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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A comédia sino-americana de erros


Entreouvido no frege da Maria Boa na Vila Vudu: “Artigo útil, só, para ver sionistas norte-americanos alinhando-se com a China” :-D)).

10/11/2014, [*] SpenglerAsia Times Online
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Dos “Comentários” [aqui traduzidos]:

John Rintala  Top Commenter (Harvard University)
“Os que comentam que Spengler representa a linha pró-Israel, e surpreendem-se agora ao vê-lo falar dos chineses com [alguma] simpatia, têm de compreender que a China soube, muito cuidadosamente, neutralizar o lobby EUA-Israel, garantindo negócios lucrativos para os empresários israelenses; assim, preservou boas relações com Israel. A China vai construir uma ferrovia de Eilat, no Mar Vermelho, até Ashdod, no Mediterrâneo.”

Michael Ngan  Top Commenter (University of Victoria)
Muito obrigado, John Rintala, pelo esclarecimento. É a explicação mais plausível para a súbita conversão do “Spengler”, à racionalidade, sem repetir o sionismo doentio de sempre.


A odisseia da China (Teatro de Pequim)

PEQUIM – Tudo na tragédia acontece por alguma razão, e o resultado é sempre triste; na comédia, muitas coisas acontecem por acaso, e o resultado é quase sempre feliz. As relações sino-americanas não estão destinadas ao conflito, embora o conflito seja possível. Os desentendimentos que dificultam as relações entre os dois países mais poderosos do mundo permanecem no âmbito da comédia, não da tragédia. É o máximo a que se pode aspirar, porque não há quantidade possível de explicações que tornem chineses e norte-americanos compreensíveis uns para os outros.

Onde os chineses são defensivos e cuidadosos, os norte-americanos tendem a vê-los como agressivos; onde os chineses são ambiciosos expansionistas, os EUA os ignoram completamente. Os EUA são potência do Pacífico acostumada a dominar os mares. No pouco que os EUA dão atenção à política exterior chinesa, só fazem mostrar alarme quando a China faz exigências territoriais sobre ilhas microscópicas e não habitadas que Japão, Vietnã e as Filipinas também reclamam para si. Exceto para fazer soar como se fosse coisa séria a retórica de alguns líderes militares chineses, porém, as ilhas em disputa praticamente nem aparecem na escala das prioridades da China.

É o que aparece bem claramente na notícia segundo a qual, na semana passada, China e Japão divulgaram um “Acordo Fundamentado sobre como Gerir e Aprimorar Relações Bilaterais”, resultado de reuniões entre o Conselheiro para Segurança Nacional do Japão, Shotaro Yachi, e o Conselheiro do Estado Chinês, Yang Jiechi. O documento sinaliza que serão criados “mecanismos para gerenciamento de crises, que evitem disputas”; e que os dois países servir-se-ão sempre de “consultas e diálogo”.

Nem o Japão nem a China têm qualquer interesse numa confrontação militar no Pacífico, embora os dois lados tenham usado as disputas pelas ilhas, em encenação dirigida aos respectivos eleitorados nacionalistas internos. O Acordo Fundamentado sobre como Gerir e Aprimorar Relações Bilaterais é claro sinal de que a encenação ao estilo Kabuki já foi longe demais.

Samurai no teatro estilo Kabuki
Meme frequente, em resposta ao suposto expansionismo chinês no Pacífico, inventou uma aliança militar Índia-Japão, sob patrocínio dos EUA, para conter as ambições chinesas. Embora uns poucos nacionalistas indianos tenham abraçado a ideia, examinada de fora vê-se que não passou de gesto oco. Se Índia e China entrarem em confronto por causa, por exemplo, de fronteiras, o que o Japão poderia fazer para ajudar?!

O recém-eleito governo indiano de Narendra Modi jamais levou a sério a ideia. Ao contrário, depois da recente visita do presidente Xi Jinping à Índia, Modi já está de olhos postos em investimentos chineses dos quais a infraestrutura indiana carece com urgência. A economia passa por cima de questiúnculas sobre fronteiras em áreas montanhosas desabitadas que separam as duas nações mais populosas do mundo.

Há também uma dimensão estratégica sobre o crescente bom entendimento que se constata entre China e Índia. Do ponto de vista da Índia, o apoio chinês ao exército paquistanês é motivo de preocupação, mas pode servir como faca de dois gumes. O Paquistão permanece sob o risco de ataque pelo Islã militante, e o principal garantidor da estabilidade do país é o exército. A China quer fortalecer o exército como escudo contra os radicais islamistas, que ameaçam tanto a província chinesa de Xinjiang quanto a Índia; e fortalecer o exército paquistanês, provavelmente, atende tanto aos interesses indianos quanto aos interesses da China.

Analistas chineses estão espantados, sem fala, ante a resposta dos EUA ao que veem como show sem importância no Mar do Sul da China; e a Índia só os preocupa tangencialmente. Ainda estão dando tratos à bola para compreender por que a resposta que emergiu do estrago que os EUA promoveram na Ucrânia foi relacionamento muitíssimo ampliado entre EUA e Rússia.

Por um princípio de diplomacia, a China não aprecia separatistas, porque já tem seus próprios separatistas a enfrentar, a começar pelos uigures muçulmanos na província de Xinjiang. Mas Washington jogou todas as suas fichas na certeza de que os tumultos da Praça Maidan em Kiev ano passado arrancariam a Crimeia do controle russo; o que realmente aconteceu foi que a Crimeia, onde está localizada a principal base naval de águas temperadas da Rússia, foi reintegrada à Federação Russa.

S-400 - Sistema anti-aéreo de mísseis  de defesa
(clique na imagem para aumentar)
Quando, em retaliação, o ocidente impôs sanções contra a Rússia, Moscou moveu-se para o leste – resposta óbvia, e resposta com forte impacto sobre o poder no ocidente. Não apenas a Rússia abriu suas reservas de gás à China, mas também aceitou fornecer à China sua mais sofisticada tecnologia militar, inclusive o formidável sistema de defesa aérea S-400. No passado, a Rússia sempre resistiu contra fazer isso, por causa dos esforços chineses para copiar, por engenharia reversa, os sistemas russos. A crise da Ucrânia mudou tudo isso.

Só agora, afinal, analistas ocidentais observam que a nova aproximação entre russos e chineses pode criar dificuldades para o ocidente. O New York Times devotou manchete de primeira página às opiniões de observadores soviéticos, os suspeitos de sempre, na edição do dia 9/11/2014.

Era óbvio há meses, e deveria continuar óbvio imediatamente antes do fato: o ocidente meramente empurrou “Mano” Putin-Coelho [orig. B'rer Putin] para a floresta densa a leste dele. De todos os erros de cálculo na política do ocidente desde a IIª Guerra Mundial, esse foi, talvez, o mais estúpido. E lá ficam os chineses, hoje, a coçar a cabeça, sem acreditar em tal boa sorte não esperada.

Claro que, sim, é erro falar de aliança Rússia-China; mas está em desenvolvimento um condomínio sino-russo na Ásia. Os negócios de energia e defesa entre Moscou e Pequim são importantes por eles mesmos, mas se tornam muito mais importantes no contexto do que pode ser o mais ambicioso projeto econômico de toda a história: a Nova Rota da Seda. O Pacífico pouco promete à China. Japão e Coreia do Sul são economias maduras, consumidores, tanto quanto concorrentes, da China.

Expansão no Pacífico simplesmente nada tem a oferecer à economia da China. O que a China deseja é ser inexpugnável dentro das próprias fronteiras: gastará generosamente para desenvolver mísseis terra-mar suficientemente potentes para despachar porta-aviões, submarinos de caça e sistemas de defesa aérea dos EUA.

A China prospecta nas direções oeste e sul: energia e minérios na Ásia Central; comida no sudeste da Ásia, portos de águas mornas no Oceano Índico, mercado vasto e acesso aos mercados mundiais onde estejam. A rede de ferrovias, oleodutos, gasodutos e telecomunicações que a China está construindo através das ex-repúblicas soviéticas e através da própria Rússia a levará até o Mediterrâneo [1] e será como trampolim para o comércio chinês com a Europa.

Rota da Seda via sul da Ásia e OM (terra e mar)
(clique na imagem para aumentar)
Toda a massa continental eurasiana tornar-se-á, provavelmente, zona econômica chinesa, sobretudo agora, com a Rússia muito mais disposta a aceitar os termos da China. Que os EUA tenham facilitado esse processo, tornando-o realidade antes até do esperado, pondo-se a atirar contra moinhos de vento na Ucrânia, confunde os chineses, sim; mas não impede que eles usufruam os resultados.

É difícil estimar o impacto de tudo isso, mas é provável que a influência chinesa expanda-se para o oeste, numa escala que o ocidente ainda nem começou a imaginar. Não se sabe se a China tem ideia clara das implicações que pode ter sua Nova Rota da Seda. A implosão da posição geopolítica dos EUA jogou oportunidades e riscos à porta de Pequim, para grande surpresa de Pequim.

Há um ano, funcionários chineses diziam, privadamente, que seu país acompanharia “a liderança da potência dominante” em tudo que tivesse a ver com segurança do Oriente Médio, incluídas as tentativas iranianas para adquirir armas atômicas. Ao longo das últimas várias décadas, a China deixou que os EUA se aproximassem do Golfo Pérsico, enquanto ia aumentando a dependência chinesa daquele petróleo. Em 2020, a China espera estar importando 70% do seu petróleo, a maior parte do qual virá do Golfo.

O pensamento chinês mudou radicalmente nos últimos poucos meses, em parte por causa do colapso do estado iraquiano e do crescimento do Estado Islâmico. Nada mais difícil que encontrar algum especialista chinês que ainda creia que os EUA possam realmente cuidar da segurança do Golfo Pérsico. As opiniões dividem-se entre os que pensam que os EUA são simplesmente incompetentes, e os que pensam que os EUA desejam, deliberadamente, desestabilizar o Golfo Pérsico.

Para muitos (...), os EUA têm interesse em desestabilizar o Golfo para atingir a China. Outro proeminente analista chinês disse que o Estado Islâmico é comandado por oficiais sunitas treinados nos EUA durante a “avançada” [orig. surge] de 2007-2008, e por elementos do velho exército de Saddam Hussein; o que explicaria por que o EI tem mostrado tanta competência militar e organizacional.

A ideia é plenamente justificável, sim: o general David Petraeus ajudou a treinar os 100 mil que fizeram o “Despertar Sunita”, para criar “equilíbrio” de poder contra o regime de maioria xiita que os EUA haviam ajudado a pôr no poder em 2006. Como, perguntam os chineses, o governo Bush e Petraeus poderia ter sido tão absolutamente estúpido? É tarefa hercúlea convencer os chineses de que, sim, sim, eles foram, sim, tão absolutamente estúpidos.


A atitude da China em relação a Washington já é hoje de declarado desdém. Sobre as eleições de meio de mandato nos EUA, o jornal oficial do governo chinês, Global Times, escreveu:

O presidente pato-manco será ainda mais firmemente imobilizado? Fez serviço insípido, quase nada deu a quem o apoiou. A sociedade norte-americana cansou-se de banalidade do presidente que elegeu.

Mas o declínio da influência dos EUA na região da qual a China obtém a maior parte do próprio petróleo não é evento feliz para Pequim.

A China não previu o fim da rédea solta que dera aos norte-americanos e não sabe ainda com certeza o que fará a seguir. Tentou manter um equilíbrio entre os países com os quais comercia e que são hostis entre eles. Vendeu muitas armas convencionais ao Irã, por exemplo, e alguns mísseis balísticos, antigos, pouco sofisticados.

Mas a China vendeu à Arábia Saudita seus mísseis ultrassofisticados de médio alcance, top-de-linha, o que deu aos sauditas “formidável capacidade de contenção” contra o Irã e outros possíveis adversários. A China obtém mais petróleo da Arábia Saudita que de qualquer outro país, embora as importações de Iraque e Omã para a China estejam aumentando depressa. Por que Iraque e Omã são mais próximos do Irã, a China quer que, ali, haja equilíbrio.

A opinião chinesa está dividida quanto às implicações de o Irã obter armas atômicas: alguns estrategistas creem que o equilíbrio nuclear na região bastará para impedir que qualquer daqueles países use as tais armas; outros temem que ação nuclear no Golfo venha a deter o fluxo de petróleo, o que derrubaria a economia chinesa. A China uniu-se às negociações no grupo P-5 “+1” (dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) sobre o status nuclear do Irã, mas não ofereceu política independente da política do presidente Barack Obama.


Enquanto isso, o crescimento do extremismo islamista preocupa Pequim, como teria, mesmo, de preocupar. Pelo menos, algumas centenas de uigures estão lutando incorporados ao Estado Islâmico, presumivelmente para aprender competências de terrorista a serem levadas de volta à China. Analistas chineses têm opinião nada apreciativa da abordagem que o governo Obama adotou para enfrentar o Estado Islâmico, mas não têm qualquer alternativa a propor. É questão cada dia mais importante. A instabilidade ameaça o projeto da Rota da Seda em vários centros crucialmente importantes.

A China não nutre qualquer simpatia pelo que analistas ali costumam chamar de “Islã político”. O flerte entre EUA e Fraternidade Muçulmana – Obama flertou e importantes senadores Republicanos, como o senador John McCain, também flertaram – é visto pelos chineses como incompetência, ou pior. Mas a China não tem capacidade para perseguir terroristas islamistas, se não pelo deslocamento de uns poucos marinheiros na costa da Somália.

O processo de construir políticas na China é cauteloso, conservador e dirigido por consensos. A preocupação dominante, acima de todas as demais, entre os chineses, é a própria economia chinesa. O ritmo das transformações do Oriente Médio surpreendeu os chineses; agora, tentam decidir o que fazer a seguir.

A política pro forma dos chineses é unir-se às conversações sobre o Irã e oferecer-se para unir-se às conversações do “Quarteto” (ONU, EUA, União Europeia e Rússia) sobre a questão Israel-Palestina; mas nenhuma dessas iniciativas tem muito a ver com as atuais preocupações dos chineses.

Não se pode ainda prever o que a China fará no futuro. Mas parece inevitável que os interesses básicos da China levem o país a envolvimento muito maior e mais profundo na região, tanto maior e mais profundo quanto mais avance a retirada dos EUA.


Nota dos tradutores
[1] Ver também, 16/11/2014, redecastorphoto: Pepe Escobar, “Rota de Seda da China, à glória”, traduzido.

[*] Spengler, apelido de David P. Goldman, escreve a coluna Spengler para o Asia Times Online e contribuifrequentemente para as publicações The Tablet, First Things (2009-2011) e outras. Foi Chefe Global de Pesquisa de Dívida do Bank of America (2002-2005), Diretor Global de Estratégia de Crédito do Credit Suisse (1998-2002). Ocupou cargos importantes nas organizações financeiras Bear Stearnse Cantor Fitzgerald. Foi colunista da revista Forbes (1994-2001). Seu livro How Civilizations Die (and why Islam is Dying, Too) foi lançado em setembro de 2011.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Pepe Escobar: “O pato manco caiu da caravana Rotas da Seda”

11/11/2014, [*] Pepe EscobarRússia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Governantes de países da APEC, em foto de família, Pequim, 10/11/2014: o primeiro-
ministro da Austrália, Tony Abbott, atrás de Vladimir Putin da Rússia (esq.) e do
presidente da China Xi Jinping (segundo, esq.) (foto: Reuters/Kevin Lamarque)
Dificilmente se encontraria ilustração mais clara de para onde caminha o mundo multipolar, que o que se viu recentemente na reunião de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico [orig. Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC)], em Pequim.

Examinem bem as fotos oficiais. Trata-se de protocolo e posição – e sendo na China, sempre carregados de significados simbólicos. Adivinhem quem aparece no lugar de honra, à mão direita do presidente Xi Jinping. E adivinhem para onde foi mandado o pato manco líder da “nação indispensável”. Os chineses também sabem fazer com mestria, no que se trate de enviar mensagem global.

Quando o presidente Xi conclamou a APEC a “pôr lenha na fogueira da economia da região do Pacífico Asiático e do mundo”, quis dizer exatamente o que segue, independente de decisões não conclusivas que saíssem do encontro:

1) Pequim fará rigorosamente de tudo a favor de criar sua Área de Livre Comércio do Pacífico Asiático [orig. Free Trade Area of the Asia-Pacific (FTAAP)] – visão chinesa de acordo comercial “absolutamente inclusivo, ganha-ganha para todos” que realmente promova a cooperação na região do Pacífico Asiático, em vez dos negócios conduzidos pelos EUA, redigidos pelas corporações e que muito dividem e separam, conhecidos como Parceria Trans-Pacífico [orig. Trans-Pacific Partnership (TPP)].

2) Um plano básico está traçado para “conectividade em todas as direções”, nas palavras de Xi – o qual implica Pequim estabelecer o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura [orig. Asian Infrastructure Investment Bank]; Pequim e Moscou acertar um segundo meganegócio de gás – dessa vez, através do gasoduto Altai, na Sibéria Ocidental; e a China canalizando não menos de US$40 bilhões para iniciar a construção do Cinturão Econômico Rota da Seda [orig. Silk Road Economic Belt] e a Rota Marítima da Seda para o século XXI.

Governantes de várias nações do mundo tomam assento, para ouvir o discurso de abertura, pelo presidente da China, Xi Jinping (C), na reunião de cúpula dos governantes dos países e membros da Cooperação Econômica do Pacífico Asiático [orig. Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC)], no Centro de Convenções Internacionais em Yanqi Lake, Pequim, dia 11/11/2014
(foto: Reuters / Pablo Martinez Monsivais).
Mais uma vez, tudo converge na direção da ofensiva mais espetacular, mais ambiciosa e de mais amplo alcance plurinacional para construir infraestrutura jamais tentada: as múltiplas Novas Rotas da Seda – uma complexa rede de ferrovias para trens de alta velocidade, oleodutos, gasodutos, cabos de fibra ótica e telecomunicação gerada e distribuída e coletada pela tecnologia mais de ponta que o mundo conhece e que a China já está construindo através dos “-stões” da Ásia Central, todas ligadas com Rússia, Irã, Turquia e o Oceano Índico, e que se estenderá para a Europa, até Veneza e Berlim.

É Pequim interligando o Sonho Pacífico-Asiático de Xi até muito além do Leste da Ásia, com olhos postos no comércio paneurasiano – cujo centro é, e não poderia deixar de ser, o Império do Meio.

A campanha “Para o Ocidente!” foi oficialmente lançada na China no final dos anos 1990s. As Novas Rotas da Seda são campanhas turbinadas “Para o Ocidente!” e “Para o Sul!” – de expandir mercados, mercados, mercados, mercados. Pensem na Eurásia num futuro próximo como massivo Cinturão de Seda Chinês – em algumas latitudes num condomínio com a Rússia.

E como deseja sua guerra? Fria ou quente?

Conforme sonha Pequim, Noam Chomsky falou muito e muito claramente sobre uma reação em cadeia estilo 1914 de erros catastróficos – cometidos pelo Ocidente – que rapidamente escapariam de qualquer controle; e o que está em jogo e sob risco, mais uma vez, é nuclear. Moscou absolutamente detesta essa terrível possibilidade – o que explica por que a Rússia, alvo da mais obcecada provocação que lhe fazem os EUA, além das sanções, tem mostrado moderação digna de um Titã. Não se trata só de que a Rússia não pode ser “isolada”, como os EUA tentaram fazer com o Irã; Moscou também já desmascarou o blefe dos neoconservadores norte-americanos na Ucrânia.

No Clube Valdai, o presidente Putin, em discurso crucialmente importante (fala inicial e perguntas & respostas) – obviamente ignorado pela imprensa-empresa ocidental – expôs com clareza as necessárias conclusões. As elites de Washington/Wall Street absolutamente não têm qualquer intenção de permitir nem a mais mínima multipolaridade nas relações internacionais. O que resta, portanto, é o caos. É o que tenho dito, em diferentes circunstâncias, e é só o que se vê ao longo dos anos de governo Obama, e é o argumento central de meu novo livro Empire of Chaos.

Moscou sabe tudo sobre as complexas interligações com a Europa – especialmente com a Alemanha – e com o evanescente, mas ainda influente, Consenso de Washington. Mas a Rússia tem a carta-trunfo de ser potência eurasiana; quando se veem em dificuldades, os russos sempre se podem pivotear para a Ásia.

Gorbachev acertou o alvo em Berlim, quando chamou a atenção para o quanto, ao quebrar a promessa que Bush-pai lhe fez pessoalmente, a OTAN comprometeu-se com uma eterna expansão rumo ao oriente; e para o quanto o Ocidente – essencialmente, os EUA mais uns poucos vassalos europeus – parecem hoje obcecados com inventar alguma nova Guerra Fria, com o novo Muro de Berlim transplantado – metaforicamente – para Kiev.

Líderes dos Países da APEC no International Convention Center, Yanqi Lake em Pequim, 11/11/2014 (Foto: Reuters / Kim Kyung-Hoon)
Moscou pivoteando-se para longe de Ocidente e em direção do Leste da Ásia é processo de desenvolvimento em vários níveis – e que já está aí há vários meses, para todos verem. Acres de floresta terão ainda de ser devastadas para imprimir a narrativa de o quanto esse resultado foi diretamente influenciado pela doutrina de política externa do próprio Obama e que o próprio Obama descreveu como “Não façam merda coisa estúpida”, e que foi batizada a bordo do Air Force One, de volta de uma viagem à – e aonde mais seria?! – Ásia, em abril passado (4/2014).

No campo da energia, a expressão posta em circulação pelo Financial Times, de que um segundo mega negócio de energia a ser firmado entre Rússia e China seria “vingança de Putin”, é o tradicional e repetido lixo. A Rússia está tomando o rumo leste porque é ali que está a principal demanda. No campo da finança, Moscou acaba de pôr fim ao mecanismo de manter o rublo enganchado no dólar norte-americano e no euro: o dólar norte-americano caiu instantaneamente contra o rublo. O banco VTB, por sua vez, anunciou que pode trocar a Bolsa de Valores de Londres pela de Xangai – que está às vésperas de passar a conectar-se diretamente a Hong Kong. E Hong Kong, por sua vez, já está atraindo as gigantes russas da energia.

Agora então, combinem esses desenvolvimentos chaves com o massivo duplo negócio de energia Yuan - Rublos, e o quadro é da Rússia ativamente se autoprotegendo de ataques especulativos que lhe venham do ocidente, politicamente motivados, contra sua moeda.

A simbiose/parceria estratégica Rússia-China expande-se visivelmente para o campo de energia, finanças e também, inevitavelmente, para o front da tecnologia militar. Aí se inclui, crucialmente importante, Moscou vender a Pequim o sistema de defesa aérea S-400 e, no futuro, o S-500.

O sistema S-500 pode interceptar qualquer Míssil Balístico Intercontinental ou cruzador, ao mesmo tempo em que os MBI e mísseis cruzadores russos que operam em Mach 17, equipados com Multiple Independently Targeted Re-entry Vehicle (MIRVs), são simplesmente imbatíveis. Pequim, por sua vez, já está desenvolvendo seus próprios mísseis terra-mar, que podem alcançar qualquer coisa que a Marinha dos EUA consiga mobilizar – de porta-aviões a submarinos e sistemas móveis de defesa aérea.

Una-se à caravana

Estrategicamente, Pequim e Washington são – e não poderiam ser outra coisa – extremos polarmente opostos no que chamei de nascimento do século eurasiano.

Pequim identificou claramente a luta de morte que movem Washington/Wall Street para preservar o curto momento unipolar. A China – e os países BRICS – trabalham na direção do que Xi definiu como um novo modelo para relações entre grandes potências.

A cabeça de Washington/Wall Street é de “ou (exclusivo) um ou (exclusivo) outro”, não de “ganha-ganha”; os autonomeados Patrões do Universo creem que sempre possam monopolizar o poder, porque a Rússia – e na sequência a China – acabarão por recuar, para evitar o confronto. Nesse aspecto chave, a região Ásia-Pacífico, hoje, assemelha-se de algum modo à Europa de 1914.

O presidente da China Xi Jinping discursa na abertura da reunião da APEC no International Convention CenterYanqi Lake, em Pequim em 11/11/2014.
(foto: Reuters / Pablo Martinez Monsivais)
Com esse tipo de conversa apresentada como se fosse “análise” nos círculos acadêmicos nos EUA, e com as elites Washington/Wall Street e sua think-tank-lândia míopes ainda agarradas a tolices míticas como o papel “histórico” dos EUA como árbitros da Ásia moderna e equilibradores-chave do poder, não surpreende que a opinião pública ocidental não consiga nem imaginar o impacto gigantesco das Novas Rotas da Seda na geopolítica do jovem século XXI.

Um quarto de século depois da queda do Muro de Berlim, os EUA, para todas as finalidades práticas, ainda são governados por uma oligarquia. A Europa é geopoliticamente irrelevante. A “democracia” foi degradada e já não passa de paródia dela mesma em praticamente todo o Ocidente. O imperialismo “humanitário” – como o imperialismo neoconservador – no Iraque, Líbia, Síria e alhures levou a desastre e mais desastre e sempre. O turbo-capitalismo financeiro é bomba-relógio.

Rússia e China podem não estar propondo sistema alternativo – por enquanto. Mas enquanto os cães da guerra, do ódio, da desigualdade ladram, a caravana China-Rússia passa. A caravana está vendendo a integração econômica da Eurásia – não bombas. A verdadeira integração da região do Pacífico Asiático pode ainda ser sonho distante. Mesmo assim, o que a reunião da APEC mostrou mais uma vez – e há fotos que o comprovam – é a espetacular implosão, em câmera lenta, do domínio geopolítico da nação ex-indispensável.
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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Seu novo livro,  Empire of Chaos, acaba de ser publicado pela Nimble Books.

sábado, 8 de novembro de 2014

Pepe Escobar: “O Admirável Mundo Novo de Obama-Pato-Manco”

7/11/2014, [*] Pepe EscobarAsia Times Online − The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O Pato Manco

Nem bem saído da mais recente surra eleitoral na votação para o Congresso, que lhe aplicou a minoria que se dá o trabalho de votar nos EUA, o ex-mais poderoso líder do mundo, presidente Barack Obama dos EUA, estrelará nesse final de semana um thriller, quando aparecer na mesma sala com o presidente da China Xi Jinping, com Shinzo Abe do Japão e – apertem os cintos! – com Vladimir Putin da Rússia.

“Que chateza!”, deve estar pensando o Bombardeador-em-Chefe. A economia global está um desastre, quase toda ela. A China, embora crescendo “só” 7% ao ano, continua a desbastar a aura de “nação indispensável” dos EUA. O Japão decidiu copiar o Federal Reserve e embarcou em sua própria versão kamikaze do “afrouxamento monetário” [orig. QE(Quantitative Easing)]. Várias nações do sudeste da Ásia continuam a ter chiliques por causa de umas rochas perdidas do Mar do Sul da China.

E, por fim, mas nem por isso menos grave, lá estará também a nêmese de Obama. O amaldiçoado Vlad “A Marreta” Putin, acaba de ser coroado “Mais Poderoso Líder” no mundo – embora pelas razões mais estúpidas (“imprevisível” chefe de estado de um “estado-bandido”) [1] – enquanto ele, o líder laureado com o Prêmio Nobel, o comandante-em-chefe da nação excepcional, indispensável, já não passa hoje de lastimável pato manco.

Vlad - A Marreta
O encontro, que se estenderá da 2ª à 3ª-feira (10-11/11/2014) e será o ponto alto da reunião da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico [orig. Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC)] em Pequim – de fato, fora de Pequim − de modo que céus presumivelmente não poluídos possam ter sua chance nas fotos. É o aniversário de 25 anos da APEC. E o 20º, da cúpula indonésia em Bogor – aliás, eu estava lá – onde, sob o efervescente charme de Bill Clinton, decidiu-se, para as 21 nações membros da APEC, um objetivo de comércio e investimentos “livres” e abertos, à altura do ano 2020. “Livre”, no sentido de “empresas norte-americanas ditam as regras”, é claro.

O que o planeta inteiro realmente quer saber sobre a reunião da APEC é se O Pato Manco ficará face à face com O Urso, um contra um. A Casa Branca, moita: não diz uma palavra. O Kremlin não descartou a possibilidade. Bem... Sempre há um Plano B: a reunião do Grupo dos 20, dias 15-16 de novembro/2014, em Brisbane, Austrália.

O que todo o planeta já sabe é que o novo visguento e escorregadio show que estreará no Capitólio em janeiro de 2015 tem uma alta prioridade: fazer de tudo, o que esteja ao seu alcance, para que o pato manco tenha de implorar piedade a cada passo, e de novo, e de novo. E o que significará isso, em termos da doutrina “Não faça merda coisa estúpida” de política externa que Obama criou para ele mesmo, e que a super-vilã de 2016, conhecida como “A Hillarator” já menosprezou, chamando-o de “princípio de antiorganização”? Só camadas extra de estupidez em quantidades cósmicas, ou algo mais substancial?

Aquele velho eixo do mal 

Comecemos com O Califa [codinome: líder do Estado Islâmico (EI) Abu Bakr al-Baghdadi]. Obama já disse, depois de ter sido eleitoralmente detonado, que pedirá autorização ao Congresso para que sua coalizão dos covardes bombardeie o EI (codinomes: Estado Islâmico do Iraque e Síria (ing. ISIS); Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIL); e Daesh, sigla em árabe da mesma falange).

Abu Bakr al-Baghdadi e seu "Rolex"
Não é movimento perfeitamente idiota. Se o Congresso agora controlado pelos Republicanos diz “sim”, passa a ser responsável pelo fiasco (já é fiasco, hoje). Se diz “não”, o fiasco pode ser atribuído à irresponsabilidade dos Republicanos.

Os Republicanos estão afundados na sua própria divisão interna – os coturnos-em-solo que o establishment deseja, contra o Tea Party não intervencionista. Significa que, afinal de contas, o Pato Manco pode tirar algum proveito da coisa toda.

O Irã é jogada muito mais arriscada. Tudo depende de um acordo nuclear entre o Irã e o P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) a ser firmado em pouco mais de duas semanas, dia 24 de novembro. É empreitada do calibre de escalar acima dos Himalaias, embora possível. O governo Obama quer desesperadamente esse acordo – como o comprova o vazamento de uma “carta secreta” de Obama dirigida ao Líder Supremo do Irã, Aiatolá Khamenei. Mas quer acordo nos termos de Washington, inaceitável para Teerã. [2]

O novo senado dos EUA só toma posse em janeiro. Obama já disse que não pedirá ratificação do acordo pelo Senado. Outra vez, o problema é “mas que acordo?”. A ideia de Obama para um grande design no Oriente Médio é usar uma Teerã “responsável” – pelos padrões dos EUA – para equilibrar a divisão sunitas/xiitas e livrá-lo das atuais guerras à distância, com toda a coisa arbitrada por Washington. É delírio fumado. Mas é o que o pato manco quer.

Desnecessário dizer, os Republicanos – para os quais Teerã nunca deixou de ser parte do “eixo do mal” – fará de tudo para bombardear o sonho, oleogasodutos e tudo, por exemplo, fazendo aprovar leis que impeçam que as sanções chaves sejam levantadas. Vão voar faíscas. Teerã não aceitará acordo nuclear no qual Washington diga que “damos nossa palavra: levantaremos as sanções”. A coisa tem de estar escrita, com todas as letras, no texto do acordo. Afinal, Teerã já tem longa experiência em negociações com os doidos pirados Republicanos no poder.

Quanto à Rússia, nada mudará – também porque o governo Obama precisa de Moscou para conseguir qualquer acordo com Teerã. A demonização incansável de Putin, e o ressurgimento do velho meme da Guerra Fria, “Os Russos estão Chegando”, com certeza continuarão a impelir a estupidez reinante 24 horas por dia, sete dias na semana, até as esferas intergalácticas.

Os Russos Estão Chegando!
A Colina do Capitólio passará a fazer hora extra. Afinal, demonizar a Rússia é esporte bipartidário em Washington. A única “solução” seria mudança de regime. Mas Putin não só não se mudará de onde está, como, além disso, já está subindo o tom do desafio contra o Império do Caos. Implica problemas crescentes com a Alemanha, onde a chanceler Angela Merkel continua a contemporizar com os norte-americanos, enquanto o bussiness alemão só quer saber de mais e mais negócios com a Rússia e com a Eurásia como um todo.

Outro China ganha-ganha?

No comércio, é aí onde a APEC colide com uma versão norte-americana em duas pinças de uma OTAN econômica: a proposta Parceria Transatlântica para Comércio e Investimento [orig. Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP)] com a Europa; e a proposta Parceria Trans-Pacífico [orig. Trans-Pacific Partnership (TPP)] com a Ásia.

O governo Obama combate por, nada menos, um mercado global totalmente não regulado. Imagine o mercado “livre” – do qual Bill “Bubba” Clinton já falava em desfile pela Indonésia há duas décadas – fixando todos os tipos de padrões sobre tudo, desde condições de trabalho até o meio ambiente. Em teoria, é exatamente o que os Republicanos mais amam. Aqui, Obama andará exatamente na trilha deles, o que implica(ria) fácil ratificação no Senado.

Na verdade é muito mais complicado que isso. Os Republicanos simplesmente não admitem que Obama consiga qualquer vitória, vitória alguma. Significa que o próximo Senado não lhe dará a via rápida de que ele precisa para assinar o acordo TPP.

Isso acontece de ser exatamente o que a China quer. Pequim usará a APEC para promover o mapa do caminho para seu próprio acordo comercial anti-TPP: a Área de Livre Comércio do Pacífico-Asiático [orig. Free Trade Area of the Asia-Pacific (FTAAP)]. O acordo proposto daTPP envolve 12 membros da APEC – mas não a China. E mesmo dentro da TPP já há revolta monstro: Tóquio combate os EUA, porque o Japão tem certeza de que sua agricultura e sua indústria automobilística podem ser devoradas pelas corporações norte-americanas.

Transformers
Assim sendo, estamos marchando direto para uma titânica Batalha dos Acordos, em nível de Transformers. De fato, qualquer acordo é problemático, porque China, Japão e Coreia do Sul podem desejar, em princípio, mais ampla cooperação econômica. Mas no comércio, como em tantos níveis, eles combatem furiosamente uns contra os outros – como, por exemplo, na indústria automobilística e na agricultura –, para nem considerar aquela pesada bagagem histórica entre Japão e China e Japão e Coreia do Sul.

A ofensiva chinesa de sedução na APEC em Pequim tem a ver, sobretudo, com “desenvolvimento inovador”, “construir investimentos para infraestrutura” e “ampla conectividade”. É imagem especular das extremamente ambiciosas Novas Rotas da Seda propostas pelo presidente Xi para conectar a Eurásia.

Pequim está propondo uma nova “rede de conectividade” em três áreas chaves – “conectividade física, conectividade institucional e conectividade pessoa-a-pessoa”. Mas ainda ninguém sabe como funcionará na prática, com vistas à integração da Ásia. Washington nem liga; só quer saber de um “livre” megamercado não regulado, para as empresas norte-americanas.

Pequim vê a integração econômica da Ásia, com a APEC facilitando um acordo FTAAP, já em 2025. Desnecessário dizer que os EUA e alguns vassalos a bordo da TPP declararam, sem margem para discussão, que nenhum acordo regional ameaça(ria) a TPP. Washington estava apostando que a TPP já estaria assinada antes da reunião da APEC. Não aconteceu. Então, o Plano B é boicotar o acordo FTAAP até que a TPP esteja assinada. É o que Pequim não deixará acontecer. O pato manco terá mancar muito, de um lado para outro, sobre essa questão, no encontro privado que terão, ele e Xi, em Pequim.

As novas Rotas da Seda idealizadas pela China
Finalmente, o que dizer sobre a batalha entre Obama e o Capitólio, no campo da mudança climática? Para a maioria absoluta dos Republicanos, mudança climática e aquecimento global são conspiração do Demônio. Fim de papo.

O pato manco e o Capitólio podem concordar, pelo menos – e sobre o que mais concordariam?! – no que tenha a ver com a Guerra Global ao Terror. Chuck Hagel, El Supremo do Pentágono e Secretário da Defesa, disse recentemente que os EUA devem estar preparados para guerras sem fim, porque “a tirania”, “o terrorismo”, desafios à segurança nacional e – surpresa! – a mudança climática constituem “ameaça” substancial.

Desde 2002, o Pentágono repete para quem se deu o trabalho de ouvir, que Guerras Sem Fim é o único negócio aberto na cidade – e, pensando bem, no universo. O pato manco talvez até festeje com suas nêmeses Republicanas, no próximo encontro para jogarem golpe. Que maravilha de mundo (de pato manco) seria esse deles!




Notas de rodapé

[1] Putin Vs. Obama: The World's Most Powerful People 2014 [“Putin x Obama: os mais poderosos do mundo 2014”], Forbes, 5/11/2014.
[2] Obama Wrote Secret Letter to Iran's Khamenei About Fighting Islamic State [“Obama enviou carta secreta a Khamenei do Irã, sobre combater o Estado Islâmico”], Wall Street Journal Online (só para assinantes).


[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Seu novo livro,  Empire of Chaos, será publicado em novembro/2014 pela Nimble Books.