceses, poloneses, britânicos, norte-americanos e tchecos, para ficar só nesses. Os russos jamais de fato “puniram” alguém, como fazem os protestantes e anglo-saxões. Castigo é lixo puritano, basicamente. O modo russo de pensar é quixotesco demais para castigar alguém.

O ocidente mentiu a Lênin, a Stálin, a Khrushchev e por fim, a Gorbachev. O ocidente agora mente a Putin e sobre Putin.

Traída, a Rússia mergulharia em inimaginável agonia, passaria por fogo e devastação, pelo desespero. A Rússia enterraria milhões de filhos e filhas. É provável que nenhuma outra nação no planeta tenha algum dia passado por devastação daquela magnitude.

Então, de repente, o país começaria a erguer-se dos joelhos, lentamente e assustadoramente, para mostrar todo o seu poder, seu tamanho, a determinação, a força. Ferida e enganada, mas orgulhosa e magnificamente bela em sua ira santa, a Rússia ergueria sua espada pesada, poria retas as costas, secaria as lágrimas e começaria a andar diretamente contra o inimigo.

As batalhas da Rússia sempre são às claras. A Rússia combate honestamente as suas batalhas. Foram derramados oceanos de sangue, a maior parte desse sangue é sangue do povo russo.

Diferente do ocidente, a Rússia não bombardeia à distância, não usa drones nem bombas atômicas para matar milhões de civis e assegurar para si a Vitória. As batalhas russas são homem a homem. São dezenas de milhares de tanques, como na batalha de Kursk, milhões de soldados, como em Stalingrado.

Ninguém jamais pôde ou pode derrotar a Rússia, porque a ira dos russos, como o amor deles, é grande e puro. A Rússia nunca foi derrotada. Seu coração ferido está cheio de amor e poesia, mesmo quando o peso de seu punho cai sobre os déspotas, usurpadores e assassinos de massa. A Rússia jamais foi derrotada, também porque quase todas as guerras que a Rússia jamais lutou foram guerras justas – guerras para salvar a vida do povo russo, mas guerras, também, pela sobrevivência de toda a humanidade.

***

Rendição do VIº Exército alemão em Stalingrado
70 anos da grande Vitória! 70 anos desde que o povo soviético salvou o mundo, quando esmagou o nazismo. 70 anos desde que o povo soviético, quase imediatamente, uniu-se a outra luta, dessa vez contra o imperialismo e o colonialismo ocidental.

20 ou talvez 27 milhões de soviéticos, principalmente russos, perderam a vida defendendo o planeta com as hordas de Hitler. Depois, centenas de milhões de outros continuaram a dedicar a vida a construir mundo melhor, mais igualitário.

Sem a União Soviética, sem o povo russo, não haveria liberdade, não haveria independência para países asiáticos, africanos e do Oriente Médio. Sem os soviéticos não teriam sido possíveis as revoluções na América Latina.

Por isso o ocidente tanto odiou a União Soviética e é por isso que tanto odeia hoje o povo russo. O ocidente perdeu colônias, perdeu a guerra da propaganda e perdeu o monopólio que tivera, para definir tudo sob o sol.

Só imbecis podem responder as mais tóxicas mentiras da propaganda ocidental, que comparam a Alemanha nazista à União Soviética stalinista. Sobre isso, escreverei em breve. O nazismo só se compara ao imperialismo europeu e norte-americano, ao colonialismo. Nazismo e colonialismo são feitos do mesmo estofo. E a União Soviética esmagou ambos, derrotou ambos! A Rússia empunha hoje a histórica bandeira soviética.

Os chauvinistas e xenófobos ocidentais lutam hoje pelo controle sobre todo o planeta, até pela sua própria sobrevivência. A menos que dividam Rússia, China e América Latina, o ocidente está acabado. Eles sabem disso! A menos que esmaguem tudo que é honesto, bom e otimista nas nações que resistem ao monstruoso regime ocidental, os dias do ocidente estão contados.

Ver: A bem-sucedida campanha de 70 anos de mentiras, para convencer o povo norte-americano de que os EUA, não a União Soviética, derrotaram Hitler [8/5/2015, The successful 70-year campaign to convince people the USA and not the USSR beat Hitler, Les Crises].


Batalha de Berlim - Bandeira da URSS hasteada no Reichstag
foto de Yevgeny Khaldei em 2/5/1945
Dia 9/5/1945, o mundo todo mudou. A humanidade voltou a andar adiante. Lentamente, em ritmo desigual, frequentemente com erros e voltas, mas mesmo assim, adiante! Os grilhões coloniais começaram a ser quebrados. Pessoas de todos os continentes voltaram a sonhar com real liberdade, igualdade e a irmandade de todos os homens. Aquela bela bandeira vermelha agitada no telhado do Reichstag em Berlin tornou possíveis esses sonhos (foto acima)

O povo soviético provou que dignidade humana e liberdade são valores pelos quais vale a pena sacrificar-se. A Ode a Vitória foi escrita com o sangue dos soviéticos oferecido com generosidade, e pode por isso inspirar e modelar gerações futuras.

Mas a ganância e o niilismo do ocidente recusam-se a morrer. Sua obsessão com controlar e saquear o mundo atingiu nível inimaginável. Todas as forças do Império foram mobilizadas. Luz e esperança foram confrontadas pela escuridão e a falsidade. Sonhos belos e puros foram antagonizados pela corrupção. Numa orgia de truques sujos e ardis, a União Soviética foi destruída.

Num único instante da história, todo o mundo oprimido perdeu seu mais poderoso aliado e defensor.

O que veio depois, foi o mais completo horror. O Império pôs-se a desestabilizar um país depois do outro: na África, Ásia, no Oriente Médio e até no ex-bloco oriental. Morreram milhões, expostos, desprotegidos, totalmente abandonados.

As hordas fascistas acreditaram que, daquela vez, haviam vencido. Em Moscou, Yeltsin, beberrão e lacaio do ocidente, começou a matar o próprio povo pelas ruas, e a bombardear o próprio Parlamento. Aquilo era “democracia”, como os jornais em Paris, Londres e New York escreveram quase imediatamente. Era tudo com que sonhava o ocidente: uma Rússia fraca e desestabilizada, de joelhos, à mercê do Império.

Viajei a Moscou e à Sibéria. Vi cientistas russos em Novosibirsk vendendo suas bibliotecas na rua, em estações de metrô, sob o frio mais intenso. Vi velhos veteranos de guerra pedindo esmolas, vendendo as medalhas. Vi trabalhadores russos passando fome, sem receber salários durante meses.

Então, alguma coisa aconteceu. A Rússia recusou-se a continuar de joelhos. Rapidamente os russos detectaram as mensagens que vinham do exterior; e viram a armadilha. O povo russo compreendeu que o que as mais horríveis invasões não haviam conseguido, as mentiras, os ardis, o jogo mais sujo do Império fascista obtivera em apenas uns curtos poucos terríveis anos.

Como tantas vezes em sua história, a Rússia teve de ou erguer-se, ou morreria. E ergueu-se. Indignada e decidida! E como sempre no passado, quando se ergueu para enfrentar o mal, enfrentou-o pelo próprio povo e também por toda a humanidade.

A Rússia reuniu-se, ao longo da última década, em torno da bandeira russa. Não é perfeita e não é tão ‘socialista’ como tantos de nós gostaríamos que fosse, mas há uma grande herança, uma inércia soviética que permanece na política externa da Rússia, assim como permanece o grande orgulho e a firme decisão de melhorar o mundo, de proteger os fracos.

70 da Grande Vitória! Esse ano, a Rússia não celebra só esse grande aniversário. A Rússia festeja também o próprio renascimento.

***

Eu sou russo!
Sou russo. Nasci na Rússia, e minha mãe é meio russa, meio chinesa. Mas mesmo minha parte chinesa vem do Cazaquistão, que foi república soviética. Meu avô, Hussein, foi alto Comissário, equivalente a ministro do gabinete, chinês étnico, linguista, morreu muitas décadas antes de eu nascer.

Fui criado na Tchecoslováquia. Meu pai, cientista, mudou-se para a Europa. Desde criança vivi em New York. Depois meti o pé na estrada e não parei nunca. Hoje sou internacionalista. Mas no fundo de mim, sou russo.

Não sei se me qualifico como russo. Menino, sempre tive passaporte soviético. Os momentos mais felizes da minha vida eram quando, ainda criança, minha mãe me levava, todos os verões, para o aeroporto de Praga, onde eu era despachado por avião, para Leningrado. Na outra ponta, minha avó me esperava.

Minha avó Elena não era só minha babushka. Minha avó Elena foi soldada, combateu contra os nazistas, defendeu aquela sua cidade bem-amada, sua Leningrado. Minha avó cavou trincheiras, enfrentou tanques alemães, e foi duas vezes condecorada. E era a mulher mais doce que conheci na vida. Ensinou-me a gostar de poesia e literatura. Contou-me centenas de histórias, algumas bonitas, outras de meter medo. Sou escritor por causa dela, escritor russo, apesar de escrever toda minha ficção exclusivamente em inglês e a maioria dos meus filmes recentes terem sido feitos em espanhol.

Quase toda a minha família russa morreu lá, em Leningrado, durante o cerco, décadas antes de eu nascer.

Todos os anos, durante os dois meses de verão, minha avó minha avó dedicava-se a mimar-me o mais que podia. Ou era o que eu pensava que ela estivesse fazendo. Hoje entendo que, para ela, era como um combate cultural, um esforço empenhado de injetar em mim tudo o que há de grande, sobre a Rússia.

Minha avó fazia economia durante dez meses, e então, quando eu chegava para visita-la, ela me levava às óperas, aos teatros, aos museus, aos parques em torno de Leningrado. Cozinhava para mim a comida mais deliciosa. E pelo menos uma vez por ano, levava-me ao Cemitério Piskarevskoe, onde a enorme estátua da Mãe Terra abre os braços“Ninguém foi esquecido, nada foi esquecido”, lê-se em letras douradas gravadas no granito. Durante o cerco de Leningrado morreram 1,5 milhão de pessoas, muitos estão sepultados ali, em incontáveis trilhas de grandes valas comuns.

Cresci. Tornei-me escritor e cineasta; viajei pelo mundo. Mas, estivesse onde estivesse, aquelas palavras sempre me seguiram, gravadas em mim. Minha avó sempre estava comigo, ela também, e também a cidade, o sacrifício e a Vitória!

Não se se isso faz de mim objetivamente russo. Mas sinto-me russo e ajo como russo.

***

Orgulho de ser russo!
Ser russo... Hoje, “russo” não é só a nacionalidade: é verbo. Significa erguer-se contra a opressão, contra o imperialismo ocidental, construir pontes entre os países que estão resistindo ao terror imperialista ocidental.

E hoje há muitos “novos russos”. Não são os mesmos da era Yeltsin, não são personagens da bufonaria capitalista. Os “novos russos” de que falo são ao mesmo tempo russos e internacionalistas. E muitos desses frequentemente não têm uma gota de sangue russo. Mas lá estão, orgulhosamente defendendo o mundo, e estão unindo forças com a Rússia, a China e a América Latina em sua luta determinada por um mundo melhor.

Conheço vários grandes russos. Alguns são camaradas, como o renomado advogado internacional canadense, poeta, novelista e pensador, Christopher Black. Como Peter Koenig, economista suíço, que deixou o Banco Mundial por total desgosto, deu meia volta a abertamente atacou o establishment. Ou como meu ‘compá’ Patrice Greanville, nova-iorquino/chileno/argentino editor-chefe do lendário The Greanville Post.

Essas pessoas trabalham sem parar, desmontando as mentiras que o Império espalha pelo mundo: mentiras sobre a Rússia, mentiras sobre a União Soviética, mentiras sobre a 2ª. Guerra Mundial e mentiras sobre o imperialismo ocidental.

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OCIDENTE = TRAIÇÃO e MENTIRAS
Durante séculos, a Rússia foi apunhalada e enganada por gente de fora. Foi traída, engambelada, ofendida.

Muitos países que a Rússia libertou traíram-na da maneira mais vulgar. Tchecos e poloneses violaram monumentos aos soldados russos – aqueles jovens que deram a vida por Praga e Varsóvia no final da 2ª Guerra Mundial. A Europa Oriental abriu as portas à OTAN e à União Europeia. Por egoísmo pragmático, abandonaram as mais belas ideias, os mais belos projetos – entre os quais o internacionalismo – e, em vez disso, uniram-se aos opressores da humanidade – o Império.

Quanto mais esses países prostituem-se, mais agressivamente berram os slogans da propaganda ocidental, insultando diretamente e provocando, primeiro a União Soviética, mais recentemente, a Rússia. Lacaios lastimáveis e avarentos, e colaboradores do imperialismo ocidental têm buscado, desesperadamente e continuadamente, qualquer justificativa moral para a traição que cometeram. Distorceram a história e inventaram fatos. Desencadearam agressões contra os que defendiam as partes e os povos usurpados e saqueados do mundo.

Recentemente, o ocidente disparou o conflito na Ucrânia, onde ajudou a derrubar o governo eleito em Kiev. Na sequência, imediatamente, puseram-se a alimentar os mais histéricos sentimentos anti-Rússia. Quanto mais óbvia se tornava a situação, mais altas as vozes do pacto anti-Rússia, tanto na Europa Ocidental, como Oriental.

Ucrânia, Síria e Líbia – todos esses conflitos provaram que nenhuma lógica consegue prevalecer. O ocidente quer destruir todos os países que apareçam no seu caminho rumo ao controle global total, e tentará alcançar sua meta macabra por todos os meios. O aparelho de propaganda está sempre pronto para “justificar” qualquer ato de terrorismo cometido pelos EUA e Europa. Nenhum mecanismo internacional legal há, para proteger as vítimas.

Só uma grande força pode impedir a tragédia. A Rússia é essa força. A China também. E por isso o Império está em pânico ante o despertar desses dois grandes países.

BRICS versus EUA
Sim, dessa vez, depois de tantos séculos de dor e sofrimento, a Rússia afinal não está só. Está forte e alta, e pode afinal contar com seus amigos. Algumas das maiores cabeças do planeta estão únicas com Rússia e China. Esqueçam a Europa Oriental! O maior e mais poderoso país do planeta – a China –, repete e repete: “China e Rússia são os mais importantes parceiros estratégicos uma da outra”. É claro que não permitirão que o que está planejado seja comido pelas chamas da guerra.

Toda a América Latina revolucionária está hoje com a Rússia, e também estão com a Rússia dúzias de outras nações independentes e orgulhosas por todo o mundo.

No Oriente Médio e na África, na América do Sul e em muitas partes da Ásia, a Rússia é cada dia mais vista como uma poderosa força moral. Rússia é sinônimo de esperança. Não para os que creiam em EUA e Europa, mas para todos que, por séculos sofreram sob o peso do tacão deles.

Em todos os lugares onde falo publicamente, na Eritreia ou na África do Sul, na Índia, na China, até no Timor-Leste, as pessoas só querem saber da Rússia. O que a Rússia fará agora, para impedir mais ataques contra a Síria, ou o Irã, ou contra a Venezuela?

Respondo sempre que “a Rússia está viva e vai bem. E também estão vivos e bem os amigos da Rússia, da China à Venezuela e Cuba!”.

Nunca perco a esperança. Repito: eu sinceramente creio que logo derrotaremos o colonialismo e o fascismo, e construiremos uma bela sociedade sobre esse planeta coberto de feridas e cicatrizes, mas sempre maravilhoso. E ela será criada sobre os mesmos ideias que hoje comemoramos e celebramos.

“70 anos da grande Vitória! Obrigado, Rússia, por ter salvado o mundo! Parabéns, Rússia !”

E sempre, então, enrolo as mangas e me ponho a trabalhar, dia e noite – por Leningrado e por tudo que minha avó defendeu, e pela Rússia e pela humanidade.

Meu pai e minha mãe revolucionários

Andre Vltchek
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[*] Andre Vltchek é romancista, cineasta e repórter. Cobriu guerras e conflitos em dúzias de países. Seu livro sobre o imperialismo ocidental no Pacífico Sul, Oceania foi publicado pela editora Lulu (VLTCHEK, André. Oceania, 2010. Sobre o livro, que tem prefácio de Noam Chomsky, ver em: Oceania by Andre Vltchek - Book Review by Jim Miles). É autor também de Indonesia – The Archipelago of Fear (Pluto), sobre a Indonésia pós-Suharto e o modelo de livre mercado fundamentalista. Depois de viver e trabalhar por muitos anos na América Latina e Oceania, Vltchek vive e trabalha atualmente no Leste da Ásia e África. Pode ser encontrado por sua página na Internet.