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quarta-feira, 16 de maio de 2012

PROCURA-SE O MENSALÃO


Quem achar, favor avisar à Revista Veja. Será regiamente recompensado.

Raul Longo

Por pura maldade o ex-prefeito da Anápolis, Ernani de Paula, deu um bico no Mensalão que o bichinho saiu ganindo e se entocou em algum canto. Agora só a CPMI do Carlinhos Cachoeira para desentocá-lo.

Uns dizem que está escondido debaixo da cama do Senador Demóstenes Torres, outros que se meteu atrás de um cofre do próprio Carlinhos Cachoeira, mas ninguém define se o das rendas do jogo do bicho, das máquinas caça-níqueis, do contrabando ou da corrupção em licitações com os mais variados níveis de governos de diversos estados. Há até quem aposte que no esconderijo de um cofre de tráfico de drogas. Vai se saber!

Fato é que a família Civita e seu corpo de colaboradores está desolada. Num desespero pungente, tal qual se lê no editorial da edição nº 2265 da revista Veja, principal boletim informativo dos Civita!

Informativo é modo de dizer, pois se o sabe mais para “alarmativo”. O que talvez justifique meu total desinteresse pelo que têm feito ou deixado de fazer os Civita, mas, obrigado a procurar uma clínica de exames gerais para ver se tudo anda em ordem com o corpo, já que o espírito continua bem aconchegado por Oxuns e Iemanjás, dou com o desespero daquela tradicional família máfio-judáica pendurado lá na revistaria para o passatempo dos consulentes da clínica.

Insensíveis, por sinal, pois de todas as outras publicações sobre diferentes frivolidades, só a desta capa mantinha-se ali, sem despertar o menor interesse:

Posso imaginar que as demais publicações escolhidas pelos que aguardavam, também seriam de edições antigas, mas aquela me intrigou pelo anacronismo do assunto de capa, já tão sobejamente desqualificado e ridicularizado pelas investigações dos crimes cometidos pela dupla Demóstenes-Cachoeira.

Claro que, como todo mundo, também sei que quem adotou o Mensalão foram as famílias da mídia brasileira em geral, coligadas ou cooperadas num esforço inaudito para dar corpo e vida à cria batizada pelo Roberto Jefferson. E que depois de desafinar aqui e ali nas tantas festinhas em comemoração à unção do prematuro (há quem diga que se parido uns 6 meses depois, Lula não se reelegeria), Jefferson o passou para as mãos de CPIs e da Mídia num claro “Segura que o filho é teu!” e, antes de ser mijado, escafedeu-se sem sequer se despedir do vigário.

Não é pra menos! Nem os pais da criança aguentavam mais o chato daquele padrinho metido a barítono! Mas a verdade é que até aí ninguém sabia quem eram os pais da criança (se é que assim se pode chamar o monstrinho prematuramente abortado) e acabou sendo alimentado e criado com muito carinho nas mesas de edição dos Marinho, dos Frias, dos Mesquitas. E dos Civita também, lógico!

Diariamente saia de uma casa ia pra outra a qualquer hora e sobretudo nas madrugadas de lançamento de circulação, crescendo a olhos vistos, engordando com todos aqueles mimos e atenções.

No entanto, apesar de tanto zelo o moleque não passou de ano em 2006. Um espanto! Depois de tanto biotônico, tantos cuidados e fermentos, tudo para se moldar em enorme rapagão, um gigante a papar qualquer eleição que viesse a frente... deu-se em raquítico!

O que poderia ter havido? - perguntaram-se os que o adotaram. Adotivos, mas tão corujas quanto biológicos fossem, chegaram até culpar todo o resto da nação por não marchar de acordo com o passo do pupilo.

Culpa do padrinho canastrão não foi, mas já não adiantava mais entoar a mesma ária e se foi produzindo outros cruzamentos, promovendo outros abortos, e até a Mônica Serra, experiente no assunto, entrou nesse parir de monstruosidades em origami, como a bolinha de papel que detonou com a careca do marido.

Nada deu certo e como com toda a ninhada que posteriormente veio de roldão, o Mensalão também foi abandonado.

Convenhamos que não foi pra menos! Afinal, embora tenha cumprido galhardamente com parte de seu papel ao promover bengaladas no José Dirceu, acabou provocando a ascensão e o reconhecimento nacional à Dilma Rousseff. Ou seja: trocou 6 por meia dúzia. Tirou o Palocci e pôs o Mantega! Mexeu com quase metade da equipe do governo Lula, mas o governo Lula provou-se ser mais do dobro de sua própria metade e acabou elegendo a sucessora que não precisou nem bater o pé pros vira-latas que latiam de longe, já receosos desde quando o Agripino Maia enfiou o rabo no meio das pernas, num tal aperto de um olho que os outros dois não paravam de piscar.

No entanto, a pergunta permanecia no ar: quem seriam os pais naturais do Mensalão? Os adotivos foram vários, entre os quais destacam-se as mais insignes famílias da mídia brasileira, mas até aí nenhum segredo. O assunto até andava meio morto, ainda que amornado pela previsão do julgamento do caso, há tantos anos requerido por seu principal acusado, o Dirceu.

Já se viu isso em algum lugar da história: um acusado implorar pelo próprio julgamento?

Pois quando a paternidade do Mensalão enfim se explicita, me espantou na esquecida edição pendurada ali na revistaria da clínica lotada de gente, hoje de manhã, o resgate do tema na capa do boletim dos Civita. Como havia muita gente que chegou na minha frente, não poderia deixar de tomá-lo às mãos, até para distrair o desconforto do jejum imposto, impondo outro ainda pior.

Pra minha sorte não foi assim nem com um nem com outro, pois a despeito de meu atraso na chegada fui chamado logo. Talvez em consideração ao duplo desconforto, o fato é que não tive de me expor à matéria e só deu para ler o apelo do editorial. Foi o que bastou para lembrar do conteúdo do link abaixo, que ainda nesta mesma semana distribui a todos meus correspondentes.

Copio novamente, aqui, o mesmo link da entrevista do Paulo Henrique Amorim com o Ernani de Paula, ex-correligionário e amigo do corrupto do DEM e do Contraventor, para que melhor se possa dimensionar o desespero dos Civita que, por enquanto, são os mais intimamente envolvidos com os pais biológicos da criança, embora se saiba não terem sido os únicos a se responsabilizar pela engorda do monstrengo.

Estes demais, antes do galo cantar já tentam negar o topete do Cachoeira ou a calvície do Demóstenes, mas o maternal sangue judaíco-siciliano clama por aquele a quem amamentou, implorando pelo filho pródigo!

Quem encontrar, favor avisar pelo amor do deus do Vaticano e das Sinagogas!
ASSISTA O VÍDEO:

terça-feira, 8 de maio de 2012

DE IDIOTAS E CANALHAS


Raul Longo no Sambaqui

Enviado por Raul Longo em 8/5/2011


Ninguém pode nem deve se considerar um idiota apenas por acreditar nas mentiras da mídia brasileira. Afinal, os veículos da mídia, em tese, deveriam ser meios de informação, como acontece em países onde esses meios são obrigados a respeitar marcos regulatórios. Se aqui no Brasil enganam e enganaram o público, aqueles que foram enganados não tem culpa disso. Não podem ser considerados idiotas por terem acreditado em canalhas que se apresentam como informantes de fatos e divulgam mentiras.

Quem, pela internet, divulgou sua indignação pelo “Mensalão”, não tem culpa de ter acreditado naquela armação da mídia.

Quem, pela internet, denegriu o José Dirceu, não tem culpa de ter condenado uma vítima da mídia. Quem usou de seu computador para ajudar a mídia a difamar o José Genoíno, também não.

Nem mesmo aqueles que distribuíram as mentiras que recebiam pela internet sobre a fazenda do filho do Lula. Os que acreditaram que o PT recebia dólares de Cuba e em todas as outras mentiras que a mídia divulgou sobre a equipe do governo Lula.

Apesar do absurdo, até ridículo, não dá para se considerar como idiotas nem aqueles que distribuíam pela internet um tal documento do FBI ou CIA ou Pentágono sobre projeto de golpe de Lula para instaurar-se como ditador.

Não... Esses não foram idiotas. Muito ingênuos, é verdade. Um tanto preguiçosos para raciocinar, talvez. Uma certa incapacidade de percepção, sim, mas considerá-los idiotas é exagero.

São mais é vítimas de grupos que pretendiam desestabilizar o governo Lula e continuam pretendendo desestabilizar o governo Dilma para voltar a explorar esses mesmos que acreditaram em todas as mentiras que lhes foram contadas. Tantas que em algum momento deveriam ter começado a desconfiar, a enxergar a realidade... Mas é aquela história, repete-se a mesma mentira tantas vezes que até se convence os menos atentos.

Aqueles que pela internet divulgavam ofensas à Dona Marisa e se referiam a Lula como “apedeuta”, pelo preconceito demonstrado chegavam bem próximo à idiotia, é verdade. Sim, preconceito é coisa de idiota mesmo, mas há de se considerar que foram induzidos a esses preconceitos, estimulados para isso. Muitos já tinham uma certa predisposição para assimilar o preconceito porque para alguns é mesmo duro ter de reconhecer que apesar de ter cursado anos e anos de estudo escolar e do privilégio de ter podido estudar, não conseguiu desenvolver nem um quarto da metade da inteligência de outro que não teve a mesma oportunidade. Difícil mesmo ter de reconhecer que apesar de nunca ter se diplomado em coisa alguma, aquele é o brasileiro que mais recebeu título de Doutor Honoris Causa das mais importantes universidades do mundo.

Então, convenhamos, esses que há tantos anos vêm distribuindo todos os preconceitos que lhes foram incutidos, que usaram a internet para promover mentiras, e que acreditaram nas tantas falsas informações inventadas e divulgadas pela mídia brasileira, não são propriamente idiotas.

Daqui pra frente, se continuarem acreditando na mídia, claro! Afinal, quem cai no golpe do bilhete premiado a primeira vez, é apenas um ingênuo. Já quem cai no mesmo golpe outra vez, sem dúvida é um rematado idiota.

E aquele que já caiu, mas ao ver outro entrando na mesma conversa não o avisa? Não alerta para evitar que se faça outra vítima? Esse é o quê?

Esse é tão canalha quanto o golpista. E como não está ganhando nada com isso, é ainda pior do que o golpista! Pois o golpista é apenas um canalha, mas o que não avisa, além de canalha é idiota, pois não ganha nada com isso, mas ajuda o canalha a explorar e a mentir para outros.

Daí que ofereço a oportunidade destes links para aqueles que espalharam pela internet as mentiras produzidas pelos golpistas da mídia. É a oportunidade que precisam para demonstrar aos mesmos correspondentes aos quais distribuíram as velhas mentiras que, apesar de ingênuos, não foram idiotas. E muito menos canalhas.  

Sem dúvida, entre os que receberem essa oportunidade que aqui ofereço, haverão os que não vão querer demonstrar que ajudaram a divulgar mentiras nem reconhecer que foram enganados. E não vão distribuir para ninguém.

Esses coitados são tão idiotas que sequer conseguem atinar para o fato de que os links aqui distribuídos são de notícias já amplamente divulgadas e na verdade não estarão informando novidade alguma. E perderão a oportunidade de provar para seus correspondentes que não são canalhas, sendo.

“Links” extraídos do sítio Anais Políticos:


Clique aqui para ouvir Demóstenes e Cachoeira  tramando pilantragens com a ajuda da Veja.
Clique aqui para ver a Globo cortando o discurso de Dilma quando ela falava de Vargas, Jango e Brizola.
Clique aqui para saber quem é o Judas curitibano.
Clique aqui para assistir Dilma chamando os bancos na chincha.

sábado, 28 de abril de 2012

Caso Murdoch: Inquérito Levenson-2012, na Grã-Bretanha


Temos muito a aprender...

DEMÓSTENES - Fala professor.
CARLOS - Como é que foi a conversa aí ?
DEMÓSTENES - Ótima. Na semana que vem, já falei inclusive com o repórter, ele vem e o rapaz entrega tudo pra ele: relatórios, nome, fotografia, filmagem e... sob o compromisso de não aparecer.
CARLOS - Então foi bom demais. então, mas você chegou a ver se ficou bom?
DEMÓSTENES - Eu vi só o relatório, certo? É...mas...tá...tá tudo certo... me disse que tem a filmagem, tem as fotografias, tem tudo. Tá tudo ótimo. E ele disse que tem uns outros... outro relatório com nome, tudo mais.
CARLOS - Ah, aí ficou bom demais n’é. (..)
CARLOS - Ah, excelente então. Então tá bom. Vamos falar então. Obrigado doutor.

Fragmento de conversa entre “Senador Demóstenes Torres” (DEM) e “Carlinhos Cachoeira”, gravada dia 24/4/2009, às 17:05, incorporada ao Inquérito e incluída em “Documento Protocolado: supremo 1 nounai reaerai – Inq 0003430 - 27/03/2012 18:21 9941504-50.2012.0.01.0000”, vazado na página Brasil247, hoje na Internet (negritos nossos).

O Inquérito Levenson – aqui traduzido pelo pessoal da Vila Vudu, um trecho da apresentação e um questionário distribuído à sociedade, à guisa de orientação - é uma investigação, a ser conduzida em duas partes, ordenada pelo Primeiro-Ministro britânico dia 13/7/2011, para conhecer o papel da imprensa e da polícia no escândalo dos telefones ilegalmente “grampeados” na Inglaterra, e que gerou o que se conhece como “Caso Murdoch”. Para conduzir as investigações, foi nomeado o juiz Levenson.

______________________

Na primeira parte dessa investigação, serão examinadas a cultura, as práticas e a ética da imprensa comercial. O presidente do inquérito examinará em detalhe o relacionamento entre a imprensa comercial, o público, a política e os políticos. O presidente do inquérito é auxiliado por seis assessores independentes, com experiência sobre as questões definidas como relevantes para a investigação. 

A investigação foi ordenada nos termos da Lei do Processo de Investigação de 2005, e tem poder para convocar testemunhas. Espera-se a convocação de grande número de testemunhas entre as quais repórteres, editores, gerentes, proprietários de jornais, oficiais de polícia e políticos de todos os partidos, convocados a prestar declarações ao juiz sob juramento e em audiência pública.

Na conclusão, o Inquérito Levenson deverá fazer recomendações para a regulação e a administração de veículos de imprensa comercial que sejam consistentes com a defesa da liberdade de manifestação e com os mais altos padrões éticos e profissionais do jornalismo comercial.

A investigação foi aberta pelo juiz Leveson, na primeira audiência pública, dia 14/11/2011, que disse: “A imprensa oferece meio essencial para fiscalizar todos os aspectos da vida pública. Essa é a razão pela qual qualquer fracasso da mídia nos afeta tão profundamente. No coração desse inquérito, portanto, pode-se ler uma única pergunta: “Quem guarda os guardiões da liberdade de manifestação?”

O Inquérito Levenson entra agora na investigação do “3º Módulo”, sobre relações entre políticos e a mídia.

Todos os cidadãos, profissionais e o público em geral, que tenham o que informar, devem enviar contribuições para o e-mail: 

Para encaminhar essa investigação, estão propostas as seguintes perguntas:

INQUÉRITO LEVENSON: PERGUNTAS PARA ORIENTAR A INVESTIGAÇÃO: “Módulo 3”

A partir de agora, o Inquérito Levenson examinará o relacionamento entre a imprensa comercial e os políticos. Queremos ouvir o que tenham a dizer os profissionais e o público que tenham informações e casos a narrar em resposta às específicas questões abaixo. As respostas que se obtenham serão consideradas como material de prova a ser investigado e podem ser publicadas em forma redigida e editada, como parte das provas recolhidas pelo Inquérito Levenson.

(1) O Inquérito tem interesse em conhecer o que o público conhece e compreende sobre o relacionamento entre a mídia comercial e os políticos. De onde vem o conhecimento que o público tem? Como esse conhecimento é testado? Que uso é feito da informação acessível ao público (por exemplo, sobre reuniões entre lideranças políticas e empresários, diretores, editores e jornalistas e outras figuras de destaque nas empresas de mídia comercial)? A mudança para o Código Ministerial, em julho de 2011 fez alguma diferença? (Atualmente, o Código determina: “o governo será aberto em tudo que tenha a ver com relações com as empresas da mídia comercial. Todas as reuniões entre proprietários de jornais e de outros veículos, editores e altos executivos, deverão ser divulgadas quinzenalmente, independente do objetivo da reunião”).

(2) O Inquérito tem interesse em ouvir ideias sobre os específicos benefícios e riscos em relação ao interesse público, que surgem do relacionamento entre políticos, no plano do governo nacional, e empresas de mídia comercial. O que o público tem a ganhar com esse relacionamento? O que pode perder? Como se poderiam maximizar os ganhos e minimizar os riscos? Há considerações específicas das quais o Inquérito tenha de ter conhecimentos, no quadro geral de eleições e de outras consultas nacionais à opinião pública?

(3) O Inquérito tem interesse em ouvir ideias sobre as condições que uma imprensa comercial livre deva necessariamente satisfazer numa democracia, para cumprir sua função de fiscalizar o poder político e os poderosos em geral. Qual é a natureza do papel da imprensa comercial? O que o público deve esperar que a imprensa comercial faça ou seja, para cumprir esse papel? Como o público pode ver diretamente que a imprensa comercial esteja levando a sério o seu papel e o cumpre com a necessária responsabilidade? Há bons exemplos a reproduzir?

(4) Há na opinião pública em geral a percepção de que o jornalismo comercial político afastou-se da reportagem e busca influenciar ativamente os eventos? Há provas de que assim seja? É questão sobre a qual a opinião pública deva preocupar-se ou não? A imprensa comercial tem alguma função legítima que a autorize a tomar o lugar da oposição política?

(5) O Inquérito tem interesse em conhecer a natureza da influência que a imprensa comercial tem sobre a opinião pública no campo das políticas públicas (por exemplo, em áreas como a Justiça Criminal, a política de imigração ou a política europeia). Você [os cidadãos em geral] tem alguma ideia ou conhece algum exemplo específico de como se exerce essa influência e com que efeito? Esse processo é transparente? Esse processo atende ao interesse público?

(6) O Inquérito está particularmente interessado na influência que a imprensa comercial exerça sobre o conteúdo e o timing das políticas dos partidos em relação às empresas da imprensa comercial, e sobre o processo de tomada de decisões do governo sobre as políticas ou questões operacionais que afetem diretamente as empresas da imprensa comercial. Você tem exemplos pessoais a oferecer, de como isso opera na prática? As empresas da imprensa comercial operam efetivamente como lobbystas de causas próprias? Que riscos se criam a partir do papel que o governo exerça na determinação de regras para compra, venda e fusões de empresas da imprensa comercial? É preciso criar novas salvaguardas ou impor novos limites a tal envolvimento?

(7) É necessário que haja pluralidade de vozes nos distribuidores de noticiário dentro das empresas da imprensa comercial e de outros provedores de noticiário ou na imprensa como um todo? Como o acesso ao noticiário através da Internet afeta a necessidade de pluralidade? Qual o nível de pluralidade que se deve exigir? A pluralidade na propriedade das empresas é substituto suficiente para a pluralidade de vozes?

(8) Há provas da influência da imprensa comercial sobre mandatos públicos e políticos (duração e término dos mandatos)? O Inquérito tem interesse em exemplos, inclusive de casos nos quais o interesse público foi e não foi bem atendido por aquela influência.

(9) Até que ponto, na opinião dos cidadãos, os políticos são inibidos/impedidos de agir a favor do interesse público, na direção de garantir que a conduta, as práticas e a ética nos serviços de imprensa trabalhem mais na direção do interesse público que no interesse privado das empresas da imprensa comercial? Que medidas poderiam influenciar nessa direção?

Observem, por favor, que o Inquérito considerará questões relacionadas ao Módulo 3 até o final do mês de junho de 2012. Mas, considerada a grande quantidade de material que estamos recebendo, o melhor será que todos os materiais nos sejam enviados até a 6ª-feria, 15/6/2012.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

COISAS DO DEMO


Zorô



Zoroastro Sant’Anna - Jornalista e cineasta
Coluna - Nosso Homem nº 12 (enviada pelo autor)



Nasci e cresci ouvindo dizer que o brasileiro não tem memória, não tem vergonha, só quer saber de cachaça, mulher e carnaval, é preguiçoso, é ladrão  e mais uma série de baixas estimas que só descobri a verdade quando fui morar no exterior por forças das circunstâncias e por forças armadas.

Num curso na Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, assisti um filme onde uma coisa estranha se mexia em close na tela. Na medida em que a câmera se afastava da coisa, percebia-se que ela borbulhava. Afastando mais dava para ver que a coisa era finita, tinha contornos. A câmera ia se afastando até revelar um ovo sendo frito na frigideira.  O que filme ilustrava era uma aula sobre a necessidade de se afastar do centro dos problemas, do centro das coisas para poder entendê-las melhor.

Assim foi para mim quando me afastei e pude ver melhor o meu país. Lembrei que os péssimos transportes coletivos estavam sempre abarrotados de trabalhadores às quatro horas da manhã, como essa gente poderia ser preguiçosa, embora também gostasse de carnaval? Desonesto? E o faminto lixeiro que achou R$ 20 mil e devolveu? Descobri então que tudo que atribuíam ao povo eram qualidades dos políticos, que tiravam de seus ombros essas pechas e as atiravam no peito do povo, para que ele perdesse a sua dignidade  e a sua voz e entregasse o seu voto como forma de “me desculpem por ser brasileiro”.

Quanto a não ter memória, o fato é que a grande imprensa é que apaga  a nossa memória. Ávida por manchetes escandalosas e quentinhas do dia, “esquecem” os assuntos vitais da nação.

No meu tempo de jornalista profissional, havia um quadradinho que se publicava no final de um assunto já sabido, explicando o fato desde o comecinho para que o leitor lembrasse de como tudo se iniciou e compreendesse melhor o desdobramento do acontecido. O jornalismo “moderno” jogou o quadrado no redondo buraco sem fundo do esquecimento.

Por exemplo, qual veículo grande  da mídia tem acompanhado os grandes escândalos como os famigerados políticos ladrões da Operação Sanguessuga, que superfaturavam ambulâncias? E a Operação Navalha que em Sergipe envolveu o governo de João Alves, algemou seu filho, desmascarou e prendeu o chefe da Casa Civil, Flávio Conceição? A Operação Navalha desvendou o esquema de corrupção do empresário Zuleido Veras, da Construtora Gautama, que superfaturava obras do PAC e distribuía “dividendos” aos políticos corruptos.

Agora me aparece uma versão tupiniquim de O Médico e o Monstro, do escocês Robert Louis Stevenson, livro publicado em 1886. O senador do DEM Demóstenes Torres, 128 anos depois, encarna com desenvoltura e primor os personagens Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Ele, enquanto Mr. Hyde Torres, cidadão exemplar, defendia com unhas e dentes a moralidade: “Bandido perigoso tem que ir para a cadeia. O DEM não bate  palmas e nem passa a mão na cabeça de corrupto...” dizia ele de dedo em riste. E agora? Palmas para ele! Ele, enquanto Dr. Jekyll Torres, médico malvado, abocanhou milhões fazendo lobby explícito para um criminoso preso pela Polícia Federal.

Dr. Jekyll Torres chamava o criminoso de “professor” do qual certamente é um bom aluno.

A grande imprensa minimiza a periculosidade do preso Carlinhos Cachoeira atribuindo a ele a denominação de “contraventor”, sem citar que atrás da cortina dos jogos ilegais que ele controla, segundo a Operação Montecarlo da Polícia Federal, e esconde-se o crime organizado, com sequestros, assassinatos e lavagem de dinheiro.

Não se trata de um simples batedor de carteiras ou um espertinho 171, é crime pesado com desdobramentos e ramificações nas estruturas políticas de Goiás e do país.

A Secretária do governador de Goiás acaba de cair acusada de ligações com o mesmo criminoso. Mais quatro deputados também já estão sem dormir.

Dr. Jekyll Torres foi Procurador do Estado e Secretário de Segurança de Goiás, não há como dizer que não sabia das atividades criminosas do seu sócio encarcerado. Já Mr. Hyde Torres costumava falar que “...todo bandido nega tudo”, dizia isso em relação ao suspeito senador Renan Calheiros. Mr. Hyde Torres, ainda sobre Renan, lamentava que “A imagem do Senado, hoje, é a de um pau de galinheiro”.

Contam que um ladrão surpreendido com um porco às costas, assim que o havia roubado, se defendeu do flagrante: “Porco? Que porco?” O policial respondeu: “Esse porco aí,nas suas costas.” Porco nas minhas costas? Ái, sai daí porco, sai daí”. Assim foi que o generoso DEM tratou o seu senador Demóstenes Torres.

Torrado pela opinião pública, Demóstenes se tornou um estorvo para as pretensões do DEM na próximas eleições municipais, era preciso descolá-lo da agremiação. O Partido, nas figuras impolutas de ACM Neto, conhecido como Grampinho, senador Agripino Maia (presidente do DEM) e Ronaldo Caiado, se apressou em expulsá-lo “sai daí, porco, sai daí”. Mas o porco se adiantou e pediu para sair. Pede pra sair!

Dr. Jekyll/Mr Hyde tinha um advogado chamado John Utterson que manobrava com essas duas doentias personalidades. O senador Demóstenes Torres tem ao seu lado o causídico Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, que defende a tese de que qualquer acusação contra o senador não tem fundamento jurídico porque as escutas foram feitas sem ordem judicial e, tendo o senador foro privilegiado; a ordem judicial teria que ser expedida pelo Supremo Tribunal Federal, o que não aconteceu.

Pois veja o caro amigo leitor que por uma firula jurídica, Dr.Jekyll Torres poderá escapar das garras da Lei e da Justiça. Mais uma vez a impunidade continuará a premiar crápulas da pior espécie, impunidade que não é ocasional, mas sim sistemática e sistêmica, porque as leis que os protegem foram criadas por esses mesmos criminosos e é óbvio que ninguém legisla contra si próprio. Razão pela qual a impunidade graça país afora, inclusive nas plagas sergipanas, onde até hoje ninguém está preso ou condenado pela sangria dos cofres públicos revelada pela Operação Navalha, onde o principal envolvido oculto aspira concorrer nas próximas eleições sob a bandeira do DEM, do Demóstenes. 

Coisas do DEMO, não é?

·       Gol contra – A reestruturação levou a Gol a demitir 86 pilotos e co-pilotos, além de 45 comissários. A empresa aérea amargou um prejuízo em 2011 de R$ 710 milhões, reduziu em 80 os seus 900 voos diários. A desculpa foi o alto custo do querosene. Tem algo a mais no ar além dos poucos aviões de carreira. Um setor que cresce alucinadamente dispensar funcionários e reduzir vôos tem que ter um grave problema de gestão. Aguardem.
·       Leilão – A Presidenta Dilma já decidiu que o leilão dos aeroportos do Galeão, no Rio e Confins, em Belo Horizonte vai acontecer logo depois das eleições municipais. Os aeroportos de Brasília, Viracopos e Guarulhos já foram leiloados. Comenta-se que um aeroporto do Nordeste também será leiloado, Salvador ou Santa Maria?
·       Samba gay– O escritor carioca Paulo Lins, ex-morador da favela Cidade de Deus, que deu nome ao seu livro que virou filme de sucesso nas mãos de Fernando Meirelles, lança agora Desde que o Samba é Samba, 600 páginas sobre a origem do samba no bairro do Estácio. Paulo Lins revela o homossexualismo de Ismael Silva, um dos pais  do samba, que procurava programas com homens junto com  Mário de Andrade, pai do Modernismo e também gay.
·       Cacá – O cineasta alagoano Cacá Diegues, naturalizado carioca, tem mostra e debates na Caixa Cultural, na Avenida Almirante Barroso, esquina da Avenida Rio Branco. Sempre às 17h20min até 15 de abril. Entre as obras do cineasta estão Ganga Zumba, Bye, Bye Brasil, Chuvas de Verão e Chica da Silva. Entradas a R$ 4.