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terça-feira, 5 de maio de 2015

ISIL/ISIS/Daesh está na Ucrânia: «Agentes do Caos» dos EUA soltos na Eurásia

3/5/2015, [*] Mahdi Darius NazemroayaStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


EUA/ISIS - Coalisão Terrorista
Estará o chamado Islamic State in Iraque and Syria, ISIS [Estado Islâmico no Iraque e na Síria]/Islamic State in Iraque and the Levant, ISIL [Estado Islâmico no Iraque e no Levante]/Estado Islâmico (EI)/Al-Dawlah Al-Islamiyah fe Al-Iraque wa Al-Sham (DAISH/DAESH) ativo na Ucrânia pós-Maidan? Não há resposta exata, vale dizer: a resposta é “sim” e “não”.

Mais uma vez, o que é esse ISIS/ ISIL/ EI/ DAISH/ DAESH? É um bando não coeso nem homogêneo de várias milícias costuradas juntas, frouxamente, exatamente como a Al-Qaeda que o precedeu. Incluídos nessa rede há grupos do Cáucaso, que lutaram na Síria e no Iraque. Agora estão na Ucrânia, usando essa etapa como trampolim para a Europa.

Os Agentes do Caos e a Guerra pela Eurásia

Os conflitos na Ucrânia, Síria, Iraque, Líbia e Iêmen são, todos, diferentes frentes numa só guerra multidimensional que os EUA e seus aliados fazem contra toda aquela parte do mundo. Essa guerra multidimensional visa a cercar a Eurásia. China, Irã e Rússia são os principais alvos diretos.

Os EUA também mantêm uma sequência de operações mediante as quais planeja tomar esses países. O Irã é o primeiro, depois a Rússia, com a China como última parte desse conjunto eurasiano compreendido nessa Tripla Entente Eurasiana. Não é coincidência que os conflitos na Ucrânia, Síria, Iraque, Líbia e Iêmen aconteçam bem próximos das fronteiras de Irã e Rússia, porque Teerã e Moscou são os alvos de curto prazo de Washington.

Nessa mesma linha da natureza interconectada dos conflitos em Ucrânia, Síria, Iraque, Líbia e Iêmen, há também uma conexão entre as forças violentas, racistas, xenofóbicas e sectárias que foram liberadas como “agentes do caos”. Não é coincidência que a revista Newsweek tenha publicado, dia 10/9/2014, a seguinte manchete: “Voluntários nacionalistas ucranianos cometem crimes de guerra de estilo-ISIS”.

Saibam disso ou não, essas forças desviantes – sejam as ultranacionalistas milícias do Setor Direita na Ucrânia, ou os degoladores da Frente Al-Nusra e o ISIS/ ISIL/ EI/ DAISH/ DAESH na Síria e no Iraque, todos servem ao mesmo patrão. Esses agentes do caos estão disparando diferentes ondas de caos para impedir a integração da Eurásia e o crescimento de uma nova ordem mundial livre da ditadura dos EUA.

Agentes do Caos
Esse «caos construtivo» que está sendo disparado na Eurásia acabará por alcançar também a Índia. Se New Delhi pensa que será deixada em paz, está tolamente errada. Os mesmos agentes do caos lá chegarão, como praga. A Índia também está na alça de mira dos EUA, como China, Irã e Rússia.

Estranhas alianças: o ISIL/ DAESH e os ultranacionalistas na Ucrânia?

Não deve surpreender ninguém que os diferentes agentes do caos estejam alinhados. Servem ao mesmo patrão e têm os mesmos inimigos, um dos quais é a Federação Russa.

Nesse contexto é que Marcin Mamon escreveu sobre a conexão ISIS/ ISIL/ EI/ DAISH/ DAESH na Ucrânia. Em sua reportagem, explica até que alguns dos combatentes vindos do Cáucaso sentem que têm uma dívida com ucranianos da extrema direita como Oleksandr Muzychko.

Mamon é cineasta documentarista polonês, que produziu vários documentários sobre a Chechênia, dentre eles The Smell of Paradise com Mariusz Pilis em 2005, para a BBC. É declaradamente simpático à causa dos chechenos separatistas contra a Rússia no Norte do Cáucaso.

As viagens de Mamon ao Afeganistão e sua interação com os combatentes chechenos resultaram em que o documentarista polonês também teve contatos com o ISIS/ ISIL/ EI/ DAISH/ DAESH dentro da Síria e da Turquia. E esses contatos, sem que o documentarista esperasse, acabaram por levá-lo por nova trilha, até a Ucrânia.

Naquele momento, eu nem sabia com quem me encontraria. Só conhecia aquele Khalid, meu contato na Turquia com o Estado Islâmico [ISIS/ ISIL/ EI/ DAISH/ DAESH], que me dissera que seus irmãos estavam na Ucrânia e que eu podia confiar nelesMamon escreve sobre seu encontro, (...) numa  rua esburacada em Kiev, a leste do Rio Dnieper, numa área conhecida como Margem Esquerda.

Marcin Mamon
Num artigo anterior, Mamon explica que esses ditos

(...) irmãos eram membros do ISIS e de outras organizações, que  estão em todos os continentes, e em praticamente todos os países, e agora estão também na Ucrânia.


Khalid, que usa pseudônimo, lidera o braço clandestino do Estado Islâmico em Istambul. Veio da Síria para ajudar a controlar o fluxo de voluntários que chegavam à Turquia, vindos de todo o mundo, querendo unir-se à jihad global. Naquele momento, ele queria pôr-me em contato com Ruslan, um irmão que lutava com os muçulmanos na Ucrânia.

Ultranacionalistas ucranianos como Muzychko também logo viraram irmãos e foram aceitos nessa rede. Mamon explica que os combatentes chechenos aceitaram Muzychko,

(...) apesar de ele jamais se ter convertido ao Islã  e que  Muzychko, com outros voluntários ucranianos, uniu-se aos combatentes chechenos e lutou na primeira guerra chechena contra a Rússia,  na qual  comandaram um grupo de voluntários ucranianos chamado “Viking”, que combateu sob o comando do famoso líder militante checheno Shamil Basayev.

Por que o ISIL prepara batalhões privados na Ucrânia?

O que significa que separatistas chechenos e a rede transnacional dos chamados irmãos ligados ao ISIS/ ISIL/ EI/ DAISH/ DAESH estejam sendo recrutados ou usados nas fileiras de milícias privadas que estão sendo usadas por oligarcas ucranianos? É pergunta muito importante. E é onde se pode ver claramente como todos esses elementos são agentes do caos.

Isa Munayev
Marcin Mamon viajou à Ucrânia para encontrar o combatente checheno Isa Munayev. O currículo de Munayev é apresentado como segue:

Mesmo antes de chegar à Ucrânia, Munayev já era bem conhecido. Combateu contra forças russas nas duas guerras chechenas; na segunda, comandou a guerra em Grozny. Depois que a capital chechena foi tomada por forças russas, entre 1999 e 2000, Munayev e seus homens refugiaram-se nas montanhas. Combateram ali até 2005, quando Munayev for gravemente ferido e viajou para a Europa para ser tratado. Munayev viveu na Dinamarca até 2014. Então irrompeu a guerra na Ucrânia, e ele decidiu que era hora de voltar a combater outra vez contra os russos.

A passagem acima é importante, porque ilustra o modo como EUA e União Europeia (UE) apoiaram militantes em luta contra a Rússia. Nos EUA e na UE, o refúgio que a Dinamarca deu a Isa Munayev nunca foi contestado; mas o apoio que supostamente Moscou estaria dando aos soldados da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk é tratado como se fosse crime. Por que as duas medidas? Por que EUA, UE e OTAN apoiam movimentos independentistas e milícias armadas em outras partes do mundo, mas reprovam e proíbem que outros países façam o mesmo?

Um homem mais velho, numa jaqueta de couro, apresentou-me a Munayev. “Nosso bom irmão Khalid recomendou esse homem”, disse ele. Khalid é hoje um dos líderes mais importantes do Estado Islâmico. Khalid e Munayev conheciam-se dos anos em que lutaram juntos na Chechêniaexplica Marcin Mamon sobre as conexões entre os separatistas chechenos e ISIS/ ISIL/ EI/ DAISH/ DAESH.


(...) um dos que se desdobrariam em várias dúzias de batalhões privados que brotaram para lutar ao lado do governo ucraniano, operando separados dos militares.

A milícia de Munayev recebeu o nome de Batalhão Dzhokhar Dudayev, em homenagem ao presidente checheno separatista.
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[*] Mahdi Darius Nazemroaya é cientista social, escritor premiado, colunista e pesquisador. Suas obras são reconhecidas internacionalmente em uma ampla série de publicações e foram traduzidas para mais de vinte idiomas, incluindo alemão, árabe, italiano, russo, turco, espanhol, português, chinês, coreano, polonês, armênio, persa, holandês e romeno. Seu trabalho em ciências geopolíticas e estudos estratégicos tem sido usado por várias instituições acadêmicas e de defesa de teses em universidades e escolas preparatórias de oficiais militares. É convidado freqüente em redes internacionais de notícias como analista de geopolítica e especialista em Oriente Médio. 
Recentemente, em viagem pela América Central, contactou a Frente Sandinista de Libertação Nacional, em sua base em León, na Nicarágua. Como Observador Internacional esteve em El Salvador no primeiro turno das eleições. 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Imagética e Império: Para compreender o medo que árabes e muçulmanos inspiram ao “ocidente”

6/4/2015,[*] Mahdi Darius NAZEMROAYAStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O ISIS-ISIL-Daesh, mantido pelos EUA-União Europeia, alinha em seus quadros inúmeros europeus, asiáticos e norte-americanos que não são árabes nem muçulmanos
A noção de que a maioria dos ataques terroristas são cometidos por árabes ou muçulmanos não apenas não tem qualquer fundamento histórico, como, além disso, é argumento sem qualquer comprovação empírica, associado ao moderno Orientalismo, [1] que aí está vivo e forte.

O Orientalismo, por sua vez, é pesadamente associado a ideias norte-americanas sobre a própria “excepcionalidade”. É uma área de pensamento na qual ideias excepcionalistas e racistas coincidem profundamente. Na verdade, há uma linha quase invisível, mas que liga excepcionalismo, racismo e orientalismo.

Numa modalidade de pensamento ultrapassada, linear e geoetnocêntrica, todas as sociedades que vivam a leste e ao sul dos EUA, Canadá e Europa Ocidental — particularmente da França, Grã-Bretanha e dos países falantes de alemão – são vistas como deficientes e inferiores. Na Europa, significa que todos a leste da Alemanha são tacitamente ou escancaradamente pintados como culturalmente atrasados. São os países dos Bálcãs, os povos eslavos, albaneses, gregos, turcos, romenos, cristãos ortodoxos e as repúblicas ex-soviéticas.

Pelas leis do pensamento orientalista nos EUA, povos não europeus aparecem localizados ainda mais abaixo desse mesmo totem. São os povos da África, América Latina e Caribe. 

A Primavera Árabe começou na Tunísia
Como nas atitudes excepcionalistas, as ideias orientalistas são importantes para garantir apoio à política exterior e às guerras de Washington, apresentadas como se se tratasse de empreitadas muito nobres. As atitudes orientalistas dos EUA veem o resto do mundo, do México ao Iraque e Rússia, como carentes da tutela e das atenções dos EUA. É como uma reconstrução do que se chamou o fardo do homem branco, conceito usado para justificar a colonização de todos que fossem definidos como não brancos.

O relacionamento entre terrorismo e árabes e muçulmanos

Árabes e muçulmanos são alvos preferenciais do orientalismo norte-americano. Seja tácito ou extensivo, ambos, árabes e muçulmanos são pintados como seres localizados abaixo do limiar da civilização, não civilizados nesse sentido. O terrorismo está profundamente associado a imagens de árabes e muçulmanos na mente de muitos norte-americanos; isso, porque os norte-americanos foram adestrados a pensar que a maioria dos terroristas são árabes ou muçulmanos.

Em diferentes graus, sempre que muçulmanos ou árabes étnicos cometem crimes na chamadas sociedades ocidentais, como o Canadá ou os EUA, a avaliação tácita ou ostensiva “declara” que o crime foi cometido por todos os muçulmanos e todos os árabes coletivamente. Os traços ou os contextos de vida árabes e muçulmanos daqueles criminosos são usados para explicar os crimes que tenham cometido. Crimes cometidos por indivíduos árabes ou muçulmanos não são apresentados como crimes de indivíduos criminosos, mas como crimes de uma coletividade apresentada como coletivamente criminosa. Essas noções ignoram os fatos de que os muçulmanos são as maiores vítimas do terrorismo.

2014 Global Peace Index
(clique na imagem para aumentar)
Sete dos dez países mais violentamente agredidos por ataques terroristas são predominantemente muçulmanos, segundo o Índice de Terrorismo Global definido peloInstitute for Economics and Peace, com sede na Austrália, para 2014, que tem base no banco de dados de terrorismo global da Universidade de Maryland. Trabalhando com dez como valor máximo e zero como valor mínimo, toda a comunidade internacional é sistematicamente distribuída num ranking. Embora a definição de incidentes terroristas no banco de dados de terrorismo global da Universidade de Maryland seja muitíssimo discutível, ainda assim é possível fazer algumas inferências importantes a partir desse conjunto de dados e do índice de Terrorismo Global do Institute for Economics and Peace.

Vários traços são bem visíveis, se os leitores analisam a natureza e as identidade dos perpetradores do que se classifica como atos de terrorismo nos 30 principais países dos que compõem o Índice de Terrorismo Global para 2014. O primeiro desses traços é que a violência gerada por aqueles grupos terroristas cai no contexto de insurreições e guerras civis que são tratadas em geral, como atos de terrorismo. Por exemplo, é o caso de países como Somália, Filipinas, Tailândia, Colômbia, Turquia, Mali, República Democrática do Congo e Nepal, que ocupam respectivamente os lugares 7º, 9º, 10º, 16º, 17º, 22º e 24º. Examinados de perto, várias dessas insurgências podem ser associadas a rivalidades internacionais e jogos de poder jogados por EUA e aliados. Quanto mais se examina, mais essa ideia se confirma.

O segundo traço é que a maioria desses casos de terrorismo nos países que aparecem no Índice, especialmente os que ocupam os lugares superiores do ranking, é que todos estão conectados direta ou indiretamente à interferência de Washington. Por exemplo, é o caso do Iraque, do Afeganistão ocupado pela OTAN, do Paquistão, da Síria, da Somália, do Iêmen, da Rússia, do Líbano, da Líbia, da República Democrática do Congo, do Sudão, do Sudão Sul, China e Irã, que aparecem, respectivamente, nos seguintes lugares do ranking: 1º, 2º, 3º, 5º, 7º, 8º, 11º, 14º, 15º, 18º, 19º, 20º, 25º e 28º.

Intervenções do Pentágono
As guerras dos EUA, as intervenções pelo Pentágono, os golpes engendrados e apoiados pelos EUA ou o apoio do governo dos EUA aos chamados grupos “de oposição” ou regimes fantoches, têm sido, todos esses fatores, uma base a partir da qual o terrorismo passa a atingir como praga aqueles mesmos países.

Além dos países listados acima, segundo o Global Terrorism Index, 82% das mortes globais são atribuídas a atos de terrorismo acontecidos no Afeganistão ocupado pela OTAN, Iraque, Paquistão, Síria e Nigéria. Os laços com a política externa dos EUA são muito evidentes.

Nem todos os árabes/muçulmanos são terroristas, mas a maioria dos terroristas são árabes/muçulmanos?

É voz corrente que, ainda que nem todos os terroristas sejam árabes ou muçulmanos, a maioria dos terroristas seriam árabes ou muçulmanos. Verdade, ou apenas mais um mito? Exame dos dados empíricos reunidos nos EUA e na Europa ajudarão a responder essa pergunta.

Nos EUA, que aparece em 30º lugar no Índice de Terrorismo Global de 2014, a maioria dos terroristas são não muçulmanos, segundo dados do FBI. Dentro dos EUA, apenas 6% dos casos de terrorismo, de 1980 a 2005, foram cometidos por terroristas muçulmanos [2]. Os demais 94% dos casos de terrorismo e atos terroristas — quer dizer: a ampla maioria – não têm qualquer relação com árabes, muçulmanos ou com o Islã. [3]

Por mais que seja questionável a metodologia do FBI para determinar o que seja um ataque terrorista, temos de aceitá-la aqui, para poder argumentar. Segundo o mesmo relatório doFBI, houve mais ataques terroristas lançados por judeus do que por muçulmanos, entre 1980 e 2005, em solo dos EUA.

-- Eu não negocio com terroristas
-- Eu dou tudo o que eles querem
Os mesmos dados do FBI foram compilados pelo website loonwatch.com, “linkado” pela Universidade Princeton (EUA), num quadro que analisa como segue os casos de ataques terroristas em solo dos EUA entre 1980 e 2005: 42% terrorismo hispânico; 24% terrorismo de extrema esquerda; 16% de outros tipos de terroristas que não se enquadram nas demais principais categorias; 7% terroristas judeus; 6% terroristas muçulmanos; e 5% terroristas comunistas. [4]

Se terroristas muçulmanos são responsáveis por 6% dos ataques em solo norte-americano de1980 a 2005, terroristas judeus e hispânicos foram responsáveis, respectivamente, por 7% e 42% dos ataques terroristas em solo norte-americano no mesmo período. Não há qualquer pânico generalizado contra judeus nem contra hispânicos. Os olhos das mídia-empresas e dos governos não se focam nesses grupos, como se focam nos árabes étnicos e nos muçulmanos.

E o mesmo padrão repete-se na União Europeia. A página loonwatch.com  também compila dados sobre terrorismo na União Europeia, a partir dos relatos do Gabinete de Polícia da União Europeia [orig. European Union’s European Police Office (Europol)] de 2007, 2008 e 2009, no seu Relatório Anual da Situação e Tendências do Terrorismo na União Europeia [orig. EU Terrorism Situation and Trend Reports]. [5]

Os dados, nesse caso, põem os muçulmanos a distância ainda maior dos atos terroristas. 99,6% dos atos terroristas na União Europeia foram cometidos por não muçulmanos.[6] O número de ataques falhados, abortados ou bem-sucedidos realizados por muçulmanos na União Europeia, de 2007 a 2009 é de apenas cinco ataques; e houve 1.352 ataques terroristas por grupos europeus separatistas – aproximadamente 85% de todos os incidentes de terrorismo na União Europeia. [6]

Segundo a Europol, houve 104 ataques falhados, abortados ou bem-sucedidos realizados por grupos chamados “de esquerda”, e houve outros 52 ataques classificados como não específicos [7]. No mesmo período, houve dois ataques que a Europol classificou como terrorismo de direita. [8]

Há enorme disparidade entre quem está causando e cometendo atos terroristas, e os que morrem e são acusados dos crimes. Apesar de os fatos sinalizarem eloquentemente outra direção, quando árabes ou muçulmanos cometem crimes, os criminosos são identificados por etnia e por religião. Mas não é o que acontece quando os criminosos são não árabes ou não muçulmanos.

ISIS-ISIL-Daesh, "Califa" Ibrahim al-Baghdadi
Por mais que o orientalismo já reconheça que os muçulmanos são as principais vítimas do terrorismo, o mesmo orientalismo ainda manobra para fazer cair alguma culpa sobre as próprias vítimas, ao apresentá-las tacitamente como membros de sociedades selvagens, ou de sociedades já próximas de conhecerem destino violento, como animais na selva.

Imagética e Império

Em todo o mundo, as ilusões estão em plena operação. A verdade foi posta de cabeça para baixo. Vítimas são denunciadas como criminosos.

Apareça declarada ingenuamente, implícita ou subentendida, a noção de árabes e muçulmanos como selvagens e terrorista tem papel significativo na imagística do chamado “mundo ocidental”, a mesma na qual o dito “ocidente” significa(ria) igualdade, liberdade, direito de escolha, civilização, tolerância, progresso e modernidade, ao mesmo tempo em que o chamado “mundo árabe muçulmano” é como um submundo, onde reinam a desigualdade, as proibições, a tirania, nenhum direito de escolha, selvageria, intolerância, atraso e primitivismo.

Essa imagética serve, de fato, para despolitizar a natureza política das tensões. Como que “desinfeta” as ações do império, a diplomacia por coerção contra o Irã; o apoio à mudança de regime na Síria; as invasões contra Afeganistão e Iraque; a intervenção militar dos EUA na Somália, Iêmen e Líbia. Como já mencionado, essa imagética, em diferentes graus, estende-se a outros espaços, que são vistos pelos orientalistas norte-americanos como espaços ou entidades não ocidentais – como está acontecendo hoje com Rússia e China.

Imperialismo
Nas raízes, essa imagética é realmente parte de um discurso que sustenta um sistema de poder que “autoriza” o império a exercer seu poder sobre os “de fora” e também contra os próprios cidadãos nos EUA. É por causa da política externa e de interesses dos EUA que árabes e muçulmanos, contra todas as pesquisas, investigações e provas, são apresentados como terroristas. E apagam-se do mundo todos os dados e fatos comprovados, que mostram que o grande fator que produz terrorismo e terroristas é, sempre e em todos os lugares, a intervenção norte-americana.

Por isso é que se mantém uma fixação obcecada no ataque ao Parlamento no Canadá, na crise dos reféns de Martin Place em Sidney, no ataque à redação de Charlie Hebdo em Paris. E absolutamente nenhum analista, nenhum colunista, nenhum jornalista, nenhum “especialista” fala do apoio que os governos dos EUA, do Canadá, da Austrália e da França continuam a dar aos terroristas e ao terrorismo, e que está custando dezenas de milhares de vidas na Síria.

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Notas de rodapé

[1] Para saber o que é, vide SAID, Edward W. [1078] ORIENTALISMO. O Oriente como invenção do Ocidentetrad. Rosaura Eichenberg, São Paulo: Companhia das Letras. (NTs)

[2] Federal Bureau of Investigation, Terrorism 2002-2005, (US Department of Justice, 2006): pp.57-66.

[3] Ibid.

[4] All Terrorists are Muslims…Except the 94% that Aren’t [Todos os terroristas são muçulmanos, exceto os 94% que não são], 20/1/2010.

[5] Europol Report: All Terrorists are Muslims…Except the 99.6% that Aren’t [“Todos os terroristas são muçulmanos, exceto os 99,6% que não são”], 28/1/2010.

[6] [7] [8]European Police Office, EU Terrorism Situation and Trend Report 2007 (The Hague, Netherlands: Europol, March 2007); European Police Office, EU Terrorism Situation and Trend Report 2008 (The Hague, Netherlands: Europol, 2008); European Police Office, EU Terrorism Situation and Trend Report 2009 (The Hague, Netherlands: Europol, 2009).
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[*] Mahdi Darius Nazemroaya é cientista social, escritor premiado, colunista e pesquisador. Suas obras são reconhecidas internacionalmente em uma ampla série de publicações e foram traduzidas para mais de vinte idiomas, incluindo alemão, árabe, italiano, russo, turco, espanhol, português, chinês, coreano, polonês, armênio, persa, holandês e romeno. Seu trabalho em ciências geopolíticas e estudos estratégicos tem sido usado por várias instituições acadêmicas e de defesa de teses em universidades e escolas preparatórias de oficiais militares. É convidado freqüente em redes internacionais de notícias como analista de geopolítica e especialista em Oriente Médio.
Recentemente, em viagem pela América Central, contactou a Frente Sandinista de Libertação Nacional, em sua base em León, na Nicarágua. Como Observador Internacional esteve em El Salvador no primeiro turno das eleições.

domingo, 5 de abril de 2015

Hezbollah estará empurrando a guerra saudita de volta ao poleiro de onde nunca deveria ter saído?


Unidades do Hezbollah movimentam-se em território saudita


3/4/2015, [*] Gordon DuffVeterans Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



O vídeo acima mostra uma unidade do Hezbollah saindo do Iraque e entrando na Arábia Saudita. Vê-se no filme uma instalação militar saudita.

O que se ouve é o seguinte:

Unidades do Hezbollah há muito tempo infiltradas na Arábia Saudita estão já mais do que preparadas para empurrar de volta para a Arábia Saudita a guerra dos sauditas contra o Iêmen. O movimento dos sauditas no sul contra o Iêmen deixa claro que, apesar dos protestos, a Arábia Saudita está mais do que acertadíssima com o ISIS.

vídeo no fim do parágrafo foi preparado para o reino da Arábia Saudita depois do 11/9. Discutem-se questões de vulnerabilidades chaves que têm impacto no planejamento estratégico dos sauditas, e razões pelas quais podem talvez aliar-se ao ISIS, à frente Al-Nusra e à Fraternidade Muçulmana.


Por esse segundo vídeo, que encontrei numa fita VHS dentro de uma caixa deixada embaixo da escada do meu porão, nossos amigos na Arábia Saudita dependiam, para sua segurança, de uma presença dos EUA no Iraque. Quando os norte-americanos saíram, quem passou a dar segurança à Arábia Saudita foi – ou parece ter sido – o ISIS.

Agora que a Arábia Saudita planeja fazer-se de polícia no Iêmen, embora só de bem longe, do céu, veremos o quanto lhes interessa sujar as mãos no chão, em solo.

Talvez seja preciso refrescar a memória dos leitores: o “governo do Iêmen” que renunciou e fugiu e voou para a Arábia Saudita foi “legitimado” por uma “revolução colorida” em 2012, com 98% dos votos em eleição em que havia candidato único, eleito por “65% dos votos” metidos nas urnas por 5% da população (eleitores cadastrados). 

O que quero dizer é o mesmo que venho dizendo há muito tempo sobre a Ucrânia: não se trata de novo golpe contra novo governo iemenita, que não há nem nunca houve. Trata-se dos restos esfarrapados do mesmo golpe anterior que fracassou, que simplesmente não deu certo. O que a mídia-empresa “noticia” são só mentiras e mais mentiras. E assim vamos...
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[*] Gordon Duff é um veterano de combate Marinha de Guerra dos EUA no Vietnã. Obteve baixa por deficiência (ferimento de guerra) e passou a trabalhar ajudando outros veteranos e no tratamento de prisioneiros de guerra durante décadas. É diplomata acreditado e aceito como um dos maiores especialistas do mundo em Inteligência Global. Administra a maior organização privada de inteligência do mundo e é consultado regularmente por governos em questões de segurança. Viaja extensivamente, é publicado em todo o mundo e convidado usual em programas de entrevistas em TV e rádio nos mais diversos países. Também é “chef de cuisine”, entusiasta de vinhos, motociclista e armeiro especializado em armas históricas e restauração. Sua experiência em negócios e interesses estão nas áreas de Energia e Tecnologia de Defesa.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Pepe Escobar: Irã e EUA entrecruzam-se no “Siriaque”

11/3/2015, [*] Pepe EscobarRussia Today–RT
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

SIRIAQUE
Na 4ª-feira (11/3/2015), na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, aconteceu debate carregado de suspense. Imaginem o Secretário de Estado, John Kerry, o novo supremo do Pentágono, Ashton Carter, e o Comandante do Estado-Maior dos EUA general Martin Dempsey, todos reunidos na mesma sala, para depor.

O cerne do assunto: um Castelo de Cartas [orig. House of Cards], desculpe, o Congresso dos EUA, ruminando o que há de real por trás da proposta do governo Obama de usar “força militar” na Síria, ou impor uma zona aérea de exclusão para proteger os “rebeldes” sírios.

Obama na verdade tem um “enviado especial da presidência” para a Coalizão (orwelliana) Global Contra o ISIL; é o general aposentado da Marinha, John Allen.

Allen jura que os EUA “protegerão” os “rebeldes” sírios treinados e armados por Washington; e é a favor de uma zona aérea de exclusão sobre o norte da Síria.

O enviado só faz papagaiar “A Voz do Dono”, cujo governo autodefinido como “Não façam merda coisa estúpida” está certo de que conseguirá aprovação para o projeto de lei que autoriza a usar força militar na Síria atualmente no Castelo de Cartas [orig. House of Cards], desculpe, no Congresso dos EUA.

Uma zona aérea de exclusão é precisamente o que o Sultão de Constantinopla, digo, o Presidente, Tayyip Erdogan, da Turquia, advoga desde sempre. O plano máster do “sultão” Erdogan é solidificar uma base para a oposição síria (armada) lutar contra não só o ISIS/ISIL/Daesh, mas também todas as Forças Armadas Sírias comandadas pelo presidente Bashar al-Assad.

O Ministro do Exterior da Turquia, Ahmet Davutoğlu já esteve na mídia, repetindo que os “rebeldes” sírios devem fazer exatamente isso. Mas... Ancara, temos um problema!

O Pentágono agora anda repetindo, via o porta-voz, Sub-Almirante John Kirby, que “o componente sírio dessa campanha é componente anti-Estado-Islâmico. O foco é esse, não o regime Assad. Nada mudou (...) na política de que não haverá solução militar dos EUA contra Assad”.

Assim sendo, há uma charada de desinformação, ou é Erdogan que vive numa Terra da Fantasia. De fato, pode bem ser mais um caso de “policial bonzinho” e “policial mauzão”.

E ainda no setor do policial mauzão, nada supera os “nossos félasdaputa” das monarquias do Golfo Pérsico.

Agentes da inteligência do Qatar já se reuniram com ninguém menos que o líder da frente al-Nusra na Síria, Abu Mohamad al-Golani, com aquela proverbial oferta que ele não pode recusar: você desiste do link direto com a al-Qaeda, e nós fazemos chover sobre você um tsunami de dinheiro.

Terroristas do ISIS/ISIL/Daesh na Síria
Não importa que a Frente al-Nusra seja considerada organização terrorista “do–mal”, pelo Departamento de Estado dos EUA. O Qatar, afinal, nunca afastou o pé de sua obsessão com “Assad tem de sair”, diferente do governo Obama. Assim sendo, o fim justifica os meios.

Enquanto isso, o “Império do Caos” mantém viva a manchete ambivalente de uma Coalizão Global que estaria em luta contra o ISIS/ISIL/Daesh – com a agenda de debilitar Assad, agora adiada.

Na Síria, conselheiros militares iranianos estão em coordenação com o Exército Árabe Sírio e experientes combatentes do Hezbollah e milicianos xiitas do Iraque.

Dado que não há mais qualquer “oposição síria moderada” – a última que restava já se bandeou para o lado do falso Califato – a agenda nada oculta do Império do Caos sob a autorização para “uso de força militar” será manter um punhado de “rebeldes” selecionados e armados pela CIA, só para manter a pressão sobre Damasco. Mas agora já é bem óbvio que não é algum “Império do Caos”, mas a aliança do Exército Árabe Sírio, combatentes do Hezbollah e milícias xiitas supervisionadas pelo Irã, que derrotarão o falso Califato.

Aquele “rock star” iraniano

Algo bem semelhante está acontecendo no teatro iraquiano. O Ministro de Defesa do Iraque, Khaled al-Obeidi, jura que Bagdá está bastante “confortável” com a ajuda que está obtendo de Teerã para realmente combater em campo contra ISIS/ISIL/Daesh.

E isso nos leva ao verdadeiro coração do assunto – o complexo balé que Washington e Teerã dançam no “Siriaque”. O poder que está realmente encurralando e submetendo o falso Califato em campo no Iraque não é a “hiperpotência”, mas o Irã – que está oferecendo apoio tático, estratégico e aéreo a Bagdá.

Uma vez que o exército iraquiano treinado pelos EUA está reduzido à mais total confusão, quem está encarregado dos combates mais pesados são as milícias. Há pelo menos 100 mil combatentes de milícias iraquianas totalmente mobilizados por poderosos clérigos xiitas para fazer uma contra–jihad, contra o falso Califato que rotula os xiitas de apóstatas cujo único destino justo seriam os sete palmos de chão.

General Qasem Soleimani
O comandante dessa contra-jihad é ninguém menos que aquele verdadeiro “rock star” no Irã, general Qasem Soleimani, Comandante da Força Quds de elite. Soleimani está em todos os canais de TV e rádios e jornais, tanto no Irã como no Iraque. Sua mais recente aparição foi em Samarra, ativamente encorajando os milicianos e os soldados iraquianos a combater contra os bandidos do Califa Ibrahim.

Por trás de Soleimani, veem-se dois personagens essenciais – Hadi al Ameri e Abu Mahdi Mohandes.

Ameri é ex-Ministro dos Transportes do governo do ex-Primeiro-Ministro, Nouri al-Maliki; agora, está no comando da principal milícia de iraquianos, a Brigada Badr.

Mohandes, ex-membro exilado da oposição a Saddam, é também ex-membro do Parlamento. Agora é uma espécie de mão direita de Soleimani – responsável também por supervisionar a volta dos sunitas a cidades já arrancadas da mãos do ISIL/ISIS/Daesh.

Esses são os comandantes e as forças que estão bem próximos de tomar Tikrit, o ex-privilegiado ninho do clã de Saddam Hussein, a menos de 200 km no norte de Bagdá. Tão logo Tikrit seja tomada, o caminho é curto até Mosul, população de 1,5 milhão, e que já deverá estar liberada no final da primavera.

O principal resumo da história: o “Império do Caos” está fazendo rigorosamente NADA para arrancar do Iraque o ISIS/ISIL/Daesh – além de o general Martin Dempsey pedir que o governo de Bagdá “reconcilie-se” com os sunitas e “explique” suas relações a Teerã.

Que tal explicar que eles é quem realmente estão nos ajudando a nos livrar do câncer que os EUA tanto contribuíram para aumentar e aumentar, e que os EUA, nos últimos tempos, só fazem repetir sandices?

Total pandemônio de pleno espectro

O governo de Obama, autodescrito como “Não faça merda coisa estúpida”, com sua atrabiliária política exterior, está enlouquecendo totalmente os verdadeiros Masters of the Universe que controlam o verdadeiro atual sistema mundo.

Aleppo, norte da Síria quase destruída pelo ISIS/ISIL/Daesh
Não surpreende, porque ninguém aí tem sequer alguma mínima ideia do que realmente deseja alcançar no “Siriaque”.

A Corporação RAND até que tentou esclarecer alguma coisa sobre quais seriam os objetivos.

Na sequência, o Conselho de Relações Exteriores indiretamente enfiou, de vez, os pés pelas mãos. A única saída seria arregimentar uma “coorte de sábios” – Henry Kissinger, Brent Scowcroft, Zbigniew Brzezinski e James Baker – para pôr em ordem a casa imperial. Foi a “ideia” que Andrew Bacevich dinamitou totalmente. [1]

Assim sendo, o que está(ria) realmente acontecendo? Está acontecendo que a nova Nova Estratégia de Segurança Nacional [ing. National Security Strategy] do governo Obama é deliberadamente vaga. Exalta os méritos da Coalizão Global – na verdade, não passa do “Império do Caos” aliado com “nossos” félasdaputa no Golfo Persa – para, mais ou menos, dar combate, só um pouco, ao ISIL/ISIS/Daesh; não acabar com eles, assim, às veras; só incomodar perpetuamente por ali, na “região”, para que continuem perpetuamente a enfraquecer Damasco.

Outras facções em Washington porém prefeririam ver o falso Califato “contido e destruído” primeiro no Iraque e depois na Síria; esses aceitam o apoio clandestino que Washington dá ao trabalho do Irã.

O Supremo do Pentágono, Ashton Carter, pode estar desenvolvendo roteiro particular seu. Só faz falar mal dos “especialistas” da avenida Beltway e agentes no Oriente Médio como o Embaixador dos EUA na Síria e conhecido agente de “Assad tem de sair” Robert Ford, que agora trabalha para (e quem mais seria?!) o AIPAC. Importante relembrar que o AIPAC considera o Irã, a Síria de Assad e o Hezbollah piores que a peste negra, e não acha que o ISIS/ISIL/Daesh seja ameaça a Israel.

A Coalizão Global, enquanto isso, mantém viva a ficção de que está(ria) bombardeando o falso Califato para acabar com ele. Mas quem está realmente vencendo a batalha em campo no “Siriaque” são as forças coordenadas pelo Irã.

É ingenuidade imaginar que, por seguir o curso em que está hoje, o “Império do Caos” necessariamente estaria desacelerando a demonização cruzada de Síria, Irã e Rússia.

“Assad tem de sair” é slogan que nunca saiu completamente do mapa do caminho. Uma détente real com o Irã depende de se haverá ou não acordo nuclear nesse verão – e Obama só faz aumentar a pressão com novas demandas que aparecem todos os dias. A demonização da Rússia só ficará cada vez mais vociferante.

Área residencial de Aleppo bombardeada pelo ISIS/ISIL/Daesh
O que mais intriga é que até generais-estrelas do Pentágono já estão enterrando as “conclusões” nada lógicas do pensamento rumsfeldiano (“Revolution in Military Affairs”  (RMA)]), segundo os quais um Pentágono high-tech sempre derrotaria facilmente qualquer inimigo.

Só que... bem... a RMA foi completamente derrotada em campo pelos afegãos e pelos iraquianos. E nada há que ela possa fazer contra os “irregulares” do ISIL/ISIS/Daesh. Implica que adeus Dominação de Pleno Espectro, se já se sabe que o único desastre que a tal dominação conseguiu completar foi destruir a Líbia com um misto de bombas da OTAN e um bando de jihadistas dementes.

Nota dos tradutores
[1] Imperdível, também 4/3/2015, redecastorphotoTrês diabos-velhos senis & o fascismo de Vestfália, Wayne Madsen, Strategic Culture (traduzido).
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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: SputinikTom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Adquira seu novo livro, Empire of Chaos, que acaba de ser publicado pela Nimble Books.