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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Os ucranianos já foram espoliados. Os norte–americanos serão os próximos.


4/6/2015, [*]  Paul Craig RobertsInstitute for Political Economy
Tradução mberublue

Praça Maidan (Kiev - 9/3/2014)
Os ucranianos estiveram nos últimos 15 meses a pagar para Washington pela derrubada de seu governo democraticamente eleito em mortes, desmembramento de seu país e derrocada econômica, além da deterioração de seu relacionamento com a Rússia que, para a Ucrânia foi traduzida, na prática, com a perda de sua energia subsidiada. Agora os ucranianos estão perdendo suas pensões e ajuda social. Pateticamente, a população ucraniana marcha de cabeça baixa para o cemitério.
A Agência de Notícias TASS publicou reportagem em 1/6/2015 dando conta de que a Ucrânia interrompera o pagamento de pensões em geral, assim como aos veteranos da Segunda Guerra Mundial, pessoas com deficiências e vítimas de Chernobyl. De acordo com a reportagem, Kiev
(...) eliminou ainda gastos com transportes, serviços de saúde, serviços públicos e benefícios financeiros para antigos prisioneiros dos campos de concentração nazistas, bem como não mais honrará as ordens de pagamentos e títulos remanescentes da era soviética. As compensações em dinheiro para a s famílias com filhos vivendo nas áreas contaminadas pela radiação emanada do acidente com a usina de Chernobyl também deixarão de ser pagas. A oposição no parlamento ucraniano acredita que a Procuradoria Geral abrirá processo contra o Primeiro Ministro Arseniy Yatsenyuk, que foi quem trabalhou ativamente para a promulgação da lei de abolição desses “privilégios”.
O que se observa claramente é que puxaram o tapete dos idosos e desvalidos na Ucrânia. “Comedores inúteis”, eles foram classificados como lixo e para a lata de lixo destinados. Como devem se sentir agora os estudantes enganados da Praça Maidan, vendo que são culpados pela destruição do sistema de apoio aos seus próprios avós, por terem apoiado a revolução orquestrada por Washington na Praça Maidan? O crime que esses estudantes estúpidos cometeram com sua cumplicidade idiota é terrível.
Yatsenyuk, ou “Yats”, como Nuland prefere chamá-lo, é o fantoche de Washington que o Departamento de Estado selecionou para tocar o governo de marionetes estabelecido por Washington em Kiev. Yats age como um republicano de extrema direita quando se refere a pensões, compensações e serviços sociais como se fossem meros “privilégios”. Tem uma visão similar à dos republicanos nos Estados Unidos em relação ao seguro social ou serviços médicos prestados pelo Estado, pagos pelos impostos sobre os salários, ou seja, pagos pelos trabalhadores ativos dos Estados Unidos.
Os republicanos roubam os recursos que daí advém e os gastam em guerras que só servem para enriquecer ainda mais os tubarões de Wall Street e do complexo formado pela segurança/exército, e agora deram para culpar as “esmolas sociais” pela situação fiscal dos Estados Unidos.
  • Por acaso seria o direito da MONSANTO de tornar a Ucrânia uma produtora de alimentos geneticamente modificados um privilégio para os ucranianos?
  • Será o Benedito que o direito que o filho do Vice-Presidente dos EUA adquiriu de destruir o solo e contaminar as águas subterrâneas da Ucrânia também um privilégio?
  • Os altos custos financeiros impostos por forças externas para que os ucranianos sejam mais facilmente saqueados os tornam privilegiados?
Claro que não, ora essa! Nada disso é privilégio! Trata-se apenas de uma operação do mercado financeiro visando a criar o maior número possível de benefícios para o maior número possível de pessoas (como sei que muitos norte-americanos não vão entender que estou sendo irônico faço questão de afirmar: estou sendo irônico).
Arseniy Yatsenyuk foi capa de revista!
A reportagem não dá conta se os “privilégios” abolidos são parte de uma reforma que poderia posteriormente substituir o atual sistema de segurança social por outro. Talvez seja este o caso, mas como a interrupção do pagamento das pensões foi disparado e foi imediatamente aplicada na sequencia da lei colocada em vigor por Yats para “estabilizar a condição financeira da Ucrânia”, o objetivo dessa interrupção de pensões e pagamentos pode ter tido o objetivo de liberar dinheiro para pagar ao FMI e aos bancos ocidentais.
Na Ucrânia, assim como na Grécia, o povo crédulo e ingênuo, que viu a “salvação” na união com o ocidente está sendo levado ao abismo.
Claro, a Rússia levará a culpa por tudo. Posso até prever o que escreverão o The Washington Post e o New York Times em seus editoriais, bem como as palavras que serão ditas por Obama, CNN e Fox “News”. Aliás, meus leitores inteligentes também podem.
Pilhagem semelhante está em curso na Inglaterra, Itália, Espanha e nos Estados Unidos.
Na Inglaterra, tudo o que foi conquistado no decorrer de décadas pelo Partido Trabalhista foi jogado fora, e não apenas pelo Partido Conservador, mas pelo próprio líder do Partido Trabalhista, Tony Blair.
Tony Blair colocou seus eleitores à venda por dinheiro e atualmente, está entre o 1% dos mais ricos.
Bill e Hillary Clinton fizeram a mesma coisa. Os Clinton foram capazes de gastar três milhões (3.000.000) de dólares para realizar o casamento de sua filha, talvez um recorde mundial, colocando no chinelo a maioria dos casamentos de Hollywood.
Obama ainda nem deixou o gabinete e também já está rico. Os fiéis vassalos de Washington, Merkel, Hollande e Cameron, aguardam expectantes riquezas equivalentes.
Karl Marx estava correto ao dizer que o dinheiro a tudo corrompe. Tudo se tornou uma espécie de commodity que pode ser comprada e vendida por dinheiro.
A partir do momento que o dinheiro é a medida mais importante de uma pessoa, a população inteira está corrompida. Pois esta é a situação no mundo ocidental.
Em que lugar do ocidente as suas finanças pessoais, pequenas ou grandes, estão a salvo? Em lugar nenhum. Washington destruiu a privacidade financeira por todo o território do ocidente. Chegou mesmo a forçar a Suíça a violar as próprias leis apenas para concordar com a insistência de Washington em relação a qualquer tipo de privacidade financeira.
GOVERNOS ROUBAM SUA CONTA BANCÁRIA?
Por décadas, os norte-americanos que fossem titulares de contas bancárias no exterior eram obrigados a declará-las em suas Declarações do Imposto de Renda. Agora, se um norte-americano for possuidor de uma mera moeda de ouro em um cofre no estrangeiro, é obrigado a declarar o fato a Washington.
Uma vez que Washington saiba a localização de seus ativos, estes podem ser confiscados à vontade. Os EUA só precisam fazer algum tipo de declaração ou uma acusação qualquer e o seu dinheiro estará perdido.
Tendo em vista que Washington colocou as máquinas de impressão de dólares a todo vapor para servir a um punhado de bancos que controlam o tesouro dos Estados Unidos, a menos que a Rússia e a China concordem em se tornar vassalos de Washington, a qualquer momento o valor do dólar cairá acentuadamente.
Quando isso acontecer, não mais poderá o Federal Reserve criar dinheiro novo para satisfazer as necessidades de Washington.
Nesse caso, de onde virá o dinheiro? Das pensões dos trabalhadores dos Estados Unidos.
Pensões são acumuladas ano após ano sem pagamento de impostos e essa acumulação pode ser confiscada no total ou em parte para compensar o não pagamento de impostos, mais um “privilégio”.
Em determinado ano, acontecerá o confisco. Mas o que acontecerá no ano seguinte, quando o dólar continuará cambaleante nos mercados cambiais externos, dado o excesso de oferta? A resposta é que será assaltado mais um pedaço das pensões dos norte-americanos, e falo agora das pensões privadas, que serão confiscadas “para estabilizar o sistema financeiro”. Nestas alturas, a seguridade social será coisa do passado.
Alicia Munnell, que foi a minha substituta como Secretária Assistente do Tesouro para a Política Econômica no regime de Clinton, advogou anos atrás um confisco de pensões privadas, incluindo seus IRAs e 401Ks (modalidades de aposentadorias privadas, através das quais o trabalhador paga uma parte e o empregador paga outra parte, ou ainda paga apenas pelo trabalhador. Durante o tempo em que a aposentadoria está sendo paga ou seja, “acumulada” – ou pelo trabalhador ou pelo empregador, ou por ambos – o dinheiro é considerado livre de impostos, os quais serão cobrados apenas na época da aposentadoria do trabalhador, quando se supõe que, devido a idade e outros fatores, pagará impostos mais baixosNT) para compensar os Estados Unidos pelo status de dinheiro livre de impostos.
-AMADORES.
Fed, os bancos e o "Quantitative Easing"
Alicia tem uma sinecura (no original sinecure – emprego bem remunerado que exige pouco ou nenhum esforçoNT) em uma universidade do Leste enquanto continua a lutar contra a nossa aposentadoria.
O ataque conjunto dos Democratas de Clinton contra as pensões privadas e dos Republicanos conservadores contra as pensões públicas significa que nenhum trabalhador dos Estados Unidos pode ter esperança de gozar algum dia de uma aposentadoria.
Os norte-americanos tem apenas uma eleição antes de perder suas pensões, e não importa em quem votarão.
A segurança econômica é coisa do passado. Segurança era um produto que surgiu apenas porque os Estados Unidos eram a única economia ainda em pé logo depois da Segunda Guerra Mundial. Naqueles dias saudosos, as corporações acreditavam, assim como Washington, que as companhias tinham obrigações não apenas com os acionistas, mas também com seus empregados, consumidores e com as comunidades onde estivessem localizadas.
O resultado disso era prosperidade para todos, e não apenas, como acontece hoje, com a gestão das empresas e com os acionistas.
Os apologistas desse sistema de exploração gostam de dizer que os ricos se tornam cada vez mais ricos porque seriam muito mais espertos.
Mas acontece que a estupidez dos ricos é visível onde quer que se olhe. Os imbecis gananciosos destruíram o mercado doméstico dos Estados Unidos. Pense bem o quanto se pode ser estúpido?
Como poderão os cidadãos dos Estados Unidos continuar a consumir, se os seus bem remunerados empregos da indústria manufatureira e engenharia de software foram todos deslocalizados para o exterior, forçando-os a aceitar serviços como garçonetes, garçons, vendedores do varejo e trabalhadores de tempo parcial para a Walmart, tudo para que as linhas de capital de giro das empresas melhorem?
Quem vai comprar o que se produz para gerar lucros? Certamente não os norte-americanos, porque não terão dinheiro para tanto.
No entanto, a crença espalhada por Wall Street e pelos “advogados de acionistas” de que as corporações somente tem responsabilidade perante seus proprietários e acionistas destruiu a economia dos EUA.
Quando deslocalizaram a produção para o estrangeiro, as corporações destruíram os rendimentos que sustentaram o mercado consumidor dos EUA.
Deslocalização dos empregos dos EUA
Por exemplo, os rendimentos associados com a produção de computadores da Apple, assim como I-Pads e I-Phones estão agora na China.
Os consumidores norte-americanos da Apple não mais tem os rendimentos resultantes da fabricação dos produtos que a Apple comercializa para eles.
Os cidadãos dos EUA já foram espoliados de seus meios de subsistência e de suas carreiras. Suas pensões por aposentadoria é o próximo alvo. Para onde quer que se olhe, o destino das populações sob influência do ocidente é o mesmo.
Os ucranianos estão sendo espoliados. Assim como os gregos, os ingleses, os norte-americanos.
Onde quer que o ocidente deixe a sua marca, as populações são brutalmente exploradas. A exploração de muitos por poucos é a característica do ocidente, uma entidade corrupta, decrépita e moribunda.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 3/4/1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como Secretário-Assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service.
Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Mais pressão sobre a economia chinesa em desaceleração

EUA saem do Quantitative Easing, QE [1]

30/10/2014, Xinhua, China
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido no brechó da Vila Vudu: A gente aki axa que a presidenta Dilma está avaliando essas e outras importantes mudanças pelas quais está passando o contexto mundial, antes de decidir quem será o novo Ministro da Fazenda. ISSO nos parece muito mais importante, como informação, do que a infindável IMBECILOGIA dita “jornalística”, de “Lula gosta mais de Trombini” e “Dilma não gosta de Meirelles”  que é o que repetem sem parar, à guisa de “informação”, os PATÉTICOS jornalistas autoproclamados “especialistas em economia” operantes no Brasil-2014.

Observação do tradutor de plantão: É possível que haja erros de tradução nos termos “de especialidade” e de jargão “de bolsa”. Essa tradução é distribuída como está, só como uma espécie de “pista”, de dica, para melhores pesquisas e traduções nas quais todos podem colaborar, para gerar melhor informação. Todas as correções e comentários são bem-vindos.

sigue la lucha que es longa y es mucha, kenén no tango!

Quantitative Easing
-- Querem que eu jogue mais?
-- Oh,sim, faça isto! Por favor, Ben (Bernancke), por favor
PEQUIM (Xinhua) – Economistas alertam que respingos do fim do programa de estímulo da economia aplicado nos EUA pelo Federal Reserve conhecido como “afrouxamento quantitativo” [ing. Quantitartive Easing (QE)] (sic) dever fazer aumentar as atuais dificuldades da economia chinesa, que conheceu considerável pressão para baixo esse ano.

Na quarta-feira passada (29/10/2014), o Fed disse que decidira pôr fim ao seu programa de compra mensal de ativos, uma vez que o banco

(...) continua a ver força subjacente na economia suficiente para apoiar o avanço atual na direção de emprego máximo e em contexto de estabilidade de preços.

O economista chefe do banco HSBC-China, Qu Hongbin, disse pela rede social Sina Weibo, equivalente chinês do Twitter, que a decisão do Fed marcava o fim de seis anos de uma política lançada durante a crise financeira de 2008.

A política de QE, apesar de seus defeitos, ajudou a economia dos EUA a começar gradualmente a recuperar-se. Na comparação, a economia da Eurozona enfrenta hoje uma segunda crise; a recuperação do Japão parece ter vida curta; e a economia chinesa prepara-se para enfrentar pressão de redução, disse Qu.

A taxa do dólar norte-americano subiu cerca de 1% depois do anúncio do fim do QE. Um dólar norte-americano forte resultará provavelmente na apreciação do renminbi (moeda chinesa=Yuan) contra outras moedas, o que com certeza pressionará ainda mais a economia chinesa já mais lenta, disse ele.

Qu Hongbin, Economista-Chefe do HSBC
A economia chinesa, a segunda maior do mundo, diminuiu cerca de 7,3% no terceiro trimestre de 2014, o trimestre de mais lento crescimento desde o primeiro trimestre de 2009.

Guan Qingyou, analista-sênior em Minsheng Securities, prevê um dólar norte-americano forte no médio e no longo prazo; deve-se esperar queda no mercado do ouro [orig. bearish gold market]; e preços apáticos nas commodities, depois do fim do QE.

Os fundos da China em Yuan para câmbio devem continuar a cair, o que forçará o Banco do Povo da China [orig. People's Bank of China (PBoC), é o banco central da China], a alterar sues canais de fornecimento de dinheiro[orig. “to change money supply channels”], disse Guan.

Guan disse também que:

(...) se espera que, no próximo ano, o Banco do Povo da China continue a usar instrumentos de política monetária como re-empréstimos, [pledged supplementary lending (PSL) e standing lending facility (SLF)].

O banco central chinês, Banco do Povo da China vem usando esses instrumentos ao longo dos últimos meses, para injetar dinheiro no mercado e aumentar a liquidez.

Guan Qingyou
Guan também disse que:

(...) o fim do QE terá impacto negativo na recuperação das exportações e a China talvez tenha de tomar mais medidas de apoio ao crescimento e apressar as reformas.

A recuperação econômica dos EUA dessa vez vem acompanhada de medidas para reequilibrar o comércio, o que indica que a recuperação dos EUA dificilmente favorecerá as exportações chinesas, Guan continuou.

Ao contrário, as exportações chinesas sofrerão mais pressão por causa da apreciação do renminbi na relação com outras moedas.

A economia chinesa terá de confiar mais no crescimento interno, e por isso se devem esperar minimedidas de estímulo e exploração maior das reformas, via a zona de livre comércio, Guan acrescentou.

O presidente da China, Xi Jinping, disse na 2ª-feira (27/10/2014) que a experiência adquirida na Zona de Livre Comércio de Xangai, desde setembro do ano passado, “deve ser repetida o mais rapidamente possível”.

Ma Guangyuan, economista independente de Pequim, disse que:

(...) o fim do QE marcará uma virada histórica na política monetária dos EUA e levará a uma sólida recuperação da economia dos EUA.

O impacto do fim do QE nos mercados emergentes está apenas começando. Duas coisas são certas – o fluxo de fundos em dólar dos mercados emergentes para os EUA, e dólar norte-americano forte, disse Ma.

Esses dois efeitos impactarão a China, disse ele. Não há muito espaço para a China cometer erros de política monetária.

David Stockman, ex Economista-Chefe do Fed
O ex-economista-chefe do Fed, David Stockman, contudo, reduziu o impacto que a saída terá sobre a China. A remoção da acomodação pelo Fed terá diferentes efeitos sobre diferentes economias nos mercados emergentes.

Para a China, os respingos serão provavelmente relativamente mínimos, porque a China depende pouco de fluxos de capitais externos. Para outros mercados emergentes, os respingos talvez sejam mais dolorosos – disse ele.

Investidores em todo o mundo devem preparar-se para período de altíssima volatilidade.

(...) Ainda que o Fed consiga fazer bem o que planeja fazer, haverá muitos solavancos no caminho da normalização – completou Stockton.
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Nota dos tradutores

[1] É a política monetária adotada pelo Fed dos EUA em 2008, pela qual o Banco Central passou a imprimir dinheiro e o usou para comprar ativos financeiros, o que fez aumentar a oferta de dinheiro, na tentativa de estimular a economia dos EUA em momento de excepcional fraqueza. Lit. “facilitação [não se sabe do quê, provavelmente: “facilitação da vida de Wall Street”] por oferta de grande quantidade de moeda” [que os pobres absolutamente não viram]. – É o que Bresser Pereira chamou, em 2010, em português, de fascinante eufemismo (ing.).
Impressionantemente, NÃO SE LÊ absolutamente naaaaada que preste, sobre o conceito, nos veículos da imprensa-empresa no Brasil; o “evento” é chamado, na Folha de S.Paulo, de “afrouxamento monetário”. Há boa informação, embora rasa como pires, na BBC: 30/10/2014, BBC em “Has quantitative easing worked in the US?”.
Sobre o fim da “coisa” [QE], o melhor que encontramos é o que acima se lê traduzido, da imprensa chinesa, e indicação de Pepe Escobar em: 30/10/2014, redecastorphoto em Agora, é guerra total contra os BRICS.

Pepe Escobar: Agora, é guerra total contra os BRICS

4/11/2014, [*] Pepe EscobarRússia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

BRICS - Reunião de Fortaleza - 15/7/2014 
Apertem os cintos, a guerra de informação já desencadeada contra a Rússia deve expandir-se para Brasil, Índia e China.

Brasil, Rússia, Índia e China, como o mundo inteiro sabe, são os quatro principais países do grupo BRICS de potências emergentes, que também inclui a África do Sul e em futuro próximo incorporará também outras nações do Sul Global. Os BRICS perturbam imensamente Washington – e sua Think-Tank-elândia – porque são a corporificação do impulso concertado do Sul Global rumo a um mundo multipolar.

Podem-se apostar garrafas de champanhe crimeano que a resposta dos EUA a esse processo deve ser alguma espécie de guerra total de informação – não muito diferente, em espírito, do “Conhecimento Total de Informação” [orig. Total Information Awareness (TIA)], elemento central da Doutrina da Dominação de Pleno Espectro, do Pentágono. Os BRICS são vistos como importante ameaça –, e conseguir contratorpedeá-los implica dominar toda a grade informacional.

Vladimir Davydov, diretor do Instituto de América Latina da Academia de Ciências da Rússia, acertou o olho do alvo quando observou que:

(...) a situação atual mostra que há tentativas para suprimir não só a Rússia, mas também os BRICS, dado que o papel global daquela associação só faz crescer.

A demonização da Rússia escalou rapidamente nos EUA, das sanções relacionadas à Ucrânia, para Putin o “novo Hitler” e a ressureição do bicho-papão bem testado ao longo da Guerra Fria, tipo “Os Russos estão chegando”.

Dilma Rousseff
No caso do Brasil a guerra de informação já começou antes da reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Assim como Wall Street e suas elites comprador locais faziam de tudo para bombardear o que definem como economia “estatista”, Dilma foi também pessoalmente demonizada.

Passos não inimagináveis para futuro próximo talvez incluam sanções contra a China, por causa de sua posição “agressiva” no Mar do Sul da China, ou Hong Kong, ou Tibet; sanções contra a Índia por causa do Kashmir; sanções contra o Brasil por causa de violações de direitos humanos ou excesso de desflorestamento. Seletos diplomatas indianos, lamentam, off the record, que o primeiro dos BRICS a ser afivelado sob pressão será a Índia.

Dado que os BRICS são tijolos realmente chaves na construção de um sistema global de relações internacionais e um sistema financeiro mais inclusivo – e não há outros no mercado – eles que, pelo menos, mantenham-se bem alertas. Se não, cada um deles será abatido, um depois do outro.

Georgy Toloraya, diretor executivo da Comissão Nacional Russa de Pesquisa sobre os BRICS, lembra que hoje, pelo menos, há “mais e mais comunicação acontecendo pelos canais BRICS.”

Os brasileiros, por exemplo, estão particularmente interessados em cooperação de investimentos. O Banco de Desenvolvimento dos BRICS será realidade já em 2015. E uma equipe russa está preparando relatório detalhado sobre perspectivas futuras para cooperação entre os BRICS, para ser discutido em Pequim, em profundidade, durante uma semana, enquanto acontece a reunião de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico [orig., Asia-Pacific Economic Cooperation, APEC].

Da guerra de energia à guerra da moeda

O novo choque do petróleo dos sauditas – que, no mínimo, recebeu luz verde do governo Obama – combina perfeitamente com o padrão “Conhecimento Total de Informação” (TIA), em termos de ofensiva contra os BRICS, com dois deles no papel de alvos chaves: Rússia e Brasil.

O preço do petróleo é a questão
Mais de 50% do orçamento da Rússia vem da venda de petróleo e gás. Cada redução de US$ 10 no preço do barril de petróleo significa que a Rússia deixa de receber coisa como US$ 14,6 bilhões por ano. Pode ser, de certo modo, compensado pela desvalorização do rublo – mais de 25% contra o dólar norte-americano, desde o início de 2014. E a Rússia, claro, ainda tem cerca de US$ 450 bilhões em reservas. Mesmo assim, a economia russa pode crescer só de0,5 a 2% em 2015.

Com a redução de US$ 1 nos preços do petróleo cru, a maior empresa brasileira, Petrobras, perde mais de US$ 900 milhões. Aos preços atuais do petróleo, a Petrobras estará perdendo em torno de US$ 14 bilhões por ano. A queda dos preços portanto mina a expansão de longo prazo da Petrobrás para financiar novos projetos de infraestrutura e de exploração conectados aos seus valiosos depósitos de petróleo do pré-sal. A Petrobras foi alvo preferencial para a demonização de Rousseff.

O Irã não é membro dos BRICS, mas partilha o impulso do grupo com vistas a um mundo multipolar. Para equilibrar o próprio orçamento, o Irã precisa de petróleo a US$ 136 o barril. Um acordo nuclear a ser firmado com o P5+1 em três semanas, dia 24/11/2014, pode levar a um alívio nas sanções – pelo menos as vindas da Europa – e permitir que o Irã melhore suas exportações de petróleo. Mas em Teerã não há ilusões sobre o quanto a manipulação dos preços foi cerebrada para desestabilizar ainda mais a economia iraniana e minar sua posição nas negociações nucleares.

 Acordo nuclear Irã e P5+1
No front econômico, a doutrina do “Conhecimento Total de Informação” [orig. Total Information Awareness (TIA)] manifesta-se em o Fed pôr fim ao quantitative easingQE [injeção de dólares recém impressos na economia, lit. “facilitação quantitativa” ou “alívio quantitativo”]: significa que o dólar dos EUA continuará a subir e mais dólares dos EUA deixarão os mercados emergentes. A rede chinesa Xinhua expôs e discutiu seriamente essa questão.

O dólar norte-americano e o Yuan estão efetivamente ligados. Quando o dólar norte-americano sobe, o Yuan também sobe. Mas é a economia chinesa que sofre. O que preocupa Pequim é que é possível que a manufatura chinesa torne-se excessivamente cara, em muitíssimos países nos quais as margens de lucro já são muito estreitas.

Portanto, o que com certeza acontecerá é o Banco Central da China determinar uma queda controlada do Yuan – e ao mesmo tempo desenvolver mecanismos para combater a saída de dinheiro quente, sobretudo para Hong Kong.

A China pode até ser relativamente imune ao fim do QE. Mas todos na Ásia lembram ainda muito bem da crise financeira de 1997, que respingou na Rússia em 1998. Os únicos beneficiados então foram – e quem seria?! – os interesses privados norte-americanos e a hegemonia de Washington.

O centro não se mantém coeso [orig. The center cannot hold]

A demonização dos BRICS, em graus diferentes, prossegue sem parar – com o foco central na Rússia, a qual, por falar dela, iniciará a IIIª Guerra Mundial. Por quê? Porque os EUA dizem que sim.

A adesão de outros países do Sul-Global fortalece os BRICS
A mais recente ação envolve o Serviço de Inteligência da Defesa Dinamarquesa [orig. Danish Defense Intelligence Service (DDIS)], que noticiou, semana passada que a Rússia simulara um ataque com jatos e mísseis sobre a ilha de Bornholm em junho/2014.

DDIS não distribuiu qualquer detalhe concreto sobre o ataque simulado. Mas enfatizou que foi o maior exercício militar russo sobre o Mar Báltico desce 1991. DDIS distribuiu um documento “Avaliação de Risco 2014” [orig. Risk Assessment 2014], no qual prevê que:

(...) ao longo dos próximos poucos anos, a situação no leste da Ucrânia tem alta probabilidade de converter-se em novo conflito europeu frio.

Mas os dinamarqueses foram muito claros:

Não há indicações de que a Rússia constitua crescente ameaça militar direta ao território dinamarquês.

Immanuel Wallerstein
Nada disso impediu que os chefes militares norte-americanos de sempre se pusessem a repetir que a Rússia se prepara para iniciar a IIIª Guerra Mundial.

Não há absolutamente nenhuma prova de que Washington esteja preparada sequer para discutir a possibilidade de modificar o atual sistema-mundo, como teorizado por Immanuel Wallerstein, na busca por gestão mais democrática. A próxima reunião do G20 na Austrália, mais uma vez, deixará isso bem claro.

O que se vê, portanto, é o sistema, cada dia mais fragmentado, deslizando inexoravelmente rumo a um catastrófico ponto de ruptura.  O “Conhecimento Total de Informação” [orig.Total Information Awareness (TIA)] e suas reviravoltas e circunvoluções não passam de “estratégia” desesperada para adiar uma decadência inevitável.

No fim, Wallerstein estava certo. O mundo do pós-Guerra Fria está condenado a permanecer imensamente volátil.

[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Seu novo livro,  Empire of Chaos, será publicado em novembro/2014 pela Nimble Books.