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domingo, 14 de abril de 2013

CARTAS À MADEIRA II


Usurpadores e Usurpados

Raul Longo
Raul Longo

Pois é amigo...

Veja como, ao contrário do que dizem, o problema não está no espírito de porco que incorpora os homens de boa fé, mas sim na má fé dos porcos de espírito. Foi tornar estas cartas abertas e já sou amaldiçoado por judeus, cristãos e islâmicos.

E tudo só porque contei a história de Jeová para uns, Deus para outros e Alá para tres’outros. Sorte de Homero por não ter vivido nestes nossos tempos de deus único.

Leonardo Boff
O Leonardo Boff é quem tem razão: nos tempos em que deuses representavam os elementos, ninguém era louco de poluir ou derrubar um deus sabendo que o castigo viria a cavalo. Cortasses a mata de Oxóssi aqui, Tupã já rugia dali e mais dia um aguaceiro de Manitu arrebentaria tua porta.

Depois que inventaram o tal Belzebu com seus infernais castigos pós-morte e jogaram toda a responsabilidade p’ra a ira de El, o deus do cosmos, é só bajular os representantes do Todo Poderoso que fez tudo só para os seus escolhidos e o resto que se lasque. Aí deu nessa bagunça: o petróleo é só dos sheiks sauditas; cristãos intolerantes se pegam entre católicos e protestantes enquanto sionistas trucidam crianças pela Palestina.

Só a Palestina?... No Torá e na Bíblia Deus fez o mundo só para eles e quem é dono do mundo não precisa de passaporte pra atravessar qualquer fronteira. A bordo de um Mirage caça onde quiser. Até no Mali!

Mas a verdade é que não tenho nada contra deus algum, nem mesmo os monoteicos. Vishnu, Olodum, Odin ou qual seja, cada um cumpriu com a função de força organizativa de sociedades em formação. Mitos necessários aos momentos das histórias de cada povo. Só lamento é que ainda hoje tantos ainda se deixem manipular por esses mitos utilizados por seus usurpadores.

Povos inteiros jogados de lá p’ra cá, em nome do Deus único, por aqueles que só têm fé num deus de duas faces: a do Poder e a do Capital.

Freud, Einstein e tantas outras das mais brilhantes cabeças entre o povo judeu logo avisaram que aquela história de Estado de Israel era pura enganação e que os tais sionistas tinham se vendido para os governos europeus expulsarem os judeus daquele continente. De fato! Vais ver se está em Jerusalém ou Telavive alguém das famílias dos que financiaram a instalação daquele estado e a manutenção do sionismo? Rothschilds, por exemplo? Todos espalhados nos mais confortáveis e seguros centros capitalistas do mundo, tendo como base a verdadeira pátria: a Alemanha.

Escudo de armas (Brasão) dos Rothschilds
Pois é... Os Rothschilds, um dos maiores financiadores da criação do Estado de Israel e mantenedores do sionismo são judeus alemães.

“- Judeus alemães!” – te espantarás em tua perspicácia, logo questionando: “- Como então também nunca se registrou um Rothschild nos campos de extermínio nazista? Não estiveram em campos nazistas, não estão em Israel, e são judeu-alemães?”

Para entender esse aparente disparate precisamos antes rememorar algumas coisas que nos passam despercebidas na história. Uma delas é a de que judeu não é etnia, nem nacionalidade. Antes que perguntes o que era, então, a Judéia, revisemos:

Alexandre da Macedônia
Após a morte do Alexandre da Macedônia o Império Helênico foi subdividido e na Síria, hoje em conflitos financiados pelos interesses capitalistas do ocidente, se estabeleceu o Império Selêucida que foi de trezentos e pouco até 64 a. C.

Dali se controlou toda a banda oriental do império de Alexandre, até o Afeganistão, hoje invadido pelos Estados Unidos. Também naquela época, apesar de ainda não terem descoberto como extrair e utilizar o petróleo, esse quinhão do mundo era o mais cobiçado pelos mesmos motivos que quase dois milênios depois trouxeram Colombo até a América. Não o ópio da papoula afegã, mas o ouro e as especiarias que na escola estudávamos para entender porque raios Cabral se meteu Atlântico afora até descobrir o Brasil.

Imperador Seleuco
Pois enquanto o Imperador Seleuco administrava aquele lado do espólio de Alexandre, aí na Europa era um balaio de gatos medonho com aqueles saxões, vikings e gauleses sempre ameaçando as antigas colônias gregas já se formando em Império Romano. E nos Balcãs, península do sul da Turquia até a Grécia, o brigueiro entre as cidades-estado era enorme.

Mas mantendo o ideal de Alexandre, Seleuco continuou impondo a cultura helênica entre os povos dominados, demonstrando que não foram os Estados Unidos que inventaram esse mecanismo de domínio. Como então ainda não existiam os meios de imposição chamados de comunicação ou, se preferir, a mídia; os métodos eram outros, embora não menos contundentes. Houve reações entre os judeus do clã do velho patriarca Hasmon e os chamados hasmoneus foram para as montanhas onde formaram um grupo de guerrilheiros sob comando de Judas Macabeu.

Judas Macabeu
Macabeu deu sorte porque os olhos dos selêucidas cresceram sobre os Balcãs e como romanos perceberam que conquistando os Balcãs logo teriam toda a Europa subjugada, de lá vieram as centúrias. Com os selêucidas envolvidos em escaramuças com o exército romano, os guerrilheiros da Sierra Maestra hebraica, os hasmoneus, tomaram a Havana de lá: Jerusalém.

Ao invés de hospitais e escolas a primeira providência foi reconstituir o velho Templo para reconstituir a mitologia e a fé judaica praticamente extinta pelo helenismo. Reinstaurou-se o reinado sobre o povo hebreu e logo se deu aquelas insídias e disputas pelo trono que tanto estimulavam a imaginação de William Shakespeare, resultando numa guerra civil promovida por dois irmãos hasmoneus. Contenda fratricida pelo poder.

Um dos irmãos hasmoneus vendeu o povo e a pátria como qualquer tucano brasileiro, contentando-se com o cargo de sumo-sacerdote do judaísmo. Mas abdicou do trono porque sob o pretexto de pacificadores, seus aliados romanos transformaram aquilo tudo em província do Império no ano de 63 a.C. Em compensação deram à nova província o nome de Judéia. Ou seja, nunca houve um país chamado Judéia, nunca houve um povo chamado judeu. Judeu é quem professa a religião judaica e Judéia era uma província do Império Romano. Mas não de judeus nem hebreus.

Marco Antonio
Em 37 a. C. o imperador romano Marco Antonio reconstituiu o reinado judaico, só que entregou o trono a Herodes, filho de um procurador romano. Segundo Flávio Josefo, consagrado historiador judeu-romano da época, Herodes morreu em 4 ou 1 a. C e seu filho e sucessor, Herodes  Arquelau, foi entronado pelos romanos em 4 d. C. Considerado incompetente pelo Imperador Augusto, Arquelau foi destituído 2 anos depois e em 6 d. C. substituído por seu irmão, também Herodes, mas Antipas.

Intrigantes nessas anotações históricas de Flávio Josefo é que nenhum dos três Herodes estava no comando quando aquele do Novo Testamento mandou matar as criancinhas com receio da previsão do nascimento do novo rei dos judeus, o Cristo. Em verdade ninguém ocupava o trono no ano do nascimento, fosse 1 ou 0.

Mas, enfim, entre mito, lenda e história, vá se saber em quem acreditar?

Flávio Josefo
Difícil, porque até mesmo a história tem de suas contradições e o próprio Josefo é uma confirmação dessa dificuldade, pois se judeu praticante nascido em Jerusalém e filho de sacerdote, mas naturalizado como cidadão romano, o próprio historiador evidencia que os judeus não emigraram para a Europa apenas no século I d. C. como posteriormente afirmaram alguns de seus colegas. Antes disso já tinha judeu na Europa e Josefo foi um deles, embora a Segunda Diáspora Judaica tenha ocorrido realmente em 136 quando na Província da Judéia, Roma proibiu a entrada dos judeus em Jerusalém e se dispersaram mundo afora ou, mais exatamente, pela Europa.

Pode parecer estranho isso dos judeus irem para o centro do Império que inviabilizou suas vidas na Palestina, mas o processo é similar ao de tantos latino-americanos que arriscam suas vidas atravessando o Muro da Vergonha erigido pelos Estados Unidos na fronteira com o México. E não se espante se amanhã ou depois substituírem o Tio Sam pelo Primo Pancho, porque cerca de 2 séculos depois o Imperador Constantino utilizou da mesma manobra pela continuidade do Império Romano, adotando uma nova seita religiosa de origem hebraica: o cristianismo.

Constantino, o 1º Papa 
Ainda que “O Édito de Constantino” sagrando-se a si mesmo como o primeiro Sumo Pontífice da Igreja Católica, ou o primeiro Papa, ocorresse em 321, nunca foi cristão coisa alguma. Tanto que um dia antes de sua morte realizou cultos e sacrifícios a Zeus, um mito grego. Instituiu o domingo como feriado, mas apesar da origem latina da palavra se referir ao “Dominicus die” ou o dia de Deus, para Constantino não era uma comemoração ao dia de descanso do criacionismo bíblico e da mitologia judaica, mas homenagem ao deus Sol Invicto, ao qual também adorava.

Constantino foi o primeiro Papa e verdadeiro fundador da Igreja Católica que nunca foi de Pedro, mas sempre tão romana quanto a Judéia.

Romana, apesar dessa Igreja e das demais igrejas cristãs professarem o mito judaico do Messias (que os judeus não aceitam como real e ainda esperam o verdadeiro Messias), baseados em alguns relatos de autores judeus que nos evangelhos não escondem suas indisposições ao domínio do Império e apresentam os romanos como antagônicos e algozes de personagens judeus na condição de discípulos ou apóstolos, mas todos vítimas.

Aqui no Brasil ainda remanescem daqueles hipócritas dos tempos da ditadura que ao ouvir alguma crítica aos Estados Unidos acusam como coisa de comunista antipatriota, mas nos evangelhos os que se vendiam aos interesses romanos como um William Waack, conforme revelado pelo WikiLeaks, se vendeu à CIA, era logo taxado de traidor como aconteceu com o Judas Iscariotes. No evangelhos traidor não tem moleza não, se não enforca vai vagar eternamente pelo mundo ou cai direto no inferno. Só aqui é que continuam fazendo cara de bons moços para as câmeras.

Apesar disso tudo e de adotarem uma versão do Torá como o Velho Testamento da Bíblia, o que a Igreja Católica Romana fez através de mais um mito hebraico, foi satanizar os autores do mito. Da mesma forma que os patriarcas do judaísmo satanizaram Baal para transformar seu mitológico pai, El, em Deus único, a Igreja usou os judeus para satanizar os judeus. Mais ou menos como se a Veja publicasse trechos do Capital para convencer seus leitores de que os comunistas são traidores do Marx. Bem... De fato alguns depuseram muito contra os ideais do velho camarada, mas não no mesmo sentido do ódio que as igrejas cristãs conseguiram difundir contra os judeus por todo o mundo.

Desculpe amigo, se pareço fugir do propósito dessas cartas que ainda é o de chegarmos a alguma conclusão sobre a crise financeira mundial que aflige a ti e a Gabriela (que como feminino de Gabriel é uma enviada de El) aí na Madeira. Não fujo, não. Mas para entendermos como se aperfeiçoaram os sistemas de usurpação para o que conhecemos como Capitalismo, é preciso resgatar o histórico das instituições que o desenvolveram e a Igreja é uma delas, como todos os demais meios de sistêmica manipulação de mitologia religiosa, sobretudo entre os difusores do monoteísmo que adicionou à usurpação pela força, o caráter de direito divino.

Prometo que nas próximas cartas avançaremos um pouco mais na cronologia histórica, embora ainda tenhamos de analisar a mais antiga usurpação da história da humanidade: a das mulheres pelos homens. Ainda que esteja presente entre todas as religiões patriarcais e profundamente nas monoteicas, talvez a usurpação dos ideais do profeta Maomé pelo islamismo seja o que melhor exemplifique esse processo hoje bastante manipulado pelo cristianismo ocidental aliado ao falso judaísmo dos sionistas.

Chegaremos lá.
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Leia também:
Leia mais alguns artigos sobre “Sionismo”:



terça-feira, 22 de maio de 2012

Colonos judeus atiram em moradores de Asira al-Qibliya na Palestina invadida


Veja o ataque de colonos judeus à vila de Asira al-Qibliya, na Cisjordânia. Eles chegam armados com submetralhadoras e pistolas, e logo os valentes moradores, armados de pedras, os enfrentam, impedindo seu avanço para a zona urbana da vila.


Um jovem palestino foi ferido pelos tiros. Levado a um hospital, ele está em situação estável.

Notem como os soldados israelenses procuram “proteger” os colonos armados ao invés de impedi-los de atirar.


As imagens foram postadas pela Associação Israelense de Direitos Humanos B'Tselem. Ela montou um projeto interessante: distribuiu câmeras de vídeo para mulheres das vilas palestinas e as ensinaram a usá-las. Desse modo, elas podem registrar todas as violações cometidas pelas forças de ocupação sionistas.

Crime ocorrido em 19 de maio de 2012
Enviado por Baby Siqueira Abrão -  Ramallah
Brazilian journalist - Middle East correspondent

domingo, 12 de dezembro de 2010

O JUDEU E OS JUDEUS

Raul Longo

Oceanógrafo, socialista e judeu, meu hóspede comenta como foi difícil sua formação ao longo da vida, pelo estigma da religião que confundem com etnia:
- Judeu não é etnia. O antissemitismo aplicado aos judeus é uma estupidez enorme. Não existe o judeu-alemão, judeu-polonês, judeu-russo.
O que existe é o alemão de ascendência semita que professa o judaísmo, o italiano de ascendência semita que professa o judaísmo, o brasileiro de ascendência semita que professa o judaísmo. Assim como existem semitas cristãos e semitas mulçumanos.
Pergunto se sofre muita discriminação. Confirma, mas revela:
 - Muito mais entre os judeus do que entre cristãos. No Brasil, cristãos e não judeus em geral não sabem reconhecer nomes de judeus. Mas judeus sem dúvida, claro que te reconhecem no primeiro declinar do nome de família. E com muito maior acuidade distinguem logo se você é um judeu rico ou pobre. Todo judeu pobre é discriminado.
Questiono sua situação social: professor universitário não é exatamente um pobre:
- A distinção é diferente. Não se julga a condição de vida, mas os meios pelos quais foi alcançada e é mantida. Eu poderia ter uma condição financeira ainda inferior e seria auxiliado se minhas convicções de obtenção de fortuna correspondessem às dos judeus de famílias que se tornaram ricos ao longo da história. Não foi o caso de meus ancestrais e para que futuramente o nome de minha família venha a ser integrado sem discriminação entre os judeus, seria preciso que me tornasse rico através dos meios que consideram como indicadores de proficiência. Se ganhasse na loteria e por isso me tornasse milionário, talvez deixasse de ser tão discriminado, mas eu e meus filhos sempre seríamos olhados com desconfianças pelos demais judeus.
Cogito pela possibilidade de se dar por não professar a religião:
- Isso pode agravar ainda mais, mas não é o determinante. Rabinos pobres são igualmente discriminados.
Reporto ao que disse antes e retomo a questão religião x etnia, considerando que, como ateu, deixou de ser judeu:
- Não é tão simples. Assim como veladamente se imputa à Marx o “crime” de ser judeu para justificar a razão de seu ateísmo e estruturação sócio/política do comunismo, os judeus também imputam à Marx o “crime” de ser pobre para justificar seus ideais. E Marx é tão execrado entre judeus capitalistas quanto entre capitalistas não judeus.
Menciono que no cristianismo e outras religiões coincidem princípios de igualdade e união entre os humanos, similares aos pretendidos por Karl Marx:
- O judaísmo é tão hipócrita quanto qualquer outra religião. Como em todas, também no judaísmo há os que de fato se pautam pelos princípios básicos originais de Buda, Cristo ou Maomé. Mas as elites do sacerdócio os utilizam para conduzir, condicionar e induzir à maioria dos crentes a acreditar no que praticam ao inverso.
Quero concluir que ao menos não seja tão discriminado entre cristãos:
- Não é verdade. Apenas enquanto não distinguem minha ascendência e a confundem com a dos árabes. Somos todos semitas e as semelhanças físicas só se diluem quando os ancestrais de nossas famílias se miscigenaram com etnias dos povos europeus.
Concluo que afirme maior identificação semita entre os povos árabes e que no Brasil o preconceito contra o islamismo seja menor do que contra o judaísmo:
- Evidente. E não apenas no Brasil. Apesar de disseminado pela Igreja Católica a partir da expulsão dos mouros da Península Ibérica, três fatores inviabilizaram os mitos criados contra os muçulmanos.
Primeiro porque poucos árabes se mantiveram na Europa e seus descendentes já eram fruto de 8 séculos de miscigenação, o que não ocorreu entre hebreus por determinações do próprio judaísmo para manutenção de uma identidade que hoje se busca através no sionismo, estreitamente identificado ao nazismo exatamente na concepção da pureza e superioridade racial. Esse fator que contribuiu para a evolução dos tantos mitos criados pela Igreja Católica contra os judeus, hoje é utilizado contra os árabes pela mídia internacional, manipulada pelos judeus. Mas é difícil personificar uma identidade árabe, pois mesmo religiosamente, ainda que todos maometanos, são bem mais diversificados.
O segundo fato é que por mais que a Igreja tenha insistido no ódio dos mulçumanos aos infiéis, a verdade é que judeus e cristãos nunca foram tão respeitados em suas tradições religiosas como durante os séculos da ocupação moura que protegeram a ambos contra a violência e ganância de nobres e clérigos cristãos, permitindo completa liberdade religiosa.
Por último, por toda a Península Ibérica ainda sobrevivem documentos arquitetônicos e literários documentando as contribuições cientificas, técnicas, artísticas e culturais numa Europa obscurantista e inculta onde qualquer evolução ou descoberta era compreendida como diabólica e condenada à morte.
Concordo, lamentando a crença de que procedemos exclusivamente da cultura greco-romana e considerando que a maior parte dos saberes da civilização ocidental provém da cultura árabe. Aproveito para perguntar sobre a contribuição dos semitas judeus à formação da cultura europeia:
- Além das finanças e ciências econômicas, estivemos presente em todas as demais das mais profundas evoluções alcançadas sobretudo nos séculos XIX e XX. Mas essas contribuições já vêm muito antes, viabilizando aos ocidentais conhecimentos desenvolvidos em conjunto, por semitas árabes e judeus.
As cortes cristãs não tinham pessoal qualificado para isso. E se meses depois da expulsão dos últimos árabes, Colombo pôde chegar à América através da navegação desenvolvida através dos conhecimentos dos beduínos dos desertos e dos fenícios, todos árabes, foi porque os judeus ajudaram a organizar e levar a cabo empreendimento então tão temerário e detalhista quanto, hoje, uma excursão intergaláctica.
Quero saber se lhe parece impossível derrubar o mito de que árabes e judeus estejam envolvidos numa milenar e eterna guerra fratricida:
- Depois do fracasso de Napoleão e da falência do Império Britânico ficou claro que é preciso uma justificativa para os interesses de domínio mundial através do poder das armas. Os nazistas aventaram o mito da superioridade racial exatamente entre um povo de múltiplas origens. Alemães não são apenas germânicos, mas também bávaros, suevos, hunos, etc. Para alimentar esse mito de identidade racial, precisaram criar um contraponto. Não se cria o mito da superioridade masculina, se não houver um contraponto de inferioridade, por mais falso que seja. Todo mito precisa de seu inverso, por mais insólitos. O antagônico é tão essencial à mentira quanto sua repetição por mil vezes.
Entendo que o antagonismo ao povo palestino trata-se de um planejamento com fins específicos e perdurará até a ocupação total da Palestina, e explica:
- Nos anos 50/60 muitos judeus, mesmo antissionistas, se indignaram contra os árabes, pois nos era claro ser plenamente possível convivermos na Palestina sem prejuízo para nenhum dos lados e até com muitas contribuições àquele povo já tão massacrado pelo Império Britânico e também  por alguns dos vizinhos árabes. Além de que, mesmo em maioria islâmicos, há palestinos judeus e muitos são semitas de origem judaica que no decorrer dos séculos assimilaram outras influências religiosas, mas preservaram diversos costumes que nos judeus se diluíram pelas influências adquiridas por onde se dispersaram.
Hoje, na distância do tempo, podemos perceber as razões da reação árabe contra a criação do Estado de Israel. Não há como mentir que o modelo sionista é o nazismo. Adotou-se o mito de superioridade racial para unificação dos tantos povos que formaram a Alemanha, para dessa vez unificar a dispersão da cultura judaica. E, repetindo-se o método do modelo, o povo palestino tonou-se o mito antagônico.
É só nos perguntarmos se o objetivo único e final de Hitler era apenas o de que o povo alemão se acreditasse superior a todos os demais? Apenas exterminar os judeus e depois disso não promoveria novos genocídios? Se limitaria às fronteiras da Alemanha, anexando apenas a Eslováquia? Ou apenas a Polônia? Talvez somente a França?
Muitos militares de alta patente do exército de Israel, que naquelas décadas de formação do Estado lutaram contra árabes entendendo-os incapazes de ceder um espaço de que não tiravam proveito, adquirido por um parente escorraçado e profundamente maltratado em outras terras. Hoje, esses mesmos militares compreendem e dão razão aqueles árabes, pois é inegável que os sionistas não pretendem apenas estabelecer europeus que ainda professavam a religião judaica. É muito claro que se tratou de um planejamento geoestratégico de ingleses e norte-americanos, para atender seus interesses na região de maior produção petrolífera do mundo. E para isso reproduziram o modelo nazista no Oriente Médio a troco do financiamento da recuperação da então combalida economia mundial.
A II Guerra foi provocada exatamente pela fragilidade da economia mundial que ensejou aos nazistas a possibilidade de ressurgirem da derrota na guerra anterior como donos do mundo. Após a quebra financeira que tão profundamente afetou a economia norte-americana na década de 30 e dos enormes gastos com a maior guerra da história, como em tão curto espaço de tempo os Estados Unidos se torna a maior economia do planeta?
Todos os países envolvidos, dos dois lados, enriqueceram. Com que milagre se deu a espetacular recuperação do devastado Japão e da própria Alemanha? Despojos de guerra não justificariam tão pronto crescimento dessas economias. Uma guerra daquela magnitude dependia de um efetivo financiamento tanto no seu transcorrer quanto após o conflito com o qual alguns grupos arrecadaram enormes quantias. Nenhum integrante desses grupos se transferiram para Israel, mas foram os que negociaram o território.
Se apenas para alojar os sobreviventes de guerra e seus parentes e quem se interessasse em emigrar da Europa, se gastaria muito menos em ações que conscientizasse o povo palestino das vantagens da nova vizinhança. Assim como hoje a maioria do povo basco se indispõem com os separatistas do ETA, os próprios palestinos poderiam conter seus radicais e fundamentalistas religiosos. Mas o que se fez foi o inverso. O Estado de Israel perseguiu e persegue todo judeu que proponha o convívio pacífico. De ambos os lados  já se matou muitos líderes pacifistas como Rabin.
O assassinato de Itazak Rabin é a demonstração clara de que a paz é possível, mas a paz jamais seria possível no mundo sem a erradicação do nazismo. A morte de Rabin é a evidência de que quando erradicarem o sionismo, judeus e palestinos poderão conviver pacificamente, pois não haverá o antagônico para justificar fundamentalismos de ambos os lados. No entanto, para isso é preciso eliminar primeiro os mantenedores do sionismo e esses não são judeus ou de religião alguma, não estão preocupados com qualquer povo ou cultura. Como Hitler, esses somente se interessam em ampliar domínios além de quaisquer fronteiras e para isso apenas despendem esforços em criar mitos e antagonismos.
E o povo de Israel é tão usado quanto o povo palestino, pois o dia em que árabes impedirem que continuem manipulando-os  e se unirem... Ou a Turquia, onde crescem os fundamentalistas islâmicos, pender para o lado contrário ao dos manipuladores da Europa, os judeus sofrerão um segundo holocausto com a diferença de que dessa vez será justificado pelos sionistas. Tampouco os palestinos serão beneficiados por isso, mas aos judeus se lamentará tanto quanto hoje se lamenta os carrascos nazistas.
Não foram exatamente estas as palavras do hóspede, mas foi tudo o que conclui de nossa conversa momentos antes de receber o link abaixo pelo meu correio eletrônico.
Vejam só que coincidência:

sábado, 16 de outubro de 2010

EUA-2010: Os judeus, na campanha eleitoral

14/10/2010, Jim Lobe, Asia Times Online (Jews increasingly hawkish on Iran)
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

WASHINGTON. Os judeus norte-americanos, os quais, com os afro-americanos, formaram a minoria que mais claramente apoiou a eleição de Barack Obama, descrêem cada dia mais do que o presidente consiga fazer, e cada vez mais se aproximam dos Republicanos na questão do Irã, como revela recente pesquisa, divulgada na 3ª-feira pelo Comitê Judeu Norte-Americano [ing. American Jewish Committee (AJC)].

Foram entrevistadas 800 pessoas que se autoidentificaram como judeus norte-americanos, na última pesquisa do ano, de uma série que se repete há mais de dez anos. A pesquisa mostrou também queda acentuada na certeza-confiança de que Obama conseguirá administrar satisfatoriamente as relações EUA-Israel, em comparação com os resultados que o AJC publicou há oito meses.

Em março passado, 55% dos respondentes declararam aprovar – e só 39% não aprovavam – o modo como o governo Obama conduzia as relações EUA-Israel; na nova pesquisa, 49% aprovavam, e 45% não aprovavam.

O apoio a ataque militar contra o Irã “para impedir que fabriquem armas nucleares (...) caso sanções e diplomacia não surtam efeito” subiu de 53% para 59% desde março; e a oposição a medidas militares, nas mesmas circunstâncias, caiu de 42% para 35% no mesmo período.

A pesquisa do AJC em 2008 mostrava que 42% dos respondentes opunham-se a ataque militar ao Irã, aprovado por 47%.

“Não considero surpreendentes esses resultados, se se consideram a intensa pregação de islamofobia pela mídia dos EUA, a repetição incansável de slogans sobre “a ameaça iraniana” pelos políticos israelenses e pelos que os apóiam nos EUA e os vários e repetidos fracassos do governo Obama em todas as tentativas para explicar o que eles pensam que estão fazendo no Oriente Médio”, disse Stephen Walt, especialista em Relações Internacionais de Harvard, e co-autor de The Israel Lobby, livro controverso, publicado em 2007.

“O governo Obama deixou que os críticos definissem a narrativa e nada ofereceu, nem à direita nem à esquerda, que gerasse mais confiança em sua liderança”, acrescentou. “Se me entrevistassem, eu também responderia que não aprovo o que o governo Obama está fazendo em relação às relações EUA-Israel. Mas sou absolutamente contra qualquer ideia de os EUA atacarem o Irã.”

Os resultados da pesquisa sugerem que as ideias das lideranças das principais organizações de judeus de direita e extrema direita, entre as quais o próprio AJC, estão ganhando mais espaços na comunidade de judeus liberais e de esquerda, em relação ao que se viu há oito meses.

Os resultados aparecem a apenas três semanas das eleições de meio de mandato, nas quais os Republicanos – cujos líderes criticaram duramente Obama quanto às relações ‘difíceis’ com o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu e manifestaram forte oposição à ideia de tentar a via diplomática com o Irã – esperam reconquistar a maioria de, pelo menos, uma das duas casas do Congresso.

David Harris, presidente do AJC praticamente repetiu esses temas caros aos Republicanos na 3ª-feira. Disse que “a inquietação dos judeus norte-americanos em relação a duas das principais questões da política externa dos EUA e ao modo como os líderes norte-americanos têm respondido a elas” é o achado “mais perturbador” da nova pesquisa.

É a primeira vez que o AJC faz duas pesquisas num mesmo ano.

“As coisas andam muito fluidas no Oriente Médio. E achamos que seria interessante voltar a examinar a questão da ameaça nuclear iraniana, como está sendo administrada, assim como as relações EUA-Israel e o processo de paz”, disse o porta-voz do AJC Kenneth Bandler. E acrescentou: “Também quisemos aferir as opiniões com vistas às eleições de meio de mandato”.

De fato, a pesquisa trouxe boas notícias para os Republicanos. 1/3 dos entrevistados declararam que creem que “os EUA seriam país melhor, se os Republicanos controlassem o Congresso”. Historicamente, o apoio dos judeus ao Partido Republicano jamais se afastou muito dos 20%.

Apesar de não serem fatia expressiva da população – cerca de 2% da população total dos EUA, 3% dos que votam na maioria das eleições – os judeus norte-americanos são os principais doadores de fundos para as campanhas eleitorais, responsáveis por 25% do total de doações para eleições nacionais e por 40% do total de doações para candidatos Democratas.

Os Republicanos têm-se esforçado muito em anos recentes – embora sem grande sucesso até agora – para atrair parte dessas doações, ou, se não, pelo menos para persuadir os doadores judeus a reduzir suas doações aos candidatos Democratas.

A corte que têm feito aos eleitores e doadores judeus tem consistido, basicamente, em lembrar o apoio praticamente irrestrito dos Republicanos a Israel, sobretudo ao governo de Netanyahu, que tem contatos de muitos anos e sólido relacionamento pessoal com a direita cristã e com neoconservadores, os dois grupos que formam o núcleo duro do Partido Republicano.

A recente pesquisa sugere que a estratégia dos Republicanos pode estar começando a dar frutos, como muitos blogueiros neoconservadores festejaram na 3ª-feira.

“Em resposta à pergunta sobre o quê conseguiria afastar os judeus do vício que os liga aos Democratas, a resposta parece ser ‘Obama’,” escreveu Jennifer Rubin no blog Contentions, da [revista] Commentary.

Rubin observou também que o apoio dos judeus a Obama caiu de 57% em março, para 51% em setembro, apenas poucos pontos superior à média do público em geral.

A mesma observação de Larry Sabato, cientista político da Universidade da Virginia. “Aprovação de apenas 50%, entre os judeus, para presidente Democrata, é, falando francamente, horrível”, disse ele ao New York Jewish Week.

Ao mesmo tempo, a pesquisa sugere que a desilusão dos judeus em relação a Obama, como na população em geral, talvez tenha mais a ver com a difícil situação econômica, do que com a política do governo para o Oriente Médio.

O nível mais baixo de aprovação – 45% – apareceu em respostas sobre o desempenho do governo Obama no campo econômico. Em pergunta relacionada a essa, número significativamente maior de entrevistados disseram que a economia e a questão da Saúde pública pesam mais no voto, para as eleições próximas, do que a política externa ou Israel.

De fato, as ideias gerais dos entrevistados sobre questões gerais do conflito Israel-Palestina permaneceram sem grandes alterações nos últimos oito meses. Como na pesquisa de março, os entrevistados continuam céticos quanto às chances de que se chegue a algum acordo negociado; pequena maioria manifestou-se a favor da criação de um estado palestino; 60% contra ceder parte de Israel a um futuro estado palestino; e praticamente os mesmos 60% a favor de Israel ceder “algumas” áreas de ‘assentamentos’ exclusivos para judeus na Cisjordânia, como parte de um acordo de paz.

Mesmo assim, a pesquisa sugere que, pelo menos para alguns dos judeus norte-americanos, Obama aparece como “perdedor” nas disputas com Netanyahu, no início do ano, sobre os ‘assentamentos’.

Além dos 45% dos judeus que manifestaram desaprovação ao modo como Obama conduz as relações EUA-Israel, a pesquisa mostra que aumentou a aprovação ao modo como Netanyahu encaminhou os contatos bilaterais – de 57% em março, para 62%.

Diminuição semelhante se observa na confiança de que Obama conduzirá satisfatoriamente a questão nuclear iraniana. 47% dos entrevistados manifestaram confiança, em março, no desempenho do presidente; e 46% manifestam desconfiança hoje, em pesquisa feita entre o início de setembro e o início de outubro.

Além disso, apesar do sucesso na coordenação do apoio internacional ao endurecimento das sanções contra Teerã, 72% dos respondentes consideram que tais medidas têm pouca ou nenhuma possibilidade de realmente impedir que o Irã construa armas nucleares; há oito meses, eram 68%.

Consistente com o maior apoio a ações militares dos EUA contra o Irã, para impedir o país de desenvolver armas nucleares, a pesquisa mostra que o apoio a ataque militar por Israel também aumentou – de 62% em março, para 70%.

Sobre outras questões internacionais, a pesquisa mostra que a Turquia, aliada da OTAN, não é considerada “nação amiga” dos EUA e de Israel, por, respectivamente, 50% e 71% dos judeus norte-americanos – reflexo, sem dúvida, da deterioração das relações Turquia-Israel, iniciada com a Guerra de Gaza de 2008-9 e acelerada pelo ataque, com mortes, pelos israelenses, a um barco turco que tentava levar ajuda humanitária para Gaza, em maio.

domingo, 29 de agosto de 2010

Os judeus do Irã vivem muito melhor do que os palestinos de Gaza

por Mike Whitney [*]

Há 25 mil judeus no Irã. É a maior população judaica no Oriente Médio fora de Israel. Os judeus iranianos não são perseguidos nem sofrem abusos do estado; de fato, estão protegidos sob a constituição iraniana. São livres para praticar sua religião e para votar nas eleições. Não são parados e revistados em checkpoints, não são brutalizados por um exército de ocupação e não estão confinados numa colônia penal densamente povoada (Gaza) onde sejam privados dos meios básicos de subsistência. Os judeus iranianos vivem dignamente e gozam dos benefícios da cidadania.

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O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad é demonizado pela mídia ocidental. É chamado de anti-semita e de "novo Hitler". Mas se essas alegações fossem verdade, então porque a maioria dos judeus iranianos votou em Ahmadinejad nas recentes eleições presidenciais? Será possível que a maior parte do que se sabe sobre Ahmadinejad seja baseado apenas em boatos e em propaganda?

Este trecho apareceu num artigo da BBC:

"O gabinete (de Ahmadinejad) fez recentemente uma doação monetária para o Hospital Judaico de Teerã. É um dos quatro únicos hospitais judaicos de caridade no mundo e foi fundado com dinheiro da diáspora judaica – coisa notável no Irã onde mesmo as organizações locais de ajuda têm dificuldade em receber fundos do estrangeiro por medo de serem acusados de agentes estrangeiros".

Quando foi que Hitler alguma vez doou dinheiro para hospitais judeus? A analogia com Hitler é uma tentativa desesperada de lavagem cerebral aos americanos. Nada nos diz sobre quem realmente é Ahmadinejad.

As mentiras sobre Ahmadinejad não são diferentes das mentiras sobre Saddam Hussein ou Hugo Chávez. Os EUA e Israel estão tentando criar uma justificação para outra guerra. É por isso que a mídia credita a Ahmadinejad coisas que ele realmente nunca disse. Ele nunca disse que quer "varrer Israel do mapa". Essa é mais uma ficção. O autor Jonathan Cook explica o que disse realmente o presidente:

"Este mito tem sido interminavelmente reciclado desde que ocorreu um erro de tradução num discurso de Ahmadinejad dois anos atrás. Especialistas em farsi atestaram que o presidente iraniano, longe de ameaçar com a destruição de Israel, estava citando um antigo discurso do Aiatolá Khomeini no qual ele reassegura aos apoiadores da Palestina que "o regime sionista em Jerusalém" iria "desaparecer das páginas do tempo".

Ele não estava ameaçando exterminar judeus ou Israel. Estava comparando a ocupação israelense da Palestina com outros sistemas ilegítimos cujo tempo havia passado, incluindo os xás que outrora governaram o Irã, o apartheid na África do Sul e o império [NR] soviético. Não obstante, a tradução errônea sobreviveu e prosperou porque Israel e seus apoiadores a exploraram para seus próprios propósitos de propaganda" ("Israel's Jewish problem in Tehran". Jonathan Cook, The Electronic Intifada)

Ahmadinejad não representa qualquer ameaça para Israel ou para os EUA. Como todos no Oriente Médio, ele quer apenas um alívio da agressão israelense e norte-americana.

Isto é da Wikipedia:

"O Departamento de Estado dos EUA tem alegado discriminação no Irã contra judeus. De acordo com seu estudo, os judeus não podem ocupar posições importantes no governo e estão proibidos de servir nos serviços judiciário e de segurança e de tornar-se diretores de escolas públicas. O estudo diz que cidadão judeus podem obter passaportes e viajar para fora do país, mas a eles são freqüentemente negadas as permissões de múltiplas saídas normalmente concedidas a outros cidadãos. As alegações feitas pelo Departamento de Estado norte-americano foram condenadas pelos judeus iranianos. A Associação de Judeus de Teerã diz numa declaração, "nós judeus iranianos condenamos as declarações do Departamento de Estado dos EUA sobre as minorias religiosas iranianas, anunciamos que estamos totalmente livres para executar nossos deveres religiosos e não sentimos nenhuma restrição para realizar nossos rituais religiosos".

Em quem deveríamos acreditar: nos judeus que realmente vivem no Irã ou nos encrenqueiros do Departamento de Estado norte-americano?

Há seis açougues kosher, 11 sinagogas e diversas escolas hebraicas em Teerã. Nenhum funcionário de Ahmadinejad nem de qualquer outro governo iraniano fez qualquer tentativa de fechar essas instalações. Nunca. Judeus iranianos são livres para viajar (ou mudar-se) para Israel se assim o desejarem. Não estão aprisionados por um exército de ocupação. Não estão privados de alimentos ou remédios. Seus filhos não crescem com doenças mentais originadas do trauma da violência esporádica. Suas famílias não são atingidas por barcos armados atirando enquanto circulam nas praias. Seus apoiadores não são esmagados por escavadeiras ou atingidos na cabeça por balas de borracha. Não são atingidos por gás ou espancados quando fazem demonstrações pacíficas por suas liberdades civis. Seus líderes não são caçados e assassinados premeditadamente.

Roger Cohen escreveu um ensaio bastante cuidadoso sobre este tema para o New York Times. Diz ele:

"Talvez eu seja um pouco tendencioso em relação aos fatos mais do que a palavras, mas digo que a realidade da civilidade iraniana acerca dos judeus nos diz mais sobre o Irã – seu refinamento e cultura – que toda retórica inflamada. Isso pode ser devido a eu ser judeu e ter sido freqüentemente tratado com tanta gentileza no Irã. Ou talvez eu esteja impressionado com a fúria contra Gaza, trombeteada em posters e na TV iraniana, nunca se ter convertido em insultos ou violência contra judeus. Ou talvez seja porque eu esteja convencido de que a caricatura do Irã como "o Mullah Doido" e a comparação de qualquer vínculo com Munich em 1938 – uma posição popular em alguns círculos judaicos norte-americanos – seja incorreta e perigosa". ("What Iran's Jews Say", Roger Cohen, New York Times).

As coisas não são perfeitas para os judeus que vivem no Irã, mas são melhores do que para os palestinos que vivem em Gaza. Muito melhores.

18/Agosto/2010

* fergiewhitney@msn.com

[NR] A expressão é do sr. Cook. A URSS nunca foi um império.

O artigo original, em inglês, encontra-se em: Why Iran's Jews are Better Off Than Gaza's Palestinians

Tradução de RMP.

Este artigo encontra-se em Resistir.info

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nunca é demais repetir: O povo judeu é uma invenção

TERÇA-FEIRA, 10 DE AGOSTO DE 2010

O historiador israelense Shlomo Sand, autor do best seller “Quando e como se inventou o povo judeu” está irritando profundamente os hebreus espalhados pelo mundo. É que a tese principal de seu livro assegura que “o povo judeu é uma invenção”.

Shlomo Sand é professor de História da Universidade de Tel Aviv. O seu livro se mantém há dois anos em primeiro lugar na lista dos mais vendidos.


Ele acusa os protestantes e os atuais “judeus”de deturpar a Bíblia ao querer transformar “um livro de teologia em livro de história”.


Shlomo afirma também, através de documentos, que nunca existiu um exílio judaico durante o Império Romano. Por uma simples razão: os romanos nunca exilaram povos. E que mesmo os assírios e babilônios, ao contrário dos mitos inventados, o máximo que fizeram foi exilar algumas elites.


Em sua obra o historiador afirma que os atuais judeus são antigos pagãos de regiões distantes que se converteram ao judaísmo e, portanto, não descendem dos antigos judeus; e que os palestinos árabes são os únicos descendentes dos antigos judeus.

Shlomo Sand tem recebido inúmeras ameaças de morte,mas continua dando aulas na Universidade de Tel Aviv.