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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Artistas, professores e militantes norte-americanos pedem que Correa dê asilo a Assange


22/6/2012, Just Foreign Policy -  Megan Iorio
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Embaixada do Equador em Londres
Senhor presidente Correa,

Escrevemos para pedir que o senhor garanta asilo político a Julian Assange.

Como é do seu conhecimento, cortes britânicas negaram recentemente provimento a recurso encaminhando pelo Sr. Assange contra mandato de extradição para a Suécia, onde não há acusação formalizada de qualquer crime contra o Sr. Assange. A extradição foi pedida para interrogatório. O Sr. Assange disse repetidas vezes que está disposto a responder a quaisquer perguntas relacionadas às acusações que lhe foram feita, mas que requer o direito de respondê-las na Grã-Bretanha. Sem qualquer razão admissível, o governo sueco exige que ele seja interrogado na Suécia. Em depoimento, o ex-procurador geral de justiça de Estocolmo e especialista na legislação de seu país, Sven-Erik Alhem, considerou a exigência “não razoável e imprópria, além de injusta e desproporcional”.

Acreditamos que o Sr. Assange tem sólidos motivos para temer a extradição para a Suécia, posto que será preso ao desembarcar e, muito provavelmente, será imediatamente extraditado para os EUA.

O jornalista e advogado militante, especialista em direitos humanos nos EUA, Glenn Greenwald observou recentemente que, se for formalmente acusado na Suécia, será preso e posto em condições “extremamente fechadas, provavelmente sem qualquer comunicação possível, longe dos olhos da imprensa, sem direito a responder ao processo em liberdade sob fiança”. Interrogatórios antes de formalizada a acusação, para casos semelhantes ao dele, na Suécia, são secretos. Greenwald observa que, nessas condições, nem a mídia nem a opinião pública saberão como serão tomadas as decisões judiciais contra o Sr. Assange, nem saberão que informações serão consideradas.  

O Washington Post noticiou que o Departamento de Justiça e o Pentágono conduziram investigação criminal para determinar “se o fundador de WikiLeaks Julian Assange violou leis criminais quando o grupo divulgou documentos do governo, acusações que lhe foram feitas nos termos da Lei Antiespionagem [orig. Espionage Act]”. Muitos temem, baseados em informações contidas nos documentos divulgados por WikiLeaks, que o governo dos EUA já tem preparados os termos da acusação, e só espera a oportunidade de receber o acusado, extraditado da Suécia para os EUA.

O Departamento de Justiça dos EUA forçou outros membros de WikiLeaks a depor ante um Grande Juri, para assim definir que acusações poderiam ser formalizadas contra o Sr. Assange. Os EUA não fazem segredo de sua aberta hostilidade contra WikiLeaks, e altos funcionários do governo Obama referiram-se ao Sr. Assange como “terrorista high-tech”, tendo procurado informações sobre a conta na empresa Twitter da deputada islandesa Birgitta Jónsdóttir, por causa de laços antigos que manteve com WikiLeaks.

Se for acusado e condenado pelos termos da Lei Antiespionagem, o Sr. Assange pode receber a pena capital. 

Antes dele, o caso do Cabo Bradley Manning, soldado norte-americano acusado de ter entregue a WikiLeaks documentos do governo dos EUA, ilustra bem o tipo de tratamento que o Sr. Assange deve esperar, depois de ser preso. Manning foi submetido a prolongado confinamento em cela solitária, foi torturado e humilhado por guardas da prisão onde está, obrigado a permanecer nu, fora da cela, em posição de sentido. Todas essas razões somam-se, para justificar que seu governo assegure asilo e proteção ao Sr. Assange. 

Pedimos também que o senhor conceda asilo político ao Sr. Assange, porque está sendo acusado pelo “crime” de praticar o jornalismo. Revelou crimes contra a humanidade cometidos pelo governo dos EUA – a começar pela divulgação de um vídeo filmado de um helicóptero Apache, em 2007, em que se veem militares dos EUA assassinando, tanto quanto se pode avaliar, deliberadamente, civis, entre os quais dois empregados da Agência Reuters. Os milhares de telegramas do Departamento de Estado dos EUA distribuídos por WikiLeaks revelaram casos em que se veem funcionários do governo dos EUA agindo para minar a democracia e em atos de agressão aos direitos humanos, em todo o mundo.


Dado que aí se tem caso de grave ataque à liberdade de imprensa e ao direito de os cidadãos serem informados sobre importantes verdades da política externa dos EUA; e porque pesa grave ameaça à integridade física, à saúde e ao bem-estar do Sr. Assange, solicitamos veementemente que seu governo conceda asilo político ao Sr. Assange. 

Agradecemos por sua atenção a esse pedido.

[assinam até o momento] 

Michael Moore, Diretor de Cinema
Danny Glover, Diretor de Cinema
Oliver Stone, Diretor de Cinema
Naomi Wolf, Escritora
Glenn Greenwald, advogado constitucionalista e colunista de Salon.com
Chris Hedges, Jornalista
Coleen Rowley, agente aposentado do FBI e ex-conselheiro do Departamento de Justiça de Minneapolis, EUA
Ann Wright, coronela aposentada do Exército dos EUA e ex-diplomata do Serviço Diplomático dos EUA
Ray McGovern, ex-oficial do Exército dos EUA e analista-chefe da CIA (aposentado)
Thomas Drake, Ativista a favor da Lei dos Direitos Civis
Linda Lewis, Diretoria do Fundo de Apoio aos Whistleblowers
Kent Spriggs, do Conselho Habeas, pelo fechamento da prisão de Guantanamo
Jesselyn Radack, Diretor do National Security & Human Rights, Projeto Government Accountability
Mark Weisbrot, Codiretor do Center for Economic and Policy Research
Medea Benjamin, Cofundador de Global Exchange
Kathy Kelly, Cocoordenador de Voices for Creative Nonviolence
Mark Johnson, Diretor Executivo de Fellowship of Reconciliation
Denis J. Halliday, Secretário-geral da ONU 1994-98 (Irlanda).
Leslie Cagan, Cofundadora de United for Peace and Justice
Russ Wellen, Foreign Policy in Focus
James Early, Diretor do Institute for Policy Studies
Jim Naureckas, FAIR – Fairness & Accuracy in Reporting
Sam Husseini, Diretor em Washington do Institute for Public Accuracy
Robert Naiman, Diretor de Políticas de Just Foreign Policy
Jane Hirschmann, da organização Jews Say No! New York, organizador da Flotilha EUA para Gaza
Richard Levy, advogado e passageiro da Flotilha EUA para Gaza
Helaine Meisler, Orton-Gillingham Learning Specialist, Helaine Meisler Learning Center, Woodstock, New York
Laurie Arbeiter, Artista ativista, WE WILL NOT BE SILENT
Mayo C. Toruño, Professor catedrático do Departamento de Economia da Universidade Estadual da California, San Bernardino
Julio Huato, Professor Associado de Economia, St. Francis College
Michael Brun, Professor visitante assistente, Departamento de Economia, Illinois State University
Dana Frank, Professora, Departmento de História, University of California, Santa Cruz
Adrienne Pine, Professor assistente de Antropologia, American University
Miguel Tinker Salas, Professor de História da América Latina, Pomona College
Steve Ellner, Professora de Ciência Política, Johns Hopkins University/Universidad de Oriente, Venezuela
Marc Becker, Professor de História da América Latina, Truman State University
Francisco Dominguez, Presidente do Centro de Estudos Brasileiros e Latino-americanos, Middlesex University, London, UK
Peter Hallward, Professor de Filosofia, Kingston University London
Doug Hertzler, Professor Associado de Antropologia, Eastern Mennonite University
Carolyn Eisenberg, Professora de Política Exterior dos EUA, Hofstra University
Vijay Prashad, Professor de Estudos Internacionais, Trinity College, USA
T.M. Scruggs, Professor Emérito, University of Iowa
Ellen Schrecker, Professora de História, Yeshiva University
Antonia Darder, Leavey Endowed, Catedrática de Ética e Liderança Moral,  Loyola Marymount University, Los Angeles
Demetra Evangelou, Professora, Purdue University
Gilbert G. Gonzalez, Professor Emérito, University of California, Irvine
Renate Bridenthal, Professor (aposentado), City University of New York
A. Belden Fields, Professor Emérito, Political Science, University of Illinois
C. G. Estabrook, professor visitante (aposentado) University of Illinois
Carol Murry, Doutora em Saúde Pública, Hawaii
Ellen Barfield, Veterans For Peace
Libor Von Schönau, OccupyWallStreet Legal, New York
Gar W. Lipow, jornalista, do Movimento Olympia for Justice and Peace

Pepe Escobar: “É o Equador ou Guantánamo”


21/6/2012, Pepe Escobar, Asia Times Online –The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Pepe Escobar
Num movimento ousado, do qual John Le Carré muito se orgulharia, Julian Assange, o superstar de WikiLeaks, entrou no prédio da Embaixada do Equador em Knightsbridge, centro de Londres, pediu asilo político, nos termos da Declaração Universal dos Direitos do Homem da ONU e detonou mais uma tempestade internacional. (...)

À primeira vista, a coisa toda é só... sexo. Semana passada, a Corte Suprema da Grã-Bretanha rejeitou, em última instância, o recurso de Assange contra a extradição para a Suécia. Estocolmo o quer lá, para ser interrogado em processo no qual foi acusado de ter estuprado uma mulher e agredido sexualmente uma segunda mulher, em agosto de 2010.

Julian & as tietes periguetes [orig. Julian's groupies from hell]

O caso dos suecos contra Assange clama aos céus escandinavos – estrelando uma Procuradora e conhecida odiadora de homens (Marianne Ny) e duas tietes periguetes: uma vingativa e ultra manipuladora (Anna Ardin), a outra do tipo tímida (Sofia Wilen), e ambas mantiveram intercurso sexual consensual com Assange.

Resumo da ópera: Ardin decidiu vingar-se de Assange – que trocou os favores sexuais de Ardin pelos de Wilen, mais jovem que Ardin. Foi Ardin quem convenceu Wilen a apresentar queixa à polícia, acusando Assange de tê-la agredido sexualmente; e levou Wilen a uma delegacia de Polícia.

Wilen ainda estava sendo interrogada, quando uma policial (mulher) telefonou à Procuradora (mulher) e obteve dela uma ordem de prisão (in absentia) contra Assange. O fato conhecido de a Procuradora ter emitido uma ordem de prisão sem ler a queixa (fosse queixa de Wilen, fosse queixa de Ardin, fosse queixa das duas) – prova que não estamos assistindo a filme noir sofisticado à moda do escandinavo Stieg Larsson; contra Assange, é pornochanchada.

Tudo aconteceu numa noite de 6ª-feira. No sábado pela manhã, um tabloide sueco, direitista à moda dos tabloides de Murdoch, Expressen, publicou uma foto de Assange, primeira página; e a manchete: “Duplo Estuprador”.

Anna Ardin (D) e Sofia Wilen (E)
Documentos da polícia que vazaram informam que Wilen estava desesperada; não queria acusar Assange de tê-la estuprado. O namorado de Wilen, norte-americano, explicou que o problema era que Wilen sempre fora super, ultra, mega paranoica sobre fazer sexo sem proteção.

E Ardin contou a outra policial (mulher), em entrevista por telefone, que o sexo com Assange fora consensual – mas que não teria sido, de modo algum, se ela soubesse que Assange não estava usando camisinha. A anotar, que Ardin só se lembrou de sentir-se ofendida ou ameaçada pela ausência de camisinha depois de, digamos, várias vezes: o chamado intercurso não aconteceu só uma vez nem foi “ficada” casual de uma noite-e-tchau.

Decidida a impedir que WikiLeaks armasse seu QG na Suécia, a sórdida direita sueca não economizou golpes. Foi ajudada por ninguém menos que Karl Rove – que trabalhara na assessoria do primeiro-ministro sueco Fredrik Reinfeldt, conhecido como “o Reagan sueco”, por dois anos.

Depois de já ter ameaçado Assange para que destruísse absolutamente todos os arquivos de WikiLeaks onde houvesse “segredos” militares, diplomáticos e de inteligência dos EUA, o Pentágono pouco se preocuparia com a coisa virar chantagem da mais suja, ou qualquer tipo de sórdida manipulação dos fatos.

O Pentágono está decidido a pegar Assange, custe o que custar. Para todas as finalidades práticas, já há acusação “formal” contra ele, em processo secreto. É o próximo Bradley Manning – breve numa tela próxima de você, em Imax 3D. E também encenarão sessão de grande júri.

Bradley Manning
Isso, depois de um porta-voz do Pentágono, ao vivo e para quem quisesse ouvir, já ter descartado o respeito à lei:

“Se fazer a coisa certa não basta no caso deles [WikiLeaks], veremos que outras alternativas nos restam para obrigá-los a fazer a coisa certa”[1].

Passagem só de ida para Quito, please

Assange tinha prazo até a 5ª-feira da próxima semana para impetrar recurso, na Corte Europeia de Direitos Humanos em Strasbourg, contra a decisão da corte britânica. As autoridades britânicas já haviam dito que, se nada obtivesse, Assange seria deportado para a Suécia até a meia noite de 7/7/2012. Antes de decidir pelo movimento rumo ao território do Equador, os advogados devem ter considerados as (sombrias) possibilidades restantes.

Assange foi preso e libertado sob fiança (mais de US$370 mil dólares, arrecadados por seus apoiadores) na Inglaterra, desde o outono de 2010. Permaneceu em prisão domiciliar desde então, numa casa de campo em Suffolk, cujo proprietário, Vaughan Smith, é fundador do Club Frontline, em Londres; tem de se apresentar uma vez por dia à Polícia; e tem de usar uma tornozeleira de monitoramento eletrônico.

Assange explicou, em declaração, que estava pedindo asilo político porque seu país de nascimento, a Austrália – nas palavras da primeira-ministra Julia Gillard – declarara, oficialmente, que não mais lhe garantiria proteção; na Suécia, “os mais altos funcionários do governo têm-me atacado abertamente”; e nos EUA “estou sendo acusado de haver cometido crimes políticos que são puníveis com pena de morte”.

Julian Assange
O que vem depois disso é a matéria de que se faz a fama de John Le Carré. Assange estará agora protegido de ser extraditado? Dado que violou as condições da prisão domiciliar... Londres pode tentar prendê-lo? O que fará a Agência Contra o Crime Organizado Grave [orig. Serious Organized Crime Agency (SOCA)] na Inglaterra – à qual compete executar os Mandados Europeus de Prisão – nesse quadro de grave turbulência política? Como Assange sairá da embaixada e entrará num avião que o leve a Quito, se infringiu as regras da prisão domiciliar e tem contra ele um mandado de extradição a ser executado?

Imediatamente, foi iniciada também campanha organizada de difamação contra o Equador em toda a imprensa-empresa, pode-se dizer, do planeta. Dentre outras coisas, já disseram que “menos de um terço da população equatoriana tem acesso à internet”. Correa já está sendo apresentado como besta fera, ainda pior que Hugo Chávez:

“O pedido de asilo pode ajudar Correa a polir sua reputação de desafiante provocador no relacionamento entre nações latino-americanas em desenvolvimento e os EUA. Foi o papel de agente anti-imperialista desempenhado até aqui, com grande talento histriônico, pelo presidente Hugo Chávez da Venezuela. Agora, com Chávez doente de um câncer, Correa já vê espaço para um novo líder. Para muitos, Correa apressa-se a tentar ocupar o espaço de Chávez”[2].

MRE do Equador - Ricardo Patiño
Segundo o Ministro de Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, Assange escreveu pessoalmente a Correa, pedindo-lhe asilo político. O quanto poderia esperar, de Correa, em termos de solidariedade intelectual, foi algo que Assange teve oportunidade para aferir, durante entrevista absolutamente aberta e sem barreiras, à qual o mundo assistiu pela rede Russia Today. [3]

Durante os contatos para organizar a entrevista, levada ao ar em teleconferência, o asilo político foi, realmente, oferecido a Assange (mas não diretamente pelo próprio presidente).

Não há dúvidas de que Assange não é fugitivo. Tem absoluto direito de buscar asilo político baseado numa violação de direitos humanos – nesse caso, pela real possibilidade de ser extraditado sob condições de risco absoluto e ameaça à vida. A Suécia jamais ofereceu qualquer garantia de que Assange não viesse a ser extraditado para os EUA.

Se Assange fosse chinês, cego e se chamasse Chen Guangcheng – e, se, além disso, denunciasse excessos chineses – toda o hipócrita ocidente atlanticista estaria desfilando em passeatas de solidariedade à sua frente. E, equanto isso, “Dábliu” (Bush), “Dick” (Cheney) e “Rummy” (Rumsfeld) – Os Três Patetas Assassinos –, destroem um país inteiro, mas escapam da polícia e continuam por aí, em plena liberdade.



Notas dos tradutores
[1]  6/8/2010, The Guardian, UK, David Battie em: Pentagon increases pressure on WikiLeaks to return military files
[3]  22/5/2012, em redecastorphoto assiste-se ao vídeo da entrevista, com texto transcrito e traduzido, em português, em: Assange entrevista No. 6 – “Rafael Correa, presidente do Equador

Movimientos Sociales hacia el ALBA reúnem-se com Correa e pedem asilo para Julian Assange


Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

“Assange está à frente da batalha contra os gringos e o monopólio da informação. Por isso pedimos, em nome do povo e dos Movimentos Sociais, que o Equador o receba”
João Pedro Stédile, porta-voz do MST, na Cúpula dos Povos, em reunião com o presidente Correa do Equador.

Representante da ALBA e Correa
Em reunião com o presidente do Equador, Rafael Correa, uma delegação dos Movimentos Sociais da ALBA entregou uma petição de solidariedade ao processo de transformações do Equador e o pedido de concessão de asilo a Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que está atualmente hospedado na Embaixada de Equador em Londres.

A reunião dos movimentos sociais para a ALBA e Correa foi realizada no âmbito da Cúpula dos Povos que está ocorrendo no Rio de Janeiro, Rio (Alternativa para +20). 

O documento entregue ao Presidente do Equador diz que "A Revolução Cidadã está em luta a favor da democratização das comunicações e de real liberdade de expressão. O Equador deve manter-se na vanguarda dessa luta. Nesse sentido, entendemos que é dever do Equador garantir asilo político a Julian Assange, hoje perseguido pelos EUA e pelos mesmos interesses que trabalham para roubar dos povos o direito a serem informados".

João Pedro Stédile (E) e Rafael Correa (D)
João Pedro Stédile, dirigente do MST, disse no encontro que:

“Assange está liderando a batalha contra os EUA e o monopólio da informação. Então nós pedimos em nome dos povos e dos movimentos sociais que o Equador o receba”.

Correa, face ao pedido, afirmou:

Julian Assange
“Confiem, como Julian diz em sua carta, que o Equador é uma terra de paz, justiça e verdade. Nós estamos analisando com muita seriedade os motivos apresentados pelo Sr. Assange no seu  pedido de refúgio, asilo, com mais precisão. Não permitiremos qualquer periclitação de vida a nenhum ser humano. Acreditamos que o principal direito de todo ser humano é o direito à vida.

Recusamos veementemente qualquer  perseguição político-ideológica. Assim vamos analisar conscienciosa, responsável e seriamente a solicitação de asilo do Sr. Assange em nosso país e daremos uma resposta definitiva em momento oportuno. Muito obrigado por sua solidariedade e preocupação”.

Rafael Correa
Em outra parte do comunicado assinada por diversas organizações, sediadas por toda a América Latina,  que apoiam os processos de mudança que vive hoje o Equador e os países no âmbito da ALBA:

“Como o senhor disse em várias ocasiões, passamos por mudança de época em nossos países, depois que nossos povos decidiram assumir as rédeas dos nossos destinos e proporem-se novos paradigmas que questionam o capitalismo e todas suas estruturas de dominação – como as empresas de comunicação”, conclui o documento emitido para Correa.


A seguir o Documento entregue ao Presidente Rafael Correa (traduzido)

Rio de Janeiro, 21/6/2012
Senhor Rafael Correa
Presidente da República do Equador

Companheiro Presidente:

Nós, membros dos movimentos sociais de toda a região, aqui estamos para manifestar ao senhor, a seu governo e a todo o povo equatoriano, nossa solidariedade com o processo de transformações em andamento no país, na Revolução Cidadã.

Como o senhor disse em várias ocasiões, passamos por mudança de época em nossos países, depois que nossos povos decidiram assumir as rédeas dos nossos destinos e proporem-se novos paradigmas que questionam o capitalismo e todas suas estruturas de dominação – como as empresas de comunicação.

A Revolução Cidadã está em luta a favor da democratização das comunicações e de real liberdade de expressão. O Equador deve manter-se na vanguarda dessa luta. Nesse sentido, entendemos que é dever do Equador garantir asilo político a Julian Assange, hoje perseguido pelos EUA e pelos mesmos interesses que trabalham para roubar dos povos o direito a serem informados.

Conceder asilo político a esse jornalista e prisioneiro político é valente ação que o Equador saberá tomar, que mostra que o heróico povo de Alfaro não cederá nem um palmo de sua soberania. Mas mostra também que a América Latina constrói-se hoje como espaço de plena liberdade e paz.

Em seu sonho sobre o Chimborazo, Bolívar, que vive na memória de nossos povos e inspira nossas lutas, ouviu uma frase que se deve relembrar hoje: “Dize aos homens a verdade!” O Equador tem hoje a tarefa de ajudar a dizer aos povos a verdade.

“A unidade e a integração de Nossa América estão no nosso horizonte e são nosso caminho”.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Julian Assange saltou de banda


20/6/2012, Ray McGovern, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

“Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda...”
Elza Soares, 1973 [3]


Ray McGovern
Exceto se houver um ataque com drones da CIA contra a embaixada do Equador em Londres, o inesperado pedido de asilo feito pelo fundador de WikiLeaks Julian Assange pode tê-lo salvo da prisão na Suécia ou, possivelmente, nos EUA. A liberdade de Assange depende agora em grande medida do presidente do Equador, Rafael Vicente Correa Delgado, da nova safra de presidentes de ideias independentes, como o presidente Hugo Chávez da Venezuela.

Correa tem sido duro crítico do comportamento dos EUA em relação ao Equador e seus vizinhos latino-americanos e empenhado admirador de WikiLeaks. Fato não típico para a região, o Equador não recebe ajuda significativa, nem militar nem econômica, dos EUA. Portanto, Washington tem ali reduzido poder de chantagem. É possível que o governo do Equador desafie Washington, conceda o asilo que Assange solita e o mande imediatamente, em segurança, para o Equador.

Nesse caso, muitos funcionários da “justiça” britânica provavelmente respirarão aliviados – literalmente. Há semanas trabalham cobrindo o nariz para sobreviver ao odor fétido da própria rendição ao diktat dos EUA, depois que a Alta Corte de Justiça da Grã-Bretanha rejeitou o argumento de Assange, segundo o qual não poderia ser extraditado para a Suécia.

Embora a “justiça” sueca não tenha conseguido formalizar qualquer acusação contra Assange pela prática de qualquer crime, mesmo assim insistem em que seja extraditado para ser interrogado a propósito de declarações de duas mulheres, que dizem ter sido sexualmente atacadas por Assange. Muitos já viram – em minha opinião, corretamente – que tudo isso não passa de subterfúgio para conseguir que Assange seja entregue aos suecos, para, assim, facilitar a extradição para os EUA, onde enfrentaria acusações mais sérias, por ter publicado informação secreta e altamente embaraçosa para Washington.

Assange  ao ser detido em Londres
Tem havido repetidas notícias de que Assange teria sido objeto de investigação secreta por um tribunal federal nos EUA, que investigaria a divulgação de documentos sigilosos os quais, ao que se supõe, mas sem qualquer confirmação, teriam sido passados a WikiLeaks pelo cabo Bradley Manning. Em mensagem de e-mail vazada em 2011, Fred Burton, um dos vice-presidentes da empresa privada de inteligência Stratfor, informava seus colegas de que “temos uma acusação secreta já formalizada contra Assange”; mas nada disso foi, até agora, confirmado. Mas Manning já enfrenta julgamento em corte marcial, por, como quer a acusação, ter entregue documentos dos EUA a WikiLeaks.

Passar a perna nos britânicos

Interessante, não é? Assange – apenas poucos dias antes de ser extraditado para a Suécia – conseguiu (suponho) tirar a tornozeleira de monitoramento eletrônico, passar sem ser visto pelo cordão de Bobbies que vigiavam a casa de campo onde vivia sob prisão domiciliar, passar por outros Bobbies e pessoal da segurança que houvesse no caminho e entrar em segurança na embaixada do Equador.

Não há dúvidas de que Assange é sujeito esperto. Mas a menos que se o veja como uma espécie de Houdini, tem de haver explicação mais lógica de como atravessou vários pontos de controle policial e entrou no prédio da embaixada, localizado atrás da conhecida Harrods, loja de departamentos, em Londres.

Todos os agentes britânicos de segurança haviam saído para o chá? Ou apenas felizes por o caso Assange – e a pressão de Washington – tomar outro rumo?

Kintto Lucas
Não pode haver dúvidas de que, sim, os britânicos tiveram muitas indicações de que, in extremis, Assange poderia tentar chegar à embaixada do Equador. No final de novembro de 2010, o vice-ministro do Exterior do Equador, Kintto Lucas, ofereceu publicamente residência no Equador a Julian Assange, dizendo que o Equador estava “muito preocupado” ante a informação, revelada por WikiLeaks, segundo a qual diplomatas dos EUA estaria espionando governos amigos.

“Estamos abertos para oferecer-lhe residência no Equador, sem problema algum e incondicionalmente” – disse Lucas.

O presidente Correa interveio imediatamente. Disse que Kintto Lucas falara sem autorização; que não houvera qualquer convite formal a Assange; e que, antes de oferecer-lhe residência no Equador seria preciso proceder à análise formal do pedido, caso Assange pedisse alguma coisa. (Tudo isso, apenas uma semana antes de Assange ser detido, preso e, depois, posto em prisão domiciliar).

Agora, estou pedindo

A embaixada do Equador em Londres, ao anunciar a chegada de Assange, na 3ª-feira à tarde, informou que ele pedira asilo; e acrescentou:

Como signatários da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, que temos o dever de examinar qualquer pedido de asilo que nos chegue, tomamos a providência de encaminhar os documentos que nos foram entregues ao departamento competente em Quito”, capital do Equador. “Enquanto aquele departamento avalia o pedido feito pelo Sr. Assange, o Sr. Assange permanecerá na embaixada, sob a proteção do governo equatoriano.

Embaixada do Equador em Londres
A embaixada acrescentou que o encaminhamento que deu ao pedido de asilo “de modo algum deve ser interpretado como interferência, pelo governo do Equador, nos processos judiciais nem do Reino Unido nem da Suécia”.

É fraseado de contemporização considerado de rigueur nos contatos diplomáticos, enquanto o presidente Correa e assessores decidem como reagir ante o fato consumado de terem Assange já sob custódia do Equador. Em Quito, o ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patino disse a jornalistas que seu país “estuda e analisa o pedido [de asilo]”.

Tal mãe, tal filho

A mãe de Assange não apenas aplaudiu a decisão do filho, de pedir asilo, mas resumiu bem a situação, ao falar com a imprensa:

Christine, mãe de Julian
Espero que o Equador lhe dê asilo e, se não, algum outro país do Terceiro Mundo. Espero que o Terceiro Mundo levante-se e faça o que é moralmente certo, quando o Primeiro Mundo não pode e não fará, porque vive com o focinho enfiado no cocho, subjugado pela ganância dos EUA e da grande finança.

Julian é prisioneiro político, é jornalista, é editor que publicou a verdade sobre corrupção, crimes de guerra, sequestros, chantagem e manipulação. Não há nenhuma acusação formal contra ele e sequer foi interrogado sobre crime que, se você examina os eventos, não tem base alguma. É claro que teria de pedir asilo.

Acrescentou que seu filho é vítima de decisões tomadas por EUA, Grã-Bretanha, Suécia e Austrália no sentido de deixar de lado o devido processo legal.

Muito século 20!

Deixar de lado o devido processo legal? É argumento – colhendo emprestada a expressão do eminente especialista em leis e professor Alberto Gonzales — tão “antigo”, tão “obsoleto”, “tão pré-11/9”! Deixar de lado o devido processo legal tornou-se, depois do 11/9, o “novo paradigma” adotado não só pelo governo Bush, mas também pelo governo Obama.

Assange não tem só pleno direito de buscar asilo: ele também avalia corretamente a situação objetiva e decide certo. Considerem o seguinte: estava a um passo de ser enviado para uma Suécia falsamente neutra, com histórico recente de curvar-se a todas as demandas dos EUA, em todos os casos em que Washington alegou algum tipo de ameaça à segurança dos EUA. Na 3ª-feira, Glenn Greenwald já apresentara um exemplo:

Em dezembro de 2001, a Suécia entregou duas pessoas à CIA a qual, em seguida, entregou as mesmas pessoas ao Egito, para serem torturadas. Decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU condenou a Suécia por violar a lei que proíbe a tortura em todo o mundo, violação que se consumou na entrega daquelas pessoas a um terceiro país (adiante, as duas pessoas vitimadas nesse procedimento processaram o governo sueco e obtiveram substancial indenização) [1]

Quem esteja pensando “Ah, mas isso foi durante o governo Bush, essas coisas já não acontecem”, repense. Em 2010 e 2011, a histeria que cerca a revelação dos crimes e vícios no modo como os EUA atuam no mundo levou várias figuras proeminentes do cenário político norte-americano a “exigir” que Assange fosse classificado como terrorista, que fosse preso e processado como espião. E houve até quem pregasse que fosse assassinado.

O deputado Peter King, Republicano de New York, presidente da Comissão de Segurança Nacional da Câmara de Deputados, exigiu que WikiLeaks fosse declarada organização terrorista e que Assange fosse processado nos termos da Lei de Espionagem de 1917, posição partilhada pela senadora Dianne Feinstein, Democrata da California, presidente da Comissão de Inteligência do Senado, que escreveu, em coluna assinada no Wall Street Journal:

“A divulgação desses documentos causa dano aos nossos interesses nacionais e põe em risco vidas de inocentes. Ele deve ser vigorosamente processado por espionagem”.

Sarah Palin
Outros foram ainda mais longe e exigiram que Assange fosse assassinado, por meios judiciais ou extrajudiciais. Por exemplo, um ex-funcionário canadense, Tom Flanagan, pregou abertamente o assassinato de Assange.

A ex-governadora do Alaska Sarah Palin disse de Assange que seria “agente antiamericano com sangue nas mãos”, caso a ser tratado como se tratam os terroristas da al-Qaeda.

Em postado em Facebook, Palin disse que Assange seria tão jornalista quanto o “editor” da revista da al-Qaeda em inglês, Inspire. E acrescentou:

“Os documentos secretos que ele divulgou revelaram a identidade de mais de 100 contatos afegãos Talibã. Por que não é caçado com a mesma urgência com que caçamos os líderes da al-Qaeda e dos Talibã?”

Tudo isso considerado, ponham-se no lugar de Assange. Se o New York Times noticia, acuradamente, que o presidente Barack Obama considerou “fácil” a decisão de mandar assassinar Anwar al-Awlaki, cidadão norte-americano suspeito de ter participado de operações terroristas contra alvos norte-americanos... como confiar que o ex-professor de Direito Constitucional saberá resistir à pressão política para mandar assassinar... você?

Pode-se descartar qualquer movimento para dronar um prédio no centro de Londres. Mas Assange, muito compreensivelmente, deve temer uma operação clandestina pelos contrapartes britânicos do FBI e da CIA — MI-5 e MI-6 — para eliminá-lo “com preconceito extremo”, como se dizia antigamente na CIA.

Dr. David Kelly
Por melodramático que soe, é preciso não esquecer que faz apenas nove anos que o biólogo do Ministério da Defesa britânico e inspetor de armamentos da ONU, Dr. David Kelly, “foi suicidado”. Sobrevivem até hoje muitas provas (circunstanciais) de que aquele suicídio não foi autoinfligido.

Kelly foi considerado “culpado” por ter distribuído informação acurada e verdadeira sobre a inexistência de “provas” das armas de destruição em massa que haveria, mas jamais houve, no Iraque. Foi convenientemente removido do palco, há quem acredite, pelas próprias mãos. A embaixada do Equador bem fará se contratar provadores britânicos, para provar todo o foie gras, trufas e bolinhos que encomendem na Harrods, vizinha.

Correa na televisão, com Assange

Quatro semanas antes de Assange procurar asilo, ele entrevistou o presidente do Equador, Rafael Correa, no 6º episódio do programa “The World Tomorrow” (programa de entrevistas, assinado por Assange, no canal Russia Today, exibido às 3ª-feiras [2]). Assange perguntou a Correa por que tanto insistira para que WikiLeaks divulgasse todos os telegramas que tinha. Correa respondeu:

“Porque quem nada deve nada teme. Nós nada temos a ocultar. De fato, os [telegramas divulgados por] WikiLeaks nos fortaleceram.” (...) Nós não tememos nada. Que publiquem tudo o que tenham a publicar sobre o governo do Equador. Não se encontrará nada contra nós. E veremos aparecer muitas informações sobre entreguismos, traições, acertos, feitos por muitos supostos opositores da revolução cidadã no Equador…

Correa comentou que quando os telegramas WikiLeaks foram distribuídos para as empresas de mídia no Equador, as empresas optaram por não publicá-los – em parte porque os documentos revelavam muito, também, sobre os próprios veículos e os próprios jornalistas. Lembrou que quando assumiu a presidência, em janeiro de 2007, cinco das sete empresas privadas de comunicação com canais de televisão no Equador eram propriedade de banqueiros. Os banqueiros usavam a máscara do jornalismo, para interferir na política e desestabilizar governos, por medo de perder poder.

Equador e EUA

Rafael Correa
Correa, 49, formado na Bélgica, na Universidade Católica de Louvain e na Universidade de Illinois em Urbana/Champaign (onde viveu por quatro anos e obteve dois títulos, de mestre e de PhD em economia), disse que admira muito o povo norte-americano. Mas o governo dos EUA é outro assunto.

Assange e Correa discutiram a decisão de Correa de expulsar do Equador a embaixadora dos EUA, Heather Hodges, tanto pelo que os telegramas de WikiLeaks revelaram quanto pela “arrogância” da embaixadora; discutiram também a decisão unilateral do presidente do Equador, de ordenar o fechamento da base militar dos EUA que havia em Manta.

Mesmo assim, tem-se a impressão de que Correa ainda tem grandes esperanças de que as coisas possam melhorar no governo Obama. O presidente do Equador comentou uma vez que o que Hugo Chávez dizia de Bush – que é o demônio – não era justa com o demônio. E que o governo de Bush tornara “invisível” a América Latina.

Sobre as relações gerais entre Equador e EUA, Correa disse a Assange que teriam de ser “um quadro de respeito mútuo e soberania.” Essa expectativa de respeito mútuo, sobretudo o respeito que Washington deve à soberania do Equador estará sendo testada nas próximas semanas.

Hillary Clinton
Hillary Clinton já deve estar arrependida de ter gasto tanta energia em sua primeira visita à Suécia como secretária de Estado, no início do mês. Se Assange conseguir escapar às garras suecas e partir para o Equador, Clinton será obrigada a repor Quito em sua agenda de viagens.

Há dois anos, uma visita de Clinton à capital do Equador foi marcada por vastos protestos, mas o presidente Correa revelou-se anfitrião elegante e cortês. Sim, mas isso foi antes de o Equador ser informado dos comentários que a embaixadora Hodges dedicava ao próprio Correa e sua equipe; antes, portanto, de Correa ter despachado a embaixadora de Clinton, de volta para casa, por excesso de “arrogância”.

Correa parece ter desenvolvido alergia aguda a arrogâncias. Clinton, portanto, talvez deva considerar a possibilidade de mandar alguém em seu lugar, no caso de os EUA precisarem persuadir o Equador a entregar Assange às suaves graças da “justiça” norte-americana.


Notas dos tradutores
[1] 19/6/2012, Glenn Greenwald, Salon, em: Assange asks Ecuador for asylum (excerto traduzido ao português na redecastorphoto)
[2] A entrevista (22/5/2012, redecastorphoto) pode ser vista em vídeo, traduzida ao português, em: Assange entrevista No. 6 – “Rafael Correa, presidente do Equador”
[3] Saltei de Banda, a seguir:


Saltei de Banda

Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda

Eu já cansei de enganar a todo mundo
que eu era santo

mas não existe ninguém minha mana
que me acredite tanto

Agente já viu muitos caminhos à nossa frente
você já esteve doente
você também ficou bom
e hoje agente está nesse caminho
mas bem feito para gente

Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda

Eu já cansei de enganar a todo mundo
que eu era santo
mas não existe ninguém minha mana
que me acredite tanto

Agente já viu muitos caminhos à nossa frente
você já esteve doente
você também ficou bom
e hoje agente está nesse caminho
mas bem feito para gente

Você descobre e eu também
que nem tudo no mundo é sonho
e agora eu sei.

Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda

Eu já cansei de enganar a todo mundo
que eu era santo
mas não existe ninguém minha mana
que me acredite tanto.