Mostrando postagens com marcador Presstitute. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Presstitute. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Paul Craig Roberts: “A PRESSTITUTA dos EUA, desprezível e covarde”


Sempre que Washington e sua PRESSTITUTA falam, mentem


5/2/2015, [*] Paul Craig Roberts − Institute for Political Economy
Tradução: mberublue


Nota da redecastorphoto: No Brasil a PRESSTITUTA dos EUA é reapresentada e servilmente REACANALHADA pelo Grupo GAFE (Globo, Abril, Folha de SP e Estadão) e seus repetidores, que só fazem TRADUZIR, COPIAR & COLAR incansavelmente as mesmas MENTIRAS sem sequer se dar ao trabalho de reinterpretá-las.


As PRESSTITUTAS!
Fevereiro de 2015, dia 5. Existe uma confusão alvoroçada, um bafafá em andamento que versa sobre um jornalista norte−americano o qual contou uma história sobre estar em um helicóptero numa zona de guerra. O helicóptero teria sido atingido e foi obrigado a pousar. Não sei qual zona de guerra. Os Estados Unidos tem andado tão ocupados criando várias zonas de guerra mundo afora que há certa dificuldade em manter-se atualizado sobre todas elas, e como vocês verão, não estou interessado na história em si mesma.

Ocorre que o tal jornalista pode ter lembrado os acontecimentos de forma incorreta. Ele realmente estava em um helicóptero numa zona de guerra, mas a máquina não foi atingida nem teve que pousar. O jornalista foi acusado de ter mentido na esperança de apresentar-se como “mais experiente do que realmente é”.

O jornalista tem colegas que também trabalham na PRESSTITUTA e eles caíram para cima dele cheios de acusações. Ele teve até que pedir desculpas para as tropas. Não ficou bem claro de quais tropas estamos falando. A exigência norte−americana de que todos se desculpem por cada palavra dita me traz lembranças da antiga União Soviética, onde, conforme alegado (realidade ou não) por anticomunistas, os cidadãos soviéticos eram obrigados a criticar a si mesmos.

A National Public Radio (2/5/2015), achou que tudo isso era tão importante que o programa até tocou uma gravação do jornalista contanto a história. Para mim, parece uma boa história. A audiência do programa gostou e riu muito. O jornalista não se gabou de nenhum heroísmo de sua parte, nem se queixou de qualquer falha por parte da tripulação do helicóptero. Afinal, é normal que helicópteros caiam em zonas de guerra.

Estabelecendo que o jornalista tinha dito que o helicóptero fora atingido quando na realidade isso não se deu, a National Public Radio levou ao programa um psicanalista da Universidade da Carolina, Irvine, que seria um expert em “falsa memória”. O especialista então listou várias razões que podem levar alguém a ter falsas memórias, frisando o ponto de que não é assim tão incomum e que o jornalista muito provavelmente não passa de mais um exemplo. Porém a NPR fazia ainda questão de saber se não era possível ter o jornalista mentido para parecer um ótimo profissional. Não foi explicado porque estar em um helicóptero caindo faz um jornalista parecer ótimo, mas poucos trabalhadores na PRESSTITUTA quiseram cavar tão fundo na questão.


ESCREVEMOS O QUE VOCÊ DISSER!
GRATOS, IMPRENSA-EMPRESA
Nós jamais controlaríamos o povo sem vocês
Uma mensagem do Ministério de Segurança Interna

Agora, vamos ao que interessa. Eu estava ouvindo tudo isso enquanto dirigia, porque é menos deprimente ouvir a propaganda enganosa da NPR que ouvir os pregadores cristãos/sionistas. Na hora anterior a NPR apresentava a seus ouvintes três reportagens sobre a morte de civis nas províncias separatistas do leste e do sul ucraniano. Quando ouvi a reportagem pela primeira vez, a NPR PRESSTITUTA relatava como um hospital havia sido atingido por explosivos, matando cinco pessoas na República separatista de Donetsk. A PRESSTITUTA não relatou que esse feito seria responsabilidade das forças ucranianas (junta de Kiev), sugerindo em vez disso que poderia ser obra dos “rebeldes apoiados pela Rússia”. Não foi oferecida qualquer explicação quanto aos motivos que levariam os rebeldes a atacar seu próprio hospital. A impressão que ficou, para aquela pequena percentagem de norte−americanos que ainda sabem pensar, é a de que a PRESSTITUTA não tem permissão para dizer que os ucranianos apoiados por Washington atacaram um hospital.

Em todas as três reportagens o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, foi ouvido, transmitindo-se sua afirmação de que os EUA estão procurando uma solução pacífica e diplomática, mas os russos estariam bloqueando estas tentativas através do envio de colunas de tanques e tropas para dentro da Ucrânia. Na viagem de volta, ouvi por mais três vezes Kerry afirmando, através da NPR, a alegação acusatória sem pés nem cabeça sobre as tropas e os tanques russos a derramar-se pela Ucrânia. Claramente, a NPR não passa de mais uma voz a serviço da PROPAGANDA ENGANOSA sobre a Rússia invadindo a Ucrânia.

Pense um pouco sobre isso. Temos ouvido de altos funcionários do governo dos Estados Unidos, e até do presidente por meses e meses sobre as colunas de tanques russos e das inumeráveis tropas russas entrando na Ucrânia. O governo russo nega essas acusações com firmeza, mas é claro que não podemos acreditar em nada que os russos dizem, porque não podemos acreditar no que dizem os russos demonizados. Não temos permissão para acreditar neles, porque eles foram posicionados como inimigos, e os bons e patrióticos norte−americanos jamais acreditam nos inimigos.

Mentiroso Patológico
Mas... como podemos ajudar mesmo acreditando nos russos? Se é verdade a alegação de que todas essas tropas e tanques russos realmente invadiram a Ucrânia, o governo fantoche em Kiev já teria caído desde o ano passado e o conflito estaria terminado. Qualquer um que tenha um cérebro sabe disso.

Pronto. Agora chegamos ao meu ponto. Um jornalista qualquer contou uma história inofensiva e quase foi queimado vivo, forçado a pedir desculpas para as tropas por ter mentido. No meio de todo esse bafafá, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, o Presidente dos Estados Unidos, inúmeros senadores, autoridades do Poder Executivo e a PRESSTITUTA relataram repetidamente por meses após meses que colunas de tanques e tropas russas estavam entrando na Ucrânia. Ainda assim, apesar de todas essas forças russas, os civis das províncias separatistas do leste e sul ucranianos ainda continuam a ser massacrados pelo governo fantoche que os EUA instalaram em Kiev.

Se as tropas e tanques russos são assim tão inoperantes, ineficientes, por que os comandantes da OTAN e os neoconservadores belicistas alertam sobre o terrível perigo que a Rússia representa para os países Bálticos, Polônia e Leste Europeu?

Isso não faz o menor sentido, é ou não é?

Pois bem. A questão é a seguinte: por que está a PRESSTITUTA toda em cima de um jornalista infeliz em vez de responsabilizar os Grande Mentirosos, John Kerry e Barack Obama?

A resposta é: não haverá custo para a PRESSTITUTA ao destruir um qualquer, seja lá porque razão, mesmo que apenas para se divertir, como um “atirador americano” (American Sniper, referência ao filme lançado recentemente- NT), que mata pessoas por diversão sua e de amigos, mas eles seriam botados no olho da rua se apontassem para a responsabilidade de Obama ou Kerry, e sabem disso. Mas eles têm que chamar a atenção, mesmo que seja devorando-se uns aos outros.

Não há possibilidade da existência de uma democracia sem uma mídia honesta. A democracia nos EUA não passa de uma fachada, por trás da qual se operam todas as maldades a que se inclina a humanidade. Pelos últimos 14 anos o povo norte−americano apoiou governos dos EUA que invadiram, bombardearam, ou atacaram com drones sete países, matando, mutilando e deslocando milhões de pessoas sem nenhuma outra razão que a busca de lucro e poder hegemônico. Apesar disso, não há o menor sinal de que isso tenha tirado o sono ou deixado com um peso na consciência qualquer norte−americano.

Quando Washington não está bombardeando e matando, está conspirando para derrubar governos reformistas, como aconteceu com o governo hondurenho que o governo Obama derrubou, e os governos da Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina, que o governo Obama está atualmente tentando derrubar. Não se esqueçam, é claro, do governo democraticamente eleito da Ucrânia que foi vencido pelo golpe de estado de Washington.

O novo governo grego, assim como o próprio Putin, estão na mira.

As PRESSTITUTAS nos EUA
Washington e sua PRESSTITUTA servil para justificar tudo assinalaram o governo ucraniano eleito que foi derrubado por um golpe de Washington como uma “ditadura corrupta”. O governo colocado em seu lugar consiste em uma combinação de fantoches de Washington e neonazistas que fazem questão de ostentar em suas forças militares insígnias nazistas. Mas é claro que a PRESSTITUTA americana esmera-se em não notar as insígnias nazistas.

Pare um pouco e pergunte a si mesmo porque um episódio insignificante como a mentira de um jornalista qualquer merece um estardalhaço da mídia americana enquanto as flagrantes, extraordinárias, descaradas e nuas mentiras de Kerry e Obama são olimpicamente ignoradas pela PRESSTITUTA?

Talvez você tenha esquecido o quanto são eficientes as forças militares russas. Rebusque na memória e lembre qual foi o destino do exército da Geórgia, treinado e equipado por Israel e Estados Unidos e que Washington atiçou na Ossétia do Sul. A invasão perpetrada pela Geórgia na Ossétia do Sul acabou por resultar em mortes de soldados russos de forças de paz e de cidadãos russos. Os militares russos intervieram e em cinco horas derrotaram inapelavelmente o exército georgiano, treinado e equipado pelos Estados Unidos e Israel. Nesse momento, toda a Geórgia estava nas mãos do exército russo, que recuou assim mesmo, mantendo a independência da antiga província da Rússia, apesar das mentiras de Washington, de que Putin pretendia restaurar o Império Soviético.

A única conclusão a que deve chegar qualquer cidadão norte−americano é que cada declaração do governo americano replicada pela mídia PRESSTITUTA é uma mentira ignóbil, que serve apenas para uma agenda secreta que os norte−americanos não apoiariam, se dela tivessem conhecimento.

Sempre que Washington ou sua PRESSTITUTA falam, mentem.

Nota do tradutor

[1] PRESSTITUTE é neologismo criado por Gerald Celente, através da união das palavras “press” (imprensa) e “prostitute” (prostituta), usado largamente entre articulistas para designar a mídia (imprensa-empresa) norte−americana, em sua maioria cooptada pela propaganda enganosa de Washington. Vários tradutores brasileiros a traduzem como “PRESSTITUTA”.



[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Paul Craig Roberts − A Rússia na Alça de Mira

26/1/2015, [*] Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy
Traduzido por Mberublue


O tempo na Rússia de hoje...
Os ataques desfechados por Washington contra a Rússia já ultrapassaram os limites do absurdo e adentraram no reino da loucura.

O novo chefe do Broadcasting Board of Governors (BBG – uma agência federal independente, responsável, entre outras coisas, pela Voz da América e pela comunicação social do governo dos EUA – NT), Andrew Lack, declarou que o novo serviço de noticiário russo, Russia Today−RT, que transmite em múltiplas línguas, é uma organização terrorista equivalente ao Boko Haram ou o Estado Islâmico, e a Standard and Poor’s acaba de rebaixar a nota de crédito da Rússia para a categoria “lixo”.

Hoje, a RT me entrevistou sobre esses desenvolvimentos insanos.

Andrew Lack
Antigamente, quando os Estados Unidos ainda eram um país são, a acusação de Lack faria com que fosse expulso de seu gabinete, coberto de ridículo. Ele teria sido obrigado a renunciar e a desaparecer da vida pública. Hoje, no mundo de faz de conta que a propaganda ocidental criou, suas afirmações são levadas a sério. Assim, outra ameaça terrorista foi identificada – a RT (embora tanto o Boko Haram como o Estado Islâmico promovam o terror, estritamente falando eles são organizações políticas procurando estabelecer um Estado, e não organizações para o terror, mas esta distinção está além da capacidade de compreensão de Lack. Sim, eu sei. Há uma piada feita aqui, tentando entender o que falta a Lack. Nome apropriado, etc...) (o autor faz uma brincadeira com o nome de Andrew Lack. Ocorre que lack é a palavra inglesa para falta, escassez. Então, para Lack, falta [lack] inteligência- NT).

Contudo, seja lá o que for que falte a Lack, duvido que ele mesmo acredite nas suas declarações sem qualquer senso, sobre ser a RT uma organização terrorista. Nesse caso, o que pretende?

A resposta é que, ao se tornar a mídia comprada (no original, presstitute media – junção de prostitute [prostituta] e press [imprensa] − NT) o “Ministério da Propaganda” para Washington, criou um enorme mercado para RT, Press TV e Al Jazeera. Na medida em que mais e mais pessoas mundo afora migram para essas fontes mais confiáveis e honestas, a capacidade de Washington para fabricar explicações convenientes (e falsas – NT) diminuiu.


Imprensa-empresa (MÍDIA) ocidental
A RT, particularmente, tem uma enorme audiência. O contraste violento entre as reportagens verdadeiras da RT e as mentiras vomitadas pela mídia norte americana solapou a capacidade de auto explicação de Washington. Tal imposição não é mais possível.

Lack mandou uma mensagem nada sutil para a RT: fique esperta; pare com essas reportagens que colocam em dúvida nossas afirmações; pare de contestar os fatos da forma como colocados por Washington e pela mídia comprada; tome jeito, senão...

Em outras palavras a “liberdade de expressão” de Washington e de seus estados vassalos, União Europeia, Canadá e Austrália tem o seguinte significado: liberdade de expressão para a propaganda e as mentiras de Washington, mas não para qualquer verdade. Verdade é terrorismo, porque a verdade é a maior ameaça para Washington.

Na verdade, Washington quer evitar o embaraço de fechar a RT, como seu vassalo Reino Unido fez com a Press TV. Em vez disso, quer simplesmente calar a RT. A mensagem de Lack para a RT é: auto censura.

Em minha opinião, a RT já suaviza os fatos em suas coberturas e reportagens, assim como o faz a Al Jazeera. As duas organizações já entenderam que não podem ser muito francas, pelo menos não frequentemente ou em certas ocasiões.

Sempre me pergunto por que o governo russo permite que cerca de 20% da mídia russa funcione como uma quinta coluna de Washington dentro da Rússia. Suspeito que a razão possa ser a esperança russa de que tolerando a propaganda flagrante de Washington na Rússia, alguma informação factual possa ser exposta nos Estados Unidos, via RT ou outras organizações russas de notícias.

Tal esperança, como outras aspirações russas em relação ao ocidente, muito provavelmente se transformará em decepção no final. Caso a RT seja ou fechada ou assimilada pela mídia comprada por Washington, nada se dirá quanto a este fato, mas se a Rússia fechar qualquer dos agentes de Washington em seu próprio território, todos mentirosos contumazes, que estão presentes na mídia russa, ouviremos ad nauseam sobre os russos demoníacos que tem a audácia de não permitir a “livre expressão”. Lembrem-se, a única “liberdade de expressão” permitida é a propaganda de Washington.

Apenas o correr do tempo dirá se a RT decidirá fechar por dizer a verdade ou se acabará por aderir ao coro abjeto da propaganda de Washington.

O outro item da entrevista foi sobre o rebaixamento da nota de crédito russa para a categoria “lixo”.

Agências ocidentais de classificação de risco 
O rebaixamento da nota pela Standard and Poor’s foi, sem nenhuma dúvida, um ato político. Esta é a prova do que já sabíamos, que seja: as empresas de notação de crédito americanas são empresas políticas, que promovem operações políticas corruptas. Lembram-se do grau de investimento que essas agências de notação norte americanas deram para créditos de risco (subprime) que eram obviamente nada mais que lixo? Essas agências de notação de crédito são pagas por Wall Street e como Wall Street, elas servem ao governo dos Estados Unidos.

Basta olhar para os fatos para perceber a natureza política da decisão. Mas é inútil esperar que a imprensa financeira corrupta dos Estados Unidos esclareça os fatos. Mas nós, sim, podemos lançar um olhar honesto para os fatos.

Pois então vamos colocar os fatos em um contexto que inclua a situação do débito dos Estados Unidos.

De acordo com os índices disponíveis online, o débito nacional russo equivale a 11% (onze por cento) do PIB russo. O débito nacional dos Estados Unidos está numa porcentagem de 105% (cento e cinco por cento) do PIB norte americano, cerca de dez vezes superior, percentualmente, ao débito russo. Meus coautores Dave Kranzler, John Williams e eu mesmo, temos demonstrado que, medida corretamente, a percentagem da divida norte americana em relação ao PIB dos EUA é muito maior que o número oficial do governo.

Per capita, a dívida nacional russa é de 1.645 dólares. A dívida nacional per capita dos Estados Unidos é de 56.952 dólares.

No total, a dívida nacional da Rússia é de 235 bilhões de dólares, menos que um quarto de trilhão, O tamanho da dívida nacional dos Estados Unidos é de 18 trilhões, 76,6 vezes maior que o débito russo.

Colocando esses dados em perspectiva: de acordo com os índices de débito, o PIB dos Estados Unidos é de 17.3 trilhões de dólares e o PIB da Rússia é de 2,1 trilhões. Então, o PIB dos EUA é oito vezes maior que o PÌB russo, mas a dívida nacional dos Estados Unidos é 76,6 vezes maior que a dívida russa.

Claro como água é o fato de que a notação de crédito dos Estados Unidos é que deveria ser rebaixada à categoria lixo. Mas não é o que acontece.

Qualquer agência de notação de crédito que tivesse a coragem de dizer a verdade seria imediatamente fechada e processada, e não importaria muito sob que acusações, por absurdas que fossem. As agências de crédito seriam então incriminadas como antiamericanas, como organizações terroristas tal qual a RT, etc. e assim por diante. E elas sabem disso. Nunca espere a verdade de um cidadão de Wall Street. Eles mentem para sobreviver.

Detalhe da Catedral de São Basílio, Moscou
De acordo com o site How Stuff Works, no postado Top 10 Countries the U.S. Owes Money To,  a partir de janeiro de 2013 os Estados Unidos devem para a Rússia 162,9 bilhões de dólares. Como a dívida russa é de 235 bilhões, 69 por cento da dívida russa está garantida pelas obrigações da dívida norte americana com a Rússia.

Se esta é a crise russa, eu sou Alexandre, o Grande.

Como a Rússia tem dólares suficientes para pagar toda a dívida nacional e ainda sobram cerca de 200 bilhões de dólares, qual é afinal o problema da Rússia?

Um de seus problemas é seu Banco Central. Em sua maior parte, os economistas russos são iguais aos incompetentes neoliberais que pululam por todo o mundo ocidental. Os economistas russos estão apaixonados por seus contatos com o ocidente “superior” e com o prestígio que eles imaginam que esses contatos lhes dão. Desde que os economistas russos concordem com os economistas ocidentais, continuarão a ser convidados para conferências no exterior. Os economistas russos são na realidade agentes de Washington, compreendam ou não esse fato.

No momento, o Banco Central russo está desperdiçando o grande acervo russo de reservas em moeda estrangeira, em apoio ao ataque do ocidente ao rublo. Este é um jogo de tolos que nenhum Banco Central deveria jogar. O Banco Central da Rússia deve lembrar, ou aprender se por acaso não souber, sobre o ataque de Soros ao Banco da Inglaterra.

A reserva cambial da Rússia deve ser usada para quitar toda a dívida nacional da Rússia, tornando-a, desta forma, o único país no mundo a não ter uma dívida nacional. Os dólares remanescentes deveriam ser despejados em ações coordenadas com a China para destruir o dólar americano, base do poder imperial de Washington.

Edifício do Banco Central da Rússia
Alternativamente, o governo russo poderia simplesmente anunciar que a resposta à guerra econômica conduzida contra a Rússia pelo governo de Washington e as agências de notação de crédito de Wall Street seria o incumprimento dos empréstimos russos junto aos credores ocidentais. Afinal, a Rússia nada tem a perder, pois já foi cortada do acesso ao crédito ocidental pelas sanções impostas pelos Estados Unidos. O default russo causaria consternação e crise em todo o sistema bancário europeu, o que é exatamente o que a Rússia quer, no intento de parar com o apoio da Europa às sanções impostas por Washington.

Em minha opinião, os economistas neoliberais que controlam a economia russa são uma ameaça bem maior à soberania russa que as sanções econômicas e as bases de mísseis dos Estados Unidos. Para sobreviver a Washington, a Rússia precisa desesperadamente de pessoas que não tenham uma visão romantizada do ocidente.

Nomi Prins
Dramatizando a situação, caso o presidente Putin me concedesse a cidadania russa e permitisse que Michael Hudson e Nomi Prins fossem nomeados como meus adjuntos, eu assumiria o Banco Central russo e imediatamente colocaria o ocidente fora de suas operações.

Mas isso exigiria que a Rússia assumisse alguns riscos para vencer. Os atlanticistas integracionistas dentro do governo russo querem a vitória do ocidente, não a da Rússia. Um país infiltrado com traidores dentro de seu próprio governo tem reduzidas chances contra Washington, um jogador determinado.

Outra quinta coluna que opera nas entranhas da Rússia são as ONGs financiadas pela Alemanha e pelos Estados Unidos. Os agentes norte americanos se mascaram como “organizações de direitos humanos” ou “organizações do direito das mulheres” e ainda “organizações para a democracia” e qualquer outro título grandiloquente que caia como uma luva nestes tempos do politicamente correto e que sejam incontestáveis.

Contudo, outra ameaça para a Rússia vem da grande percentagem de jovens russos que desejam ardentemente participar da cultura depravada do ocidente. Sexo licencioso, pornografia, drogas, egoísmo. Estes são os produtos culturais oferecidos pelo ocidente. Além, é claro, da possibilidade de matar muçulmanos.

Se o que os russos querem é poder matar pessoas apenas para se divertir e solidificar a hegemonia dos Estados Unidos sobre si mesmos e o mundo inteiro, podem então apoiar a “integração atlanticista” e dar as costas ao nacionalismo russo. Por que ser russo se você pode ser um servo dos americanos?

Quer resultado melhor para os neoconservadores norte americanos que ter o apoio da Rússia para a hegemonia mundial incontestável de Washington? Pois é isto que os economistas neoliberais russos e os “Integracionistas Europeus” anelam. Os neoliberais russos estão dispostos a ser lacaios dos Estados Unidos para fazer parte do ocidente, e receber a régia recompensa por sua traição abjeta.

Mídia dos EUA

Quando fui entrevistado sobre esses desenvolvimentos pela RT, o âncora do telejornal estava tentando enfrentar as acusações de Washington apresentando fatos. É espantoso constatar que os jornalistas russos não percebem que “fatos” nada tem a ver com tudo isso. Os jornalistas russos, pelo menos aqueles independentes dos subornos e propinas americanas, imaginam que os fatos tem alguma importância nos conflitos da mídia sobre as ações da Rússia. Eles pensam, por exemplo, que os ataques contra civis, praticados pelos nazistas ucranianos apoiados por Washington é um fato. Claro que é, mas tal fato simplesmente não existe na mídia ocidental. Para esta, os russos e apenas os russos são os responsáveis por toda e qualquer violência na Ucrânia.

A história sustentada por Washington é a de que Putin, esse terrível e maldoso personagem, está tentando nada menos que a restauração do Império Soviético, e que esta é a causa do conflito. A linha seguida pela mídia americana nada tem a ver com os fatos.


A Rússia está, em minha opinião, correndo grave perigo. Os russos confiam nos fatos e Washington confia na propaganda mentirosa. Para Washington, os fatos não importam. As vozes do ocidente abafam completamente a voz da Rússia.

A falta de uma voz russa se deve apenas a ela mesma. A Rússia aceitou viver em um mundo no qual as finanças, as leis e as telecomunicações são inteiramente dominadas pelos Estados Unidos. Viver neste mundo significa que a única voz a ser ouvida é a de Washington.

O motivo pelo qual a Rússia acedeu a esta estratégia permanece um completo mistério, mas com certeza isso foi o resultado de um fatal erro estratégico, que colocou a Rússia em desvantagem.

ONGs dos EUA que atuam na Rússia
(clique na imagem para aumentar)
Considerando as infiltrações que Washington tem promovido dentro do próprio governo russo, os oligarcas economicamente poderosos e os funcionários estatais com conexões com o ocidente, assim como a mídia e a juventude russa com suas centenas de ONGs financiadas pelos Estados Unidos ou pela Alemanha, que podem a qualquer momento colocar os próprios russos nas ruas para protestar contra qualquer defesa tentada pelo país, é duvidoso que a Rússia possa no futuro manter qualquer soberania, ou sequer ter um futuro.

Os neocons norte americanos são implacáveis. Seu oponente russo está enfraquecido pela propaganda que Washington, que coloca os Estados Unidos como salvador da humanidade e de seu futuro em um mundo outra vez ameaçado pela guerra fria.

A escuridão do Sauron Americano continua a ser espalhada sobre o mundo inteiro.


[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

domingo, 20 de julho de 2014

O que aconteceu ao avião da Malaysia Airlines?

19/7/2014, [*] Paul Craig Roberts − Institute for Political Economy
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Dado que Washington, Kiev e a imprensa-empresa press-tituta [orig. presstitute] também estão obrando na propaganda de que Putin “é culpado”, ninguém encontrará na mídia norte-americana qualquer informação aproveitável. Teremos de procurar e de construir nós mesmos nossa própria informação aproveitável. Paul Craig Roberts


1ª página do NYTimes de 18/7/2014 já informa que o voo MH17 foi derrubado por míssil (como?)
A máquina de propaganda de Washington está trabalhando em tão alta rotação, que há risco de perdermos os dados e fatos comprovados que já temos.

Um desses fatos é que os federalistas não têm os caros sistemas de mísseis antiaéreos Buk ou não têm pessoal treinado para operá-los.

Outro fato é que os federalistas não têm incentivo ou motivo para, ou interesse em, derrubar avião de passageiros; a Rússia tampouco. Qualquer um sabe ver a diferença em um avião de combate voando baixo e um avião de passageiros a 33 mil pés de altura.

Os ucranianos têm sistemas Buk de mísseis antiaéreos, e uma bateria Buk estava operacional na região e localizada em ponto do qual poderia ter disparado um míssil contra o avião.

Assim como os federalistas e o governo russo não têm incentivo nem motivo para derrubar avião de passageiros, tampouco os tem o governo ucraniano; e, de fato, nem os ensandecidos nacionalistas extremistas ucranianos que formaram milícias para fazer as lutas contra os federalistas que o governo ucraniano não têm interesse em fazer. A menos que haja aí um plano para culpar a Rússia.

Um general russo que conhece o sistema de armas apresentou sua opinião, de que foi erro cometido por militares ucranianos não treinados para usar aquela arma. O general disse que, embora a Ucrânia tenha algumas armas, os ucranianos não foram treinados para usá-las nesses 23 anos desde que a Ucrânia separou-se da Rússia. O general acredita que tenha sido um acidente devido à incompetência.

Sistema de mísseis Buk do exército ucraniano
Essa explicação faz algum certo sentido e com certeza faz muito mais sentido que a propaganda de Washington. O problema com a explicação do general é que não explica por que o sistema Buk de mísseis antiaéreos foi posto próximo de, ou dentro de, território dos federalistas. Os federalistas não têm força aérea. Parece estranho que a Ucrânia mantivesse um caríssimo sistema de mísseis em área na qual não teria uso militar – e em posição na qual poderia ser capturado pelos federalistas.

Como Washington, Kiev e a imprensa-empresa press-tituta [orig. presstitute] também estão obrando na propaganda de que Putin é culpado, ninguém encontrará na mídia norte-americana qualquer informação aproveitável. Teremos de procurar e de construir nós mesmos nossa própria informação aproveitável.

Um modo de fazer isso é perguntar: por que aquele sistema de mísseis estava onde estava? Por que pôr em risco um caríssimo sistema de mísseis, pondo-o num ambiente conflagrado, no qual não teria nenhuma serventia? Incompetência, sim, é uma das respostas; outra resposta é que o sistema de mísseis foi posto ali, para ser usado, porque seria usado.

Seria usado para quê? Noticiosos e provas circunstanciais têm fornecido duas respostas. Uma delas é que os extremistas ultranacionalistas anti-Rússia e pró-EUA & Europa tinham planos para derrubar o avião presidencial de Putin; e teriam confundido o avião malaio e o avião russo.

Como os EUA (e o Wall Street!) "sabiam" que o MH17 havia sido derrubado por míssil no mesmo dia?
A agência Interfax, citando fontes anônimas, aparentemente controladores de tráfego aéreo, noticiou que o avião malaio e o avião de Putin estariam em rotas quase idênticas, com poucos minutos de intervalo entre um e outro. Interfax cita sua fonte:

O que posso dizer é que o avião de Putin e o Boeing malaio cruzaram-se no mesmo ponto no mesmo degrau. Foi perto de Varsóvia, no degrau 330-m, altura de 10.100 metros. O jato presidencial estava nesse ponto às 16h21 hora de Moscou, e o avião malaio, às 15h44 hora de Moscou. Os perfis das aeronaves são semelhantes, as dimensões lineares são muito semelhantes, e as cores, observadas em grande distância, são quase idênticas.

Não encontrei nenhum desmentido oficial russo, mas, segundo noticiários russos, o governo russo informou, em resposta às notícias da agência Interfax, que o avião presidencial de Putin já não voa a antiga rota da Ucrânia desde o início das hostilidades.

Antes de aceitar essa negativa, é preciso ter bem claro que qualquer tentativa pelos ucranianos de assassinar o presidente da Rússia implica guerra – exatamente a guerra que a Rússia quer evitar. Implica também a cumplicidade de Washington na tentativa de assassinato, porque é altamente improvável que os fantoches de Washington em Kiev arriscar-se-iam a cometer ato tão perigoso, se não contassem com o apoio dos EUA.

O governo russo, que é inteligente e racional, com certeza negaria todas as notícias sobre uma tentativa, por Kiev e Washington, de assassinarem o presidente russo. Se não negar, a Rússia fica obrigada a tomar alguma providência – quer dizer: também implica guerra.

A segunda explicação é que os extremistas pró-Europa-EUA que operam por fora do aparelho militar ucraniano oficial tenham concebido um atentado para derrubar um avião de passageiros, para inculpar a Rússia. Se houve um atentado, o mais provável é que tenha sido gerado pela CIA ou por algum braço operativo de Washington; e visaria a forçar a União Europeia a parar de opor-se às sanções de Washington contra a Rússia, além de contribuir para romper valiosos laços econômicos que conectam a Rússia à Europa. Washington está frustrada por suas sanções continuarem a ser unilaterais, sem apoio dos fantoches dos EUA na OTAN, nem de qualquer outro país no planeta, exceto talvez do cachorrinho-de-madame e primeiro-ministro britânico.

David Cameron e Barack Obama
Há muitas provas circunstanciais a favor dessa segunda explicação. Há o vídeo em Youtube apresentado como de uma conversa entre um general russo e federalistas, que falam sobre terem derrubado, por erro, um avião de passageiros. Segundo o noticiário,especialistas que examinaram o vídeo já sabem que foi gravado na véspera, um dia antes de o avião malaio cair.

Outro problema com esse vídeo é que, por mais que se possa crer que os federalistas tivessem confundido um avião de passageiros a 33 mil pés de altitude, com um jato militar de ataque, o general russo jamais os confundiria. A única conclusão é que, ao fazer falar um militar russo (verdadeiro ou falso), para tentar dar credibilidade a um vídeo falso, os falsários erraram e desacreditaram-se, eles mesmos.

A prova circunstancial que o público não especialista pode entender mais facilmente está na sequência de noticiários de televisão produzidos para culpar a Rússia... antes de que se conheça qualquer fato.

Em meu artigo anterior falei de um noticiário da BBC ao qual assisti e que, com certeza, foi integralmente produzido para culpar a Rússia. O programa concluía com um correspondente da BBC, ofegante, dizendo que acabava de assistir ao vídeo em YouTube, e que ali estava a prova do crime e “não resta dúvida alguma” – dizia o jornalista. A prova do crime apareceu para o jornalista da BBC, antes de o governo da Ucrânia e Washington saberem das coisas.

A prova de que Putin fez tudo seria um vídeo filmado antes do ataque ao avião malaio. Todo o noticiário produzido pela BBC e distribuído pela [rede] National Public Radio foi orquestrado para a exclusiva finalidade de “provar”, antes de haver qualquer prova, que a Rússia teria sido responsável.

A 1ª página do Daily News já em 18/7/2014 acusa Putin diretamente
Verdade é que toda a imprensa-empresa ocidental falou como uma só voz: foi a Rússia! E todas as press-titutas/press-titutos continuam a dizer sempre a mesma coisa.

O mais provável é que essa opinião única e uniforme apenas reflita o treinamento pavloviano da imprensa-empresa ocidental que, sempre, automaticamente, se alinha com Washington. Nenhuma “fonte” quer ser criticada por “antiamericanismo” ou quer ver-se isolada da opinião geral, a única que se ouve, a única que se admite, a única que não pode ser contestada, sob pena de o “especialista” receber “nota vermelha” no boletim.

Como ex-jornalista e colaborador dos mais importantes veículos da imprensa-empresa nos EUA, sei muito bem como funcionam.

Por outro lado, se se descontam os condicionamentos pavlovianos – que gera o “jornalismo” de repetição automática – a única conclusão que resta é que todo o ciclo de notícias sobre o avião malaio está sendo orquestrado para inculpar Putin.

Romesh Ratnesar, vice-editor de Bloomberg Businessweek, oferece prova convincente de que, sim, tudo está sendo orquestrado, com o que publicou dia 17/7/2014.

O título da coluna de Ratnesar é “Derrubada do avião malaio atrai desastre para Putin”. Ratnesar não está dizendo que Putin pode estar sendo vítima de um complô. O que ele diz é que antes de Putin ter derrubado o avião malaio,
Romesh Ratnesar

(...) para a vasta maioria dos norte-americanos o comprometimento da Rússia na Ucrânia parecia só ter importância periférica para os interesses dos EUA. Esse cálculo mudou (...). Talvez demore meses, talvez anos, mas a crueldade de Putin voltará a desabar sobre ele. Quando acontecer, a derrubada do MH 17 será afinal vista como o começo do fim de Putin.

Fui editor do Wall Street Journal e, naquele tempo, quem me aparecesse com coluna de merda equivalente a essa teria sido demitido(a). Só insinuações, sem nenhuma prova que apoie qualquer coisa. E a mentira-distorção, descarada, segundo a qual o que foi golpe de estado dado por Washington contra a Ucrânia seria “o comprometimento da Rússia na Ucrânia”! 

O que estamos testemunhando é a total corrupção do jornalismo ocidental, pela agenda imperial de Washington. Ou os jornalistas alinham-se com as mentiras, ou são atropelados.

Procurem à volta: onde há jornalistas ainda honestos? Quem são? Glenn Greenwald, que enfrenta ataque constante dos próprios colegas jornalistas, os quais, TODOS, são putas, daquelas que fazem qualquer negócio por qualquer dinheiro. E que outro jornalista haveria, cujo nome nos venha à lembrança? Julian Assange, trancado na Embaixada do Equador em Londres, com a vida por um fio pendente de ordens de Washington. E o fantoche britânico não dá a Assange o direito de livre trânsito [até o aeroporto] para que possa assumir o asilo que o Equador lhe garantiu.

A última vez que se viu tal violência no mundo, foi a União Soviética, que exigiu que o governo-fantoche da Hungria mantivesse o cardeal Mindszenty cercado dentro da embaixada dos EUA em Budapeste durante 15 anos, de 1956 até 1971. Mindszenty recebeu asilo político dos EUA, mas a Hungria, obedecendo ordens dos soviéticos, não honrou o direito de asilo – exatamente como faz hoje o palhaço-fantoche britânico obedecendo ordens de Washington, que não honra o direito de asilo que Assange JÁ TEM. (...)

Edward Snowden e Julian Assange
A única mácula na diplomacia de Putin é que a diplomacia de Putin depende de a boa-vontade e a verdade prevalecerem. Mas não há boa-vontade nos EUA, e Washington não tem interesse algum em que a verdade prevaleça. Para Washington só interessa que Washington prevaleça.

Putin não está enfrentando “parceiros” razoáveis, mas todo um ministério da propaganda que faz mira contra ele.

Compreendo a estratégia de Putin, na qual se veem a razão e a razoabilidade russas, contra as ameaças de Washington – mas é aposta muito arriscada. A Europa já há muito tempo é apêndice de Washington, e não há líderes europeus no poder que tenham capacidade e visão suficientes para separar a Europa, de Washington. Além do mais, os líderes europeus são sobejamente subornados para servirem a Washington. Um ano depois de deixar o governo, e Tony Blair já recebia salário de US $50 milhões.

Depois dos desastres que os europeus conheceram, é pouco provável que seus líderes pensem em qualquer outra coisa que não seja aposentadoria confortável. Para isso, nada como empregar-se como serviçal de Washington. Como a extorsão bem-sucedida contra a Grécia, obrada por bancos, o comprova, o povo europeu está reduzido à impotência.


O ataque de propaganda de Washington contra a Rússia é uma dupla tragédia, porque contribuiu para desviar as atenções para longe da mais recente atrocidade que Israel comete contra os palestinos sitiados no Gueto de Gaza. Israel diz que o ataque aéreo e a invasão da Faixa de Gaza seriam simples esforços para localizar e vedar supostos túneis pelos quais palestinos contrabandeariam armas para dentro de Israel. Basta olhar pela janela em Israel, para ver que não há ataques de palestinos contra israelenses, nem há palestinos massacrando uma geração inteira, mais uma, de palestinos.

Seria de esperar que houvesse pelo menos um jornalista em algum ponto da imprensa-empresa norte-americana, que perguntasse se bombardear hospitais e matar crianças dentro das próprias casas está(ria) ajudando a fechar supostos túneis que chegariam a Israel. Mas já é pedir demais para as press-titutas/press-titutos da imprensa-empresa nos EUA.

A queda do MH17 é um álibi da imprensa-empresa para disfarçar o GENOCÍDIO de Israel em Gaza
E do Congresso dos EUA, então, esperem ainda menos! A Câmara e o Senado já aprovaram resoluções de apoio ao morticínio de palestinos por Israel. Dois Republicanos – o desprezível Lindsey Graham e o frustrante Rand Paul – e dois Democratas – Bob Menendez e Ben Cardin – apresentaram projeto de Resolução ao Senado de apoio ao assassinato premeditado de mulheres e crianças palestinas, por Israel. A Resolução foi aprovada pelo povo “excepcional e indispensável” do Senado dos EUA, por unanimidade.

Como recompensa pela política de genocídio, o governo Obama já está repassando, imediatamente, US$ 429 milhões do dinheiro dos contribuintes norte-americanos, para Israel: é o pagamento pelo mais recente massacre.

Comparem o apoio que o governo dos EUA garante aos crimes de guerra de Israel, e a massacrante campanha de propaganda contra a Rússia, alimentada de mentiras.

Os EUA estamos de volta aos tempos das MENTIROSAS “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein; das “armas químicas” de Bashar al-Assad; das “armas atômicas iranianas”.

Washington mente tanto, há tanto tempo, que já não sabe fazer outra coisa.





[*] Paul Craig Roberts (nascido em 3/4/1939) é um economista norte-americano e colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business WeekeScripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que destruíram a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.