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quarta-feira, 20 de maio de 2015

EUA: Faculdade William & Mary homenageia criminosa de guerra

17/5/2015, [*] Ray McGovernConsortium News 
William & Mary Honors War Criminal
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Entreouvido no Buteco do Piruá na Vila Vudu: Pior que essa  mas no mesmo âmbito da sórdida elite acadêmica do império anglo-sionista & PSDB-DEM  temos hoje o Financial Times, a publicar avaliações políticas cometidas por Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente e extinto sociólogo.  
Mas, afinal... E a quem interessa(ria) o opinionismo tosco desse ex-tudo e atual nada, cujo partido foi derrotado em TODAS AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS às quais concorreu nos últimos 20 anos?!


Nada ilustra melhor a extensão da distância que separa hoje os EUA e o estado democrático de direito, do que uma cerimônia em que gente como Condoleezza Rice é convidada para falar a formandos e recebe o título de doutor honoris causa numa universidade. Rice – que pelos meus critérios pessoais cometeu crime de guerra – recebeu as honrarias no sábado, outorgadas a ela pela Universidade College of William and Mary, a segunda mais antiga dos EUA. 

Diferente do que se viu em outras aparições de Rice em universidades norte-americanas nos últimos anos, não se viu ali nenhum sinal de discordância, menos ainda de protesto. Praticamente todos os formandos ainda não tinham 10 anos em 2003, quando Rice tanto contribuiu para o governo do Presidente George W. Bush e seu Vice-Presidente Dick Cheney lançarem guerra de agressão contra o Iraque. A ignorância dos formandos talvez seja até explicável, mas nada augura de bom quanto aos saberes deles sobre história recente. 

Muito menos desculpável é a governança patrícia da universidade William and Mary, que promoveram a homenagem a Rice. Será que a torre de marfim em que vivem é impenetrável, a ponto de não ter chegado até lá a informação de que, ano passado, Rice foi impedida de receber honrarias equivalentes da Rutgers University, porque estudantes irados declararam que o discurso dela, na abertura do ano letivo, comprometeria para sempre o valor dos seus diplomas? 

Um dos líderes da campanha “No Rice” em Rutgers ano passado (que era então aluno veterano), Carmelo Cintrón Vivas, disse a Amy Goodman do programa Democracy Now! que: 
 
(...) os alunos sentiram que criminosos de guerra não poderiam receber homenagens naquela universidade (...). Alguém, com currículo tão vicioso e pervertido, como funcionária pública nesse país (...) não pode ser homenageada com título de doutor, por ter violado a lei. (...) Não seria justo com os formandos nem com qualquer aluno da Rutgers University.

Disse que considerava “risível” o argumento frequente segundo o qual as realizações acadêmicas de Rice ultrapassavam as posições políticas: 
 
Se se examinam os piores criminosos internacionais e as piores pessoas na história, muitos deles tinham diplomas e carreiras acadêmicas, ou eram médicos de renome. Carreira é uma coisa, o modo como você age como pessoa, como ser humano, é outra. Por isso fizemos do nosso protesto uma questão de defesa de direitos humanos.
 
Como explicar o contraste entre a apatia que se via em William and Mary e a consciência e ativismo em Rutgers? Uma chave talvez seja a marcada diferença entre os preços que os alunos pagam nas duas instituições. Taxas e anuidades são significativamente mais caras em William and Mary, localizada em Williamsburg, Virginia. Outra chave pode ser a considerável “tradição” na Virginia, de só convidar Republicanos conservadores para a aula inaugural e recepção de outras honrarias, na abertura do ano letivo. 


Diferente do que se viu em William and Mary, esse ano a Universidade Rutgers concedeu o título de doutor honorário em Letras e Humanidades a Frances Fox Piven, intelectual muito ativo na defesa da população trabalhadora mais pobre. Dentre os livros recentes de Piven está The War at Home: The Domestic Costs of Bush’s Militarism [A guerra em casa: o custo doméstico do militarismo de Bush]. Piven ganhou também o Shirley Chisholm Award por “liderança em prol de justiça social e econômica”. 
 


Vendo reunidos os formando de William and Mary, vi-me com pena deles, porque serão introduzidos à vida adulta por Rice, não por Piven. Piven com certeza não deixaria de falar-lhes dos terríveis desafios que os “99%” enfrentam – e as injustiças por trás do tumultos persistentes em Baltimore, St. Louis e em outras cidades atormentadas. Rice não falou de nada disso no sábado. Falou praticamente só sobre ela mesma – reflexo talvez da evidência de que, embora negra em Birmingham, Alabama, ela, mesmo assim, foi criada cercada de privilégios. 
Muito pior que isso: os crimes de guerra
 
Bem diferente de alguém de coragem ou pessoa de princípios confiáveis, Condoleezza Rice é o símbolo da subserviência ao mal e à criminalidade. É exemplo vivo de covardia e oportunismo, o exato oposto da lição de como viver a própria vida que Piven ou tantos outros oradores dignos de falar numa aula inaugural de universidade que se desse ao respeito. 
 
Quando o Presidente George W. Bush ordenou à Secretária Rice que caçasse qualquer e todos os fiapos de “prova”, por mais falso e forjado que fosse, para provar que o Iraque tinha “armas de destruição em massa”, Rice comandou a campanha fraudulenta para reunir e apresentar toda a “inteligência” necessária para enganar o Congresso e induzir os deputados e senadores a apoiar uma guerra que é exemplo perfeito do que o Tribunal de Nurenberg, depois da IIª Guerra Mundial, definiu como: 
 
(...) guerra de agressão é o supremo crime de guerra, diferente de todos os demais crimes de guerra só porque contém nele mesmo o mal acumulado de todos os demais crimes de guerra.
 
Rice representou o papel dela, como garota do bumbo pró guerra, com entusiasmo excepcional – gritando contra o perigo “das nuvens-cogumelos” das bombas atômicas (inexistentes) do Iraque; do “bolo amarelo” de urânio saído do fundo da África (baseada em instrumentos grosseiramente forjados); dos tubos de alumínio fotografados (que, como depois se soube, não passavam de canos para água usados pelo exército do Iraque), mas que Rice repetiu insistentemente que seriam usados para refinar urânio. 
 
Rice comandou o cortejo, com a indispensável ajuda de Dick Cheney, que promoveu as várias provas, todas forjadas, contra o Iraque. O caráter fraudulento dessas “provas” foi revelado ao mundo num documento britânico datado de 23/7/2002, The Downing Street Memorandum, publicado pelo The London Times dia 1/5/2005. De autenticidade confirmada, o memo expôs a escandalosa tentativa de “montar” alguma “inteligência” para justificar um ataque de EUA/GB para “mudança de regime” no Iraque. 
 


Já se sabia em todo o mundo que, apesar das mentiras incansavelmente repetidas por Dick Cheney, que o Iraque não tinha programa ativo de produção de bombas atômicas. Pois nem isso impediu Condoleezza Rice de dizer, em setembro de 2002, que 
 
(...) não queremos que a pistola fumegante seja uma nuvem radiativa.

O imoral bater de tambor de Rice pró-agressão contra o Iraque foi muito ampliado pela “mídia dominante”, mas ela sempre comandou o ataque. 

Calar as vozes divergentes

Todas as vozes que falaram contra a “grande mentira” de Bush-Cheney-Rice – como os vários alertas que lançamos (Veteran Intelligence Professionals for Sanity, VIPS) – foram reprimidas. Alguns de nossos alerta pré-guerra foram enviados nos nossos Memorandos ao Presidente. Foram três antes de o Iraque ser atacado pelos EUA:  
 
(1) “A fala de hoje do Secretário Powel na ONU” [orig. Today’s Speech by Secretary Powell at the UN] (5/2/2003, em que alertamos sobre a inteligência insuficiente e as catastróficas consequências de um ataque ao Iraque); 
 
(2) “Inteligência inventada para a guerra” [orig. Cooking Intelligence for War (12/3/2003); e 
 
(3) “Documentos forjados, falsidades, exageros, meias-verdades: problema com a Inteligência, Sr. Presidente” [orig. Forgery, Hyperbole, Half-Truth: A Problem With the Intelligence, Mr. President] (18/3/2003).

Com aqueles memos e muitos outros alertas, perdoem-me por ter-me sentido pessoalmente ofendido no sábado, ao ouvir Rice falar de razão, coragem, honestidade, humildade e otimismo àqueles infelizes formandos. Ao que me pareceu sem qualquer ironia, Rice aconselhou-os a não se deixar prender numa câmara de eco, a nunca supor que estejam absolutamente certos, a procurar opiniões divergentes que os desafiem, a desconfiar de qualquer Amén repetido a tudo que digam. 

Consegui anotar essa fala praticamente verbatim, assistindo ao início da cerimônia, ao vivo, pela internet. Os amigos que me convidaram para assistir de longe “esqueceram-se” de dizer quem era a oradora e que só seriam admitidos ao vivo familiares próximos dos formandos. Supuseram, com bastante razão, que eu não conseguiria manter-me calado na cadeira, diante daquela Condoleezza Rice dedicada ali a vomitar hipocrisias. 

Mas guerra de agressão foi apenas um dos abusos do poder cometidos pelo governo de George W. Bush. Houve também sequestros, “buracos negros”, prisões clandestinas, tortura, vigilância ilegal que viola a 4ª Emenda, etc. Que papel teve Condoleeza Rice nisso tudo? 

Na primavera de 2008, a rede ABC News, citando fontes internas, noticiou que, a partir de 2002, por ordens do Presidente Bush, a Conselheira para Segurança Nacional, Condoleeza Rice, reuniu seus mais altos assessores (Cheney, Powell, Rumsfeld, Ashcroft e Tenet) dúzias de vezes na Casa Branca, entre 2002-03 para definir qual o mix de técnicas de tortura mais eficiente para “terroristas” individuais capturados. 
 



Esses conselheiros para questões de tortura do governo dos EUA planejaram e aprovaram o uso de diferentes métodos de tortura – alguns foram “coreografados” ali, ao vivo – incluindo quase-afogamentos (waterboarding), privação de sono, ataques físicos, exposição a temperaturas extremas até provocar hipotermia e as chamadas “posições de estresse”. 

Num dado momento, o Advogado-Geral, John Ashcroft, manifestou em voz alta o que lhe passava pela cabeça: 
 
Por que estamos falando dessas coisas na Casa Branca? A história não será generosa quando nos julgar por isso.
 
A própria Rice, pessoalmente, levou à CIA a ordem do grupo da Casa Branca para dar início aos quase-afogamento de prisioneiros. Foi ela quem disse à CIA: “Podem prosseguir. O bebê é de vocês”, em julho de 2002, antes mesmo de o advogado John Yoo, do governo Bush, escrever seu criminoso “memorando da tortura”, para “legalizar” o que eles já estavam fazendo. Esses memorandos foram tentativa para oferecer aos criminosos o que outro advogado do Departamento de Justiça chamaria de “escudo dourado”, protegendo todos os envolvidos contra qualquer acusação criminal futura. Outros advogados referiram-se aos memorandos de Yoo como uma espécie “fiança grátis anti-cadeia”. 
 
De início, a rede ABC News tentou preservar o presidente dessas atividades sórdidas. Mas Bush estragou tudo, porque logo se pôs a vangloriar-se de que, sim, sabia daquelas atividades e as aprovara pessoalmente. 
 
Fotos das torturas
 
Depois que vazaram fotos em que se viam os mais desumanos abusos de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib no Iraque, e que o major-general Antonio Taguba foi encarregado de investigar, ele próprio classificou o programa de interrogatório que Rice e outros funcionários haviam concebido e implantado de “regime sistemático de tortura”. A lista das técnicas aprovadas para uso da CIA já haviam migrado pela cadeia de comando abaixo, via Rumsfeld, um dos mais ativos participantes das reuniões na Casa Branca. [Vide “Honraria enviesada: Condoleeza Rice” (orig. Misguided Honor for Condi Rice)]. 
 
Em 2008, os mais altos funcionários do governo Bush encarregados de decidir se os detidos na prisão da Baía de Guantánamo seriam legados a julgamento, a juíza Susan J. Crawford foi forçada a rejeitar acusações de crime de guerra contra um importante suspeito do 11/9, ao concluir que militares norte-americanos haviam torturado o cidadão saudita, interrogando-o mediante técnicas que incluíam isolamento prolongado, privação de sono, nudez e exposição prolongada ao frio, torturas levaram o acusado a “condições de ameaça à sobrevivência”. 
 
A dificuldade que funcionários de algumas universidades encontram para dar o devido peso a esses atos sórdidos de Condi Rice são efeito, pelo menos em parte, de uma decisão política – a decisão que o Presidente Barack Obama tomou de “olhar adiante, em vez de olhar para trás”. 
 
É decisão que absolutamente não combina com a fama de especialista em leis de que goza o presidente, porque quem olha só para a frente abre mão do dever de julgar qualquer criminoso e qualquer crime, porque julgar criminosos e crimes é ação que obriga a examinar atos passados. 
 
O papel de comando que Rice teve como representante executiva da Casa Branca para assuntos de tortura voltou a ser comprovado em livro recentemente lançado, The Great War of Our Time, escrito por Michael Morell, ex-vice-diretor da CIA. Ali Morell escreve: 
 
Depois que a CIA apresentou uma relação de possíveis técnicas [de tortura] à Casa Branca, a conselheira de Segurança Nacional Rice disse que uma daquelas técnicas não poderia ser usada porque agrediria a linha moral da Casa Branca (p. 275).

Fosse qual fosse a tal “linha moral”, não excluía quase-afogamentos, que lá estava entre as técnicas de tortura que foram aprovadas por “Condi” Rice. 
 


Há quase 70 anos, Robert H. Jackson, juiz da Suprema Corte dos EUA e Procurador-Chefe dos EUA no Tribunal de Nuremberg enunciou vários conselhos que serviriam para o que, ele esperava, viesse a ser uma orientação necessária para o futuro. Na introdução, disse que:
 
Sei bem demais da fraqueza da ação judicial, para crer que a decisão desse tribunal, só ela, nos termos dessa Carta, possa evitar guerras futuras. A ação judicial sempre vem depois do feito. Guerras são iniciadas sob a teoria e em plena confiança de que possam ser vencidas. O castigo ao criminoso, a ser aplicado e recebido só se a guerra criminosa tiver sido perdida, provavelmente jamais será fator que previna alguma guerra onde os fazedores de guerras sintam que possam descartar a probabilidade de serem derrotados. 

Mas o passo definitivo para evitar guerras periódicas, que são inevitáveis num sistema de leis internacionais ausentes, é responsabilizar perante a lei os governantes. E permitam-me ser bem claro nesse ponto: mesmo que essa lei esteja sendo aplicada primeiro aos agressores alemães, a lei é includente, e se deve servir a algum propósito útil, deve condenar a agressão que parta de qualquer das demais nações, inclusive das que aqui estão sentadas como juízes.

Mau precedente

A experiência do sábado na Universidade William and Mary não é, de modo algum, a primeira vez que uma universidade sucumbiu ao “vírus do prestígio” e concedeu altas honrarias a alguma celebridade com poder, em aula inaugural, por piores que tenham sido as ações e crimes da tal celebridade. É triste reconhecer, mas há muitos exemplos, inclusive outro, anterior, com a mesma criminosa de guerra, Miss Rice. 

Condoleezza Rice foi quem ministrou a aula inaugural no Boston College, dia 22/5/2006, quando recebeu o título honorário de Doutor(a) em Leis (Oh, George Orwell, sim, que ironia!). Aconteceu quando servia como Secretária de Estado – depois do sujo trabalho de vendedora pró-guerra no Iraque, mas antes de a rede ABC News ter revelado em 2008 o envolvimento direto dela na tortura de prisioneiros. 
 


Dez dias antes da aula inaugural no Boston College, Steve Almond, professor-adjunto de Inglês, renunciou ao cargo, em sinal de protesto. Adiante se leem alguns trechos da carta de renúncia do prof. Almond dirigida ao reitor do BC, reverendo (jesuíta) William P. Leahy:
 
Escrevo para renunciar (...), por efeito direto de sua decisão de convidar a secretária de Estado Condoleezza Rice para discursar na cerimônia de formatura dos graduandos desse ano.

Muitos membros e alunos dessa faculdade já manifestaram objeções ao convite, argumentando que as ações de Rice como secretária de Estado são inconsistentes com os valores humanísticos da universidade e com as tradições católicas e jesuíticas, das quais derivam os valores dessa universidade. 

Mas não escrevo apenas porque tenho objeções à guerra de agressão contra o Iraque. Minha preocupação é mais fundamental. Dito em palavras claras, Rice é mentirosa. Mentiu ao povo norte-americano, sabendo que mentia, repetidas vezes, de fato espantosamente, ao longo dos últimos cinco anos, num esforço para encontrar justificativa para uma política exterior patologicamente mal orientada. (...) 

Essa é a mulher à qual o senhor estará outorgando título honorário, além do privilégio de falar diretamente à classe dos formandos de 2006. (...) Honestamente, Padre Leahy, que lições o senhor espera oferecer àqueles graduandos impressionáveis? (...) Que aprendam a mentir ao povo dos EUA para obter vantagem política? (...) 

Não posso, em sã consciência, insistir com meus alunos para que busquem sempre o melhor conhecimento e a verdade e, depois, receber pagamento de uma instituição que manifesta tão flagrante desconsideração contra ambos. Gostaria de poder pedir desculpas aos meus alunos de antes e aos meus futuros alunos. Recomendo vivamente que pesquisem sobre as palavras e as ações de Rice, e que exerçam os direitos que a 1ª Emenda lhes dá, quando do discurso dela. 
 
O professor Almond absolutamente não estava sozinho. Cerca de 1/3 dos membros da faculdade do Boston College assinaram documento em que protestaram contra o convite a Rice. Eis como o New York Times noticiou aquele evento de formatura:
 
A Secretária de Estado Condoleezza Rice discursou como homenageada na formatura, na 2ª-feira, no Boston College, para um público onde havia dúzias de alunos e professores que se levantaram e deram-lhe as costas, erguendo cartazes de protesto contra a guerra no Iraque.
Um pequeno avião sobrevoou o campus por duas vezes, exibindo uma faixa em que se lia, em letras vermelhas “A sua guerra nos cobre de vergonha”. Do lado de fora do Alumni Stadium, onde 3.234 alunos recebiam diplomas, manifestantes marchavam pela Beacon Street, exibindo cartazes em que se lia “Não se troca sangue por petróleo” e “Nós também somos patriotas”. 

Dentro do prédio, porém, Miss Rice foi aplaudida de pé ao ser apresentada, e foi interrompida várias vezes por aplausos durante seu discurso.


Em sua autobiografia de 1987, To Dwell in Peace, Daniel Berrigan escreveu sobre 
 
(...) o fracasso de uma grande empreitada – a universidade dos Jesuítas. Relembrou que teve um pressentimento de que a universidade acabaria como outras dessas estruturas cujo declínio moral e servilismo ao poder sinaliza o declínio geral da própria cultura norte-americana.

Berrigan lamentou o apoio à guerra dado por homens nos altos postos da Igreja, e a aprovação à guerra 
 
(...) manifestado com sublime confiança nas autoridades, nos amigos em altos postos e nas conexões na Casa Branca. 
Assim comprometida, alertou Berrigan, a tradição cristã da não violência, além da lição secular da desinteressada busca da verdade – já foram reduzidas a palavreado oco, reservado para as solenidades, nas quais já ninguém acredita, que já ninguém pratica.

O padre Berrigan preocupava-se especialmente com a desarticulação das universidades jesuíticas como o Boston College. Mas o que escreveu aplica-se não só aos “altos postos” da igreja, mas a muitos outros, como o pessoal laico, de altos salários, responsável por convidar Condoleezza Rice para a solenidade de formatura na Universidade William and Mary.

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[*] Ray McGovern nasceu no Bronx em Nova York em 25/8/1939 e lá cresceu. Formou-se com honras pela Universidade Fordham e  serviu no Exército dos EUA de 1962-1964. Está casado com Rita Kennedy por 50 anos. Juntos têm cinco filhos e oito netos.
Aposentado como analista da CIA onde trabalhou no período 1963-1990. Trabalhou inicialmente como oficial da CIA responsável pela análise da política soviética no Vietnã.
No início da década de 1980, já como analista sênior, montou e dirigiu o grupo de National Intelligence Estimates que preparava o President's Daily Brief. Rotineiramente apresentava essesbriefings matinais de inteligência na Casa Branca. Em meados da década de 1980 era o analista que conduzia briefings matinais one-on-one com o Vice-Presidente, os Secretários de Estado e da Defesa, o Comandante do Estado Maior Conjunto e do Assistente do Presidente para a Segurança Nacional. Sua carreira CIA começou no governo do presidente John F. Kennedy, e durou até a Presidência da George Bush (pai).
Após aposentar-se fundou a organização Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS)[Profissionais Veteranos de Inteligência, pela Sanidade] onde atua até hoje


domingo, 12 de abril de 2015

Os 45 anos finais do Império Anglo-Saxão

9/4/2015, [*] William EngdahlFort Russ, entrevista gravada por Sergey PravosudovGazprom Magazine
Traduzido para o inglês por Kritina Rus e para português pelo pessoal da Vila Vudu



Em março desde ano, desencontrei-me, literalmente por uma semana, de William Engdahl, autor do notável A Century of War [Um século de guerra], livro e autor sobre os quais falei no meu antigo blog, antes mesmo de o livro ser lançado pela editora “Selado” em versão impressa.

Mesmo assim, embora não tenha podido encontrá-lo pessoalmente, consegui obter uma entrevista exclusiva com Engdahl para a revista Gazprom, gravada pelo editor-chefe Sergey Pravosudov.

Espero que o ponto de vista de um dos autores já clássicos do moderno jornalismo geopolítico ajude vocês a compreender os sempre repetidos “saltos” da geopolítica e da geoeconomia, e a extrair conclusões sobre essas repentinas mudanças na ordem mundial que se veem aí, diante de nossos olhos.

Para mim, a entrevista com William Engdahl é interessante, porque se trata de conhecido crítico da “Teoria do Pico do Petróleo, que pessoalmente sempre me pareceu muito razoável e influente nos processos globais.

O mais interessante é que, apesar de partir de premissas quase diametralmente opostas, Engdahl chega a conclusões semelhantes, em alguns pontos idênticas, sobre o futuro dos processos globais.

Alex Ampilogov



Frederick William Engdahl

O economista e cientista político Frederick William Engdahl respondeu nossas perguntas.

Gazprom Magazine (GM) – Mr. Engdahl, em seu livro Um século de Guerra, o senhor oferece análise interessante dos eventos do século XX. Gostei especialmente do que o senhor escreveu sobre a crise de 1973, quando o petróleo subiu muito.

Frederick William Engdahl (FWE) – Em minha opinião, é óbvio que o aumento dos preços do petróleo não foi culpa exclusiva dos xeiques do petróleo, mas de EUA e Grã-Bretanha. Mais precisamente, dos bancos anglo-saxões, das empresas de petróleo e do complexo industrial militar. À altura de 1971, as reservas de ouro mal chegavam a um quarto das dívidas oficiais dos EUA. Isso, basicamente, significava que, se todos os proprietários de dólares exigissem o correspondente ouro, Washington não teria como pagar.

Quando anunciou (em 1971) aos proprietários estrangeiros de dólares que o papel que tinham nos cofres não mais seria trocado por ouro, o presidente Nixon “desligou os aparelhos” que mantinham viva a economia global. O comércio mundial, depois de 1971, converteu-se em mais uma arena de especulação com diferentes moedas.

Os reais autores da estratégia de Nixon estavam em influentes bancos comerciais, na City de Londres. Sir Siegmund Warburg, Edmond de Rothschild, Jocelyn Hambro e outros viram uma oportunidade gigante no movimento de Nixon separar-se do padrão ouro de Bretton Woods, no verão de 1971.

Depois de agosto de 1971, quando Henry Kissinger tornou-se conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, a política norte-americana dominante passou a ser controlar, não desenvolver economias, por todo o mundo. Durante os anos 1970s, passou a ser prioridade reduzir a população de países em desenvolvimento, e não, absolutamente, fazer qualquer transferência de tecnologias e estratégicas para o crescimento industrial local.

O Ministério das Finanças dos EUA firmou um acordo secreto com a Agência da Moeda [orig.Currency Agency] da Arábia Saudita, aprovado oficialmente em fevereiro de 1975. Por esse acordo, a massiva quantidade de dinheiro que os sauditas receberiam pela venda de petróleo teria de ser aplicada, toda ou quase toda, para pagar as dívidas do governo dos EUA. Um jovem banqueiro de banco de investimentos de Wall Street, David Mulford, foi mandado viver na Arábia Saudita, e tornou-se o principal “conselheiro de investimentos” no Banco Central da Arábia Saudita, encarregado de direcionar os petrodólares para os bancos “certos”, em Londres e New York, claro.

É preciso considerar com especial atenção o modo como a crise do petróleo afetou a Alemanha Ocidental. A economia alemã desenvolveu-se muito bem, os indicadores de crescimento industrial surpreenderam o mundo. Depois de 1971, quando os EUA pararam de devolver ouro em troca de dólar-papel, muitos países começaram a preferir receber pagamento em marcos alemães. Resultado disso, o marco ficou muito fortalecido contra o dólar; nos EUA esse fator passou a ser visto como ameaça.

Além disso, em 1969 o chanceler era o social-democrata Willy Brandt, que começava a seguir uma política de reaproximação com a URSS, na esfera econômica e na esfera política. Foi Brandt quem, em 1970, assinou o famoso acordo “gás-em-troca-de-gasodutos” [orig. Gas-Pipes]. E também, durante a guerra Israel-Árabes de 1973, Willy Brandt anunciou que a Alemanha Ocidental assumiria posição de neutralidade e proibiu os norte-americanos de usarem suas bases em território alemão para fornecer armas a Israel. Os EUA ignoraram a proibição. Resultado dela, contudo, a Alemanha, como outros países ocidentais sentiram o peso da “arma-petróleo”.

Claro que os EUA nunca perdoariam tal insubordinação, principalmente do país europeu que, desde a IIª Guerra Mundial, estava sob virtual ocupação por soldados norte-americanos. Em 1974 os efeitos da crise do petróleo levaram à falência vários bancos alemães; e ao enfraquecimento do marco alemão. O custo do petróleo importado pela Alemanha aumentou, em 1974, em cerca de inacreditáveis $17 bilhões de marcos alemães. Meio milhão de alemães ficaram desempregados. O choque desse repentino aumento de 400% no preço desse recurso básico de energia teve efeito devastador sobre a indústria, o transporte e a agricultura alemães.

Em 1974, Willy Brandt foi forçado a renunciar. Foi acusado de não ter sabido prever e enfrentar a crise do petróleo. E como se não bastasse, descobriu-se, “repentinamente”, que Günter Guilliom, conselheiro do Brandt, era agente da inteligência da Alemanha Oriental.

A vasta maioria das economias menos desenvolvidas do mundo, que não têm recursos significativos de petróleo, foram repentinamente forçadas a encarar um aumento inesperado e impossível para elas, de 400%, no custo das importações de energia, para nem falar no custo de produtos químicos e fertilizantes derivados do petróleo. A Índia, em 1973, tinha saldo positivo na balança comercial e vivia como saudável economia em desenvolvimento. Em1974, a Índia tinha, como reservas totais em moeda estrangeira, US$ 629 milhões, com as quais teria de pagar a conta anual de petróleo importado, de US$ 1,2 bilhões (mais que o dobro da moeda estrangeira disponível). Sudão, Paquistão, Filipinas, Tailândia e muitos outros países na África e na América Latina enfrentaram, em 1974, déficits sempre crescentes na balança de pagamentos. [1] No total, segundo o FMI, em 1974 os países em desenvolvimento tinham um déficit total na balança de pagamentos de US$ 35 bilhões, quantia gigantesca naqueles dias. Não surpreendentemente, esse déficit era quatro vezes maior que em 1973, i.e., era proporcional ao aumento nos preços do petróleo.

Ao mesmo tempo em que o choque do petróleo teve impacto devastador no crescimento industrial mundial, resultava em lucros gigantes para alguns círculos bem conhecidos: os maiores bancos em New York e Londres e para as “Sete Irmãs” – empresas de petróleo dos EUA e Grã-Bretanha. A maior parte dos lucros em dólar dos países da OPEP foi depositada em grandes bancos em Londres e New York, que operavam com dólares, como em todo o comércio internacional de petróleo.

Diferente da Alemanha, a Grã-Bretanha lucrou com a crise do petróleo. O aumento dos preços do petróleo tornou viável o desenvolvimento do campo de petróleo no Mar do Norte, e as empresas anglo-saxônicas conseguiram fazer bom dinheiro.

GM – Por que, em meados dos anos 1980s, os preços do petróleo caíram vertiginosamente?

FWE – Durante o governo Reagan, a prosperidade econômica dos EUA alicerçada em investimentos nas mais avançadas tecnologias industriais, acabou. O aço foi declarado o “cinturão de ferrugem” da indústria, usinas fabricantes de aço foram abandonadas. Onde “havia dinheiro”, construíram-se shopping centers, novos cassinos e hotéis de luxo.

Para financiar essa orgia durante essa bolha de especulação, praticamente durante todo o mandato de Reagan o dinheiro veio de fora. Ninguém jamais pensa sobre o fato de que, ao longo desses cinco curtos anos, pela primeira vez desde 1914 os EUA passaram, da posição de maior credor do planeta, para a posição de estado devedor. O crédito era “barato” e crescia exponencialmente. Famílias alcançaram níveis recorde de endividamento, para comprar casas, carros, carros de luxo. O governo endividou-se para financiar a diminuição da arrecadação e o aumento nos gastos militares do governo Reagan. Em 1983, o déficit anual em orçamento alcançou o nível sem precedentes de US$ 200 bilhões. Com um déficit recorde, cresceu a dívida nacional, enquanto os corretores de ações de Wall Street e seus clientes recebiam dividendos recordes. Os juros a pagar sobre o total da dívida do governo dos EUA, em seis anos, subiram de US$ 52 bilhões em 1980, quando Reagan chegou à presidência, para mais de US$ 142 bilhões em 1986 (1/5 de tudo que o estado arrecadava). Mas, apesar desses sinais tão preocupantes, o dinheiro continuava a sair da Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda, Japão, todos ansiosos para pôr a mão nos lucros de especulação no mercado imobiliário e no mercado financeiro. Em 1980, a soma da dívida pública e privada dos EUA chegou a US$ 3,9 trilhões. Ao final da década, chegou a US$ 10 trilhões.

Para qualquer pessoa com senso de história ou boa memória, tudo isso é bem familiar. Já acontecera nos “loucos anos 1920s” até 1929, quando o crash do mercado fez a roleta parar de repente. Quando, em 1985, nuvens de tempestade começaram a acumular-se no horizonte da economia dos EUA, ameaçando as ambições presidenciais do então vice-presidente George H. W. Bush, o petróleo, mais uma vez, lá estava, para fazer o papel de “salvador da pátria”. Apenas que, dessa vez, de modo muito diferente do que se vira nos choques do petróleo anglo-norte-americanos dos anos 1970s.

Obviamente, Washington raciocinou assim: “Se podemos fazer subir o preço, porque não poderíamos fazê-lo despencar, se é o que mais interessa aos nossos objetivos?”

A Arábia Saudita foi persuadida a entrar em modo de “choque de petróleo reverso” e a afogar, com seu petróleo, o deprimido mercado mundial. Na primavera de 1986, o preço OPEP do petróleo caiu como pedra, até abaixo de US$ 10 por barril, a partir de um preço médio de quase US$ 26 por barril apenas uns poucos meses antes. Em março de 1986, quando queda ainda maior nos preços do petróleo ameaçava já desestabilizar os interesses vitais, não só dos concorrentes independentes pequenos, mas das maiores empresas britânicas e norte-americanas de petróleo, George Bush Pai fez uma viagem secreta a Riad onde, como o comprovam inúmeras testemunhas, e disse ao rei Fahd que fizesse parar a queda do preço do petróleo. O Ministro do Petróleo de Arábia Saudita, Zaki Yamani, serviu com o bode expiatório conveniente para políticas inventadas em Washington, e os preços do petróleo estabilizaram-se num nível relativamente baixo, de US$ 14-US$ 16 por barril.

O Texas e outros estados produtores nos EUA entraram em depressão, mas a especulação imobiliária em outros estados subiu à estratosfera, e o mercado de ações entrou novamente em ascensão subindo a alturas estonteantes.

A queda nos preços do petróleo em 1986 deu origem a uma bolha especulativa, comparável à situação em 1927-1929 nos EUA. As taxas de juros caíram ainda mais, com o dinheiro sempre voando rumo à Bolsa de Valores em busca de grandes lucros. Nasceu então, e logo virou moda em Wall Street, uma nova perversão financeira – a compra de dívidas.

Em 1979, quando em plena segunda crise do petróleo Paul Volcker começou seu choque monetário, o governo contou 24 milhões de norte-americanos vivendo abaixo da linha de pobreza, definida essa linha em 6 mil dólares anuais. Em 1988, o número já crescera mais de 30% , para 32 milhões de pessoas.

Como nunca antes na história dos EUA a política tributária dos Reagan-Bush concentrara a riqueza do país em mãos de uma pequena elite. A partir de 1980, conforme estudo feito pela Comissão de Orçamento da Câmara de Deputados do Congresso dos EUA, a renda real dos 20% mais ricos dos EUA crescera 32%.

Apelo direto de Washington ao governo japonês do Primeiro-Ministro Nakasone, dizia que presidente do Partido Democrata, fosse quem fosse, agrediria o comércio nipo-norte-americano. Funcionou. Nakasone pressionou o Banco do Japão e o Ministério da Finança, para “amaciá-los”, torná-los mais flexíveis. As taxas de juro japonesas desde outubro de 1987 continuaram caindo, o que fazia com que ações e títulos dos EUA, bem como a propriedade imobiliária, aparecessem como investimentos relativamente “baratos”. Bilhões de dólares viajaram de Tóquio para os EUA. Durante o ano de 1988, o dólar permaneceu forte e Bush deu jeito de vencer as eleições contra o candidato do Partido Democrata, Dukakis. Para assegurar o apoio do Japão, Bush deu aos mais altos funcionários japoneses garantias privadas de que sua presidência faria melhorar as relações Japão-EUA.

GM – Qual o objetivo dos dois ataques dos EUA contra o Iraque?

FWE  Em 1990, o Iraque tinha enorme dívida externa e o governo dos EUA fizeram saber a Saddam Hussein que os EUA não se incomodariam se ele assaltasse o Kuwait. Mas, quando o Iraque invadiu o Kuwait, os EUA declararam guerra contra o Iraque. Importante a considerar, porque é traço característico: essa guerra foi financiada pelos aliados: Alemanha, Japão, Arábia Saudita e Kuwait, que pagaram US$ 54,5 bilhões aos norte-americanos. Como resultado, os EUA completaram a operação “Tempestade no Deserto” com lucro líquido de US$ 19 bilhões de dólares. Foi guerra necessária para que os EUA fortalecessem sua posição no Oriente Médio, e para ameaçar os aliados dos EUA na Europa e na Ásia. As causas da guerra de 2003 foram semelhantes.

GM – Por que os EUA permitiram declínio tão acentuado nos preços do petróleo no final do ano passado, se levou a uma drástica redução do investimento na produção do petróleo de xisto? Não poderiam, em vez disso, usar as conexões que têm com os terroristas, para organizar ataques aos campos de petróleo no Iraque, Nigéria, Angola, Argélia e outros países?

FWE  Sobre a questão do petróleo: a estratégia do Departamento de Estado dos EUA e daCIA é que a Arábia Saudita derrube os preços do petróleo, em primeiro lugar para pressionar Rússia, Irã e Venezuela. Não acho que tenham considerado qualquer efeito sobre o petróleo de xisto nos EUA, pelo menos inicialmente. Nunca subestime a estupidez das figuras chaves em Washington, tampouco a superestime. Acho que, nesse caso, o mais provável é que tenha avaliado que ExxonMobil, Chevron e British Petroleum conseguiriam sobreviver a seis meses de preços reduzidos. A indústria do petróleo de xisto, nos EUA são empresas médias e pequenas. O Big Oil nos EUA foi empurrado para o fundo do palco. Ano passado, a Shell definiu o investimento em petróleo de xisto como o maior erro da empresa, e saiu, antes de os preços caírem.

É possível que logo recomecem os ataques terroristas à infraestrutura e à capacidade de produção do petróleo. A estratégia de Washington é quebrar a Rússia. Essa é a missão da facção do complexo militar–industrial, Lockheed-Martin, Boeing, Raytheon, General Dynamics, etc. e bancos de Wall Street que querem destruir a Rússia por motivos geopolíticos.

Em termos geopolíticos, com a volta de Vladimir Putin à presidência, a Rússia passou a recusar-se a ajoelhar e rezar como vassalo do “ocidente”. A Rússia recusa-se a envolver-se em qualquer questão que afete a segurança do país, como mísseis de defesa e ataque nuclear preventivo aos EUA.

A cooperação econômica, política e militar entre a Rússia e os BRICS e entre a Rússia e a China representa ameaça à hegemonia da elite política dos EUA: uma Eurásia única economicamente e financeiramente, e militarmente independente (principalmente graças às capacidades militares da Rússia).

Há 20 anos, Washington eliminou todas as defesas de qualquer União Europeia independente que houvesse, com a assinatura do Tratado de Maastricht. Agora, a União Europeia está voltando a falar de constituir exército seu, independente da OTAN. Washington deu risada. Além do mais, a Rússia está cada vez mais atraente para a indústria alemã.

Segundo o diretor da empresa privada de inteligência norte-americana “Stratfor”, George Friedman, nos últimos cem anos a estratégia dos EUA foi impedir qualquer aproximação entre Rússia e Alemanha. Essa aproximação agora, em minha opinião, é a razão pela qual Washington convocou a Arábia Saudita para que encenasse o colapso nos preços do petróleo. Nada tem a ver com empresas de petróleo à beira da falência. Só tem a ver com as elites arruinadas do Império norte-americano: a Síria não trabalha para elas, o Egito não funciona a favor delas, a Turquia não funciona a favor delas, os países BRICS estão criando um novo banco de infraestrutura fora de qualquer controle pelo FMI e o Banco Mundial.

O que há é um bando de oligarcas norte-americanos tentando desesperadamente remendar os buracos no casco do “Titanic” deles. Mas nada poderá ajudá-los. O povo já ficou esperto demais.
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[1] Para ter ideia pálida do que foi o ano de 1974 no Brasil, ver: 16/3/1974 Folha de São Paulo em: Toma posse o general Geisel: Esse é o ano da esperança.
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[*] Frederick William Engdahl é jornalista, conferencista e consultor para riscos estratégicos. É graduado em política pela Princeton University; autor consagrado e especialista em questõesenergéticas e geopolítica da revista online New Eastern Outlook.
Nascido em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, é filho de F. William Engdahl e Ruth Aalund (nascida Rishoff). F.W. Engdahl cresceu no Texas, e depois de se formar em engenharia e jurisprudência naPrinceton University em 1966 (bacharelado), e pós-graduação em economia comparativa da University of Stockholm 1969-1970. Trabalhou como economista e jornalista free-lance em Nova York e na Europa. Começou a escrever sobre política do petróleo, com o primeiro choque do petróleo na década de 1970. Tem sido colaborador de longa data do movimento LaRouche.
Seu primeiro livro foi A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, onde discute os papéis de Zbigniew Brzezinski, de George Ball e dos EUA na derrubada do xá do Irã em 1979, que se destinava a manipular os preços do petróleo e impedir a expansão soviética. Engdahl afirma que Brzezinski e Ball usaram o modelo de balcanização do mundo islâmico proposto por Bernard Lewis.Em 2007, completou seu livro Seeds of Destruction: The Hidden Agenda of Genetic Manipulation. Seu último livro foi: Gods of Money: Wall Street and the Death of the American Century (2010).
Engdahl é autor frequente do sítio do Centre for Research on Globalization. É casado desde 1987 e vive há mais de duas décadas perto de Frankfurt am Main, na Alemanha.