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terça-feira, 15 de julho de 2014

Israel: prossegue o GENOCÍDIO, por etapas, no gueto de Gaza

13/7/2014, [*] Ilan Pappé, The Electronic Intifada
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Gaza, a visão do NAZISSIONISMO GENOCIDA
Em artigo de setembro de 2006 para The Electronic Intifada, defini a política israelense para a Faixa de Gaza como genocídio por etapas.

O assalto contra Gaza que Israel comete hoje indica, desgraçadamente, que essa política não mudou. A expressão ajuda a ver que a ação bárbara dos israelenses – em 2006, como hoje – faz-se por passos, em contexto histórico mais amplo.

É preciso insistir sempre sobre esse contexto, porque a máquina de propaganda israelense só faz repetir e repetir uma mesma narrativa, como se as políticas israelenses acontecessem fora de qualquer contexto; e converte o pretexto que encontrem para cada nova onda de destruição, em alguma espécie de principal ‘justificativa’ para ondas de assassinato indiscriminado, nos campos de morte de palestinos pelos quais os israelenses passeiam.

O contexto

A estratégia sionista para apresentar suas políticas brutais como resposta ad hoc a uma ou outra ação dos palestinos é tão velha quanto a presença maléfica de israelenses na Palestina. Sempre foi usada, repetidamente, como justificativa para impor a visão sionista de uma Palestina futura, onde haveria bem poucos, se algum, palestinos nativos.

Os meios para alcançar esse objetivo mudaram ao longo dos anos, mas a fórmula permaneceu a mesma: seja qual for a visão sionista de um Estado Judeu, só se poderá materializar sem número significativo de palestinos sobre a face da Terra. E hoje, a visão sionista é uma Israel que cubra quase toda a Palestina histórica, onde ainda vivem milhões de palestinos.

A onda genocida em curso hoje tem, como todas as anteriores sempre tiveram, algum contexto imediato. Dessa vez, teve a ver com o projeto de fazer gorar a decisão dos palestinos de constituir um governo de unidade, contra o qual nem os EUA teriam objeções.

O colapso da desesperada iniciativa “de paz” do secretário de Estado dos EUA John Kerry legitimou o apelo palestino a organizações internacionais para que interviessem e pusessem fim à ocupação. Ao mesmo tempo, os palestinos ganharam amplo reconhecimento internacional e apoio para a cautelosa tentativa, pelo governo de unidade, de construir política coordenada entre os vários grupos políticos e respectivas agendas.

Desde junho de 1967, Israel procura um meio para manter os territórios que ocupou naquele ano, sem incorporar a população palestina indígena e dar aos palestinos os mesmos direitos de cidadania que têm os israelenses. E todo o tempo os israelenses mantêm a farsa de algum “processo de paz”, para encobrir o movimento pelo qual vão ganhando tempo para implantar suas políticas unilaterais de colonização.

Funeral de Salameh Abu Edwan; campo de refugiados de Rafah, Gaza, 29/8/2006.
Ao longo das décadas, Israel passou a diferençar entre áreas que queria controlar completa e diretamente, e áreas que controlaria indiretamente, com o objetivo de, no longo prazo, reduzir ao mínimo a população de palestinos, usando, dentre outros meios, campanhas de limpeza étnica e estrangulamento econômico e geográfico.

A localização geopolítica da Cisjordânia cria a impressão em Israel, pelo menos, de que é possível conseguir tal objetivo sem provocar uma terceira Intifada nem excessiva condenação internacional.

A Faixa de Gaza, dada sua especialíssima localização geográfica, não se presta muito facilmente a tal estratégica. Sempre desde 1994, ainda mais depois que Ariel Sharon chegou ao poder como primeiro-ministro nos primeiros anos 2000s, a estratégia é cercar Gaza num gueto, e pôr-se à espera de que todo o povo que ali vive – hoje, 1,8 milhão de pessoas – morra e caia no esquecimento eterno.

Mas o Gueto mostrou-se rebelde, sem nenhuma disposição para se deixar ficar em condições subumanas, de estrangulamento, isolamento, fome, colapso econômico. Então, para que Israel consiga enviá-los para o esquecimento eterno, voltou a ser indispensável retomar as políticas de genocídio.

O pretexto

Dia 15/5/2014, forças israelenses assassinaram dois jovens palestinos na cidade de Beitunia, na Cisjordânia. Foram assassinados a sangue frio, por matador profissional, como se viu em vídeo. Os nomes deles – Nadim Nuwara e Muhammad Abu al-Thahir – somaram-se à longa lista de assassinatos “oficiais” semelhantes, em meses e anos recentes.

Siam Nawara chora seu filho Nadim assassinado por um “sniper” de Israel em 15/5/2014
A morte de três adolescentes israelenses, dois dos quais menores de idade, sequestrados em junho na Cisjordânia ocupada, foi talvez revanche pela matança de crianças palestinas. Mas, com todas as depredações da ocupação opressiva, serviu como pretexto – primeiro e sobretudo – para quebrar a delicada unidade na Cisjordânia; mas, também, para implementar o velho sonho israelense de varrer de Gaza o Hamás, para que o gueto fosse, outra vez, calado.

Desde 1994, mesmo antes de o Hamás chegar ao poder pelas urnas na Faixa de Gaza, a conformação geopolítica especialíssima da Faixa já deixava claro que qualquer ação de castigo coletivo – como essa ao qual o mundo assiste hoje – seria sempre e fatalmente operação de destruição e matança massivas. Em outras palavras: seria ação de genocídio continuado.

Esse reconhecimento jamais inibiu os generais israelenses, que dão ordens para bombardear (por terra, mar e ar) populações de civis. Reduzir o número de palestinos vivos sobre a Palestina histórica ainda é o ideal sionista. Em Gaza, a implementação desse ideal assume sua forma mais desumana.

O timing especial dessa onda é determinado, como em outras ondas passadas, por considerações de oportunidade. A agitação social que se viu em 2011 em Israel ainda fermenta; já há algum tempo ouvem-se clamores, na sociedade de Israel, para que se façam cortes nos gastos militares e desloque-se o dinheiro consumido no super inflado orçamento da “defesa”, para serviços sociais. O exército declarou que a ideia equivaleria a suicídio.

E nada há, como uma operação militar, para calar qualquer voz que exija que o governo reduza despesas militares.

Outra vez, veem-se também agora vários traços sempre presentes nesse genocídio cumulativo. A maioria dos judeus israelenses apoiam o massacre de civis na Faixa de Gaza, sem que se ouça qualquer voz significativa de dissenso. Em Telavive, os poucos que se atreveram a manifestar-se contra a matança de civis na Palestina foram espancados por gangues armadas com porretes e correntes, enquanto a Polícia manteve-se à distância, assistindo.

A universidade, como sempre, também se incorpora à máquina de matar. Uma prestigiosa universidade privada, o Centro Interdisciplinar Herzliya montou “um quarteirão civil” no qual os alunos, voluntariamente, trabalham na campanha internacional a favor de Israel.

Campanha de Solidariedade à Palestina
A imprensa-empresa, sempre leal aos sionistas, já recrutada, esconde qualquer imagem real da catástrofe humana que Israel gera e amplia na Palestina Ocupada, e só faz ‘informar’ ao seu público cativo dentro de Israel que, dessa vez, “a opinião pública mundial nos compreende e nos apoia”.

É “informação” correta, só na medida em que as elites políticas ocidentais continuam a garantir ao “estado judeu” a velha imunidade. Mas a imprensa-empresa sempre fracassa no que tenha a ver a garantir a Israel o nível de legitimidade com que sonha, para encobrir completamente suas políticas criminosas.

As exceções infalíveis são a imprensa francesa, sobretudo o canal France 24, e a BBC, que jamais se cansam de papaguear desavergonhadamente a propaganda israelense.

Nem chega a surpreender, porque os grupos de lobby pró-Israel continuam a trabalhar incansavelmente para promover a causa sionista na França, no resto da Europa e, claro, também nos EUA.

O caminho adiante

Seja queimar vivo um jovem palestino de Jerusalém, ou assassinar a tiros dois outros por desfastio em Beitunia, ou matar famílias inteiras em Gaza, todos esses atos só são possíveis (e repetidamente possíveis!) se a vítima tiver sido previamente desumanizada.

Concedo que, por todo o Oriente Médio, veem-se hoje casos horrendos em que a desumanização das vítimas gera desgraças como as que Israel promove em Gaza. Mas há uma diferença crucial entre aqueles casos e a brutalidade israelense: os demais assassinatos bárbaros em todo o Oriente são condenados, por bárbaros e desumanos, em todo o mundo. Mas os assassinatos bárbaros e desumanos cometidos por israelenses ainda são elogiados, publicamente autorizados e aprovados até pelo presidente dos EUA, por líderes da União Europeia e por outros amigos de Israel em todo o mundo.

Palestinos carregam o corpo de Muhammad Abu Khudair, 16 anos, sequestrado e queimado até a morte por judeus nazissionistas em Jerusalém na manhã de 4/7/2014 
A única chance de sucesso, na luta contra o sionismo na Palestina advirá de compromisso com uma agenda de direitos civis e humanos que não invente diferenças entre ‘categorias’ de violações e de violadores; que não inverta os papeis, entre vítimas e criminosos.

Todos os que cometem atrocidades no mundo árabe contra minorias oprimidas e comunidades desamparadas – assim como os israelenses que hoje assassinam palestinos – têm de ser julgados pelos mesmos padrões morais e éticos. Todos são criminosos de guerra. A diferença é que, no caso da Palestina, os criminosos de guerra estão em ação, sem parar, há mais tempo que qualquer outro criminoso, em qualquer outra guerra.

Absolutamente não importa a identidade religiosa do povo que mata em nome da própria religião que diz respeitar. Chamem-se eles mesmos jihadistas, judeusistas ou sionistas, todos têm de ser julgados pelos mesmos padrões morais.

Um mundo que consiga parar de servir-se de duplos padrões nos negócios com Israel será mundo muito mais efetivo na resposta que dará a crimes de guerra em qualquer parte do mundo.

Pôr fim ao genocídio por etapas em Gaza; restituir direitos humanos e civis básicos aos palestinos, vivam onde viverem – inclusive restituir-lhes o direito de retorno – é a única via possível para abrir novas vias para uma intervenção internacional produtiva no Oriente Médio como um todo.


[*] Ilan Pappé (em hebraico: אילן פפה; nasceu em Haifa em 1954) é um historiador judeu israelense, professor de História na Universidade de Exeter, no Reino Unido. Foi docente em Ciências Políticas em sua cidade natal, na Universidade de Haifa (1984-2007). Pappé faz uma análise profunda sobre os acontecimentos de 1948 (criação do Estado de Israel) e seus antecedentes. Em particular, ele defende em seu livro mais importante, Ethnic Cleansing in Palestine [A limpeza étnica na Palestina], que houve uma limpeza étnica, ou seja, a expulsão deliberada da população civil árabe da Palestina - operada pela Haganah, pelo Irgun e outras milícias sionistas, que formariam a base do Tzahal - segundo um plano elaborado bem antes de 1948. Pappé considera a criação de Israel como a principal razão para a instabilidade e a impossibilidade de paz no Oriente Médio. Segundo ele, o sionismo tem sido historicamente mais perigoso do que o islamismo extremista. Ao longo dos anos 2000, Ilan Pappé notabilizou-se por várias polêmicas, notadamente a controvérsia do massacre de Tantura, e por seu apelo ao boicote internacional às universidades israelenses, o que o levou a entrar em conflito com seus colegas da Universidade de Haifa, particulamente com Yoav Gelber. Ilan Pappé e Benny Morris, um outro historiador, divergiram frontalmente quanto à análise dos eventos de 1948 e quanto à atribuição de responsabilidades no conflito israelo-palestino .

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O mundo árabe já não é em 2012, o que era em 2008


“Se o mundo não defende os palestinos contra Israel, temos o direito de nos defender nós mesmos”

18/11/2012, Musa Abumarzuq, Guardian, UK
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Musa Abumarzuq
A mais recente agressão israelense na Faixa de Gaza já levou vários países europeus e os EUA a reafirmar a posição de total apoio ao agressor. William Hague, secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha; Cathy Ashton, ministra da União Europeia para Assuntos Estrangeiros; e Barack Obama, todos esses, já disseram que os foguetes do Hamás seriam responsáveis pela crise; e que Israel teria o direito de defender seus cidadãos.

Soubessem o que realmente acontece, saberiam que Israel atacou primeiro. A escalada começou quando um ataque militar israelense em Gaza, dia 8/11, assassinou uma criança palestina. Em seguida, outras incursões e ataques israelenses, forçaram grupos palestinos a reagir.

Apesar disso, houve sérios esforço para acalmar a situação e alcançar uma trégua. Mas é bem evidente que Israel tem outra agenda. Quando assassinou Ahmed al-Jaabari, comandante das Brigadas al-Qassam, Israel sabotou os esforços do Egito para construir uma trégua entre todos os grupos da resistência palestina e os israelenses. Isso, precisamente, foi confirmado pelo presidente egípcio, no sábado.

Com a aproximação das eleições em Israel, o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, mais uma vez usa o sangue dos palestinos como ferramenta de campanha eleitoral, especialmente depois que nem a aliança com o partido do ultra-extremista Avigdor Lieberman fez melhorar suas possibilidades eleitorais, como pesquisas já mostraram.

Palestinos buscam pessoas nos escombros, logo após uma sequência de
ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza, 18 de novembro de 2012
Não é a primeira vez que os israelenses fazem da guerra ferramenta de campanha eleitoral. Shimon Peres fez o mesmo, em 1996, no ataque ao Líbano; e a aliança Olmert-Livni-Barak fez também o mesmo, em 2008, quando atacou Gaza. Importante, aqui, é ver a imoralidade, a visão curta, da atitude de governos europeus e do governo dos EUA. Todos fantasiam sobre os fatos e manifestam irrestrita parcialidade a favor da violência e da agressão

É essa posição enviesada desses governos que dá cobertura à violência dos israelenses e encoraja a liderança política em Israel a repetir os ataques. Assim, aos olhos de nosso povo e de todo o mundo árabe, os países ocidentais são cúmplices da violência israelense. Os governos europeus, na contramão do desejo de seus povos os quais, na maioria, apoiam os direitos dos palestinos, mais uma vez mostram que falam a língua da hipocrisia e pensam por padrões vesgos.

Os direitos humanos, que os europeus dizem defender em todo o mundo são negados aos palestinos. Governos europeus fazem-se de cegos e surdos e nada fizeram, enquanto 1,7 milhão de palestinos sofrem, há mais de cinco anos, sob bloqueio israelense – que nos nega água, comida, remédios e determina, até, quantas calorias podemos comer por dia.

Todos os povos têm, garantido, o direito de resistir contra a ocupação e a agressão militar; mas, se os palestinos se defendem, o nosso direito de nos defender é imediatamente apresentado como ‘terrorismo’, o que justificaria perseguição e ataques cada dia mais violentos.

Os ataques militares de Israel contra Gaza nunca pararam, depois da Guerra de Gaza de 2008-9. Desde 2009, foram assassinados 271 palestino; e morreram três israelenses. Nos últimos poucos dias, foram assassinados ou resultaram feridos em ataques israelenses mais de 700 palestinos – mais da metade são mulheres e crianças. Ontem, 12 pessoas de uma mesma família foram massacradas.

Mas a agressão israelense não se faz só contra Gaza. Prossegue o confisco de terras palestina, as expulsões em Jerusalém e na Cisjordânia, apesar dos esforços da Organização para a Libertação da Palestina para construir acordos de paz. O número de colônias ilegais em territórios ocupados aumentou dez vezes, desde os acordos de Oslo de 1993. Mesmo depois de se livrarem de Arafat, Israel não deu um passo em direção a alguma paz. Agora, é Lieberman que quer livrar-se do presidente da Autoridade Palestina.

Hamás
O Hamás decidiu defender os direitos de seu povo, usando medidas de contenção contra um dos exércitos mais bem equipados do mundo (e financiado pelo ocidente). Se o mundo recusa-se a defender os palestinos, nos defenderemos nós mesmos. Os palestinos temos o direito à autodefesa e não morreremos em silêncio.

O Hamás ainda não conseguiu derrotar Israel, mas mantém-se firmemente contra Israel. Podemos alcançar parte significativa do território de Israel. Defender-se é direito de todos os povos livres. Gaza e o Hamás não estão sozinhos. Crescem em todo o mundo os inimigos de Israel. O mundo árabe já não é o que era em 2008. O povo palestino hoje vê esperança e liderança no Hamás.

Israel embarcou numa aventura mal calculada. Que enfrente as consequências de sua violência. Trégua, agora, terá de ser nos termos do Hamás, não nos termos de Israel. A primeira condição para qualquer trégua terá de ser o fim do bloqueio da Faixa de Gaza.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A COR DO HOLOCAUSTO

Raul Longo no Sambaqui

Enviado por Raul Longo

A origem da palavra é do grego, mas seu sentido ainda mais remoto, posto que religioso. Cremação de corpos seria a tradução, mas não necessariamente imolação de animais, pois aos deuses também se sacrificava corpos vegetais.

Só no século XIX a palavra passou a designar massacres humanos. E, no seguinte, inscrita com “H” maiúsculo, os extermínios promovidos pelos nazistas.

Hoje, ao ouvir a palavra todos se reportam ao sacrifício dos judeus na Segunda Guerra, mas em verdade há muito mais a ser considerado.

Primeiro que a palavra “judeu” não designa uma etnia, mas sim uma religião. A etnia é semita, como a de qualquer árabe, com a diferença de que após milenares movimentos migratórios de tão miscigenados os antigos hebreus são os que menos preservam os códigos genéticos semitas.

O que não quer dizer nada, claro. Tampouco é de causar espanto os judeus também terem praticado inúmeros holocaustos, conforme se denota na Bíblia:

“E porás o altar do holocausto diante da porta do tabernáculo da tenda da revelação” (Êxodo, capítulo 40, versículo 6).

Não eram sacrifícios humanos, mas o que realmente causa estranheza são algumas outras omissões sobre o chamado “Holocausto Judeu” como, por exemplo, a de que não foram as únicas vítimas. Também se incluíam grupos de homossexuais, ciganos, eslavos, polacos, russos, deficientes mentais e físicos, Testemunhas de Jeová, mórmons e sindicalistas.

Mais motivos para nossa indignação à barbárie nazista que tanto nos comove sempre que deparamos com aquelas imagens horripilantes, constantemente expostas para jamais tornarmos a permitir a repetição de tão repulsivo espetáculo. Afinal, somos uma civilização!

Não apenas uma civilização como tantas outras da história, mas a civilização ocidental, de origem caucasiana. Tão brancos quantos os semitas, ou melhor, os judeus.

E como brancos e ocidentais nos distinguimos também por nossa orientação religiosa, reconhecendo que todos os seres humanos são iguais perante nosso Deus. Por sinal, um Deus concebido pelos hebreus, portanto branco como nós.

Mas o mentor do igualitarismo que assumimos como cristãos, foi Jesus. Os semitas hebreus não dão importância alguma a Jesus, mas nem por isso deixamos de considerá-los nossos iguais e nos causa asco a reprodução daquelas cenas do Holocausto. Se não experimentamos a mesma sensação pelos demais grupos é apenas por não serem tão divulgados. Como também pouco se divulga o Holocausto dos Palestinos pelos judeus sionistas.


Além de brancos como nós, muitos palestinos são cristãos, como o eram aqueles demais exterminados pelo nazismo tão pouco divulgados.

Se o fossem, nos causariam a mesma comoção sentida pelo Holocausto Judeu. Inclusive pelos ciganos, apesar de não tão brancos quanto nós e adoradores de outros deuses. Como exemplo mundial de civilização evoluída nos comovemos e como cristãos pregamos a compaixão entre os homens.

Mas vamos aos números para dimensionarmos melhor o horror do Holocausto:

Além dos 6 milhões de judeus, foram mortos também 17 milhões de soviéticos (9,5 milhões civis), 5,5 milhões de alemães (3 milhões civis), 4 milhões de poloneses (3 milhões civis), 2 milhões de chineses, 1,6 milhão de iugoslavos, 1,5 milhão de japoneses, 535 mil franceses (3,3 mil civis), 450 mil italianos (150 mil civis) 396 mil ingleses e 292 mil soldados estadunidenses.

Holocausto judeu (6 anos) II a. Guerra Mundial
Como não nos indignarmos com estes números? Como admitir que em nossa cultura ocidental e cristã, isso tenha ocorrido ao longo dos 6 piores anos de nossa história?

Terão sido mesmo os seis piores anos da história de nossa civilização? Acompanhemos esse trecho de uma descrição do médico inglês Robert Clarke;

Grande número de indivíduos... chegou ao hospital tão deploravelmente emagrecido que a pele parece estar inteiramente retesada e colada ao esqueleto.

A expressão do rosto indica sofrimento moral e físico da mais profunda e agonizante natureza.

Ocasionalmente, entre os grupos recém-chegados, a expressão mais completa de sofrimento se encontra expressa na melancolia ou na loucura delirante.

As feições secas encolhidas e magras são ressaltadas por olhos fundos, negros e cintilantes.

A barriga é como se estivesse presa às costas, enquanto o osso das cadeiras se projeta e provoca a dilaceração da pele suja e úlceras fagedênicas.

A mão e os dedos magros parecem excessivamente alongados pelo grande e negligente crescimento das unhas que em tais casos parecem garras.

A magreza e a miserabilidade da figura são aumentadas em muitos casos pelas secreções multicores de que o corpo está coberto.

As pernas recusam a cumprir suas funções e suportam com dificuldade o corpo emagrecido, cambaleante e debilitado.

Muitos deles sofrem de ulcerações extensas e gangrenosas situadas nas extremidades, frequentemente despregando a parte mole dos ossos, os quais, tornando-se decadentes, são esfoliados.

Robert Clarke não testemunhou as vítimas dos campos de extermínio nazista ao fim da Segunda Guerra Mundial. Ele viveu muito antes e esse relato consta em “Sierra Leone. A description of the Manners and Customs of the Liberated Africans; with observation upon the National History of the Colony and a Notice of the Native Tribes” 

O que o médico Robert Clarke relata aí é a situação de sobreviventes dos navios negreiros que cruzaram o Atlântico durante 4 séculos. Todos os diários de bordo e registros alfandegários denunciam que nem a metade da carga humana alcançava o destino em companhia de seus apreensores.

Talvez tenha ocorrido no Brasil o último descarregamento dessa carga. Deu-se na localidade conhecida como Saco das Bananas, no município de Ubatuba, estado de São Paulo. Clandestinamente, pois então já se estava no início do Século XX.

Holocausto Negro (4 séculos)
Não há registros do número de mortos em terra ou embarcados durante os 4 séculos do Holocausto Negro promovido por nossa civilização branca, ocidental e cristã.           

terça-feira, 22 de maio de 2012

Colonos judeus atiram em moradores de Asira al-Qibliya na Palestina invadida


Veja o ataque de colonos judeus à vila de Asira al-Qibliya, na Cisjordânia. Eles chegam armados com submetralhadoras e pistolas, e logo os valentes moradores, armados de pedras, os enfrentam, impedindo seu avanço para a zona urbana da vila.


Um jovem palestino foi ferido pelos tiros. Levado a um hospital, ele está em situação estável.

Notem como os soldados israelenses procuram “proteger” os colonos armados ao invés de impedi-los de atirar.


As imagens foram postadas pela Associação Israelense de Direitos Humanos B'Tselem. Ela montou um projeto interessante: distribuiu câmeras de vídeo para mulheres das vilas palestinas e as ensinaram a usá-las. Desse modo, elas podem registrar todas as violações cometidas pelas forças de ocupação sionistas.

Crime ocorrido em 19 de maio de 2012
Enviado por Baby Siqueira Abrão -  Ramallah
Brazilian journalist - Middle East correspondent

terça-feira, 26 de julho de 2011

Israel é a “estrela” do livro do terrorista norueguês!


O terrorista norueguês é sionista! É um Netanyahu! Um Lieberman!
É um Murdoch! Uma Folha de S.Paulo! Uma revista (não) VEJA!

O original em inglês do livro do terrorista norueguês está nas milhares de páginas do Manifesto 2083. 

Ontem distribuímos, como se fosse o endereço do original, o endereço de um jornal italiano que, àquela altura, era o único que já publicara alguma coisa, mas eram só excertos. Erro nosso, é claro, não do Pepe Escobar, de quem copiamos aquele endereço.

Continuamos achando que não é preciso ler aquele asneirol inteiro, dentre outros motivos, por pelo menos uma (nem tão) espantosa razão: o que se lê lá é muuuuuito parecido com o que se lê nos jornais e ouve-se de “analistas” jornalistas do jornalismo que há. Há risco real de aquele besteirol soar espantosamente convincente. Há risco real de aquele besteirol soar perfeitamente “razoável” e “certo”. 

A culpa, aí, outra vez, por tantos estarem reduzidos a um mesmo pensamento uniforme e acovardado, competente só para repetir e incapaz de pensar por conta própria, também é do jornalismo que há. Claramente: é perigoso ler aquilo. Somos leitores escolados, casca grossíssima, habituados a ler o que de pior o jornalismo universal produz (é encontrável no Brasil), sem nos deixar contaminar. Pois... mesmo assim, encontramos, no livro do terrorista norueguês, pelo menos UMA ideia que fez vacilar toooooodas as nossas convicções libertárias: O terrorista norueguês recomenda que SE FECHEM todos os cursos de sociologia DO OCIDENTE... 

Taí. É ideia até que bem aproveitável... Se aquele efedapê sionista não tivesse matado tanta gente... quanto bem se faria, no Brasil, se, por inspiração dele, que fosse, nós conseguíssemos CASSAR toooooooooodas as “sociologias” do ex-FHC, do ex-Eduardinho Graeff, do ex-Professor Bolí(var) Lemounier... [pano rápido].

Quase não há saída.

Mas há saída, é claro: basta todos nos empenharmos em resistir contra o fascismo hipnótico que há nas frases que só se repetem, sem outra fonte de legitimação que não seja o fato de aparecerem impressas em jornais ou de ditas por televisão. 

A Vila Vudu trabalha na direção de aprender a resistir contra todos os discursos midiáticos de fascistização e de uniformização de opiniões. 

Dizer que desejamos aprender a resistir contra TODOS os discursos de fascistização e de uniformização das opiniões significa também que desejamos aprender a resistir contra os discursos de defesa nacionalista dos palestinos. Somos contra todos os nacionalismos que sejam filhos da ideia de estado-nação.

Mas respeitamos o amor (mas sem paranóias identitárias) à terra em que se nasce. Na América Latina, a terra onde nascemos é a Pachamama; não é Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai etc. Nenhum nacionalismo associado a estado-nação nos interessa ou mobiliza. 

Somos tão contra os nacionalismos quanto somos contra o sionismo (que é um nacionalismo, além de ser um fascismo, que também é um nacionalismo). 

A Vila Vudu fez a opção de sempre defender o discurso DOS pobres quando falam, eles mesmos. (Não temos nenhuma simpatia por ricos que se metam a falar pelos pobres). 

A Vila Vudu também fez a opção de sempre defender a RESISTÊNCIA dos pobres contra os poderes arrogantes dos ricos.  

  • O Irã resiste aos poderes arrogantes do ocidente? Estamos com o Irã. 
  • O Hamás resiste contra os poderes arrogantes dos israelenses sionistas? Estamos com o Hamás. 
  • O Hezbollah resiste contra os poderes arrogantes da “entidade sionista” arrogante? Estamos com o Hezbollah. 
  • Gaddafi, da Líbia, resiste contra todos os poderes arrogantes de EUA-OTAN? Estamos com Gaddafi. 
  • O MST resiste contra os poderes arrogantes do latifúndio no Brasil? Estamos com o MST. 
  • A resistência islâmica resiste contra o terrorismo dos arrogantes EUA e Europa católicos e protestantes ou laicos? Estamos com a resistência islâmica. 
  • Os piratas da Somália resistem contra os poderes arrogantes do ocidente que jogam lixo atômico nos mares da Somália? Estamos com os piratas da Somália.
Trabalhamos apaixonadamente na defesa dos palestinos, não por qualquer tipo de nacionalismo, mas exclusivamente por solidariedade política, porque os palestinos resistem há 60 anos contra a ocupação por Israel-EUA – e Israel-EUA é, hoje, a encarnação político-econômico-midiático-capitalista dos poderes arrogantes do ocidente.

A Vila Vudu NÃO GOSTA de discursos ditos “éticos”, nem, e ainda menos, de discursos ditos “ecológicos”, “feministas”, “pacifistas” nem, no geral os discursos ditos “democráticos” fundamentalistas burros à moda das donasdanuzas. 

Essa conversa se tornou indispensável, porque recebemos uma mensagem de blogueiro indignado ( ver comentário de Adriano em: Do diário-manifesto do doido da Noruega (ele fala do Brasil) porque, ontem, ao distribuir uns excertos do livro do terrorista norueguês, não escrevemos que Israel é a estrela do livro do efedapê. Não escrevemos ontem porque, ontem, não sabíamos. Hoje já sabemos. Então, aí vai:

Israel é a estrela do livro do terrorista norueguês.

O racismo doentio e pervertido que há no sionismo dos terroristas israelenses e norte-americanos encontra sua alma gêmea no racismo doentio e pervertido que há no sionismo do terrorista norueguês. 

No livro do terrorista norueguês há, no mínimo, 776 referências elogiosas e solidárias ao sionismo israelense (há mais, mas paramos de contar nesse número). 

O sionismo é um drone ideológico

Não há qualquer dúvida de que o sionismo israelense é sempre apresentado, pelo terrorista norueguês, como arma perfeita para matar árabes. Com que se demonstra que o terrorista norueguês usou o sionismo israelense como um drone ideológico. 

Como aqueles aviões-robôs que matam civis no Paquistão, enquanto os pilotos norte-americanos permanecem sentados em Langley, cidadezinha dos EUA que abriga uma base da CIA, a milhares de quilômetros de distância das pessoas que aqueles pilotos matam, também o sionismo israelense é capaz de matar gente na Noruega... pela mão de um sionista norueguês. 

Paramos de contar as referências elogiosas aos sionistas israelenses quando chegamos à 776ª referência, quando alguém, na nossa roda de discussão, bateu na mesa e gritou:

“Mas prá quê contar essa merda?! Por acaso somos jornalistas?! Não. Nós não somos jornalistas. Para nós, se o terrorista norueguês fez uma, ou fez 776 referências elogiosas ao terrorismo sionista, dá exatamente na mesma, né-não?” 

PURA VERDADE. Fosse uma única referência elogiosa ao sionismo israelense racista assassino de árabes pobres, fossem 100 mil referências, o diagnóstico seria o mesmo: 

(1) o terrorista norueguês é consumado sionista fascista; e
(2) NENHUM jornal-empresa ocidental noticiará essa notícia perfeitamente verdadeira e comprovada.

O terrorista norueguês não é, não, de modo algum, simples “doido”, simples “lobo solitário”, simples “fanático”. Nem é verdade que o terrorista norueguês “trabalhou sozinho” – como “informam”, hoje, vários jornais. 

O terrorista norueguês é terrorista sionista declarado; ele trabalha a favor do sionismo israelense, usa vasta literatura sionista, crê profunda e sinceramente nas perversões racistas do sionismo. É um Murdoch, um Netanyahu, um Lieberman, um Uilliam Vaack, um Bolsonaro, um Haly Camel. 

De fato, é até melhor entidade humana e política que esses aí citados, porque esses são sionistas e racistas, mas vivem de mentir que não seriam. E o terrorista dinamarquês escreveu, com todas as letras que é sionista, racista, assassino de árabes pobres (na versão EUA-ISRAEL-OTAN do sionismo) e de progressistas trabalhistas dinamarqueses (na versão local do sionismo). 

O direito de matar, sem dúvida, aprendeu de Obama-Netanyahu-Lieberman. Escreveu e assinou esse livro que é mais profissão de fé (arrogante) que testamento intelectual. É serial killer em crime de “assassinatos predefinidos” [targeted assassinations na terminologia das guerrras de EUA-OTAN] e é criminoso confesso. 

Pois nem assim a imprensa ocidental o mostrará como o perigoso terrorista sionista que é. É como se a imprensa-empresa ocidental e seus poderes super arrogantes estivessem garantindo absolvição “preventiva” a esse e a outros terroristas sionistas que se inspirem nesse exemplo (por acaso) norueguês. Até quando?! 

Quem defenderá governos democráticos de todo o mundo, oriente e ocidente, norte e sul, contra o terrorismo do jornalismo sionista racista e reacionário empresarial que reina hoje no ocidente?