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sábado, 4 de abril de 2015

Governo grego quer pôr fim à “anarquia” entre os canais de TV e está cobrando pagamento de 40 milhões de euros, de impostos atrasados

3/4/2015, Keep Talking Greece, Atenas
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A mídia-empresa na Grécia


Os ventos de mudança (SYRIZA e seus eleitores) estão finalmente mudando o modo como as coisas costumavam ser feitas na Grécia. Redes de TV e outras empresas de mídia de massa têm de respeitar todas as leis de licenciamento e pagar imediatamente o que devem ao estado. A readmissão dos funcionários demitidos da ERT, organização estatal de comunicação de massa, e a reorganização da mesma ERT é muito bem-vindo primeiro passo. O fechamento daERT foi erro crasso de interferência privada em interesses do estado grego, pelo partido da “Nova Democracia”, exclusivamente porque a ERT recusou-se a fazer jornalismo “faixa branca”, de repetição de tudo que o líder de um dos partidos diga ou pense, no caso do partido de Samaras, que vivia de repetir a cantoria a favor da Troika e do 1%.
É preciso fazer mudanças radicais na indústria de mídia de massas, principalmente na legislação de propriedade das redes e das influências cruzadas entre as redes e dentro da cada TV, rede de rádio, e as redes de interesses dos barões da mídia-empresa privada. Claramente, essas são as forças que trabalham diariamente, sempre em nome dos interesses da Troika, e contra o voto da maioria do povo grego.
[Ellis says, 3/4/2015, nos “Comentários”, na mesma página]


Syriza e Alexis Tsipras
Depois de 26 anos de “anarquia” na paisagem das frequências de rádio e televisão e dos muitos “furos” na legislação existente, o novo governo grego inaugura o novo grande capítulo do uso legal de concessões de TV e rádio para comunicação pública na Grécia.

Na primeira fase de sua ação, o governo do SYRIZA está cobrando dívida existente de 40 milhões de euros, de impostos não pagos ao longo dos últimos quatro anos. Como segunda fase, virá um novo processo organizado de concorrência para distribuição das licenças para transmissão.

Essas iniciativas sem dúvida desencadearão uma guerra entre o governo e as maiores mídia-empresas, quase todas terrivelmente endividadas em bancos. E as relações entre o SYRIZA e os principais acionistas dos maiores veículos das mídia-empresas dominantes absolutamente nunca foram de muita simpatia mútua...

Na 3ª-feira (31/3/2015), o Ministro de Estado responsável pelas mídia-empresas, Nikos Pappas, publicou uma lista das dívidas de canais pagos e abertos de TV, de impostos devidos pelo uso das frequências (equivalente, por contrato, a 2% dos lucros das empresas).

●– 24 milhões de euros correspondem às dívidas de nove canais nacionais de televisão: ANTENNA, MEGA, STAR, ALPHA, SKAI, MAKEDONIA TV, CITY NEWS, CHANNEL 9, 902 LEFT (que pertenceu ao Partido Comunista, KKE).

●– 16 milhões de euros, são dívidas dos dois canais pagos de TV (OTE TV, Forthnet).

●– Os demais canais menores devem menos.

Os impostos deixaram de ser cobrados/pagos em 2011.

Nikos Pappas
Mas os canais de mídia empresa não dão sinais de querer pagar o que devem:

As redes entendem que nada têm a pagar, porque os partidos políticos, nos últimos anos, têm-se aproveitado de uma lei de 2002 que os autoriza a divulgar spots de propaganda eleitoral por televisão, sem nada pagar.[1]Significa que os impostos devidos foram cancelados por esse uso de tempo gratuito nas redes nacionais.

E então? Tivemos eleições em 2011, 2012, 2013 e 2014? E os canais gregos de TV costumavam pagar regularmente seus impostos nos anos entre 2002-2010? Por acaso tinham o bom hábito de pagar impostos antes de 2002?

Não sei e estou ocupado demais para pesquisar esse assunto. Mas, seja como for, alguns gregos estão vendo nessas iniciativas do partido SYRIZA um bem-vindo primeiro passo para pôr fim à mancebia entre interesses comerciais das mídia-empresas e interesses eleitoreiros (quando não também comerciais) dos legisladores que legislam sobre “mídia” e sobre “empresas”.

Alguns canais de TV já dizem ao governo que qualquer alteração no processo de distribuição das frequências fará aumentar o desemprego.
___________________________________________________________

Nota  dos tradutores

[1] Se alguém pensou “no Brasil também é assim”, esqueça. No Brasil é muito pior: na Grécia o golpe “midiático” é dado SEM lei; no Brasil, o golpe “midiático” é dado POR lei. O chamado horário “gratuito” de propaganda partidária no Brasil absolutamente NADA tem de gratuito, e o golpe já é legal desde 1995: A Lei nº 9.096/1995 estabelece que:

(...) as emissoras de rádio e televisão terão direito à compensação fiscal pela cedência do horário gratuito previsto nesta lei.


A mesma disposição, em idêntica redação, foi posteriormente reiterada pelo art. 99 da Lei nº 9.504/1997 (Lei Eleitoral). Dados da Receita Federal, relativos às eleições de 2010, revelam que a compensação fiscal dada às emissoras pela transmissão da propaganda eleitoral impôs aos cofres públicos um corte de R$ 850 milhões” (mais sobre isso em: “Quem paga a conta do horário eleitoral  gratuito” e em “Horário eleitoral gratuito é pago e sem transparência”).

sexta-feira, 27 de março de 2015

VÍDEO: o documentário do DCM sobre o escândalo de sonegação da Globo

Enviado por Substantivu Commune em 26/3/2015

O DCM apresenta o documentário sobre o escândalo da sonegação da Globo na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002.

O trabalho é resultado de um crowdfunding. Através da plataforma Catarse, os leitores ajudaram a bancar a série de reportagens assinadas pelo repórter Joaquim de Carvalho. Assista a seguir:


Em resumo: a Rede Globo comprou os direitos e, pela transação, não pagou impostos. Depois, adquiriu esses mesmos direitos da empresa de fachada que criou no Caribe por um preço bem superior.

Mais uma vez, não pagou impostos. É a forma conhecida de remeter ao exterior dinheiro que deveria ter sido contabilizado como lucro no Brasil e, por isso, tributado.

O serviço de inteligência da Receita auditou as contas. Em 2006, chegou-se à conclusão de que a emissora deixou de recolher impostos que, à época, com multa e correção, chegavam a 615 milhões de reais.

O episódio veio à tona em 2013 através do blog O Cafezinho. Uma assessoria de imprensa afirmou que a dívida foi quitada, mas diante de uma campanha que circulou na internet exigindo que o DARF fosse mostrado, a Globo se calou.

O processo sobre a sonegação foi furtado. A autora do furto chegou a ser presa, mas, defendida por um dos mais caros escritórios de advocacia do Brasil, foi colocada em liberdade por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Joaquim mergulhou nos dados da Receita, falou com tributaristas e especialistas e esteve no Rio de Janeiro com profissionais como Miguel do Rosário e Eduardo Goldenberg, que descobriu o paradeiro dos documentos.

Foi até as Ilhas Virgens Britânicas, onde ficava a Empire Investment Goup Ltd., companhia fantasma aberta com o objetivo exclusivo, segundo a Receita, de sonegar. Contamos a história rocambólica da sobrevivência dos papeis no submundo do crime.

O escândalo global foi nossa terceira incursão no mundo do financiamento coletivo. Antes disso tivemos o “Diário de Melgaço”, sobre o programa Mais Médicos na cidade com IDH mais baixo do Brasil, e o “Helicoca”, a respeito da apreensão de 445 quilos de pasta base de cocaína no helicóptero do político e empresário Zezé Perrella.

Estamos no momento nos dedicando a esmiuçar o papel da Sabesp e do governo do estado de São Paulo na crise da falta de água.

A investigação de Joaquim sobre a Globo resultou também nesta vídeo-reportagem dirigida por Alice Riff que ora compartilhamos. Agradecemos a todos aqueles que apostaram no jornalismo independente do DCM e colaboraram para o projeto se concretizar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

SONEGAÇÃO versus CORRUPÇÃO; os interesses dos EUA e seus cúmplices no Brasil

8/2/2015 -
Enviado por Emilia M. de Morais
Ilustrações: redecastorphoto



Um amigo meu trabalha com lógica matemática e nunca fez política partidária. Diverte-se em fazer contas e delas extrair inferências mínimas; anda tão intrigado com a desinformação reinante, que escreveu o que segue logo abaixo.

Pedi-lhe apenas para me repassar as fontes e, de preferência, que fossem “confiáveis” para os que se presumem bem informados.

Vocês não lerão nada dos “blogues sujos”, simpatizantes do PT ou afins. Essa discussão precisa ser mais objetiva e menos partidária. Sem adjetivos ideológicos vamos aos números e aos substantivos!



Vejam o que ele escreveu, passo a passo

R$ 450 bilhões/ano + R$ 82 bilhões/ano = R$ 532 bilhões/ano é a soma de dois rombos anuais nos cofres públicos brasileiros. A parcela maior corresponde ao custo anual estimado da SONEGAÇÃO fiscal. A parcela menor corresponde ao custo anual estimado da corrupção.

Desses R$ 532 bilhões/ano, R$ 0,2 bilhão/ano ou R$ 200 milhões/ ano corresponde ao escândalo da Petrobrás.

Silêncio de cemitério sobre a diferença de R$ 531,8 bilhões. A classe amorfa dos indignados é descerebrada. É incapaz de comparar números em termos de magnitude. É incapaz de somar. É incapaz de subtrair. É incapaz de figurar proporções. É incapaz de um raciocínio aritmético elementar.

Pelos dados mais atualizados (mais de R$ 500 bilhões de sonegação) a diferença entre os dois índices ainda seria maior. Confiram esta vídeo-entrevista da Folha de São Paulo de 4/8/2014.


Sobre corrupção no Brasil e a histeria midiática

Registre-se ainda:

Notícia (I): R$ 82 bilhões é o custo anual estimado da corrupção no país.
Notícia (II) - algumas continhas mínimas:

Desses R$ 82 bilhões, R$ 0,2 bilhão ou R$ 200 milhões (anual) corresponde ao escândalo da Petrobrás (R$ 2,1 bilhões / 12 anos = 0,175 bilhão/ano. Arredondei o valor pra cima).

Silêncio midiático de cemitério sobre a diferença de R$ 81,8 bilhões.

Confiram essas notícias pelos links da grande mídia (imprensa-empresa venal), a seguir:



Graça Foster
Sobre Graça Foster, inferências impagáveis!

Um mistério em torno da gestão de Graça Foster. Como é que ela conseguiu a tripla façanha de:

(1) ser agraciada com o Distinguished Lifetime Achievement Award da prestigiada Society of Petroleum Engineers;
(2) ter carreado para a Petrobrás o Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations, and Institutions da igualmente prestigiada OTC;
(3) ter conseguido superar a Exxon Mobil no 3.º trimestre de 2014, tornando-se a maior produtora de petróleo do mundo dentre as empresas de capital aberto?

A petezada deve ter aparelhado a SPE e a OTC. Só pode. Ou talvez os comitês que concederam os prêmios são constituídos por bananas. Não há outra explicação.

Links para Graça Foster e a Petrobrás:




In a letter informing Petrobras of the award, the chairman of the Offshore Technology Conference, Edward G. Stokes, emphasized that: “This award provides recognition for Petrobras’ notable, significant and unique achievements and its major contributions to our industry [offshore oil and gas]. The [OTC] selection committee was extremely impressed by the nomination. Petrobras’ achievements in the drilling and production of these challenging reservoirs are world-class. The industry has learned a lot from the information shared by Petrobras about pre-salt in papers and sessions presented at the OTC. We are all benefiting from your success.



Sonegação da Globo versus Corrupção da Petrobrás - o incômodo “empate técnico” das manchetes!

Links das manchetes imprensa-empresa a seguir:




A manchete (1) os jornais da Globo e seus colunistas martelam todos os dias!
A manchete (2) William Bonner, William Waack, Miliram Leitão, Merval Pereira, C. A. Sardenberg jamais noticiaram!

Sobre corrupção vale relembrar o recente e certeiro artigo do empresário Ricardo Semler! O autor de “Virando a própria mesa” é um tucano de carteirinha, orgulhoso e confesso, e que conhece bem os meandros da política e do poder no Brasil, de longas datas. O que ele nos recordou:

Ver em 21/11/2014, Ricardo Semler - Folha de São Paulo em: “Nunca se roubou tão pouco”.

Ives Gandra
Martins
Ele me enviou também uma singela perguntinha que faria ao eminentíssimo jurista, Dr. Ives Gandra Martins:

Caro professor Gandra, que outros nomes e autoridades se enquadrariam na sua teoria do impeachment por omissão culposa? Dilma responderia pela fatia de R$ 0,2 bilhão/ano no caso da Petrobrás. Quantos mais responderiam, seguindo sua linha de raciocínio, pelo granel dos R$ 81,8 bilhões/ano relativo aos casos restantes?

E nem os algoritmos do isento Google lhe escaparam:

Googlômetro: 62.000.000 resultados para “corrupção” (que suga cerca de R$ 82 billhões/ano dos cofres públicos) contra míseros 615.000 resultados para “sonegação” (que suga cerca de R$ 500 bilhões/ano dos cofres públicos).

Por quê? Joguinho para a meninada se divertir.

Enfim, arremato:

Poucos se dão conta de que a atual campanha contra a PETROBRÁS e as grandes empreiteiras brasileiras tem a ver com o B dos BRICS (países que, hoje, ameaçam a hegemonia do dólar) e com a cobiça nacional e internacional pelos TRILHÕES do Pré-sal; assim, não estão compreendendo quase nada do que está se passando no Brasil.

Rodrigo Janot
Poucos se dão conta de que, se corruptos têm de ser punidos, nunca a polícia federal teve autonomia para denunciar e prender tanta gente neste país!

Relembrando Bob Fernandes sobre o pré-sal, agora que Janot foi aos EUA solicitar “ajuda” (???) da ECA - o muito poderoso CADE de lá!

Vinte trilhões e 400 bilhões de reais equivalem a uns 5 PIBs do Brasil. Cinco vezes tudo o que o Brasil produz a cada ano.

Por algo que vale US$ 8 trilhões e 800 bilhões, Estados Unidos, Inglaterra, as chamadas grandes potências fariam, farão qualquer coisa. Assista o vídeo:


sábado, 10 de agosto de 2013

FHC: “Eu não! Eu sou Deus!”

[*] Laerte Braga

charge acordabrasil
Quando o ex-presidente Fernando Henrique diz que “o PSDB não é farinha do mesmo saco”, não estava querendo defender o partido. Isso é o que pode parece à primeira vista. Estava defendendo a si, largando os “amigos” (que não tem, tem cúmplices) na chuva e cuidando de sua própria pele.

É deus, privatizou o mundo em seis dias e depois foi a Camp David passar o sétimo com Bill Clinton onde recebeu a unção pelos serviços prestados.

O que está dizendo é que não o confundam com Serra, com Alckmin, com Aécio, com Álvaro Dias, com Portelinha, Azeredo e toda a corja. Ele não. É deus e está acima do bem e do mal. O que fez não importa se eivado de corrupção, importa que ele é “deus”.

Parênteses.

No caso de Aécio estar no PSDB é falta de vergonha na cara, ou já está num estado de depauperação mental irrecuperável. Tancredo tinha horror de FHC.

charge viomundo
Fernando Henrique percebeu a gravidade do caso do metrô paulista e sente o cheiro da podridão que exala da REDE GLOBO, donde podem surgir segredos aterradores do seu governo, falo da sonegação fiscal de 600 milhões.

A GLOBO sempre foi fétida, só que agora o cheiro está chegando, insuportável, às ruas.

São as duas grandes questões pontuais que vive o País nesse momento e são elas que devem fazer parte de qualquer bandeira de protesto, onde quer que se vá. no território nacional, ao lado das grandes causas, a Constituinte Popular, por exemplo.


Globo e Metrô/CPTM de São Paulo são produtos da podridão e da falência do Estado desde a época da ditadura militar.

Um corpo corroído muito mais pelos corruptores, principais acionistas desse Estado (bancos, grandes empresas, latifúndio, templários evangélicos, que pela corrupção, que é consequência). A bancada evangélica é uma espécie de ordem dos templários da Idade Média, mas caricata; latifúndios são pistoleiros do velho oeste; banqueiros mais grandes empresários são a OPUS DEI).

Propinoduto do PSDB arromba o Cofre Público (Latuff/2013)
O sistema político eleitoral brasileiro permite que os corruptores elejam e mantenham a maioria das casas legislativas, prefeituras, esses adereços desnecessários chamados câmaras municipais, governos estaduais, assembleias e as duas casas legislativas nacionais, uma delas a chamada representação popular, a Câmara dos Deputados e a outra, outro adereço desnecessário, o Senado, representação dos estados de uma federação que não existe exceto no papel.

Nosso sistema judiciário é uma teia de não resolve nada e isso é proposital. Quem vai ter peito de encarar o mea culpa no erro (ou ma fé ou incompetência) do “mensalão?

Todo o arcabouço do Estado brasileiro guarda consigo “preciosidades” do Brasil colônia, do Brasil império e das várias “repúblicas” que tivemos ao longo de nossa História, mas sempre sob o controle das elites econômicas. O caráter democrático,  que é também o caráter humano que deveria prevalecer não existe.

Rede Globo e a sonegação (Saraiva 13)
E aí, entra FHC, como entra o grupo GLOBO, como entram os que compram e se beneficiam do que na verdade é a diferença de classes, que por sua vez nos remete à luta de classes, necessária e fundamental para a construção de um Estado democrático. Aquele em que o trabalhador decide ao invés de ser alvo de gás lacrimogêneo ou gás de pimenta, além da borduna no lombo promovido pela excrescência que são as Policias Militares, “preciosidade” trazida de antanho.

Neste momento temos o que se chama de “condições objetivas” para buscar mudanças estruturais indispensáveis, a não ser que queiramos aceitar o papel de zumbis em função dos interesses dos donos. Não mudanças totais, plenas, mas abrir portas para a construção de um futuro decente.

No Brasil e em quase todos os países, há um problema complicado. Classe média. Come arroz e feijão, deve horrores ao banco, e arrota faisão. Pior, lê VEJA (segundo eles, a melhor revista do mundo em língua portuguesa, mas já bastante decadente) e acha que o JORNAL NACIONAL (com índices de audiência em queda livre) é o ponto de referência da verdade absoluta. E adora trazer seus cães pra defecar pelas ruas...

No caso específico de FHC, um safardana de grande porte, amoral, logo destituído de qualquer principio e que em sua versão fumante de charuto cubano acredita que tudo é obra dele.

charge serranuncamais

E que numa frase, como a que disse, falou para fora uma coisa, falou para dentro outra coisa, até porque se chegarem a ele respingos desse processo do Metrô/CPTM/SP, da GLOBO, o risco de retaliação é imenso. É detentor de segredos desde alcovas a gabinetes escuros e sombrios como aqueles que Drácula usa e não vai ter escrúpulos em esgrimi-los a seu favor.

É característica do amoral.

Foi o que ele quis dizer.

“Eu não! Eu sou Deus!”.

O PSDB não é farinha do mesmo saco só, é um tipo de farinha venenosa e que ao invés de alimentar, mata.
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[*] Laerte Braga é jornalista, trabalhou no Diário Mercantil e no Diário da Tarde de Juiz de Fora, para os Diários Associados e pela agência Meridional (primeira grande agência de notícias do Brasil) e também dos Diários e Emissoras Associadas, tendo sido correspondente do Estado de Minas de Juiz de Fora e Zona da Mata, e também trabalhou como freelancer para revistas e jornais do Brasil e de outros países. Laerte escreve sazonalmente para a redecastorphoto. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A ascendência de uma elite financeira criminosa

James Petras

As duas faces de um estado policial: “Abrigar sonegadores, trapaceiros das finanças e lavadores de dinheiro enquanto vigia os cidadãos”

por James Petras

“O coração apodrecido das finanças”, The Economist



“Há um grau de cinismo e cobiça que é realmente bastante chocante”, Lord Turner do Bank of England, Financial Service Authority


Nunca na história dos Estados Unidos testemunhamos crimes cometidos na escala e do âmbito dos dias atuais, tanto pela elite privada como estatal. 

Um economista de credenciais impecáveis, James Henry, antigo economista chefe na prestigiosa firma de consultoria McKinsey & Company, investigou e documentou evasão fiscal. Ele descobriu que os super-ricos e suas famílias têm até US$32 trilhões de ativos escondidos em paraísos fiscais off shore, o que representa mais de US$280 bilhões de receita perdida no imposto sobre o rendimento! Este estudo excluía ativos não financeiros tais como imobiliário, metais preciosos, jóias, iates, cavalos de corrida, veículos de luxo e assim por diante. Dos US$32 trilhões de ativos escondidos, US$23 trilhões pertencem a super-ricos da América do Norte e da Europa.

Um relatório recente do Comitê Especial das Nações Unidas sobre Lavagem de Dinheiro descobriu que bancos dos EUA e da Europa têm lavado mais de US$300 bilhões por ano, incluindo US$30 bilhões apenas dos cartéis de droga mexicanos. 

Novos relatórios sobre trapaças financeiras de muitos bilhões envolvendo os grandes bancos dos EUA e Europa são publicados a cada semana. Os principais bancos da Inglaterra, incluindo o Barclay's e um bando de outros, foram identificados como tendo manipulado o LIBOR, ou inter-bank lending rate, durante anos a fim de maximizar lucros.

O Bank of New York, JP Morgan, HSBC, Wachovia e Citibank estão entre a multidão de bancos acusados de lavar dinheiro da droga e de outros fundos ilícitos segundo investigações do Comitê Bancário do Senado dos EUA. Corporações multinacionais receberam fundos federais de salvamento e isenções fiscais e então, violando os acordos publicitados com o governo, relocalizam fábricas e empregos na Ásia e no México. 

Grandes firmas de investimento, como a Goldman Sachs, enganaram investidores durante anos investindo em ações “lixo” enquanto os corretores puxavam e afundavam (pumped and dumped ) ações sem valor. Jon Corzine, presidente do MF Global (bem como antigo presidente da Goldman Sachs, antigo senador dos EUA e governador de Nova Jersey) afirmou que “não podia explicar” os US$1,6 bilhões de perdas de clientes investidores de fundos no colapso de 2011 do MF Global. 

Apesar do enorme crescimento do aparelho policial do estado, da proliferação de agências de investigação, das audiências no Congresso e dos mais de 400 mil empregados do Ministério da Segurança Interna (Department of Homeland Security), nem um único banqueiro foi para a cadeia. Nos casos mais chocantes, um banco como o Barclay pagará uma pequena multa por ter facilitado a evasão fiscal e efetuado trapaças especulativas. Ao mesmo tempo, de acordo com o princípio “canalha” [implícito] na trapaça LIBOR, o Diretor de Operações (Chief Operating Officer, COO) do Barclay's Bank, Jerry Del Missier, receberá uma indenização de 13 milhões de dólares pelo seu afastamento. 

Em contraste com a complacente aplicação da lei praticada pelo florescente estado policial em relação a trapaças dos bancos, das corporações e das elites bilionárias, tem-se intensificado a repressão política de cidadãos e imigrantes que não cometeram qualquer crime contra a segurança e ordem pública.

Milhões de imigrantes têm sido agarrados nas suas casas e lugares de trabalho, presos, surrados e deportados. Centenas de bairros hispânicos e afro-americanos têm sido alvo de raids policiais, tiroteios e mortes. Em tais bairros, a polícia local e federal opera com impunidade – como foi ilustrado por vídeos chocantes dos tiros e brutalidade da polícia contra civis desarmados em Anaheim, Califórnia. Muçulmanos, asiáticos do Sul, árabes, iranianos e outros são racialmente perfilados, arbitrariamente presos e processados por participarem em obras de caridade, de fundações humanitárias ou simplesmente por participarem de instituições religiosas. Mais de 40 milhões de americanos empenhados em atividade política legal são atualmente vigiados, espionados e frequentemente molestados.  

As duas faces do governo dos EUA: Impunidade e repressão

Documentação esmagadora confirma a deterioração total da polícia e do sistema judicial dos EUA no que respeita à aplicação da lei quanto a crimes entre a elite financeira, bancária e corporativa. 

Sonegadores de trilhões de dólares, trapaças financeiras bilionárias e lavadores de dinheiro multibilionários quase nunca são enviados para a cadeia. Se bem que alguns paguem uma multa, nenhum deles têm os seus ganhos ilícitos apreendidos, apesar de muitos serem criminosos reincidentes. A reincidência entre criminosos financeiros é comum porque as penalidades são leves, os lucros são altos e as investigações pouco frequentes, superficiais e sem consequências. O United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC) informou que, só em 2009, foram lavados US$1,6 trilhões, principalmente em bancos ocidentais, um quinto vindo diretamente do comércio de droga. O grosso do rendimento do comércio de cocaína foi gerado na América do Norte (US$35 bilhões), dois terços dos quais foram lavados em bancos locais.

O fracasso em processar banqueiros empenhados numa ligação crítica do comércio da droga não se deve à “falta de informação”, nem tampouco à “frouxidão” por parte dos reguladores e aplicadores da lei. A razão é que os bancos são demasiado grandes para processar e os banqueiros demasiado ricos para prender.

A aplicação efetiva da lei levaria a serem submetidos a processo todos os principais bancos e banqueiros, o que reduziria lucros drasticamente. Encarcerar banqueiros de topo fecharia a “porta giratória”, o portão dourado através do qual reguladores do governo asseguram a sua própria riqueza e fortuna pela entrada em casas de investimento privadas depois de deixarem o serviço “público”. Os ativos dos dez maiores bancos nos EUA constituem uma porção apreciável da economia estadunidense. Os gabinetes dos diretores dos maiores bancos entrecruzam-se com todos os principais setores corporativos. Os responsáveis de topo e médios e seus confrades no setor corporativo, bem como seus principais acionistas e possuidores de títulos, estão entre os maiores sonegadores do país. 

Se bem que a Security and Exchange Commission, o Departamento do Tesouro e o Comitê Bancário do Senado finjam publicamente que investigam altos crimes financeiros, a sua função real é proteger estas instituições de quaisquer esforços para transformar a sua estrutura, as suas operações e o seu papel na economia estadunidense. As multas recentemente impostas são altas pelos padrões anteriores, mas ainda assim seus montantes, na maior parte, correspondem aos lucros de um par de semanas. 

A falta de “vontade judiciária”, o colapso de todo o sistema regulamentar e a ostentação do poder financeiro manifestam-se nos “pára-quedas dourados” habitualmente concedidos a presidentes de conselho de administração criminosos após sua revelação e “renúncia”. Isto se deve ao enorme poder político que a elite financeira exerce sobre o estado, o judiciário e a economia.  

Poder político e morte da “lei e ordem”

Em relação a crimes financeiros, a doutrina que guia a política do estado é “demasiado rico para encarcerar, demasiado grande para falir”, o que se traduz nos salvamentos pelo tesouro, com muitos trilhões de dólares, de instituições financeiras cleptocráticas em bancarrota e num alto nível de tolerância do estado para com sonegadores, trapaceiros e lavadores de dinheiro. Devido ao colapso total da aplicação da lei em relação a crimes financeiros, há altos níveis de delinquentes contumazes. É o que um responsável financeiro britânico descreve como “cobiça cínica (e cíclica)”. 

A palavra de ordem sob a qual a elite financeira tomou o controle total do estado, do orçamento e da economia foi “mudança”. Isto refere-se a desregulamentação do sistema financeiro, à expansão maciça dos alçapões fiscais, a fuga livre de lucros para paraísos fiscais além-mar e a dramática comutação da “aplicação da lei” da persecução dos bancos que lavam os ganhos ilícitos da droga e de cartéis criminosos para a perseguição dos chamados “estados terroristas”.

O “estado da lei” tornou-se um estado sem lei. “Mudanças” financeiras permitiram e mesmo promoveram trapaças reiteradas, as quais defraudaram milhões e empobreceram centenas de milhões.

Há 20 milhões de hipotecados que perderam seus lares ou não são capazes de manter pagamentos; dezenas de milhões de contribuintes da classe média e da classe trabalhadora que foram forçados a pagar impostos mais altos e a perder serviços sociais vitais devido à evasão fiscal da classe superior e corporativa.

A lavagem de bilhões de dólares de cartéis da droga e de riqueza criminosa pelos maiores bancos levou à deterioração de bairros inteiros e à ascensão do crime, o que desestabilizou a vida familiar da classe média e trabalhadora.  

Conclusão  

A ascendência de uma elite financeira criminosa e a cumplicidade do estado complacente levaram ao colapso da lei e da ordem, à degradação e ao descrédito de toda a rede regulamentar e do sistema judicial. Isto levou a um sistema nacional de “injustiça desigual” onde cidadãos críticos são perseguidos por exercerem seus direitos constitucionais ao passo que elites criminosas operam com impunidade. As mais duras sanções do estado policial são aplicadas contra centenas de milhares de imigrantes, muçulmanos e ativistas de direitos humanos, ao passo que trapaceiros financeiros são cortejados por coletores de fundos de campanhas presidenciais. 

Não é de surpreender que hoje muitos trabalhadores e cidadãos da classe média considerem-se “conservadores” e serem “contra a mudança”. Na verdade, a maioria quer “conservar” a Segurança Social, a educação pública, aposentadorias & pensões, estabilidade de emprego e planos médicos federais tais como o MEDICARE e o MEDICAID em oposição aos advogados da “mudança” da elite “radical” que quer privatizar a Segurança Social e a educação, acabar com o MEDICARE e amputar o MEDICAID.

Trabalhadores e classe média pedem estabilidade no emprego e nos bairros residenciais, assim como preços estáveis contra a disparada de inflação nos cuidados médicos e na educação. Cidadãos assalariados apoiam a lei e a ordem, especialmente quando isto significa o processamento de sonegadores bilionários, banqueiros lavadores de dinheiro criminoso e trapaceiros, os quais, na maior parte, pagam uma pequena multa, emitem uma “desculpa” e a seguir prosseguem a repetição das suas trapaças. 

As “mudanças  radicais promovidas pela elite devastaram a vida de milhões de americanos em todas as regiões, ocupações e grupos etários. Elas desestabilizaram a família ao minarem a segurança de emprego enquanto minavam bairros residenciais com a lavagem dos lucros da droga. Acima de tudo elas perverteram totalmente todo o sistema de justiça no qual “os criminosos são tornados respeitáveis e os respeitáveis tratados como criminosos”. 

A primeira defesa da maioria é resistir à “mudança da elite” e conservar os remanescentes do estado previdência (welfare state). O objetivo da resistência “conservadora” será transformar todo o corrupto sistema legal de “criminalidade funcional” num sistema de “igualdade perante a lei”. Isto exigirá uma alteração fundamental no poder político, ao nível local e regional, dos gabinetes dos banqueiros para os conselhos dos bairros populares e lugares de trabalho, dos juízes e reguladores acomodatícios nomeados pela elite para representantes reais eleitos pela maioria que geme sob o nosso atual sistema de injustiça.

05/Agosto/2012

O artigo original, em inglês encontra-se em: “The Ascendancy of a Criminal Financial Elite”
Esta tradução foi extraída de Resistir e ligeiramente adaptada pela redecastorphoto