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terça-feira, 15 de julho de 2014

Israel: prossegue o GENOCÍDIO, por etapas, no gueto de Gaza

13/7/2014, [*] Ilan Pappé, The Electronic Intifada
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Gaza, a visão do NAZISSIONISMO GENOCIDA
Em artigo de setembro de 2006 para The Electronic Intifada, defini a política israelense para a Faixa de Gaza como genocídio por etapas.

O assalto contra Gaza que Israel comete hoje indica, desgraçadamente, que essa política não mudou. A expressão ajuda a ver que a ação bárbara dos israelenses – em 2006, como hoje – faz-se por passos, em contexto histórico mais amplo.

É preciso insistir sempre sobre esse contexto, porque a máquina de propaganda israelense só faz repetir e repetir uma mesma narrativa, como se as políticas israelenses acontecessem fora de qualquer contexto; e converte o pretexto que encontrem para cada nova onda de destruição, em alguma espécie de principal ‘justificativa’ para ondas de assassinato indiscriminado, nos campos de morte de palestinos pelos quais os israelenses passeiam.

O contexto

A estratégia sionista para apresentar suas políticas brutais como resposta ad hoc a uma ou outra ação dos palestinos é tão velha quanto a presença maléfica de israelenses na Palestina. Sempre foi usada, repetidamente, como justificativa para impor a visão sionista de uma Palestina futura, onde haveria bem poucos, se algum, palestinos nativos.

Os meios para alcançar esse objetivo mudaram ao longo dos anos, mas a fórmula permaneceu a mesma: seja qual for a visão sionista de um Estado Judeu, só se poderá materializar sem número significativo de palestinos sobre a face da Terra. E hoje, a visão sionista é uma Israel que cubra quase toda a Palestina histórica, onde ainda vivem milhões de palestinos.

A onda genocida em curso hoje tem, como todas as anteriores sempre tiveram, algum contexto imediato. Dessa vez, teve a ver com o projeto de fazer gorar a decisão dos palestinos de constituir um governo de unidade, contra o qual nem os EUA teriam objeções.

O colapso da desesperada iniciativa “de paz” do secretário de Estado dos EUA John Kerry legitimou o apelo palestino a organizações internacionais para que interviessem e pusessem fim à ocupação. Ao mesmo tempo, os palestinos ganharam amplo reconhecimento internacional e apoio para a cautelosa tentativa, pelo governo de unidade, de construir política coordenada entre os vários grupos políticos e respectivas agendas.

Desde junho de 1967, Israel procura um meio para manter os territórios que ocupou naquele ano, sem incorporar a população palestina indígena e dar aos palestinos os mesmos direitos de cidadania que têm os israelenses. E todo o tempo os israelenses mantêm a farsa de algum “processo de paz”, para encobrir o movimento pelo qual vão ganhando tempo para implantar suas políticas unilaterais de colonização.

Funeral de Salameh Abu Edwan; campo de refugiados de Rafah, Gaza, 29/8/2006.
Ao longo das décadas, Israel passou a diferençar entre áreas que queria controlar completa e diretamente, e áreas que controlaria indiretamente, com o objetivo de, no longo prazo, reduzir ao mínimo a população de palestinos, usando, dentre outros meios, campanhas de limpeza étnica e estrangulamento econômico e geográfico.

A localização geopolítica da Cisjordânia cria a impressão em Israel, pelo menos, de que é possível conseguir tal objetivo sem provocar uma terceira Intifada nem excessiva condenação internacional.

A Faixa de Gaza, dada sua especialíssima localização geográfica, não se presta muito facilmente a tal estratégica. Sempre desde 1994, ainda mais depois que Ariel Sharon chegou ao poder como primeiro-ministro nos primeiros anos 2000s, a estratégia é cercar Gaza num gueto, e pôr-se à espera de que todo o povo que ali vive – hoje, 1,8 milhão de pessoas – morra e caia no esquecimento eterno.

Mas o Gueto mostrou-se rebelde, sem nenhuma disposição para se deixar ficar em condições subumanas, de estrangulamento, isolamento, fome, colapso econômico. Então, para que Israel consiga enviá-los para o esquecimento eterno, voltou a ser indispensável retomar as políticas de genocídio.

O pretexto

Dia 15/5/2014, forças israelenses assassinaram dois jovens palestinos na cidade de Beitunia, na Cisjordânia. Foram assassinados a sangue frio, por matador profissional, como se viu em vídeo. Os nomes deles – Nadim Nuwara e Muhammad Abu al-Thahir – somaram-se à longa lista de assassinatos “oficiais” semelhantes, em meses e anos recentes.

Siam Nawara chora seu filho Nadim assassinado por um “sniper” de Israel em 15/5/2014
A morte de três adolescentes israelenses, dois dos quais menores de idade, sequestrados em junho na Cisjordânia ocupada, foi talvez revanche pela matança de crianças palestinas. Mas, com todas as depredações da ocupação opressiva, serviu como pretexto – primeiro e sobretudo – para quebrar a delicada unidade na Cisjordânia; mas, também, para implementar o velho sonho israelense de varrer de Gaza o Hamás, para que o gueto fosse, outra vez, calado.

Desde 1994, mesmo antes de o Hamás chegar ao poder pelas urnas na Faixa de Gaza, a conformação geopolítica especialíssima da Faixa já deixava claro que qualquer ação de castigo coletivo – como essa ao qual o mundo assiste hoje – seria sempre e fatalmente operação de destruição e matança massivas. Em outras palavras: seria ação de genocídio continuado.

Esse reconhecimento jamais inibiu os generais israelenses, que dão ordens para bombardear (por terra, mar e ar) populações de civis. Reduzir o número de palestinos vivos sobre a Palestina histórica ainda é o ideal sionista. Em Gaza, a implementação desse ideal assume sua forma mais desumana.

O timing especial dessa onda é determinado, como em outras ondas passadas, por considerações de oportunidade. A agitação social que se viu em 2011 em Israel ainda fermenta; já há algum tempo ouvem-se clamores, na sociedade de Israel, para que se façam cortes nos gastos militares e desloque-se o dinheiro consumido no super inflado orçamento da “defesa”, para serviços sociais. O exército declarou que a ideia equivaleria a suicídio.

E nada há, como uma operação militar, para calar qualquer voz que exija que o governo reduza despesas militares.

Outra vez, veem-se também agora vários traços sempre presentes nesse genocídio cumulativo. A maioria dos judeus israelenses apoiam o massacre de civis na Faixa de Gaza, sem que se ouça qualquer voz significativa de dissenso. Em Telavive, os poucos que se atreveram a manifestar-se contra a matança de civis na Palestina foram espancados por gangues armadas com porretes e correntes, enquanto a Polícia manteve-se à distância, assistindo.

A universidade, como sempre, também se incorpora à máquina de matar. Uma prestigiosa universidade privada, o Centro Interdisciplinar Herzliya montou um quarteirão civil no qual os alunos, voluntariamente, trabalham na campanha internacional a favor de Israel.

Campanha de Solidariedade à Palestina
A imprensa-empresa, sempre leal aos sionistas, já recrutada, esconde qualquer imagem real da catástrofe humana que Israel gera e amplia na Palestina Ocupada, e só faz ‘informar’ ao seu público cativo dentro de Israel que, dessa vez, “a opinião pública mundial nos compreende e nos apoia”.

É “informação” correta, só na medida em que as elites políticas ocidentais continuam a garantir ao “estado judeu” a velha imunidade. Mas a imprensa-empresa sempre fracassa no que tenha a ver a garantir a Israel o nível de legitimidade com que sonha, para encobrir completamente suas políticas criminosas.

As exceções infalíveis são a imprensa francesa, sobretudo o canal France 24, e a BBC, que jamais se cansam de papaguear desavergonhadamente a propaganda israelense.

Nem chega a surpreender, porque os grupos de lobby pró-Israel continuam a trabalhar incansavelmente para promover a causa sionista na França, no resto da Europa e, claro, também nos EUA.

O caminho adiante

Seja queimar vivo um jovem palestino de Jerusalém, ou assassinar a tiros dois outros por desfastio em Beitunia, ou matar famílias inteiras em Gaza, todos esses atos só são possíveis (e repetidamente possíveis!) se a vítima tiver sido previamente desumanizada.

Concedo que, por todo o Oriente Médio, veem-se hoje casos horrendos em que a desumanização das vítimas gera desgraças como as que Israel promove em Gaza. Mas há uma diferença crucial entre aqueles casos e a brutalidade israelense: os demais assassinatos bárbaros em todo o Oriente são condenados, por bárbaros e desumanos, em todo o mundo. Mas os assassinatos bárbaros e desumanos cometidos por israelenses ainda são elogiados, publicamente autorizados e aprovados até pelo presidente dos EUA, por líderes da União Europeia e por outros amigos de Israel em todo o mundo.

Palestinos carregam o corpo de Muhammad Abu Khudair, 16 anos, sequestrado e queimado até a morte por judeus nazissionistas em Jerusalém na manhã de 4/7/2014 
A única chance de sucesso, na luta contra o sionismo na Palestina advirá de compromisso com uma agenda de direitos civis e humanos que não invente diferenças entre ‘categorias’ de violações e de violadores; que não inverta os papeis, entre vítimas e criminosos.

Todos os que cometem atrocidades no mundo árabe contra minorias oprimidas e comunidades desamparadas – assim como os israelenses que hoje assassinam palestinos – têm de ser julgados pelos mesmos padrões morais e éticos. Todos são criminosos de guerra. A diferença é que, no caso da Palestina, os criminosos de guerra estão em ação, sem parar, há mais tempo que qualquer outro criminoso, em qualquer outra guerra.

Absolutamente não importa a identidade religiosa do povo que mata em nome da própria religião que diz respeitar. Chamem-se eles mesmos jihadistas, judeusistas ou sionistas, todos têm de ser julgados pelos mesmos padrões morais.

Um mundo que consiga parar de servir-se de duplos padrões nos negócios com Israel será mundo muito mais efetivo na resposta que dará a crimes de guerra em qualquer parte do mundo.

Pôr fim ao genocídio por etapas em Gaza; restituir direitos humanos e civis básicos aos palestinos, vivam onde viverem – inclusive restituir-lhes o direito de retorno – é a única via possível para abrir novas vias para uma intervenção internacional produtiva no Oriente Médio como um todo.


[*] Ilan Pappé (em hebraico: אילן פפה; nasceu em Haifa em 1954) é um historiador judeu israelense, professor de História na Universidade de Exeter, no Reino Unido. Foi docente em Ciências Políticas em sua cidade natal, na Universidade de Haifa (1984-2007). Pappé faz uma análise profunda sobre os acontecimentos de 1948 (criação do Estado de Israel) e seus antecedentes. Em particular, ele defende em seu livro mais importante, Ethnic Cleansing in Palestine [A limpeza étnica na Palestina], que houve uma limpeza étnica, ou seja, a expulsão deliberada da população civil árabe da Palestina - operada pela Haganah, pelo Irgun e outras milícias sionistas, que formariam a base do Tzahal - segundo um plano elaborado bem antes de 1948. Pappé considera a criação de Israel como a principal razão para a instabilidade e a impossibilidade de paz no Oriente Médio. Segundo ele, o sionismo tem sido historicamente mais perigoso do que o islamismo extremista. Ao longo dos anos 2000, Ilan Pappé notabilizou-se por várias polêmicas, notadamente a controvérsia do massacre de Tantura, e por seu apelo ao boicote internacional às universidades israelenses, o que o levou a entrar em conflito com seus colegas da Universidade de Haifa, particulamente com Yoav Gelber. Ilan Pappé e Benny Morris, um outro historiador, divergiram frontalmente quanto à análise dos eventos de 1948 e quanto à atribuição de responsabilidades no conflito israelo-palestino .

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Verdades (atualizadas) sobre Israel/Palestina


28/10/2012, Lawrence Davidson, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Lawrence Davidson
Dia 16/10, a organização israelense Yazkern reuniu vários soldados israelenses veteranos da “Guerra de Independência” de Israel, em 1948, para examinar a que aquela luta realmente levou [1]. Os veteranos confirmaram o que só pode ser descrito como esforço consciente de limpeza étnica – a destruição sistemática de vilas palestinas inteiras e inúmeros massacres.

O objetivo do esforço de Yazkern para reconstituir a verdade é quebrar a “narrativa nacionalista dominante” expurgada, sobre 1948, e a negação automática, também dominante em Israel, de qualquer legítima contranarrativa palestina. Filme documentário dirigido pela jornalista russo-israelense Lia Tarachansky [2], que trata desse assunto, a Nakba, Catástrofe Palestina, está em processo de finalização. O filme também traz depoimentos de soldados israelense da guerra de 1948.

Essas revelações que começam a sair à luz confirmam, por sua vez, o que têm dito os “novos historiadores” israelenses, como Ilan Pappé, que publicaram livros, a partir de documentos de arquivos do governo de Israel, em que mostram que, mesmo antes de se iniciarem as hostilidades que levaram à criação do Estado de Israel, as autoridades sionistas planejaram a limpeza étnica, na Palestina, da maior quantidade possível de não judeus.

OK, poderá dizer alguém, os israelenses tiveram comportamento selvagem em 1948 – e só uma pequena minoria de israelenses admitirá que sim –, mas e depois da “Guerra de Independência”? Como hoje se começa a saber, a limpeza étnica jamais parou. Convenientemente, a tática de negar que jamais tenha começado ajudou a esconder o fato de que prossegue até hoje.

Ainda essa semana, tivemos notícias de que o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak ordenou a demolição de oito vilas palestinas [3], onde residem 1.500 pessoas, ao sul das colinas de Hebron. O pretexto de Barak, dessa vez, foi que a terra é necessária para treinamento militar.

Segundo os “novos historiadores”, é comportamento padrão do governo de Israel, para ocultar a limpeza étnica. Acontecerá que, sim, por alguns anos, o exército israelense usará a área das vilas demolidas. Em seguida, quase inevitavelmente, o “campo de treinamento” dará lugar a um novo projeto imobiliário, de colonização, exclusivo para israelenses.

Dia 20/10, a rede Al-Jazeera noticiou [4], baseada em documentos israelenses, que, entre 2008 e 2010, o exército israelense controlou a entrada de alimentos na Faixa de Gaza, seguindo um cálculo de dieta mínima, de modo a manter sempre um ponto antes do estado de desnutrição, a população de 1,5 milhão de palestinos.

Segundo o Gisha Legal Center for Freedom of Movement [Centro Gisha Legal pela Liberdade de Ir e Vir], organização israelense de direitos humanos, “a meta oficial da política de “dieta mínima” é fazer guerra econômica que paralise a economia de Gaza e, segundo o Ministério da Defesa de Israel, pressionar o governo do Hamás”. Essa prática selvagem começou, de fato, antes de 2008.

Ainda em 2006, Dov Weissglass, então conselheiro do primeiro-ministro Ariel Sharon, já dizia que “a ideia é pôr “em dieta” os palestinos, não matá-los de fome”. Claro, há precedentes dessa tática, também usada contra os judeus europeus nos anos 1930s e 1940s. Deve-se assumir que Weissglass sabia disso.

Contudo, como nos episódios da barbárie durante a “Guerra da Independência”, também nesse caso há uma bem azeitada prática de negar a história, em Israel, em termos nacionais. Segundo Gideon Levy, no Haaretz, “o país tem inúmeros meios (...) para esconder os esqueletos no armário, de modo a que não perturbem abertamente os cidadãos”. [5]

 
Os militares autores do documento que converteu a ideia monstruosa de Weissglass em prática selvagem, operaram num país em que a cegueira é cultivada. Ainda hoje, o atual governo de Israel não tem qualquer motivo de preocupação com o risco de que surja ali algum mal-estar geral, quanto ao fato de que os israelenses estão lenta, mas incessantemente, destruindo o sistema de esgoto e tratamento de água de Gaza, de modo a tornar a água inservível para beber.

São atos de crueldade que fazem prova de selvageria. Por exemplo: os funcionários da alfândega israelense confiscaram as folhas de prova, em outubro de 2012, destinadas às escolas da Cisjordânia [6]; eram exames que os alunos esperavam poder fazer, para concluir o curso colegial, indispensáveis para que possam chegar à universidade.

AMIDEAST, a organização que aplica as provas escolares nos Territórios Palestinos, tomou todos os necessários cuidados para que as autoridades israelenses recebessem as folhas de prova com semanas de antecedência e pudessem distribuí-las às escolas. Mas, no que parece ser ato de crueldade, os funcionários da alfândega israelense confiscaram as provas e não as distribuíram a tempo; e a AMIDEAST teve de cancelar as provas finais.

A pergunta óbvia, veio de um observador local: “o que têm os testes escolares a ver com a segurança de Israel?”. É possível que passe pela cabeça pervertida do israelense encarregado da alfândega, que seria ato patriótico impedir que mais palestinos estudem nos Territórios Palestinos, porque, assim, menos serão as testemunhas qualificadas que conhecerão a opressão israelense.

Do lado de Gaza, no mesmo quadro, os EUA tiveram de cancelar, há alguns dias, um pequeno programa de bolsas escolares para alunos de Gaza [7], porque as autoridades israelenses negaram-se a autorizar a saída dos alunos beneficiários, da prisão a céu aberto em que vivem, mesmo que, apenas, para ir só até uma escola na Cisjordânia. (Aos interessados em acompanhar o dia a dia dos atos de opressão a que Israel submete os palestinos, acompanhados diariamente, recomendo a página Today In Palestine

Desafio e negação

Dado o que Israel continua a fazer, o apoio público com o qual o país contava nos EUA começa afinal a desaparecer.

Recentemente, 15 destacados líderes religiosos [8], representantes de vários grupos cristãos, enviaram Carta Aberta ao Congresso dos EUA, exigindo “imediata investigação sobre violações, por Israel, da lei de assistência a países estrangeiros dos EUA [orig. U.S. Foreign Assistance Act] e à lei norte-americana que regula a exportação de armas [orig. U.S. Arms Export Control Act] as quais, respectivamente, proíbem que os EUA prestem assistência a país que dê mostra de prática consistente de violações de direitos humanos:

Exigimos que o Congresso inicie investigações para examinar a situação de Israel nos termos dessas duas leis. E exigimos que Israel seja chamada a prestar contas de atos relacionados ao disposto nessas duas leis, no sentido de obediência ao que aquelas leis dispõem.

Até o momento, o Congresso continua a fazer-se de surdo, mas a reação dos sionistas [9] fez-se ouvir imediatamente, alta e clara. À testa, apareceu, como sempre, Abraham Foxman, presidente da chamada muito inadequadamente “Liga Anti-Difamação” [orig. Anti-Defamation League (ADL). Acusou os líderes cristãos de “espantosa falta de sensibilidade”. É caso de perguntar-se quanta sensibilidade se exige para negar água potável e comida suficiente a milhões de pessoas e impedir estudantes de fazer provas na escola! Foxman optou por castigar os clérigos atrevidos: declarou que não participaria do “diálogo inter-fés” contemporâneo.

Ter cérebro avantajado é espada de dois gumes para os seres humanos. Implica que podemos pensar todos os tipos de pensamento criativo; podemos até controlar em boa medida nossos impulsos menos recomendáveis, se, pelo menos, tentarmos; mas significa também que podemos ser manipulados para nem tentar controlá-los; para crer que não precisamos tentar – que somos vítimas... mesmo quando somos os opressores; e a acreditar que qualquer crítica contra nossas ações sempre será, sempre, mais uma prova de o quanto somos vítimas perseguidas.

A cultura israelense – e, de fato, a cultura do sionismo em geral – é projeto em curso de automanipulação para alcançar exatamente esse estado mental. E, em grande parte, é projeto bem-sucedido. Pesquisa recente [10], feita em Israel, mostra que “uma maioria do público [judeus israelenses] deseja que prossiga a discriminação contra os palestinos (...) o que revela o racismo profundamente enraizado na sociedade de Israel”.

Os sionistas não são os únicos especialistas em negar fatos. Os EUA, principal aliado de Israel, também se tem mostrado muito bom nessa especialidade. Depois dos ataques do 11/9, qualquer consideração à possibilidade de que a política exterior dos EUA para o Oriente Médio ter ajudado a motivar e disseminar o terrorismo passou a ser anátema – e ainda é. Mais de uma década depois.

Em vez de nos debruçarmos sobre nosso comportamento, os EUA simplesmente aumentamos nossa capacidade de matar, sem discussão, quem quer que desafie, em armas, nossas políticas. Temos respondido com assassinatos premeditados contra alvos predefinidos, usando os drones ou outros tipos de armas: os EUA já estamos copiando a selvageria israelense.

Maquiavel, que sempre se deve ouvir, quando se trata de ver o lado mais obscuro das coisas, disse que:

Quem queira perscrutar o futuro deve consultar o passado; porque os eventos humanos assemelham-se sempre. Isso se deve a que eventos humanos são produzidos por seres humanos que sempre foram e sempre serão animados pelas mesmas paixões; por isso, necessariamente, sempre levam aos mesmos resultados.

Mas... será, mesmo, inevitável?



Notas de rodapé

[1] 16/10/2012, Middle East Monitor, em: Israeli army veterans admit role in massacres of Palestinians in 1948

[2] 16/10/2012, +972, Noam Sheizaf em: Between anger and denial: Israeli collective memory and the Nakba


[4] 18/10/2012, Al Jazeera em: Israel set calorie limit during Gaza blockade(+vídeo a seguir)


[5] 21/10/2012, Haaretz, Illan Pappé em: For some Israelis, Gazans receive 2,279 calories too many

[6] 16/10/2012, The Harvard Crimson, Lena K. Awwad e Shatha I. Hussein em: Israel vs. No. 2 Pencils

[7] 15/10/2012, Salon, Natasha Lennard, em: U.S. cancels scholarships for Gaza Strip students

[8] 14/10/2012, Redress Information & Analysis, Stuart Littlewood em: US hurch leaders question open-ended Israel aid

[9] Idem Nota [8]

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ato de Solidariedade ao Povo Palestino - Lembrar a NAKBA - ATO DIA 15 DE MAIO de 2012


Vamos nos reunir para lembrar a NAKBA, a catástrofe de um povo que teve o país roubado e celebrar a força da resistência palestina ao longo de mais de 60 anos, com a certeza da vitória, custe o que custar. Junte-se a nós!


nakba

Enviado por Baby Siqueira Abrão

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A PEDRA DE DAVI


Raul Longo

pedra
pedra
voa
voa.

Pedra, cumpre
tua sina

voa
pedra
pedra
a que se destina.

cumpre
a risca
o voo
sobre a vergonha
do muro
a covardia
do tanque
o medo
da mão
que segura o fuzil.

voa pedra
acima do jato
mais rápida do que o míssil
além da guerra
na terra
onde não fique pedra
sobe pedra.

risca,
risca
pedra
a suástica
sionista
da estrela
nazista.

voa
voa
pedra.

cumpre
tua sina
Palestina!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A EXECUÇÃO DE GADDAFI

Laerte Braga

Laerte Braga
  
Um ataque de forças da OTAN resultou na morte do líder líbio Muammar Gaddafi. Assassinato puro e simples. Era o desfecho previsível desde que o conglomerado ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A infiltrou mercenários e agentes de inteligência na Líbia através de seu lacaio europeu, a OTAN.

Um levante armado de fora para dentro derrubou Gaddafi e terminou em sua morte, tal e qual aconteceu com Saddam Hussein no Iraque.

Gaddafi até a decisão nazi/sionista de intervir na Líbia era amigo íntimo do líder italiano Sílvio Berlusconi, tinha negócios com a Grã Bretanha, a França e a Alemanha, além de outras nações da decadente Comunidade Européia.

Suas relações com Barack Obama e os EUA, de um modo geral, eram satisfatórias e tranquilas, desde que aceitou exigências norte-americanas sobre “terroristas”.

Muammar Gaddafi era um ditador. Como ditador é o presidente do Iêmen e o rei da Arábia Saudita (aliados de ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A). A intervenção na Líbia se deu por conta da necessidade maior de petróleo, das manobras de Gaddafi que desvalorizavam o dólar como moeda de troca internacional e a declaração do comando terrorista da OTAN confirma isso. “A OTAN vai permanecer na Líbia até a normalização democrática”. O que significa, até garantir o petróleo líbio para o conglomerado terrorista..

O filme tem o mesmo roteiro do que aconteceu no Iraque.

Obama, como antes George Bush (e os anteriores também), é como que pistoleiro montado em poderoso arsenal nuclear capaz de destruir o planeta cem vezes se necessário for e garantir interesses de banqueiros, grandes empresários e em países como o Brasil, de um latifúndio atrasado, servil, e ao mesmo tempo escravocrata.

Pistoleiros da era tecnológica.

Execuções sumárias de “inimigos” são feitas hoje de forma escancarada com ordem direta do presidente.

O controle acionário do complexo ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A é de banqueiros e grandes empresários sionistas. Nos EUA e em Israel, principalmente.

Os povos do mundo inteiro, inclusive norte-americanos e israelenses, são adereços nesse jogo macabro e boçal que o conglomerado joga para moldar o mundo capitalista aos seus interesses.

Milionários gregos no auge da crise, em menos de dois dias, enviaram a bancos suíços seu rico dinheirinho. Para preservá-lo da crise que devasta o país. Isso representa uma evasão de divisas, segundo o jornal alemão BILD, de 200 bilhões de euros. A Grécia vai receber a segunda parcela da ajuda da Comunidade Européia. É de oito bilhões de euros. Isso para continuar minimamente de pé, os bancos e corporações que controlam o país e danem-se os gregos.

Milionários não têm pátria, são amorais.

Uma intensa luta através de greves, manifestações populares tem sido feita diariamente diante de um governo dito socialista, insensível ao clamor popular e pouco se lixando para ele. O que entra por baixo dos panos nesse mundo capitalista devora consciências e compromissos, transforma governantes em meros lacaios do imperialismo boçal que, sem escrúpulos, estende suas garras letais por todo o mundo.

Milhões de norte-americanos – desempregados, sem saúde, sem teto, latinos, etc. – saem às ruas de várias cidades dos EUA para protestar contra as políticas de seu governo em favor de bancos e grandes corporações. Os Estados Unidos, como nação, hoje é mero arremedo disso. Faliu.

Como em qualquer ditadura, a polícia norte-americana prende, arrebenta, tortura e mata.

É claro que a GLOBO e nem as outras vão noticiar isso no Brasil, ou similares no resto do mundo. Fazem parte desse terrorismo, são braços dessa estupidez. Vão vender a mentira e a ilusão de Hollywood e transformar seres em objetos.

Trabalhadores em escravos. Uma forma diferenciada de escravidão, na essência a mesma. Talvez o fato de escravos usarem tênis Nike, ou de outra grande marca, parte dele fabricado por trabalho escravo escancarado na China.

O assassinato de Muammar Gaddafi mostra que desapareceram os escrúpulos, a necessidade de maquiar a barbárie. É o contrário. Estão a mostrá-la para deixar claro do que são capazes, contra quem quer que se lhes oponha.

São terroristas sem entranhas. Há até uma diferença entre bin Laden e Obama. O saudita deixou os “negócios” e empregou sua fortuna pessoal em seu ideal. Sem julgamento de mérito, mas até se poderia discutir isso. Obama, como foi Bush, correram atrás dos “negócios” para fornir seus patrimônios e servir de forma desumana a apetites incomensuráveis de patrões banqueiros, grandes empresários e todo o entorno desse terrorismo capitalista/sionista.

São gerentes do crime em escala de Estado. Os crimes que cometem são contra a humanidade.

As principais forças nazi/sionistas – na Europa - fazem campanha com vistas às eleições – não importa a data – afirmando que “não há para todos”. Querem excluir nações falidas como Grécia, Itália, Portugal, Espanha, Irlanda, e outras que se seguirão, além de defender interesses dos banqueiros e grandes empresários.

Sugaram o suor dos trabalhadores gregos, italianos, espanhóis, portugueses, irlandeses e se fartaram no banquete capitalista da ganância desmesurada. Querem agora deixar os feridos para trás e salvar as próprias peles.

Há dois aspectos importantes nessa forma de enxergar dos nazi/sionistas. O primeiro deles é a aceitação que a Comunidade Européia é um clube de banqueiros e grandes empresários com um braço terrorista para garantir os negócios, a OTAN. O segundo deles um recado explícito que mandam a franceses, alemães e britânicos, principalmente, para que aceitem alguns sacrifícios, do contrário serão imolados no altar do capitalismo, tal e qual gregos, norte-americanos, iraquianos, líbios, italianos, espanhóis, irlandeses, uma África dizimada por lutas e pela presença de mercenários colonizadores sob olhar complacente do resto do mundo.

Aquela velha história de que quando acordar já vai ser tarde.

A execução de Gaddafi é um ato de barbárie, de terrorismo. A crise econômica da Comunidade Européia é um ajuste promovido pelo terrorismo de Estado, pelo capitalismo, na tentativa de evitar o seu fim.

“Não há lugar para todos” é um recado também para o mundo.

Para o ser humano, o trabalhador. Sujeite-se ou dane-se.

É hora de seguir o exemplo grego e ir para as ruas. O exemplo dos estudantes chilenos. E ir para as ruas.

Não pensem que passaremos incólumes por essa devastação promovida pelo terrorismo do conglomerado ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A.

Nem os belos olhos de Dilma e seu ministério cambeta.

Quem tiver dúvidas do que teremos que pagar para essa gente não quebrar, dê uma olhada em : USdebt.kleptocracy.us ou em US Debt clock.org

No primeiro endereço vai ter uma idéia clara da essência e dos motivos do terrorismo de Estado. No segundo, o crescimento contínuo e assustador da dívida dos EUA e das famílias norte-americanas. São endereços do próprio governo do assassino Barack Obama.

A França parou para ver via televisão o nascimento da filha de Nicolas Sarkozy e Carla Bruni, o mesmo espetáculo chanchada que tivemos aqui via GLOBO quando do nascimento da filha de Xuxa. Dizem que a moça tem preocupação com os pobres e estava louca para a criança nascer para poder voltar a fumar e a beber.

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro