Mostrando postagens com marcador Nil Nikandrov. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nil Nikandrov. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Agências de inteligência dos EUA “versus” Argentina


Começou a temporada das provocações


9/12/2014, [*] Nil Nikandrov, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Cristina Fernández de Kirchner
Falta menos de um ano para as eleições presidenciais na Argentina, marcadas para o dia 25 de outubro de 2015. Cristina Fernández de Kirchner já foi eleita duas vezes para o mais alto cargo da República Argentina, em 2007 e 2011, e não pode concorrer novamente à presidência.

A questão da sucessão está sendo discutida na Argentina, cada vez com mais frequência. Quem assumirá a filosofia do kirchnerismo, versão moderna da ideologia do Partido Justicialista fundado em 1947 por Juan e Evita Perón? Néstor Kirchner, político destacado que sempre aparecia mencionado no mesmo parágrafo, ao lado de Lula da Silva, Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa, morreu em 2010. Mas Cristina Fernández conseguiu manter as políticas que ele construíra: fortalecer a soberania argentina, opor-se ao que os EUA ordenam para o continente e levar adiante várias reformas com vistas a atender interesses populares.

Daniel Scioli
O nome mais provável, para dar continuidade às políticas dos Kirchner parece ser Daniel Scioli, que foi vice-presidente da Argentina e atualmente é governador da província de Buenos Aires. Scioli evita confrontos políticos e prega que se façam concessões à oposição, motivo pelo qual não é nome que agrade aos kirchneristas mais cintura-dura, que se opõem a qualquer modalidade de diálogo com a direita argentina. Scioli é negociador hábil, tem demonstrado seriedade e temperança e dá sinais de querer cooperar com os círculos financeiros e empresariais que mantêm fluxos constantes de recomendações e propostas, inclusive sobre como romper relações com Cristina. Há também outros candidatos que foram mais próximos de Néstor e são hoje da equipe de Cristina – ministros, governadores e senadores – que trabalham ativamente para fazerem-se conhecidos. O candidato será decidido em eleições primárias em agosto de 2015, quando todos os candidatos à presidência da coalizão governante Frente para a Vitória passarão pelos processos seletivos.

Pode-se avaliar a complexidade do momento pelo qual Cristina Fernández está passando, pelos resultados das eleições parlamentares de outubro de 2013. A coalizão governante não alcançou maioria decisiva. Não perdeu a maioria simples nas duas casas legislativas, mas não alcançou a maioria qualificada constitucional de dois terços. A coalizão ganhou o governo de apenas metade das 24 províncias argentinas. A tradicional rivalidade entre o Partido Justicialista e seus oponentes representados pela União Cívica Radical e pelo Partido Proposta Republicana, de direita, foi tornada ainda mais difícil por causa de uma divisão dentro do próprio partido governante. Ainda assim, a Frente para a Vitória ainda é a principal força política na Argentina.

Néstor Kirchner
Néstor Kirchner, depois de abandonar o modelo econômico neoliberal, conseguiu arrancar a Argentina da profunda estagnação em que vivia. Adiante, em plena crise global, Cristina foi forçada a tomar decisões difíceis, entre as quais apertar o controle estatal sobre importações e sobre a taxa de câmbio. Também teve de atacar o poder de burocratas encastelados no Estado, a inflação, movimentos de especulação com moeda estrangeira e outras frentes. Ao mesmo tempo, Cristina iniciou revisão profunda em bancos e casas de câmbio argentinos, na luta para fechar canais de lavagem de dinheiro. Sob a acusação de retirada ilegal de dinheiro do país, foram suspensas, na Argentina, todas as operações da empresa Procter & Gamble norte-americana. E prosseguem as investigações sobre crimes cometidos pelas forças de segurança durante a ditadura militar, de 1976 a 1983.

Não surpreende portanto que Cristina tenha tantos inimigos, inclusive na empresa-imprensa, chamada “mídia”, que está empenhada em campanha diretamente orientada para desacreditar a presidenta. As declarações de renda da presidenta, do marido falecido e dos filhos adultos estão sendo examinadas e re-examinadas. Todos estão sendo acusados de ocultação de renda. E pessoas do círculo de contatos pessoais da família também estão sob mira.

Segundo analistas políticos, os ataques atualmente lançados contra a presidenta da Argentina são parte de um plano elaborado para assegurar que ela não consiga fazer sucessor, e que seja eleito, para presidir a Argentina, alguém que represente as forças políticas aliadas aos EUA, que promovam mudança radical nas atuais políticas.

Fundos abutres atacam Argentina
Nessa mesma linha deve-se inscrever também a história dos “fundos abutres” (os mesmos que, em 2013, voavam agourentos sobre a Ucrânia), que compraram papéis da dívida de países que enfrentavam dificuldades financeiras por preço baixíssimo e na sequência recorreram a cortes judiciais para exigir pagamentos que excediam em muito o valor da dívida. Foi exatamente o que aconteceu com a Argentina.

Falando à Assembleia Geral da ONU em setembro, Cristina Kirchner condenou fortemente essa prática, e exigiu que se adotassem medidas legislativas para restringir a atividade desses “abutres”.

Thomas Griesa
Quanto ao julgamento, a Argentina – estado soberano – enfrentou o juiz federal norte-americano Thomas Griesa. O governo argentino não considera que a atual situação caracterize “calote” [ing. does not consider the current situation a default]: Buenos Aires está disposta a saldar suas obrigações com seus credores, mas por valores da dívida reestruturada, não pelos valores que os “fundos abutres” estão cobrando e que o juiz Thomas Griesa insiste em que a Argentina deva pagar. Os credores podem receber os correspondentes pagamentos pela División Fideicomisos del Banco de la Nación.

Mas Thomas Griesa agora ameaça com novas represálias. Se Buenos Aires não se render e aceitar pagar o que os “abutres” estão cobrando, a Argentina será banida do sistema internacional e não poderá negociar com bancos norte-americanos. Buenos Aires não parece assustada nem, sequer, impressionada e já deu as costas às negociações. Qualquer decisão de juiz norte-americano que dificulte a reestruturação da dívida argentina ou tente alterar decisão do governo argentino será tomada como interferência em assuntos internos do país.

Argentina é país soberano
A “notícia” de que a Argentina estaria à beira de “declarar o calote” de dívidas legais – que é notícia falsa, mas repetida incessantemente pela propaganda norte-americana – está provocando compreensível irritação entre as autoridades argentinas. Em setembro de 2014, o diplomata encarregado de negócios na embaixada dos EUA na Argentina, Kevin Sullivan, disse ao jornal Clarin:

Para voltar a um caminho de crescimento econômico estável e atrair os investimentos de que a Argentina precisa, é importante que o país deixe imediatamente a posição de devedor inadimplente.

Sullivan foi imediatamente convocado a prestar esclarecimentos ao Ministério de Relações Exteriores da Argentina, onde ouviu que suas palavras

(...) não têm qualquer fundamento factual e repetem, de fato, exclusivamente as palavras e a posição dos fundos abutres.  

O diplomata norte-americano foi avisado de que:

(...) se declarações desse tipo voltarem a acontecer, com novas intromissões nos assuntos internos da República Argentina, serão adotadas as medidas mais extremas previstas na Convenção de Viena sobre conduta de representantes diplomáticos.

Como alguns jornais noticiaram na Argentina, implica que a Argentina pode declarar Kevin Sullivan persona non grata.

Kevin Sullivan
Deve-se dizer que o posto de embaixador dos EUA na Argentina está vago desde julho de 2013. Na América Latina essa situação já não é rara: a embaixada dos EUA no Equador permaneceu sem titular por muito tempo, e Washington não conseguiu manter embaixadores na Venezuela nem na Bolívia.

Já há mais de um ano, os EUA consideram nomear Noah Bryson Mamet – empresário, que joga golfe regularmente com o presidente dos EUA e, mais importante, é dos mais ricos doadores de campanha dos Democratas – para o posto de Embaixador dos EUA na Argentina. Nas sabatinas pelas quais tem passado no Senado, Mamet deu sinais claros de saber rigorosamente coisa alguma, nada, sobre a realidade argentina. Algumas críticas de senadores chegaram aos jornais: a Argentina é:

(...) estado em situação de pré-crise econômica e política, e é preciso mandar para lá um profissional do serviço diplomático, não esse tipo de amador.

Fato é que o prédio da embaixada dos EUA na Argentina, por obra do Departamento de Estado, do Pentágono e das agências de inteligência, já vive repleto de profissionais especialistas em “provocar” a tal situação de “pré-crise” de que falaram os senadores norte-americanos. A lista dos diplomatas dos EUA publicada pelo Ministério de Relações Exteriores da Argentina incluem vários nomes conhecidos por intensa atividade subversiva em outros países. São empregados da CIA, como Timothy Murdoch Stater, não apenas agente “prático”, mas também teorizador do serviço de promover subversão em outros países; além de Kenneth Roy, Yordanka Roy, Brendan O’Brien, Michael Lance Eckel e vários outros, o que prova que a subversão provocada não é delírio, mas evidência fortemente sugerida, se não claramente comprovável.

Anaida Haas
Na mesma lista também aparece o nome de Anaida K. Haas, que fez carreira no Afeganistão, de onde foi transferida para o Departamento de Estado, Gabinete de Assuntos Russos. É possível que a transferência de Haas para a Argentina esteja conectada a missão relativa a relações comerciais entre Rússia e Argentina.

Washington está furiosa porque Cristina Fernández foi dos primeiros, na América Latina, que se declarou disposta a vender produtos argentinos necessários para suprir demandas do mercado russo; e imediatamente depois da declaração, os negócios começaram.

A capacidade para resistir, do governo de Cristina Fernández de Kirchner poderá ser estimada logo nos primeiros meses do próximo ano. Difícil esperar que a campanha presidencial seja pacífica, uma vez que há muitos agentes norte-americanos especialistas em desestabilização já trabalhando com a oposição. Haverá “clamor” para que Cristina renuncie (por questões de saúde), a “5ª coluna” estará mobilizada e a pleno vapor, eclodirão greves nos transportes públicos, e não se deve descartar a possibilidade de sabotagem nas redes de energia, com “apagões” estratégicos. Tudo isso está acontecendo com frequência crescente em países que Washington considera seus oponentes geopolíticos.

A ação subversiva e sediciosa da Embaixada dos EUA em Buenos Aires pode ser estimada a partir dos relatos de informação que estão sendo distribuídos pelos funcionários da embaixada – só para cidadãos norte-americanos. São “relatórios” que falam de aumento dramáticos nos índices de criminalidade e sugerem que os lugares públicos devem ser evitados. Falando em rede nacional de televisão, Cristina Fernández referiu-se a esse tipo de “relatórios”, como “atos de provocação”.

A temporadas de provocações, pelas agências de inteligência dos EUA na Argentina, está só começando.


[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas. Especializou-se em desmascarar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, 


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Brasil sob pressão da CIA (Central Intelligence Agency)

21/10/2014, [*] Nil NikandrovStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A CIA quer eleger o TUCANO
Mais de 200 (mais de 800 já assinaram até a hora desta postagem[Nrc]) ativistas políticos, intelectuais, artistas gente de arte e cultura assinaram um manifesto sobre o dia 26 de outubro de 2014 (votação do 2ºturno das eleições no Brasil [Nrc]), chamando atenção para as ações hostis de Washington, com o objetivo de impedir a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. O documento está postado em redes sociais. Diz que uma possível chegada ao poder de Aécio Neves do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), que representa os interesses dos magnatas, provocará dano irreparável ao país e removerá quaisquer impedimentos que haja hoje ante a interferência direta nos assuntos internos do país. Neves ficará no papel de instrumento obediente nas mãos do governo dos EUA. Washington está fazendo de tudo, para conseguir que Neves seja eleito – algumas coisas são feitas só discretamente; outras são ações completamente clandestinas.

Todos os recursos de propaganda e de informação da CIA estão mobilizados para apoiar Neves. Cerca de 80 milhões de brasileiros têm acesso à internet, 150 milhões são usuários de telefones celulares. Os serviços especiais dos EUA conhecem muito bem inúmeras técnicas para desestabilizar países. Recentemente, o país foi cenário para “protestos” contra a Copa do Mundo, mostrando que já há forças implantadas no Brasil, prontas para serem acionados em cenário de “revolução colorida” a qualquer momento.

No Brasil não há qualquer tipo de restrição à operação de organizações não governamentais (ONGs), e muitas das ONGs que operam no Brasil têm ligações diretas com pessoal da embaixada e de consulados dos EUA, como com operadores da United States Agency for International Development, USAID. Essa “inteligência” é usada para desacreditar as políticas do governo de Dilma Rousseff. Espalham-se mentiras e desinformação, que pintam o governo como inefetivo e ineficaz, por todos os meios disponíveis. “Especialistas”  de televisão preveem o colapso nacional, no caso de a atual presidenta ser reeleita. Distribuem resultados duvidosos de “pesquisas de intenção de voto” que só fazem confundir e complicar ainda mais qualquer visão objetiva da realidade.


Jornais usados como veículo de propaganda dedicados a distribuir “informação” de pesquisas que as próprias empresas jornalísticas fazem ou encomendam a outras empresas, repetem incansavelmente a expressão “empate técnico”, que oferece muitos espaços para manipulação, falsificação e distorção de fatos, de que a CIA serve-se para empurrar para a “liderança” nas pesquisas o candidato cuja eleição mais interessa aos EUA.

Há alguns anos, viu-se idêntico fenômeno no México. Enrique Peña Nieto, candidato apoiado pelos EUA, concorreu contra Lopez Obrador, candidato das classes populares e apoiador de Hugo Chávez. A manipulação e falcatruas para dar a vitória a Peña foram amplas e disseminadas, e muito mexicanos ainda duvidam de sua vitória nas urnas, mas Washington declarou que as eleições teriam sido transparentes e honestas.

Rubens Barbosa
Rubens Antônio Barbosa, principal conselheiro de Aécio Neves para assuntos internacionais é candidato virtual ao posto de Ministro das Relações Exteriores. Muitos apoiadores de Rousseff o têm como principal agente da CIA no Brasil, para influenciar o resultado das eleições. Barbosa foi Embaixador do Brasil em Washington, [é autor publicado pelo Instituto Milênio] e presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Em harmonia com sua orientação pró-EUA, fala de “despolitizar a política externa” e de o Brasil “reconsiderar suas prioridades estratégicas em relação aos EUA e à China”.

Depois do auge do escândalo da espionagem, quando se soube que os telefones da presidenta Rousseff, de membros do gabinete, comandantes militares e de serviços especiais estavam sendo espionados pela NSA-CIA, e depois que o presidente Obama recusou-se a pedir desculpas formais, o Brasil passou a estreitar suas relações com a China – seu principal parceiro comercial desde o governo do ex-presidente Lula da Silva. Agora, Barbosa diz que, no caso de Neves vir a ser eleito, os EUA voltarão a ocupar posição correta (quer dizer, dominante) nas prioridades da política exterior do Brasil.

Há uma expressão usada por Barbosa que oferece uma pista para o que seria a política externa brasileira num eventual governo do qual ele participe. Barbosa disse que a proteção dos interesses nacional não mais será passiva. A Bolívia nacionalizou duas refinarias da Petrobras, e o governo brasileiro nada fez para proteger os interesses do Brasil. Neves e Barbosa prometem dar acesso a empresas norte-americanas de petróleo para que extraiam petróleo da bacia continental. A equipe de Neves diz que a política será “mais pragmática” e absolutamente diferente da abordagem ideológica típica do Partido dos Trabalhadores. E que serão “corrigidas” as posições do Brasil em questões como o relacionamento com o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul, bloco sub-regional), com os BRICS e com outros grupos internacionais.

Liliana Ayalde, atual embaixadora dos EUA no Brasil, foi a organizadora e patrocinadora do GOLPE DE ESTADO que derrubou Fernando Lugo da presidência do Paraguai
Washington empenhou muitos esforços na preparação das eleições no Brasil; agora, chega ao estágio final. O Departamento de Estado e os Serviços Especiais enviaram para lá dúzias de agentes experientes, que já trabalharam em várias operações desse tipo, em todo o mundo.

Por exemplo, Liliana Ayalde, atual embaixadora dos EUA no Brasil, fez bom serviço no Paraguai, para conter a expansão da “ideologia populista”. Agora, chegou a hora do Brasil.

Alexis Ludwig
Os principais agentes da conspiração contra a presidenta Dilma são funcionários da embaixada e de consulados dos EUA no Brasil: Alexis Ludwig (conselheiro político), Paloma Gonzalez (funcionária da seção econômica), Samantha Carl-Yoder (Chefe da Seção Econ/Pol.), Kathryn Hoffman (secretária política, Consulado Geral dos EUA em São Paulo) e Amy Radetsky (Cônsul Chefe para Assuntos Políticos e Econômicos, Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro).

Basta olhar o currículo de Radetsky para compreender que Washington preparou-se para “situação não padrão” no Brasil. No Departamento de Estado, ela foi responsável por monitorar os eventos no Brasil, para avaliar como afetavam as relações bilaterais e delinear as políticas para esse país. Era quem supervisionava todas as mensagens que saíam da embaixada dos EUA em Brasília. Pouco depois, chefiou uma equipe especial do Departamento de Estado para monitorar a emergência e o desenvolvimento de situações de crise na região e preparar relatórios de situação para o secretário de Estado John Kerry. Agora, foi mandada para o Rio!

Que crise terá trazido Radetsky ao Brasil?

 Eleazar Díaz Rangel 
O intelectual e político venezuelano, Eleazar Díaz Rangel diz que uma possível derrota de Dilma seria “um desastre”. Os governos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff melhoraram a vida de dúzias de milhões no Brasil, que, antes, viviam até sem eletricidade. O Partido dos Trabalhadores iniciou mudanças drásticas positivas no continente sul-americano. Segundo Rangel, o governo Obama mobilizou todas as forças da oposição no Brasil e em outros países latino-americanos, todo o potencial das empresas-imprensa e de agências de informação no Brasil para impedir a re-eleição da presidenta Dilma Rousseff. Há fundos alocados para garantir apoio ao candidato Neves na corrida presidencial. Círculos financeiros e econômicos norte-americanos influentes estão envolvidos, para ajudar Neves a ser eleito.

Conseguirão os brasileiros mobilizar-se, eles mesmos, e evitar o desastre, como o chamou Eleazar Díaz Rangel? Saberemos em uma semana.


[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas. Especializou-se em desmascarar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Marina Silva – Parte de plano para desestabilizar o Brasil

23/9/2014, [*] Nil NIKANDROVStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

No velório de Eduardo Campos Marina não chorou...
Washington lançou campanha de propaganda em grande escala em apoio a Marina Silva, candidata às eleições presidenciais no Brasil, pelo Partido Socialista Brasileiro. Continuam a repetir que a vitória dela é garantida no segundo turno. As pesquisas não oferecem resultados confiáveis e, até agora, só fala do “primeiro turno” das eleições, dia 5 de outubro de 2014.

Especialistas nos EUA creem que Marina Silva receberá os votos dos que apoiam Aécio Neves da Cunha, do PSDB, até agora com 14-16% do eleitorado. Se acontecer, a candidata apoiada pelos EUA receberia cerca de 60% dos votos, acabando com as chances de reeleição da atual presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, no “segundo turno” das eleições, marcadas para 16/10/2014. Analistas independentes absolutamente não levam a sério essas previsões e dizem que esse cenário não passa de ilusão. E há os que começam a alertar contra fraude eleitoral.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do mesmo Partido dos Trabalhadores de Dilma Rousseff, não é candidato e trabalha pela re-eleição da atual presidenta. Para ele, Marina Silva absolutamente não tem chances de eleger-se. Para o presidente Lula, a grande ameaça não é Marina Silva, mas alguns veículos de imprensa impressa e de televisão.

Esses veículos usam como bem entendem, para finalidades de propaganda, as muitas dificuldades que brotam do processo em curso de implementar reformas sociais e econômicas, feitas para mais bem servir os interesses dos mais pobres. Seja como for, o país está avançando, com grandes projetos industriais em implementação. Lula tem-se mostrado confiante de que a verdade derrotará a mentira.

Marina Silva, Tio Sam e o PIG 
O apoio do ex-presidente à atual presidenta e candidata à re-eleição, Dilma Rousseff, é importante. Resultado desse apoio, Marina Silva já está perdendo votos.

Em recente entrevista a um dos grandes jornais do sul do Brasil, Marina Silva explodiu em lágrimas, aos gemidos de que não podia controlar o que o ex-presidente dizia dela, mas que faria o possível para não “se vingar’ dele... O ex-presidente respondeu imediatamente, que aquelas lágrimas nada tinham a ver com o que ele dissera sobre mentiras de Marina. Que, lágrimas daquele tipo, só se a causa fosse completamente diversa.

De fato, Marina Silva começa a temer os números que as pesquisas eleitorais lhe trazem. A hoje candidata foi membro do Partido dos Trabalhadores de Lula por mais de 25 anos; fez toda a sua vida política ao lado de Lula. Foi senadora, antes de ter sido Ministra do Meio Ambiente do governo Lula, em 2003.

Mas durante todos esses anos, Marina Silva sempre se manteve muito próxima dos EUA. Sempre esteve sob as lentes de inúmeros fundos especiais, dos mais variados tipos, e organizações internacionais que vasculham o mundo à procura de gente com o “perfil” adequado para ser usado como instrumento dos interesses de Washington.

Basta examinar as medalhas e prêmios que choveram sobre Marina Silva – prêmios que ninguém recebe se não for “amigo dos EUA” – para confirmar que, sim, pelo menos desde 1980, Marina Silva já estava no campo de considerações dos EUA. Essa “seleção’ é prática muito frequente: os EUA mantêm pessoal especializado em analisar traços de personalidade de possíveis “candidatos”, dos quais o que mais chamou a atenção, em Marina Silva, foi a inclinação para complementar os próprios atributos físicos, com “realizações’ políticas que chamassem a atenção (em entrevista, Marina Silva disse que teria trocado a Igreja Católica na qual fora criada, por um culto neopentecostal, porque aí “teria melhores chances de me destacar”).

O Brasil vai-se convertendo em estado soberano, forte e autoafirmativo, com grande influência no Hemisfério Ocidental, em posição de desafiar a influência dos EUA. Os debates em Washington fazem-se por trás dos panos, mas uma coisa é evidente: os EUA querem muito trocar a presidenta Dilma Rousseff por alguém mais servil. Marina Silva parece servir esse propósito.

Os serviços especiais dos EUA parecem ter pavimentado o caminho para ela, eliminando outro candidato, Eduardo Campos, do Partido Socialista. O avião Cessna 560ХL em que ele viajava sofreu uma pane e caiu, ou explodiu, ninguém sabe. French Slate.fr listou esse caso de queda de avião como um dos cinco eventos mais importantes do verão de 2014, que não estiveram nas manchetes, sobre os quais pouco se fala, mas que pode(ria) mudar o rumo da política mundial.

Dilma Rousseff
Antes da tragédia, Dilma Rousseff era considerada já vitoriosa. Com Marina Silva, as eleições sofreram, no mínimo, um “tumulto” não previsto.

Não há dúvida alguma de que, com Marina Silva na presidência, o Brasil passa a alinhar-se mais decisivamente com os EUA. O escândalo da espionagem e das escutas clandestinas, e declarações da presidenta Rousseff, para quem as escutas ilegais implantadas pelos EUA no Brasil seriam “inaceitáveis” virariam coisa do passado, bem como a UNASUL (União das Nações Sul-americanas) – união intergovernamental que integra as duas uniões aduaneiras que há: MERCOSUL e Comunidade Andina de Nações, como parte da continuada integração sul-americana, e o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul, bloco sub-regional que inclui Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela com Chile, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru como países associados).

O objetivo de todas essas estruturas é promover o livre comércio e o fluxo continuado de bens, pessoas e moeda. Tudo isso deixará de estar no ponto focal da política externa do Brasil.

A reorganização da Organização dos Estados Americanos, OEA, é a questão mais importante para os EUA; e voltará ao topo da lista das prioridades de política externa.

O MERCOSUL talvez até continue a existir, mas não como concorrente contra a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), que Washington tenta impulsionar desde 2005, quando a ideia foi recusada por Argentina, Brasil, Venezuela e alguns outros países.

Marina Silva não é grande entusiasta do futuro dos BRICS. Para ela, a participação nesse grupo não traz dividendos. Já disse que não tem qualquer intenção de estreitar relações com Rússia e China, e a aliança com Venezuela e Cuba deixará de ser efetiva. Tudo que os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff já conseguiram até agora, ir-se-á pelo ralo, só para satisfazer o poder da Casa Branca e do Pentágono.

BRICS
A batalha pré-eleitoral está-se convertendo em batalha feroz. Marina Silva não tem tempo a perder, e a carga está-se tornando pesada. Conforme mudem os números das pesquisas, a candidata Marina muda suas declarações e “plano” de governo. Já teve de explicar o que dissera antes, sobre reduzir a produção de petróleo em áreas chamadas “pré-sal”, abaixo do leito do oceano. Manifestou-se contra casamentos homoafetivos no passado; de repente, virou apoiadora.

Marina Silva é, hoje, evangélica, membro da conservadora Assembleia de Deus. Um dia depois de apresentar seu plano de governo, desdisse o que dissera sobre ser favorável ao chamado “casamento gay”. No capítulo “Cidadania e Identidades” de seu programa, incluiu “apoio a propostas que defendam (...) o casamento civil”. Na sequência, a campanha de Marina Silva distribuiu uma “correção”. A nova versão defende “os direitos de uma união civil entre pessoas do mesmo sexo”, apagando a palavra “casamento” que incluiria direitos mais amplos para os casados.

No segundo debate televisionado entre os principais candidatos, antes do 1º turno das eleições, dia 5/9/2014, Rousseff perguntou a Marina Silva como ela financiaria os cerca de R$ 60 bilhões necessários para cumprir suas promessas. “Onde você propõe buscar esse dinheiro?” – perguntou Rousseff. A candidata respondeu que o dinheiro será obtido porque “nosso país voltará à eficiência no gasto público – poremos fim ao desperdício de recursos públicos”. A presidenta Rousseff acertou quando disse que tinha sérias dúvidas de que uma pessoa com esse tipo de ideia na cabeça e convicções tão instáveis pudesse governar algum país.

Mais brasileiros já começam a ver que Marina Silva mudará todas as políticas dos governos que a antecederam e levará o país ao desastre. E “desastre” é, exatamente, o que mais desejam os “artíficies de mudança” que trabalham em Washington.

Marina Silva é pessoa com problemas psicológicos, desequilibrada – e tudo isso pode ser bastante útil para influenciar o processo de decisão para bloquear o desenvolvimento progressista do país e quebrar o equilíbrio social, depois que as forças políticas no país começam a aprender a interagir dentro do que a lei autoriza e determina.

Coronel Prugh traduzindo para o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, Martin Dempsey
O que a missão Washington mais deseja é ver criados os pré-requisitos para que se encene no Brasil uma “revolução colorida”. Quer usar a “quinta coluna” e os veículos de imprensa pró-EUA para provocar “manifestações espontâneas” de cidadãos.

Os EUA já enviaram pessoal de alta capacitação e experiência para sua embaixada em Brasília, capital do Brasil. A estação da CIA que ali opera é comandada e operada por gente muito, muito experiente.

O ataché de Defesa e principal oficial da Defesa, no Brasil, é o coronel Samuel Prugh. É homem de experiência excepcional na coleta de inteligência humana, com amplas relações pessoais entre os militares brasileiros.

O presidente Lula e a presidenta Rousseff têm feito o possível para evitar manifestações públicas de incômodo com as atividades subversivas que os EUA conduzem no Brasil. Quando lhes pareceu necessário, os brasileiros usam os bem protegidos canais diplomáticos, para fazer saber a Washington que identificaram um agente que operava clandestinamente na indústria do petróleo, num gabinete diplomático ou nas forças armadas do país. Esses incidentes jamais chegaram ao conhecimento público.

Depois do conhecido escândalo associado aos relatórios de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA gravara comunicações pessoais da presidenta e espionara a Petrobras, empresa estatal brasileira de petróleo, o governo brasileiro endureceu e exigiu que os EUA pedissem desculpas públicas. Os EUA recusaram-se a desculpar-se e, mesmo, ampliaram as operações de espionagem no Brasil (enviaram mais gente para os consulados).

O consulado dos EUA no Rio de Janeiro destaca-se: ali trabalham mais de 500 norte-americanos. John Creamer, cônsul-geral, diz que 300 daqueles funcionários trabalham no processamento de vistos de viagem, da manhã à noite. Segundo Creamer, o processamento, antes, demorava seis meses; hoje, bastam duas semanas.

John Creamer, Consul Geral dos EUA no Rio de Janeiro no "American Day" no Festival do Rio 2012 
Se os funcionários dos consulados estão realmente ocupados só com emitir vistos de viagem, ou se só vivem a arquitetar alguma versão de “primavera árabe” ou de “Maidan ucraniana”, no Brasil, sob o alto patrocínio dos serviços especiais dos EUA, só o tempo dirá.
___________________

[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas. Especializou-se em desmascarar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Eleições no Brasil: Marina Silva e a CIA-EUA é “caso” antigo

12/9/2014, [*]  Nil NikandrovStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

George Soros e Marina Silva
Marina Silva é atual candidata do Partido Socialista à presidência do Brasil. Em meados dos anos 1980s, ela já atraíra a atenção da CIA, quando frequentava a Universidade do Acre. Naquele momento, estudava marxismo e tornara-se membro do Partido Comunista Revolucionário, clandestino. Durou pouco aquele “compromisso”: ela rapidamente se transferiu para a “proteção do meio ambiente’ na Região Amazônica. Os serviços especiais dos EUA sempre tiveram interesse muito especial naquela parte do continente, na esperança de construírem meios para controlar a área no caso de emergência geopolítica.

CIA fez contato com Marina Silva. Não por acaso, em 1985 ela alistou-se no Partido dos Trabalhadores (PT), o que lhe abriu novas possibilidades de crescimento político.

Em 1994, Marina Silva foi eleita para o senado brasileiro, com fama de ativista apaixonada a favor da proteção ao meio ambiente. Foi quando começaram a circular informações sobre laços entre Marina Silva e a CIA. Em 1996, ela recebeu o Goldman Environmental Prize. [1]E recebeu inúmeras outras importantes condecorações: é praxe, quando se trata de “candidatos” que a CIA tem interesse em promover, que o “candidato” seja coberto de medalhas e condecorações.

Marina Silva serviu como Ministra do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até que, interessada em”‘voos mais altos” e, preterida, ela abandonou o Partido dos Trabalhadores e mudou-se para o Partido Verde, de início dedicada a protestar contra políticas ambientais apoiadas pelo PT. Foi realmente um choque, na política brasileira, que a ex-ministra tenha mudado tão completamente de lado, depois de quase 30 anos de atividade a favor do Partido dos Trabalhadores.

Marina Silva no Governo Lula
Nas eleições de 2010, a candidata da CIA obteve quase 20 milhões de votos, como candidata do Partido Verde; na sequência, para as eleições de 2014, aceitou lugar na chapa de Campos, como vice-presidenta, quando fracassaram seus esforços para criar seu “não partido”, mas “rede”, chamada “Sustentabilidade”. Dilma Rousseff, candidata do PT contra a qual se alinhavam já em 2010 todas as demais candidaturas, trazia planos para dar continuação às políticas independentes do presidente Lula. Nada disso interessava a Washington em 2010, como tampouco interessa hoje, em 2014.

Daquele momento até hoje, as relações entre Brasil e EUA só fizeram piorar, resultado do escândalo da espionagem & escutas clandestinas. A Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou a presidenta Dilma Rousseff e membros de seu gabinete. A presidenta brasileira chegou a cancelar visita oficial que faria aos EUA, como sinal de protesto. Os EUA jamais apresentaram pedido de desculpas ou comprometeram-se a pôr fim às atividades de espionagem. A presidenta Dilma, então, agiu: denunciou as atividades da Agência de Segurança Nacional e da CIA dos EUA na América Latina e tomou medidas para aumentar a segurança nas comunicações e controle sobre representantes dos EUA ativos no Brasil. Obama não gostou.

As eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para 5 de outubro de 2014. E Washington está decidida a fazer de Dilma Rousseff presidenta de mandato único. Não há dúvida alguma de que os serviços especiais já iniciaram campanha para livrar-se da atual governante brasileira. Começaram a agir com movimentos de protesto ditos “espontâneos”, que encheram algumas ruas e foram amplamente “repercutidos” na imprensa-empresa, nos quais os “manifestantes” pedem mudanças (aparentemente, qualquer uma, desde que implique “mudança de regime”) e o fim das “velhas políticas” [de fato, nenhuma política é ou algum dia será “mais velha” que o golpismo orquestrado pela CIA no Brasil e em toda a América Latina (NTs)]. Ouviram-se grupos de jovens em protestos contra a propaganda e os símbolos dos partidos políticos, especialmente do PT.

Alguma dúvida?
Não se sabe até hoje de onde surgiram os recursos com os quais Marina Silva começou a organizar sua “rede” Sustentabilidade. A nova “organização” visava a substituir os partidos tradicionais, que a candidata declarou “velhos”. Tendo obtido 19 milhões de votos, o que lhe valeu o 3º lugar nas eleições passadas, ela contudo não conseguiu cumprir todas as exigências legais para criar oficialmente sua nova “rede”. Até que a tragédia que matou Eduardo Campos e seis outras pessoas, perto de São Paulo, mês passado, deu a Marina Silva uma surpreendente segunda chance para tentar chegar à presidência do Brasil. Para conseguir ser a primeira mulher mestiça a chegar à presidência do Brasil, terá de derrotar a primeira mulher que chegou lá antes dela, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, PT; além o candidato Aécio Neves do PSDB, partido pró-business, que hoje amarga um 3º lugar nas pesquisas. A Casa Branca tem-se sentido frustrada.

Dia 13 de agosto de 2014, a campanha eleitoral presidencial no Brasil foi lançada em área de incerteza, quando um jato que conduzia o candidato do partido socialista, Eduardo Campos, tombou sobre bairro residencial de Santos, próximo de São Paulo. Morreram o candidato e seis outras pessoas, passageiros e da tripulação, no acidente que pode ter acontecido por causa do mau tempo, quando o Cessna preparava-se para pousar. As mortes geraram uma onda de comoção nacional, que provavelmente evoluirá para especulações sobre o efeito que terão nas eleições do próximo 5 de outubro de 2014. A presidenta Rousseff declarou três dias de luto oficial por Campos, ex-ministro do governo do presidente Lula. A aeronave passara por manutenção técnica regular e nenhum problema foi detectado. De estranho, só, que o gravador de vozes da cabine do avião não estava operando, o que gerou suspeitas. O gravador operara normalmente e gravara várias conversações na cabine, mas nada gravou no dia da tragédia. O avião já passara por vários proprietários (empresários norte-americanos e brasileiros, representantes de empresas de reputação duvidosa), antes de chegar à campanha dos candidatos Eduardo Campos e Marina Silva. 

Dilma Rousseff e Eduardo Campos
Para alguns comentaristas brasileiros e dos EUA, há forte probabilidade de que tenha havido um atentado, que resultou no assassinato de Eduardo Campos. Antes da tragédia, o avião foi usado pela agência antidrogas dos EUA, Drug Enforcement Administration (DEA). Enviados de antigos proprietários do avião tiveram acesso ao local do acidente, sob os mais diferentes pretextos. Difícil não conjecturar se teria havido agentes dos EUA por trás da tragédia. Mas ainda não se sabe exatamente sequer o que aconteceu. Saber quem fez, se algo foi feito,  demorará ainda mais.

O avião decolou do Rio de Janeiro, onde opera uma estação da CIA, em território do consulado dos EUA. Não há dúvidas de que aquele escritório é usado pela Agência. Talvez os serviços especiais do Brasil devessem dar atenção especial a personagens que rapidamente deixaram o país, imediatamente depois da tragédia em Santos. A morte de Eduardo Campos teve efeito instantâneo sobre a candidatura do Partido Socialista: Eduardo Campos jamais passara dos 9-10% de preferência nas pesquisas, mas Marina Silva rapidamente surgiu com 34-35%, na votação em primeiro turno. Agora, se prevê que a eleição seja levada para o segundo turno.

O principal problema de Marina Silva é que é sempre difícil entender quais seriam suas reais intenções e projetos. É uma espécie de “imprecisão” que se observa constantemente no discurso de candidatos promovidos pelos EUA. Marina Silva  mudou de lado, sempre muito dramaticamente, inúmeras vezes. Ao unir-se a Eduardo Campos, por exemplo, a candidata várias vezes se manifestou a favor de manter bem longe do Brasil as ideias de Chavez (Hugo Chavez – falecido presidente da Venezuela, conhecido pelas convicções socialistas e políticas de esquerda). Mas ela serviu ao governo do presidente Lula, conhecido e muito respeitado defensor do chavismo. (...)

BRICS
De fato, ao tempo em que a campanha avança e as eleições aproximam-se, Marina Silva vai-se tornando cada vez mais neoliberal. Já disse que não vê sentido em fazer dos BRICS um centro de poder multipolar, nem em apressar a implementação de medidas já decididas dentro do bloco, como criar um banco de desenvolvimento, um fundo de reserva, etc. Já manifestou “dúvidas” sobre o Conselho Sul-Americano de Defesa, e diz, em discussões com assessores íntimos, que quer dar menos atenção ao MERCOSUL e à UNASUL (União das Nações Sul-Americanas, união intergovernamental em que se integram duas uniões aduaneiras, o MERCOSUL e a Comunidade de Nações Andinas, como parte do processo de integração sul-americana). Para Marina Silva, mais importante é desenvolver relações bilaterais com os EUA.

Fato é que os brasileiros estão já habituados a quase 20 anos de progresso social no país, com os governos do presidente Lula e da presidenta Rousseff. A população é ouvida, as reformas acontecem, o que foi prometido está sendo construído, o Brasil vive tempos de estabilidade e de avanços.

Se Marina Silva chegar à presidência (George Soros, magnata norte-americano, investidor e filantropo, tem alimentado a campanha dela com quantidade significativa de fundos), deve-se contar com o fim de vários programas sociais e políticos, o que pode vir a gerar grave descontentamento popular. Há quem diga que os escritórios dos EUA no Brasil estão repletos de agentes dos serviços especiais, encarregados de “gerar” “protestos” naquele país.
___________________

Nota dos tradutores:
[1] Conheça o Goldman Environmental Prize; além de Marina Silva, outro brasileiro recebeu esse prêmio, um “Carlos Alberto Ricardo”, fundador da ONG Instituto Socioambiental, em 1992.
___________________

[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas. Especializou-se em desmascarar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.