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sexta-feira, 17 de abril de 2015

A batalha da comunicação e as perspectivas para o segundo mandato de Dilma Rousseff

17/4/2015, [*] Beto Almeida, entrevista a Rennan Martins, Vila Velha
Blog Desenvolvimentistas (dica de Francisco das Chagas Leite Filho. OBRIGADO!)
Enviado pelo pessoal da Vila Vudu


Beto Almeida

Aqui, a única possibilidade é o jornalismo impresso, que poderia e deveria ter sido impulsionado com força pela esquerda, a exemplo do que fez a esquerda na Grécia, que, em apenas um ano e meio, fundou um Jornal Popular Cooperativo, que já se tornou, rapidamente, a publicação de maior circulação em Atenas. (...)


O projeto liderado por Lula e Dilma teve 56 milhões de votos, o PT tem aproximadamente 2 milhões de filiados, como, então não se poderia fazer um jornal sustentável com 1 milhão de exemplares?! A Folha Universal do Reino de Deus tem tiragem de aproximadamente 2 milhões de exemplares. O que houve foi ilusão de que a mídiaempresa daria espaço para a esquerda.


(...) Claro que quem consegue eleger o presidente da República por 4 vezes seguidas, tem condições de montar o maior jornal de circulação nacional!



As últimas eleições e o clima político ainda deflagrado no país evidenciam o quanto a comunicação é crucial para o desenrolar saudável de uma democracia. A atuação cartelizada e o comportamento partidário da imprensa-empresa no Brasil produz sérias distorções que num ambiente extremado dá espaço a soluções antidemocráticas, que desrespeitam o Estado de Direito tão duramente conquistado no fim do século passado.

A renovação ocorrida no Ministério das Comunicações e na Secretaria de Comunicação da Presidência abre a possibilidade de uma discussão sobre mudanças na política governamental que visem a fortalecer o debate plural na sociedade. O tema é urgente, dada a ofensiva da grande mídia-empresa que impõe sua agenda e quer garantia de que as verbas publicitárias estatais serão somente dela, ad infinitum.

Para abordar com propriedade esse debate o Blog dos Desenvolvimentistas  entrevistou Beto Almeida, jornalista e conselheiro da rede de TV multiestatal Telesur. Beto constata um ambiente desfavorável para regulamentação entre os parlamentares. Indica medidas executivas, que independem dos congressistas, com potencial de democratizar a imprensa e questiona arduamente qual a razão do PT não possuir um jornal de massas.



Confira a íntegra:

O atual Ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, assumiu a pasta com o entusiasmo dos movimentos sociais. Até agora sua gestão correspondeu as expectativas? Qual é a linha de atuação do ministro?

Beto Almeida: O entusiasmo do Ministro Berzoini com a regulamentação democrática da mídia não significa que ele tenha condições de alterar a situação adversa que está instalada no Congresso. O ex-ministro, Paulo Bernardo, além de ter engavetado as Teses da Confecon, chegou a afirmar que os petistas queriam censura, por pretenderem a regulamentação midiática, além de ter ido ao Congresso da ABERT para defender, entre outras coisas, a flexibilização da Voz do Brasil, causa preciosa para a patronal midiática. Seguramente, Berzoini vai trabalhar noutra direção, além de voltar a dar prioridade à Telebrás como empresa pública e à expansão da banda larga via presença da estatal, o que o ministro anterior, por razões óbvias, desprezou.

Creio que o Ministro Berzoini, muito embora não possa alterar o travamento da democratização da mídia no Congresso, tem muito o que fazer de modo operativo. Pode alterar, via portaria, sem depender do Congresso portanto, os critérios para a distribuição da publicidade institucional, deixando de discriminar a comunicação comunitária, universitária e educativa. Pode, ademais, acelerar o processo de implantação da TV digital em sinal aberto, incluindo TV’s comunitárias e universitárias. Isso é concreto, não passa pelo Congresso, está no plano de decisão do Executivo. Pode, além disso, assumir posição clara em defesa da Voz do Brasil, noticiário radiofônico efetivo, amplo, plural, democrático, que, na prática, é uma regulamentação midiática em favor da diversidade informativa. E utilizá-la, dentro da lei, de modo mais adequado para informar sobre aquilo que diz respeito à vida dos cidadãos, pois é um noticiário de estupenda capacidade de comunicação popular!

Quais as principais propostas dos movimentos ligados a Comunicação Social? Que críticas fazem em relação ao atual modelo de imprensa?

Beto Almeida: Os movimentos sociais criticam, corretamente, a postura fascistóide dos meios de comunicação comerciais. Entretanto, por não ter sido construída nos 12 anos uma correlação de forças em favor da democratização da mídia, por ausência de iniciativas tanto do governo como do PT, os movimentos sociais não podem apenas apostar todas as fichas na Lei da Regulamentação da Comunicação, pois o Congresso é, atualmente, largamente desfavorável. Há apenas um efeito pedagógico, mas de concreto, não se avança. Para se ter uma ideia: até mesmo segmentos das esquerdas abraçaram a tese da flexibilização da Voz do Brasil proposta pela ABERT.

As críticas são justas, pela concentração, pelo elitismo, pelo antinacionalismo, pelo seu caráter antipatriótico, alienante, consumista, aberrante, embrutecedor, etc.. Mas, não há até o momento uma consciência clara de que as esquerdas podem e devem fortalecer as TV’s e rádios comunitárias. Há exemplos importantes neste sentido, mas, a esquerda e o movimento sindical podem ocupar e fortalecer muito mais as TVs comunitárias, chegando a milhares e milhares de brasileiros com suas mensagens.


Porque a imprensa–empresa praticamente opera numa só direção? Qual a origem desse discurso único?

Beto Almeida: Há algo intocável em história: a luta de classes! Muitos setores de esquerda se iludiram pensando que já não existiria a luta de classes. Deixaram, com isto, de aproveitar oportunidades políticas para construir uma mídia própria, acreditando que, quando necessário, conseguiriam espaços cedidos pela mídia–empresa. Eis que esta mídia cada dia é mais fascistizante, mais raivosa contra a democracia, contra os partidos de esquerda e os sindicatos. A origem deste discurso é que quando a burguesia percebe que não pode mais deixar governos populares governando, ela adota o discurso do golpe. Isso é luta de classes.

Não há nenhuma chance de esta mídia–empresa tornar-se plural, democrática, diversificada.

Por não saber disso, e acreditar que alguma empresa–mídia algum dia cederá parte de seus lucros para democratizar-se, a esquerda brasileira hoje está desarmada de mídia própria, sob um dilúvio tremendo de mentiras e ataques, e não tem sequer um panfletinho para responder. Esse tipo de ilusão sempre custa muito caro, no longo da história!

Porque o governo é tão imóvel quanto às medidas que democratizam a imprensa? Como explicar essa paralisia?

Beto Almeida: Medo. Combinado, agora, com falta de maioria parlamentar para mudar a Constituição. Mas, há iniciativas que não requerem mudanças constitucionais. Democratizem a distribuição da publicidade institucional alcançando também as mídias comunitárias, universitárias, sindicais, populares. Parem de reprimir o movimento de rádios comunitárias, pois no governo Lula houve uma onda de repressão, apreensão e destruição de equipamentos de rádios comunitárias, o que não está previsto na lei, que prevê apenas a interdição dos equipamentos. O governo deve indenizar o movimento de rádios comunitárias por estes atos ilegais.

Que medidas práticas e concretas desejáveis dependem somente de Berzoini para implementação?

Beto Almeida: Reforçando o já proposto. Por meio de portaria o governo pode fortalecer outros segmentos de mídia que, até hoje, estiveram preteridos na distribuição de publicidade institucional. Enquanto a Revista Veja já chegou a receber, numa única edição, 14 páginas de propaganda da Petrobrás, alvo predileto de seus ataques, as TVs comunitárias estão preteridas, discriminadas, ignoradas, não recebem sequer uma página de publicidade em 12 anos.


Quanto ao novo secretário de comunicação da presidência, Edinho Silva. Que esperar de sua gestão? Acredita que ele atenderá as reivindicações dos movimentos ligados a comunicação?

Beto Almeida: Creio que o discurso da presidenta Dilma sobre liberdade de expressão é uma rendição ante um monumental processo de descumprimento da legislação pelos detentores de concessões públicas de comunicação. Chegam a suspender a grade de programação para convocar manifestações que professam a derrubada injustificada do governo e, inclusive, um golpe militar! E estes concessionários seguem recebendo publicidade institucional. É um absurdo. Dilma nunca deu uma entrevista, uma, que fosse, a uma TV comunitária. Mas, sancionou lei que veda o acesso das TVs comunitárias à publicidade. Como deve sobreviver este setor reconhecido legalmente pelo estado, mas preterido e discriminado por não ter o mesmo acesso à publicidade?

Como se dá atualmente o investimento das verbas publicitárias estatais? Quais são os critérios utilizados?

Beto Almeida: Os critérios devem ser pautados pela distribuição democrática, alcançando a todos os setores midiáticos envolvidos. Se apenas empresas já muito fortes recebem a maior fatia da verba publicitária, isto significará concentração, o que implica uma espécie de cartelização e até mesmo prática de oligopólio e monopólio, proibidos por lei.

No que consiste a regulamentação da mídia? Na sua opinião, em que sentido deveria se dar essa proposta?

Beto Almeida: Consiste em democratizar o uso do espaço público radioelétrico, impedindo que seja privatizado por grupos poderosos e oligopólios. Na Venezuela, na Argentina, no Equador, na Bolívia, o espectro eletromagnético é distribuído entre 3 modalidades de organização midiática. Um terço para o Estado, um terço para os empresários e um terço para os setores sociais e comunitários. Isso sim é democracia e pluralidade, como reza a Constituição Brasileira, também. Aqui no Brasil, em 12 anos de governo com o PT à frente, apenas uma concessão de TV, a da TVT, foi efetivada de fato. Aqui, a única possibilidade é o jornalismo impresso, que poderia e deveria ter sido impulsionado com força pela esquerda, a exemplo do que fez a esquerda na Grécia, que, em apenas um ano e meio, fundou um Jornal Popular Cooperativo, que já se tornou, rapidamente, na publicação de maior circulação em Atenas. Exemplo a ser seguido.

Aqui, o PT, sequer tem um jornal, uma mídia própria de massas. E quem consegue eleger o presidente da república por 4 vezes seguidas, tem condições de montar o maior jornal de circulação nacional! Hoje o PT está sendo esquartejado em praça pública, midiaticamente falando, e não tem sequer um jornal impresso de massas para se defender! É plenamente viável um jornal de ampla circulação, autossustentável, para defender, como linha editorial, a legalidade democrática e tudo o que foi conquistado nos últimos 12 anos.

Esse projeto liderado por Lula e Dilma teve 56 milhões de votos, o PT tem aproximadamente 2 milhões de filiados, como, então não se pode fazer um jornal sustentável com 1 milhão de exemplares?! A Folha Universal do Reino de Deus tem tiragem de aproximadamente 2 milhões de exemplares. O que houve foi ilusão de que a mídia–empresa daria espaço para a esquerda, mas ela está pregando é o discurso golpista, aliás, como fez em 1954 e 1964.


Por que essa bandeira é tão pouco compreendida pela sociedade de forma geral? Como devemos agir pra que a mensagem chegue aos leigos?

Beto Almeida: Há uma deliberada confusão feita pelos magnatas da mídia, associando regulamentação a censura. Como não existe o contraditório, há apenas esta opinião circulando. Houve um tempo em que se dizia que cigarro não fazia mal, porque não havia o contraditório. Hoje, circulam amplamente informações sobre o malefício do cigarro. Mas, não se permite conhecer o modelo de mídia da Argentina, da Bolívia, onde comunidades indígenas acessam uma rede nacional de rádios indígenas. Regulamentação é como um sistema de sinais de trânsito. Ele organiza a circulação de veículos, parando o fluxo de uma avenida super movimentada, para que, periodicamente, também circulem os veículos das ruas de menor movimentação. Sem sinais de trânsito, tudo seria um caos, as avenidas de grande fluxo esmagariam as ruas de menor trânsito e haveria desordem, indisciplina, um caos. Na comunicação, também é necessário ter regras para que transitem pelo espaço eletromagnético todos os sinais representativos da pluralidade e da diversidade democrática da sociedade.
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[*] Beto Almeida (Carlos Alberto Almeida), membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato, é jornalista premiado com a Medalha Félix Elmuza pela União dos Jornalistas de Cuba (UPEC); atualmente atua como membro da Junta Diretiva da La Nueva Televisión Del Sur (Telesur) e da Comissão de Justiça e Paz da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Também é correspondente da Radio de Madres Plaza de Mayo na Argentina.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

David Harvey agradece à Bolívia, que o ajuda a pensar

21/8/2014, Ministério de la Comunicación de Bolívia
Excerto traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido no quiosque do Cagafumo na Vila Vudu: O Ministério da Comunicação da Bolívia edita livro de David Harvey e convida David Harvey para que toda a Bolívia o ouça. É MUUUUITO diferente de ministérios de “CUmuminação” social por aí, entregues a jornalistas, que só fazem merda, dizem merda, escrevem merda e pensam merda.
ARRIIIIIBA BOLIVIA!


La Paz, 20/8/2014 – O conhecido geógrafo e cientista social britânico David Harvey disse hoje que deve à Bolívia importante material de análise sobre o qual reflete em seus livros, e citou os eventos da Guerra da Água (2001) e da Guerra do Gás (2003).

O vice-presidente Álvaro García Linera respondeu que isso se explica, porque a Bolívia orgulha-se de ser exemplo de luta social para toda a América Latina.

“Sinto-me em dívida com a Bolívia” – disse Harvey, em conferência realizada no auditório do Banco Central, depois de falar sobre seu livro Breve historia del neoliberalismo, [1] que acaba de ser editado pela Vice-Presidência do Estado Plurinacional da Bolívia.

Linera (E)  e Harvey (C) 
O geógrafo inglês explicou que o neoliberalismo surgiu por uma excessiva acumulação do capital; então se privatizaram até itens de primeira necessidade para a sobrevivência humana e social, como educação, assistência à saúde e outros. Tudo foi convertido em mercado. Mas o capitalismo tem criado mercados cada dia mais inseguros e mais precários, vendendo objetos que tem vida útil muito curta, ou criando tecnologias que rapidamente se tornam obsoletas. Harvey alertou contudo que “o neoliberalismo está vivo e muito forte. Os milionários aumentaram ainda mais a concentração da riqueza”.

David Harvey falou na 4ª-feira (20/8/2014) no auditório da Universidad Pública de El Alto(UPEA), às 18h30, e na 5ª-feira (21/8/2014) no auditório da Universidad Mayor de San Simón, em Cochabamba, no mesmo horário.

[1] HARVEY, David (2005). O Neoliberalismo: História e Implicações. São Paulo: Edições Loyola, 2008.
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[*] David Harvey (Gillingham, Kent, 7 de dezembro de 1935) é um geógrafo britânico, formado na Universidade de Cambridge. É professor da City University of New York e trabalha com diversas questões ligadas à geografia urbana. Seu primeiro livro, Explanation in Geography, publicado em 1969, versa sobre a epistemologia da geografia, ainda no paradigma da chamada geografia quantitativa. Posteriormente, Harvey muda o foco de sua atenção para a problemática urbana, a partir de uma perspectiva materialista-dialética. Publica então Social Justice and the City no início da década de 1970, onde confronta o paradigma liberal e o paradigma marxista na análise dos problemas urbanos.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

China vai apertar o controle sobre as escolas de jornalismo

24/12/2013, Mainichi, Japão(Excerto)
Traduzido e melhorado pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido da faxineira da Tendinha do Tofraco na Vila Vudu: É coisa que os japoneses “democráticos” publicaram tentando espinafrar a China, mas... tomara que seja verdade! QUE BAITA BOA IDEIA! Vaaaaaai, China! Dá duro nessas m*rdas de “escolas de kumunicação” e escolas de “jornalismo”! Ferro nelas!
Comé que a presidenta Dilma não pensou nisso?! Ah! Já melembrei: por causa da Helena Chagas e do Franklin Martins, que estudaram “jornalismo isento” na Rede Globo e agora ensinam tudo igualzinho, prô nosso governo e prôs cabeça-fraca do PT.
Depois, taí, o coitado do prefeito Haddad, a lamentar que “não temos estratégia de comunicação”. Tá na cara que não temos, ora bolas. Na faculdade, aprendemos que NÃO TER estratégia de comunicação & PROPAGANDA DA DEMOCRATIZAÇÃO se chama “fazer jornalismo isento” [pano rápido] (mais, logo abaixo também em vermelho)

Jornalismo "isento"
Pequim – O Partido Comunista Chinês decidiu envolver-se diretamente na administração das principais escolas de jornalismo do país, e reforçar o controle sobre a administração das respectivas universidades, como se soube ontem, de fontes acadêmicas e de empresas de mídia.

O movimento parece visar a promover “reforma de pensamento” para rejeitar “valores ocidentais” como a liberdade de imprensa garantida só para os donos dos jornais e revistas , e promover recursos humanos mais afinados com o pensamento comunista – disseram as fontes (e a Vila Vudu deu uma editada no parágrafo).

A liderança do presidente Xi Jinping pressente uma crise, nas palavras de uma fonte do Partido Comunista. Para ele:

(...) é nas universidade e nos meios de comunicação de massa que se vê mais acentuada a influência de reacionários, como os que apoiam valores da chamada “democracia” capitalista.

Por isso, o governo do presidente Xi Jinping organiza planos para intervir nas universidades que treinam para carreiras na indústria da comunicação e nas empresas que vendem noticiário, de modo a obter que a opinião pública receba também informação pela “garganta e língua” do Partido Comunista, que governa o país.

(Quanto a isso, nada mais obviamente acertado! No caso do Brasil, por exemplo, por que, diabos, tooooodos os jornalistas empregados de toooooodas as empresas de “comunicação” da imprensa-empresa, muitas das quais vendem informação e noticiário a assinantes PAGANTES, só recebem informação pela “garganta e língua” do PSDB e do Instituto Milênio e do Celso Lafer e do Vila e do Magnoli, que NÃO GOVERNAM PORCARIA NENHUMA DE PAÍS, porque não foram eleitos porque não têm votos?!)

Segundo as fontes, as universidades envolvidas nessas medidas são a Universidade de Pequim, a Universidade de Comunicação da Universidade da China, a Universidade Fudan de Xangai, a Universidade Zhejiang, a Universidade Wuhan na província de Hubei e a Universidade Jinan na província de Guangdong.


Conforme o novo plano, o Departamento Central de Propaganda do Partido, que supervisiona a atividade da mídia, enviará, a partir do próximo ano, pessoal encarregado de assumir os cargos de direção e docência, nessas escolas de jornalismo. Além disso, o Partido também orientará o currículo das escolas e apertará o controle e auditagem dos orçamentos.

[Fontes acadêmicas] dizem que já em maio circulavam notícias de que as autoridades chinesas planejavam banir, das aulas de jornalismo vários assuntos, dentre os quais “liberdade de imprensa” (que é claaaaaro que deve ser negada aos donos de empresas jornalísticas e respectivos empregados, enquanto não for plena, para os cidadãos que consomem jornalismo), “direitos do cidadão” (que são conversa fiada, se são direitos só prôs cidadãos coxinhas) e “valores universais” (que tampouco devem ser discutidos e considerados, enquanto o único valor universal a favor do qual a imprensa-empresa trabalha for o valor universal do capital & respectivos direitos universais).

O Partido Comunista da China também já ordenou que os cerca de 250 mil repórteres que trabalham em jornais e televisões na China, participem de curso nacional de treinamento, para que conheçam o pensamento marxiano sobre jornalismo democrático. (...)


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Essa festa não era para nós

Em 1984, durante a campanha das Diretas Já, estava no Ginásio do SESC em Belém e diante da empolgação de alguns setores estudantis, que falavam em colocar um milhão de pessoas nas ruas, ouvi da boca de Tancredo Neves: calma gente, o povo só vai com a gente até um determinado ponto.


Depois da Ditadura Civil/Militar, quando a elite brasileira teve que colocar o serviço sujo nas mãos dos militares, era preciso voltar ao antigo esquema, refazer o pacto por cima.

Toda aquela conversa mole de Diretas Já, volta da democracia, já estava bem costurada e com os seus limites bem demarcados.

A festa não era para nós. Não era para o PT, a CUT, o MST e outros penetras. Definitivamente, não era para LULA ser presidente, para o PT ser governo.

Tudo o que estamos vivendo hoje, é a indigestão para as elites desse prato que desandou. A raiva que eles têm do PT, do LULA, do Zé Dirceu, do MST, da CUT, dos sindicatos... É a raiva da derrota, é a vontade de vingança.

O que todos nós precisamos compreender é que nada está ganho, nada está resolvido. A Guerra nunca acabou. Vencemos muitas batalhas, batalhas importantes, mas a Guerra continua. O mundo do dinheiro, da grana fácil, está cercado no mundo inteiro. Milhões de pessoas em todos os países começam a entender que a miséria não é um dado da natureza.

Não é um dado que determina quem vai ficar no lado dos 1% que têm tudo e quem vai ficar do lado dos 99% que vivem na precariedade cada dia mais humilhante.

O PT, a CUT, o MST, têm sido bons navios de guerra, mas as seguidas batalhas que vencemos colocaram o Brasil e o seu povo num outro patamar histórico. É esse o dilema que vivemos, será que nossa armada está atualizada para as novas batalhas?

O poder econômico e material das elites é infinitamente maior que o nosso, felizmente somos muitos e temos alguns grandes companheiros do nosso lado. Temos também a criatividade e a inteligência que sempre fazem a diferença nas lutas dos pobres. LULA é o melhor exemplo.

Mas agora o avanço está exigindo novos tipos de armamento, novas estratégias, alianças mais dinâmicas e firmes. As moléculas precisam de mais calor entre elas, mais agitação e entrosamento. O caldo tem que ferver, mas não pode entornar pra cima da gente.

O nosso governo, o PT, a CUT, o MST, Sindicatos, movimentos sociais, redes sociais, militantes, listeiros, blogueiros... Precisam compreender a necessidade de novas e mais firmes alianças, precisam articular e conversar mais.

A Luta é de todos.

Que nenhum desses agentes imagine ou se iluda que pode ganhar essa guerra fazendo tréguas ou concessões para as elites. Nós só temos uma alternativa: é continuar avançando.

A responsabilidade do PT e do nosso governo é enorme nesse processo. A máquina eleitoral do PT é importante e necessária, mas o partido não pode achar que isso é tudo. O PT não pode esquecer de onde veio, o PT e o governo não podem continuar fingindo que a questão da comunicação é um problema jornalístico e/ou dos jornalistas.

Todos os nossos navios precisam ter uma fala clara e orgânica para o povo. Precisamos urgente de um aparato de comunicação que comunique nos dois sentidos e seja capilar. Precisamos de rádios, jornais de bairros, jornais de ônibus, TV pública e de bairros, internet com banda larga e barata, escolas e pontos de cultura interligados, jornais nas feiras, uma grande agencia de noticias de esquerda produzindo a nossa agenda e o nosso conteúdo.

Mão na massa gente, o resto é chororô.

Enviado por Beatrice 
Autor: Adauto Melo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Google quer mais, mais, mais...


28/1/2012, Martin J Young, Asia Times Online (Excerto)
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido de um morador da Vila Vudu: Engraçados esses papins da “liberdade de expressão” e da “democratização da comunicação”, que nuuunca discutem o modelo de negócio da imprensa-empresa como a conhecemos. 
E ficam aí os liberais “éticos”, a exigir direitos que os liberais pressupõem que teriam.... Por direito divino, talvez?! 
Os liberais fazem papel ridículo! 
Os liberais a exigir “liberdade de expressão” e “democratização da comunicação” são como o sabão OMO discursando para defender direitos à livre manifestação do pensamento do sabão OMO... 
VOCÊ SÃO A MERCADORIA, sô! Acordem! Desde quando a mercadoria tem direitos?! Desde quaaando, pêqmepê?!

HUA HIN, Tailândia – A empresa Google anunciou essa semana que está consolidando suas políticas de privacidade e que reunirá todos os dados de cada usuário num só perfil. Significa que os dados de cada usuário do Gmail serão combinados com dados de pesquisas que o mesmo usuário tenha feito em YouTube, Maps, Google+, Picasa, Chrome e de todos os demais serviços de Google.

A empresa diz que usará essa quantidade gigantesca de dados pessoais digitais para melhor planejar as campanhas publicitárias. Sabendo mais sobre como as pessoas comportam-se online e rastreando os passos de todos por outros pontos da rede, a empresa poderá construir e oferecer melhores campanhas publicitárias aos seus anunciantes, cobrar mais caro e lucrar mais.

A empresa Google recebe informações sobre seus usuários cada vez que usam telefones Android, pesquisam na Internet, entram em suas contas Google, veem mapas e assistem a vídeos em YouTube. Os usuários não têm alternativa e estarão necessariamente presos nessa nova política de privacidade, que estará implantada dia 1º de março.

Já está publicado um anúncio nas páginas Google, em que se lê:
“Estamos alterando os termos de nossa política de privacidade. É importante. Informe-se.” Em pouco tempo, o Big Brother da Internet saberá muito mais sobre você, que sua própria mãe.

No último trimestre, a empresa teve pequena e rara queda nos lucros; e informou que o lucro médio da empresa por clique nos anúncios caíra 8% em relação ao mesmo período de 2010. O lucro líquido da rede foi de US$8.31 bilhões, inferior ao que os analistas previam ($8.37 bilhões). Depois dessas notícias, a cotação das ações de Google caiu 9%.

Bem visivelmente, a empresa Google trabalha para manipular esses perfis de usuários para conseguir vender mais anúncios, depois de ter intoduzido mudanças nas páginas de busca, que refletem resultados da própria rede social, Google+, à custa da concorrência, Facebook e Twitter. 

Se o modelo de negócios de serviços Google gratuitos, pagos com a renda da publicidade continuar, o usuário deve habituar-se a ver-se como produto vendido, não como consumidor.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Quem não se comunica, se trumbica...


*José Flávio Abelha

Marshall McLuhan
O professor canadense Marshall McLuhan  lá pelos anos 60 já previa a transformação do mundo numa aldeia global. Estamos vivendo a sua previsão.

O “filósofo” Abelardo “Chacrinha” Barbosa, com a sua irreverência criou, com muita propriedade, o corolário da teoria do canadense: “Quem não se comunica se trumbica”.

Falou e disse. Estamos morando na grande aldeia e comunicando mais velozmente do que nunca imaginado.

Chacrinha
O velho reclame dos meus tempos de rapaz já dizia: Quem não anuncia se esconde!

Nunca se comunicou tanto quanto nos anos da ditadura Vargas. Era o DIP que se encarregava, diariamente, de propagar as coisas de Vargas. E o baixinho de Itu sabia como ninguém atrair as massas, quer através de grandes concentrações, quem em comunicação pessoal.

O presidente Vargas, democraticamente eleito, sem o DIP e com uma oposição virulenta, não conseguiu espaço na imprensa, hoje chamada de mídia, e teve de valer-se de manobra mortal, o financiamento para a criação do jornal Ultima Hora, que lhe dava cobertura.

Getúlio e Juscelino
Juscelino Kubitschek, um comunicador nato, obrigou a imprensa a lhe dar espaço construindo Brasília.

Contava com a Bloch e os Diários Associados, os quais, desde a primeira hora, ficaram do seu lado. Não existia O Globo para somente noticiar Brasília às vésperas da inauguração, como o fez com as “Diretas Já”, pegando o bonde andando no último ponto.

O saudoso Leonel Brizola não teve a mesma sorte. A mídia não o apoiava. O que fez o agora reconhecido profeta? Criou o TIJOLAÇO, matéria paga onde falava o que o povo precisava ouvir mas, convenhamos, com pouco eco.

Hoje, seu neto carrega o “tijolaço” com destemida bravura e é lido e repassado em inúmeros outros blogues.

Leonel Brizola
Na primeira visita que o recém eleito prefeito de Conselheiro Pena, José Laviola de Matos, fez a Alvarenga, um distrito longínquo, fui testemunha de um fato singular em matéria de comunicação.


Sobre essa visita escrevi alguma coisa no meu livrete “A Mineirice”.

Estávamos nos princípios dos anos 60. Em dado momento de folga, acompanhei Laviola na visita a um fazendeiro, chefe político da região e seu eleitor.

O prefeito, tentando fazer uma pequena pesquisa, perguntou ao fazendeiro em quem votaria nas eleições de 65. O “coronel” levantou-se da cadeira, foi ao seu quarto e de lá saiu carregando uma caixa de sapatos. Lá de dentro, retirou um cartão e nos mostrou dizendo que esse era o seu candidato porque nunca se esquecera de lhe cumprimentar por ocasião do Natal.

Tratava-se de um cartão “assinado” por Juscelino e dirigido “ao meu bom amigo”. Milagres das gráficas modernas. A assinatura, em tinta azul, era “idêntica”. Com esse expediente, JK estava garantindo dezenas de votos naquele fim de mundo. Votos multiplicadores.

Em 1972 visitei o gabinete de um senador americano no Capitólio. Vi o que devia ver e o que não devia, a máquina de assinar cartões e cartas.

Nos EUA o eleitor estufa o peito e diz que vai queixar-se ao seu congressista. Escreve e recebe a resposta “assinada” pela máquina com uma caneta Bic.

Ai do congressista que não responder.

Aldeia Global
É lamentável que hoje não mais se receba qualquer comunicação dos nossos congressistas, um afago, mesmo assinado pela máquina. Nada! Se quisermos saber alguma coisa, temos de consultar blogues, ouvir a Hora do Brasil ou ver na TV uns debates anódinos e notícias dirigidas com âncoras que só fazer caras e bocas.



Lula é um comunicador excepcional, cria fatos e expectativas, mas não conta com a simpatia da mídia. Fala direto ao povão. Nem seu partido nem as agremiações trabalhistas lhe dão grande espaço. Inveja, medo, sabe-se lá o que mais!


A nossa Presidenta não é de muito palavrório, fala pouco e não se comunica bem.

O jornalista Carlos Chagas, na fumaça da visita da Presidenta aos EUA, ocasião em que abriu a sessão na ONU, comentou que a mídia internacional lhe deu pouco espaço e aqui, quase nem isso.

O comentário de Chagas é irreprochável. Sendo a ONU um órgão hoje desmoralizado, pouca repercussão há no que lá se trata. O que se fala naquele clube presidido atualmente pelo Obama ninguém dá mais crédito.

Aqui, bom, aqui, convenhamos, o fato é lamentável. Bem sabemos que a mídia tupiniquim não morre de amores pela presidenta. Ao contrário, vive da solapa, do  ardil, da manha, da astúcia, da ronha, visando a sua desmoralização e, indo além, da sua derrubada, é o que estamos vendo segundo nos ensina o livrinho A Arte da Guerra.

Mas, o jornalista também lembrou, ou tocou, num ponto nevrálgico, a TV estatal que deveria ter se encarregado de transmitir as solenidades nas quais  a presidenta do Brasil compareceu. Diz Chagas que, naquelas horas, a TV estatal transmitia desenhos animados.

Não me surpreendi com as observações de Carlos Chagas.

Luiz Inácio Lula da Silva
Concordo e faço coro. Traduzindo, desde a primeira posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até esta data, hoje, dia 30 de setembro, a comunicação governamental é um fracasso total, de uma incompetência incomensurável, para não repetir o bordão daquele ancora de entorta a boca, faz biquinho e diz: é uma vergonha!

E é mesmo.

Sendo um blogueiro atuante, embora sem prestígio, o que não me tira o arrebatamento, tenho, de quando em quando, enviado críticas e sugestões ao partido político base da presidenta e à própria.

Nunca recebi qualquer resposta. Nem um e-mail ou um cartão expedido pela milagrosa máquina.de assinar. Nada mesmo!

Dilma Rousseff
Quando esteve fazendo tratamento médico para cortar o início de um câncer linfático, Dilma Rousseff deve ter recebido milhares de e-mails e cartas. E, já curada, naturalmente a sua assessoria achou por bem agradecer a todos com a mensagem padrão.

Fui premiado com mensagem pessoal da Dilma.

Como bom mineiro, exclamei, UAI, eu não mandei nenhuma mensagem à distinta dama...

Sou do tempo em que ainda se usava responder cartas, cartões e telegramas. Diretor do Clube Lajão, de Conselheiro Pena, eu fiquei encarregado de fazer sala ao nosso contratado, o grande Orlando Silva e sua companheira, Da. Lurdes. Orlando bebeu conosco e varou a madrugada cantando.

Mais ou menos um mês depois, recebi, para surpresa minha, uma carta do grande Orlando, agradecendo-me pela bela recepção, mandando abraços para o prefeito Laviola e uma foto autografada para mim. A carta está bem guardada e a foto, devidamente emoldurada, no meu escritório.

Hoje, nada mais se agradece, nada mais se comunica. A aldeia global, se encurtou a geografia, distanciou as pessoas. Namora-se pela internete, um amor virtual. Ninguém conhece ninguém.

E a nossa mídia se encarrega de distanciar, ainda mais, as pessoas dos fatos.

Ainda agora o ex-presidente Lula recebeu uma homenagem que poucas pessoas no mundo já foram honradas com tal manifestação de reconhecimento.

Nossa mídia noticiou como se noticia uma batida de carro na ponte Rio-Niterói. Nada mais. Nós blogueiros, uns mais outros menos, nos encarregamos de noticiar a boa nova.

E não é que a Vênus Platinada achou por bem jogar pó de mico na cerimônia? Leiam os blogues sérios que os leitores irão ver a lambança que o pessoal da Vênus tentou fazer.

Mais uma vez nem o partido do ex-presidente manifestou-se a respeito. Não sei se a TV estatal, no seu noticiário, prestou a devida homenagem ao seu criador. Aliás, nem sei se existe noticiário.

Como diria o âncora do biquinho: É uma vergonha!


*Mineiro, Inspector of Ecology da empresa Soares Marinho Ltda.. Quando o serviço permite o autor fica na janela vendo a banda passar . Agora, agitante do blog JANELA DO ABELHA
Correspondência para: jfabelha@terra.com.br 


Texto enviadopelo autor; Ilustração: redecastorphoto