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quarta-feira, 20 de março de 2019

Sanções ocidentais afetam a economia libanesa - EUA empurram o Líbano para os braços de Irã e Rússia




O Líbano espera essa semana a visita do secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo, num momento em que o mapa político econômico do Líbano está sendo redesenhado, e o Líbano sofre o mais grave revés econômico de sua história recente.

Entre as razões da deterioração da economia local, está não só a corrupção da liderança política e do 'baixo clero' do governo libanês, mas também as recentes sanções, as mais duras jamais impostas. E afetarão dramaticamente o Líbano enquanto o presidente Donald Trump permanecer no poder, se o Líbano não seguir a política e as ordens dos EUA.

Se como foi previsto, Washington declara guerra econômica ao país, as sanções deixarão poucas alternativas ao Líbano. Podem forçar o Líbano a voltar-se para a indústria civil iraniana, para sobreviver à pressão econômica dos EUA, e a depender da indústria militar russa para equipar as forças de segurança do Líbano. Acontecerá precisamente isso, se Pompeo insistir nas ameaças a funcionários libaneses, como assessores dele têm feito em visitas anteriores ao país. A insistente mensagem de funcionários dos EUA tem sido: ou você está conosco, ou contra nós.

Politicamente, o Líbano está dividido entre duas correntes, uma pró-EUA (e Arábia Saudita) e outra fora da órbita dos EUA. A situação econômica pode bem aprofundar a divisão interna, a ponto de a população reagir com fúria, para que se excluam do Líbano os EUA e aliados.


ImagemSaid Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, reunido 
com seu mais próximo aliado, presidente libanês Michel Aoun

Esse cenário pode também ser evitado, se Arábia Saudita injetar suficiente investimento que consiga religar a agonizante economia local. Mas a Arábia Saudita teme que todos os não alinhados às suas políticas e às políticas dos EUA possam extrair benefícios do apoio dos sauditas. Até aqui, Riad ainda não compreendeu completamente a dinâmica interna libanesa e o que é possível ou impossível alcançar no Líbano. O sequestro do primeiro-ministro Saad Hariri foi a mais flagrante indicação da ignorância saudita quanto à política libanesa. O mais provável é que a nenhuma visão estratégica dos sauditas para o Líbano venha a impedir qualquer apoio à periclitante situação econômica libanesa e pode levar o país a instabilidade grave.

Antes de 1982, 1 EUA-dólar equivalia a 3 libras libanesas. Aconteceu em parte porque a Organização de Libertação da Palestina (OLP) estava gastando dezenas de milhões de dólares no país, em benefício preferencial das famílias palestinas que viviam no Líbano. Além disso, organizações da ONU (UNRWA) e outras ONGs também distribuíam apoio financeiro a refugiados palestinos cujos lares foram tomadas por Israel, o que forçou muitas famílias a deixar o próprio país.

Depois da invasão israelense ao Líbano em 1982, a OLP foi forçada a deixar o país. Não muito depois, o EUA-dólar alcançou taxa de câmbio de 3.000 liras libanesas, depois desvalorizada, para estabilizar na taxa atual de 1 EUA-dólar por 1.500 liras libanesas. O Irã entrou em cena para apoiar os combatentes libaneses (a Resistência Islâmica no Líbano, i.e. o Hezbollah) a recuperar o próprio território então ocupado por Israel. No ano 2000, o Irã começou a investir pesadamente no Hezbollah, e o grupo conseguiu expulsar os israelenses de praticamente todo o território libanês. O investimento financeiro iraniano alcançou nível muito alto na época da guerra de 2006, quando Israel tentou e não conseguiu desarmar o Hezbollah, que manteve seus foguetes e mísseis fora do alcance de Israel.


Imagem: Said Nasrallah, líder do Hezbollah, com seu mais 


Em 2013, o governo sírio convocou o Hezbollah para apoiar o Exército Sírio que combatia para impedir a desintegração do país e impedir que os militantes takfiri ganhassem o controle do país. O Irã bombeou bilhões de dólares para derrotar ISIS e al-Qaeda e impedir que esses grupos se impusessem na Síria e Iraque, sabendo sempre que o alvo seguinte seria o Irã. O orçamento para as tropas do Hezbollah subiu à estratosfera. Apoio à movimentação de tropas, logística e pagamentos diários aos próprios combatentes, contribuíram para 'animar' a economia libanesa. O orçamento do Hezbollah subiu bem acima de $100 milhões por mês.

Mas depois da chegada de Donald Trump ao poder, e de os EUA terem desertado do acordo nuclear com o Irã, o governo dos EUA impôs àquele país as sanções mais severas de todos os tempos, e cortou as doações às organizações da ONU que apoiam os refugiados palestinos (UNRWA). As sanções contra o Irã forçaram o Hezbollah a viver sob novo orçamento: um plano de austeridade de cinco anos. As forças foram reduzidas a um mínimo na Síria, o movimento das tropas foram reduzidos conforme a verba mais curta, e todos os pagamentos adicionais foram suspensos. O Hezbollah reduziu o próprio orçamento a ¼ do que havia sido, sem suspender salários mensais e assistência médica a militantes e fornecedores, por ordem pessoal de Said Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah.

Essa nova situação financeira, de fluxo de dinheiro reduzido e sem moeda estrangeira, afetará a economia do Líbano. Prevê-se que as consequências sejam mais visíveis nos próximos meses, o que pode levar a possível reação doméstica, quando a população sentir o peso da dificuldade econômica.

EUA e Europa estão impondo controle estrito sobre ativos que entrem e saiam do Líbano. O país está numa lista negra financeira e todas as transações são fiscalizadas em detalhe. Doações religiosas de outros países estão proibidas, na prática, posto que expõem os doadores a acusações graves, por países ocidentais, de apoio ao terrorismo.

Enquanto Trump permanecer no poder, Hezbollah e Irã avaliam que a situação permanecerá crítica; estimam que, muito provavelmente, o presidente dos EUA será reeleito para um segundo mandato. Os próximos cinco anos serão muito provavelmente difíceis para a economia libanesa, especialmente se a visita de Pompeo trouxer mensagens e ordens às quais o Líbano não pode atender.





Pompeo quer que o Líbano desista da demanda de redefinir suas disputadas fronteiras líquidas com Israel, cedendo à entidade sionista os blocos 8, 9 e 10. A demanda não será atendida, e funcionários libaneses disseram em várias ocasiões que contam com os mísseis de precisão do Hezbollah para impedir que Israel continue a roubar água do Líbano.

Pompeo também quer que o Líbano exclua o Hezbollah do governo. Outra vez, o establishment norte-americano ignora que o Hezbollah é quase 1/3 da população do Líbano, apoiado por mais da metade dos xiitas, cristãos, sunitas e drusos libaneses, com cargos noExecutivo e no Legislativo do país.

Qual, então, a alternativa? Se Arábia Saudita entrar no jogo, o Líbano não precisa de um ou dois ou cinco bilhões, mas de dezenas de bilhões de dólares para ressuscitar a economia. E também precisa que de uma política de 'tirem as mãos daqui' para o establishment dos EUA, para que o país consiga se autogovernar.





Os sauditas já estão sofrendo com os abusos de Trump, e o dinheiro saudita está desaparecendo. E se os sauditas decidirem investir no Líbano, tentarão impor termos não muito diferentes do que os EUA exigem. A Arábia Saudita delira, se conta com bloquear, no Líbano, a influência do Irã e a ação dos apoiadores do Hezbollah: é objetivo completamente inatingível.

Quanto ao Líbano restam-lhe poucas escolhas. O Líbano pode aproximar-se ainda mais do Irã pensando em reduzir gastos e o preço de bens de consumo; e pode pedir à Rússia que apoie o exército libanês, se o ocidente não o fizer. A China prepara-se para entrar no país e, sim, pode ser alternativa positiva para o Líbano, usando o país como plataforma para chegar à Síria e, dali, ao Iraque e à Jordânia. Sem isso, o Líbano terá de preparar-se para juntar-se à lista dos países mais pobres da região e do mundo.

Um sombra paira sobre a terra dos cedros, que já teve de lutar pela própria sobrevivência no século 21. O Hezbollah, agora sujeito às sanções de EUA e Reino Unido, é a mesma força que já protegeu o país contra combatentes takfiri do ISIS e outros, que ameaçavam expulsar do país os cristãos. Esse foi o conselho que o presidente Sarkozy da França deu ao patriarca libanês, que os cristãos libaneses deixassem as suas casas. Os jihadistas takfiri e a OTAN têm precisamente os mesmos planos para o Líbano. 

O fracasso do plano do establishment dos EUA, de dividir o Iraque e criar um estado falhado na Síria, como parte de um "novo Oriente Médio" despertou o urso russo de sua longa hibernação. Hoje, a Rússia compete com os EUA pela hegemonia no Oriente Médio, obrigando Trump a tentar absolutamente tudo, sem limite, para quebrar a frente anti-EUA.

É batalha sem regras, vale-tudo no qual se permitem todos os golpes. Os EUA estão empurrando o Líbano para um beco, onde não lhe restará alternativa que não seja firmar uma íntima parceria com Irã e Rússia.


Postado há 17 hours ago por  O Empastelador

sábado, 6 de junho de 2015

Hassan Nasrallah: “Se fizerem guerra contra nós, o Hezbollah fará milhões de refugiados israelenses”

5/6/2015, Excerto do discurso de Sayed Hassan Nasrallah, Secretário-Geral do Hezbollah
Vídeo legendado e transcrição traduzidos para francês por Sayed Hasan
Traduzido do francês para português pelo pessoal da Vila Vudu

Em seu mais recente discurso, Sayed Hassan Nasrallah evocou longamente a situação no Líbano, assim como na Síria e no Iêmen, dedicando apenas uns poucos minutos à entidade sionista. Em resposta às últimas fanfarronadas dos israelenses, que ameaçaram arrancar de suas casas 1,5 milhão de libaneses em caso de guerra, e destruir o Líbano, Sayed Hassan Nasrallah explica que não passa de guerra psicológica, e que, além do mais, Israel não fez outra coisa em toda sua história, desde que foi inventada, que não fosse arrancar pessoas de suas casas e destruir o que encontre, e não há por que supor que de repente faria diferente. 

De novidade, está do lado da resistência, cada vez mais capaz de infligir desgaste considerável no inimigo, seja contra suas forças armadas seja no front interior de Israel – que será atacado se civis libaneses forem agredidos, e que, sim, arrancará de suas casas milhões de israelenses. A guerra na Síria, que já custou cinco vezes mais mortos ao Hezbollah (vídeo logo abaixo, legendado em francês) que a guerra de 2006 (apesar de tudo, os soldados do Estado Islâmico são menos covardes que os do Estado Judeu), pressagia derrota ainda mais completa para Israel, graças à experiência que o Hezbollah acumula.
Depois da libertação do Qalamoun, virá a libertação da Galileia e do Golan, anunciadas por Sayed Hassan Nasrallah. Virá, inevitavelmente.




Comentário de Norman Finkelstein: O exército de vândalos prepara-se para saquear Roma. Que a paz esteja com o Partido dos Deuses Romanos (para que possa esmagar as hordas bárbaras).


O primeiro ponto concerne ao inimigo israelense
Há alguns dias, pudemos ver, na Palestina ocupada, que o governo inimigo faz manobras no front interno denominadas “Virada Decisiva 8”. O número 8 remete ao fato de que estamos em 2015, e depois da guerra de julho (2006), depois que analisaram a situação, todos em Israel reconheceram unanimemente – unanimemente – ninguém em Israel supõe que Israel tenha vencido aquela guerra.
Claro que, no Líbano, há quem diga que Israel venceu. Mas em Israel não, ninguém supõe que Israel tenha vencido, o país reconhece que fracassaram, que foram vencidos e esmagados, etc. E vocês recordam que organizaram uma Comissão [Winograd] de inquérito, e depois dela descobriram que algo de novo acontecera, que na guerra de julho (2006), alguma coisa de novo entrara na equação, a saber, a entidade inimiga foi atacada no front interior, o qual dali em diante seria alvo conhecido.
Antes, o front interior de Israel era sempre (ou, pelo menos, na maior parte do tempo) preservado das guerras: as guerras israelenses desenrolavam-se (exclusivamente) em nossos territórios. Mas durante a guerra de julho (2006), e depois dela, é claro, ao longo das guerras de Gaza, Israel descobriu que a guerra se desenrolava no território inimigo, o território palestino ocupado pelo inimigo.
Israel viu-se forçada então a fazer exercícios também no front interior: com mísseis caindo sobre Haifa, Telavive, no norte, no centro, no sul, o que teria de ser feito das populações? Como fazer funcionar hospitais, estradas, escolas, lojas, aeroportos, etc.? Daí portanto os exercícios no front interior, para se prepararem.
Na ocasião dessas manobras – claro, há manobras todos os anos, exceto no ano passado, mas houve, esse ano; é possível que não tenha havido manobras ano passado, por causa de divergências quanto ao orçamento. Então, transferiram as manobras para esse ano.
Na ocasião dessas manobras, certo número de responsáveis militares e políticos israelenses fizeram declarações, ameaças, ameaçaram o Líbano. Ameaçaram destruir o país, arrasar, devastar, produzir refugiados em massa. Alguém falou de forçar 1,5 milhão de pessoas a fugir, 1,5 milhão de evacuados, de refugiados. Um milhão de libaneses obrigados a deixar sua região.
Quero comentar essas declarações.
Primeiro, são guerra psicológica “padrão”. Fanfarronadas e guerra psicológica às quais já nos habituamos desde que a entidade inimiga foi inventada. Desde antes de 1948, e depois de 1948, entre as armas desse inimigo, que lhes permitiam vencer povos e exércitos árabes e de toda a região, sempre houve guerra psicológica, fanfarronadas, jactância. Faz parte da guerra e não é novidade. Em primeiro lugar, portanto, não há aí novidade alguma.
Em segundo lugar, Israel declara que vai destruir, devastar, arruinar, fazer e acontecer por aqui, evacuar populações, 1,5 milhão de pessoas... A verdade é que desde que foi inventada, essa entidade caminha sobre mortos, destruição, deslocamento de populações inteiras, devastações, miséria, massacres. Essa é a natureza de Israel. Israel só faz destruir e repetir destruições. Não há novidade.
Claro, é positivo que Israel relembre aos povos da região: “Oh, pessoas, aqui há um inimigo que se chama Israel e cuja natureza é essa, criminosa, que não muda nem tenta mudar, que nem se interessa por ser ou fazer outra coisa que não seja matar. Essa é a natureza agressiva e terrorista que se autodescreve por essas “declarações” e ameaças, sempre as mesmas.
Em terceiro lugar, quero declarar, eu, é a minha vez, aos israelenses: vocês sabem que o mundo mudou. As coisas já não são como foram. A prova está bem aí, nas próprias manobras de vocês: por que, de repente, puseram-se a fazer manobras no front interno, depois da Guerra de Julho (2006)? Porque vocês descobriram que são exército vencido, exército que se pode vencer, que, se a entidade de vocês ataca, há resposta, que atacamos direto no coração e até as extremidades de seu território. E é em relação a essa nova situação que agora, vocês fazem manobras.
Vocês nos ameaçam justamente quando vocês mesmos são obrigados a treinar suas populações dentro do território em que vivem, no front interior. E não há confissão mais completa e incontestável de que a Resistência pode atingir todos esses locais, do que vocês, agora, terem de fazer manobras no front interno!
Em quarto lugar, vivemos novos tempos... Não a partir de hoje, mas desde 2000 e, sobretudo, depois de 2006, e também durante as guerras de Gaza. O tempo em que Israel destruía nossas casas e as dela continuavam intactas já passou. O tempo em que nossa infraestrutura ficava em ruínas, e a de Israel, intacta, já passou. O tempo em que os nossos tornavam-se refugiados e sem teto, enquanto os colonos ocupantes lá permaneciam nas colônias e vilas usurpadas, já passou. Depois de 2006, tudo isso acabou.
Mas o que espera vocês agora é bem pior do que o que conheceram em 2006, nesse plano e também noutros planos. E o digo com toda a clareza a esses israelenses que nos ameaçaram:
Se vocês ameaçam forçar 1,5 milhão de libaneses à evacuação, a Resistência Islâmica no Líbano pode forçar à evacuação milhões de israelenses. Milhões de vocês terão de deixar as próprias casas e serão refugiados. Assim será, se Israel impuser guerra ao Líbano
[Vozes na plateia: “Nasrallah, estamos a teu serviço!”]
Essa é realidade evidente, incontestável, e os dirigentes inimigos a conhecem muito bem. E o povo inimigo também a conhece muito bem.
Por todas essas razões, as palavras ocas, as ameaças vãs, não têm nenhum efeito, nenhum valor.
Israelenses, vocês sabem muito bem que não tememos as guerras de vocês. Se não tememos as guerras, por que temeríamos suas ameaças?!
E se por acaso supõem que estamos ocupados na Síria, no Qalamoun, em torno de Ersal e em outros lugares, se imaginam que essas lutas alteram alguma coisa na equação da guerra contra o inimigo israelense, saibam, e já dissemos mais de uma vez, que nenhum desses eventos muda coisa alguma na nossa prontidão de combate contra Israel. Bem ao contrário. Nossos sucessos e a experiência que estamos adquirindo e acumulando, essas sim, devem preocupar vocês e causar-lhes medo.
Seja como for, aqui declaro aos libaneses, ao povo libanês: Não deem atenção àquelas ameaças. Mas sei bem que elas nada alteram na vontade, na determinação de vocês, nem de perto, nem de longe. Elas são só um item da jactância que é sempre sinal de medo, de inquietação do inimigo.
São também uma das armas de dissuasão que o inimigo usa para tentar fazer frente à Resistência, porque teme a resistência, porque tem medo da Resistência, porque está convencido das capacidades da Resistência, bem mais, até, que certas pessoas (dentre os libaneses e alguns árabe-muçulmanos).
Isso, quanto ao primeiro ponto.
[Continua]

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sayyed Hassan Nasrallah, Secretário-Geral do Hezbollah: Resistência e empenho máximo no combate em todas as frentes


24/5/2015, Al-Manar, Líbano
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Sayyed Hassan Nasrallah no Dia da Liberação
24/5/2015
O Secretário-Geral do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah destaca que a Resistência luta, maximamente empenhada, em todas as frentes. Mas lembrou que, embora o Hezbollah esteja combatendo na Síria, nunca perde de vista Israel.

Falando em gigantesca cerimônia no Dia da Resistência e Libertação, Sayyed Nasrallah falou da urgente necessidade de todas as frentes se unirem no Oriente Médio para destruir o esquema Takfiri, porque, disse Sua Eminência, aquele esquema ameaça toda a região.

Sua Eminência reiterou a importância da interação exército+povo+Resistência, observando que os países da região devem confiar nessa “equação de ouro”.

O líder da Resistência disse que o Hezbollah continuará sua batalha em Qalamoun até que toda a fronteira do Líbano esteja segura. Nesse contexto, Sua Eminência disse que o governo libanês tem de discutir e resolver a questão de Arsal, porque “nosso povo em Bekaa não deixará vivo nenhum militante Takfiri” na cidade fronteiriça.

Ao regime do Bahrain, Sayyed Nasrallah recomendou que atenda as demandas de seu povo, e disse que o ISIL está já em solo do Bahrain. Sua Eminência recomendou aos sauditas que ponham fim à agressão no Iêmen, para facilitar o diálogo político que começa em Genebra nos próximos dias.

A história se repete

Na abertura de sua fala, Sayyed Nasrallah apresentou condolências aos moradores da região saudita de Qatif, onde um suicida-bomba, dois dias antes, matou e feriu vários fiéis que rezavam na Mesquita do Imã Ali (que a paz esteja com ele).

No Dia da Resistência e da Libertação, Sayyed Nasrallah saudou as multidões que resistem, seus mártires, os feridos, todos os combatentes da Resistência e suas famílias. Saudou também os líderes da Resistência, Imam Sayyed Moussa al-Sadr, Sayyed Abbas al-Mousawi, Sheikh Ragheb Harb e Hajj Imad Moughnieh – e os aliados da Resistência, Irã e Síria.

Falando sobre a ocasião, Sayyed Nasrallah disse que o Hezbollah, com outras frentes patrióticas, decidiram-se pela Resistência – mas alguns grupos no Líbano não apoiaram essa decisão.

“Falarei sobre os primeiros estágios da Resistência, porque os eventos aos quais assistimos hoje sugerem circunstâncias semelhantes” – disse Sayyed Nasrallah à multidão que o saudava na cidade de Nabatiyeh.

E continuou:

“Quando o inimigo israelense invadiu o Líbano em 1982, os libaneses discordaram no modo de encarar a invasão. Alguns tinham compreensão clara da ameaça israelense, enquanto outros apostavam na invasão e participaram dos massacres que foram cometidos”.

“Sempre, desde que iniciamos a luta, houve quem duvidasse da dedicação e do patriotismo da Resistência”.

“Três anos depois, a Resistência conseguiu infligir perdas ao inimigo israelense, forçando-o a retirar-se sem condições – lembrou Sayyed Nasrallah, referindo-se à retirada dos israelenses, que tiveram de deixar várias cidades do sul, na guerra de 1985.

Degoladores "takfiris" são apoiados por Israel
Sayyed Nasrallah disse que, depois desses eventos, a Resistência manteve, até 2000, os efeitos daquela retirada humilhante da entidade sionista, que teve de deixar o sul do Líbano. E destacou que, se não tivesse havido resistência, o inimigo israelense teria invadido o Líbano.

“Foi vitória de alguns libaneses, embora tenha sido dedicada a todo o povo libanês”.

Depois de relembrar vários feitos da Resistência, principalmente a Libertação, Sayyed Nasrallah disse que, hoje, o Líbano enfrenta ameaça similar à ameaça israelense: o esquemaTakfiri.

“Hoje, a história se repete. O esquema que hoje ameaça toda a região, povos e exércitos, é o projeto Takfiri, do qual o ISIL é uma amostra”.  

“Infortunadamente, há alguns lados que entendem que os Takfiris não nos ameaçariam. E há os que se mantêm neutros. E também há os que apoiam aqueles Takfiris e apostam neles”.  

Sayyed Nasrallah falou sobre o perigo que são os Takfiris e disse que ninguém está a salvo deles, nem no Líbano nem na região.

“Estamos diante de ameaça sem precedentes. O que fez o ISIL no Iraque e Síria? O que fez até com grupos de sua própria tendência? Em vez de se unirem, eles se combatem e massacram-se uns os outros”.

“Meu conselho para os que estão calados e apostam nos Takfiris é que tenham muito cuidado, porque eles mesmos serão as primeiras vítimas”. Sayyed Nasrallah alertou que “líderes e deputados do movimento Futuro serão as primeiras vítimas dos Takfiris”.

Conclamou também os cristãos a que não se calem ante essa ameaça, sem saber quem os protegerá, quem protegerá suas famílias e igrejas, contra a ameaça Takfiri.

Frente Unida

No mesmo contexto, o líder da Resistência conclamou povos e governos da região a se unirem numa só frente, para lutar contra a ameaça Takfiri.

“Para derrotar os Takfiris, os povos dessa região têm de confiar neles mesmos e unir-se contra o inimigo de todos”.

Sua Eminência disse que “a equação de ouro é exército+povo+Resistência como solução para derrotar a insurgência Takfiri em qualquer país.

Noutro contexto, Sayyed Nasrallah disse que a coalizão chefiada pelos EUA e que estaria operando contra o ISIL no Iraque e Síria não é séria nem confiável para fazer frente ao grupo terrorista. “Os Takfiris movem-se de uma cidade para outra, no Iraque e Síria, sob as vistas de Washington”, disse.

Sua Eminência lembrou que “O número de ataques aéreos da coalizão chefiada pelos EUA ao longo de um ano contra os Takfiris é menor que o número de ataques aéreos de Israel contra o Líbano durante a guerra de julho, em 2006”.

Batalha de Qalamoun

Sobre a batalha que se trava nos terrenos pedregosos de Qalamoun, Sayyed Nasrallah disse que o Hezbollah prossegue nessa operação, mas que é errado apresentar a batalha contra os Takfiris em Qalamoun como batalha do Hezbollah.

Qalamoun, Líbano - localização geográfica
“Essa é batalha do governo” – destacou o Secretário-Geral do Hezbollah.

“A batalha nas áreas de Qalamoun continuará, até que as fronteiras do Líbano estejam seguras” – disse Sua Eminência, observando que a questão da cidade fronteiriça de Arsal, que tem sido considerada fortaleza dos Takfiris, deve ser discutida no Gabinete libanês.

“É responsabilidade do governo resolver essa questão. (...) O Ministro do Interior [Nouhad Mashnouq] diz que se trata de cidade ocupada. O governo que desocupe e retome a cidade”. Dirigindo-se aos representantes do movimento Futura, Nasrallah aconselhou-os a “não deixar de discutir no Gabinete a situação de Arsal”.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Sayyed Nasrallah: “Estamos no coração da batalha de Qalamoun. Se o Estado não assumir suas responsabilidades, o povo as assumirá”


16/5/2015, Zeinab Essaal-Ahed News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Hassan Nasrallah em 16/5/2015
O secretário-geral do Hezbollah, Sua Eminência Sayyed Hassan Nasrallah, falou sábado pela televisão libanesa, e tratou de vários tópicos internos e regionais, sobretudo das vitórias da Resistência em Qalamoun.

Na abertura de sua fala, Sua Eminência desmentiu todos os rumores mentirosos sobre seu estado de saúde. Disse que os boatos vêm no contexto da guerra psicológica contra a Resistência e seu povo.

Nova Nakba...

Sayyed Nasrallah disse que al-Nakba nos faz pensar imediatamente na Palestina ocupada, nos milhares de palestinos deslocados em 1976 e no estabelecimento da atual situação dos sionistas que conspiraram contra e atacaram todos os países em torno, incluindo Líbano, Síria, Egito e outros.

Convocou o mundo árabe e muçulmano a

(...) estudar as causas da Nakba e a identificar as responsabilidades, para que as gerações contemporâneas aprendam com a experiência passada, que incluiu as lutas honradas dos mujahidin e dos mártires e também os que traíram a própria nação para servir a interesses privados.

Na sequência, Sayyed Nasrallah alertou que a nação árabe e muçulmana enfrenta hoje uma nova Nakba:

No Líbano, na Síria, Iraque e em todo o mundo árabe e muçulmano onde hátakfiris, haverá uma nova Nakba.

Sua Eminência conclamou a que enfrentemos o novo projeto takfiri dos EUA, que criará uma nova Nakba e visa a segmentar nossa nação muçulmana.

Aconselhou a nação a aprender as lições do passado e que todos os lados têm de assumir suas responsabilidades na luta contra o projeto takfiri dos norte-americanos, que quer produzir uma Nakba ainda maior.

Nakba dos militantes takfiris foi trazida pela primeira vez à região pelo projeto sionista britânico. Agora que a traz é o projeto sionista takfiri norte-americano, e os EUA o usam para enfraquecer a nação muçulmana, dividi-la em pedaços e assumir o controle de nossas capacidades – disse Nasrallah.

No coração de Qalamoun. A vitória está próxima

Qalamoun, divisa com a Síria
Passando a tratar de alguns aspectos dos sucessos da Resistência em Qalamoun, Sayyed Nasrallah destacou que:

(...) o exército sírio, apoiado por outras forças sírias das cidades e vilas de Qalamoun, e o Hizbullah são uma única equipe. A equipe adversária é a Frente al-Nusra e o ISIL – disse Sua Eminência. A batalha de Qalamoun está sendo travada em áreas localizadas até a 2.500m acima do nível do mar. Já tivemos várias batalhas em Qalamoun, com derrota para os grupos adversários armados.

Sua Eminência anunciou que a Resistência continua no centro da batalha de Qalamoun. Observou também que a tomada dos postos terroristas em Qalamoun foi importante para garantir a segurança da rodovia Damasco-Homs e cidades libanesas de fronteira, lembrando as centenas de foguetes disparados da Síria, por grupos armados, contra o Líbano, ao longo de vários anos.

Não estou dizendo que a região esteja em total segurança, porque ainda há militantes nos arredores de Arsal – disse Nasrallah, que continuou – e enquanto estiverem nos arredores de Arsal e de outras áreas remanescentes de Qalamoun, não posso falar de segurança completa.

Para Sayyed Nasrallah,

(...) uma das consequências diretas da batalha de Qalamoun é impor forte derrota aos terroristas e obrigá-los a fugir da áreas onde houve combates. Com isso, foram reconquistados 300 km2 dos territórios libanês e sírio.
Os grupos armados sofreram grave derrota e retiraram-se de todas as áreas onde houve combates. As bases que deixaram para trás foram destruídas.

Sua Eminência disse também que

(...) os arredores de Assal al-Wared, al-Jebbeh e Flita foram conectados aos arredores de Baalbek, Nahleh e Younine.

As maiores fontes financeiras para grupos armados estão no Líbano, apesar de todas as medidas tomadas pelo exército libanês – salientou Nasrallah.

O líder da Resistência disse que residentes do Vale do Bekaa no Líbano, especialmente moradores de Baalbek e Hermel, não admitirão a presença de terroristas nos arredores de suas vilas e cidades.

Nasrallah previu que:

Se o Estado não assumir a responsabilidade de dar segurança a essas cidades, os moradores do Bekaa assumirão eles mesmos a própria segurança.

Enquanto isso, reiterou,

(...) é nosso direito e direito dos cidadãos de Baalbek e Hermel esperar pelo dia em que não haja nem um único terrorista nas áreas próximas da fronteira libanesa.

Nesse contexto, Sayyed Nasrallah garantiu que a Resistência está em combate contra os extremistas, e manifestou otimismo de que dia vira quando não haverá mais terroristas no Líbano, nem nas áreas de fronteira.

Parem de inventar brigas com o Exército Libanês

Exército libanês desloca-se para Qalamoun
Mas, segundo Sua Eminência,

(...) certas forças políticas libanesas lançaram campanha de propaganda de intimidação antes e depois da batalha de Qalamoun. Perdem tempo, porque nada conseguirá enfraquecer a determinação da Resistência.

Sua Eminência desmentiu também comentários segundo os quais o Hezbollah estaria tentando envolver o Exército Libanês na batalha de Qalamoun.

A Resistência aprecia e respeita o Exército Libanês e sua liderança, e tem cuidado para mantê-lo longe de qualquer conflito em Qalamoun – disse ele, garantindo que enquanto houver terroristas nos arredores de Arsal e em áreas remanescentes de Qalamoun não podemos dizer que a segurança seja completa.  
Os que sequestraram e mataram soldados do exército libanês, que assaltaram postos militares e áreas residenciais no Bekaa, detonaram carros bombas em diferentes áreas do Líbano e ocuparam fatias de territórios libaneses em Arsal são terroristas.

Aos que têm defendido os chamados “rebeldes”, Sayyed Nasrallah enviou mensagem clara:

Se a referência política daqueles grupos é a Arábia Saudita, Frente Nusra e o “ISIL”, e as cortes libanesas bem como a comunidade internacional consideram-nos terroristas, por que há forças políticas legais no Líbano que lhes dão apoio?

Respondendo a notícias fortemente exageradas, divulgadas pela mídia, sobre o número de mártires na batalha de Qalamoun, Sayyed Nasrallah revelou que

(...) até aqui, foram martirizados 13 combatentes do Hezbollah membros da Resistência Mujahideen. E o Exército Sírio e as unidades da mobilização de resistência popular síria somados, perderam sete combatentes.
Em Qalamoun, misturaram-se o sangue sírio e o sangue libanês, no combate contra os grupos takfiri. [...]

“A situação no Bahrain é miserável”

No plano regional, Sayyed Nasrallah informou que a situação dos prisioneiros nas cadeias e prisões no Bahrein é miserável.

A situação nas prisões no Bahrain é muito difícil, não só no que tenha a ver com desrespeito aos direitos humanos mais básicos. O que está acontecendo lá é terrível, e é consequência do silêncio internacional – disse o Secretário-Geral do Hezbollah. – Os bahrainis têm de encontrar forças e resistir contra o regime opressor e o silêncio da comunidade internacional.  

Os crimes dos sauditas

Arabia Saudita bombardeia áreas civis no Iêmen
Sobre a agressão ao Iêmen comandada por EUA-sauditas, Sua Eminência repetiu a condenação contra a brutalidade dos atacantes, destacando que nem com toda a violência conseguiram alcançar qualquer dos seus objetivos:

Riad só obtém fracasso sobre fracasso. A agressão não alcançou seus objetivos, fracassou em todos os objetivos que trazia: “a agressão pelos sauditas só consegue assassinar, destruir, brutalizar e destruir locais sagrados.

Sayyed Nasrallah disse que:

(...) nem os criminosos e bárbaros sionistas destruíram os locais sagrados. Os sauditas não respeitam nenhum limite.

Sua Eminência observou que a guerra dos sauditas é a comprovação de que o Irã é o principal aliado dos iemenitas, e que todos os países da coalizão saudita são inimigos do Iêmen. Na conclusão, Sayyed Nasrallah conclamou a nação libanesa a envidar todos os esforços ao seu alcance, para pôr fim à agressão saudita contra o Iêmen.