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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Sabedoria Árabe versus Paranóia Norte-Americana

Desenho de Nelson Porto
Enviado pelo nosso correspondente Maurício Porto

Um velho árabe vivia no estado de Idaho (EUA) há 40 anos.

Queria, como fazia todos os anos, plantar batatas no jardim de casa; mas arar a terra já tinha ficado um trabalho muito pesado para ele.

Seu filho único, Ahmed, que poderia substituí-lo no plantio estava fazendo pós-graduação na França. Então o ancião decide enviar-lhe um e-mail explicando o problema:

Querido Ahmed

Estou muito infeliz porque não vou poder plantar minhas batatas este ano. Estou muito velho e cansado para arar os canteiros; se você estivesse por aqui tenho certeza que revolverias a terra por mim.
Que Alá esteja contigo.

Com amor, papai

Logo no dia seguinte recebe resposta do filho:

Querido Papai

Por maior que seja sua vontade, NÃO revolvas, nem mande alguém revolver a terra do nosso jardim. Sob os canteiros é onde tenho escondido “aquilo”...

Com amor 
Ahmed.

Na mesma madrugada, lá pelas 4 horas, aparecem, com muito estardalhaço, a polícia local, agentes do FBI, da CIA, militares lotados no Pentágono (que imediatamente fecharam todos os acessos por ruas e estradas ao local) e cavocaram toda a terra do jardim do velho árabe buscando explosivos, armas químicas e neurotóxicas, antrax e outras bactérias e tudo o que seja passível de ser algum tipo de veneno ou “armas de destruição em massa”.

Mas não encontram sequer um traço de tais “produtos”...

No mesmo dia, o velho árabe recebe outro e-mail de seu filho Ahmed:

Querido papai

Tenho certeza que a terra dos canteiros do nosso jardim está pronta para que possas plantar tuas batatas..
É o melhor que pude fazer estando aqui na França.

Com amor
Ahmed


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Entrevista:Presidente da Síria, Bashar Al-Assad (1ª parte)

8/9/2013, Entrevista (ing.) a Charlie Rose, CBS America (vídeo) 
Transcrição traduzida pelo pessoal da Vila Vudu

Obama pode traçar linhas para ele mesmo e seu país. Não para outros países. Nós temos nossas linhas vermelhas, como nossa soberania e nossa independência. Mas se você quer falar sobre linhas vermelhas para o mundo, os EUA usaram urânio baixo-enriquecido no Iraque. Israel usou fósforo branco em Gaza. Os EUA nada disseram. Linhas vermelhas? Não vemos linhas vermelhas que nos digam respeito, além das que nós traçamos.


Charlie Rose: Senhor presidente, obrigado pela oportunidade dessa entrevista, nesses momentos tão importantes. Porque o presidente dos EUA falará ao povo americano essa semana. Como o senhor sabe, está havendo importante debate em curso, em Washington . E também estão acontecendo coisas importantes em seu país. O senhor espera um ataque aéreo?

Presidente al-Assad: Dado que os EUA não se regem pela lei internacional e tripudiam sobre a Carta da ONU, temos de nos preocupar com qualquer decisão. E não só do atual governo. Fazem qualquer coisa. Conforme as mentiras que ouvi durante os dois últimos meses, de altos funcionários dos EUA, sim, temos de esperar o pior.

Charlie Rose: O senhor está preparado para isso?

Presidente al-Assad: Vivemos em circunstâncias difíceis já há dois anos e meio. E nos preparamos para todas as possibilidades. Mas isso não significa que, só porque você deseja, as coisas possam melhorar. As coisas piorarão com qualquer novo golpe ou alguma nova guerra estúpida.

Charlie Rose: O que o senhor quer dizer com [بالأسوأ ]?

Presidente al-Assad: Pior, porque ninguém pode prever as consequências de um primeiro ataque. Estamos falando de vastas áreas, não só da Síria. Nossa região é inter-relacionada e interdependente. Se você ataca num ponto, deve esperar consequências em outros pontos, de outros modos e outros métodos que você menos esperava.

Charlie Rose: O senhor está dizendo que se for atingido, haverá consequências contra os EUA ou amigos, de outros países, como Irã, Hezbollah ou outros?

Presidente al-Assad: Como eu disse, as consequências podem assumir diferentes formas. Diretamente ou indiretamente. Diretamente, quando povos ou governos recorrem a represálias. E indiretamente,  quando a região torna-se instável e o terrorismo ganha terreno em toda essa região. E isso afetará diretamente o Ocidente. Qualquer ataque [à Síria] encontrará a resistência da Frente da Vitória [incompreensível]

Charlie Rose: O senhor discute com Rússia, Irã ou o Hezbollah sobre como responder?

Presidente al-Assad: Não discuto essa questão como governo. Mas temos discutido as consequências, que é o mais importante. Porque as consequências muitas vezes podem ser mais devastadoras que o próprio ataque. Nenhum ataque que venha dos EUA causará mais destruição que a hecatombe provocada pelos terroristas. A consequências de um ataque pelos EUA, sim, podem ser muitas vezes maior que o próprio ataque.

Charlie Rose: Alguns disseram que pode fazer a luta pender a favor dos rebeldes e levar ao fim do seu governo.

Presidente al-Assad: É verdade que qualquer ataque constitui apoio direto aos terroristas da Frente da Vitória Islâmica e do Emirado Islâmico no Iraque e no Levante. Nisso, você tem toda a razão. Será apoio direto aos terroristas.

Charlie Rose: Falemos sobre guerra química. O senhor concorda com o uso de armas químicas? O senhor acha que é aceitável usar armas químicas em guerra?

Presidente al-Assad: Somos contra todas e quaisquer armas de destruição em massa, sejam armas químicas ou nucleares.

Charlie Rose: Se o senhor é contra o uso de armas químicas...

Presidente al-Assad: Sou. E não é só minha opinião pessoal: é também opinião de meu governo. Fizemos uma proposta à ONU, em 2001, para livrar todo o Oriente Médio de armas de destruição em massa. Todas elas. Os EUA se opuseram à Resolução, e não foi aprovada. Mas essa é nossa convicção e nossa política.

Charlie Rose: Mas o senhor não assinou a Convenção para proibição de armas químicas.

Presidente al-Assad: Ainda não.

Charlie Rose: Por quê?

Presidente al-Assad: Porque Israel tem armas de destruição em massa e também não assinou. Israel ocupa território sírio. Se estamos falando de Oriente Médio. Não se trata só de Síria ou Israel. Qualquer acordo ou convenção nesse sentido tem de ser ampla.

Charlie Rose: O senhor considera armas químicas iguais a armas nucleares? 

Presidente al-Assad: Não sei. Nunca usei nem uma, nem outra.

Charlie Rose: Sim, mas... Como chefe de Estado, o senhor entende a consequência do uso de armas que não discriminam...

Presidente al-Assad: Há diferenças técnicas. Moralmente, são equivalentes.

Charlie Rose: Moralmente...

Presidente al-Assad: Nelas mesmas, são moralmente diferentes. Assassinato é assassinato. Massacres são massacres. Muita gente mata milhares ou centenas de milhares com armas muito primitivas.

Charlie Rose: Nesse caso, por que manter arsenais de armas químicas?

Presidente al-Assad: Esses são assuntos que não discuto na imprensa. É perda de tempo. Nós jamais dissemos que temos armas químicas. Sempre dissemos que não temos. A Síria não tem armas químicas. Mas esse não é assunto que se possa discutir pela imprensa.

Charlie Rose: O New York Times publicou hoje cedo “Líderes sírios têm um dos maiores estoques de armas químicas do mundo, com a ajuda de União Soviética e Irã e fornecedores da Europa Oriental e até de algumas empresas norte-americanas”. Se, de acordo com telegramas diplomáticos dos EUA e registros de inteligência, o segredo já está revelado...

Presidente al-Assad: Que haja ou não haja esses estoques é uma coisa. Outra coisa muito diferente é confiar no que a imprensa norte-americana publica, que é nonsense. Também é tolice acreditar em certos relatos de inteligência. Todos sabemos bem disso. E ficou bem provado quando os EUA invadiram o Iraque há dez anos, porque os jornais e o governo dos EUA diziam que o Iraque tinha estoques de armas de destruição em massa. E depois da invasão é que descobriram que não havia coisa alguma. Há muitos casos. Absolutamente não se pode acreditar no que dizem os jornais. Mas, seja lá como for, como eu já disse que não discuto essas questões.

Charlie Rose: Mas o senhor sabe que o mundo acredita que o senhor tenha estoques de armas químicas?

Presidente al-Assad: Claro que sei.

Charlie Rose: O mundo diz. Os EUA e outras potências dizem que o senhor tem armas químicas.

Presidente al-Assad: Mas pouco interessa o que pensem ou digam. Temos de ver a realidade aqui. E a realidade aqui é bem conhecida por nós e não temos de discuti-la.

Charlie Rose: Falando de realidade, qual é a realidade do que aconteceu dia 21/8? Do seu ponto de vista, o que aconteceu?

Presidente al-Assad: Nós não existimos na área onde se diz que teria havido ataque de armas químicas. Nós ainda nem sabemos se algo aconteceu ali, nem o quê, exatamente, aconteceu, se aconteceu. Não temos os recursos dos EUA. Não somos governo que controla as comunicações sociais e sabe de tudo, sobre todos. Estamos diante de um fato de governo, avaliado por provas. E ainda não há provas.

Charlie Rose: O senhor ainda não tem certeza de que foram usadas armas químicas, mesmo depois de ver aqueles vídeos, apesar de ter visto aqueles cadáveres... Apesar dos depoimentos...

Presidente al-Assad: Nenhuma prova conclusiva. Nossos soldados na área foram expostos a algum gás. Foram hospitalizados com sintomas de ataque por arma química. Mas na área em que se diz que o governo teria usado armas químicas, nós não estamos ativos. Não estamos ali. Nem tropas, nem polícia, nada. É impossível saber o que realmente aconteceu, se ainda não temos provas de coisa alguma. Não temos os recursos dos EUA. Temos de seguir nossas rotinas de investigação. E ainda não encontramos prova alguma de coisa alguma.

Charlie Rose: Bem... Como o senhor sabe, o secretário de Estado Kerry disse que há provas de que viram mísseis disparados da área controlada pelos seus soldados, na direção da área controlada pelos rebeldes. Há provas, imagens de satélite e inteligência recolhida de mensagem interceptada sobre armas químicas, antes de outras mensagens também interceptadas... Por isso o ministro Kerry apresentou o que, para ele, são provas conclusivas. 

Presidente al-Assad: Não. Ele disse o que supõe que tenha acontecido, falou de suas convicções pessoais, mas não apresentou prova alguma. Os russos têm informação completamente diferente dessa, e muito mais bem documentada, que mostram que os foguetes foram disparados pelos rebeldes. Ouço o que diz o secretário Kerry e recordo a imensa mentira que outro secretário de Estado, Colin Powell, disse ali, à frente de todo o mundo e das televisões por satélite, sobre armas de destruição em massa no Iraque antes da invasão norte-americana. “Aqui está nosso mapa”, disse ele. E eram provas forjadas, falsas, como depois se soube. Mas agora Kerry não mostrou nada, nenhuma prova. Só disse “Temos provas”, mas nada mostrou, nem um iota de prova.

Charlie Rose: O senhor não fica perturbado ao ver aqueles cadáveres? Dizem que 1.000, 1.400 pessoas morreram em Gouta...

Presidente al-Assad: Nós sentimos a dor da morte de cada vítima síria. 

Charlie Rose: Mas as vítimas desse ataque com armas químicas...

Presidente al-Assad: Morte é morte. Assassinato é Assassinato. Crime é crime. A morte de todos os mortos na Síria é uma questão moral. O terrível é que tenham morrido. As mortes não seriam ‘mais terríveis’ por causa da arma que mata. É uma questão moral.

Charlie Rose: Mas o senhor não sente tristeza, luto, por causa do que aconteceu?

Presidente al-Assad: Tristeza e luto são os sentimentos que hoje tomam conta de toda a Síria. Só sentimos tristeza e luto. Mas nossa tristeza e nosso luto não aumenta por nossos mortos terem sido mortos por arma química ou outro tipo de arma. Nossa tristeza e nosso luta é o mesmo, sempre, pelo fato de haver tantos mortos.

Charlie Rose: Mas mortos sem qualquer discriminação... Criancinhas... Pais que acordaram para ver os filhos de manhã e já não os encontrarão... Em Gouta.

Presidente al-Assad: É o que está acontecendo todos os dias na Síria, por causa da ação dos terroristas. Por isso temos de pôr fim às mortes. Não sei de que discriminação você falando.

Charlie Rose: É o fato de que armas químicas não discriminam, entre inocentes e combatentes. 

Presidente al-Assad: Sim, mas os mortos também não discriminam. E, sobre provas, ninguém fala. Na Síria falamos de fatos. E não sabemos com certeza sequer se alguém usou armas químicas. Não falamos sobre hipóteses. Temos de conhecer os fatos.

Charlie Rose: Dizem também que seu governo atrasou a entrada dos observadores da ONU em Gota.

Presidente al-Assad: Aconteceu exatamente o contrário disso. O governo do seu país é que demorou a aceitar a ida dos investigadores. Nós chamamos a delegação de investigadores da ONU em março de 2013, quando aconteceu o primeiro incidente em que suspeitamos que tivessem sido usadas armas químicas, em Aleppo, no norte da Síria. E o governo dos EUA retardou a ida deles, até Gouta, quando, em poucos dias, enviaram os investigadores da ONU. Você pode ler o próprio relatório dos investigadores. Eles puderam fazer tudo que quiseram fazer em Gouta, sem qualquer impedimento.

Charlie Rose: Mas dizem que foram impedidos de ir. Que queriam ter ido antes.

Presidente al-Assad: Nada disso. O único problema é que havia combates ali. Nós não os impedimos de ir a lugar algum. Nós os convocamos. Mas... ainda que eu quisesse engolir as mentiras dos norte-americanos, não fazem sentido. Começaram a nos acusar de ter usada armas químicas no dia em que os investigadores da ONU chegaram à Síria. Que sentido faz isso? Não é lógico. Ainda que tivessem certeza de que nós usáramos alguma arma ilegal, e não podiam ter, seria preciso esperar alguns dias por alguma investigação! Não faz sentido. Toda essa história é incoerente.

Charlie Rose: Se seu governo não fez, apesar das provas... 

Presidente al-Assad: Tínhamos de entrar lá para recolher provas. Foi o que aconteceu em Aleppo, quando entramos e recolhemos provas. Como os EUA não mandaram a equipe da ONU, nós mandamos as provas que recolhemos para os russos.

Charlie Rose: Mas o senhor não quer responder. Se o senhor não aceita as provas já apresentadas... Sobre quem fez....

Presidente al-Assad: A questão que nos preocupa é o uso de armas químicas, naquele mesmo dia, contra nossos soldados. É a mesma questão. Não é admissível que nossos soldados se tivessem atingido, eles mesmos, com armas químicas. Soldados não se autoatacam. E daí por diante. Esse é o problema real. Ou grupos de oposição, ou os grupos terroristas, ou algum terceiro agente... Ainda não sabemos. Mas temos de entrar lá e recolher provas. Só então se saberá o que aconteceu. Se os EUA insistem em acusar a Síria, têm o dever de exibir suas provas.

Charlie Rose: O argumento é que os rebeldes não tem meios, mísseis, para usar gases químicos. E que, portanto, não poderiam ser os autores do ataque.

Presidente al-Assad: É claro que têm mísseis. Todos sabem. Usaram contra Damasco meses atrás.

Charlie Rose: Mísseis para transportar armas químicas.

Presidente al-Assad: Eles têm mísseis de todos os tipos. Isso, em primeiro lugar. Em segundo lugar, o gás sarin, do qual tanto se fala, é um gás muito simples, pode ser produzido no quintal de qualquer casa. É muito primitivo, muito simples.

Charlie Rose: Mas aqueles mortos não eram primitivos... Foram mortos por horríveis armas químicas.

Presidente al-Assad: Em terceiro lugar: eles já haviam usado esse gás, ou outro semelhante, em Aleppo, norte da Síria. Há um vídeo no YouTube, no qual os terroristas testam o gás num coelho e dizem “Assim matamos o povo sírio”. Há outro vídeo, mais recente, de uma mulher que luta com os terroristas, ou que eles consideram, e que trabalha com eles e diz “Não conto a ninguém como usar armas químicas”. Fala da explosão num dos túneis, que matou 12 pessoas. Temos esse tipo de evidência circunstancial. Mas... o ônus da prova cabe a quem acusa. Os EUA acusaram a Síria. Cabe aos EUA exibir as provas. Quanto a nós, temos de encontrar as provas, quando estivermos lá.

Charlie Rose: De que provas o senhor ainda precisa?

Presidente al-Assad: Provas válidas. O míssil usado. Indícios do gás que tenha sido usado. Amostras de solo. Amostras de sangue das vítimas.

Charlie Rose: Mas dizem que suas forças bombardearam Gota imediatamente depois dos ataques químicos, para encobrir as provas.

Presidente al-Assad: Mas e como algum bombardeio encobriria o tipo de prova válida nesses casos? Tecnicamente nada disso é como dizem. Mas, francamente, é estúpido demais. Francamente, excesso de estupidez. 

[continua] 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Reuters: EUA atacarão Síria antes do relatório da ONU

E o que significa “ataques limitados”

27/8/2013, [*] Tony Cartalucci, The Land Destroier
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Mapa político da Síria mostrando os alvos que serão atacados pelos
terroristas ocidentais (clique no mapa para visualizar melhor)
Os EUA acusaram o governo sírio de ter atrasado a chegada dos inspetores da ONU ao local do alegado ataque com armas químicas em Damasco. Mas, agora, segundo a Reuters, os EUA parecem estar-se preparando para atacar militarmente a Síria, mesmo antes da conclusão das investigações que estão em andamento e antes de que se conheçam provas que ou confirmem ou desmintam as alegações, até aqui sem qualquer fundamento, dos norte-americanos.


As potências ocidentais alertaram a oposição síria para que se prepare para ataque às forças do presidente Bashar al-Assad nos próximos dias, segundo fontes que participaram de reuniões entre enviados do ocidente e a Coalizão Nacional Síria em Istambul A oposição foi informada em termos claros de que a ação para impedir que o regime de Assad volte a usar armas químicas pode acontecer dentro de dias, e que a oposição deve preparar-se também para conversas de paz em Genebra – disse uma das fontes que participaram da reunião na 2ª-feira.

Especialistas em armas químicas da ONU visitam hospital onde feridos atingidos por 
um aparente ataque com gás estão sendo tratados. Subúrbio de Mouadamiya no
sudoeste de Damasco, 26 de agosto de 2013.
Como se vê facilmente, ataque desse tipo desconsidera completamente tanto a equipe de inspetores da ONU quanto qualquer prova que venham a obter. A acusação que os EUA fizeram ao governo sírio, de que estaria obstruindo uma investigação que já estava em andamento, e o ataque iminente estão pondo fim, na prática, aos esforços da ONU.

Se, como supõem os EUA, obstruir alguma investigação da ONU implicasse culpa, a verdade bem clara é que os EUA acabam de expor-se como principais suspeitos do que, a cada minuto, mais parece provocação encenada para tentar salvar uma guerra por procuração que os EUA e aliados já perderam absoluta e completamente.

O que significa “ataques limitados”

Antes que os EUA e seus aliados arrastem o mundo para o pântano de outra aventura militar não provocada, que custará milhares, talvez milhões, de vidas, é necessário compreender bem a estratégia mais ampla que se esconde por trás do que os EUA estão chamando de “ataques limitados”.

Praticamente toda a guerra por procuração do ocidente contra a Síria foi planejada em documento da Brookings Institution versus o Irã, em documento de 2009, intitulado Which Path to Persia? [Qual o caminho para a Pérsia?]. Aquele documento diz:

(...) será muito preferível se os EUA citarem alguma provocação iraniana como justificativa para o ataque, antes de atacar. Evidentemente, quanto mais terrível, mais mortal, menos provocada a ação iraniana, melhor será para os EUA. Claro, será muito difícil para os EUA empurrar o Irã para tal provocação, sem que o resto do mundo perceba o jogo; e isso reduzirá a eficácia do truque. (Um método que terá alguma possibilidade de sucesso é estimular clandestinamente esforços para mudança de regime, na esperança de que Teerã retalie abertamente, ou semiabertamente, o que, poderá ser apresentado como ato de agressão iraniana não provocado.) [Relatório Brookings Institution’s 2009 Which Path to Persia?, pp. 84-85, (em inglês)].

Como se vê, os ocidentais que desejavam naquele momento atacar o Irã (e que hoje atacam a Síria) perceberam perfeitamente a dificuldade para encontrar justificação plausível; e sabiam, como hoje sabem, em que não encontrarão apoio global para um ataque que eles próprios têm tanta dificuldade para justificar, e mesmo que consigam inventar um pretexto razoável.

Artigo recentemente publicado em Slate estima em 9% a proporção de norte-americanos que aprovam o assalto contra a Síria – o que faz dessa nova guerra a mais impopular de toda a história dos EUA.

Mas ao longo do relatório, os estrategistas da Brookings sugerem vários métodos para provocar o Irã, inclusive o projeto de financiar grupos da oposição para que derrubem o governo; meios para paralisar e arruinar a economia nacional; e ajuda financeira a organizações que o Departamento de Estado dos EUA defina como organizações terroristas, para que promovam atentados mortais dentro do Irã.

Seymour Hersh
Na Síria, já foram tentadas cada uma e todas essas opções. E todas falharam, uma depois da outra. Já em 2007, revelou-se que os EUA planejavam armar e financiar terroristas para derrubarem o governo sírio – como revelou o jornalista Seymour Hersh, vencedor do Prêmio Pulitzer, em artigo publicado na revista New Yorker, O redirecionamento: a nova política oficial beneficia os inimigos dos EUA na guerra ao terrorismo?”.

A partir de 2011, tornou-se cada vez mais claro que os ditos “combatentes da liberdade” na Síria eram de fato terroristas saídos diretamente das fileiras da al-Qaeda, armados, pagos e apoiados de vários modos pela OTAN – exatamente o que Hersh já expusera em sua matéria de 2007.

Apesar desses declarados atos de guerra e ainda que se considerassem como opção ataques unilaterais contra alvos iranianos ou, como agora, contra alvos sírios, os “especialistas” da Brookings indicavam que continuava a haver forte possibilidade de o Irã (e agora, a Síria) não se darem por suficientemente provocados:

Não se pode dar por garantido que o Irã ofereça resposta violenta em resposta a campanha aérea norte-americana, mas nenhum presidente norte-americano deve assumir ingenuamente que os iranianos não o farão. E o relatório prossegue: Contudo, porque muitos líderes iranianos gostariam de emergir dos combates na posição estrategicamente mais valiosa possível, e porque provavelmente calcularão que se apresentarem como vítimas é a melhor forma de alcançarem aquele objetivo, é possível que não respondam com ataques de retaliação. [Relatório “Brookings Institution’s 2009 Which Path to Persia?, p. 95, (ing.)].

Tanto o atual governo da Turquia quanto seu parceiro regional, Israel, já atacaram várias vezes a Síria; e em todas essas ocasiões, a Síria teve comportamento de paciência e moderação infinitas.

Foi quando afinal se entendeu que a expressão “ataques limitados” é forma eufemística para dizer “provocações tentadas e mal-sucedidas” para iniciar intencionalmente um conflito mais amplo.

O relatório Brookings refere-se ao Irã, mas é claro que hoje, depois de o ocidente já ter consumido grande parte de seus “trunfos” por procuração e de seus truques de dissimulação e mentira, e se quiser derrubar o governo sírio, o ocidente já se autocondenou a ter de agir sozinho. E é perfeitamente claro que terá de fazê-lo por campanha militar que, fatalmente, terá de ser maior que os hoje anunciados “ataques limitados”.

Além disso, já sabendo que praticamente não há apoio popular algum para guerra alguma, nem contra a Síria nem contra o Irã, os interesses especiais disseminados no ocidente tentam arrastar o mundo para esse conflito letal, falando, primeiro, de algum objetivo relativamente benigno que contariam alcançar, mesmo sem qualquer apoio popular.

Os interesses ocidentais em especial esperam que uma eventual resposta síria e a morte de soldados norte-americanos ou israelenses – o afundamento talvez de um navio norte-americano e, mesmo, a derrubada de vários aviões dos EUA – conseguirão transformar a diminuta proporção de 9% dos que apoiam hoje a consumação do crime premeditado contra a Síria, em estridente coro de vozes de massas no ocidente, que logo começarão a exigir sangue e mais sangue. E, não sendo possível gerar resposta síria violenta, o mesmo resultado pode ser obtido com ataques encenados, apresentados sob falsa autoria [orig. false flag attacks] – como os EUA já fizeram no incidente do Golfo de Tonkin, que deu início à Guerra do Vietnã.

Golfo de Tonkin no Vietnã
Apagar da discussão pública o risco ao qual estão sendo intencionalmente expostos soldados norte-americanos e dos países aliados dos EUA é parte do plano para iniciar uma guerra mais ampla que, sem isso, seria impossível. Assim – servindo-se intensamente de uma mídia-empresa já completamente desfibrada, arrendada, subserviente – os interesses ocidentais especiais esperam conseguir mudar a tendência de populações já cansadas de guerra, inoculando-as, pode-se dizer, com o vírus mortal da “mobilização para defender nossa bandeira”... da qual aqueles mesmos interesses especiais dependem para dar nova energia à sua fracassada aventura no Oriente Médio.
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[*] Tony Cartalucci é pesquisador em geopolítica e escritor baseado em Bangkok, Tailândia. Seu trabalho visa cobrir eventos de mundo de uma perspectiva do Sudeste Asiático, bem como promover a auto-suficiência como uma das chaves para a verdadeira liberdade. Website: The Land Destroyer

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pepe Escobar: “Obama prepara seus Santos Tomahawks”

27/8/2013, [*] Pepe Escobar, Asia Times Online –The roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A doutrina da “responsabilidade de proteger” [orig. responsibility to protect (R2P)] invocada para legitimar a guerra de 2011 contra a Líbia acaba de metamorfosear-se em “responsabilidade de atacar” [orig. “responsibility to attack'” (R2A)] a Síria. Só porque o governo Obama disse.

No domingo, a Casa Branca disse que tinha “muito pouca dúvida” de que o governo de Bashar al-Assad usara armas químicas contra seus próprios cidadãos. Na 2ª-feira, o secretário de Estado aumentou para certeza “inegável” – e acusou Assad de “obscenidade moral”.


Implica que quando os EUA bombardearam Fallujah com fósforo branco no final de 2004 seria bombardeio moral. E quando os EUA ajudaram Saddam Hussein a atacar os iranianos com gás em 1988, teria sido gaseificação moral.

O governo Obama resolveu que Assad recebeu os inspetores de armas químicas da ONU na Síria e em seguida, para comemorar a chegada deles, desfechou ataque com armas químicas contra, na maior parte, mulheres e crianças, a apenas 15 km do hotel onde os inspetores estavam hospedados. Se você não acredita, é porque embarcou em teorias conspiratórias.

Provas? E quem precisa de provas? A autorização que Assad deu aos inspetores veio “tarde demais”. Além do mais, a equipe da ONU só tem mandado para determinar quais armas químicas foram usadas – mas não quem as usou – como disse o porta-voz de Ban Ki-moon, Secretário-Geral da ONU.

Barack Obama
No que tenha a ver com o governo Obama e com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David “das Arábias” Cameron – apoiados numa barragem de mísseis da imprensa-empresa – nada disso importa. Assad invadiu a “linha vermelha” de Obama. E ponto final. Washington e Londres estão em modo frenesi-sem-limites para desmentir qualquer fato que contradiga a decisão. Reina o duplifalar – tipo “responsabilidade para atacar”. Se só se veem semelhanças com Iraque 2.0, é porque é tudo igual. Tempos de consertar os fatos, alinhando-os à política, tudo outra vez.

Tempos de armas de enganação em massa, tudo outra vez.

O eixo de gracinhas saudita-israelenses

A janela de oportunidades para a guerra é já. As forças de Assad avançam, de Qusayr a Homs; expulsam da periferia de Damasco os “rebeldes” remanescentes; implantam-se nos arredores de Der’ah onde contra-atacam os “rebeldes” treinados pela CIA que recebem armas avançadas, pela fronteira Síria-Jordânia; e organizam o assalto para expulsar “rebeldes” e jihadis dos subúrbios de Aleppo.

Ah! Israel e Arábia Saudita mal se aguentam de tanta excitação, porque estão conseguindo exatamente o que buscavam, só com os bons velhos métodos de Rabo-Balança-o-Cachorro. Telavive até telegrafou, para dizer como quer que a coisa seja feita: na 2ª-feira, o jornal Yedioth Ahronoth estampou manchete: “A caminho para atacar”; e até ensinou a Ordem de Batalha ideal:


Há meses, até o Diretorado de Inteligências das Forças Armadas de Israel, AMAN [orig. Intelligence Directorate of the Israeli Defense Forces (IDF), AMAN] já concluíra que Assad não seria doido a ponto de cruzar a “linha vermelha” de Obama. Então, inventaram o conceito de “duas linhas vermelhas entrecruzadas”: a segunda linha seria o governo sírio “perder controle sobre seus depósitos e centros de produção de armas químicas”. E a inteligência israelense propôs outras estratégias a Washington, de uma zona aérea de exclusão, até o sequestro das armas (que implicaria ataque por terra).

Hoje se volta à opção número 1: ataques aéreos aos depósitos de armas químicas. Como se EUA – e Israel – tivessem informação atualizada minuto a minuto sobre onde exatamente se localizam os tais depósitos.

Bandar bin Sultan
A Casa de Saud também telegrafou seus desejos – depois que o príncipe Bandar bin Sultan, codinome “Bandar Bush”, foi nomeado pelo rei Abdullah para chefiar a inteligência geral saudita. A fúria de Abdullah explica-se: a mãe dele e duas de suas esposas são filhas de uma tribo sunita ultraconservadora, da Síria. Quanto a Bandar Bush, tem mais vidas que Rambo ou o Exterminador: está de volta ao mesmo papel que desempenhou nos anos 1980s, na jihad afegã, quando era o garoto de recados, ajudando a CIA a armar os “combatentes da liberdade” do presidente Ronald Reagan.

A Jordânia – uma ficção de país, totalmente dependente dos sauditas – foi facilmente manipulada para tornar-se centro “secreto” de operação de guerra. E quem manda lá? Ninguém menos que o meio-irmão caçula de Bandar e vice-conselheiro nacional de segurança, Salman bin Sultan, codinome “mini-Bandar”. Versão árabe de “Dr. Evil and Mini Me” [1].

Mas há mais gente da CIA, além dos sauditas, no front jordaniano.

Tudo que se diga sobre a importância do relatório publicado no Al-Monitor é pouco. O relatório vazou inicialmente para o jornal libanês Al-Safir. Ali está toda a estratégia de Bandar, revelada em seu encontro com o presidente Putin da Rússia, sobre o qual Asia Times Online já escreveu. Depois de tentar – durante quatro horas – convencer Putin a desistir da Síria, Bandar convenceu-se: “Só resta a opção militar”.

Misture Kosovo e Líbia, e voilà!

Bill Clinton
O ex-presidente Bill Clinton resurgiu (perfeito timing) para comparar as opções de Obama na Síria e a jihad de Reagan no Afeganistão. “Bubba” acertou sobre a posição de Bandar. Mas deve ter cheirado alguma coisa, se pensava em termos das consequências – que são todas, do Talibã até aquela entidade mítica, a “al-Qaeda”. OK. Pelo menos, a al-Qaeda já está ativa na Síria; não precisarão inventá-la.

Quanto àquele bando de amadores que cercam Obama – de fãzocas da R2P como Susan Rice, à nova embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, todos são falcões de direita – todos querem mais Kosovo. Kosovo – com uma pitada de Líbia – está sendo apresentado como modelo ideal para a Síria: R2P via ataques aéreos (ilegais). Na sequência, o New York Times já se pôs a papaguear freneticamente a mesma ideia.

Fatos, é claro, não há, nessa narrativa – nem a explosão da embaixada da China em Belgrado (remix, na Síria, com a embaixada russa?) nem chegar a um passo de guerra com a Rússia.

A Síria nada tem a ver com os Bálcãs. Na Síria, há guerra civil. A maioria da população síria urbana, não os camponeses atrasados, apoiam Damasco – por causa do comportamento terrível dos “rebeldes” nos espaços que controlam; e a absoluta maioria da população deseja solução política e as conversações, agora já quase totalmente torpedeadas, de Genebra-2.

O esquema jordaniano – inundar o sul da Síria com mercenários pesadamente armados – é remix do que a CIA e os sauditas fizeram ao Af-Pak; e os únicos vitoriosos serão os jihadistas da Frente al-Nusra. Quanto à solução que Israel espera de Obama – bombardeio indiscriminado de depósitos de armas químicas – com certeza resultará em dano colateral horrendo, com R2A que matará ainda mais civis.

O futuro permanece sombrio. Maldita nova coalizão de vontades: Washington já tem no saco os poodles britânico e francês, e pleno apoio das democráticas petromonarquias do Golfo, da Jordânia, que só obedece, e das bombas atômicas de Israel. É o que passa por “comunidade internacional”, em tempos de duplifalar.

Martin Dempsey
Os britânicos já se puseram a repetir pesadamente que não é preciso qualquer resolução do Conselho de Segurança da ONU [2]; quem se incomoda se é Iraque 2.0? Para o Partido da Guerra, não faz diferença alguma que o Comandante do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, general Martin Dempsey já tenha dito que os “rebeldes” sírios não promovem interesses dos EUA.

Washington já tem pronto todo o necessário para que os Santos Tomahawks voem: há 384 deles já posicionados no leste do Mediterrâneo. Bombardeiros B-1 podem decolar a qualquer momento da base aérea Al Udeid no Qatar. E com certeza entrarão em cena as bombas de perfuração detona-bunker.

O que acontecerá na sequência, só com várias bolas de cristal concêntricas – de Tomahawks, a uma barragem de fogo aéreo e comandos de Operações Especiais pelo solo, até campanha sustentada de bombardeio aéreo que durará meses. Na longa entrevista que deu ao jornal Izvestia, o presidente Assad dá a impressão de pensar que Obama está blefando.

Seja como for, a Síria não será “mamão com açúcar”, como a Líbia. Mesmo semidestruído em todas as frentes, Gaddafi resistiu durante oito longos meses depois que a OTAN iniciou seu bombardeio humanitário. A Síria tem exército cansado, mas ainda muito forte, de 200 mil soldados; muito armamento soviético e russo; sistemas antiaéreos muito bons; e pleno apoio dos especialistas em guerra assimétrica, do Irã e do Hezbollah. Além da Rússia, que só precisa adiantar algumas baterias S-300 de defesa antiaérea e fornece sólida informação de inteligência.

Assim sendo, tratem de habituar-se ao funcionamento das relações internacionais em tempo de duplifalar. O exército do general Abdel Fattah al-Sisi no Egito pode matar centenas de seu próprio povo que protestavam contra golpe militar. Washington não dá bola – como se viu no golpe que não é golpe e correspondente banho de sangue que não é banho de sangue.

Não se sabe com precisão o que exatamente aconteceu na saga das armas químicas perto de Damasco. Mas é o pretexto para mais uma guerra norte-americana – apenas poucos dias antes da reunião do Grupo dos 20, em São Petersburgo, com Putin como anfitrião. Santos Tomahawks! R2A, lá vão eles.
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Notas dos tradutores
[1] Personagens de Austin Powers, em O Homem do Membro de Ouro [Goldmember, 2002]
[2] Ontem (26/8/2013), no canal GloboNews-SP, Demétrio Magnoli, aquela “sumidade” pós-graduada pela USP, disse: “Atacarão por resolução da OTAN (?!), dado que não haverá resolução da ONU”. Quem ouviu, ouviu, porque o programa, hoje, é totalmente inencontrável.
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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (“The Roving Eye”) no Asia Times Online; é também analista e correspondente das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu, no blog redecastorphoto.
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