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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

EUA declararam guerra à democracia

Puro fascismo!

26/2/2014, [*] Kevin Barrett, Press TV, Irã
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Thomas Woodrow Wilson  (1856 - 1924) 
Desde os dias do presidente Woodrow Wilson – quer dizer, por quase 100 anos – os EUA têm estado empenhados numa cruzada à sua própria moda, para “tornar o mundo seguro para a democracia”.

Guerras colossais, quentes e frias, combatidas contra kaisers e fuhrers alemães, contra comunistas russos e contra nacionalistas no Terceiro Mundo. E em todos os casos o povo norte-americano ouviu que estariam “defendendo a democracia”.

Os norte-americanos massacraram 3,5 milhões de vietnamitas, e quase mais outro milhão de cambojanos, para “defender a democracia” no sudeste da Ásia.

Assassinaram milhões de iraquianos com guerras e sanções para “defender a democracia” no Oriente Médio.

André Vltchek
Segundo Andre Vltchek e Noam Chomsky em seu livro On Western Terrorism, [1] o governo dos EUA já assassinou algo entre 55 e 60 milhões de pessoas desde o fim da IIª Guerra Mundial, em guerras e intervenções por todo o mundo. Se se acredita no que dizem os propagandistas do império, esse holocausto promovido pelos norte-americanos teria sido grande defesa da democracia.

Mas o que se vê hoje, às vésperas da a Iª Guerra Mundial completar o 100º aniversário, é que os EUA já embarcaram em nova cruzada – dessa vez para tornar o mundo ainda mais INSEGURO para a democracia.

Na Ucrânia, na Venezuela e na Tailândia, os EUA estão gastando bilhões de dólares para derrubar – inconstitucionalissimamente – governos democraticamente eleitos. 

Na Palestina, os EUA estão tentando derrubar o governo democraticamente eleito do Hamás desde o dia em que chegou ao poder. 

No Egito, os EUA – por pressão dos sionistas – derrubou recentemente o único governo jamais eleito democraticamente no país, em 5 mil anos de história documentada. 

Noam Chomsky
Na Síria, os EUA insistem que o povo sírio não teve a oportunidade e os meios democráticos para reeleger democraticamente Assad, e não importa quantos observadores internacionais estejam presentes para comprovar que as eleições são livres e limpas. 

E na Turquia, os EUA só fazem minar o governo democraticamente eleito do primeiro-ministro Erdogan, favorecendo Fethullah Gulen – o fantoche que a CIA quer “eleger” lá.

Considerando o longo prazo, os EUA trabalham incansavelmente para destruir a democracia no Irã, na Rússia e na América Latina.

Por que, diabos, o governo dos EUA odeia a democracia?

Porque os banqueiros internacionais que são proprietários do governo dos EUA e comandam o império norte-americano nem sempre podem comprar votos em quantidade suficiente para impor o desejo deles a um país inteiro. Assim sendo, a democracia é ótima – desde que os eleitores elejam o candidato da Nova Ordem Mundial. Mas se acontece de os eleitores votarem em candidato que não convém aos oligarcas... Preparem-se, que aí vem golpe!

Os banqueiros derrubarão qualquer governo que se oponha a eles – mesmo nos EUA. O “término com detrimento extremo” [orig. termination with extreme prejudice] da presidência de John F. Kennedy foi mensagem clara enviada a todos os futuros presidentes dos EUA.  

Mayer Rothschild
Mayer Rothschild disse, em frase que ganhou fama, que “Deem-me o controle sobre o dinheiro do país e pouco me importa quem escreva as leis”. Exagero, é claro. Os banqueiros da Nova Ordem Mundial gastam muito dinheiro para derrubar governos democraticamente eleitos por todo o mundo, precisamente porque eles se importam, sim, E MUITO, com quem escreva e faça cumprir a lei.

Agora, os banqueiros da Nova Ordem Mundial estão destruindo a Ucrânia em movimento geoestratégico contra a Rússia, onde Putin impôs rédea curta aos oligarcas russo-sionistas e meteu uma pedra no caminho do projeto de governança mundial dos banqueiros. Sim, o presidente Yanukovich da Ucrânia venceu eleições livres e justas. Mas a democracia nada significa para os faraós psicóticos da grande finança e seus pistoleiros neoconservadores alugados.

Os banqueiros (e os governos ocidentais que eles controlam) estão também tentando derrubar o presidente Nicolas Maduro da Venezuela, que chegou ao poder, pelas urnas, depois que a CIA assassinou o presidente Hugo Chávez. O presidente Maduro superou todos os esforços que os banqueiros empreenderam para derrotá-lo nas eleições do ano passada; agora, é o presidente democraticamente eleito da Venezuela. Nada disso impediu os banqueiros de tentarem derrubá-lo com um golpe pseudo populista.

Hugo Chávez
Na Tailândia, os banqueiros e seus cleptocratas locais estão tentando derrubar o governo democraticamente eleito da primeira-ministra Shinawatra. Aparentemente, os esforços de Shinawatra para garantir educação e assistência à saúde públicas aos cidadãos, e infraestrutura, e um salário mínimo, ofendeu os oligarcas.

Na Ucrânia, na Venezuela, na Tailândia, como antes na Síria e no Egito, os banqueiros está acrescentando violência ao seu joguinho de “revoluções coloridas”, o plano que conceberam para destruir a democracia. Parece incoerente, porque o intelectual-pau-mandado da Nova Ordem Mundial, Gene Sharp, chamado “o Maquiavel da não violência”, pregava que as “revoluções coloridas” originais sempre seriam levantes pacíficos e democráticos.

George Soros
Mas as chamadas “revoluções coloridas” inventadas por Sharp, a começar pela Revolução Rosa, na Geórgia, em 2003 e pela Revolução Laranja, na Ucrânia, em 2004, jamais foram genuínas revoluções do povo. Foram tentativas de golpe, orquestradas pelos banqueiros, e desde o primeiro momento. George Soros cuidaria de encaminhar o dinheiro dos Rothschild para o bolso de apparatchiks sedentos de poder, que inundariam seus países-alvos com propaganda e alugariam paus-mandados para vestirem camisetas de uma ou outra cor, posarem para as imagens de jornais e televisões e fazerem-se, eles mesmos, de “o espetáculo”, na esperança de, assim, seduzir jovens tolos (ou arrogantes) ou ingênuos para que se unam à “revolução” – cujo objetivo real é sempre instalar no poder um fantoche da Nova Ordem Mundial.

Mas agora, até a falsidade da não violência já desapareceu. A máscara risonha de Mickey Mouse da Nova Ordem Mundial caiu, revelando a bocarra sedenta de sangue dos banqueiros satânicos, empenhados em impor ao mundo uma só grande ditadura orwelliana.

Na Síria, o “levante pacífico” de março de 2011 tornou-se pretexto para mandar para lá bandidos e terroristas pesadamente armados, com a missão de desestabilizar o país. No Egito, o “levante” gerado pelos banqueiros no verão passada virou desculpa fabricada para um violento golpe de Estado. Na Tailândia, Venezuela e Ucrânia, os banqueiros pagam torcidas organizadas para encenar protestos violentos, destruir propriedade pública, combater contra a polícia e incitar cada vez mais violência – na expectativa de, assim, conseguir derrubar governos democraticamente eleitos.

Isso é puro fascismo.

O fascismo é falsamente “das massas”. Sempre há fascistas fantasiados de “revolucionários”, pagos para usar uniformes de uma ou outra cor, marchar em passo-de-ganso pelas praças, derrubar governos democraticamente eleitos... e pôr no poder uma ditadura velada dos mais ricos, na qual se misturam o poder das empresas e o poder do estado/governo.

Mussolini e Hitler desfilam em Berlim (1937)
Foi o que fez Mussolini em 1922. Foi o que fez Hitler em 1933. E é o que os neoliberais neoconservadores e seus patrocinadores banqueiros estão fazendo hoje... por todo o mundo. O incêndio do Reichstag de 11/9, que pôs a única superpotência na direção do total fascismo, foi o tiro que desencadeou a avalanche.

Objetivo da jogatina: uma ditadura fascista global, que faria o IIIº Reich parecer piquenique no parque.

Só há um meio para derrotar esses monstros. Todas as grandes fortunas, a começar pelos tesouros de trilhões de dólares das hordas de Rothschilds e amigos, têm de ser confiscadas e devolvidas aos cofres públicos. Todos os grandes bancos têm de ser estatizados e suas operações terão de ser tornadas absoluta e completamente transparentes. Todas as maiores empresas, a começar pelas empresas proprietárias dos veículos da chamada “grande” imprensa têm de ser estatizadas, em seguida partidas em várias pequenas empresas regidas por legislação antitruste.

Essa revolução – para derrubar a oligarquia global – é a única revolução que realmente importa.



Nota dos Tradutores
[1] CHOMSKY, Noam; VLTCHEK, André. On Western Terrorism, Londres: Pluto Press, 2013, 208 p.
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[*] Dr. Kevin Barrett, é Ph.D., arabista-islamologista e um dos principais críticos norte-americanos da Guerra ao Terror. Comentou muitas vezes na FoxNews, CNN, PBS e outros canais de mídia eletrônica; publicou artigos de opinião no New York Times, no Christian Science Monitor, no Chicago Tribune e em outras publicações líderes. Lecionou em faculdades e universidades em San Francisco, Paris e Wisconsin, onde ele concorreu para o Congresso em 2008. É co-fundador da Muslim-Christian-Jewish Alliance, e autor dos livros Truth Jihad: My Epic Struggle Against the 9/11 Big Lie (2007) e Questioning the War on Terror: A Primer for Obama Voters (2009). Seu site é www.truthjihad.com

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

“Crise Extraordinária” é necessária para preservar a “Nova Ordem Mundial”

17/1/2014, [*] Paul Joseph Watson, Alex Jones’ Infowars.com
Traduzido pelo pessoal do IrãNews

Harlan K. Ullman, autor da doutrina “Choque e Pavor” diz que a elite está ameaçada por atores não-estatais, como Edward Snowden Foto: Atlantic
Escrevendo para o Conselho do Atlântico, um insider de destaque sediado em Washington DC, Harlan K. Ullman, adverte que uma “crise extraordinária” é necessária para preservar a “Nova Ordem Mundial”, que está sob ameaça de ser descarrilado por atores não-estatais, como Edward Snowden.

O Conselho do Atlântico é considerado uma organização altamente influente com laços estreitos com os principais decisores políticos em todo o mundo. É liderado pelo general Brent Scowcroft, ex-Conselheiro de Segurança Nacional sob Presidentes dos EUA, Gerald Ford e George HW Bush. Snowcroft também aconselha o presidente Barack Obama.

Harlan K. Ullman
Harlan K. Ullman foi o principal autor da doutrina “choque e pavor” e é agora presidente do Grupo Killowen que assessora os líderes do governo.

Em um artigo intitulado “Guerra ao Terror não é a Única Ameaça” (orig. War on Terror Is not the Only Threat), Ullman afirma que, “mudanças tectônicas estão reformulando o sistema de geo-estratégica internacional”, argumentando que não são as superpotências militares, como a China, mas "atores não estatais", como Edward Snowden, Bradley Manning e hackers anônimos que representam a maior ameaça para os “365 anos de idade do sistema de Westfália”, porque eles estão incentivando as pessoas a se tornarem auto-capacitadas e com desejo de eviscerar o controle do Estado.

“Muito poucos tomaram nota e menos ainda tem sido feito sobre essa realização”, diz Ullman, lamentando que “revolução da informação e comunicações globais instantâneas” estão frustrando a “nova ordem mundial" anunciada pelo presidente dos EUA, George HW Bush mais de duas décadas atrás.

Brent Scowcroft
“Sem uma crise extraordinária, é pouco provável que seja feito algo para reverter ou limitar, os danos impostos pelo questionamento sobre se governo falhou ou não, escreve Ullman, o que implica que apenas um outro cataclismo como 9/11 permitirá ao estado, re-afirmar o seu domínio enquanto “contém, reduz e elimina os perigos representados por atores não-estatais recém-capacitados”.

Ullman conclui que a eliminação de agentes não estatais e indivíduos capacitados “deve ser feito”, a fim de preservar a nova ordem mundial. Um resumo de seu material sugere que a definição do Conselho do Atlântico de uma “nova ordem mundial” é uma tecnocracia mundial gerida por uma fusão de grande governo e um grande negócio em que a individualidade é substituída por uma singularidade trans-humanista.

A retórica de Ullman soa um tanto semelhante ao defendido pelo participante da Comissão Trilateral e co-fundador e participante regular do grupo Bilderberg, Zbigniew Brzezinski, que em 2010 disse em uma reunião do Conselho de Relações Exteriores que um “despertar político global”, em combinação com a luta interna entre a elite, estava ameaçando descarrilar a transição para um governo mundial.

A chamada implícita de Ullman para uma “Crise Extraordinária” necessária em revigorar o suporte para o poder do Estado grande de governo, tem tons misteriosos do Projeto para um novo século americano de 1997 (orig. Project For a New American Century’s), onde lamentam que “na ausência de algum evento catastrófico catalisador - como um novo Pearl Harbor”, uma expansão do militarismo dos EUA teria sido impossível.

Patrick Clawson
Em 2012, Patrick Clawson, membro da influente insider do pró-Israel Institute for Near East Policy (WINEP), também sugeriu que os Estados Unidos devem lançar uma provocação encenada para começar uma guerra com o Irã.

A preocupação de Ullman sobre as instituições do Estado de que tenham falhado e vêem a sua influência erodida por pessoas capacitadas, principalmente através da Internet, é mais um sinal de que a elite está em pânico sobre o “despertar político global” que expressou-se, mais recentemente, através das ações de pessoas como Edward Snowden, Julian Assange e Bradley Manning além de sua crescente legião de apoiadores.
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[*] Paul Joseph Watson é o editor e articulista de Infowars.com e Prison Planet.com. É autor de Order Out Of Chãos e também é host de Infowars Nightly News.
Siga Paul Joseph Watson: https://twitter.com/PrisonPlanet

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O fim da Nova Ordem Mundial [1]


19/10/2012, Seumas Milne, Guardian, UK

The end of the New World Order

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A questão é assegurar uma maioria de esquerda. Mas é completamente impossível, se nos limitarmos a gaguejar slogans extremistas, anti-isso, anti-aquilo, anti-qualquer coisa, anti-qualquer um, enquanto mostramos à direita que somos incapazes de chegar a qualquer acordo sobre coisa alguma, sem sequer analisar qualquer condição objetiva da luta.
J. L. Mélenchon (Le Monde, 28/1/2010)*

Seumas Milne
No final do verão de 2008, dois eventos, em rápida sucessão, marcaram o fim da Nova Ordem Mundial. Em agosto, a Geórgia, estado-cliente dos EUA foi esmagada em guerra breve, mas brutal, depois de ter atacado soldados russos no território disputado da Ossétia do Sul.

A ex-república soviética sempre fora estado favorito dos neoconservadores de Washington. O presidente-ditador local nunca se cansava de trabalhar para que a Geórgia se unisse ao movimento de expansão da OTAN na direção da Rússia. Em movimento de muito evidente inversão da realidade, Dick Cheney, então vice-presidente dos EUA, denunciou a resposta dos russos como ato “de agressão” que “não pode ser deixado sem resposta”. Como se jamais tivesse declarado sua guerra catastrófica contra o Iraque, George Bush disse que “a invasão pela Rússia de um estado soberano” seria “inaceitável no século 21”.

Quando a luta terminou, Bush alertou a Rússia para que não reconhecesse a independência da Ossétia do Sul. A Rússia fez exatamente isso, com os navios de guerra dos EUA passando a ser obrigados a “desviar” do Mar Negro. Aquele conflito marcou um ponto de virada no cenário internacional. O blefe dos EUA foi exposto ao mundo, com o ímpeto militarista dos EUA já minado pela guerra ao terror, no Iraque e no Afeganistão. Depois de vinte anos, durante os quais os EUA marcharam sobre o mundo esmagando o que viam pela frente, o tempo de poder incontestado dos EUA chegava ao fim.

Três semanas depois, um segundo evento, de consequências ainda mais amplas, atingia o coração do sistema financeiro global dominado pelos EUA. Dia 15 de setembro, a crise de crédito finalmente irrompeu, quando faliu o quarto maior banco de investimentos dos EUA. A falência do Lehman Brothers mergulhou o mundo ocidental em sua mais profunda crise desde os anos 1930s.

A falência do Banco Lehman Brothers
A primeira década do século 21 sacudiu a ordem internacional, virando de cabeça para baixo o que as elites globais diziam saber sobre o mundo; 2008 foi o ponto de virada. Até ali nos diziam que, com o fim da Guerra Fria, as grandes questões econômicas e políticas haviam sido resolvidas. A democracia liberal e o capitalismo de livre-mercado haviam triunfado. O socialismo passara à categoria de relíquia histórica. Todas as controvérsias políticas seriam doravante guerras culturais e questão de cortar gastos e impostos.

Em 1990, George Bush Pai inaugurara uma Nova Ordem Mundial, baseada em incontestada supremacia militar dos EUA e domínio econômico do ocidente sobre o planeta: mundo unipolar sem rivais. Poderes regionais curvariam os joelhos ante o novo império planetário. A própria história, como houve quem dissesse, chegara ao fim.

Mas, entre o ataque às Torres Gêmeas e a quebra de Lehman Brothers, essa ordem mundial ruiu. Dois fatores foram cruciais. Ao final de uma década de guerras ininterruptas, os EUA afinal deixaram ver os limites, não a extensão gigante, de seu poderio militar. E o modelo de capitalismo neoliberal, que reinara supremo durante uma geração, espatifou-se.

Ataque às torres gêmeas
Foi a reação dos EUA ao 11/9, que quebrou a sensação de invencibilidade do primeiro verdadeiro império global. A resposta escandalosamente errada do governo Bush converteu as atrocidades em New York e Washington no mais bem-sucedido ataque terrorista de toda a história.

A guerra de Bush falhou, para começar, em seus próprios termos, ao fazer brotar terroristas em todos os cantos do mundo; e sua campanha de assassinatos premeditados, tortura e sequestros desacreditou, também, tudo que o ocidente sempre dissera ao mundo sobre os EUA serem guardiães dos direitos humanos. As invasões no Afeganistão e no Iraque, por EUA-Grã-Bretanha, revelaram ao mundo a incapacidade de o ocidente impor a própria vontade a povos decididos a resistir. Afeganistão e Iraque foram derrota estratégica para os EUA e seus aliados mais próximos.

O fim do momento unipolar foi a primeira de quatro mudanças decisivas que transformaram o mundo – sob alguns aspectos decisivos, para melhor. A segunda foi o crash de 2008 e a crise da ordem capitalista ocidental dominada pelo ocidente que a primeira mudança desencadeou, e que apressou o declínio relativo dos EUA.

A crise de 2008 foi crise made in USA e aprofundada pelo custo descomunal das várias guerras norte-americanas. E seu impacto mais devastador aconteceu nas economias cujas elites compraram mais entusiasticamente a ortodoxia neoliberal de dar todo o poder a grandes corporações a mercados financeiros desregulados.

O modelo de capitalismo voraz, metido goela abaixo do mundo como único modo de administrar uma economia moderna, ao custo de fazer inflar desmedidamente a desigualdade social e a degradação do meio ambiente, fora desacreditado – e só foi salvo do colapso total pela maior intervenção do Estado na economia, de toda a história mundial. A farsa dos irmãos gêmeos – conservadores e liberais – foi posta em prática e testada até se autodestruir, até o total fracasso.

O fracasso da farsa dos conservadores e liberais acelerou a ascensão da China – a terceira mudança radical das décadas iniciais do século 21. O crescimento dramático da China tirou milhões de homens e mulheres da miséria. E o modelo econômico chinês, de investimentos puxados pelo Estado, varreu do cenário o projeto ocidental; fez, da ortodoxia do mercado, piada; e criou um novo centro global de poder. Nesse novo cenário, o poder de manobra aumentou, para muitos estados menores.

Pequim e a ascensão da China
A ascensão da China ampliou o espaço no qual cresceu a maré de mudanças progressivas que hoje se alastra pela América Latina – o quarto avanço global. Por toda a América Latina, governos socialistas e social-democratas foram levados ao poder em eleições democráticas, passando a atacar a injustiça econômica e racial, construindo independências regionais e retomando, das mãos das grandes corporações, o poder. Apenas duas décadas depois de nos terem convencido de que não haveria saída além do capitalismo neoliberal, os latino-americanos já estavam criando várias saídas.

São mudanças que cobram preço alto, e claro, e exigem altíssimas qualificações. Os EUA permanecerão como potência militar dominante não se sabe até quando; as derrotas que sofreram no Iraque e no Afeganistão foram pagas com morte e destruição em escala colossal; e a multipolaridade implica seus próprios riscos de conflitos. O modelo neoliberal foi desmascarado e desacreditado, mas ainda há tentativas de trazê-lo à tona mediante programas selvagens de “austeridade”. O sucesso da China também custou preço alto em termos de desigualdades, direitos civis e violência contra o meio ambiente. E, na América Latina, elites apoiadas ainda pelos EUA ainda insistem em forçar o recuo de todos os avanços sociais, o que conseguem às vezes mediante golpes violentos, como se viu em Honduras em 2009. As mesmas contradições também levaram ao mar de sangue em que o mundo árabe foi mergulhado em 2010-11 – onde se assiste a outra mudança de proporções globais planetárias.

Guerra do Iraque
Hoje, a ataque às Torres Gêmeas já está convertida em tal fonte de embaraços e problemas, que o próprio governo dos EUA decidiu mudar-lhe o nome: hoje, a guerra ao terror já é referida como “operações contingenciadas no estrangeiro”. O Iraque já é desastre universalmente identificado, o Afeganistão já é empreitada completamente fracassada. Mas o real significado desse realismo claro e cru não poderia ser mais diferente do que as fontes de informação e notícias ocidentais diziam que essas ações seriam, quando foram lançadas.

Se se recorda o que diziam EUA e britânicos – políticos e especialistas, intelectuais e jornalistas adestrados – logo depois do 11/9, a única conclusão é que viviam num universo paralelo de fantasias envenenadas. Nenhum esforço deixou de ser feito para desacreditar todos os que se opuseram à invasão e à ocupação do Iraque – os mesmos que, em pouco tempo, já estavam amplamente vingados.

Michael Gove
Michael Gove, que hoje é ministro de um Gabinete dos Tories, lançou ácido puro contra o jornal Guardian que publicou amplo debate sobre o ataque ao Iraque; chamou o Guardian de “gangue Prada-Meinhof” de “quinta-colunas”. O Sun, de Rupert Murdoch, disse que os que se opunham à invasão do Iraque seriam “propagandistas antiamericanos da esquerda fascista”. Quando o regime dos Talibã foi derrubado, o próprio Blair sentenciou a condenação triunfalista de todos (eu incluído) que se haviam oposto à invasão do Afeganistão e à guerra ao terror. Todos, declarou Blair, estariam “comprovadamente errados”.

Dez anos depois, poucos são os que ainda duvidam de que o governo Blair, ele sim, estava “comprovadamente errado”, erro de consequências catastróficas. Os EUA e seus aliados não conseguirão submeter o Afeganistão, previam os mais bem informados. A guerra ao terror, ela mesma, criará terror e terroristas. Atropelar direitos civis terá consequências terríveis – e qualquer ocupação do Iraque será desastre afogado em sangue.

Os “especialistas” do partido da guerra, como o ex “vice-rei da Bósnia” Paddy Ashdown, zombou das advertências de que invadir o Afeganistão levaria “a longa campanha de guerra de guerrilha”; disse que seriam ideias “fantasiosas”. Mais de dez anos depois, a resistência armada está mais forte do que nunca e a guerra do Afeganistão já é a mais longa de toda a história dos EUA.

História similar aconteceu no Iraque – embora, então, a oposição à guerra já estivesse nas ruas, aos milhões. Os que se opunham à guerra ainda eram acusados de “frouxos” [orig. appeasers]. O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, dizia que a guerra duraria seis dias. Muitos, também na mídia em língua inglesa, previam que a resistência desabaria em poucos dias. Todos esses, sim, estavam comprovadamente errados.

Na primeira semana da invasão-ocupação do Iraque, escrevi que se devia esperar “forte resistência dos guerrilheiros, mesmo muito depois da partida de Saddam Hussein” e que os ocupantes daquela ocupação de estilo colonialistas “seriam expulsos”. Não estava errado. As tropas britânicas enfrentaram ataques incansáveis, da resistência local armada, até 2009. O mesmo aconteceu aos soldados regulares dos EUA, até decidirem pela retirada, em 2011.

Mas não foi só na guerra ao terror que se comprovou que os que se opõem à Nova Ordem do Mundo acertaram, e que os promotores de guerras nada diziam que não fosse o mais calamitoso delírio. Por 30 anos, as elites ocidentais insistiram que só livres-mercados, privatizações e microimpostos para os mais ricos trariam crescimento e prosperidade.

Desde antes de 2008, o modelo do “livre-mercado” já vinha sendo alvo de ataque feroz: o neoliberalismo estava transferindo o poder para bancos e grandes empresas absolutamente “opacos”, sem fresta de transparência – diziam os ativistas da globalização antibancos e anticorporações; e assim o neoliberalismo estava fazendo aumentar a miséria e a injustiça social e esquartejando democracia – e que esse movimento era insustentável, simultaneamente, economicamente e ecologicamente.

Ao contrário dos políticos do New Labour, que diziam que as políticas “de bolhas” [orig. “boom and bust”] eram coisa do passado, os críticos lembravam que nada mais absurdo que dar por “abolido” o ciclo do mercado capitalista. Desregulação, financeirização e incansável promoção da especulação mais desenfreada, levaria sem dúvida possível, como levou, à crise.

A grande maioria dos economistas que previram que o modelo neoliberal caminhava a passos acelerados para o desastre eram, é claro, de esquerda. E assim, enquanto os principais partidos na Grã-Bretanha apoiavam “regulação leve” da finança, os opositores argumentavam, há muito tempo, que a City “liberalizada” ameaçava toda a economia.

Os críticos alertaram que privatizar serviços públicos sairia mais caro, geraria serviços piores e serviria como combustível para mais corrupção. Exatamente o que aconteceu. E na União Europeia, onde privilégio para bancos e corporações e ortodoxia de mercado foram formalizados em tratado, o resultado foi ruína de proporções continentais. A combinação de banking liberal com união monetária antidemocrática, pervertida e deflacionária, que críticos (nisso, unânimes, de direita e de esquerda) sempre disseram que não tinha qualquer coesão interna, nunca passou de desastre esperando para acontecer. O crash serviu, ali, de gatilho.

A esquerda sempre foi mais eloquente na crítica contra o capitalismo neoliberal. Foi também, sempre, mais eloquente na oposição às guerras de invasão e ocupação promovidas pelos EUA. Mas a esquerda mostrou-se estranhamente lenta e muda, no momento de capitalizar a seu favor os seus muitos acertos nas discussões centrais de toda essa era. Nem deve surpreender, talvez, se se considera a perda de confiança que contaminou as esquerdas mundiais, efeito de suas muitas derrotas no século 20, inclusive de suas próprias alternativas sociais.

Mas recuperar para nós as lições desses muitos desastres era essencial, para que não se repitam os erros. Mesmo depois do Iraque e do Afeganistão, a guerra ao terror prosseguiu, na matança de civis, na guerra de drones que hoje devasta, do Paquistão à Somália. As potências ocidentais foram decisivas na derrubada do regime líbio – agindo em nome de proteger civis, os mesmos civis que, imediatamente, passaram a ser assassinados aos milhares, numa guerra civil que a OTAN fez alastrar-se pela região, com a Síria, já devastada pelo mesmo conflito, sendo ameaçada de intervenção; e o Iraque, de ataque de tipo “solução final”.

E, enquanto o neoliberalismo era desacreditado em vários fronts, governos ocidentais usavam a crise para tentar entrincheirá-lo e protegê-lo. Não se cortaram só empregos, salários e benefícios como jamais antes em toda a história: as privatizações também prosseguiram. Acertar nas análises, é claro, jamais foi suficiente. Ainda falta muita pressão social e política, e terá de ser forte, para virar a mesa do poder.

Em 2008, cresceu também muito acentuadamente a revolta contra uma elite desacreditada e seus projetos sociais e econômicos fracassados. Com o peso da crise já descarregado sobre os ombros das maiorias, alastraram-se os protestos, as greves e vitórias eleitorais, o que mostra que a pressão por mudança efetiva está só começando. Rejeitar a ganância, a arrogância e o poder das grandes corporações já é o senso comum de época.

Eric Hobsbawm
O historiador Eric Hobsbawm descreveu o crash de 2008 como “equivalente, no mundo da direita, à queda do muro de Berlim” [2]. Virou lugar comum dizer que, depois da implosão do comunismo e ante a ascensão da social-democracia tradicional, a esquerda teria ficado sem alternativa sistêmica a oferecer. Mas nenhum modelo jamais foi servido pré-cozido. Todos, do poder soviético e do estado de bem-estar keynesiano ao neoliberalismo de Thatcher-Reagan, cresceram de improvisações ideologicamente motivadas em circunstâncias histórias específicas.

O mesmo vale para o dia seguinte da crise da ordem neoliberal. A necessidade de reconstruir uma economia quebrada, em novas bases, mais democráticas, mais igualitárias e mais racional, começa a ditar o formato de uma alternativa menos instável, mais sustentável. Ambas, a crise econômica e a crise ecológica já exigiram propriedade social partilhada, intervenção pública, com a riqueza e o poder já trocando de mãos. A vida real está empurrando na direção de soluções socialmente avançadas.

Os levantes dos primeiros anos do século 21 abriram a possibilidade de um novo tipo de ordem global e de genuína mudança social e econômica. Como os comunistas aprenderam em 1989, e os defensores do capitalismo só descobriram 20 anos depois, nada, em nenhum caso, estará jamais resolvido para sempre.



*Epígrafe acrescentada pelos tradutores, cortada-colada-traduzida de MOSCHONAS, Gerassimos, The European Union and the Dilemmas of the Radical Left, Transform, n. 09/2011, em tradução.

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Notas de tradução
[1] Versão editada de extrato de MILNE, Seumas, The Revenge of History: the Battle for the 21st Century [A vingança da história: a batalha pelo século 21], New York: Verso. [2] Eric Hobsbawm, Libération, 23/5/2009, em: Une réponse à la propagande libérale

sexta-feira, 2 de março de 2012

O MUNDO “GLOBALITARIZADO”


A NOVA CONFIGURAÇÃO DA ORDEM POLÍTICA E ECONÔMICA

Laerte Braga

A definição simples e precisa de Darcy Ribeiro sobre o surgimento do Estado como instituição nunca deixou de ser simples e precisa, por isso válida. O mais inteligente da tribo chamou o mais esperto e combinaram que um seria o rei, outro o sacerdote. O sacerdote receberia as “instruções divinas” determinando obediência ao rei, pagamento de tributos, o rei governaria pelo “bem comum” e, por via das dúvidas, chamaram o mais boçal e forte e deram-lhe uma borduna para garantir a aplicação da “lei e da ordem”.

Milhares de ogivas nucleares capazes de destruir o mundo cem vezes se necessário for fazem parte do arsenal dos Estados Unidos e seus principais aliados. É a borduna que garante a aplicação da “lei e da ordem” capitalista na Grécia por exemplo.

Ou que destrói a Líbia e infiltra mercenários na Síria para forçar uma guerra civil que a mídia veicula como protestos de opositores do presidente Bashar Al Assad (cento e sessenta soldados franceses foram presos pelas autoridades sírias e a mídia nem toca no assunto).

Que mantém palestinos acuados e aterrorizados numa política de extermínio praticada pelo estado sionista, Israel, mesmo à revelia de grande parte de seu povo.

A mesma força que queima páginas do Corão e as joga num lixo como se fossem superiores a uma cultura milenar com legados de extrema importância em todos os campos para toda a humanidade.

O governo de George Bush arrematou o processo que transforma os EUA em uma grande corporação. Já não bastava um banco central privado, mas todo o Estado norte-americano é hoje um grande conglomerado terrorista e que se volta para impor uma ordem que chamam de globalização e o geógrafo brasileiro Milton Santos definiu com singeleza – “globalitarização”.

A ordem política e econômica imposta ou pela mídia venal e disseminada por todos os cantos, ou pelas armas quando entenderem ser necessário que assim o seja.

É só olhar os acontecimentos no mundo desde o fim da União Soviética e a construção que eles próprios chamam de “nova ordem mundial”.

O capitalismo se exaure na ficção do cassino financeiro, submete trabalhadores a um momento de barbárie em todo o mundo e faz aflorar a configuração dessa nova ordem. O sistema financeiro, as grandes corporações e o latifúndio.

A Idade Média do horror nuclear, dos bombardeios devastadores sobre “inimigos”, os assassinatos “seletivos”, as tropas marchando com a suástica reformatada, mas o mesmo nível de crueldade, de estupidez.

O site WikiLeaks começou a publicar os arquivos da STRATFOR - INTELIGÊNCIA GLOBAL (espionagem privada). Mais de cinco milhões de e-mails da empresa STRATFOR com escritórios no Texas. Os e-mails referem-se ao período de julho de 2004 a dezembro de 2011 e mostram que a empresa sob a fachada de “editor-publisher” de artigos, estudos sobre inteligência e coisa e tal, vende serviços confidenciais de inteligência, espionagem privada a grandes empresas dentre elas a DOW CHEMICAL CO. DE BHOPAL, a LOCHHEED MARTIN, a NORTHROP GRUMMAM RAYTHEON e agências estatais dos Estados Unidos.

Os e-mails mostram a rede de informantes da STRATFOR, a estrutura de pagamento, técnicas para lavagem de dinheiro para pagamentos ilegais e formas para obter controle visando o domínio pleno e absoluto dos “negócios” em todo o mundo. Esse controle inclui intimidação, controle financeiro, sexual ou psicológico.

Um dos exemplos citados é o e-mail enviado pelo presidente da STRATFOR, George Friedman a um dos analistas da empresa, em seis de dezembro de 2011, com instruções sobre como explorar um informante israelense sobre o estado de saúde do presidente Hugo Chávez da Venezuela.

Outros revelam as tentativas de corromper Julian Assange, fundador do WikiLeaks e a interligação de empresas privadas de inteligência, fontes governamentais e agências governamentais norte-americanas para oferecerem em todo o mundo informações privilegiadas sobre política, eventos globais, etc., tudo devidamente remunerado.

Há uma rede de informantes em todo o mundo que são pagos através de contas em bancos suíços, cartões de crédito pré-pagos e essa rede inclui jornalistas, empresas jornalísticas, funcionários públicos, pessoal da diplomacia, num impressionante império de informações da “nova ordem”.

No Brasil as principais ligações são com o grupo Marinho (jornal O GLOBO, rede rádios GLOBO e rede GLOBO de tevê, além de jornalistas como William Waack – já citado em documentos anteriores do WikiLeaks, Caio Blinder, Merval Pereira e outros.

Um caso específico dentre vários citado nos documentos revelados pelo WikiLeaks o do processo de monitoramento dos ativistas ambientais que buscavam e buscam reparação pelos danos ecológicos causados pela empresa DOW CHEMICAL em Bhopal, na Índia; fato acontecido em 1984, que provocou milhares de mortes e atingiu mais de meio milhão de pessoas, além de ser causa de dano ambiental de longo prazo.

O que o conjunto de documentos liberados pelo WikiLeaks mostra é maneira como grupos privados do sistema financeiro, grandes corporações e latifúndio, assumem o controle do Estado e transformam nações em conglomerados em função dos seus interesses e nas redes que tecem por todos os cantos moldando essa ordem política e econômica num processo que envolve toda a elite econômica em qualquer lugar e controla a maioria dos políticos.

O Brasil é um exemplo claro disso. Boa parte dos deputados federais e estaduais, senadores, governadores, prefeitos e vereadores é eleita a partir de financiamento de empresas privadas e, nessa condição, acabam sendo meros porta-vozes dos interesses dos que financiam; na prática, literalmente, empregados. Agentes recrutados.

De um lado a alienação vendida num bombardeio incessante – televisão principalmente – e de outro o poder militar, dos arsenais destruidores.

Quando Bush começou a mostrar o que já era realidade faz tempo, o complexo empresarial e militar norte-americano através de contratos de terceirização e privatização de serviços de inteligência, de recrutamento, treinamento e operações de guerra por soldados de empresas vestindo a farda dos EUA, estava tão somente exibindo essa nova configuração do seu país, que se impõe ao mundo no conglomerado ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A.

A guerra virou um negócio de lucros extraordinários.

Não foi por outro motivo que Angela Merkel, chanceler alemã, sugeriu ao governo do primeiro ministro grego que suspendesse ou adiasse as eleições legislativas na Grécia temerosa de uma vitória de forças contrárias ao acordo celebrado/imposto pelas colônias européias que formam a chamada Zona do Euro e atentam apenas à realidade do sistema financeiro, das grandes empresas e do latifúndio.

A democracia é só um detalhe, um show televisivo. Cada vez mais governos representam menos os interesses de seus povos. As nações deixam de existir como tal para ganharem essa forma, essa configuração.

Darcy Ribeiro
É a ordem definida por Darcy Ribeiro e os “inteligentes”, os “espertos” e principalmente, os da borduna (MILICANALHAS), geram um mundo em que a classe trabalhadora, fragmentada e fragilizada, se vê presa de uma ordem política e econômica terrorista e disfarçada de capitalismo na sua fase mais brutal, a crise da ficção financeira que preside as extintas nações do mundo.

A luta popular é nas ruas e é por sobrevivência.

É a nova ordem que gera assassinatos como os acontecidos na segunda-feira numa cidade do estado de Ohio, numa sociedade com 40 milhões de indigentes, sufocada pela barbárie e que transforma jovens estudantes em autores de massacres com freqüência assustadora.

Não poderia ser de outra forma, é uma sociedade doente.

Artigo enviado por “Juntos Somos Fortes