quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Serenata dos Trapaceiros: Surge um Novo Golpe

29/11/2013, [*] Paul Craig Roberts – IPE – Institute for Political Economy
Traduzido por João Aroldo


Timothy Geithner
O ex-secretário do Tesouro, Timothy Geithner, um protegido dos Secretários do Tesouro, Rubin e Summers, recebeu sua recompensa por continuar a política de Rubin-Summers-Paulson de apoiar os “bancos grandes demais para falir” à custa da economia e do povo americano. Pelo seu serviço para o punhado de bancos gigantescos, cuja existência atesta o fato de que a Lei Anti-Truste é uma lei de letra morta, Geithner foi nomeado presidente e diretor-gerente da empresa de private equity, a Warburg Pincus, e está a caminho da sua fortuna.

Paul Warburg 
Um cunhado de Warburg financiou a campanha presidencial de Woodrow Wilson. Parte da recompensa foi a nomeação por Wilson de Paul Warburg ao primeiro Federal Reserve Board. A relação simbiótica entre presidentes e banqueiros tem continuado desde então. O mesmo pequeno grupo continua a exercer o poder financeiro.

A carreira de Geithner é ilustrativa. Na década de 1980, Geithner trabalhou para Kissinger Associates. Em meados dos anos 1990, Geithner serviu como secretário do Tesouro adjunto. Sob Rubin e Summers, ele foi promovido a subsecretário do Tesouro.

Do Tesouro ele foi para o Council on Foreign Relations e de lá para o Fundo Monetário Internacional (FMI). De lá, ele foi nomeado presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, onde trabalhou para tornar os bancos mais rentáveis, permitindo índices mais elevados de dívida para o capital, contribuindo assim para a crise financeira.

Geithner organizou a venda da fima falida de Wall Street, Bear Stearns, ajudou no salvamento da AIG com dinheiro do contribuinte e rejeitou salvar o Lehman Brothers da falência, a fim de criar a atmosfera de crise necessária para mais completamente subordinar a política econóômica dos EUA às necessidades de poucos grandes bancos.

Rubin, um veterano de 26 anos da Goldman Sachs, foi recompensado pelo Citibank pelo seu serviço aos bancos como secretário do Tesouro com um pacote de 50 milhões de dólares de compensação em 2008 e 126 milhões de dólares entre 1999 e 2009.

Quando uma pessoa se torna um funcionário do Tesouro, é claro que a escolha é entre servir aos bancos e ficar rico ou tentar servir o público e ficar pobre. Poucos fazem a última escolha.

Michael Hudson
Como Michael Hudson nos informou, o objetivo do setor financeiro sempre foi o de converter toda a renda, dos lucros das empresas às receitas fiscais do governo, para o serviço da dívida. Do ponto de vista dos banqueiros, quanto mais dívidas mais ricos ficam os banqueiros. Rubin, Summers, Paulson, Geithner, e agora o banqueiro secretário do Tesouro, Jack Lew, servem fielmente este objetivo.

O Federal Reserve descreve sua política de quantitative easing - a criação de nova moeda com a qual o Fed compra títulos do Tesouro e títulos lastreados por hipotecas - como uma política de baixas taxas de juros, a fim de estimular o emprego e o crescimento econômico. Os economistas e a mídia financeiros repetiram esta ladainha.

Por outro lado, eu tenho exposto o QE como um esquema para injetar lucros nos bancos e impulsionar seus balanços. O propósito real do QE é fazer subir os preços dos derivativos relacionados à dívida nos balanços dos bancos, mantendo, assim, os bancos com balanços positivos.

Andrew Huszar
Escrevendo no Wall Street Journal (“Confessions of a Quantitative Easer”, 11 de novembro de 2013), Andrew Huszar confirma a minha explicação como correta. Huszar é o funcionário do Federal Reserve que implementou a política de QE. Demitiu-se quando percebeu que os efeitos reais do QE era elevar os preços dos títulos de dívida dos bancos, para fornecer aos bancos trilhões de dólares a custo zero para emprestar e especular, e para fornecer aos bancos “gordas comissões de corretagem da maior parte das transações QE do Fed.

Este vasto golpe permanece desconhecido pelo Congresso e pelo público. Na Conferência de Pesquisa do FMI em 8 de novembro de 2013, o ex-secretário do Tesouro, Larry Summers, apresentou um plano para expandir o golpe.

Summers diz que não é suficiente só dar aos bancos dinheiro sem juros. Mais deve ser feito pelos bancos. Em vez de receberem juros sobre seus depósitos bancários, as pessoas devem ser penalizadas por manter seu dinheiro nos bancos, em vez de gastá-lo.

Para vender este novo esquema extorsivo, Summers veio com uma explicação baseada no keynesianismo cru e desacreditado da década de 1940 que explicava a Grande Depressão como um problema causado pelo excesso de poupança. Em vez de gastar seu dinheiro, as pessoas o esconderam, fazendo, assim, a demanda agregada e emprego caírem.

Larry Summers
Summers diz que hoje o problema do excesso de poupança reapareceu. A peça central do seu argumento é “a taxa de juros natural”, definida como a taxa de juro com a qual o pleno emprego é estabelecido pela igualdade de poupança com investimento. Se as pessoas poupam mais do que os investidores investem, o dinheiro poupado não vai encontrar o seu caminho de volta para a economia, e a produção e o emprego cairão.

Summers nota que, apesar de uma taxa real de juros zero, ainda há desemprego substancial. Em outras palavras, nem mesmo uma taxa zero de juros pode reduzir a poupança para o nível de investimento, frustrando, assim, uma recuperação de pleno emprego. Summers conclui que a taxa de juros natural tornou-se negativa e ficou presa abaixo de zero.

Como corrigir isso? A maneira de corrigi-lo, Summers diz, é cobrar das pessoas por poupar dinheiro. Para evitar os encargos, as pessoas iriam gastar o dinheiro, reduzindo, assim, a poupança para o nível de investimento e restaurando o pleno emprego.

Summers reconhece que o problema com a sua solução é que as pessoas tirariam seu dinheiro dos bancos e manteriam em dinheiro vivo. Em outras palavras, a forma do dinheiro em espécie oferece aos consumidores uma liberdade para economizar que mantém o consumo baixo e impede o pleno emprego.

Summers tem uma correção para isso: eliminar a liberdade através da imposição de uma sociedade sem dinheiro, onde o dinheiro é só eletrônico. Como o dinheiro eletrônico não pode ser acumulado com exceção dos depósitos bancários, as penalidades podem ser impostas para forçar a poupança improdutiva em consumo.

O esquema de Summers é, claro, descuidado. Com os governos mantendo enormes déficits, quem iria comprar títulos com taxas de juros negativas? Como os fundos de pensão e aposentadoria iriam operar? Será que eles também estão sujeitos a um confisco anual?

Paul Krugman
Sabemos que a resposta dos consumidores para o declínio da renda real familiar média a longo prazo, à perda de postos de trabalho pela arbitragem de trabalho através das fronteiras nacionais (exportação de empregos), ao aumento da pobreza, cortes na rede de segurança social, a transformação de postos de trabalho em tempo integral para empregos de meio período (resposta dos empregadores para o Obamacare), tem sido a de reduzir a sua taxa de poupança.

Na verdade, poucos têm alguma economia. A taxa de poupança pessoal dos EUA é atualmente de 2 pontos percentuais, cerca de 30%, abaixo da média de longo prazo. Aposentados, incapazes de ganhar qualquer juro sobre suas economias pela política de taxas de juro zero do Fed, estão sendo obrigados a sacar suas economias, a fim de pagar suas contas.

Além disso, não está claro se a taxa de poupança é uma medida exata ou apenas um residual de outros cálculos. Com tanta gente tendo que sacar suas economias, eu não ficaria surpreso se uma medida precisa mostrasse a taxa de poupança pessoal como negativa.

Mas para Summers a situação do consumidor não é o problema. O problema é o lucro dos bancos. Summers tem a solução e o establishment, incluindo Paul Krugman, o está aplaudindo. Quando a economia despencar oficialmente novamente, fique atento.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. 

Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus   o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Sobre a Ucrânia-2013: DELETEM Demétrio Magnoli & Grillo & Globo News!


3/12/2013, Comunicado da Vila Vudu

“Eu pago! Eu exijo informação que preste!”



Sem legenda
A Vila Vudu NÃO TOMA CONHECIMENTO do que publicam os jornais-TVs-empresas brasileiros (porque só fazem repetir, diluindo ainda mais qualquer-porcaria da propaganda pró-EUA que as agências norte-americanas distribuem), nem damos qualquer bola para os doutoramentos udenistas-uspeanos-tucanos-golpistas do facinoroso Demétrio Magnoli no canal Globo News [“Canal pago! Eu pago! Eu exijo informação que preste!”].

Por isso exatamente, porque NÃO HÁ INFORMAÇÃO QUE PRESTE acessível aos cidadãos comuns no Brasil-2013, nós cá estamos numa luta insana para entender o que está acontecendo na Ucrânia.

Entendemos que é questão importante, porque a Ucrânia é um país grande, em posição geoestratégica crucialmente importante, que está TOTALMENTE DETONADO pelas políticas neoliberais do FMI o qual, hoje, “exige” ainda mais “austeridade” do governo ucraniano, como exige de Grécia, de Espanha, de Portugal e coisa e tal.

A mesma canalharia neoliberal privateira, da “austeridade” e da “ética” uspeano-udenista golpista também estaria exigindo suas “exigências” aqui, no Brasil, se os brasileiros não tivéssemos eleito o presidente Lula, em 2001 e a presidenta Dilma na sequência, e dado um pé na b#nda do FMI.

Localização estratégica da Ucrânia (verde) na Europa
Entendemos também que a Ucrânia, ao que parece, é país estrategicamente muito importante para a Rússia (que a quer integrada em sua União Eurasiana), o que basta para tornar a Ucrânia automaticamente importante, como alvo de detonação TOTAL, para a ambição imperial tresloucada dos EUA e suas numerosas, infindáveis, odiosas “guerras distantes”. [1]

Entendemos também que a Ucrânia é mais um caso de tentativa de golpe para “mudança de regime” obrada pelos EUA.

Nessa nossa luta insana para entender o que está acontecendo na Ucrânia, já descobrimos que aquela briga, ali, é velha: vem desde o desmonte da URSS, sempre movida a nacionalismo feroz e feroz sentimento nacional ucraniano anti-Rússia e muita propaganda, incansavelmente insuflados pelos EUA [2] diretamente, ou servindo-se dos seus poodles europeus e seus sub-poodles “jornalistas” tropicais, como o Demétrio Magnoli.

Em 2002, o governo pró-ocidente da Ucrânia (e sempre, de fato, mais anti-Rússia que, propriamente, pró-ocidente) já queria que o país fosse integrado ao Tratado da Organização do Atlântico Norte (OTAN); requereu a inclusão – à qual o governo de Putin imediatamente se opôs; e a OTAN rejeitou o pedido da Ucrânia. [3]

Em 2004, o então presidente da Ucrânia – Víctor Yúshenko [4] – naquele momento, de forte tendência pró-ocidente, que concorria a eleições com boas chances de ser reeleito, sofreu um atentado, por envenenamento, que por pouco não o matou e desfigurou-o para sempre. [5] No ano seguinte, foi condecorado como herói da democracia, pela Fundação JFK, em NY, ou, pelo menos, é o que informa a Wikipedia.

Viktor Yúshchenko antes (E) e depois do atentado (D)
Víctor Yúshenko poderia alterar perigosamente o equilíbrio geopolítico de toda aquela extensa e complexa zona terrestre e fluvial – ali estão os estreitos de Bósforo e Dardanelos, vasos comunicantes entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo, área que os EUA vigiam com os mil olhos de sua 6ª Frota. [6] Sobretudo porque, depois do atentado, Yúshenko foi-se tornando cada vez menos “ocidental” e mais “pró-Rússia”, o que o apagou completamente das manchetes “jornalísticas” “ocidentais”, fez dele alvo de campanhas de difamação “midiática” e esvaziou suas possibilidades eleitorais.

Yulia Timoshenko
Nas eleições seguintes, Yushchenko conseguiu apenas 5,45% dos votos no primeiro turno e sequer chegou ao segundo turno, que foi disputado por Viktor Yanukovych [7] (que foi eleito e é o atual presidente) e Yulia Timoshenko (que ficou com o cargo de primeira-ministra, é empresária do petróleo, é quaquiliardária, loura, prende o cabelo em tranças artísticas, é lindíssima e é caso complicado demais para esse nosso resumo ginasiano, dentre outros motivos, porque está hoje na cadeia, com ainda vários anos de sentença a cumprir, condenada por crimes de corrupção). [8]

Em agosto de 2008, eclodiu também lá, na mesma “esfera ex-soviética” a “questão da Georgia” [9] – em vários aspectos semelhante à que se vê hoje na Ucrânia – e que exacerbou as rixas também na Ucrânia.

Na Ucrânia, Víctor Yúshenko continuava a insistir na ideia de integrar o país à OTAN e ao “ocidente” (como a Turquia); e a primeira-ministra, embora também favorável a que a Ucrânia estabelecesse uma política de abertura para a Europa, insistia numa atitude neutra e mais amistosa em relação à Rússia. [10] Dessa diferença brotou uma crise política na Ucrânia, que foi chamada inicialmente de “coalizão laranja”. [11] Mas, depois da crise da Geórgia, o mesmo evento passou a ser chamado de “revolução laranja”, para “combinar” com uma tal de “revolução rosa” georgiana.

Nesse momento, a imprensa-empresa “ocidental” já estava inventando, por generalização, umas tais “revoluções coloridas” – espécie de “eclosão” à guisa de arco-íris cenográfico, de ânsias por “liberdade e justiça” neoliberais & “ética” udenista que estaria acometendo tooooodo o mundo ex-soviético.

De fato, todas as “revoluções coloridas” foram sempre empreitadas e tentativas de “mudança de regime” insufladas pelo Departamento de Estado dos EUA e executadas, com “coturnos no solo”, pela CIA & propaganda & “jornalismo” tipo Magnolis & Grillo e muitas ONGs por aí, pelo mundo dito “livre”.

The Saker
Simultaneamente, enquanto a OTAN rejeitava a incorporação da Ucrânia, a União Europeia já oferecia outra isca, para capturar a mesma Ucrânia: uma espécie de “associação comercial”, uma espécie de “tratado de comércio” pelo qual a Ucrânia teria condições especiais nos contatos comerciais com a União Europeia (e, correspondentemente, a União Europeia ganharia acessos especiais ao mercado ucraniano). Como escreveu The Saker: é tratado que visa a “atar o Titanic europeu na popa do Titanic ucraniano”, [12] mas foi e continua a ser tratado como se fosse alguma “salvação” para a Ucrânia, no “jornalismo” dos Magnolis & Grillos.

Esse acordo-isca, poderia ter sido assinado em 2009, mas nunca foi assinado e foi mantido em discussão até agora, com a propaganda pró “ocidente” fazendo crer que o acordo estivesse sempre bem próximo de concretizar-se o que, parece, jamais foi verdade.

Até que há alguns dias – muito surpreendentemente para os que acreditaram na propaganda que nos chegava sob formato de “jornalismo” – o presidente Yanukovich da Ucrânia anunciou que não assinaria o tal “tratado de comércio” com a União Europeia. [13]

O movimento surpreendeu o “ocidente” e desencadeou furiosa campanha de propaganda anti-Rússia (de fato, “anti-Putin”) em toda a imprensa-empresa “ocidental”.

No Brasil, a campanha anti-Putin está em pleno curso, como se vê nas intervenções dos “professores” Demétrio Magnoli & Grillo, que dão aulas sobre [só rindo] a Ucrânia, pelo canal Globo News. [14]

A. F. Rasmussen
De certo, mesmo, o que se sabe – pelo Saker, não de Grilos & Magnolis – é que, agora, “o presidente Yanukovich & Co. ziguezagueiam”. [15] Depois de fazer crer que assinaria o acordo, o presidente da Ucrania decidiu “pensar melhor”.

Para completar o quadro, atualizando-o, notícia de outubro de 2013, em Militar.news, informa que: [16]

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) Anders Fogh Rasmussen disse que a OTAN decidiu pôr fim à longa discussão sobre se Ucrânia e Georgia serão ou não integradas à OTAN em 2014: “Ucrânia e Georgia não se integrarão à OTAN no próximo ano” – disse ele na 3ª-feira”, em matéria distribuída pela rede RIA Novosti.

É o mesmo que dizer que a oposição a Putin tem de combinar suas reivindicações de “mudança de regime” também com a OTAN, à qual não interessava em 2008, como não interessa em 2013, comprar briga com a Rússia – o que Demétrio Magnoli, se sabe, não diz; mas o mais provável é que não saiba.

Essa diferença crucial em relação a outros casos de golpe para “mudança de regime” – uma situação em que não se vê perfeita coincidência de objetivos entre a OTAN, Washington, Demétrio Magnoli & Grillo, e situação na qual OTAN acompanha a posição da Rússia – é absoluta novidade, que não se via no chamado “ocidente”, provavelmente desde Stálin em Ialta!

Viktor Yanukovych
Fato é que já há vários anos, assim como nas negociações para incorporar a Ucrânia à OTAN, também nas negociações para o “tratado comercial” que a União Europeia propôs à Ucrânia, sempre foi mantida uma “severa restrição, que impõe que a união da Ucrânia à União Europeia não implique qualquer tipo de apoio político-estratégico à Ucrânia; a restrição sempre visou a evitar possíveis incômodos ao governo de Moscou. [17]

É também significativa novidade, se se sabe que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi constituída em 1946, filha dileta (ou, talvez, mãe! Ou, quem sabe, amásia!) da Guerra Fria, com a missão, declarada pelo seu primeiro secretário-geral, de “manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães para baixo” (ing. to keep the Russians out, the Americans in, and the Germans down). [17a]

Pode-se, sim, começar a pensar em mundo muito REALMENTE multipolar, se a OTAN, em 2013, já cuida de manter os russos dentro e os americanos fora – pelo menos no que tenha a ver com a Ucrânia, né-não?!

Não seria notícia TOTALMENTE ESPETACULAR, essa, que o Canal GloboNews e Magnoli & Grillo, aqueles dois panacas, poderiam dedicar-se a distribuir ao seus consumidores, afinal, PAGANTES?!

O que se sabe, de bem sabido é que: [18]

O lobby de Ucrânia e Georgia para tornarem-se membros da OTAN já opera há anos e conta com forte e declarado apoio dos EUA, mas a maioria dos membros da OTAN rejeitaram a ideia de garantir associação àqueles países – posição que acompanha a posição da Rússia. (...)

A Aliança Atlântica (OTAN) não descarta admitir que a Ucrânia seja incorporada, mas exige que a cooperação com a Rússia seja mantida. A admissão da Ucrânia à OTAN já poderia ter sido acertada na reunião de cúpula de Bucarest em abril de 2008. Mas o acordo fracassou, porque muitos membros europeus da OTAN opuseram-se a qualquer movimento que contribuísse para complicar as relações que muitos países europeus mantêm – e desejam preservar – com a Rússia.

Condoleezza Rice
Só Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos EUA [e, claro, os "professores-doutores" Magnoli & Grillo, da Globo News] ainda insiste(m) que “a OTAN continua(ria) de portas abertas para a Ucrânia". 

“Os tumultos em Kiev nada têm a ver com o acordo comercial com a UE” 

Tanto quanto posso ver, os eventos na Ucrânia não me parecem nada “revolucionários”. Parecem mais um pogrom. [19]

Por estranho que pareça, acho também que têm pouco a ver com relações entre Ucrânia e União Europeia.

Essa é a opinião do presidente Putin, falando ontem (2/12/2013) em Yerevan, durante visita oficial à Armênia. Putin disse também que:

(...) os eventos na Ucrânia já estavam organizados previamente, muito mais contra o governo ucraniano, do que a favor de alguma “integração” na União Europeia. São movimento da campanha eleitoral para as próximas eleições presidenciais. Essa parece ser a opinião de todos os observadores. [20]

Putinator, o Exterminador
de jornalistas burros
“Se se observam os discursos e as manifestações, vê-se que ninguém dá qualquer sinal de preocupação com os detalhes reais do Acordo proposto pela União Europeia” – Putin lembrou, sempre arguto. – “Eles dizem [e foi EXATAMENTE o que também disseram os "professores" Magnoli & Grillo, pelo canal GloboNews!] que o povo ucraniano estaria sendo privado de seu sonho” (...).

Mas se se examinam os detalhes do acordo, as condições são duríssimas, para a Ucrânia.

Essa é também a posição do primeiro-ministro da Ucrânia, Azarov, que disse a diplomatas que a Ucrânia já propôs várias alterações no texto do tratado com a União Europeia.

“Há várias provisões a serem discutidas, porque não nos agradam”. Acrescentou que inúmeros empresários ucranianos exigem que o governo trabalhe para obter importantes modificações no acordo, porque “temos de impedir que nosso mercado ucraniano fique completamente aberto à invasão europeia” – disse Azarov.

“Ucrânia quer ser Europa”?! Sóssifô sua ... Demétrio Magnolli!



NOTAS

[1] “Em interessante diálogo entre o historiador Arnold J.Toynbee e o filósofo japonês Daisaku Ikeda (1970), dentre inúmeros outros temas, falaram sobre a instabilidade no Oriente Médio e a ameaça das “guerras à distância”, como a que o Vietnã sofreu e que se estendeu ao Laos e ao Camboja (1958-1975), conflito provocado pelo desenho mortífero da política externa dos EUA no sudeste asiático, porque os EUA haviam resolvido que Vietnã do Norte e do Sul não se poderiam unificar” (2009, Bernardo Quagliotti de Bellis, “Ucrânia: uma antiga questão geopolítica entre a Rússia e a OTAN”, La Onda Digital, Uruguai (esp.).

[2] 25/11/2013, The Saker, redecastorphoto em: “UCRÂNIA, Novembro-2013: Do que realmente se trata?” (trad.).

[3] 2009, Bernardo Quagliotti de Bellis, “Ucrânia: uma antiga questão geopolítica entre a Rússia e a OTAN”, La Onda Digital, Uruguai (esp.).

[4] Sobre ele, na Wikipedia em: Viktor Yushchenko.


[6] 2009, Bernardo Quagliotti de Bellis, “Ucrânia: uma antiga questão geopolítica entre a Rússia e a OTAN”, La Onda Digital, Uruguai (esp.).  

[7] Ver em: “Viktor Yanukovych”

[8] Ver em: “Yulia Timochenko”

[9] “O clima criado pelo início da Olimpíada de Pequim (13/8/2008) parece ter sido considerado pela Geórgia na escolha do momento para tentar retomar o controle da área separatista Ossétia do Sul, de acordo com especialistas [sic] ouvidos pela Folha Online. O cerco à principal cidade da Província separatista, Tskhinvali, começou no final da noite de quinta-feira, poucas horas antes da abertura dos Jogos. “Não sei se isso fazia parte da estratégia ou se é coincidência, mas o momento foi muito bom” – diz Marshall Goldman, Ph.D em estudos da Rússia pela Universidade Harvard. “Os russos estavam distraídos pela Olimpíada e o presidente (Metsedev) estava em Pequim”. [Aqui fica isso, como amostra do facinoroso “jornalismo” da Folha de S.Paulo, em: “Geórgia aproveitou Olimpíada para atacar Ossétia, dizem analistas”].

[10] 2009, Bernardo Quagliotti de Bellis, “Ucrânia: uma antiga questão geopolítica entre a Rússia e a OTAN”, La Onda Digital, Uruguai (esp.).

[11] 2009, Bernardo Quagliotti de Bellis, “Ucrânia: uma antiga questão geopolítica entre a Rússia e a OTAN”, La Onda Digital, Uruguai (esp.).

[12] 30/11/2013, redecastorphoto em: “Ucrânia colorida: abrem-se as portas do inferno”, The Saker, (trad.).

[13] 23/11/2013, redecastorphoto em: Ucrânia deu um “pé-na-b#nda” do “ocidente”, John Laughland (entrevistado), Russia Today, (port.).

[14] Vejam/olhem Demétrio Magnoli, para que não se diga que ele não disse o que disse: “A Ucrânia deve ser Europa. E Putin não aceita que a Ucrânia seja Europa”. Em “Manifestantes pedem renúncia do presidente da Ucrânia”. GloboNews. Esse Demétrio é doido!

[15] 30/11/2013, redecastorphoto em: “Ucrânia colorida: abrem-se as portas do inferno”, The Saker, (trad.).

[16] 22/10/2013, “Rasmussen: Ucrânia e Georgia não serão parte da OTAN”, Military.com News

[17] 2009, Bernardo Quagliotti de Bellis, “Ucrânia: uma antiga questão geopolítica entre a Rússia e a OTAN”, La Onda Digital, Uruguai (esp.).


[18] 2009, Bernardo Quagliotti de Bellis, “Ucrânia: uma antiga questão geopolítica entre a Rússia e a OTAN”, La Onda Digital, Uruguai (esp.).

[19] Pogrom (ru.). Ataque violento a pessoas, com destruição simultânea de casas, negócios, prédios oficiais e centros religiosos. O termo e usado para atos em massa de violência contra eslavos, protestantes e outras minorias étnicas da Europa, como os judeus; e é aplicável a ações dessa natureza contra qquer comunidade em todo o mundo ().



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Por trás da provocação dos EUA à China: a sobrevivência do dólar

1/12/2013, [*] Finian Cunningham, Information Clearing House
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

ZAID - Zona Aérea de Identificação e Defesa da China
A escalada das tensões militares entre Washington e Pequim no Mar do Leste da China tem sido explicada, sempre superficialmente, por a China ter declarado uma Zona Aérea de Identificação de Defesa (ZAID). Mas a razão real da ira de Washington é o anúncio, pela China, de que o país planeja reduzir suas reservas de dólares norte-americanos. [1]

O movimento de descarregar parte significativa dos 3,5 trilhões de dólares norte-americanos que a China armazena como reservas, combinado à sempre crescente compra de petróleo em todo o planeta em que os chineses estão empenhados, usando nessas compras moedas nacionais, é ameaça mortal contra o petrodólar norte-americano e toda a economia norte-americana.

Essa ameaça contra a viabilidade dos EUA – que já balança à beira da bancarrota, endividamento recorde e quebradeira generalizada – pode explicar por que Washington respondeu com tanta beligerância à decisão dos chineses, semana passada, de definir uma Zona Aérea de Identificação da Defesa (ZAID) que cobre cerca de 400 milhas do litoral do Mar do Leste da China. Pequim informou que a ZAID visa a impedir manobras de aviões espiões sobre o território chinês (há décadas há aviões militares dos EUA que sobrevoam, sem qualquer notificação, território chinês. (...)


Além de tudo mais, como Pequim já comentou, os EUA e o Japão, aliado dos EUA depois da guerra, têm, os dois países, suas próprias Zonas Aéreas de Identificação da Defesa. É absolutamente inconcebível que aviões espiões e grandes bombardeiros chineses apareçam nos céus da Costa Oeste dos EUA, sem que o Pentágono ordene feroz retaliação. Aparentemente, o Pentágono pode(ria), mas o resto do planeta, não. (...)

Os EUA e a imprensa-empresa norte-americana controlada estão apresentando a ZAID que Pequim acaba de declarar como se se tratasse de a China “flexionar os músculos e escalar tensões”. E Washington insiste que estaria nobremente defendendo seus aliados japoneses e sul-coreanos contra o expansionismo chinês.

De fato, as explicações devem ser buscadas noutro lugar.

A causa mais provável para o surto de militarismo de Washington contra Pequim é o anúncio de que os chineses começam a desinteressar-se de “salvar” o dólar norte-americano. Os EUA estão, isso sim, ameaçando agredir a China, se o país insistir na decisão de política econômica anunciada no final de novembro. (...)

A China – a segunda maior economia e a maior importadora de petróleo – construiu e continua a construir negócios de compra de petróleo com seus principais fornecedores (entre os quais Rússia, Arábia Saudita, Irã e Venezuela) que implicam compra e venda nas respectivas moedas nacionais desses países. Esse desenvolvimento é grave ameaça ao petrodólar e ao status do dólar como moeda de reserva global.


O mais recente movimento de Pequim, anunciado dia 20/11 e que dá notícia de que a China trabalha para livrar-se de suas depauperadas notas de dólar, trocando-as por uma cesta de outras moedas, é sinal claro de que os dias da economia dos EUA estão contados – como Paul Craig Roberts observou semana passada. [2]

É claro que a China tem pleno direito de declarar sua ZAID, como tem pleno direito de defender o próprio território. Mas, para a forma mentis imperialista, megalômana de Washington, a “ameaça” chinesa à economia dos EUA e ao fracassado “modo de viver” norte-americano seria ato de guerra. Por isso – não por causa de alguma ZAID – é que Washington está reagindo tão furiosamente (e tão desesperadamente) contra um simples corredor aéreo declarado pela China, que foi usado como o pretexto de que os EUA precisavam, para mais violência.
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Notas dos tradutores
[1] A verdadeira bomba chinesa foi lançada dia 20/11, por um dos vice-presidentes do Banco do Povo da China, em conferência num fórum econômico na Universidade Tsinghua: “Já não interessa à China acumular moedas estrangeiras [dólares] de reserva”. (29/11/2013, citado em Valentin Katasonov, Strategic Culture e Blog do Gilson Sampaio (em português): “A morte anunciada do Fed”)
[2] 25/11/2013, redecastorphoto, Paul Craig Roberts em: “A Morte do Dóllar”.
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[*] Finian Cunningham nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.