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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Egito: Fraternidade Muçulmana não capitulará (1ª Parte)

3/7/2013, [*] MK Bhadrakumar, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O Egito está por um fio e, paradoxalmente, o mais provável é que assim continue, no próximo governo.

Entrada da Praça Tahrir na noite de 3/7/2013
A narrativa que circula é simplista demais. Tratar-se-ia mais ou menos do seguinte: um governo eleito mostrou-se não só incapaz, mas arrogante e cruelmente insensível ante a exigência absoluta de democracia inclusiva; com economia estagnada; com carestia; com racionamento de combustível; com “apagões” no fornecimento de energia elétrica – e com descontentamento fervente e cada dia mais fervente.

Sim, claro que há muitas e muitas contradições. Pesquisa recente feita pelos Zogby Research descobriu que 74% dos eleitores egípcios confiam cada vez menos na Fraternidade Muçulmana; e que, simultaneamente, 75-78% dos mesmos eleitores tampouco confiam nos partidos de oposição.

Em matéria enviada do Cairo semana passada, Leslie Chang resumiu, para a revista The New Yorker 
Depois de dois anos observando políticos dos dois lados da cerca prevaricar e muito prometer, nem melhorar em nada a vida dos mais pobres, os egípcios parecem estar rejeitando a democracia participativa, sem ter tido sequer chance razoável de participar dela. Num país governado por regime cada dia mais repressor e sem cultura democrática na qual se apoiar, o protesto na rua converteu-se em objetivo em si – mais recompensador que o duro trabalho de governança, de organizar e negociar. É política como catarse emocional, um modo de exibir fúria e frustração, sem se envolver no sistema.

Quando a fúria popular assume proporções de mamute, como as ruas do Cairo veem hoje, algo tem de ceder. Mas em seguida, com outro presidente que substitua Morsi, ele também, mais depressa do que se supõe, estará no mesmo impasse, numa divisão política sem pontes possíveis que, hoje, cinde ao meio a nação egípcia. O impasse político é total.

Os jovens, que estavam nas barricadas no levante de 2011 contra Hosni Mubarak, receberam hoje o reforço da Polícia e do Exército que, ontem, amaldiçoavam. As linhas de combate diluíram-se. A oposição democrática tem de lidar com o fervor revolucionário, num momento em que redes sociais mantidas por empresas como Twitter e Facebook parecem estar com a iniciativa.

Segundo a narrativa dominante, há confronto e contestação entre o “Islã político” e a democracia liberal. Mas a Sociedade (salafista) Call do Egito e seu braço político, o Partido Nour, que se suspeita que seja financiado pela Arábia Saudita, preferem manter-se neutros (os salafistas estão apoiando a antecipação das eleições, principal demanda da oposição; mas não participaram das manifestações pela “demissão” de Mursi).

Pensemos: como se poderia “demitir” Mursi? Não há regra constitucional ou outra lei que defina o meio pelo qual arrancar Mursi da presidência para a qual foi eleito para mandato de quatro anos, há um ano, com apoio de 51,7% dos votos, em eleição que não foi contestada e foi amplamente reconhecida como livre e justa. E não só isso. A Fraternidade Muçulmana venceu, nos dois anos e meio decorridos desde a derrubada de Mubarak, além da eleição presidencial, também as eleições parlamentares ocorridas seis meses antes; e venceu também um referendo votado seis meses depois, ainda em dezembro passado, que aprovou o projeto de Constituição redigido pelos Irmãos.

Milhões firmaram o abaixo-assinado para depor Mohamed Mursi
Três milhões no Cairo e um milhão de pessoas em Alexandria assinaram o abaixo-assinado do Movimento Tamarod, mas 2,5 milhões de egípcios no Alto Egito apoiaram e apoiam a Fraternidade. O Movimento chamado Tamarod (“rebelião”, “rebelde”, em árabe), que lidera a ação contra o governo da Fraternidade Muçulmana é, ele próprio, perfeito enigma. Ninguém sabe de onde saíram seus membros. Reza a lenda que teria sido criado por cinco jovens no final de abril, um dos quais designer de 27 anos, de cavanhaque e rabo-de-cavalo. Todos têm menos de 30 anos. Como Chang observou, o “estilo dominante entre eles é um “Revolucionário Casual”: cabelos compridos, camisetas com punhos cerrados estampados no peito, cigarros de enrolar na rua. Por que seria esse o único futuro pensável para o Egito?” (...)

Mas o Movimento Tamarod parece ser o mais progressista no Egito, e saltou para o centro do palco ao explorar a seu favor a aguda polarização da sociedade e o fracasso dos partidos políticos existentes, que não conseguiram propor programa alternativo; e o declínio dramático da confiança dos cidadãos nas instituições de governo. Ao mesmo tempo, em termos realistas, o único modo pelo qual o Movimento Tamarod poderia derrubar Mursi seria gerar e manter protestos de rua, que degenerem em violência de massa e levem ao colapso da ordem pública, o qual ou cria um álibi ou se converte em álibi – dependendo do ponto de vista – para a ação dos militares.

Obviamente, intervenção militar significa voltar à lousa, desde o primeiro rascunho, anulando mais de dois anos de transição e duas eleições nacionais. A tragédia é que essa negação do passado pode gerar violência em escala sem precedentes, se se levar em conta o que se viu na Argélia. Como escreveu Shadi Hamid, do Brookings’ Doha Centre, no jornal Atlantic:

Se o primeiro presidente islamista eleito é imediatamente depois derrubado, o que impedirá alguém de tentar derrubar também presidentes liberais ou seculares? Se se analisam as justificativas do Movimento Tamarod para derrubar Mursi, só se listam problemas que, com certeza quase absoluta, continuarão a atormentar também seu sucessor. Pouco têm a ver com processo de transição viciado ou com Constituição redigida às pressas, as duas principais objeções da oposição; e têm tudo a ver com fraco desempenho administrativo. (...) A legitimidade não pode depender exclusivamente, sequer principalmente, de competência ou efetividade na administração! Se assim fosse, se justificariam muitas outras revoluções em muitos países; pelo menos, com certeza, em várias democracias europeias.

O movimento Tamarod e os "sapatos" MURSI NÃO com assinatura rebelde
Evidentemente a deposição de Mursi e a expulsão da Fraternidade, para longe dos espaços e corredores do poder, por golpe militar, não é via pela qual o Egito consiga arrancar-se da crise política pela qual passa. É preciso, isso sim, construir processo político mais inclusivo, o que implica, é claro, que Mursi altere seu estilo e abordagem do governo, e que faça concessões. Ainda mais evidentemente, é preciso que a Constituição seja respaldada por um consenso de opinião, e para isso é preciso emendar alguns dos artigos mais controversos, o que a Fraternidade terá de conceder e reconhecer. Outra vez, a crise no Egito é de tal modo radical e grave, que Mursi deveria considerar a possibilidade de formar um governo de unidade nacional, pelo menos até que se realizem eleições parlamentares.

Quanto à oposição, é preciso que os partidos de oposição saiam de sua área de conforto, a partir da qual agem com petulância, quando as coisas não andam à moda deles. Os partidos de oposição ainda não explicaram por que até hoje ainda não conseguiram vencer eleições.

A verdade crua é que políticos como Amr Moussa e Mohamed El Baradei entendem que o povo egípcio teria alguma espécie de obrigação de elegê-los à presidência; como se o povo devesse a eles a presidência. Os partidos constituídos não cuidaram de construir organização política nem redes de base mediante as quais ouvissem e aprendessem a enfrentar o descontentamento social. É aí, precisamente, que a Fraternidade Muçulmana gera sua vantagem eleitoral. O que não é admissível é a oposição supor que poderia se recusar a aprovar eleições para um novo Parlamento, “porque” a Fraternidade Muçulmana pode conquistar a maioria!

Isso posto, Mursi e a Fraternidade também têm de entender que eleições não são tudo, numa democracia. Há no Egito uma crise de legitimidade política, com uma cisão quanto ao rumo da nação. Surgiu aí um impasse político que pode levar ao confronto com derramamento de sangue e a uma intervenção militar.

É difícil prever o que virá, no futuro imediato. Não se deve descartar um golpe militar, embora não pareça provável. O problema, nesse caso, é que uma vez implantado no poder, militares só muito raramente abdicam e voltam à caserna.

Ou haverá um golpe “pós-moderno”, estilo Turquia, com os militares pressionando Mursi a convocar novas eleições presidenciais. Problema, aqui, é que o Movimento Tamarod insiste que Morsi “tem de sair” e passar o poder ao presidente da Suprema Corte Constitucional , o qual, por sua vez, será feito presidente interino e organizará novas eleições presidenciais.

É possível que Mursi convide líderes de oposição para compor um governo de unidade nacional, num arranjo de partilha do poder, e aceite revisar a Constituição. A renúncia de grande número dos ministros do governo Mursi nas últimas 24 horas sugere essa possibilidade.

O que complica as coisas em qualquer desses cenários é também que há atores externos com apostas muito altas em jogo, no que aconteça no Egito... Grande parte do Oriente Médio está em torvelinho e a Fraternidade Muçulmana é ator importante não só no Egito, mas na Líbia, Tunísia e Palestina. Amanhã, poderá aparecer também no cálculo do poder político em países tão díspares quanto Síria, Jordânia e os estados do Conselho de Cooperação do Golfo Persa.
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[*] MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The HinduAsia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.


“Tamarod” egípcio: Ação política com prazo de validade

4/7/2013, Al-Ahram Weekly, Cairo
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

[*] Tamarod  será a primeira vítima de seu sucesso, disse Mohamed Abdel-Baky. Nada poderia agradar mais aos seus organizadores!

Manifestantes do grupo Tamarod em 30/6/2013
Quando o obstetra Ayman Zein perguntou à mulher que acabava de dar à luz uma criança na Praça Tahrir, que nome daria a ela, a mulher respondeu: “vai-se chamar Tamarod [ar. “rebelde”]”.

A campanha que serviu como gatilho para os protestos contra o presidente Mohamed Mursi nunca previu que seria o primeiro passo que levaria milhões de egípcios comuns às ruas, para exigir a renúncia do presidente. Lançada por um grupo de jovens ativistas, o abaixo-assinado “Tamarod” obteve, segundo o movimento, mais de 22 milhões de assinaturas, em apenas dois meses de campanha na qual exigiram que Mursi renunciasse e que as eleições fossem antecipadas.

Mahmoud Badr
Duas semanas antes dos protestos marcados e programados para 30 de junho, Mahmoud Badr, cofundador da campanha, disse ao jornal Al-Ahram Weekly que, tão logo o movimento Tamarod alcançasse seu objetivo, não haveria motivo para manter a campanha.

Tamarod, diz o analista político Abdallah Helmi, não parece interessado em converter-se em partido político:

Os 22 milhões de pessoas que assinaram o abaixo-assinado de Tamarod são cidadãos egípcios comuns, que não querem que a Fraternidade Muçulmana governe o Egito. Esse é o único item de programa com o qual todos concordar. Absolutamente não são membros potenciais de algum partido político – diz Helmi.

Amr Bakli, comentarista, enquanto discute o futuro político da campanha e dos nomes a ela associados, destaca que o sucesso que obtiveram na mobilização popular inevitavelmente terá algum impacto na formatação do mapa do caminho para o período de transição que virá depois da queda do governo de Mursi.

Bakli prevê que o movimento Tamarod desapareça suavemente da cena política, embora preveja novos confrontos, no caso de a Fraternidade Muçulmana tentar obter, dos militares, para os “irmãos”, qualquer tipo de privilégio.

Líderes da campanha entendem que ninguém deve coisa alguma à Fraternidade Muçulmana e que ceder nesse campo apenas facilitará o processo que os Irmãos conhecem bem, de manobrar para obter favores para eles mesmos – diz Bakli.

Mohamed Mursi
O movimento Tamarod já rejeitou a última oferta feita por Mursi, que propôs um diálogo nacional; responderam que o povo egípcio já deixara bem claro que deseja o fim do governo Mursi.

Não é hora de ceder coisa alguma. A única coisa é fazer é encerrar de forma pacífica o governo da Fraternidade Muçulmana e garantir que nossa revolução possa recomeçar, diz o porta-voz do movimento, Hassan Shahin.

O movimento Tamarod – não controla os milhões de egípcios que se manifestam nas ruas. A única coisa que podemos fazer é ouvir o que dizem e repetir o que dizem. A campanha não pode ceder em nenhuma de suas exigências, porque ceder nisso é andar contra as expectativas dos egípcios, diz Shahin

Agora, para Badr, o papel mais importante do movimento-campanha é manter a pressão sobre a Fraternidade Muçulmana, para que cedam, saiam do governo e abram caminho para um novo processo democrático. O movimento Tamarod procura agora ajudar a oposição a unir-se com eles, nas negociações que tenham de fazer com os militares, em futuro próximo. Para isso, o movimento, no domingo, ajudou a lançar a “Frente 30 de junho”, que reúne o movimento Tamarod e todos os grupos de oposição, inclusive a Frente de Salvação Nacional.

Mohamed El-Baradei 
Na 3ª-feira, a Frente anunciou que escolhera Mohamed El-Baradei como seu representante e negociador oficial.

El-Baradei coordenará esforços com instituições do Estado, para ajudar a construir um mapa do caminho para o governo de transição concebido pelos grupos de oposição ao longo dos últimos dias – disse a Frente, em declaração.

A Frente também decidiu ontem (3ª feira) que o líder da oposição será seu principal negociador, no contato com os militares, durante a transição.

O exército mostrou boas intenções, e está protegendo o desejo do povo. Nosso papel é dar ao exército o mapa do caminho que construímos há três semanas, em cooperação com as forças de oposição, para que seja implantado – disse o porta-voz da Frente.

O mapa do caminho proposto pelo movimento Tamarod dia 26/6 inclui a indicação de um primeiro-ministro independente, que represente a Revolução de 25 de Janeiro; o desmonte do Conselho da Shura; a suspensão da atual Constituição e a elaboração de nova Constituição. Segundo esse mapa do caminho, o primeiro-ministro convocará um Conselho de Defesa Nacional, encarregado de prover e defender a segurança.

Praça Tahrir no Cairo (noite de 1/7/2013)
Enquanto alguns analistas manifestaram temores de que o sucesso do movimento Tamarod possa abrir caminho para que outros grupos de oposição tentem sequestrar a segunda fase da revolução egípcia, Badr não parece temeroso. O movimento Tamarod, diz ele, é constituído de pessoas comuns, egípcios absolutamente comuns, não de políticos.

Todo mundo no Egito sabe que o sucesso da Revolução 30 de Junho é sucesso do povo egípcio, não do Tamarod ou de qualquer dos outros grupos de oposição – disse.



[*] Perfil do grupo egípcio TAMAROD  

1/7/2013, BBC, Londres
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Manifestante exibe cartaz do grupo Tamarod em 30/6/2013 
Tamarod” [ar. “rebelde”] é um novo movimento de base, surgido no Egito, e que parece ter servido como catalisador do movimento popular nacional contra o presidente Mohammed Mursi, um ano depois de ter sido eleito à presidência, na primeira eleição que o Egito conheceu em toda sua história moderna.

Esse grupo que se autodenominou “Rebelde”, diz que recolheu mais de 22 milhões de assinaturas num abaixo assinado que exige o fim do governo do presidente Mursi, para que se realizem novas eleições no Egito.

Depois das massivas demonstrações do domingo, das quais participaram milhões de egípcios nas ruas do Cairo e de outras cidades, o grupo Tamarod deu ao presidente um ultimatum, para que renunciasse até as 17h (15h GMT) da 3ª-feira, ou enfrentaria companha de “total desobediência civil”.

O mesmo ultimatum exigia que “instituições do Estado, inclusive Exército, Polícia e Judiciário, se alinhassem imediatamente ao desejo do povo, manifestado pelas multidões nas ruas”.

Foi o grupo Tamarod que rejeitou a oferta do presidente Mursi, para um diálogo nacional.

Não há como aceitarmos meias medidas – o grupo declarou. – A única via possível é pôr termo pacífico ao poder da Fraternidade Muçulmana e de seu representante, Mohamed Mursi.

Muitos manifestantes acusaram o presidente de pôr os interesses da Fraternidade Muçulmana, poderoso grupo político-islamista ao qual Mursi pertence, à frente dos interesses do país como um todo. Os defensores de Mursi rejeitaram as acusações.

“Surpreendente”

O grupo Tamarod foi fundado no final de abril, por membros do Movimento Egípcio pela Mudança [orig. Egyptian Movement for Change] mais conhecido pelo slogan Kefaya (“Basta!”), que exigia uma reforma política no Egito ainda sob governo do ex-presidente Hosni Mubarak em 2004 e 2005. Embora o movimento Kefaya tenha participado dos protestos de massa que levaram à renúncia de Mubarak, em 2011, não chegou a ter papel muito destacado.

Abaixo assinado do grupo Tamarod (Rebelde)
Tamarod organizou-se para recolher assinaturas num abaixo-assinado em que o grupo denuncia:
 
·       A segurança nunca foi restaurada desde a revolução de 2011;
·       Os pobres “não têm lugar” na sociedade;
·       O governo teve de “implorar” ao Fundo Monetário Internacional (FMI) por um empréstimo de $4,8bn (£3,15bn) para fazer frente às despesas do Estado;
·       Não há “justiça” para os que foram assassinados por forças de segurança durante o levante e os manifestos contra o governo que aconteceram depois do levante;
·       “Os egípcios estão obrigados a sobreviver sem dignidade” no seu próprio país;
·       A economia “colapsou”, o crescimento é baixo, e a inflação é alta;
·       O Egito “segue atrás, nas mesmas pegadas dos EUA”.

Os ativistas do movimento Tamarod tornaram-se imagem frequente e familiar nas ruas do Egito, bloqueando o trânsito para distribuir panfletos e recolher assinaturas para seu abaixo-assinado. O grupo também recolheu assinaturas em sua página Internet, pelo Facebook e Twitter.

Tamarod diz que as assinaturas de seu abaixo-assinado foram verificadas nos registros eleitorais oficiais. E outros grupos de oposição rapidamente jogaram seu peso político a favor da campanha, oferecendo apoio logístico e escritórios.

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No final de junho, o movimento Tamarod anunciou que reunira 15 milhões de assinaturas, as quais, insistem eles, foram verificadas nos registros eleitorais recentes do Ministério do Interior. Cada signatário assina, com número de identidade e endereço da província onde resida.

Fraternidade Muçulmana 
O Partido Liberdade e Justiça, da Fraternidade Muçulmana contestou os números do abaixo-assinado e disse que o movimento Tamarod não recolhera mais que 170 mil assinaturas.

No sábado – um dia antes dos protestos de massa que o movimento convocou para marcar o 1º aniversário do governo de Mursi – o movimento anunciou que alcançara 22 milhões de assinaturas, mais de ¼ da população do Egito.

Um dos fundadores do movimento Tamarrod avaliou como “surpreendente” o sucesso do abaixo-assinado. “Não sei quantos membros temos por aí. Posso imaginar que milhões de egípcios são membros” – disse Ahmed al-Masry à Agência Associated Press. – “Num dado momento, o povo desistiu [de Mursi]. Não se ouvia outra voz que não fosse do presidente e sua tribo.”